00:00E as expectativas de um acordo entre Brasil e Estados Unidos sobre o tarifácio, o presidente Lula afirmou nesta segunda-feira
00:06que pretende enviar para Washington uma equipe de alto nível para conduzir as negociações entre os dois países. Acompanhe.
00:14Não era possível, nem vocês acreditavam, que numa única conversa a gente pudesse resolver os problemas.
00:22O que nós estabelecemos é uma regra de negociação e toda vez que tiver uma dificuldade eu vou conversar pessoalmente com ele.
00:31É isso, ele tem o meu telefone, eu tenho o telefone dele, nós vamos colocar as equipes para negociar, a minha equipe é de alto nível,
00:38a minha equipe é o Alckmin, é o Haddad e é o Mauro Vieira e nós queremos negociar, nós queremos negociar o fim das punições ao nosso ministro da Suprema Corte,
00:48nós queremos negociar o fim da punição contra o ministro Patrícia e a sua filha, nós queremos negociar a taxação,
00:56porque a taxação, segundo a carta dele, foi equivocada, sabe, numa mentira que tinha déficit com o Brasil.
01:03Ele tem superávit e ele sabe disso porque eu entreguei para ele uma carta.
01:08Pois é, de acordo com o governo, essa equipe de ministros deve viajar aos Estados Unidos na semana que vem.
01:13Ainda falando sobre esse assunto, o nosso entrevistado agora é o doutor em Direito Internacional pela USP,
01:19consultor em Comércio, Velber Barral, mais uma vez atendendo aqui a Jovem Pan.
01:23Tudo bem, doutor? Como vai? Muito obrigado por estar aqui. Bem-vindo.
01:27Tiago, boa noite. Muito obrigado a todos os convites.
01:29Bom, claro que de ontem para hoje, muitas discussões, as falas do presidente Lula,
01:36essa expectativa de uma equipe da diplomacia brasileira, junto, claro, com os ministros,
01:41essas equipes vão para os Estados Unidos na semana que vem.
01:44Por enquanto, é mais uma expectativa do que algo concreto em relação a fim de tarifas,
01:51são negociações de tarifas.
01:53Mas o senhor sabe melhor do que ninguém que a diplomacia é construída muito devagar.
01:58Nesse caso, tomando como base do que nós acompanhamos de ontem para hoje,
02:03este é o caminho certo, doutor?
02:05Este é o caminho certo, Tiago.
02:07Agora, de fato, nós estamos numa negociação.
02:09Até essa reunião do Trump com o Lula, não havia sido lançada uma negociação.
02:15A negociação foi lançada.
02:17O Brasil expressou seus principais interesses,
02:19que são, fundamentalmente, a redução da tarifa e o fim das sanções.
02:24E agora é a vez dos Estados Unidos dizerem o que querem colocar sobre a mesa.
02:28Não será uma negociação simples.
02:31Há temas complexos envolvidos.
02:32E, claro, essa negociação tem que se iniciar para que ela possa ser terminada no prazo razoável.
02:39Os comentaristas.
02:40Aqui é a Deise Chocari no estúdio.
02:42Sua pergunta, Deise.
02:43Oi, professor.
02:44Boa noite.
02:45Professor, eu vou ter que lhe fazer uma pergunta que acho que todo mundo está fazendo,
02:49mas ela é inevitável.
02:50O senhor acredita num recuo por parte desse tarifácio dos Estados Unidos?
02:57E, se sim, de quanto seria esse recuo?
02:59O senhor consegue estimar alguma possibilidade?
03:05No último final de semana, os Estados Unidos assinaram vários acordos na reunião da Malásia.
03:12Então, na reunião da Malásia, eu acho que, inclusive, não avançou mais com o Brasil,
03:16porque os Estados Unidos estão fechando vários acordos.
03:18Vai haver uma reunião que vai ser a mais importante entre o Xi Jinping e o Trump.
03:24Além disso, estão tentando fechar um acordo para o Trump assinar na Coreia.
03:29Além disso, assinaram, esse final de semana, vários acordos com a Malásia, a própria Malásia,
03:36com a Tailândia, com a Austrália na área de terras raras e com o Camboja.
03:41Em todos esses casos, eles ficaram numa taxa próxima de 19% a 20%, dependendo do país.
03:49Então, foi a taxa negociada 19% a 20%, tendo como contrapartida o acesso para produtos americanos
03:56e, em alguns casos, o tratamento especial para alguns produtos.
04:00Foi o caso do café e vitiramita, que ficou com 0%.
04:03Então, a negociação brasileira deve estar em alguma coisa entre 10% e 20% como parâmetro
04:10e, a partir daí, com o tratamento específico para alguns setores.
04:14Essa deve ser a perspectiva de um resultado final.
04:17Doutor, na sequência, a pergunta de Dora Kramer.
04:19Dora?
04:19Dora Kramer.
04:20Dora Kramer.
04:21Boa noite.
04:22Ah, vou fazer logo duas, tá?
04:24Porque tem muita coisa aí em jogo.
04:27Essa que a Deise fez era uma pergunta minha que eu acharia fundamental se eu responder com
04:33bastante objetividade.
04:36O senhor acha que, claro que a questão comercial, a questão tarifária e tal, é o principal, vai
04:43demorar, já entendi tudo isso.
04:45Mas o senhor acha, essa é a primeira, o senhor acha que pode, essa intenção de se estender para sanções aos ministros, o presidente Lula citou, os do Supremo e também o Padilha, isso pode entrar?
05:02E a outra pergunta, claro, é sobre a Venezuela. O senhor acha que, como é que o senhor vê o fato da Venezuela ter entrado no meio dessa mesa?
05:11Dora, então, tem uma pergunta fácil, né? Mas vamos lá, no caso das tarifas, nós temos que lembrar que os Estados Unidos vão colocar outros temas completos sobre a mesa.
05:22Nós já sabemos que vão entrar temas sobre reglamentação de terras raras, cooperação na área de terras raras, por exemplo, e temas relativos à reglamentação do mercado digital.
05:31Todos são problemas complexos, vão ter que envolver outros ministérios, vão ter que envolver o Congresso Nacional, inclusive.
05:37Então, não é uma negociação simples e nem rápida, isso por um lado.
05:42Com relação ao segundo tema, é bom lembrar que nas negociações dos Estados Unidos, que foram concluídas até agora, tem os temas mais diversos envolvidos.
05:51No caso do Reino Unido, foram veículos por relação à carne, no caso da Europa, entraram temas sobre a taxa digital,
06:00no caso da, agora anunciado no final de semana, com Malásia e Indonésia, entraram compras de aviões da Boeing.
06:07Então, tem vários temas envolvidos, dependendo do país, nada impede que os temas das sanções estejam sobre a mesa também.
06:15Agora, com relação à Venezuela, o que houve foi uma oferta brasileira que não foi respondida,
06:21de que o Brasil pudesse, como já atuou no passado, inclusive no outro governo Trump,
06:27que o Brasil pudesse ser o mediador para evitar um conflito maior na América do Sul.
06:33O Brasil tinha que fazer a sua oferta, faz parte de ser o país mais importante da América do Sul.
06:39Agora, vamos ver como vai evoluir esse conflito bilateral entre os Estados Unidos e Venezuela.
06:45Doutor, uma última questão.
06:47Até que ponto os efeitos do talifácio para a economia americana vão entrar nessa discussão com o governo brasileiro?
06:55Ou seja, se existe efetivamente o interesse do governo americano a amenizar essa situação?
07:01Existe, Tiago.
07:02E aí tem alguns pontos que são bem específicos e bem visíveis.
07:06O preço do café nos Estados Unidos hoje é um problema.
07:09Você tem tido desde cadeias de cafés até consumidores reclamando muito.
07:16O preço da carne tem preços históricos.
07:19Então, você tem vários produtos, tem outros produtos em que o Brasil não é o principal fornecedor,
07:25mas que o fornecimento brasileiro poderia amainar a inflação que começa a ser repassada para o consumidor americano.
07:32Então, o que nós vamos ver nos próximos meses também vai ser uma pressão do lado dos consumidores americanos
07:38com relação à redução de algumas tarifas que impactam muito no custo de vida.
07:42Eu sou o Berber Barral, que é consultor em comércio internacional.
07:46Muito obrigado mais uma vez por atender a Jovem Pan.
07:49Voltaremos a nos falar.
07:50Boa semana para o senhor.
07:51Um abraço.
07:52Boa semana, Tiago.
07:53Boa noite.
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