00:00O presidente Lula continua a sua agenda ao Sudeste Asiático para a cúpula da ASEAN, que acontece no próximo domingo.
00:08Um encontro entre ele e Donald Trump é esperado para esse dia.
00:12Hoje, Lula terá compromissos oficiais com representantes da Associação de Nações do Sudeste Asiático
00:18e de lá seguirá para Kuala Lumpur na tarde de hoje.
00:23Para comentar o assunto, eu vou ao vivo então à Brasília com a Fernanda Sete.
00:28Fernanda, primeiramente, bom dia, boa sexta-feira para você.
00:32Ainda existe, não foi confirmado, mas existe muita expectativa para esse encontro que deve acontecer no domingo, não?
00:41Exatamente, Paula, muito bom dia para você e para todo mundo que nos acompanha nessa sexta-feira.
00:45Olha, o presidente Lula embarca hoje, sexta-feira, para a Malásia, cumpriu a sua missão na Indonésia
00:52e agora segue para a Malásia para participar de encontro com líderes asiáticos.
00:57Lula agradeceu durante esses dias na Indonésia, agradeceu aos ministros e empresários
01:02que o acompanharam nessa comitiva à Indonésia e, claro, enalteceu, falou das parcerias
01:08que foram firmadas no Sudeste Asiático em diversos setores, econômico, comercial
01:13e também parcerias firmadas com as universidades e também cientistas.
01:18E, claro, Paula, hoje, sexta-feira, a expectativa grande dessa reunião entre o presidente Lula
01:23e o presidente norte-americano Donald Trump, que pode acontecer neste domingo, não está
01:28de fato confirmada oficialmente, mas há uma expectativa grande dessa reunião acontecer
01:34no domingo, já que ambas as agendas dos chefes de Estado estarão livres no domingo à tarde.
01:40Então a expectativa é, sim, muito grande.
01:42O presidente Lula falou com a imprensa ali antes de embarcar para a Malásia e, claro,
01:49já deu como certa essa reunião com o presidente norte-americano Donald Trump.
01:54Então essa reunião pode, sim, acontecer no domingo à tarde na Malásia.
01:59E Lula também destacou que essa reunião entre os dois presencial, esse encontro presencial
02:04já é esperado há muito tempo.
02:07E, claro, de acordo com o presidente Lula, essa reunião com o Trump será uma reunião livre,
02:12não tem nenhum assunto proibido, mas, claro, o foco é tratar da crise tarifária
02:18que impactou aí cerca de 45% das exportações brasileiras, tratar aí das medidas restritivas
02:25que foram impostas às autoridades brasileiras.
02:28Mas Lula falou que realmente a reunião será aberta e vão conversar ali tudo que tem que
02:33ser conversado.
02:34Claro, o foco é, sim, o tarifácio.
02:37Lembrando, né, Paula, que ontem o presidente Lula deu uma declaração polêmica, né,
02:41a declaração que ele vem dando desde o início dessa crise das tarifas, né, defendeu
02:46o multilateralismo e também defendeu aí o uso de moedas locais no lugar do dólar,
02:51né, no comércio exterior.
02:52Uma fala considerada polêmica, tendo em vista que faltam aí apenas dois dias para
02:56esse encontro tão esperado entre Lula e Trump.
02:59Mas, de acordo com a análise, né, do nosso próprio analista Eduardo Gaia, o próprio presidente
03:04Lula vem mantendo esse posicionamento, né, de defender o multilateralismo, a soberania
03:09nacional, então não é porque falta aí apenas dois dias para essa reunião que Lula vai
03:14mudar o tom de seu discurso.
03:16Então, o presidente Lula está, sim, muito confiante, o governo brasileiro também está
03:20muito confiante desse encontro presencial entre Lula e Trump no próximo domingo, né,
03:26neste domingo agora, a expectativa grande, né.
03:30Mas, com certeza, essa fala às vésperas da reunião realmente foram um pouco delicadas,
03:35né, mas, de acordo com o próprio analista, é a forma, é o tom que o presidente Lula
03:40vem mostrando, né, aí com relação à política externa.
03:45Então, realmente, ele não ia mudar o seu tom aí diante, né, dessa confirmação, dessa
03:51expectativa dessa reunião de domingo.
03:54Então, além disso, Paula, o presidente Lula falou também, né, que além de tratar das
03:58tarifas que forem postas aos produtos brasileiros, das funções, né, ele falou também que pode,
04:03né, conversar com o presidente Trump, com o presidente norte-americano, Donald Trump,
04:08sobre a questão dos recentes ataques aí ao presidente americano, da, os ataques, né,
04:15de Trump com relação ao presidente da Venezuela.
04:17Então, já colocou aí que esse assunto pode, sim, ser colocado ali na conversa entre os
04:24dois chefes de Estado.
04:25Porém, Paula, nós separamos um trechinho da fala do presidente Lula, onde ele afirmou
04:30estar confiante com essa reunião, estar confiante, né, em um futuro acordo para, de fato,
04:36encerrar essa crise tarifária que começou em abril deste ano, né, quando foram impostas
04:41ali aquelas tarifas de 10% sobre os produtos brasileiros.
04:45Em agosto, teve aí uma sobretaxa de 40% sobre os produtos, totalizando aí uma alíquota
04:50de 50% e que vem impactando não só as exportações brasileiras, mas, inclusive, os consumidores
04:56americanos.
04:57Então, o presidente Lula está, de fato, confiante que vai conseguir encerrar essa crise
05:02tarifária com os Estados Unidos e reconheceu também que a solução não deve sair desse
05:08encontro com o Donald Trump previsto para esse final de semana, que as conversas ainda devem
05:14acontecer em outros momentos.
05:16Vamos conferir a fala do presidente Lula.
05:20Se eu não acreditasse que é possível chegar a acordo, eu não faria a reunião.
05:27Eu nunca participo de uma reunião que eu não acredito no sucesso da reunião.
05:32Eu só vou saber se ela é sucesso ou não se eu participar.
05:37Então, eu vou participar da reunião na expectativa de que a gente tenha sucesso naquilo que o Brasil
05:42tem interesse, o Brasil tem interesse em recolocar a verdade na mesa, mostrar que os Estados Unidos
05:50não é deficitário, portanto, não tem explicação, a taxação feita ao Brasil, não tem explicação,
05:57não tem por que explicar, sabe, a punição de ministros nossos, sabe, de personalidades públicas
06:05brasileiras, nas leis americanas, não tem nenhuma explicação, porque eles não cometeram
06:10nenhum erro, eles estão cumprindo a constituição do meu país.
06:14E, ao mesmo tempo, a política de tributação é uma coisa que depende do Brasil, depende do
06:19Congresso Nacional.
06:21Então, isso vai ser colocado na mesa.
06:22Se o presidente Trump quiser discutir qualquer outro assunto, Rússia, Venezuela, sabe, eu
06:28estou aberto a discutir qualquer assunto.
06:29Não existe veto a nenhum assunto.
06:33Qualquer assunto que for colocado na mesa, a gente vai discutir o assunto, pensando na melhoria
06:39da possibilidade do comercial entre os dois países.
06:42Se bem que o acordo, certamente, não será feito amanhã, ou depois da manhã, quando
06:47eu me venho com ele.
06:47O acordo será feito pelos negociadores, que vão ter que sentar Alckmin, Mauro Vieira
06:52e Haddad, junto com o pessoal do governo americano, para negociar.
06:56Eu queria que fosse ontem, mas se for amanhã, já está bom.
07:01A Mariana Almeida já está aqui no estúdio com a gente.
07:04Mari, boa sexta-feira, bom dia, nessa véspera do fim de semana que promete ser tão aguardado
07:11com o encontro, o possível encontro de Donald Trump com o Lula.
07:15Pois é, Paulo, bom dia para você, bom dia para todo mundo que nos acompanha aqui
07:17não agora.
07:18Mari, eu estava prestando atenção aí nessas falas do presidente e também nas informações
07:21que a Fernanda Sete nos trouxe.
07:24Será que a fala do presidente Lula sobre a substituição do dólar por moedas locais,
07:29que já é uma discussão que vem vindo de longa data por conta dos BRICS, não pode ser
07:35um embaraço nessas negociações?
07:37Então, Paula, acho que caldo do ponto de vista de divergência política para afastar
07:43Donald Trump e Lula das negociações não falta.
07:46Porque a questão da moeda é um dos aspectos que o presidente Lula vem sistematicamente
07:52relembrando das possibilidades do Brasil estar, seja frente aos BRICS, seja nos acessos bilaterais,
07:59falou bastante na Indonésia sobre isso.
08:01A ideia de que é preciso se afastar da dependência do dólar e ele fala isso em diversos espaços
08:07e isso é o oposto do que Donald Trump fala, que é a força dos Estados Unidos, a liderança
08:11dos Estados Unidos, inclusive enquanto moeda internacional.
08:14Então, esse é um aspecto.
08:15Mas, para se quiser colocar mais coisa aí nesse contexto do que pode dar errado, tem
08:21certamente toda a questão política na América Latina, a relação com a Venezuela, que inclusive
08:28o presidente Lula falou que pode entrar no tema durante a reunião, o que pode ser explosivo.
08:33A própria questão política que deu início aí ao tarifácio, que é o julgamento do ex-presidente
08:38Jair Bolsonaro, as ações que foram feitas contra os ministros do Supremo Tribunal Federal.
08:45Então, tem caldo para haver divergência de maneira bastante substancial.
08:50Agora, alguns desses temas são políticos e a questão da moeda, que é bastante econômica
08:56e significativa, ela não é muito imediata.
08:59Ou seja, o presidente Lula pode até falar e conversar bastante sobre a importância de
09:03se afastar do dólar.
09:04Mas esse é um processo mais lento, um processo que depende de uma reorganização internacional
09:09bem profunda, de uma mudança de cultura, de processo de transação entre moedas, tanto
09:14bilaterais quanto em blocos, que pode ir acontecendo, pode ir gerando defeitos, mas, como eu falei,
09:19não é muito imediato.
09:21Então, se de um lado tem muita coisa que poderia afastar, essas coisas não são, de
09:27alguma maneira, tão resolutivas quanto o que pode aproximar, que é o quê?
09:32Interesses muito concretos do ponto de vista de ambos os países, primeiro, em retomar algumas
09:37transações comerciais que têm afetado tanto o Brasil quanto os Estados Unidos.
09:43O presidente Lula fala várias vezes que vai mostrar para o presidente Trump que não
09:46tem sentido tarifácio.
09:47Acredito que o presidente Trump saiba bastante sobre a continha, mas, assim, que conta?
09:53A conta de que a carne está chegando mais caro, o café está chegando mais caro, teve
09:57a perda dos pescados, que afeta menos os americanos, mas afeta muitos produtores aqui do Brasil.
10:03Essas questões aí comerciais são conhecidas e, sim, são negativas para ambos.
10:09A questão é que elas precisam, então, de uma resolução rápida, só que, provavelmente,
10:13os Estados Unidos querem empurrar junto com isso alguma outra negociação também
10:16mais imediata.
10:17Se for isso, se for mais imediata, o acordo pode trazer, por exemplo, uma conversa mais
10:22concreta sobre a questão das terras raras ou entrar alguma coisa das big techs.
10:27Quer dizer, o que dá para colocar na mesa para destravar o que é concreto, que é a
10:34volta atrás do tarifácio, sendo que, provavelmente, os Estados Unidos querem fazer algum jogo econômico
10:38ainda imediato de ganho em relação a isso.
10:41Se for algo que está na margem de discussão econômica do governo Lula, sai acordo, sai
10:47anúncio e é possível que essa reunião seja bem sucedida.
10:50Se, no meio disso, vier à tona e todo esse outro caldo que eu estava mencionando antes
10:55sobre as divergências políticas e se algum dos dois lados resolver colocar isso acima
11:00para surfar aí em termos de narrativa, o que costuma ser uma possibilidade para os
11:05dois, aí, provavelmente, isso volta atrás e o centro que é possível ter acordo com
11:10esse centro econômico estrito, onde há interesse mútuo, pode acabar ficando, de novo, postergado.
11:16Então, vamos ver, é bastante coisa para a gente acompanhar, tem muita peça para ser
11:20organizada, tem coisas, como eu disse, concretas para serem resolvidas, mas vai depender de que
11:25o resto não atrapalhe, que não tenha um excesso de fumaça política no meio do contexto
11:32bem central ali do que pode ser destravar do ponto de vista econômico, viu, Paula?
Comentários