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O chanceler Mauro Vieira avaliou como produtiva a reunião com o secretário de Estado americano Marco Rubio, em Washington (EUA). Louise Maiana detalhou os avanços do diálogo e os próximos passos que podem levar a um encontro entre Lula e Donald Trump. Acompanhe a análise de Mariana Almeida.

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Transcrição
00:00O chanceler Mauro Vieira afirmou que teve uma conversa muito produtiva com o secretário de Estado americano Marco Rubio.
00:08A reunião aconteceu ontem em Washington. Todos os detalhes com a nossa correspondente Luiz Imayana.
00:15A reunião entre o chanceler brasileiro Mauro Vieira e o secretário de Estado Marco Rubio demorou cerca de uma hora.
00:23Essa reunião foi dividida em duas etapas. Primeiro houve uma reunião fechada justamente com o chanceler e com o secretário de Estado, apenas os dois.
00:33E na sequência eles abriram essa reunião para integrantes de equipes de trabalho que foram formadas de ambos os lados, tanto o lado americano como o lado brasileiro também.
00:44Eles contaram com a participação do lado brasileiro da própria embaixadora do Brasil aqui em Washington, capital dos Estados Unidos, a Luisa Viotti.
00:54Ela também esteve presente nessas reuniões.
00:57Depois o ministro participou de um pronunciamento justamente aqui na residência da embaixada brasileira.
01:03Ele falou que a conversa foi muito produtiva, positiva, até mesmo descontraída.
01:08Disse que é um princípio, é um princípio de um caminho justamente para garantir o diálogo entre os dois países e a manutenção das tratativas rumo a uma negociação.
01:20E também pensar num encontro presencial entre o presidente Donald Trump e o presidente Lula.
01:26Mauro Vieira não disse quando nem onde esse encontro deve acontecer, mas disse que esse é o próximo objetivo a partir de agora.
01:35De Washington, Luiz e Maiana, para o Times Brasil, licenciado exclusivo CNBC.
01:41Vou dar um bom dia para ela, Mariana Almeida.
01:45Já chegou a sexta-feira, a gente sempre fala tanto que sexta-feira tem uma vibe gostosa, a gente fica feliz.
01:50Já deu muitas notícias por aqui, né Mari?
01:52É isso mesmo, fala bom dia para você e para todo mundo que está sextando com a gente aqui logo de manhã.
01:57É isso mesmo.
01:58Mari, em relação a esse VTzinho que a gente viu da Luiz e Maiana, ou seja, o encontro aconteceu,
02:04eles avaliaram como produtivos e já sabemos que sim, que o encontro então entre Donald Trump e o presidente Lula vai acontecer,
02:12só não tem ainda a data nem o local.
02:15Qual que é a sua primeira análise em relação ao que aconteceu ontem?
02:20Bom, acho que a gente tinha um certo medo, uma instabilidade, inclusive pela possibilidade do Marco Rubio,
02:24de repente, elevar o tom e criar alguma dúvida com relação à possibilidade de seguir a porta aberta do ponto de vista da negociação.
02:32E isso não aconteceu, acho que foi muito positivo, inclusive, a nota conjunta,
02:37então é importante, porque a briga por narrativas é uma coisa muito comum, que é nesse governo Trump,
02:44e nesse caso os dois assinaram uma nota comum, os dois afirmando que existe conversa, que a agenda é ampla,
02:51ou seja, o tema que o Brasil está levando especificamente, que é a saída do tarifácio em conjunto com a redução dos efeitos que os Estados Unidos colocou
03:03sobre os ministros do STF, isso está na pauta.
03:07Além disso, tem uma agenda econômica mais ampla que a gente fala, já bastante aqui,
03:11sobre os interesses dos Estados Unidos nas terras raras brasileiras, no investimento aqui,
03:16a questão toda também das big techs, é isso, a agenda é ampla, a conversa continua, isso é o fundamental.
03:23Muito possivelmente a gente deve ter novidades ainda este mês, porque tem uma possibilidade que o encontro aconteça na Malásia,
03:31no final agora de outubro, mas é isso, os desdobramentos, a gente vai ter que acompanhar para seguir nesse tom.
03:37É um equilíbrio de fio de navalha, porque como tem muita coisa acontecendo ao mesmo tempo,
03:42e as movimentações geopolíticas são cada vez mais aceleradas, os riscos vão se colocando e a gente vai observando com cautela
03:49para saber se isso vai ou não vai gerar alguma ruptura dessa conversa.
03:53Ontem, por exemplo, um dos riscos era a própria questão da Venezuela, quer dizer, em que medida que isso seria trazido à tona,
03:59seja pelo brasileiro, seja pelo americano, e isso acabou ficando de fora, fortalecendo a conversa ali,
04:07que estava posta, de fato, no interesse bilateral.
04:10Outro aspecto que também pode ter ajudado a dar uma acalmada é que, paralelo a essa conversa,
04:14o Brasil tem conversado com a Índia, e ontem mesmo saiu um anúncio também do Brasil entrando um pouquinho mais forte
04:20na possibilidade de oferta de petróleo brasileiro para a Índia,
04:24o que começaria a ajudar numa diversificação para que ela confirmasse o que disse para Donald Trump,
04:30que é o quê? Que ela quer reduzir as importações do petróleo russo.
04:34Então, geopolítica complexa, possibilidade de ajudar de um lado, de atrapalhar do outro,
04:40e no centro, a necessidade de que se reorganize essa questão bilateral
04:43para que a gente possa seguir nesse caminho bem tortuoso de debater para onde vai a geopolítica internacional
04:49sem a pressão tão forte, sem a faca no pescoço do tanifácio que acaba atrapalhando significativamente
04:55os produtores brasileiros. Paula?
04:58Mari, só para complementar seu comentário, muita gente estava preocupada,
05:02até você mencionou no início da sua análise, com essa postura mais dura, mais ideológica do Marco Rubio,
05:07e não foi o que aconteceu. Então, acho que isso por si só também já demonstra um passo adiante.
05:13Tinha muita coisa para dar errado. E as coisas têm dado errado várias vezes
05:20quando se trata de conversas, negociações com a Casa Branca.
05:24E a boa notícia é essa, não deu errado, temos um próximo passo.
05:28Significa que chegamos ao fim, que está tranquilo? Não, não é isso.
05:32Até porque, basicamente, o que a gente está fazendo ainda é pavimentando a possibilidade
05:37de entrar, de fato, na negociação. Antes não tinha, vamos lembrar, desde julho,
05:41portas fechadas, zero negociação, nenhuma conversa, assuntos entrecortados,
05:46a menção mais forte ao julgamento aqui no Brasil com a questão do ex-presidente Jair Bolsonaro,
05:54tudo meio atrapalhado. Isso, esse momento a gente superou, agora está em tratativas,
05:59são bem mornas, né? A notícia, a nota conjunta é tudo meio morno, meio sem dados,
06:06mas não está piorando. Isso, de alguma maneira, quando se trata de negociação com os Estados Unidos,
06:10quer dizer, pavimentar uma conversa e uma negociação, talvez seja o máximo que dá para esperar
06:16nesse novo normal de fortes instabilidades e poucas certezas sobre quais são todos os interesses
06:22que estão em jogo quando você entra numa relação internacional aqui, viu, Paula?
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