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Investidores amargaram perdas de até 93% em COEs lastreados em Braskem e Ambipar. Marília Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos, explicou ao Real Time os riscos ocultos, a cláusula de vencimento antecipado e os cuidados que todo investidor deve ter em produtos estruturados.

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Transcrição
00:00Investidores amargam prejuízos de até 93% em COEs lastreados em Braskem e Ambipar.
00:07A corretora XP teria dado vencimento antecipado em certificados e já comunica clientes sobre as cautelas.
00:14A gente conversa agora com a Marília Fontes, que é da Nord Investimentos, para entender os riscos ocultos nessas operações.
00:21Marília, bom dia para você e seja muito bem-vinda aqui ao Real Time.
00:25Muito obrigada pelo convite e bom dia para todos vocês.
00:27Nosso analista Rodrigo Loureiro também participa da entrevista.
00:30Bom dia, Marília.
00:31Bom dia, Rodrigo.
00:33Bom, eu queria que você explicasse para a gente, então, da maneira mais didática possível,
00:36o que quer dizer esse vencimento antecipado em COEs e em que circunstâncias que ele é acionado?
00:44Essa cláusula de vencimento antecipado não é uma cláusula que tem em qualquer COE.
00:50Tinha nesses dois especificamente, da Braskem e da Ambipar.
00:53E a cláusula dizia que se o valor do bonde, do bonde negociado, do título de crédito negociado,
01:04caísse mais do que 50% do seu valor, eles decretariam vencimento antecipado dessa dívida.
01:12Então, era uma cláusula que existia especificamente nesses dois e como recentemente.
01:19As ações da Ambipar e da Braskem caíram bastante por questões de dívida.
01:24Aconteceu também que os títulos de dívida caíram muito de valor, mais do que os 50%,
01:30trigando aí essa cláusula de vencimento antecipado.
01:35Então, esses COEs eram lastreados nesses títulos e, portanto, quando os títulos perderam valor,
01:41eles acabaram tendo que ser liquidados imediatamente.
01:46A gente está observando todo esse caso, analisando todo esse caso e está vendo muitos investidores
01:54reclamando com as corretoras, com os bancos, sobre a alocação do capital.
01:59Muita gente perdeu muito dinheiro.
02:02Esse produto, esse COE, é um produto de risco alto ou é um produto de risco moderado,
02:09como estava sendo vendido por algumas corretoras, que ele tinha um risco moderado,
02:14não um risco muito alto. Quando você tem uma liquidação, quando você tem uma perda
02:17de dinheiro, todo mundo começa a achar também que o risco era altíssimo.
02:21Na sua opinião, era moderado ou alto?
02:25Eu acho que foi ficando alto com o tempo.
02:27No começo, a própria Ambipar era uma empresa não tão alavancada.
02:32Então, quando a gente pega o começo do ano passado de Ambipar,
02:36ainda era uma empresa que estava crescendo bastante, fazendo bastante M&A,
02:40mas ainda com uma dívida alta, mas ainda sob controle.
02:44Mas, em algum momento, a Ambipar começou a se alavancar demais,
02:49teve a puxada nas ações, uma puxada muito forte, que também colocou tudo a perder, digamos assim.
02:56Então, o problema do COE é que ele é um instrumento sem liquidez.
03:01Então, você tem o vencimento daquele título em questão, acho que era 2030, se não me engano,
03:06em 2031, e você tinha que se manter no COE até 2031.
03:11Então, as condições das empresas mudaram e o investidor não conseguiu liquidez
03:18para sair desse investimento.
03:21E tem a questão também da cláusula do vencimento antecipado.
03:25A grande maioria dos investidores que compraram o COE,
03:28pensaram que ele era capital protegido e, portanto,
03:31na pior das hipóteses, teriam pelo menos o dinheiro que eles investiriam inicialmente,
03:37o que faria dele um título um pouco mais protegido, um pouco mais cauteloso.
03:44Mas essa cláusula específica de vencimento antecipado
03:48e a eventualidade de uma piora muito grande do risco do papel,
03:54acabaram tornando o investimento super arriscado.
03:57Então, acho que as condições foram mudando, iniciaram com o título um pouco mais protegido
04:03e, à medida que a empresa foi piorando,
04:05as condições desse ativo específico foram piorando também.
04:10Marília, é claro que quando a gente compra papel de uma empresa privada,
04:13a gente sempre está sujeito ao risco, até ao risco de solvência da empresa.
04:16Mas, de forma geral, que lições você acredita que os investidores podem tirar desse caso
04:22para evitar surpresas parecidas em produtos estruturados no futuro?
04:27O que eu acho é que o investidor tem que ter conhecimento do ativo que ele está investindo.
04:33Então, investir em educação financeira e entender como funciona aquele produto.
04:39Muitos investidores, por não entenderem muito do mercado financeiro,
04:42acabam delegando a gestão para outros consultores ou assessores ou gerentes.
04:48E é importante também fazer uma diligência a respeito desses consultores, desses assessores.
04:56Então, quais os incentivos que ele tem, como eles são remunerados.
05:02Acho que tudo isso é muito importante do investidor ter conhecimento e entender.
05:07Por exemplo, os COE são produtos que pagam muito comissionamento para os assessores.
05:11Então, isso também é um fator importante.
05:13Às vezes, o assessor tem o incentivo de colocar muito mais COE do que aquele cliente aguentaria,
05:20toparia naquele nível de risco.
05:22Então, acho que o que o investidor tem que fazer é ele mesmo conhecer um pouquinho mais
05:29ou dos ativos que ele está investindo ou, pelo menos, conhecer um pouco mais
05:33daquele assessor que está o assessorando a tomar aquela decisão.
05:37Marília, a gente sabe que você citou bem como funciona a prática dos assessores
05:43querendo vender o investimento para os correntistas.
05:47E a gente sabe que essa comunicação, muitas vezes, é pelo WhatsApp,
05:50é com aquela mensagem atrativa, prometendo um retorno alto,
05:54muitas vezes acima da média do mercado,
05:56e que geralmente não mostra os riscos atrelados a esse investimento
06:01ou deixa ali meio vaga essa questão.
06:04No caso, vamos supor aqui, fazer um exercício hipotético.
06:08No caso da mensagem ter sido enviada para um investidor
06:12sem apontar os riscos que aconteceram,
06:15o caso da liquidação antecipada desses títulos,
06:19sem apontar essa possibilidade.
06:21Esses bancos que ofertaram esses títulos,
06:25eles podem ser responsabilizados por não terem ali enviado as informações
06:30num primeiro momento, ou a responsabilidade fica por conta do investidor
06:35que acabou não lendo as letras miúdas e pequenas dos contratos?
06:41Olha, infelizmente, acaba sempre ficando na mão do investidor.
06:45Como você mesmo disse, quando você vai aceitar o investimento,
06:49eles mandam um push, que a gente chama, que é uma comunicação,
06:53e você tem que dar o seu aceite.
06:56E nesse aceite tem uma série de contratos e letras miúdas,
07:00como você comentou, e a verdade é que muita pouca gente lê todos esses detalhes,
07:08até porque na grande maioria das vezes as pessoas tampouco entendem,
07:12não é a área delas, enfim.
07:14Então, nesse caso, a corretora, o banco,
07:19eles têm essa salvaguarda de não serem responsabilizados
07:25pela decisão final do investidor.
07:28Certo, Marília Fontes, sócia fundadora da Nord Investimentos.
07:32Muito obrigado pela sua participação hoje aqui no Real Time.
07:35Bom dia.
07:36Um bom dia para vocês.
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