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O Brasil está envelhecendo, mas a sociedade ainda nutre preconceitos. O Documento JP investiga o etarismo e como ele afeta a vida de milhões de brasileiros no mercado de trabalho e no dia a dia.

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Transcrição
00:00Para muitos, a chegada da terceira idade ainda carrega o estereótipo de fragilidade e dependência.
00:07Mas a realidade no Brasil mostra um outro lado, uma história de vitalidade e protagonismo.
00:14É a geração prateada, um grupo que está rompendo barreiras, mantendo-se ativo e mostrando que a vida,
00:22após os 60 anos, é um capítulo de novas conquistas.
00:26Eles estão empreendendo, voltando aos bancos escolares e se dedicando a esportes com uma energia que inspira.
00:35Prepare-se para conhecer o Brasil que envelhece com muita disposição, aqui no documento Jovem Pan.
00:48Eu sou um velho, eu sou careca, eu tenho barbas brancas, eu uso óculos.
00:53E essas rugas, elas mostram sabores e dessabores que eu vivi pela vida e tenho muito orgulho delas.
01:00Vamos desconstruir a palavra velho, porque no Brasil o velho é sempre o outro.
01:05Enquanto com Gaia Ficha, você não luta contra o idadismo.
01:12É preciso que a gente incorpore e se sinta bem sendo velho.
01:18O velho é o jovem que deu certo.
01:20E eu almejo para você, mais jovem, um futuro que te abrace.
01:26Essa questão da luta contra o idadismo, ela começa dentro de si.
01:30Eu sempre trabalhei em televisão, né?
01:37E eu tinha um programa na TV já há 16 anos, um programa muito consolidado.
01:45Mas aí eu estava fazendo 60 anos de idade e eu já vinha percebendo uma mudança de olhar.
01:52Principalmente as mulheres, né?
01:54Quando vão envelhecendo, elas vão se tornando invisíveis.
02:00O que eu acho um absurdo.
02:04A nossa sociedade ainda tem etarismo contra o envelhecimento.
02:09É um preconceito.
02:11Está começando a quebrar.
02:12Está começando a ter um novo olhar.
02:16E isso, para mim, é minha luta.
02:18De acordo com a Organização Mundial de Saúde, o número de pessoas com idade superior a 60 anos chegará a 2 bilhões até 2050.
02:30Isso representará um quinto da população mundial.
02:35Uma revolução silenciosa transformou o perfil demográfico do Brasil.
02:41A expectativa de vida ao nascer, que era de apenas 62,6 anos em 1980, saltou para 74,9 anos em 2013.
02:53Um aumento de quase 20%.
02:55Mas o crescimento não parou por aí.
02:58Entre 2013 e 2023, a expectativa de vida subiu mais um ano e meio, atingindo a marca de 76,4 anos.
03:07Isso mostra que os brasileiros estão vivendo mais e celebrando a longevidade.
03:13Em apenas 25 anos, a população brasileira com mais de 60 anos pode dobrar,
03:19conforme ressalta o médico gerontólogo e presidente do Centro Internacional da Longevidade, Alexandre Kalash.
03:27Em uma sociedade que vai dar um salto de 15% para 30% das pessoas sexagenárias nos próximos 25 anos,
03:39em 2050 nós vamos ter 31% da população com mais de 60 anos,
03:45nós vamos dar um salto de 33 milhões hoje de sexagenários para 68 milhões.
03:51Então tem que chamar a atenção dessa sociedade.
03:54Basta você ter 35 anos hoje,
03:58quando daqui a 25 você ser um sexagenário.
04:01Abre o olho, cuide-se.
04:03Cuide-se e cuide-se dos outros.
04:05Porque o nosso envelhecimento é relacional.
04:10O seu envelhecimento depende do envelhecimento daqueles que estão ao seu lado.
04:14Então, a palavra que mais combina com longevidade é solidariedade.
04:21E essas duas passam por intergeracionalidade.
04:26Vamos ser um país mais humano, mais coeso, mais solidário,
04:31para que o processo de envelhecimento, a grande conquista dos últimos 100 anos,
04:37não se torne um desastre para os próximos 20, ou 30, ou 100.
04:42Os demógrafos gostam de dizer que o envelhecimento populacional
04:50é o final de um processo chamado de transição demográfica.
04:55E esse processo de transição demográfica vai transformar a população mundial à humanidade, de fato.
05:04De uma forma, se não permanente, pelo menos estrutural, e por muito tempo.
05:12Porque a população, como a gente sabe, ela era...
05:16Por quase toda a história da população, as populações cresciam muito lentamente.
05:21Porque as pessoas morriam muito e tinham muitos filhos.
05:25Então, a fecundidade era muito alta e a mortalidade também era muito alta.
05:29A gente agora está convergindo para um momento em que a fecundidade vai ser baixa
05:35e a mortalidade também vai ser baixa.
05:38Então, as duas altas ou as duas baixas resultam, igualmente, em baixo crescimento demográfico.
05:46Mas com uma diferença muito grande.
05:47Quando você tem fecundidade alta e mortalidade alta, você tem uma estrutura etária jovem.
05:57E quando você tem fecundidade baixa e mortalidade baixa, você tem uma estrutura etária velha, idosa.
06:06Que é o que está acontecendo, está acontecendo no Brasil, está acontecendo no mundo.
06:10Então, assim, para resumir, esse é um fenômeno que está acontecendo no mundo inteiro.
06:14Começou nos países mais envolvidos.
06:17A Europa está muito à frente da gente, nesse sentido.
06:21A população com mais de 65 anos na Europa gira em torno de 25 a 30%.
06:28O envelhecimento ativo é um conceito da Organização Mundial de Saúde.
06:37Então, ela se apoia em três pilares.
06:39Então, tem a parte da saúde, que vai desde a prevenção de doenças, mas o tratamento de doenças.
06:46Mas também acesso a serviços que estejam adaptados para essa pessoa mais velha.
06:51Também o segundo pilar é a inserção dessa pessoa mais velha na sociedade, na sua família.
06:56De forma que ele esteja ativo, que ele mantenha o propósito dele, que ele seja um ator protagonista,
07:05tomador de decisão e não só um receptor de cuidados.
07:09E um terceiro pilar bem amplo, que é de segurança, porque vem pensando em segurança alimentar,
07:14segurança ambiental, segurança de moradia habitacional e econômica também.
07:20E quando a gente pensa nesse envelhecimento ativo, as respostas são muito amplas.
07:26Que elas vêm desde uma política pública de proteção, campanha de combate ao etarismo, promoção de hábitos saudáveis
07:34e acesso a serviços sociais e de saúde que contemplem essas características dessa população mais velha.
07:44Eu acho que o Brasil tem uma característica muito particular.
07:47Porque os outros países que envelheceram, eles enriqueceram e depois eles envelheceram, né?
07:54Então, no Brasil, a gente não teve essa chance.
07:57A gente envelheceu sem enriquecer.
07:59E o Brasil, a gente tem muito esse culto ao corpo, à estética, ao vigor, né?
08:05Então, além do idoso agora, muitas vezes ele está associado a essa perda da juventude, da beleza, né?
08:14Mas também associado a um corpo doente e a um corpo pobre também.
08:18Então, ele é uma somatória de estigmas e preconceitos, né?
08:21Então, acho que no Brasil, esse etarismo, ele é ainda mais importante do que vários outros lugares, né?
08:29Onde que, por exemplo, a sabedoria, a experiência, acaba sendo mais valorizado do que esse corpo jovem e vigoroso.
08:40Precisa que a nossa ficha é que envelheceu um privilégio, né?
08:43É um ato revolucionário, é uma conquista civilizatória.
08:50Esqueça a imagem de fragilidade e dependência.
08:54A população idosa de hoje está quebrando estereótipos e paradigmas,
08:59redefinindo o que significa envelhecer.
09:02Eles não estão se aposentando da vida, estão se lançando em novas jornadas com uma energia contagiante.
09:09São empreendedores, influenciadores, estudantes, atletas.
09:14Estão provando que a idade é apenas um número
09:16e que a experiência pode ser o maior trunfo para novos projetos de vida.
09:24Salim Sá Pereira atuou como advogada por mais de três décadas.
09:29Hoje, no auge de seus 78 anos, trabalha como gestora financeira.
09:34Meu ciclo já tinha terminado na advocacia, entendeu?
09:39Já tinha trabalhado muito, já tinha tido muitas experiências
09:42e para mim era um ciclo que já tinha terminado.
09:46Eu já também estava muito cansada do telefone toda hora e ter agenda, ter prazos.
09:54E eu estava vivendo muitos problemas dos outros, sabe?
09:57Não o meu.
09:58Então, eu acho que já tinha acabado ali.
10:02Fiquei um tempo repensando, um tempo falando o que eu vou fazer,
10:07vendo as minhas habilidades, se eu tinha algum hobby que eu poderia fazer mais ou menos.
10:12Eu acho que a minha volta e aceitar isto foi principalmente o relacionamento interpessoal.
10:24Eu gosto muito disso, sabe?
10:26E com pessoas jovens que gostam de trocar experiências.
10:32Ali, na advocacia, eu trocava leis, papel, eu escrevia, defendia,
10:41mas não tinha esse, como eu digo, esse sabor da convivência interpessoal.
10:52E o número, ele é exato, né?
10:54As finanças, um mais um é dois.
10:56Mas você consegue por um mais dois, sabe?
11:00O amor, consegue dar um sabor de diferente, consegue fazer um monte de coisa.
11:07E foi isso que eu aceitei.
11:09E não me arrependo, sou muito feliz.
11:15O recomeço é tudo, a gente tem que ir à frente.
11:20Ninguém é melhor do que ninguém.
11:21E a nós somos muito importantes, porque nós carregamos dentro de nós a nossa experiência de vida.
11:29Entendeu?
11:30E a experiência é uma coisa que não tem preço.
11:33E hoje estão buscando no mercado a experiência.
11:37Para juntar aos jovens e fazer um meio tema maravilhoso.
11:45O que você vai passar por jovens que estão com você?
11:49Então, eu levo muito a sério isso.
11:54Sempre procuro dar o meu melhor, certo?
11:57E peço para eles também que deem o melhor deles.
12:01E a gente tem, assim, uma relação interpessoal maravilhosa.
12:07Eu amo o meu trabalho.
12:09Amo o que eu faço.
12:11Amo conversar com as pessoas.
12:14Amo aprender com as pessoas.
12:16Então, eu levo o meu trabalho não com peso, sabe?
12:20Com leveza.
12:24Quando você olha para o mercado formal, para o mercado de trabalho, propriamente dito,
12:29se você pegar o último resultado de 24, o que a gente viu foi que quase 70%,
12:33houve quase um aumento de quase 70% nas pessoas que estão trabalhando acima dos 60 a mais.
12:40Então, essa é uma mudança significativa.
12:42É uma mudança significativa porque impacta o ambiente de trabalho,
12:46impacta a forma como você pensa o ambiente de trabalho,
12:50impacta como você organiza a sociedade.
12:52Vamos lembrar que a gente é uma sociedade que vai ter cada vez menos crianças e cada vez mais idosos.
12:57Isso mexe nas políticas públicas, para você pensar o bem-estar da população.
13:01Isso impacta o convívio familiar também.
13:05Nós construímos um mundo de uma família que partia do pressuposto de você ter o causal com filhos.
13:11E essa é uma geração que cuidava desses filhos.
13:14Nós estamos caminhando agora para uma geração que terá muitos idosos
13:17e uma geração anterior que vai ter que cuidar desses idosos.
13:21Então, nós estamos num momento de transição bastante significativo
13:24que vai mudar a forma como a gente olha para a sociedade em geral.
13:28vai mudar no âmbito familiar, no âmbito do indivíduo, no âmbito social e no âmbito das políticas públicas.
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