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Esmola ajuda ou atrapalha? Para a ARCA, a saída das ruas passa pelo trabalho e não apenas pelo assistencialismo. O fundador Luís Felipe Sabará explica no Documento Jovem Pan a "Jornada da Autonomia": 5 etapas que vão da abordagem com oferta de emprego até a mobília da casa própria.

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Transcrição
00:00A cultura da solidariedade em alguns clubes de São Paulo é um pilar fundamental que transforma essas instituições de simples espaços de lazer em verdadeiros centros de impacto social.
00:18É o que relata a diretora de desenvolvimento social do Clube Atlético Paulistano, Cris de Ângeles.
00:25A Chave do Coração é uma iniciativa que existe há 12 anos.
00:32Quem criou foi uma senhora chamada Terezinha Policastro, ela já faleceu.
00:38E é uma iniciativa incrível que hoje é formada por 67 sócias voluntárias.
00:44A maioria são senhoras, tá?
00:45E o que elas fazem?
00:47Elas trabalham muito, né?
00:50E eu acho que, em resumo, elas transformam o amor e a criatividade em eventos e ações para ajudar quem mais precisa.
01:01Em resumo, elas têm uma agenda extensa, que eu vou contar algumas ações durante o ano,
01:07que com a arrecadação de todos os eventos que elas fazem, 100% é revertido em projetos sociais.
01:13100% do valor do dinheiro arrecadado, tá?
01:17Então, elas se reúnem toda segunda-feira.
01:20Elas têm uma pauta, têm uma ata.
01:23Elas são divididas por pastas de trabalho.
01:26Então, cada uma lidera uma ação.
01:28E aí, elas formam a sua equipe.
01:30Com o falecimento da Terezinha, a Gilda Páscoa, hoje é a coordenadora da Chave do Coração.
01:35E a Adriana Dalsim é a vice-coordenadora.
01:38Além delas duas, eu tenho a Lizete e a Ana no financeiro, que eu mantenho contato com esse núcleo.
01:44Então, é como se fosse uma empresa mesmo, né?
01:46Porque 67 é difícil, né?
01:49Então, através delas, a gente tem reuniões frequentes para ir tratando dos projetos.
01:54O público que elas ajudam é principalmente os idosos, mas também tem crianças,
01:58também tem adolescentes e pessoas em situações de mais vulnerabilidade, tá?
02:03Então, eu vou dar alguns exemplos de ações.
02:07Mas antes disso, o que eu chamo de projetos sociais?
02:10A gente tem ações, que a gente trabalha tanto o assistencialismo como a filantropia, né?
02:14Então, o assistencialismo é aquela ajuda mais imediata,
02:18que é a comida, produto de limpeza, produto de higiene, as cestas básicas, que é muito importante.
02:24Mas a filantropia, ela vai além.
02:26Ela trabalha o desenvolvimento sustentável daquela instituição,
02:29ou daquela pessoa que a gente quer trabalhar.
02:31Então, são projetos mais estruturados, tá?
02:35Então, da onde que vem a verba?
02:38Vou trazer alguns exemplos.
02:39Elas fazem evento de tranca.
02:42Então, quando você faz um evento de tranca, você cobra o ingresso.
02:45Então, para jogar, você tem que pagar.
02:47Tem um projeto enorme que elas fazem de desfile, que chama Desfilando Corações.
02:53O que é isso?
02:53A gente chama marcas.
02:54As marcas, elas pagam para participar do desfile.
02:58Elas colocam as roupas delas, são 10 looks na passarela de cada marca que participa.
03:03E as pessoas compram o ingresso para ver um desfile, que é um desfile realmente muito sério, né?
03:08E toda a verba, tanto dos ingressos, como das marcas que pagaram para estar ali, é 100% revertido para os projetos sociais.
03:16Além da chave do coração, a diretoria de desenvolvimento social do Clube Paulistano tem outra área que trabalha em prol de projetos sociais.
03:27Ela é chamada de Cap do Bem, que nasceu há 11 anos com sócios que doavam sopas nas ruas.
03:33Então, vou tentar citar alguns projetos principais.
03:41A gente doou um parquinho enorme de madeira, aqueles parquinhos ao ar livre, por uma instituição de contraturno da prefeitura.
03:49Então, as crianças vão para a escola e no contraturno elas estudam nesse local.
03:53E não tinha nada muito divertido para elas.
03:55Então, uma das doações foi essa.
03:57A outra coisa, a gente doou para uma outra instituição também, que vai no contraturno escolar, uma biblioteca.
04:06Um dos projetos que me emocionou muito, que a gente fez recentemente, foi um projeto que chama Mochilas Eletrodependentes.
04:12O que é isso?
04:13Tem crianças que dependem de uma tomada para viver.
04:16Então, eletrodependente depende de eletricidade.
04:18Por que elas dependem de uma tomada?
04:21Especificamente esse grupo.
04:22Porque elas têm ou alguma deficiência, ou alguma questão no intestino.
04:26Elas estão sem o intestino, elas não comem.
04:29Então, elas têm que ter uma alimentação parenteral, que a gente chama.
04:33Então, a maioria fica de 16 a 18 horas numa bomba.
04:37Então, elas estão em hospital ou elas estão em home care.
04:40E a Aline, que é uma amiga minha maravilhosa, tem um filho nessa condição, e ela não aceitou isso acontecer com o filho dela.
04:49Então, ela e o marido, primeiro, fizeram um protótipo de uma mochila, que funcionava como uma bateria, para o filho dela sair de casa.
04:56E foi, assim, uma descoberta enorme.
04:57E aí, claro, sempre aparecem os anjos da guarda.
05:00Então, ela conseguiu que patenteassem e que fizessem todos os protótipos da mochila.
05:05E hoje, essa mochila tem certificações internacionais.
05:08E ela fabrica essas mochilas.
05:09De acordo com a necessidade da criança.
05:15E esse é um prato muito bonito, porque, veja, elas sobrevivem.
05:21E aí, você traz vida para essas crianças.
05:27A gente chamou.
05:28Eu disse que eu queria 10 crianças do SUS.
05:30Então, a gente escolheu 10 crianças, os 10 primeiros da lista, do Hospital Menino Jesus.
05:35Então, veio elas, as famílias, para o clube paulistano.
05:40A gente fez um momento, primeiro, umas brincadeirinhas com o tio Panda Maravilhosa de Bexigas.
05:45Depois, uma apontação de histórias lúdicas com música.
05:48E fizemos as entregas para as crianças.
05:50Então, assim, elas podem estudar essas crianças.
05:54Elas podem ir no teatro.
05:56Então, a gente beneficia, não só essas crianças, mas a família inteira, que volta a ter vida.
06:02E a sociedade a se mobilizar, porque os espaços vão ter que estar preparados para eles também.
06:06Porque agora eles também vão ocupar os espaços.
06:08Porque os espaços também são deles.
06:09A solidariedade moderna rompeu as barreiras geográficas e encontrou no ambiente digital um terreno fértil para crescer.
06:20Atualmente, a cultura de ajudar o próximo não depende mais apenas de eventos presenciais.
06:26Ela acontece em tempo real, conectando causas a doadores por meio de plataformas de financiamento coletivo.
06:34É o que relata o fundador e CEO do Vaquinha, Luiz Felipe Geller.
06:40O que os dados da plataforma mostram sobre os volumes de doação e o perfil das campanhas é que o brasileiro realmente é muito solidário.
06:47A gente tem um volume crescente de doações.
06:51E essas doações estão concentradas.
06:53Boa parte delas acontece para casos emergenciais.
06:56Quando acontece alguma coisa como foram as enchentes aqui no Rio Grande do Sul, até o tornado agora no Paraná,
07:05esses são momentos que mobilizam muito os brasileiros.
07:08A gente tem uma mobilização muito rápida e muito grande em torno dessas causas.
07:14E o pessoal costuma ajudar bastante.
07:16E o que a gente vê também aqui dentro do Vaquinha são os casos de saúde,
07:21onde principalmente tem tratamentos muito longos, tratamentos muito relevantes,
07:26onde o custo do medicamento e do tratamento está muito caro.
07:30E aí essas famílias precisam de ajuda das pessoas para conseguir arrecadar esse dinheiro.
07:34Esses são os dois que mais movimentam recursos.
07:38Apesar disso, eu acho que, de novo, a gente tem muitas causas aqui que acabam recebendo também,
07:43mas essas são as duas frentes que são as principais.
07:49E eu acho que a tecnologia, hoje em dia, é fundamental para ajudar a pessoa a doar,
07:55para ela poder estar mais próxima da causa dela, para poder acompanhar o que está acontecendo,
08:00até para olhar a prestação de contas ou o impacto que ela está propiciando com a doação dela.
08:06Então, eu acho que a tecnologia ajudou bastante nesse sentido.
08:08Fica muito rápido e fácil de doar e os próprios meios de pagamentos,
08:12eles acabaram se sofisticando bastante, as plataformas de doação também,
08:16para permitir que a doação seja cada vez mais rápida,
08:19que a experiência do usuário seja cada vez melhor
08:21e que o impacto disso chegue na ponta também de forma cada vez mais rápida
08:26e seja acompanhado pelo doador de forma muito constante.
08:29Eu acho que plataformas como o Vaquinha, eles ajudam a dar muita visibilidade e potencializar as arrecadações.
08:40Antes as pessoas tinham que começar essas arrecadações quando elas precisavam de dinheiro,
08:45ficavam muito restritas aos seus amigos e quem conheciam essas pessoas.
08:51Eu acho que o fato de ter uma plataforma como o Vaquinha no meio do caminho,
08:55ele entrega uma certa reputação, uma certa segurança, transparência, credibilidade que a pessoa precisa para saber,
09:01poxa, mesmo eu não conhecendo quem está do outro lado, quem vai receber esse recurso,
09:06eu tenho um ente no meio do caminho que me garante que se alguma coisa der errado,
09:10se eu tiver qualquer desconfiança, eu tenho que recorrer e consigo de alguma forma corrigir esse erro.
09:17Então isso acaba fazendo com que mais pessoas se disponibilizem a doar,
09:22porque tem justamente essa segurança, essa camada extra de segurança entre elas e quem está recebendo dinheiro.
09:28Acho que isso ajudou bastante, fora que está todo mundo enxergando ali a história que está sendo contada,
09:35então está todo mundo atento ao que está acontecendo, fazendo uma espécie de auditoria,
09:41acompanhando a história no momento que ela acontece, isso é muito legal para todos os usuários,
09:47porque acaba sendo uma força coletiva das pessoas, todo mundo olhando para a mesma causa
09:52e podendo entender melhor o que está se desenrolando ali,
09:55e o que dá muita velocidade para a história, dá muita transparência para as histórias que acontecem aqui.
09:59A Associação de Resgate à Cidadania por Amor à Humanidade
10:08é uma organização de São Paulo que é responsável pela reintegração de pessoas em situação de rua.
10:16Ela se destaca por não oferecer apenas um auxílio paliativo,
10:20mas sim uma rota de saída definitiva da vulnerabilidade social.
10:25É o que aponta o fundador da Arca, Luiz Felipe Sabará.
10:30Eu tomei a decisão de ir para a rua de madrugada.
10:33No primeiro momento eu fui com algumas turmas dessas que levam roupa, comida, água para as madrugadas,
10:40mas logo eu já percebi que não fazia muito sentido para mim fazer essa ajuda momentânea de assistencialistas
10:48sem entregar algo mais profundo para essas pessoas que realmente transformem a vida delas.
10:55E aí foi quando a gente criou o movimento da Arca,
10:57que quer dizer Associação de Resgate à Cidadania por Amor à Humanidade,
11:02e a gente começou a conectar essas pessoas que estão nas ruas com empresas
11:07e promover emprego para as pessoas que estão nas ruas.
11:09A gente viu que isso fazia muito mais sentido e dava muito mais certo,
11:14principalmente para quem está na rua,
11:17do que simplesmente fazer um trabalho até que necessário,
11:21mas que muitas vezes incentiva as pessoas a permanecerem naquela situação que não é boa para elas.
11:27Então, às vezes até as pessoas acabam fazendo mais para si mesmas do que para quem está na rua.
11:32Quem está na rua precisa de oportunidade, precisa de emprego.
11:34E foi assim que a Arca começou e foi crescendo.
11:38E até hoje a gente continua fazendo um trabalho aí que já atendeu mais de 3.500 pessoas,
11:44tirando essas pessoas das ruas e dando dignidade por meio do emprego.
11:53Bom, a Arca trabalha por meio de o que a gente chama Jornada da Autonomia,
11:58que são cinco etapas.
11:59A primeira etapa delas é a abordagem na rua.
12:03E a Arca tem toda uma técnica, uma metodologia de abordagem,
12:08que ela já visa fazer com que a pessoa que está na rua visualize a vida que ela pode ter.
12:15Então a gente leva um menu, um menu mesmo impresso,
12:19como se fosse de restaurante assim, com as vagas disponíveis de emprego.
12:22E a gente mostra para essas pessoas, muitas inclusive falam,
12:25não, já fui, já fui garçom, já fui, trabalhei com limpeza, já fui vigilante e tal.
12:31E aí uma vez que a pessoa visualiza aquela situação,
12:34facilita a segunda etapa que é o acolhimento.
12:38Então, segunda etapa é o acolhimento,
12:40a gente construiu 18 espaços na cidade,
12:43chama de Centro Temporário de Acolhimento,
12:46que são bem qualificados, tem espaço para canil,
12:49cachorro, porque muitas pessoas que estão nas ruas têm o cachorrinho,
12:52tem espaço para solucionar as carroças,
12:55tem sala para fazer com a computação,
12:58aula de computação para fazer um currículo.
13:00Então esse acolhimento, ele é muito importante,
13:03e ele é a segunda etapa.
13:05A terceira etapa é a qualificação,
13:08que é uma qualificação que ela começa com o sócio emocional,
13:11trazendo para essa pessoa uma visão de mundo,
13:14de não de vítima, mas de herói.
13:17Contar para ela, fazer ela perceber que ela é uma pessoa herói,
13:21que está ali na rua, mas que venceu muitos desafios
13:24e que ela não precisa se vitimizar,
13:26que ela vai ter oportunidade e vai conseguir daquela situação,
13:29sair daquela situação.
13:30Então essa é a terceira, é a quarta, é o emprego mesmo.
13:33E aí que tem uma questão muito interessante que a Arca faz,
13:38que é transformar terrenos baldios da cidade em hortas urbanas,
13:42a gente chama disso de horta social urbana, o projeto da Arca.
13:45E aí, nesses espaços que são transformados em produção de alimentos saudáveis,
13:51orgânicos, a gente coloca essas pessoas para trabalhar,
13:54com emprego mesmo, elas recebem um salário,
13:57e dali elas também são encaminhadas para outras mais de 200 empresas parceiras
14:01que também encaminham para aquela vaga que a pessoa escolheu ali no menu,
14:06quando ela foi abordada na rua.
14:08E aí vem a quinta etapa, que é a moradia.
14:10Quando a pessoa foi abordada, foi acolhida, foi qualificada,
14:15foi para o emprego e topa sair do albergue, sair da rua,
14:19aí a gente faz a mobília da casa dela quando ela escolhe um espaço para morar.
14:24E é muito legal, porque isso completa esse ciclo de autonomia
14:27que começa na abordagem e vai finalizar ali na moradia,
14:32a pessoa ter a casa dela.
14:33Porque, em inglês, inclusive, a pessoa que mora na rua é conhecida como homeless,
14:39a pessoa que não tem uma casa.
14:40Então, a gente termina essa etapa fornecendo essa possibilidade,
14:44desde que a pessoa conquiste essa moradia,
14:46a gente mobília e faz todo um trabalho ali para a pessoa viver bem.
14:49E muitos acabam mudando de casa,
14:52indo para casas melhores e tal.
14:55Enfim, essa etapa para nós é muito importante.
14:57E essa jornada da autonomia é o que a gente entende
15:00que faz o projeto funcionar tão bem há tantos anos.
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