O voto do ministro Luís Fux (STF) está gerando reações diferentes pelos advogados dos envolvidos no julgamento do 8 de janeiro. A defesa do ex-presidente se animou, enquanto os advogados de Mauro Cid encontraram inconsistências na argumentação do ministro. Dora Kramer e Deysi Cioccari analisam repercussões. Reportagem: Igor Damasceno.
Confira o julgamento na íntegra: https://youtube.com/live/I0yBwd80jr8
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NotíciasTranscrição
00:00Justamente sobre o Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro,
00:04o único que até esse momento já tem maioria pela sua condenação,
00:08nós vamos conversar agora com o nosso repórter, o Igor Namaceno,
00:11que tem notícias, informações acerca do que tem se manifestado a defesa do coronel Mauro Cid.
00:18Ele está lá, inclusive, dentro do plenário, onde a sessão está suspensa,
00:22retornará logo mais Igor Namaceno chegando no Jornal Jovem Pan.
00:26Boa noite, bem-vindo.
00:27Oi, Kobayashi, boa noite a você, boa noite também a todos que nos acompanham.
00:33Eu aproveitei esse intervalo pedido pelo ministro Luiz Hux para conversar com a defesa de Mauro Cid
00:40até o momento o único que já tem maioria para uma condenação.
00:44Até o momento ele está condenado por abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
00:49E a defesa de Mauro Cid já adiantou que vai recorrer da decisão
00:54e vai apontar certas incongruências, como eles usaram o termo,
00:59incongruências no voto do ministro Luiz Hux.
01:02Por quê?
01:03Porque o ministro Luiz Hux votou até agora somente para condenar Mauro Cid.
01:08E o questionamento da defesa do ex-ajudante de ordem de Jair Bolsonaro é
01:12ele teria tentado dar um golpe de Estado sozinho, ele teria arquitetado tudo sozinho,
01:18sem nenhum líder, sem nenhuma pessoa para ajudá-lo.
01:22Então é uma dúvida que vai ser levantada no voto do ministro Luiz Hux,
01:27não para tentar rever o voto dele em relação aos demais,
01:31mas para tentar livrar Mauro Cid de uma condenação,
01:35assim como, nesse momento, os demais réus que já têm voto de Luiz Hux
01:40estão livres, pelo menos nesse momento.
01:43Olha, pessoal, já é considerado um dos votos mais longos da história do Supremo Tribunal Federal.
01:49Nós já ultrapassamos dez horas de leitura de voto do ministro Luiz Hux
01:54e não há previsão para acabar.
01:55Ele já avisou que está disposto a ir até onde der
01:59para poder fazer a leitura total do voto dele.
02:02E é um voto o qual gerou algumas questões curiosas,
02:07algumas cenas inusitadas durante a leitura.
02:10Eu estive durante toda a tarde de hoje, amanhã também,
02:14acompanhando a leitura desse voto
02:16e por volta das sete horas da noite foi possível ver, perceber
02:21que o Procurador-Geral da República, Paulo Gonê,
02:24chegou a dormir no plenário por cerca de vinte minutos.
02:29Isso mesmo.
02:29Ali, sentado na bancada, onde as demais autoridades estão,
02:34Paulo Gonê chegou a dormir por vinte minutos
02:37durante a leitura do voto do ministro Luiz Hux.
02:40E ele não está sozinho nessa.
02:42O ministro Alexandre de Moraes, relator dessa ação penal,
02:45chegou a cochilar por alguns minutos, alguns segundos.
02:48E o ministro Flávio Dino se ausentou por várias vezes.
02:52Então, é um voto que alguns colegas jornalistas que acompanham direto do plenário
02:58estão considerando bastante cansativo.
03:01Os parlamentares, tanto da base governista quanto da oposição,
03:07a maioria já se ausentou.
03:08Nesse momento, quem está presente é o deputado Evair de Mello,
03:12mas toda a base governista já se ausentou,
03:15justamente por causa da duração desse voto.
03:17É também considerado um voto bastante polêmico
03:21por causa dessas divergências
03:23e está dando o que falar também nas redes sociais.
03:27O julgamento vai retomar em instantes,
03:31sem previsão para acabar, viu?
03:33Está aí, Igor Damasceno, falando ao vivo e diretamente lá do plenário.
03:38O Igor Damasceno já, inclusive, trouxe a informação
03:41de que provavelmente irão atravessar a noite.
03:43E não há previsão de que esse julgamento termine por agora.
03:47Dora Kramer, quero a sua opinião aí
03:49sobre o que nos trouxe o Igor.
03:51A manifestação da defesa já anuncia um recurso
03:55em relação à condenação de Mauro Cid
03:57que, por ser alguém que confessou, já era esperado, né, Dora?
04:01A questão é saber o benefício,
04:03porque a PGR pediu o benefício ali,
04:06o tal do prêmio da delação premiada,
04:08como sendo de diminuição de um terço da pena.
04:11Mas o Mauro Cid falou que o contrato lá atrás
04:13era de perdão judicial, era de 100%.
04:16E o ministro Luiz Fux, nesse momento,
04:18também adere à proposta da PGR.
04:19Ou seja, ainda que tenha delatado,
04:22vai cumprir algum tipo de penalidade.
04:25Mauro Cid, que até esse momento é o único
04:26com maioria pela condenação.
04:28Dora Kramer.
04:30Pois é, você vê que o Igor traz um ponto
04:33que eu tinha pensado mesmo.
04:35Falei, bom, se prevalecesse o voto do Fux,
04:40porque não é o voto do Fux que vai prevalecer, tá certo?
04:43Ele tem, ele já foi condenado,
04:45Mauro Cid, pelos outros dois juízes,
04:48até porque ele é ré, eu confesso.
04:50Depois, se ele vai ter os benefícios,
04:52e qual a extensão do benefício,
04:54isso ficará para ser decidido na sexta-feira.
04:57Mas no voto do ministro Fux,
05:01a menos que ele venha,
05:02porque ele tira o ex-presidente Jair Bolsonaro
05:07da cena, mas ele, argumentando até,
05:11temos vários argumentos,
05:13um deles é que ele estava distanciado,
05:16mas ele pode colocar outros personagens da cena,
05:20porque se não colocar,
05:21fica essa situação realmente inusitada,
05:25de que o Mauro Cid teria dado um golpe sozinho,
05:29para quê?
05:29Em benefício de quem?
05:31Ia golpear o quê?
05:32para ficar ele o quê?
05:34Na ajudância de ordens de quem, né?
05:37Então, é uma coisa completamente sem perna e cabeça,
05:40que não combina.
05:42O ministro Luiz Fux optou por olhar os fatos
05:46de maneira isolada.
05:48Os outros dois, principalmente o relator,
05:50e aí o Flávio Dino acompanhou,
05:52fizeram um encadeamento,
05:54entrelaçou os fatos e construiu aí um relato.
06:09Essa foi bem a diferença da composição desses votos, né?
06:17Vamos ver, eu estou achando que o ministro Luiz Fux
06:19deve incluir na questão do golpe,
06:23já que ele reconhece que houve golpe,
06:25porque se ele condena,
06:26ou que houve tentativa,
06:28se ele condena o Mauro Cid
06:30por tentativa de golpe ou por golpe,
06:33então, na concepção dele,
06:36houve crime,
06:38porque senão ele está condenando o porquê,
06:41tá certo?
06:42Se houve o crime e ele não pode ter sido cometido sozinho,
06:46a menos que ele vá defender essa tese.
06:49Então, é de se supor,
06:51de se imaginar pela lógica,
06:54e ele deve incluir nessa condenação outros personagens.
06:59Inclusive, o ministro Luiz Fux,
07:00quando anunciou ali para o presidente da primeira turma,
07:03o ministro Cristiano Zanin,
07:04a respeito dos próximos votos que virão,
07:07logo mais quando eles retornarem à sessão de julgamento,
07:10ele já anunciou que tem algumas peculiaridades,
07:13algumas questões diferentes em relação aos fatos,
07:15aos crimes que são imputados a esses outros quatro réus
07:18que ainda dependem de uma votação do ministro Luiz Fux.
07:22Ou seja, desde Tiocai,
07:24pode haver surpresa em relação aos demais réus.
07:27Pode haver, né, Kubayashi?
07:29E em relação aqui ao Cid,
07:31ele já é visto pelo núcleo bolsonarista
07:35como um, abre aspas, traidor.
07:38Então, essa condenação dele,
07:41percebam como isso vai mudando também,
07:43e é favorável ao ex-presidente,
07:46porque descola o ex-presidente
07:49daquela imagem do Mauro Cid
07:50de um articulador, né,
07:53ou um co-ajudante, né.
07:56Então, o ex-presidente Jair Bolsonaro,
07:57ele se descola dessa imagem do Cid,
08:00ele não é mais visto como grande articulador desse golpe,
08:04e o Cid passa a ser a grande figura central, né.
08:07Obviamente, isso permite que o ex-presidente Jair Bolsonaro
08:11possa reiterar o argumento
08:15de que ele foi vítima de um aparelho institucional
08:18que o persegue, né.
08:19Então, é interessante como essas nuances,
08:22elas vão ganhando força ao longo do voto do ministro, né.
08:26Então, agora o Mauro Cid é o grande delator,
08:30é o grande articulador disso tudo.
08:31Isso pode também dar mais narrativa
08:35e mais força para a defesa do ex-presidente
08:38nos argumentos depois do julgamento.
08:40E quem são esses, os outros quatro réus,
08:42que terão agora o voto do ministro Luiz Fux
08:45a respeito dos crimes que a ele são imputados?
08:48Estou falando do Anderson Torres,
08:50que é ex-ministro da Justiça de Bolsonaro
08:52e, na época, secretário de Segurança Pública
08:54do Distrito Federal,
08:56quando, do 8 de janeiro de 2023,
08:58daqueles ataques aos três poderes da República,
09:02do general Augusto Heleno,
09:04ex-ministro do GSI,
09:06ao general e ex-ministro da Defesa
09:08Paulo Sérgio Nogueira
09:09e Walter Souza Braga Neto,
09:12ex-ministro da Defesa e da Casa Civil
09:13no governo Bolsonaro
09:14e candidato a vice-presidente da República
09:16nas eleições presidenciais de 2022.
09:20Tem alguma aposta, Dora Kramer?
09:23Algum comentário a respeito desses quatro
09:24que terão o seu julgamento reiniciado logo mais?
09:28Esses quatro eu não tenho.
09:30Eu queria voltar.
09:30Eu fiquei pensando no Braga Neto.
09:32Mas aí, gente, é uma aposta baseada em nada.
09:36Então, realmente, eu não ouso fazer isso
09:39porque, como o ministro Luiz Fux
09:42já nos surpreendeu o dia todo,
09:45eu não ousaria.
09:46Sabe uma coisa que eu lembrei
09:48naquela discussão?
09:49Porque eu estou muito na tese
09:50de que, para a história,
09:53o voto do Fux se dilui.
09:56E eu lembrei que o voto,
09:58o Lewandowski, que hoje é ministro da Justiça,
10:01no Mensalão, ele foi o revisor
10:04do Joaquim Barbosa.
10:06Ele revisava.
10:07Ele foi o tempo todo o voto divergente.
10:11O que é que ficou para a história?
10:12Quem é que lembra disso?
10:13Eu não lembrava.
10:14Eu lembrei agora, aqui puxando pela memória,
10:17o Lewandowski falou o julgamento inteiro,
10:21contrariamente ao relator,
10:23contrariamente à maioria.
10:26E quem que lembra disso?
10:27O que ficou?
10:28O que ficou foi a condenação.
10:31Porque isso é o objetivo.
10:33Quem é que lembra?
10:34Quem é que alude?
10:35Quem é que se refere ao que
10:37o Lewandowski argumentou
10:39ou deixou de argumentar
10:42em prol da inocência
10:43dos réus do Mensalão,
10:45que foram quase todos condenados?
10:47Ninguém.
10:48Eu vou te falar quem lembrou, viu, Dora Kramer?
10:51A Beatriz Oliveira,
10:52da nossa redação aqui do jornalismo,
10:54acabou de me mandar aqui
10:55porque agora já começa essa comparação, né?
10:58Os votos mais longos da história.
11:00O ministro Luiz Fux votou por mais de 10 horas.
11:02E se agora, quando ele retomar o seu voto,
11:05isso se alongar,
11:07ele pode ser o recordista.
11:08O ministro Ricardo Lewandowski,
11:10que você bem citou,
11:11no julgamento do Mensalão,
11:12ação penal 470,
11:14tem 15 horas de votação.
11:16Mas ele só perde para o próprio relator do Mensalão,
11:19que era justamente o ministro Joaquim Barbosa,
11:21falou por 15 horas e 48 minutos isso tudo lá em 2012.
11:27Ou seja, o ministro Luiz Fux
11:28está aí agora entrando no páreo,
11:31no top 3,
11:33para saber qual é o voto mais longo
11:35desde Chocari.
11:37Olha, Kubayashi,
11:38fazendo esses levantamentos, né,
11:40esses votos longos também,
11:43aí vamos pegar um pouquinho aqui
11:44para o lado mais sociológico, né,
11:46eles cumprem uma função também,
11:48por mais que eles sejam cansativos,
11:50mas eles cumprem uma função
11:52de explicar para o público, né,
11:54toda a narrativa envolvida nisso,
11:56como que os ministros pensam.
11:57Então, cada aula,
11:59a expectativa é que ela se torne,
12:01cada fala,
12:03a expectativa é que ela se torne uma aula
12:05sobre a democracia,
12:06sobre o pensamento daquele ministro,
12:08porque nem sempre a gente tem
12:10essa oportunidade de conhecer, né,
12:12como pensam os ministros.
12:13Então, esses votos longos,
12:15eles não falam apenas para os altos, né,
12:17mas para a opinião pública
12:19e como a Dora tem mencionado aqui
12:21constantemente,
12:21com certeza,
12:22para a posteridade, né,
12:23e como a gente tem visto aqui.
12:25Então, por exemplo,
12:26o Moraes, o Dino e o Fux,
12:28eles estão indo nesses votos deles
12:30além da técnica, né,
12:31eles estão construindo narrativas,
12:33falas que podem ser utilizadas
12:35posteriormente.
12:36Então, esse voto longo,
12:37para além do que a gente pensa,
12:39do cansaço
12:40ou de uma tentativa de desviar a atenção,
12:43ela cumpre,
12:44ele cumpre uma função
12:45de ritual democrático mesmo,
12:46que é extremamente necessário.
12:48Como a Dora falou,
12:49estamos numa democracia.
12:50Agora, Dora Kramer,
12:52o ministro Luiz Sucs,
12:53ele não era daqueles
12:55mais afetos do ex-presidente Jair Bolsonaro
12:58do ponto de vista
12:59dessa última composição da corte, né.
13:01O ministro indicou,
13:02o presidente Bolsonaro
13:03indicou o André Mendonça
13:05e o ministro Nunes Marques.
13:07O ministro Luiz Sucs é da composição
13:09mais antiga,
13:09ele foi indicado lá atrás
13:10pela ex-presidente Dilma Rousseff.
13:13Você acredita que esse voto
13:15de absolvição,
13:16de declaração de nulidade,
13:18que atende tanto aos interesses
13:20da defesa de Jair Bolsonaro,
13:22possa movimentar,
13:24de alguma maneira,
13:24o entendimento de outros ministros
13:26dessa composição mais antiga?
13:27Estou falando aí
13:28da própria ministra Carmen Lúcia,
13:31de alguns outros ministros
13:32do plenário,
13:33onde poderia ir esse caso,
13:36se tiver condições de um recurso
13:38que possa chegar ao plenário.
13:40Fala, Dora Kramer.
13:41Olha, acho que não.
13:42Acho que se houver mudança de posição
13:45em relação à expectativa,
13:46é por convicção prova,
13:48por convencimento das provas
13:50do que apresentou a defesa,
13:52não pelo relato do ministro Luiz Sucs.
13:54Mas eu gosto de lembrar também
13:56que o ministro Luiz Sucs,
13:58ele era aquele térrimo do PT, né?
14:01Porque lembra que ele,
14:03aquela história,
14:04que ele teria garantido,
14:06eu não sei se essa história é verdade,
14:07ao José de Céu,
14:09que ia matar no peito,
14:10e esse matar no peito
14:11foi interpretado como
14:13uma absolvição lá no Mensalão.
14:16Vamos de novo falar do Mensalão,
14:17até porque o ministro Luiz Sucs falou,
14:20se referiu a esse julgamento.
14:22E ele, então,
14:23quando chegou lá no tribunal,
14:25quando vestiu a toga,
14:27essa conversa com o José de Céu
14:28teria sido antes da indicação,
14:32e aí, quando vestiu a toga,
14:34ele fez tudo diferente.
14:36Ele foi,
14:37que ele até hoje era considerado,
14:39um ministro punitivista,
14:41e hoje ele fez um perfil
14:44garante vista.
14:46Agora, eu queria anotar
14:47sobre esse julgamento,
14:48porque eu me lembrei
14:49que a Ana Deise falou,
14:50das lições que encerram,
14:52os votos longos e tal,
14:55que a gente fica tendo contato
14:57com o conhecimento,
14:59os juízes compartilham
15:01o conhecimento jurídico deles.
15:04Sabe que eu notei uma coisa?
15:05Eles estão falando em português,
15:07mas inteligível.
15:10Bom, o Flávio Dino,
15:12que é político,
15:13fala uma língua normal.
15:15O Alexandre de Moraes,
15:17ontem, o relator,
15:19também falou uma,
15:21falou numa linguagem
15:22que dava para entender
15:24o que ele estava dizendo,
15:25porque em vários julgamentos,
15:28ficava uma loucura.
15:29Eu não vou nem dizer em julgamento,
15:30aqui vou contar uma coisa para vocês.
15:32Tem ministro,
15:34que eu falava no telefone,
15:35e conseguia entender nada.
15:37Nada, absolutamente nada.
15:39Então, o ministro dizia,
15:41porque era um juridiquês castisto.
15:45E eu notei que até agora
15:46o próprio Fux,
15:47que é,
15:48ele é do ramo, né,
15:50diferente do,
15:51o Alexandre de Moraes
15:53era secretário de Segurança,
15:56ministro de Segurança Pública,
15:58enfim,
15:59ele tem esse perfil.
16:01O Flávio Dino também.
16:03Mas o Fux, não.
16:04O Fux é do mundo jurídico
16:06desde os 25 anos de idade.
16:09Parece que ele é juiz
16:10desde os 25 anos de idade.
16:13E mesmo assim,
16:14ele falou,
16:15falou juridiquês,
16:17mas não falou,
16:18assim,
16:19aquele juridiquês castiço.
16:22Tomara,
16:22vamos ver os outros
16:24em que idioma vão falar.
16:26Porque se falarem em português,
16:28vai ser ótimo.
16:29O ministro Luiz Fux,
16:30é juiz há muito tempo,
16:31foi inclusive ministro do STJ,
16:33a chamada Corte Cidadã,
16:35e depois foi para o STF
16:37no mandato da presidente Dilma Rousseff.
16:39Mas você sabe que,
16:40Deise,
16:40essa observação da Dora
16:42é muito interessante.
16:43Como parece ser tudo isso
16:45uma tentativa do STF
16:46de se aproximar um pouco mais
16:48da sociedade,
16:49principalmente depois do 8 de janeiro.
16:51Essa tentativa de participar um pouco mais,
16:54de ser mais presente no dia a dia.
16:56Estou falando de redes sociais
16:58da Suprema Corte,
16:59que agora são mais movimentadas.
17:01A gente pega esses votos
17:03com uma linguagem um pouco mais acessível.
17:05não só a linguagem.
17:07Se a gente pega a leitura do relatório
17:08e do próprio voto
17:10do ministro Alexandre de Moraes,
17:11a utilização de artifícios visuais,
17:14slides,
17:15o que não é comum em julgamentos.
17:18Isso é uma novidade.
17:20Quando da oitiva dos réus,
17:22uma câmera de alta resolução
17:24para a transmissão
17:26daqueles atos judiciais,
17:29há uma tentativa nisso tudo
17:30de aproximação, Deise,
17:32do judiciário,
17:33do poder judiciário
17:34para com o cidadão,
17:36para com o povo,
17:37de maneira geral?
17:38Eu acredito que sim, Kobayashi,
17:40mas entra no que a Dora falou.
17:43Às vezes,
17:44essa linguagem muito jurídica,
17:46ela oferece uma camada de blindagem
17:49entre o STF e a população.
17:52Então, você tem os esforços por fora,
17:55mas na hora de se comunicar,
17:56é um julgamento que está sendo transmitido
17:58por todas as TVs,
17:59por toda a mídia,
18:00na hora de você se comunicar diretamente
18:02com o cidadão,
18:03você usa uma camada de linguagem.
18:05Você utiliza muitos termos
18:06que a maioria do cidadão comum
18:08não consegue entender.
18:09E aí, isso, obviamente, afasta.
18:13Essa fala hermética
18:15que a gente tem ouvido dos ministros,
18:17que a Dora mencionou aqui,
18:19ela pode passar para a população
18:21a percepção
18:22de que é um tribunal
18:24que fala para si mesmo.
18:25E aí, isso pode ser problemático.
18:26Perfeito.
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