00:00Música
00:00Essa segunda temporada do Compondo Futuros, a gente ficou muito feliz com o resultado
00:26dessa parceria do Arte 1 e do AUSESP que a gente fez no ano passado.
00:30Nessa temporada, a gente resolveu olhar para a história do festival, então contar a história
00:34de músicos da AUSESP que já foram bolsistas um dia, como era o festival lá no começo,
00:41nos anos 70, nos anos 80.
00:43Então a gente foi contar, por exemplo, a história da Elizabeth Del Grande, que é a pessoa que
00:47está há mais tempo na AUSESP, ela conta a história dela da época de bolsista.
00:51A gente conta também a história do Arcádio Minchuk, que é oboísta da AUSESP e também
00:57foi bolsista nos anos 70.
01:00Então a gente vai mesclando essas histórias para mostrar um pouco qual é o legado que
01:04o festival deixou para diversas gerações de músicos da AUSESP, enfim, de outras orquestras
01:11também.
01:12É um lugar onde eles podem se soltar e dizer isso é o que eu sou, é isso que eu tenho
01:35para mostrar, esse é o meu produto, essa é a minha música e aqui estou de peito aberto.
01:41Então é uma grande vitrine.
01:43Eles se pegam a esse momento com toda a capacidade e de uma forma sonhadora, muitas vezes o que
01:49é mais bonito, típico da juventude.
01:53Muitos estudantes que passam pelo Festival de Campos do Jordão, logo na sequência acabam
01:59indo para orquestras em outros lugares, porque realmente é o momento em que esse jovem consegue
02:05ter ali com o professor espalhado pelo mundo, a oportunidade de mostrar tudo aquilo que ele
02:10tem de talento e que escondido provavelmente jamais seria permitido a ele ter essa oportunidade.
02:18Ele é um festival que ele está lidando com muitos sonhos, né?
02:31Tem muitos alunos que é a primeira vez no festival, tem muitos alunos que sonharam estar
02:36ali e tentaram algumas vezes e agora estão fazendo o festival e a gente está a todo momento
02:42ali lidando com sonhos.
02:43Então o nosso dia a dia com eles é uma relação um pouco de não tentar atrapalhar esse sonho
02:48deles, mostrar o que eles estão fazendo, acompanhar um pouco esses sonhos de perto.
03:03Escolher alguns perfis para dar destaque, para entrevistar, para acompanhar entre esses
03:08215 bolsistas é um desafio, porque todo mundo tem história interessante.
03:12A gente faz uma pesquisa para encontrar histórias interessantes de contar.
03:17Então assim, mais do que contar a técnica, como é que esses caras chegam nesse resultado,
03:23a gente quer mostrar, tentar mostrar uma diversidade de personagens que represente um todo dos bolsistas,
03:30né?
03:30Então a gente tenta olhar para todos os naipes da orquestra, a gente tenta olhar para todas
03:35as regiões do Brasil e a gente olha também para alunos que moram fora do país.
03:40Então a gente tenta, vai atrás de histórias curiosas para poder contar, acompanhar um pouco
03:46o dia a dia desses alunos, acompanhar como que eles se relacionam com outros alunos, como
03:52é que eles frequentam as aulas, que dificuldade que eles têm, como eles começaram na música.
03:57Então a gente vai criando uma relação com esses alunos para mostrar um pouco as histórias
04:02e a gente também vai mostrando como é que o festival funciona.
04:05Por mais que a gente faça pesquisas, quando a gente vai entrevistar um aluno, o que se
04:26revela diante da gente, às vezes é muito maior do que a gente imaginou, é muito mais
04:30legal do que a gente imaginou, muitas histórias que passaram numa pesquisa e se revelam na
04:36nossa frente, assim, desde um aluno, por exemplo, de Londrina, que ele toca cravo, que chamou
04:44atenção da gente, que ele tinha, ele usava só camisas de time de futebol africano.
04:48Ele era todo estiloso, o cabelo dele e tudo, e eu fui perguntar por que ele se expressava
04:53daquele jeito, e ele trouxe para a gente que era uma maneira de descobrir a sua negritude,
04:58porque ele era filho adotivo de pais brancos, e que não apareceu para a gente na pesquisa,
05:03mas de repente isso se revela.
05:15A gente descobre, de repente, uma menina de Belém do Pará, era a primeira vez que ela
05:20ia ficar mais de 15 dias longe da mãe.
05:30Vai ser diferente também não ter monitores, né, que quando a gente viaja com orquestra
05:34sempre tem alguém para fazer isso, para fazer aquilo, a gente sempre tem o transporte
05:38na porta do hotel esperando a gente, então eu vou ter a experiência de andar sozinha de
05:43metrô, como eu falei, na minha cidade não tem metrô, vou andar sozinha de metrô, andar
05:47sozinha de ônibus em uma cidade bem maior do que a minha, então vai ser uma experiência,
05:52eu tenho certeza, enriquecedora não só musicalmente, mas como pessoa também.
06:03Então a gente vai descobrindo essas histórias deliciosas e vivendo meio com eles, então
06:06você está todo dia convivendo com eles, então às vezes você para de gravar com eles
06:09e você está vendo ele passar ali, perguntando como é que está, e daí até fora das câmeras
06:14deixa eu perguntar, e aí, pegou o metrô pela primeira vez? E então é uma imersão
06:18muito grande, muito grande se relacionar com esses personagens e agora nesse momento que
06:25eu estou na ilha de Edição montando esses episódios, eu estou revivendo essas histórias
06:29com um distanciamento, mas nem tanto, porque eu vivi o que essas pessoas viveram junto com
06:35elas.
07:05Legenda Adriana Zanotto
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