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  • há 7 semanas
Em sua nova exposição, o artista Luiz Zerbini avança na pesquisa voltada para a observação da natureza e dialoga com os cupinzeiros do nosso cerrado e suas larvas em estado de bioluminescência.
Transcrição
00:00Música
00:00É a primeira vez que eu faço um cupinzeiro assim.
00:25Em 1999 eu fiz uma exposição que era uma técnica de marmorização de papel,
00:32que eles tinham a forma muito semelhante.
00:36Eles eram os padrões, só que realizados de uma outra maneira, com uma outra técnica,
00:40mas eles já arremetiam às figuras humanas.
00:42Eu sempre encarei como se fossem uns retratos, sabe?
00:46Então, de alguma maneira, eu acho que esse cupinzeiro aqui é uma figura, uma entidade.
00:49Aliás, são várias entidades, né?
00:51Se você for ver naquela pintura no tríptico, que é aquela pintura maior,
00:53são dois cupinzeiros, mas eles são, ao mesmo tempo, figuras humanas.
00:59E depois tem uma árvore, uma palmeira do lado.
01:02Isso aqui tem uma simplicidade que eu estou procurando.
01:06Na verdade, eu estou, acho que, voltando a essa simplicidade de alguma maneira.
01:10Então, isso aqui foi só um gesto, onde eu desenhei essas três figuras,
01:14e aí cobri com esses padrões e, sei lá, a coisa foi sendo construída de um jeito muito rápido,
01:22muito espontâneo, que eu estava buscando, estou buscando essa espontaneidade de novo, sabe?
01:29A fumaça que está pintada ali, ela é muito, eu reparo muito nela e sempre achei muito bonito
01:37o movimento que ela faz, sabe?
01:40E é tanto é que aqui eu botei um incenso para você ver o jeito que a fumaça vai,
01:44é meio um jeito de chamar a atenção.
01:46Todo mundo já viu aquele cigarrinho, né?
01:47Aquele cigarrinho no cinzeiro, que fica aquela fumacinha com uma contraluz, né?
01:51Um trabalho meio sobre esses momentos de reflexão e de observação silenciosa, né?
01:57A primeira vez que eu vi esse fenômeno de iluminescência, com vagalumes e larvas de cupins,
02:08porque as larvas do cupim são fluorescentes também, foi numa foto de 2014 do Aribaçu.
02:16Ele fez uma foto e ganhou um prêmio essa foto.
02:18E eu gosto desses efeitos óticos e de coisas mágicas, né, que acontecem na natureza.
02:23Meu trabalho é muito sobre isso, né, sobre a observação de natureza.
02:27Tinha uma tela em branco e eu desenhei uma forma que era um cupinzeiro.
02:31Fiquei com vontade de fazer um cupim como se fosse uma forma humana, né?
02:37Um vulto, assim, na paisagem.
02:40Essa foto é uma foto de noite, evidentemente, porque é sobre os vagalumes, né, e coisas fluorescentes.
02:45E ela tinha uma silhueta contra o fundo do céu colorido.
02:50Então era uma coisa toda mágica, né, uma imagem muito pictórica, assim.
02:55Essa talvez é que seja mais semelhante com a ideia da fotografia, né?
03:00Eu considero figuras também, figuras humanas.
03:02São seres da noite, né, seres da floresta, do cerrado, na verdade, né?
03:09E também é uma coisa muito simples, né?
03:11Uma na contraluz, aí tem a Via Láctea.
03:15São pinturas inspiradoras, eu acho.
03:17A exposição tem um silêncio, né?
03:24Ela evoca um pouco, assim, a reflexão sobre a paisagem, eu acho.
03:31Eu gostaria que acontecesse isso, né?
03:34Que a pessoa ficasse meio embriagada pela beleza de uma imagem misteriosa, né?
03:41O que eu acho que agora talvez tenha acontecido, o que ficou mais evidente é que o mundo, sei lá, deu uma volta, né?
03:49Eu continuei fazendo umas paisagens e segui pintando e me relacionando e chamando atenção e sendo convocado pela natureza, né?
03:59Só que aí o mundo meio se distanciou da natureza durante esses anos todos, que são muitos anos já agora, né?
04:06Mas agora, de alguma maneira, o interesse pela natureza acabou encontrando o meu trabalho de novo, agora depois de, sei lá, 40 anos, né?
04:14É a necessidade do mundo, né?
04:16De repensar o que está acontecendo na natureza.
04:18Tem um trabalho aqui que se chama Vagalume, né?
04:25Todos isso aqui poderiam se chamar Vagalume, mas o que se chama Vagalume, ele é um trabalho abstrato, é um trabalho geométrico e abstrato.
04:32E ele chama Vagalume porque na composição dele é difícil você manter o olhar fixo em algum lugar,
04:40porque não tem uma imagem central como as outras pinturas.
04:43As pedras, eu venho fazendo essas pedras há um tempo.
04:49Algumas são de papier machê, outras são com estrutura de isopor, outras são com estrutura metálica por dentro,
04:55mas todas cobertas com massa e umas pintadas de maneira realista e outras não.
05:02E essa aí pintadinha de bolinha, ela apareceu numa pintura e aí eu resolvi fazer ela tridimensional.
05:09Aqui tem umas cracas grudadas, ó.
05:15Isso aqui é tudo um pedaço de tinta de plástico, sabe?
05:18Que sobra do colado lá na minha palheta lá e eu arranco aí e vou colando.
05:23Tirei todo o mistério do peso dela, né?
05:25Tem uma outra sala que tem uma instalação e tem uma sobreposição de ideias e de materiais, né?
05:41Tem uma rede de pesca, por exemplo, que dá um volume, uma...
05:45Ela é cheia de... é como se fosse cheia de ar.
05:48Parece uma... pra mim parece uma nuvem, sabe?
05:50E ela tá sobre uma areia branca, que é uma tinta, na verdade.
05:54É uma maneira de você pintar o chão de branco, colocar aquele objeto cheio de ar,
06:01com as linhazinhas, né?
06:03E com uma corda que parece um desenho sobre aquela areia.
06:07E em cima de tudo tem um véu transparente de seda,
06:12onde estão impressas as monotipias, as plantas que eu uso como matriz
06:15pra fazer essas monotipias.
06:18Então é meio como se estivesse tudo junto ali
06:21e ainda tem um efeito das luzes piscando.
06:28Esse cacho de coquinha é um cacho de uma palmeira que tem lá no meu ateliê,
06:31que cai todo mês, cai um cacho desse.
06:34Aí eu imprimi ela aqui atrás e aí em um determinado momento,
06:37essa forma é linda, né?
06:39Eu tava guardado lá no ateliê.
06:40Em um determinado momento eu coloquei ela em cima da monotipia
06:45e aí gostei, achei que, sei lá, foi além, né?
06:49A exposição é bem completa, porque tem um pouquinho de cada coisa,
06:55várias ideias, uns pensamentos e muitas relações criadas entre os trabalhos, sabe?
07:01Porque no fundo você fica...
07:03Eu gosto de ficar criando relações entre as coisas, né?
07:06Botar uma coisa do lado da outra.
07:07E aí vem o que, né?
07:10Uma coisa atrai a outra e repulsa.
07:12É meio sobre uma dinâmica dos trabalhos no espaço.
07:16E aí
07:21E aí
07:26E aí
07:31E aí
07:36E aí
07:39E aí
07:41E aí
07:42E aí
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