00:00Música
00:00O MAC foi o primeiro museu no Brasil
00:25A mostrar e adquirir obras de vídeo
00:30E esse trabalho, Daniela Ivã Cordeiro, M3x3
00:34É considerado a primeira obra de videoarte no Brasil
00:38Foi feita em 1973
00:39Ela também é pioneira no campo da computer dance
00:43Ela faz essa coreografia junto com o computador
00:47Então ela informava os movimentos que as bailarinas deveriam fazer
00:51E aí o computador dava sequência
00:55E essa sequência ela distribuía para as bailarinas
00:57Então é um método de coreografia conjunta
01:01Junto com o computador
01:02O computador fornece para ela sequência
01:06Música
01:07Essa exposição, a exposição Antagonistas e Resistências Algorítmicas
01:13Ela nasceu na verdade de um texto
01:15Que foi escrito por mim, pelo outro curador, Gabriel Pereira
01:18A artista Gisele Bergman e também o pesquisador André Mintz
01:22Sobre essa ideia de como a gente precisa olhar para os anos 60, 70 e 80 no Brasil
01:30E na América Latina também como um todo
01:31Para tentar entender como artistas, ativistas e pesquisadores
01:36Estavam lidando com a tecnologia da sua época
01:38De uma maneira muito dissidente, muito crítica
01:41A gente notou que quase todos os artistas que a gente fez referência ao texto
01:45Fazia parte da coleção desse museu, do Mac USP
01:48A gente também decidiu colocar também alguns artistas contemporâneos
01:52Que hoje, de alguma maneira, realizam práticas semelhantes em relação à tecnologia de hoje
01:59Então, a partir disso, a gente construiu essa exposição
02:02Como uma espécie de um convite, de uma reflexão
02:05Para dizer, olha, nem tudo está dado
02:08A gente ainda pode pensar e atuar de uma maneira crítica com a tecnologia
02:12E, a partir disso, a gente construiu essa exposição em quatro núcleos
02:18Um núcleo mais histórico, paleocibernético
02:22Depois um núcleo nessa sala que a gente está, que é contaminações e redes
02:25Depois extração, subversão e aquivamento de dados
02:29E um quarto núcleo final, que fala uma questão mais corporal em relação à tecnologia
02:34Aqui a gente tem, assim, uma gama muito grande
02:48De trabalhos que vão explorar esses meios de comunicação
02:53Desde o final dos anos 60
02:56A obra mais antiga que a gente tem aqui é de 1967 até 2025
03:03Então, passa pela fotografia, passa pelo correio, pela arte postal
03:10Passa pelo xerox, pela videoarte
03:12Pela linha telefônica, a gente tem obra aqui feita
03:18Que é o uso de uma linha telefônica como uma forma de transmitir poemas
03:24Essa obra chama Telescanfax
03:30A vendedora de ferro de passar roupa
03:32Que era originalmente uma performance do Gilberto Prado
03:36Feito em parceria com o grupo Poéticas Digitais na França
03:41Em 1999
03:42Então, o que ele fazia?
03:44Ele está escaneando a imagem da TV
03:47Ele vê essa imagem no computador
03:52E ele passava um fax imediatamente
03:56Dessa imagem para uma galeria de arte
03:59Então, é uma performance que acontece no escritório dele
04:02E tem como consequência a galeria de arte receber uma imagem
04:07Do que ele estava escaneando
04:08E justamente o que ele está escaneando
04:11É uma propaganda de uma mulher vendendo um ferro de passar roupa
04:17Um trabalho, por exemplo, que eu apontaria da exposição
04:28É o trabalho do Guda Sei
04:29Que foi o primeiro artista, a primeira pessoa no Brasil
04:32Que pediu as suas imagens captadas pelo reconhecimento facial nos ônibus
04:38E com essas imagens ele constrói um vídeo
04:40Que mostra como o reconhecimento facial faz parte das nossas vidas
04:45É um sistema de vigilância que nos captura o tempo todo
04:47E que traz uma série de problemas
04:50Especialmente para as pessoas negras, para as pessoas periféricas
04:52As pessoas que usam mais os ônibus no Brasil
04:54Que agora passam a ter seus dados captados
04:57E tem esses movimentos controlados de uma maneira
05:01Em uma escala jamais vista anteriormente
05:03Então o trabalho dos artistas
05:05Eu acho que em primeiro lugar ele é de mostrar
05:07Essas outras possibilidades possíveis
05:09É também de nos desfamiliarizar com o mundo tecnológico hegemônico
05:14De nos apontar essas outras possibilidades
05:17Então de outras possibilidades da gente
05:18Que a gente possa trabalhar com a tecnologia
05:20De uma maneira mais justa
05:22De uma maneira mais crítica, criativa
05:25Essa sala, que é uma sala chamada Contaminações em Redes
05:36Então a gente tem aqui, por exemplo, do meu lado
05:38A arte postal
05:39Que foi muito coordenada e incentivada pelo curador e professor Walter Zannini
05:44Que era diretor deste museu nos anos 70
05:47E que de alguma maneira se apropiava de uma tecnologia da sua época
05:51Que era os correios
05:52Para poder criar uma rede de trocas entre artistas latino-americanos
05:58E outros artistas também
05:59Em contextos de ditadura, de repressão, de censura
06:04Então ele conseguia, de alguma maneira, fazer com que esses artistas
06:07Trocassem cartas, instruções de performances, desenhos
06:11E gerasse essa rede dissidente dentro dessa rede oficial
06:15Que era a rede do Correios
06:16Mas também a gente não queria ficar só no passado
06:18Então por isso a gente traz também, por exemplo
06:21Um trabalho como o do Eduardo Kaki
06:23Que é um QR Code
06:25Uma coisa que hoje todo mundo usa
06:26Mas é um QR Code um pouco danificado
06:29Torto
06:30Você precisa mexer o seu corpo
06:32Para que o link de fato funcione
06:34Eu acredito que a inteligência artificial
06:42Ela traz uma série de novas possibilidades
06:43Mas a gente tem que entrar nessas novas possibilidades
06:47De uma maneira muito crítica
06:48Olhando e entendendo o que é de fato novo
06:51O que é de fato uma nova possibilidade
06:53Mas também o que é uma continuidade
06:55Com outros paradigmas de criatividade
06:57Que já existiam antes
06:58Essa discussão que a gente às vezes ouve hoje
07:00Ai, ah, pode ser criativa
07:02A inteligência artificial cria novas imagens
07:04Bem, aqui temos na exposição várias obras
07:06Que mostram que, sim, de alguma maneira
07:09Mas o ser humano está sempre presente nesses processos
07:12Ele, de alguma maneira, sempre está por trás
07:14Dessas obras de arte
07:15Ele é colaborador
07:17Ele é partícipe dessa construção
07:20E não tem como fugir disso
07:21Então, se por um lado
07:22Essas tecnologias trazem novas possibilidades
07:25Elas também nos mostram que
07:26As tecnologias também são sempre humanas
07:28Elas sempre, não são só técnicas
07:30Elas são só ciotécnicas
07:32Elas existem dentro da sociedade
07:33E das suas possibilidades
07:35Segunda-estras
07:37Música
07:38Legenda Adriana Zanotto
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