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  • há 1 ano
O ator Jesuíta Barbosa junta-se ao coletivo curitibano na peça “Sonho Elétrico”, baseada no livro “Sonho Manifesto”, do neurocientista Sidarta Ribeiro.
Transcrição
00:00Música
00:00Existe um outro lugar para onde a gente pode ir?
00:16Existe antes disso aqui?
00:21Existe o silêncio?
00:24Existe o vazio?
00:30Ele existe?
00:36Ela existe?
00:39O espetáculo passa pela trajetória de uma banda,
00:43no qual um personagem recebe um raio na cabeça.
00:46Essa figura fica a iminência da morte, entre a vida e a morte.
00:50E essa banda perpassa todo o espetáculo,
00:54estimulando e trazendo questões em torno da memória pessoal, coletiva,
00:58a memória do país, como uma metáfora de acordar e pulsar a vida diante de tudo.
01:04Como a flor da promélia que cresce entre as ranhuras das pedras?
01:12É preciso insistir.
01:15Nas ranhuras do impossível, nas flechas das interdições,
01:20O impossível, dentro do impossível!
01:25O Soil e o Manifesto é um livro interessante,
01:27é um livro pequeno, dá para ler numa sentada.
01:32E eu acho que o Siddhartha faz um resumo muito consciente, assim,
01:39de formas que a gente pode explorar para conseguir acordar,
01:44de possibilidades da gente conseguir entender e renovar nosso entendimento de mundo.
01:49Mas a gente se baseou no livro, no início,
01:54e acho que depois a gente começou a enveredar por outros caminhos, assim.
01:58O espetáculo tem uma dramaturgia que é baseada no livro do Siddhartha,
02:03mas a gente pôde também colocar nossas ideias,
02:07nossas tentativas de acordar também desse sonho de melhor forma, assim.
02:16Que o vento e a correnteza me levam de volta,
02:21pra casa.
02:22Meu olho no seu ferrolho, seu dente na jugular,
02:25na vida só vale o molho e a chuva pra se molhar,
02:30espero de surpresa, na falta de boa raça.
02:35Que o vento e a correnteza me levam de volta,
02:45pra casa.
02:47Todo o processo, ele foi muito colaborativo mesmo.
02:52A gente passou por uma residência artística de um mês,
02:55onde tinha não somente o elenco e toda a equipe da brasileira,
02:58mas também o Siddhartha, a Ave Terrena, a Agressi Passou.
03:02A gente também teve 15 outros artistas múltiplos de várias áreas.
03:06A Islanta aqui também é assistente dramatúrgica.
03:10Tem a Thais também, que tá pós-gente na produção,
03:13que participou dessa residência,
03:15pra pensar um sonhar que fosse mais do que algo que fique nas ideias,
03:19um sonhar que é pungente na ação também.
03:21Um sonhar acordado, né?
03:23E não é bem uma adaptação do livro do Siddhartha.
03:25É uma conversa com o Sonho e Manifesto,
03:28que ele propõe 10 exercícios urgentes de otimismo apocalíptico.
03:32Então a gente foi, por essa toada, o Siddhartha teve muito presente nessa união
03:36de dois pilares da nossa sociedade que foram muito atacados
03:40durante o fascismo que a gente viveu agora há pouco,
03:43ainda vive de certa forma, que é a ciência e a arte.
03:46Então o Siddhartha também veio, ele é capoeirista também,
03:49então de certa forma ele é um artista também, escreve,
03:51então ele é um artista, mas teve esse lado também do neurocientista.
03:54Então teve esse namoro da ciência com a arte,
03:58que gerou o Sonho Eletro.
03:59Vocês me olham como se o tempo parasse, um instante,
04:05um breve silêncio, tudo suspenso, quase flutuando.
04:10Sabe como quando a gente joga uma bola para o alto
04:13e ela para no ar um instante antes de cair?
04:18É como agora, tudo suspenso nesse breve instante.
04:24Nós estudamos juntos o livro, o Sonho Manifesto e outras referências
04:28que estavam dispostas a nós e o Márcio vinha com algumas perguntas,
04:34alguns dispositivos de criação, alguns jogos de improvisação
04:37que tinham a ver com as questões do livro,
04:40mas outras questões que fazem parte da pesquisa de linguagem da própria companhia,
04:43que inclusive está completando 25 anos esse ano.
04:46Então a gente revisitou algumas obras que a companhia já fez,
04:50como o Projeto Brasil,
04:52e aí a gente começou a produzir a partir do nosso próprio lugar como artista no mundo,
04:59mas também a partir desses dispositivos com o Márcio
05:01e depois com a chegada da dramaturgia e dos outros elementos de criação.
05:05São muitas ideias que a gente traz no espetáculo,
05:08de memória, memórias pessoais.
05:11A Idila faz um texto incrível, muito baseado na vida dela,
05:15nos encontros pessoais e na família dela,
05:18e isso veio para a cena como uma memória mesmo dela, muito pessoal,
05:23mas que se torna coletiva quando acontece aqui,
05:25e as pessoas se comunicam e vibram juntos com essa história que ela conta,
05:31que vem de algo muito íntimo.
05:34Então eu acho que é essa possibilidade de comunicação que a gente traz aqui,
05:39de memórias muito pessoais, mas também que se tornam coletivas.
05:44Eu saio de cena.
05:46Essa frase pode ser usada também com outro sentido.
05:50A gente sai de cena.
05:52Numa hora, todo mundo sai de cena.
05:55Eu estou aqui, eu estou morrendo de cena.
05:58É a única certeza.
06:00Tem água aqui, você vai sair de cena?
06:04Eu formei em teatro e sempre estive assistindo,
06:09não deixei de ser uma pessoa de teatro.
06:12E acho que esse filme,
06:14ele aconteceu de uma forma muito interessante.
06:17esse corpo do Ney, que eu aprendi ali, eu pude,
06:23depois do Ney, eu vim direto para cá, fazer o espetáculo com a companhia, com os meninos.
06:29E acho que tem uma tradução de alguma coisa que aconteceu lá aqui também, sabe?
06:32A gente não deixa de se comunicar com o que a gente cria, com cada criação.
06:39Então, acho que o que acontece no Sonho Elétrico aqui, essa peça, tem muito do que a gente vive,
06:44particularmente, assim, das nossas criações de espetáculos, de filmes e tudo se traduz de uma outra forma, né?
06:51Numa outra linguagem e acho que essa é a potência de a gente estar fazendo esse espetáculo, o Sonho Elétrico.
06:56Olha quem tá aqui do meu lado!
06:58A nossa vida!
07:00Eu vou voltar, hein?
07:01A gente acabou de sair do show aí, dá um oi pro pessoal!
07:04Oi, pessoal!
07:05É muito impactante!
07:07A nossa vida é muito impactante!
07:10Essa é uma sucessão de imagens que...
07:12Ah, eu não acredito!
07:13Essa é a música final!
07:15Que bom!
07:23Eu saio...
07:25E o vento no meu rosto e nos meus cabelos!
07:28Ihhh!
07:29Tempestade!
07:30O barulho da cidade...
07:32É, tá tudo parado!
07:33Tá ameaçando chuva!
07:34Não, é só ameaçar e para tudo!
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