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  • há 6 meses

Categoria

Pessoas
Transcrição
00:00O painel está de volta. Eu vou me encontrar agora com a nossa convidada especial no painel de hoje,
00:13a Alia Paulive de Souza. Ela é bióloga, mas ficou muito conhecida com o seu trabalho com a adoção.
00:20Tudo bem, Adriana? Tudo bom, Alia. É um prazer conversar com a senhora.
00:25A Alia virou referência em todo o Brasil com o trabalho de adoção que ela começou fazendo aqui em Curitiba, fazendo no Paraná.
00:34E é por isso que ela é a nossa convidada no painel deste sábado.
00:39Muito obrigada, é uma honra.
00:41Alia, a gente trouxe a senhora aqui para o Bosque do Papa.
00:46Esse bosque maravilhoso.
00:48Lindo.
00:49No meio da cidade, no meio de Curitiba, quase na região central de Curitiba.
00:53A senhora tem alguma relação com esse ambiente? Conta um pouquinho da sua história.
00:58O verde me atrai, o mato me atrai. Eu fui criada em zona rural.
01:02Então, isso aqui é uma benção, um presente de Deus para a gente estar em um lugar assim, com a natureza em volta, passarinhos.
01:10Pena que hoje está meio dublado, mas continua lindo assim mesmo.
01:13E, Alia, como que começou a história de adoção na vida da senhora?
01:17Bom, acho que como a de todos os casais que não puderam gestar.
01:22Nós tivemos uma gestação interrompida espontaneamente.
01:27E daí, o tempo foi passando e a gente via os familiares, amigos com filhos e nós também queríamos ser pais.
01:34Isso foi quando?
01:36Isso foi... a nossa filha chegou em 72.
01:38Então, a partir de 68, 69, que a gente começou a lidar com isso.
01:42Porque nós ficamos esperando por um ano, mais ou menos, a chegada da nossa primeira filha.
01:48Com as entrevistas, com a preparação, junto à vara da infância e juventude.
01:52A senhora se tornou mãe adotiva num período em que, diferente do que hoje a gente fala, né?
02:00A adoção é um tema aberto, um tema compartilhado.
02:04As pessoas gostam de ouvir essas histórias, mas não era assim quando a senhora virou mãe adotiva, né?
02:09Não, no meu tempo, o preconceito era muito forte.
02:13Os casais sem filhos eram socialmente cobrados.
02:18Todo mundo tem filho, por que vocês não têm, né?
02:20Então, achavam sempre que o problema era da mulher, a parte masculina nunca era falada.
02:25Hoje em dia, os homens falam abertamente, o problema é meu, não tem problema mais isso.
02:29Isso caiu, graças a Deus.
02:31E a senhora é bióloga?
02:34Sim, eu fiz história natural, que chamava-se antigamente.
02:38E lecionei ciências biológicas por um bom tempo.
02:41E virou escritora?
02:42Daí tive que parar por causa das crianças que chegaram, né?
02:45Duas, assim, não tinha como, com um ano de diferença.
02:49Daí tive que parar, mas daí aconteceram outros projetos, outras coisas.
02:53E escrever foi também por acaso.
02:54E a senhora, hoje, é uma referência em adoção, como escritora, como pesquisadora, como palestrante.
03:06Eu adoro isso.
03:07Mas também não planejei, foi acontecendo.
03:10E eu consegui passar uma mensagem um pouquinho antes da gente começar a gravar aqui,
03:14para as suas duas filhas.
03:16E acabou de chegar o vídeo da Fernanda.
03:19Meu Deus!
03:19Gente que vive com você, no meu caso, já há 41 anos sendo sua filha,
03:27é surpreendente as coisas que você é capaz de realizar em nome do amor,
03:31das suas crenças e de todos os valores que você passou para mim.
03:36Se hoje eu sou quem eu sou, com certeza eu devo muito, muito mais do que você imagina
03:40a você e essa sua força inimaginável de fazer o impossível acontecer.
03:46Te amo, mãe. Um beijo.
03:47Isso não vale, né?
03:51Deixar a gente emocionada assim, não vale.
03:54Como é começar o dia com uma mensagem assim de surpresa, porque nós acabamos de combinar.
04:00Pois é.
04:01Até com cada dissono.
04:03Pois é, a Fernanda é a segunda filha.
04:05A primeira filha é a Renata, que é psicóloga.
04:07A Fernanda também é palestrante na área dela.
04:11E graças a Deus a gente vive em harmonia, isso que é bom.
04:13E eu tenho muita alegria de ver que elas estão seguindo um caminho correto.
04:18Um caminho de luta, um caminho de trabalho, um caminho de dedicação para as suas filhas também, né?
04:23Então isso nos gratifica muito.
04:25A senhora tinha algum medo, assim, em relação ao próprio preconceito que a família viveu naquela época
04:32em que a adoção não era algo, assim, tão bem recebido como hoje?
04:36Eu confiei sempre.
04:38Nós dois, meu marido e eu, que ele já é falecido, né?
04:41Nós confiávamos muito no que nós estávamos fazendo.
04:45E confiávamos nas meninas.
04:47A gente acreditava que elas estavam assimilando a nossa força, a nossa garra de luta, de vida,
04:53de seguir um caminho.
04:55Um caminho bonito, um caminho honesto, né?
04:59Um caminho de trabalho, um caminho de buscar o sonho delas também, né?
05:05Olha, eu acabei de receber mais uma mensagem.
05:08Deixa eu ver quem está mandando aqui para a gente.
05:11E agora foi a Renata.
05:13Preparada para ouvir a Alia?
05:15Tem que estar, né? O que vai fazer?
05:16A minha mãe é a luz na vida de muitas pessoas, especialmente na minha.
05:22Ela é um ser de amor incondicional.
05:25Mãe, eu te amo.
05:27Isso não vale.
05:31Pois é, acho que o resultado foi bom, né?
05:33A senhora veja como é gostoso ver a sua história através dos olhos das filhas.
05:41Porque elas continuam também fazendo alguma coisa.
05:44Cada uma na sua área, no seu ramo.
05:46Elas continuam sendo mulheres.
05:49Mulheres fortes.
05:51Mulheres sábias, né?
05:53Com todas as dificuldades que todos nós temos, né?
05:56Nós temos momentos de recaídas.
05:58Nós temos erros também.
05:59Mas é muita alegria ver que estão indo bem.
06:03Que a missão foi cumprida.
06:05A senhora realmente construiu um papel.
06:09A senhora tem um papel na construção do que é essa nova adoção que a gente fala hoje.
06:13A senhora quebrou barreiras.
06:15A senhora superou preconceitos, como a Renata falou.
06:18Qual foi, assim, um momento que a senhora foi muito difícil?
06:22E que juntas, a família toda superou na época de adoção?
06:27Quando elas chegaram, o começo foi bem complicado.
06:31Por causa da cultura daquela época.
06:32Nos anos 70, o preconceito era enorme.
06:35As mulheres faziam barriga postiça.
06:38Viajavam e vinham com o filho.
06:39Para fazer de conta que geraram.
06:41Então, era uma vergonha.
06:43Ser mãe de segunda categoria.
06:44Coisas assim, né?
06:45E, felizmente, isso mudou.
06:48Então, a gente fica muito feliz de ver que com o exemplo da gente de enfrentar a verdade,
06:54nós nunca escondemos.
06:56Porque o que você esconde é errado.
06:58E nós não achamos que era errado.
07:00Nós demos a nossa cara a tapa, como se fala na gíria, né?
07:05E com isso, aconteceram essas mudanças.
07:08Sei lá.
07:09Obra do destino.
07:11Eu acredito muito no destino, sabe?
07:13E que a senhora foi construindo.
07:15É.
07:15E hoje, com a adoção, a senhora está fazendo o quê?
07:20Hoje, eu faço parte da ONG Adoção Consciente.
07:23A gente trabalha no curso de preparação aos pretendentes.
07:27São mais ou menos uma carga horária de 20 horas.
07:30São 10 encontros, incluindo uma parte da vara da infância e uma parte da ONG.
07:34E onde me chamam para a palestra, eu vou, né?
07:37E a senhora representa...
07:37E como voluntária, bem entendido.
07:40Recentemente, Alia, o G1 Paraná divulgou a atualização
07:45do Cadastro Nacional e o Paraná ficou muito bem colocado em números de adoção.
07:52Está muito bem, né?
07:52Está muito bem, infelizmente.
07:53E olha o número que a gente tem aqui.
07:56A informação aqui do G1 13 em cada cinco adoções no país ocorre.
08:00No Paraná, no Rio Grande do Sul e em São Paulo.
08:03Santa Catarina é um trabalho bonito também.
08:06E isso tudo, quando a senhora olha lá para trás, quando começou a falar de adoção a partir da sua história mesmo.
08:13E hoje, tratando de adoção com todas as novas famílias adotivas que estão surgindo por aí.
08:19Qual é o sentimento que fica dessa trajetória toda que a senhora já fez até agora?
08:24Afinal de contas, são mais de 40 anos trabalhando com adoção.
08:29Ah, eu acho que o sentimento que vem é de alegria, de ver que as coisas estão acontecendo,
08:35que dia a dia as coisas estão melhorando, que novas famílias estão sendo construídas.
08:39E principalmente, novas crianças estão tendo a possibilidade de ter família, de estudar,
08:45de se tornarem, de serem cidadãos, né? Eu acho que isso que é o melhor de tudo.
08:50Vocês conheceram um pouco da história de Alia Paulívio de Souza, que aos 77 anos,
08:56pôde contar um pouco da sua trajetória, essa mulher que transformou a adoção no Paraná,
09:02que transformou o Paraná em referência nesse tema no Brasil.
09:06Aqui para você, no painel RPC.
09:19E depois do intervalo, você vai conhecer a irmã Inês?
09:22Eu sou a Freira do Rap e vou contar a minha história para vocês.
09:25Voltamos já!
09:26Eu sou a Pepe.
09:27Eu sou a Pepe.

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