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  • há 2 meses

Categoria

Pessoas
Transcrição
00:00Fica aqui no Paraná, uma das regiões onde se registra a maior frequência de raios no Brasil.
00:05Estamos justamente numa época de temporais que dão medo em muita gente.
00:09Aí a gente se pergunta qual será a melhor forma de se proteger numa hora dessas para falar sobre o assunto.
00:15A gente recebe o coordenador do grupo de pesquisa em fenômenos da eletricidade da Universidade Federal do Paraná,
00:20o professor Armando Heilemann.
00:23Tudo bem, professor?
00:24Tudo bem.
00:24Seja bem-vindo.
00:25Obrigado pela presença.
00:26Cláudia Selle também aqui conosco, para me auxiliar aqui nessa entrevista, que é a sua especialidade, né Cláudia?
00:32Professor, essa época é a época, pode-se dizer, de maior incidência de raios ou ela, vamos dizer assim, compete com a primavera, por exemplo?
00:42O verão é a estação do ano mais intensa em número de tempestades com raios.
00:47Na verdade, começa a partir da primavera, essa intensidade, e chega no auge na época do verão.
00:52A gente tem sempre o registro daquelas pancadonas de verão, né?
00:56A gente dá esse alerta bastante aqui também, falando para o pessoal, olhe para o céu, né?
01:00Se começou a carregar, essas chuvas se formam rapidamente, né?
01:04Qual a importância da gente dar esse alerta mesmo das pessoas se preocuparem com os raios?
01:09A importância é justamente pelo perigo que a descarga oferece.
01:13Um raio, ele é estudado há 200 anos, mas a ciência não tem ainda uma clareza a perguntas básicas,
01:19como, por exemplo, como ele se forma e onde ele vai cair.
01:22Então, o alerta oferecido, né, nesse sentido, oferece uma capacidade das pessoas em se prevenir
01:29de uma incidência direta ou até indireta do raio.
01:32Dá para a gente dizer, até a partir disso que o senhor está comentando,
01:35que é um dos fenômenos da natureza mais misterioso ainda,
01:39quer dizer, vocês, especialistas, cientistas, ainda não conseguiram chegar bem, vamos dizer,
01:44destrinchar bem o que representa o raio, enfim.
01:47Sim, ele é o fenômeno mais intrigante, mais misterioso e também o mais perigoso.
01:54Cerca de, por ano, são mais de 3 bilhões de raios no mundo.
01:59Só no Brasil caem 70 milhões de raios.
02:03Há um histórico de até 2 mil vítimas por raios.
02:07O setor elétrico é o senhor...
02:08Isso no Brasil.
02:09Isso no Brasil.
02:092 mil vítimas no Brasil.
02:10No Brasil, né?
02:11Por ano.
02:12Por ano.
02:12Então, ele é, de fato, um fenômeno que ainda se conhece muito pouco e a fatalidade que
02:17ele oferece em função da vulnerabilidade das pessoas e das estruturas é algo a ser considerável.
02:23E há 18 anos o senhor está coordenando um grupo de pesquisas que justamente está fazendo
02:29um estudo mais especializado nos raios, né?
02:32A gente tem até uma tabela que mostra quais são as áreas aí do Brasil que recebem,
02:37que tem a maior incidência de raios no ano.
02:39A gente tem ali, então, mostrando para a gente duas áreas ali, várias, na verdade,
02:43que estão aqui no Paraná, né?
02:44Isso.
02:45A gente...
02:45O nosso grupo de pesquisa, ele pegou esses 18 anos de dados de raios, né?
02:50E fez um estudo, particularmente, sobre a região do litoral do Paraná.
02:54E aí, Guaraqueçaba, Antonina e Guaratuba são os pontos do litoral do Paraná com maior
03:01incidência de raios.
03:02É claro que outras regiões do estado e até do país também configuram uma densidade
03:08de raios igualmente alta, como, por exemplo, Porto Real, no Rio de Janeiro, né?
03:14É o oeste do Paraná, né?
03:15Foz do Iguaçu, que tem uma densidade de raios também igualmente alta.
03:19Mas o litoral do Paraná tem a particularidade justamente por ser uma região em que as pessoas,
03:24em época de férias, procuram essa região e se expõem muito facilmente ao perigo das tempestades.
03:31Há uma explicação para que a nossa região aqui receba, vamos dizer, uma incidência
03:37tão grande e geograficamente é um, se pode dizer, um corredor ali de tempestades ou algo
03:42assim ou não?
03:42Uma das explicações que o nosso grupo está levantando é que, por exemplo, a região
03:46de Guaraqueçaba, ele é um vale, né?
03:49Então existe uma teoria chamada a teoria do vale-montanha, em que afirma que a circulação
03:54de ar faz com que uma parcela do ar úmida, né, seja levado pela atmosfera para cima.
04:00Ele resfria rapidamente, forma nuvens, aí a nuvem cresce até o topo da serra, enquanto
04:07há brisas que vêm do continente que realimentam essa nuvem e ela cresce muito em profundidade,
04:12o que na ciência costuma-se afirmar de desenvolvimento vertical, né?
04:17E esse desenvolvimento vertical, ele é responsável, então, pela circulação de cargas dentro
04:23da nuvem e por isso aquelas regiões próximas de serra são as regiões com grande densidade
04:27de raios.
04:28Inclusive, dentro desse estudo, a gente tem ali também uma noção do horário em que
04:33esses raios são mais comuns, né?
04:36Qual o horário, então, que as pessoas têm que ficar mais em alerta?
04:39Durante as estações de primavera e verão, sempre por volta de 17 horas até 20 horas,
04:46é o período de tempo em que ocorrem as maiores tempestades, tempestades com maior número
04:50de raios.
04:51Mas, ao longo do ano, você tem no litoral do Paraná, por exemplo, uma distribuição
04:55muito grande de raios em todos os horários, né?
04:59Principalmente no inverno.
05:00O inverno tem horário de madrugada, de manhã, no começo da tarde e à noite.
05:05Agora, na primavera e no verão, esse horário de 17, 20 horas concentra o maior número de
05:10raios.
05:10Tá.
05:11Professor, a gente vai pedir licença ao senhor no instantinho, porque agora a gente vai até
05:14Ponta Grossa, temos lá uma pessoa que vai nos contar o que é, efetivamente, passar por
05:20uma situação dessa.
05:21A confeiteira Patrícia Almeida teve a casa atingida por um raio e o André Salamucha conversa
05:28ao vivo com a gente agora.
05:29Oi, André, bom dia.
05:32Oi, Soler, bom dia para todo mundo que nos acompanha aqui no Bom Dia Paraná.
05:36Pois é, a Patrícia é confeiteira, trabalha em casa e, recentemente, ela estava aqui na
05:42cozinha lidando e teve um susto.
05:45Patrícia, o que você estava fazendo na hora?
05:47Eu estava aqui, eu estava fazendo os laços, que eu ia finalizar uma encomenda e eu estava
05:52com a tesoura e estava com a cola quente.
05:57Normalmente, tranquilamente, fazendo como sempre faço todos os dias.
06:00O tempo estava normal, não estava uma tempestade, nada, só tinha fechado.
06:05De repente, só ouvi aquele estrondo e mais nada, uma bola de fogo gigante.
06:10Foi o que eu vi, mais nada.
06:11E na hora que, depois disso que aconteceu com você...
06:14Na hora que deu aquele estrondo, é como se alguém tivesse fechado a mão e dado no
06:17meu ouvido.
06:18E eu fui cair abaixo da mesa.
06:21Porque eu levantei, assim, assustado, porque é fração de segundo, você não pensa,
06:25você não imagina o que está acontecendo.
06:27Levantei, me verifiquei se não tinha nada comigo e foi aquele, tipo assim, aquele
06:32desespero daí.
06:33Você conseguiu identificar que era um raio?
06:36Que era um raio, porque o estrondo foi muito forte.
06:38Foi aquele estrondo seco.
06:40Mas foi para o hospital?
06:41Aí eu cheguei para o hospital, começou a dar muitas dores e a pressão arterial
06:47elevou bastante.
06:49Cheguei a ir para o hospital nesse dia.
06:51Aí tudo certo?
06:52Nada grave, só...
06:53Tudo certo, tranquilo, só um susto mesmo.
06:56Quando eu retornei do hospital, que eu fui ver o estrago grande.
07:00Estragaram equipamentos da casa?
07:01Toda a parte que estava ligada na parte de cabeamento, televisão, modem, conversores,
07:08telefone, ventiladores, ar-condicionado, isso foi tudo.
07:11Quanto prejuízo?
07:12Mais ou menos 5 mil e meio de prejuízo.
07:15Obrigado, tá, Patrícia.
07:17Voltamos com vocês aí no estúdio.
07:19Soler.
07:19Tá certo, André.
07:21Obrigado a você e a Patrícia também pelo depoimento, né, que realmente é assustador,
07:26né, professor?
07:26A gente ouvi, né, a Patrícia dando detalhes ali de como tudo aconteceu.
07:30E ela estava dentro de casa.
07:32E não estava tendo uma tempestade ainda.
07:34Pois é.
07:34Não precisa sair os antes.
07:35O que dizer daí nesse caso, né, Cláudia, para a gente se proteger de uma situação como essa?
07:40Uma tempestade, quando ela se aproxima, ela já carrega na sua dianteira algumas descargas atmosféricas.
07:47Mas, às vezes, a tempestade pode estar bem afastada, em torno de 20, 30 quilômetros,
07:52e um raio lateral correr pelo céu e 16, 15 quilômetros depois se conectar com uma estrutura.
07:59Nesse caso, pode ser alguma coisa parecida, né, que atingiu a estrutura da casa ou a fiação elétrica,
08:05correu pela fiação elétrica, aliás, e atingiu ela que estava com a cola quente.
08:09Então, esse tipo de fatalidades que acontecem, né, de ocorrências por raio, é muito comum dentro de casa também.
08:18Dentro de casa, você não pode utilizar equipamentos eletrônicos em momentos em que estão acontecendo raios.
08:23É muito importante que as pessoas evitem o contato também com objetos metálicos,
08:29encanamento, tomar banho, usar o micro-ondas, ferro elétrico, né?
08:33Inclusive, o chuveiro a gás também. Não precisa ser um chuveiro elétrico.
08:38Também o chuveiro a gás é importante que...
08:40Que isso evite usar por causa de ser metal, enfim.
08:42Isso, porque ele tem uma capacidade de condução dessa descarga.
08:45A descarga pode acontecer fora da estrutura, mas corre por dentro desses elementos metálicos e atinge o interior da casa.
08:52Então, a aproximação de uma tempestade é o momento, então, de desligar tudo e tomar esse cuidado, né, dentro de casa.
08:59Mas e fora de casa? O que fazer, por exemplo, no litoral?
09:02Quando você está na praia, curtindo ali o verão, está na praia, está no mar, começa a ver aquelas nuvens, qual é a principal orientação?
09:10A principal orientação é o método do 30-30.
09:13Eu tenho sempre divulgado isso para as pessoas da seguinte forma.
09:16Você ouviu o trovão, você se retira do local de praia, se retira, não fica embaixo de árvores, né, fica dentro do carro ou dentro de casa com tudo fechadinho, bonitinho, esperando passar a tempestade.
09:29Por 30 minutos.
09:30Se nesses 30 minutos não acontecer nenhum outro trovão, então você pode voltar às suas atividades externas.
09:36Se nesses 30 minutos você contabilizar mais um ou dois trovões, você deve reiniciar a contagem dos 30 minutos, sempre deixando esse intervalo entre trovão e nenhum outro barulho do trovão em 30 minutos.
09:50É a melhor forma de você se prevenir.
09:51Agora, professor, é bem curioso, assim, né, a gente vê os números que vocês nos trazem, né, da incidência de raios no Brasil, a frequência, o perigo que é.
10:00E a gente ouvia, às vezes, a mãe, o pai da gente, ó, desliga isso aí, meninos, não dava muita consideração.
10:05A gente não tem essa cultura, né, de se prevenir, vamos dizer assim, desse tipo de acidente.
10:10O que dizer, por exemplo, das nossas edificações no que se refere ao aterramento elétrico, né, vocês estudam isso, vocês debatem essa questão também?
10:21A parte da estrutura de aterramento e sistemas de proteção, nós não fazemos um estudo sobre isso, né, nosso estudo é mais voltado para a física das tempestades.
10:31Mas o sistema de aterramento, ele precisa dessas informações numéricas de densidade de raios, como, por exemplo, o setor elétrico.
10:38O setor elétrico, ele tem uma estimativa de até 70% dos desligamentos de energia elétrica ocasionado por raios.
10:45Então, estes números favorecem os projetistas no cálculo dos coeficientes de segurança, dos sistemas de proteção, para que se evite o raio a todo custo, no sentido de oferecer um dano, né, ao próprio sistema elétrico e ao usuário, né.
11:02Porque não se pode negligenciar, então, na hora de fazer o aterramento correto de uma hora.
11:06De forma alguma, é importante.
11:08E também a questão do para-raio também, né, que isso também é algo, é um equipamento importante, principalmente para edifícios, né.
11:15É essencial, né. Toda estrutura, eu acredito que deve existir até normas, né, de segurança na engenharia, o CREA deve trabalhar com normas de segurança que exigem um sistema de proteção adequado em estruturas.
11:28É, por isso é importante usar alertas sempre também, né.
11:30Tá certo, é isso aí. Professor, mais uma vez, obrigado pela presença.
11:33Eu que agradeço.
11:34Até a próxima.
11:35Até a próxima.
11:35Obrigada, bom dia.

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