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  • há 4 meses

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00:00Olá, que bom estar com vocês aqui de novo no nosso Humanamente Possível.
00:13E hoje eu tenho o grande prazer de ter comigo uma pessoa sensacional.
00:18Eu estou falando da minha amiga Beth Tichauer, que por acaso foi uma estagiária de muito valor,
00:25que cruzou comigo, trabalhamos juntos há quase 30 anos atrás.
00:30De lá pra cá a história da Beth se tornou maravilhosa e nós vamos entender o porquê
00:34quando a gente fala aqui de propósito, de doação daquilo que se tem
00:39e também de trabalho em diversos setores, tanto no mundo privado como no mundo público.
00:44Beth, muito obrigado por estar aqui comigo.
00:46Imagina, obrigada pelo convite, Leonel.
00:49É muito bom te revê-la depois de tanto tempo e saber que você continua brilhando.
00:53Então vamos tentar entender um pouquinho dessa história.
00:56Já adianto aqui que hoje a Beth trabalha no setor público,
01:00mas tem uma vida pregressa maravilhosa no setor privado.
01:03Você foi a primeira estagiária da Visa no Brasil, é isso?
01:07É, a Visa naquela época tinha 25 funcionários.
01:10E eu brinco que eu era estagiária do escritório inteiro.
01:14Eu fazia tudo que ninguém queria fazer, era eu que fazia.
01:16Então eu fazia as apresentações, eu fazia planilha, eu coordenava reuniões.
01:21Então assim, eu acabei aprendendo muito, muito na minha carreira, com você também.
01:27Então foi a minha primeira experiência de trabalho real, foi incrível,
01:32porque era uma empresa gigantesca e ninguém acreditava que tinha 25 funcionários no Brasil.
01:37Então essa foi a minha primeira experiência profissional.
01:40Daqui a pouco a gente fala um pouco mais de Visa,
01:42que eu também vou aproveitar para contar algumas histórias e falar,
01:44rememorar pessoas maravilhosas.
01:46E você, eu lembro que você tinha vindo do exterior, se não me engano,
01:51você tinha feito alguma formação também fora do Brasil.
01:55É, na verdade, enquanto eu estava na Visa,
01:58eu fiquei afastada durante quatro meses fazendo uma formação,
02:01uma especialização em marketing em Berkeley.
02:04Ok.
02:04Então, ainda, assim que eu me formei, um pouco depois que eu me formei,
02:08aí a Visa patrocinou a minha ida para os Estados Unidos,
02:11e eu fiz uma formação, uma especialização em marketing em Berkeley.
02:15Fiquei lá quatro meses e depois voltei.
02:17E você aqui tinha se formado na GV?
02:19E aqui eu tinha me formado na GV, exatamente.
02:21Em administração.
02:21Em administração de empresas.
02:23O que a Beth está se referindo é o seguinte, tem uma história bacana.
02:26Em 1995, o mercado brasileiro de cartões se abriu na dualidade.
02:32Até então era um mercado muito fechado.
02:35E a Visa montou um escritório novo no Brasil,
02:38trazendo uma pessoa fantástica, o Andrés Espinoza.
02:42Aliás, Andrés, um abraço para você.
02:45Eu tenho muita gratidão pelo Andrés, Beth.
02:49E o Andrés, ele tinha uma cabeça muito bacana.
02:51Ele contratou um monte de gente nova, tudo garoto.
02:55Eu tinha 33 anos, 33 isso, eu tinha 33 anos.
03:00Eu lembro que foram contratados quatro diretores executivos.
03:03Era eu, o Mário Melo, o querido Mário Melo, o querido Gastão Matos e o Fernando Castejón.
03:09Ah, o Fernando Castejón.
03:10Éramos os quatro, cada um vindo de uma origem, mas eram quatro garotos.
03:14O Fernando um pouco mais velho que eu, o Mário mais novo, o Gastão também,
03:18acho que mais novo do que eu, sim, com certeza.
03:21E era tudo nessa faixa.
03:23E eu aprendi muito ali, porque depois usei isso bastante.
03:28Quando eu fui para a Smiles, por exemplo, muitos anos depois que eu montei um time,
03:31era tudo garoto.
03:32Eu só contratava garoto.
03:33Fiz o que o Andrés fez e que deu muito certo.
03:36E era uma época muito romântica, digamos assim,
03:38porque não existia cartão de débito no Brasil, foi na época que a gente trouxe.
03:43Não existia chip, né?
03:44Era uma luta para ter chip.
03:47A maior parte das transações ainda eram manuais.
03:51Então, foi um grupo mais ou menos fundador de uma nova era de tecnologia no Brasil,
03:56de meios de pagamento, capitaneada pelo Andrés.
03:59Nesse contexto, veio você como estagiária.
04:02Faz tudo.
04:02Faz tudo.
04:03Não, eu lembro que o Andrés era uma pessoa...
04:06Eu falava assim, nossa, ele é presidente da Visa do Brasil.
04:09E ele era a pessoa mais acessível.
04:12E eu acho que isso acabou forjando um pouco a minha forma de gestão.
04:17Assim, hoje, inclusive hoje no meu trabalho, muitos dos meus pares têm suas salas fechadas,
04:23e eu faço questão de estar na mesma sala dos meus diretos,
04:26porque eu acho que isso faz a informação fluir.
04:29E eu acho que isso naquela época, a Visa tinha aquele open space, você lembra?
04:33Todo mundo ficava na mesma sala.
04:35Então, assim, faz com que a gestão fique muito próxima da sua equipe.
04:40E isso, para mim, é algo que eu aprendi na Visa.
04:44A ser acessível, a ter acessibilidade às pessoas.
04:47Então, acho que esse começo de carreira, e tendo acesso a pessoas brilhantes, né?
04:52Eu era estagiária, do estagiário até o presidente tinha três camadas, quatro camadas.
04:58Então, assim, acabou influenciando muito, muito a minha carreira e a minha forma de gestão.
05:03Então, você ficou quanto tempo na Visa?
05:05Dezoito anos.
05:07Ou seja, você foi efetivada, porque eu saí algum tempo depois,
05:13porque recebi uma outra proposta, fui para um outro caminho.
05:16Mas eu sou apaixonado pela Visa até hoje.
05:20Foi o lugar que me deu a chance na vida.
05:22E você ficou.
05:23E aí você foi fazendo carreira sempre no Brasil?
05:25Não, eu fiquei, desses dezoito anos, quatro anos na Visa do México.
05:30Então, eu fiquei quatro anos na área de marketing.
05:32Na verdade, eu comecei na área de negócios, né?
05:34Comecei com você e com o Mário Melo, que eram os dois diretores que cuidavam de negócios.
05:38E depois eu acabei mudando para a diretoria do Gastão, que era quem cuidava de marketing.
05:43E aí acabei fazendo meus dezoito anos de carreira todo em marketing.
05:47Passei por todas as disciplinas de marketing, desde publicidade, promoções, patrocínios.
05:54Enfim, fiz toda a minha carreira em marketing.
05:57E desses, quatro anos na Visa do México.
06:01Então, tem essa...
06:03Eu conheci meu ex-marido, meu ex-marido mexicano.
06:07E a gente conheceu aqui, se mudou para lá.
06:09E aí continuei na Visa.
06:10Depois do México, voltei para o Brasil, continuei na Visa.
06:14Então, assim, eu fui, voltei.
06:16E o seu marido era da Visa também, não?
06:17Não, não.
06:19E aí você voltou para o Brasil e ficou em marketing aqui?
06:23Continuei em marketing na Visa.
06:24Continuei em marketing na Visa.
06:26Foram dezoito anos em marketing.
06:27Foram o primeiro ano e meio, foi em negócios, né?
06:30Atendendo os bancos.
06:31E depois passei para a área de marketing e fiquei durante os dezoito anos.
06:35E do Gastão como um...
06:36É um craque.
06:37Um mestre.
06:37Ele é um...
06:38Gastão, um mestre.
06:39É.
06:40Fora que é uma pessoa maravilhosa.
06:43E é outro que eu acho que acabou desenhando um pouco a minha forma de gestão também.
06:48Então, assim, eu tive muita sorte de ter tido pessoas inspiradoras na minha vida.
06:54É...
06:55E que fizeram com que eu me transformasse nessa pessoa que eu sou hoje.
07:00Não, não foi sorte.
07:01É.
07:01Você tem o senso de oportunidade que você soube aproveitar muito bem.
07:05É...
07:06Aí, da Visa, o que é que houve?
07:08Que ruptura aconteceu aí para mudar?
07:10Então, eu estava na Visa, isso foi em 2004.
07:15Não, 2000, desculpa.
07:152014.
07:17Na época, o meu filho mais velho, ele tinha sete anos, né?
07:24Eu tenho dois filhos, o Alê e o Arthur.
07:28O Alê é o mais velho.
07:29Ele tinha, na época, ele tinha sete anos de idade.
07:31Um dia ele chegou em casa e falou assim,
07:33Mãe, eu queria comprar uma máquina de braille para uma criança cega.
07:36Aí, eu falei, mas da onde essa criança tirou isso?
07:41Meu Deus, uma máquina de braille.
07:41A gente não tem nenhum cego na família, a gente não tem acesso, né?
07:45E apesar da gente fazer, sempre incentivar a doação, doação do agasalho e tal,
07:50a gente nunca tinha levado eles em algum tipo de organização e tal.
07:55Ele falou, não, na minha escola me contaram que tem uma máquina de braille
08:00que faz os cegos aprenderem a ler e a escrever,
08:02que eles não aprendem a ler e a escrever de olho fechado.
08:05É uma máquina, parece uma máquina de escrever.
08:08E aí, eu falei, quanto custa essa máquina?
08:10Ele falou, custa dois mil reais.
08:11Isso em 2014, é bastante dinheiro.
08:14Ainda é, né?
08:14Mas, na época, ainda era mais.
08:16Eu falei para ele, falei, não, então tá bom.
08:18Então, a gente vai fazer o seguinte.
08:20A gente vai juntar as moedinhas, os troquinhos.
08:23E a gente, quando a gente tiver os dois mil reais, a gente compra a máquina para...
08:27Então, eu queria que fosse um esforço da parte dele.
08:31Aí, no dia seguinte, ele veio e escreveu um bilhetinho, assim,
08:35e falou assim, ó, eu escrevi aqui um bilhetinho.
08:38Na época, ele ganhava sete reais por semana.
08:43De mesada.
08:44De mesada.
08:45Era a idade dele, a gente dava o dinheiro da idade.
08:48Era assim, cada semana.
08:49Então, era sete reais por semana, ele tinha sete anos.
08:54E aí, ele falou assim, mãe, eu vou dar cinquenta reais.
08:56Que ele tinha guardado.
08:58Se eu der cinquenta reais, você me dá cinquenta reais para eu comprar a máquina?
09:02Aí, eu falei, tá bom, né?
09:04Falei, tudo bem.
09:06Aí, foi para o pai dele.
09:07Pai, eu vou dar cinquenta reais.
09:09Você me dá cinquenta reais?
09:12Tá bom.
09:12E aí, ele pegou e escreveu uma cartinha.
09:15Muito bonitinha.
09:16Falando que ele estava tentando arrecadar dinheiro para comprar uma máquina de braille.
09:20E que ele queria ajuda das pessoas.
09:21Daí, ele falou assim, eu posso tirar a cópia dessa carta para colocar...
09:24Nas portas do prédio.
09:26Uma corrente do bem.
09:27Uma corrente do bem.
09:28Eu falei, tá bom.
09:29Aí, tirei cópia.
09:30Ele colocou embaixo de todas as portas do meu prédio.
09:33Ele ligou para todos os meus primos.
09:35Para todos os meus tios.
09:36A minha mãe.
09:37O filho dos meus amigos.
09:39Ligou para todo mundo.
09:40Enfim.
09:41Aí, ele chegava no elevador.
09:42Ele encontrava alguém assim.
09:43Falou assim, oi, tudo bem?
09:45Meu nome é Ale.
09:46Eu moro aqui no décimo sétimo.
09:47E eu estou fazendo uma campanha para arrecadar.
09:49Eu coloquei um bilhetinho embaixo da sua porta.
09:52Será que você não pode dar?
09:53Não tinha um que não dava.
09:54Claro.
09:55Todo mundo dava.
09:56Em 20 dias, ele tinha 5 mil reais.
10:005 mil reais.
10:02E aí, eu liguei na organização que produz as máquinas.
10:05Que chama Lara Mara.
10:07Sim, claro.
10:07E eu falei para eles.
10:08Eu falei, olha, é o seguinte.
10:09Meu filho arrecadou dinheiro suficiente para comprar duas máquinas de braille.
10:13Mas eu queria que ele entregasse em mãos.
10:16Eu acho que tem essa coisa da materialização, da ajuda.
10:20Porque tem muita gente que ajuda, dá dinheiro, deposita na conta e não vê o efeito.
10:26Eu falei, para mim é importante que ele veja essa materialização.
10:30E aí eles falaram, nós vamos fazer um café da manhã para ele entregar a máquina.
10:33A gente tem uma fila de espera de meninos que precisam de máquina.
10:37E a gente vai fazer ele entregar.
10:40E eles organizaram o café da manhã.
10:41Deu para comprar duas máquinas e 25 bengalas.
10:44Então, com o dinheiro que sobrou.
10:45Convidaram todo mundo que ia receber, né?
10:49E aí eu falo que esse foi meu day one.
10:52O dia um da vida, assim.
10:53Porque ele pegou a máquina, entregou na mão de um menino.
10:56O Pedro.
10:57O Pedro era cego e surdo.
10:59Por causa de uma meningite mal curada num posto de saúde.
11:02Ele foi.
11:03E não chegaram bem.
11:05Ele foi para casa e ficou cego e surdo.
11:07Com cinco anos de idade.
11:08E aí o Pedro falou para ele assim.
11:11Ah, Leia, agora eu não preciso mais chegar às seis horas da manhã na minha escola para fazer minha lição.
11:17Eu posso fazer a minha lição na minha casa.
11:19Porque ele tinha uma máquina na escola.
11:21Sim.
11:22Entendi.
11:23E aí ele falou para mim assim.
11:24Mãe, em que horas eu acordo?
11:26Eu falei, não.
11:27Você acorda às seis e meia para poder chegar na escola e tal.
11:31Ele falou, mas em que horas será que ele acorda?
11:33Eu falei, então.
11:33Mas agora você mudou a vida dele.
11:35Eu falei, agora você entregou.
11:36E aí nesse dia eu falei assim.
11:40Eu não acredito que eu tenha quase 40 anos.
11:42Na época eu tinha quase 40.
11:44Estou fazendo as pessoas gastarem dinheiro com cartão de crédito.
11:47E meu filho tem sete e está mudando a vida das pessoas.
11:50E aquilo entrou em mim de uma forma devastadora.
11:54Eu falei, eu preciso fazer alguma coisa da minha vida.
11:56Eu preciso fazer alguma coisa da minha vida.
11:57Eu preciso fazer alguma coisa da minha vida.
11:59E aí eu comecei ainda na Visa a me envolver com organizações sociais.
12:04Foi a forma que eu encontrei naquele momento.
12:09E aí eu fui ser conselheira da Make-A-Wish, que é uma ONG, para quem não conhece, é uma ONG que realiza sonhos de crianças que têm alguma doença que coloca a vida delas em risco.
12:21Então eu fiquei ajudando a...
12:24Ainda na Visa.
12:25Ainda na Visa.
12:26Então eu fui...
12:26Aí era um trabalho completamente voluntário.
12:29Voluntário.
12:30Complementar a sua atividade principal.
12:32É.
12:32Naquele momento aquilo me preencheu de alguma maneira.
12:35Eu falei, pelo menos eu estou devolvendo.
12:36E aí fiquei um ano...
12:41Então, 2014 até 2015, mais ou menos, fiquei um ano ali.
12:45E aí em 2015, a minha chefe na Visa, na época, era expatriada.
12:48Ela era americana, estava no Brasil.
12:51E aí ela ia embora.
12:52E aí eles me sondaram para assumir a posição dela.
12:55Ela era vice-presidente de marketing.
12:58Falaram, ó, daqui seis meses ela vai embora para os Estados Unidos.
13:01E a gente gostaria de te preparar.
13:05Eu já estava há 18 anos na Visa, né?
13:07Para assumir a posição e tal.
13:09E aquilo entrou em mim como se fosse uma faca.
13:14Eu falei, não é o que eu quero na minha vida.
13:16Falei, não é isso que eu quero fazer na minha vida.
13:19Não quero.
13:20Não...
13:21Assim, eu falei, deve ter 70% dos marqueteiros aí que querem essa posição.
13:25Não é o que eu quero fazer.
13:26Não estou...
13:27É...
13:28E aí eu decidi tirar um sabático.
13:31E aí eu falei...
13:32E assim, todo mundo fala, né?
13:33Na época eu já era divorciada, separada, dois filhos e tal.
13:37E aí todo mundo falou, nossa, que corajosa.
13:40Eu falei, nem foi coragem.
13:42Foi uma coisa que transbordou.
13:44Desespero.
13:44É, eu não sei.
13:45Tudo bem.
13:46Tudo bem, é.
13:47Isso transbordou de mim.
13:48Eu falei, não posso.
13:49Não é o que eu quero fazer.
13:51E aí fui...
13:52Tirei um sabático.
13:54Fiquei um ano quase no sabático.
13:56Deixa eu te fazer uma pergunta antes.
13:58Pergunte.
13:582014, 2015, nós tínhamos um mercado já muito, muito forte de meios de pagamento no Brasil.
14:09Quem você teve que convencer para sair desse negócio?
14:15Porque eu imagino, você era uma funcionária de carreira brilhante.
14:20Uma funcionária, tanto é que tinham te proposto assumir tudo.
14:23Como é que você conversava internamente essa coragem, desespero do bem?
14:28É que não teve negociação.
14:30Não teve...
14:31Porta fechada sua.
14:31Você não deixava...
14:33Não teve negociação.
14:34Não foi...
14:35Era uma coisa realmente muito forte que estava em mim.
14:40Eu acho que era um incômodo...
14:42Eu brinco assim.
14:43Que eu cheguei onde meus pais falaram que eu ia ser feliz.
14:49Eu tinha verba para trabalhar.
14:51Eu tinha equipe.
14:53Eu viajava de business.
14:54Eu tinha o melhor seguro saúde.
14:55Eu tinha todas as...
14:57Claro.
14:57Um escritório lindo.
14:59Você conhece o escritório.
15:00Era lindo.
15:01Cômodo.
15:03Mas eu não encontrei aquilo que eu achei que eu ia encontrar quando eu chegasse lá.
15:09Então, não me preencheu.
15:11Então, não tinha negociação.
15:13A negociação já tinha sido feita comigo mesma durante esse processo desse um ano.
15:18Quando o incômodo nasceu, um ano atrás.
15:21Então, durante esse ano, acho que a negociação interna já tinha acontecido.
15:26E você foi para um sabático?
15:29Eu fui para um sabático sem saber o que eu ia fazer no sabático, na verdade.
15:32A única coisa que eu sabia é que eu ia continuar ajudando a Make-A-Wish durante o meu sabático.
15:37Então, assim, eu ia no escritório.
15:38Eu ajudava em captação de recursos.
15:40Eu ajudava em marketing.
15:42Enfim, ajudava eles de uma forma mais intensa do que eu fazia quando eu estava trabalhando full-time.
15:49E aí, a única coisa que eu tinha, que eu decidi no meu sabático e que até agora eu tenho conseguido manter
15:57é que eu nunca mais ia trabalhar em um lugar que não tivesse um propósito claro.
16:01Ou um produto que não tivesse um propósito claro de existir.
16:05Mas eu nunca tinha mapeado que eu trabalharia em uma ONG.
16:09Para mim, muitos produtos ou muitas empresas têm propósitos claros de existir.
16:13Eu brinco, eu falo, até cabeleireiro tem um propósito claro de transformar a autoestima das pessoas.
16:21Ou seja, todos os produtos têm algum propósito.
16:28E aí, estava acabando o meu sabático.
16:31E eu acho assim, quando você se conecta de verdade com o que você quer, as coisas acontecem.
16:39A lei da gravidade.
16:40A lei da gravidade, a lei da atração, quando você realmente identifica o que você quer.
16:45E aí, eu acho que nesse momento tem muitas distrações.
16:50Porque, às vezes, o que a gente acha que a gente quer não é o que a gente quer de verdade, né?
16:56Quando você se conecta com o que você quer, as coisas acontecem.
16:59Então, foi 100% por acaso.
17:02Eu nem tinha começado a procurar emprego ainda.
17:04Ou seja, estava há 11 meses do meu sabático.
17:06Me ligou uma Red Hunter e falou, a gente está procurando uma superintendente para uma ONG.
17:11Eu falei, acho que nem existe isso na mesma frase.
17:13ONG, superintendente, Red Hunter.
17:16Existe alguém procurando?
17:17Red Hunter é procurando gente para trabalhar em ONG.
17:20E aí, era para uma ONG de educação.
17:23Que se chama Junior Achievement.
17:24Que eu, na época, não conhecia.
17:26Mas fui pesquisar...
17:29Uma ONG global.
17:30Uma ONG global, que está em 120 países.
17:32Sim.
17:33Tem mais de 100 anos na sua fundação.
17:36E aí, eu, enfim, não conhecia.
17:38Fui pesquisar.
17:39Fui pesquisar as pessoas que faziam parte do conselho.
17:41Fui pesquisar qual era o propósito.
17:43Quantas pessoas eu treinava.
17:44Uma ONG muito grande.
17:45Eu fiz as contas.
17:46Eu falei, ó, tudo bem.
17:48Eu tenho um valor mínimo.
17:50Nunca seria próximo ao que eu ganhava na Visa.
17:53Nunca.
17:53Mas, eu fiz uma proposta.
17:57Eu falei, ó, o mínimo que eu preciso para viver é isso.
18:00Eu tinha um livro de vida.
18:01Meus filhos estudavam em escolas específicas.
18:03Porque tem esse outro ponto, né?
18:07Às vezes, a gente não quer abrir mão de tudo que a gente tem.
18:10E não é disso que eu falo hoje, né?
18:12Ou seja, você não precisa abrir mão de tudo que você construiu.
18:15Claro.
18:15E aí, deu certo.
18:18E aí, eu entrei na Junior Achievement.
18:21Para cuidar de toda a operação no Brasil.
18:23Que a ONG era uma operação muito grande na época.
18:26Tinha 27 escritórios pelo Brasil.
18:29É...
18:29Muito, muito grande.
18:31Ele tem os escritórios regionais.
18:32Cada estado tem um...
18:35Cada estado da ONG tem um escritório regional.
18:39Eu lembro quando eu estava na Losango, no Rio de Janeiro.
18:43A Losango tinha muitos voluntários na Junior Achievemento do Rio.
18:47A minha esposa, inclusive, fez muito trabalho lá.
18:50É...
18:50Mas isso antes de você.
18:52Porque eu estou falando aqui de...
18:54É...
18:54Por volta do ano 2000, 2001.
18:56É...
18:57A ONG, no Brasil, foi fundada em 1983.
18:59Então, ela tem um histórico muito grande de...
19:04E ela trabalha muito com voluntariado.
19:06Então, a metodologia da ONG é...
19:09A ONG treina os voluntários das empresas para que eles se transformem em professores dos alunos.
19:14Né?
19:15Em empreendedorismo, educação financeira e preparação do mercado do trabalho.
19:19E é uma aproximação do setor produtivo com a escola.
19:24Que é muito importante.
19:26Para que os alunos consigam se inspirar e entender o que existe por trás dos muros da escola.
19:32Né?
19:32E por trás da profissão dos pais.
19:34Né?
19:35Então, assim...
19:36Hoje em dia, acho que nas escolas, muitos alunos só conseguem sonhar em ser melhor que os próprios pais
19:42nas próprias profissões que os pais têm.
19:45Né?
19:45Então, eles não conseguem entender o potencial que existe fora desse...
19:50Do pequeno ecossistema que eles vivem, né?
19:53E, às vezes, uma pequena intervenção de alguém de fora...
19:57Claro.
19:58Transforma a vida.
19:59Transforma a vida.
20:00Então, nesse momento, foi o momento que eu me apaixonei pelo poder que a educação tem de transformar a vida das pessoas.
20:09Então, foi realmente, assim, para me mostrar que existe uma forma de inspirar esses jovens,
20:19de tirá-los da vulnerabilidade através do sonho, através da informação.
20:25No Brasil, a Junior Achievement tinha quantos... formava quantas pessoas?
20:31350 mil alunos passavam pela organização por ano.
20:36Por ano?
20:36Por ano.
20:37Então, a Junior Achievement no Brasil deve ter já impactado milhões, 3, 4...
20:42Milhões, milhões, milhões desde a sua fundação.
20:47Ela tem programas de curta duração e programas de longa duração.
20:53Então, programas de curta duração que são mais ou menos de 4 horas,
20:56onde, naquele dia, na escola não tem aula e chegam voluntários e vão falar sobre carreira,
21:04ou vão falar sobre educação financeira, ou vão falar sobre tecnologia, enfim...
21:09Tem o dia dos CEOs também.
21:10O dia dos CEOs.
21:12Então, às vezes, levam os CEOs para as empresas para eles contarem a sua carreira e tal.
21:17Eu participei também, alguns anos atrás.
21:20Acho que você ainda estava lá.
21:21Você que me convidou.
21:23Sim, eu te convidei.
21:24E assim, a inspiração...
21:27E muitos desses CEOs vieram de realidades que não são favorecidas.
21:33Claro que sim.
21:33Então, quando o aluno tenha o contato com alguém que foi da realidade deles e prosperou,
21:41isso tem um poder de transformação que muito pouca gente entende o poder que tem essa transformação.
21:48Então, assim, durante esse período, eu me apaixonei pelo poder que isso pode ter na vida dos jovens.
21:56Então, a gente muitas vezes escutou jovens dizendo
22:00eu entrei aqui achando que eu não ia poder ser nada mais do que o meu pai.
22:05E hoje eu entendi que eu posso empreender.
22:07Que eu posso ter meu próprio negócio.
22:08Que eu posso fazer meu próprio negócio.
22:11Então, isso realmente...
22:13Quer dizer, é uma formação, uma tentativa de formação muito pragmática.
22:17Muito focada mesmo na inserção do mercado de trabalho.
22:20Exato.
22:21E abrindo oportunidades.
22:22Ou tentando abrir oportunidades.
22:24É isso. E a metodologia da ONG é voltada para o mão na massa.
22:28No mundo todo.
22:29No mundo todo.
22:30Não é que existe um programa específico no Brasil.
22:32É mais ou menos o mesmo padrão.
22:33A gente tem alguns programas que...
22:36Tinha alguns programas que foram personalizados aqui no Brasil.
22:39Então, tem um programa que tem 100 anos que se chama Mini Empresa.
22:43Que é um programa de 4 meses onde os alunos têm que criar uma empresa dentro da sala de aula.
22:49Então, ele tem que eleger um presidente, um diretor de marketing, um de finanças, um de RH,
22:53onde produção, eles têm que arrecadar dinheiro para comprar matéria-prima.
22:57Eles têm que produzir a matéria-prima.
22:59Eles têm que vender o produto, definir o preço.
23:02E aí, depois dos 4 meses, eles devolvem o dinheiro para o acionista que investiu na empresa,
23:07fecham a empresa.
23:08Mas eles entendem todo o setor produtivo de como fazer um negócio andar.
23:14E esse modelo é um modelo bem artesanal, né?
23:18A gente criou no Brasil um programa desse de startup.
23:23Então, também como empreender com uma startup, né?
23:26Que você vai acabar não produzindo, né?
23:29Ou tem o artesanal, mas ele vai criar ideia, como você prototipa a ideia, como você entende.
23:35Então, esse é Tupiniquim.
23:36Esse a gente criou aqui, mas é baseado em todo o conceito.
23:39Mas a filosofia é global.
23:41Me diga uma coisa, quanto tempo você ficou lá?
23:43Cinco anos fiquei na organização.
23:46E?
23:46Não, foi maravilhoso.
23:48É maravilhoso porque você está lá ainda.
23:51Está vendo no jeito que você fala, Bete.
23:53Eu continuo vendendo a organização por onde eu vou.
23:57É assim como a gente estava vendendo a Visa aqui há pouco tempo atrás.
24:00Eu acho que todos os lugares que eu passei, nenhum deles...
24:05Eu olhei para trás, assim, e falei...
24:08Tomei a decisão errada e...
24:10Claro.
24:11Enfim.
24:12Eu fiquei lá durante cinco anos.
24:15A pandemia foi muito dura para a organização.
24:19Porque é uma organização que trabalha com materiais didáticos impressos físicos
24:26dentro da sala de aula, porque isso muda tudo.
24:29Todas as metodologias online são legais.
24:33Chega mais gente.
24:34Mas o impacto...
24:35O impacto do olho no olho, o impacto da sala de aula, não tem como comparar.
24:43De onde vem o funding da organização?
24:46A organização sobrevive com o funding de empresas que querem investir em educação.
24:52E essas empresas ganham, em contrapartida, o direito dos seus funcionários serem voluntários
24:59desses programas.
25:01Então...
25:01E, eventualmente, acesso a recrutamento...
25:04E, eventualmente, acesso.
25:05Então, muitas vezes, por exemplo, esse programa que é o maior, que se chama Mino Empresa,
25:09muitas vezes, as empresas identificam talentos lá dentro.
25:12Falam assim, ó, esse Mino aqui na Finanças, nunca fez Finanças na vida, mas dá para ver
25:16que o cara é bom de números aqui.
25:19Então, já existiu...
25:23A gente não tinha um programa formal de empregabilidade desse programa, mas muitas vezes as empresas
25:27identificavam talentos nesses programas e convidavam os jovens a fazer parte.
25:32Até porque vai ser um funcionário com a gratidão eterna.
25:35Exatamente.
25:36A oportunidade que ele tem.
25:38E aí, cinco anos...
25:39Aí, cinco anos, aí a pandemia foi muito dura para a organização.
25:43E aí, em 2022... 2021, na verdade, eu fui experimentar startup de educação.
25:52Aí, já estou apaixonada por educação.
25:54E aí, fui trabalhar numa startup de educação que se chama Descomplica.
25:58E aí, qual que é o propósito dessa organização, dessa startup?
26:02É democratizar o acesso a universidades através de cursinhos.
26:08Ela nasceu, né?
26:09Um cursinho pré-vestibular a R$19,00 por mês.
26:14Então, como que você...
26:16100% baseado em...
26:18Online.
26:18Online, claro.
26:19100% baseado em online.
26:20Custo muito baixo.
26:21Mas com professores dos melhores cursinhos do Brasil.
26:25Então, você pega um showman, né?
26:27Quem já fez cursinho sabe como são as aulas de cursinho.
26:31Você pega esses professores maravilhosos.
26:33E dá uma aula que é síncrona, né?
26:36Então, o aluno entra, pluga lá, entra na plataforma.
26:39E tem uma aula de biologia daquele professor.
26:41Pode interagir na plataforma, fazer perguntas.
26:45Além disso, uma série de...
26:47Uma base de exercícios que eles poderiam fazer.
26:50E com uma enorme escala.
26:52Porque é uma aula para atingir milhares de pessoas.
26:54Milhares de pessoas.
26:55Então, a Descomplica dava acesso às melhores faculdades para quem não podia pagar um cursinho.
27:02Então, para mim, fez muito sentido.
27:05Era um complemento bem interessante para o que eu imaginava que fosse o futuro desses jovens.
27:15Então, assim, eles têm que sonhar.
27:17Então, de uma maneira ativa, a gente não conseguia materializar o chegar lá.
27:22Mas a gente conseguia despertar nesse jovem a vontade de chegar lá.
27:26E aí, na Descomplica, era um pouco mais materializado.
27:29Onde você conseguia dar uma ferramenta para que ele conseguisse chegar lá.
27:34Então, eu fiquei dois anos.
27:36Startup é uma coisa enlouquecedora.
27:39Aí você voltou a ser estagiária da Visa, que carregava o computador, fazia a sua, limpava a mesa, né?
27:44Não, é impressionante, assim.
27:46E o ritmo de startup é uma coisa alucinante, assim.
27:50Em dúvida.
27:52Foi uma experiência incrível.
27:55Eu acho que, tendo trabalhado numa grande corporação, né?
27:59Onde tinha sempre alguém que fazia por mim, eu pedia para alguém fazer, né?
28:04Tinha todas, né?
28:05Na startup, não.
28:06Você faz sua planilha, você faz a sua apresentação, você apresenta.
28:10E no ritmo, num ritmo incrível.
28:12Então, foi muito interessante para conhecer novas formas de gestão, novas ferramentas de gestão.
28:19Foi incrível.
28:20Fiquei na Descomplica durante dois anos.
28:24Então, foi realmente uma experiência diferente.
28:28Então, até então, já tinha trabalhado em grandes corporações, uma ONG.
28:32Eu falo que eu fui do total, tinha dinheiro total para a escassez total.
28:40Nas ONGs, a escassez é de tudo, né?
28:44Então, assim, abundância para a escassez.
28:48E é impressionante como você se transforma mais criativo na escassez.
28:54Claro.
28:55Então, isso foi maravilhoso também.
28:57Quando eu saí da visa, que tinha abundância para ir para a escassez, é uma coisa incrível.
29:03O seu cérebro...
29:05Tem que ser todo reprogramado.
29:07Ele se transforma, né?
29:08Então...
29:08São novas sinapses o tempo todo para mudar o modelo mental.
29:14Exatamente.
29:15Tudo bem.
29:16Mas aí apaixonou por educação e agora está na educação.
29:19E agora, aí, assim, no final de 2022, quando o secretário estava fazendo a sua equipe para começar a gestão em 2023,
29:30eu recebi um convite para participar da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo.
29:34Ah, secretário de São Paulo.
29:36Secretário de Educação do Estado de São Paulo.
29:37Você hoje trabalha na Secretaria de Educação do Estado de São Paulo.
29:41É.
29:42Hoje eu trabalho na Secretaria de Educação do Estado de São Paulo.
29:44Qual é a sua missão lá?
29:47Eu fui...
29:48Então, é uma história interessante, porque eu fui...
29:50Na verdade, eu entrei na Secretaria de Educação para cuidar da...
29:55É como se fosse...
29:55Eu faço um paralelo como se fosse uma diretoria de operações da secretaria, né?
30:01Então, a gente tem hoje 5.300 escolas.
30:05Então, vou falar um pouquinho de dimensão...
30:08Por favor.
30:08Para que as pessoas entendam o tamanho da dimensão.
30:10São 5.300 escolas em 645 municípios.
30:16A gente está dividido em 91 diretorias regionais.
30:20Então, a gente tem 91 diretorias regionais espalhadas pelo Estado.
30:23Cada uma dessas diretorias cuida entre 50 e 100 escolas.
30:28E nessas diretorias regionais tem um dirigente regional
30:33que é o chefe dessas 100 escolas, 50 escolas que ele cuida.
30:37Eu sou líder desses 91 dirigentes regionais.
30:42Então, o meu objetivo é fazer com que eles tenham tudo o que eles precisam
30:45para poder aplicar as políticas públicas
30:48e melhorar a educação dentro das suas 50, 100 escolas que eles gerenciam.
30:54Ou seja, é menos acadêmico e mais...
30:59Gestão.
31:00Gestão.
31:01Produtividade?
31:01Produtividade, índices, resultados.
31:06Mas tem muito de gestão de pessoas.
31:09Claro.
31:10Claro.
31:10Então, assim, dentro desses 91, a gente tem uma diversidade de pensamentos,
31:16uma diversidade de conhecimentos.
31:19Então, eu tenho que garantir que essas pessoas tenham o que elas precisam
31:22para poder gerenciar.
31:24Porque elas têm, embaixo delas, elas têm uma mini secretaria.
31:29Cada um desses 91 dirigentes tem uma mini secretaria dentro da sua gestão.
31:35Então, eles têm pedagógico, financeiro, recursos humanos.
31:40Cada um tem uma mini empresinha.
31:43E, além disso, eles são chefes dos diretores escolares.
31:48Mas, por mais diferença que tenha, e é claro que em uma comunidade dessa
31:52deve ter muita diferença ideológica, política, enfim.
31:55Mas, por mais diferença que tenha, existe um senso comum.
31:59Porque essas pessoas todas têm um senso de propósito muito positivo.
32:04Todo mundo que trabalha na educação tem.
32:06Claro.
32:06E aí, seu papel, talvez, mais importante é botar todo mundo na mesma página.
32:12É isso.
32:13Botar todo mundo na mesma página, mas também equalizar conhecimento.
32:17Ou seja, então, hoje eu trabalho muito com ensinar ferramentas de gestão
32:23para essas pessoas.
32:24Porque, imagina, eu falo para eles, muito CEO de empresa não cuida de tanta gente
32:31como vocês cuidam.
32:32Cada um desses 91.
32:34Então, se você cuida de 100 escolas...
32:37E não tem tantos clientes.
32:38E não tem tantos clientes.
32:39Se olhar os alunos como...
32:40Quantos alunos são nessas 5 mil e poucas?
32:423 milhões e meio de alunos.
32:44São 250 mil funcionários que a Secretaria de Educação tem.
32:49Sendo que desses 250 mil, 190 mil são professores.
32:53Então, você...
32:54O Brasil é um país incrível.
32:56Aqui tudo é super dimensionado.
32:57Não, é incrível.
32:59Mas, assim, eu brinco que, assim, eu cuido de 91 CEOs.
33:03Claro.
33:04Porque, assim, quantos CEOs de empresas hoje cuidam de tanta gente, assim?
33:08Então, são esses 250 mil dividido entre 91 diretores de ensino.
33:15Então, assim, eu fui contratada para gerenciar esses 91.
33:20E, com o tempo, eu ganhei algumas outras pastas.
33:23Então, em 2023, logo no começo, ganhei a pasta de convivência e segurança nas escolas.
33:29Que é uma pasta que me fez voltar para a terapia.
33:35Muito, muito complicada, assim.
33:38Acho que é um assunto...
33:40A responsabilidade é imensa.
33:41A responsabilidade é imensa.
33:43E, assim, é...
33:46É muito difícil que a gente consiga resolver essa pasta sem resolver os problemas sociais.
33:51Porque não é porque a criança entra na escola que ela vira um ser de luz.
33:56Ela traz tudo que ela vive fora da escola para dentro da escola.
34:02Como que você vai?
34:03A família inteira vem para a escola.
34:04Todos os problemas familiares...
34:06Tudo vem para a escola.
34:07Então, assim...
34:08E a gente sabe o nível de vulnerabilidade que a gente tem, né?
34:12Em muitas escolas nossas, assim.
34:14Vou dizer, a maioria das nossas escolas vive num ambiente...
34:18Está inserida num ambiente de alta vulnerabilidade.
34:21Então, assim...
34:23Essa é uma pasta muito, muito complicada.
34:26Segurança, convivência, né?
34:27E acho que não é uma pauta só de São Paulo.
34:30É uma pasta global.
34:32Então, assim...
34:33É muito desafiadora essa pasta.
34:35Também cuido da parte de educação especial.
34:38Então, alunos com necessidades especiais de educação.
34:42Que também é muito complicado.
34:44Os diagnósticos hoje têm crescido muito, né?
34:48É bom que as pessoas têm conhecimento dos diagnósticos hoje em dia.
34:52Mas cada vez mais a gente tem que dar suportes especializados.
34:56E não tem ninguém que...
34:58Se alguém falar que está preparado...
35:00Não é verdade.
35:00As particulares não estão preparadas.
35:03As estaduais não estão preparadas.
35:05Então, a gente está num caminho, né?
35:06De como atender esses alunos de educação especial.
35:10Ainda é um longo caminho.
35:12Uma coisa muito positiva é que hoje a gente anda nesse caminho.
35:16Ou seja, está todo mundo tentando melhorar.
35:19Porque, sei lá, décadas atrás, infelizmente, essas pessoas não teriam nem...
35:25Viveriam isoladas em casa.
35:27É isso.
35:27E, assim, mas eu falo que se existe um lugar para estar, para quem é apaixonado por educação,
35:35é a Secretaria de Estado do maior estado do Brasil.
35:38Claro.
35:39Porque, assim, é um...
35:40Eu falo que todos os dias eu sei que se um documento sair do meu computador,
35:46ele tem o potencial de melhorar a vida de 3 milhões e meio de alunos.
35:50Você se reporta para o secretário.
35:51Eu me reporto para o secretário.
35:52Secretário de Estado de Educação.
35:54Quem é?
35:55O Renato Feders.
35:56Renato.
35:56Me reporto para ele e, assim, ele tem uma visão muito pragmática da educação.
36:05A gente está tentando trazer bastante entendimento sobre resultados, sobre índices,
36:13sobre como melhorar a educação através da qualidade das pessoas,
36:18através da qualidade dos resultados, enfim, do aprendizado,
36:21sempre com foco no aluno, sempre com foco na aprendizagem.
36:25Então...
36:25Ô, Bete, olha só.
36:28Primeiro, eu quero te dar parabéns.
36:29A sua história emociona.
36:31Obrigada.
36:31Muito mais para quem te conheceu como a primeira estagiária da Visa 30 anos atrás,
36:37ou quase 30 anos atrás.
36:39Mas nós somos jovens, você ainda tem...
36:41Nós dois somos jovens, você é um pouco mais jovem.
36:44Você é jovem há mais tempo.
36:46É, sou jovem há mais tempo.
36:47Mas você ainda tem um longo caminhão pela frente.
36:51E eu queria fazer algumas perguntas aqui para a gente partir para o encerramento,
36:55porque, infelizmente, nós temos também...
36:56Sim, claro.
36:58Primeiro, cadê o Alê?
36:59O Alê hoje, ele é estudante de medicina, está no segundo ano de medicina.
37:06O propósito dele definitivamente é ajudar as pessoas.
37:10Desde seis anos de idade ele fala que quer ser médico.
37:12Então, assim, ele nasceu, eu falo que ele nasceu com um chip diferente já, né?
37:18Todo mundo fala, nossa, parabéns pelo filho.
37:21Eu falo assim, ele nasceu assim, querendo ajudar as pessoas já, muito altruísta, né?
37:27E, enfim, tenho dois.
37:30O meu mais novo é extremamente criativo, é um menino muito ativo.
37:35O Alê é mais introspectivo, mais, né?
37:37E, assim, ele nasceu com esse chip de vou ajudar o mundo.
37:43Como é o nome do mais novo?
37:44Arthur.
37:45Arthur.
37:45Arthur, tem quantos anos?
37:47Doze.
37:47Ah, está muito novo.
37:48Está novo ainda.
37:49Está muito novo ainda.
37:50E o Alê já está na...
37:52Segundo ano de medicina.
37:53Segundo ano, ainda tem um longo caminho pela frente, mas...
37:55Tem muito boleto para pagar ainda.
37:56Em busca do seu propósito, com certeza.
37:59Alê, parabéns para você, viu?
38:00Parabéns.
38:01Sua história é linda, a sua família é linda, parabéns mesmo.
38:06Manda um convite para a formatura, porque a gente quer estar perto,
38:10para continuar apreciando.
38:11Muito bem, Beth.
38:12E você se olha hoje e se realiza.
38:16A educação é sua praia.
38:18A educação, assim, eu me encontrei na educação,
38:21mas eu também me apaixonei muito pela gestão de pessoas.
38:25Assim, e como...
38:27E assim, a educação tem tudo a ver com isso, né?
38:30Como você educar e transformar as pessoas para que elas possam prosperar.
38:35Mas eu tento levar isso também para a minha equipe, para essa equipe de 91 que eu gerencio, né?
38:40Como olhar para eles com um olhar de educação também, né?
38:43Atingir um...
38:44Eu sou apaixonada por atingir, fazendo com que as pessoas atinham o seu potencial.
38:49Seja na sala de aula, seja na...
38:52É só por isso que você está aqui, Beth.
38:54É por isso que você está aqui.
38:55Esse programa tem esse objetivo.
38:56O programa tem o objetivo de...
38:58O propósito, o objetivo de levar pessoas como você para o público inteiro.
39:02Para todo mundo ter acesso a esse entusiasmo, a esse modo de viver, a esse voluntarismo.
39:10Enfim, então é por isso que você está aqui.
39:13Propagando o que você gosta de fazer, que é cuidar das pessoas.
39:15Você está cuidando das pessoas agora, nesse momento.
39:17É isso, eu estou cuidando das pessoas.
39:19É isso.
39:20Muito bem, Beth.
39:21Se você estivesse começando sua vida profissional,
39:24alguma coisa diferente hoje?
39:26Você faria ou pensaria?
39:28Eu não sei.
39:29Eu sou agradecida por cada um dos passos que eu passei.
39:33Eu acho que...
39:36Tudo veio na hora que tinha que vir.
39:40Eu acredito muito que as coisas acontecem na hora que elas têm que acontecer.
39:44Eu não sei se eu tivesse pulado etapas, o que teria acontecido.
39:49Graças a Deus, trabalhar numa grande empresa me deu um respaldo financeiro
39:53que eu posso para não precisar necessariamente, né?
39:57Eu brinco, eu falo que me vender para as grandes empresas, né?
40:01Mas eu acho que tudo aconteceu do jeito que tinha que estar acontecido.
40:06Que bom.
40:08Muito bem.
40:09Alguma recomendação para pessoas que estão começando, como o Ale?
40:13Eu acho, assim...
40:16Eu sempre falo para as pessoas ficarem muito atentas em quais são as algemas invisíveis
40:21que prendem elas onde elas estão, né?
40:24Assim...
40:25E eu falo sobre...
40:27Quando eu falei, né?
40:28Quando eu fiz essa mudança de carreira, tinha muitas algemas invisíveis,
40:32que eram o salário, o bônus, o viajar de business, o melhor seguro-saúde.
40:37Mas isso é realmente o que você quer ou é simplesmente uma algema invisível
40:42que está te prendendo, assim, né?
40:44Então, se conectar com o que você realmente é apaixonado
40:49vai fazer com que as coisas aconteçam de uma forma mais fluida.
40:54Então, essa é a minha principal recomendação para quem está começando.
41:00Muito bem.
41:01Eu conversando aqui com a Beth.
41:03Aliás, antes de encerrar, eu quero dizer, Andrés, um beijo no seu coração.
41:07Eu também.
41:08A Beth também está mandando esse mesmo beijo.
41:10Você mudou a vida de muita gente.
41:12Mudou.
41:12E as nossas em particular, né?
41:15Dando oportunidade para pessoas jovens com muita vontade de realizar.
41:20Então, um beijo no seu coração.
41:22E a todos os colegas que a gente citou aqui.
41:24O Mário.
41:25Foi o Mário que te recrutou.
41:26Foi o Mário que me recrutou.
41:27O Mário, o Gastão, o Fernando, a todos os colegas nossos daquela época da Visa.
41:33Parabéns pelo trabalho que todos realizaram.
41:35Muito bom.
41:36Então, no mínimo, a gente tem a Beth aqui para mostrar que a gente fazia direitinho.
41:41É isso aí.
41:41Beth, obrigado de coração.
41:43Continue brilhando.
41:44Imagino.
41:45Obrigado mesmo.
41:46Obrigada pela oportunidade de poder contar história.
41:49De poder, talvez, inspirar alguém.
41:51Você é a inspiração e a sua vida de...
41:56Toda ela, isso aqui foi uma grande lição de vida e de inspiração.
42:02A gente pode fazer, pode mudar, pode realizar.
42:04O setor público é tão importante quanto o setor privado.
42:08Ou até mais, porque atinge um nível de...
42:11Uma quantidade de pessoas muito maior.
42:12A gente precisa, todo mundo, prestar mais atenção nisso.
42:15E a gente precisa ajudar.
42:17Então, esse é o humanamente possível.
42:19Muito obrigado.
42:20Eu falei que a gente já tem uma linda história aqui hoje.
42:22Obrigado por estar aqui de novo.
42:23E até a próxima.
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