00:00Além da Fast Shop e da Ultrafarma, outras duas empresas também foram citadas na investigação do Ministério Público de São Paulo.
00:09Essa investigação que levou à prisão do Sidney Oliveira, o empresário do ramo farmacêutico e dono da Ultrafarma.
00:17E quem tem as atualizações deste caso é o repórter Léo Valente, que chega novamente aqui ao agora.
00:23Oi Léo Valente, o que a promotoria paulista diz sobre essa investigação?
00:28Tem mais duas empresas citadas também pelos promotores?
00:36Eric, a gente conseguiu confirmar as informações que vinham sendo noticiadas falando sobre essa situação,
00:44essas outras empresas que foram citadas nessa investigação.
00:50Mas a informação que a gente conseguiu obter é que são informações ainda incipientes, iniciais.
00:55Essas empresas foram citadas nessa investigação, mas ainda não há dados consolidados que indiquem que elas participavam do esquema,
01:04como essas outras duas empresas que a gente noticiou desde ontem, a gente vem falando e você reforçou agora,
01:11que foram a Fast Shop e a Ultrafarma, que tinham esse esquema de pagamento de propina
01:15para receber esses créditos tributários, esses créditos de ICMS de forma fraudulenta,
01:23com processos que não seguiam os procedimentos que deveriam ser normais nesse sentido.
01:31A gente lembra que esses procedimentos de pagamento de crédito de ICMS são previstos em lei,
01:36eles são legais, mas não da forma como eles vinham sendo feitos.
01:39Essas empresas que você estava citando aí são, na verdade, três.
01:43São duas mais conhecidas, que são a Calunga e o Grupo Nós, que é o dono dos mercados de conveniência Oxo,
01:52e também a rede de postos Rede 28.
01:55Mas, como eu falei, de acordo com as informações que a gente conseguiu apurar,
01:58essas empresas foram citadas, mas não têm dados ainda suficientes, os dados são incipientes,
02:06há uma investigação ainda inicial e nada indica de forma concreta que elas estavam participando desse esquema
02:13nos mesmos moldes que aconteciam com a Ultrafarma e a Fast Shop.
02:19A gente entrou em contato com o Grupo Nós, que é o proprietário dessa rede de conveniência Oxo,
02:26e a nota diz o seguinte, o Grupo Nós informa que não foi notificado sobre a investigação
02:33e que está à disposição das autoridades competentes para, se necessário, prestar esclarecimento e colaborar nos termos da lei.
02:40A empresa reafirma o compromisso com a legalidade, ética e transparência em todas as suas atividades.
02:47Durante a coletiva que a gente acompanhou ontem, lá no Ministério Público,
02:50na sede do Ministério Público de São Paulo, aqui no centro da capital paulista,
02:54Os promotores reforçaram também que, depois dessa investigação inicial,
03:00outras empresas poderiam surgir e acabar regularizando a situação desses créditos fiscais,
03:08se identificassem qualquer tipo de irregularidade nos procedimentos e nos processos que teriam sido conduzidos
03:13para garantir esses créditos de ICMS.
03:17Então, há uma expectativa de que se continue, de que outras informações surjam ao longo do tempo,
03:24porque, de acordo com a promotoria, de acordo com a Procuradoria Geral de Justiça aqui do Estado de São Paulo,
03:30essa investigação que levou seis meses e que teve os resultados apresentados ontem,
03:35que levaram à prisão temporária, tanto do dono e fundador da Ultrafarma, Sidney Oliveira,
03:40como também o Mário Otávio, que é diretor estatutário da Fast Shop,
03:44além também do auditor fiscal, que era considerado, que é apontado como o líder dessa organização criminosa,
03:51a expectativa é de que outras informações surjam ao longo do tempo,
03:56assim como as informações sobre o prejuízo que foi causado ao governo do Estado,
04:01aos cofres públicos, por causa dessas operações fraudulentas,
04:06dessas operações que envolviam pagamento de propina,
04:09para que essas empresas tivessem esses créditos de ICMS pagos de forma mais agilizada,
04:19resumindo de forma muito simples como era essa situação.
04:24Só para lembrar, houve então essa operação com as prisões efetuadas,
04:28e também outras ações de busca e apreensão,
04:32e nesse processo os promotores explicaram que o procedimento era feito da seguinte forma,
04:37um auditor fiscal, que era justamente esse considerado o líder desse esquema de corrupção,
04:43de fraude da Fazenda Pública de São Paulo,
04:46ele tinha acesso a todo o processo de concessão e de andamento desses créditos tributários,
04:55ou seja, ele tinha acesso tanto a certificados digitais como a dados dessas empresas,
04:59ele podia também solicitar dados dessas empresas para fazer a abertura do processo,
05:05ele também dava encaminhamento dentro da Secretaria de Fazenda do Estado de São Paulo,
05:10e no final ainda autorizava os pagamentos de uma forma muito mais rápida do que normalmente se acontece.
05:18Os promotores explicaram também que serviços de assessoria e de auxílio,
05:23para que essas empresas possam gestionar esses pedidos de créditos tributários,
05:27são legais, eles são feitos normalmente, mas o que chamou a atenção principalmente
05:33era essa agilidade e rapidez com que era feito,
05:38além disso com o envolvimento de outras pessoas também investigadas
05:41e que ajudavam na lavagem do dinheiro movimentado com essa operação fraudulenta.
05:49Só para recordar, a empresa fundada por esse auditor fiscal e preso nessa operação,
05:55ela tinha apenas a mãe desse auditor fiscal como sócia dessa empresa,
06:01fundada em 2021, que passou meses sem ter qualquer tipo de movimentação financeira
06:06até receber somas milionárias depois de algum tempo de abertura.
06:12Tanto que o capital dessa pessoa, da mãe desse auditor fiscal,
06:18saltou em 2021 de R$ 411 mil para R$ 2 bilhões em 2023,
06:27por causa dessa situação toda.
06:29E tudo começou com o compartilhamento de informações do Ministério Público do Mato Grosso do Sul,
06:35que investigava um estelionatário, um homem já acusado desses tipos de crime
06:41e que tinha relações aqui no estado de São Paulo que ajudava na lavagem desses recursos usados
06:48e pagos em forma de propina para agilizar e ajudar no pagamento desses créditos tributários.
06:55Outra ressalva que foi feita também é que, embora exista, e a gente faz essa ressalva,
07:00que os créditos tributários são legais e que existem, estão previstos em lei,
07:05muitas vezes os créditos devidos a essas empresas eram pagos acima do valor
07:09que elas teriam direito a receber.
07:12Eric.
07:13Obrigado, Léo Valente, pelas suas informações.
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