00:00E a gente volta a falar sobre o acordo entre Estados Unidos e União Europeia.
00:04A taxa de 15% trouxe certo alívio aos exportadores europeus pelo valor mais baixo do que aquele anunciado no dia 2 de abril.
00:13Mesmo assim, a nova alíquota pode frear as exportações do bloco para o maior mercado consumidor do mundo, que é o americano.
00:20Sobre isso eu vou conversar com o Marcelo Favalli, apresentador do Conexão, que já está aqui.
00:25Boa noite para você, Favalli.
00:26Boa noite, Cris. Deixa eu me apoiar numa frase que ganhou um lugar comum agora nessa discussão tarifária.
00:31Guerra tarifária não deixa vencidos.
00:34É como uma luta de boxe. Alguém vai sair vencedor, mas os dois com o olho roxo, perdendo um dente.
00:40É um perde-perde.
00:41Tem feridos para todos os lados.
00:43Vamos transformar isso numa equação com números, não só nessa maneira figurada?
00:48Boa noite para você.
00:49Boa noite a todo mundo que me acompanha aí do outro lado da tela.
00:52É o seguinte, vamos olhar para essa novíssima negociação entre Estados Unidos e União Europeia.
00:59Haverá um cálculo que está sendo feito já nas duas pontas.
01:04Eu começo aqui com os principais produtos fornecidos pela União Europeia aos Estados Unidos.
01:12Para que todo mundo entenda, primeiro, qual vai ser o impacto no bolso do americano, indiferente da classe social.
01:19Claro, uns vão sofrer mais, outros menos, mas essa conta no bolso do americano vai chegar para todo mundo.
01:26A começar, então quais são os valores anuais de exportações do bloco europeu para os Estados Unidos?
01:32Na casa dos 105 bilhões de dólares anuais, produtos farmacêuticos.
01:38Eu estou falando dos remédios prontos ou então dos substratos que vão para a produção de diferentes tipos de medicamento.
01:46Nós temos importantes indústrias farmacêuticas na Europa, só que existem outros competidores de peso mais recente.
01:54A China, a Índia, que ainda não sabemos exatamente quais serão as tarifações para esses países,
02:01mas se ficarem mais baixas ou até no mesmo valor de 15%,
02:06pode ser que, por conta do volume, Índia e China consigam chegar a preços mais competitivos nos Estados Unidos,
02:14o que vem a prejudicar os produtores europeus.
02:17Mas, na outra ponta, o remédio para o americano vai ficar mais caro.
02:21Reatores nucleares e maquinário.
02:23É claro, isso atinge menos a população geral, o consumidor final.
02:28Mas isso aqui produz energia e os europeus mandam 92 bilhões de dólares nesse tipo de equipamento.
02:36Veículos e peças dispensam apresentação.
02:40Então, os super esportivos italianos, os sedãs de luxo alemães, que são adorados nos Estados Unidos,
02:48ficam mais caros e estão na lista do terceiro produto que a União Europeia manda para os Estados Unidos.
02:54Máquinas elétricas de vários níveis, inclusive os eletrodomésticos.
03:00Também maquinário para a indústria.
03:02Vai ficar mais caro.
03:04E aeronaves da Airbus.
03:06Tá bom, a gente já entendeu o que eu quis mostrar aqui nessa primeira tela,
03:10é o impacto no bolso do americano.
03:1215% nessa cadeia.
03:14Seja num produto pronto, no caso de produtos farmacêuticos,
03:18ou de um item que compõe uma cadeia muito mais complexa,
03:21a exemplo de equipamento que vai para a produção de energia elétrica.
03:25Agora eu vou pedir a próxima arte para a gente entender a outra ponta,
03:29o que pode balançar na economia da União Europeia.
03:32E esse tarifaço chega no pior momento possível,
03:36porque a União Europeia já vinha de uma situação econômica não das melhores,
03:41tinha um fio de esperança de uma retomada de crescimento,
03:45e agora tomou esse balde de água fria.
03:46Embora a tarifação agora em que Ursula von der Leyen da Comissão Europeia e Donald Trump
03:51tenham acordado no final de semana,
03:53seja muito mais baixa do que é anunciada pelo Trump lá em 2 de abril,
03:58que era de 39% e cai para 15%,
04:01mas ainda isso vai sacudir a economia do maior bloco econômico do mundo.
04:08Vamos lá.
04:08Os alemães são os...
04:11É o país que mais, né?
04:12A Alemanha é o país que mais exporta para os Estados Unidos,
04:15na casa dos 709 bilhões de euros por ano.
04:19Agora essa cifra aqui está em euro.
04:2123% da produção industrial da Alemanha vai para os Estados Unidos, quase um quarto.
04:27Só que o PIB da Alemanha em 2024,
04:30com números sólidos em comparação com 2023,
04:32caiu 0,2%, uma retração do PIB.
04:36A Alemanha tinha uma expectativa de um crescimento,
04:40mas com exportações mais caras,
04:42que podem levar a uma menor compra por parte dos americanos,
04:47então a chance de recuperação do PIB fica menor.
04:50A Itália, segundo a maior economia,
04:52manda muito menos para os Estados Unidos,
04:54mas ainda uma cifra importante, 305 bilhões de euros por ano.
04:59Está com PIB, assim, uma situação melhor que a Alemanha,
05:01mais 0,7%, baixo PIB em comparação com o crescimento que foi no mundo,
05:07uma média mundial, também vai perder uma chance de crescimento.
05:11E a mesma coisa, para a França,
05:13os italianos mandam 21% da sua produção para os Estados Unidos,
05:16os franceses 17%,
05:18agora tem um ponto fora da curva.
05:20Aqui eu estou falando das três maiores economias da União Europeia,
05:23mas tem aqui um estranho no ninho,
05:25a Irlanda, que 54% da sua produção está ligado ao abastecimento aos Estados Unidos.
05:34Mas a Irlanda produz tanto produto assim?
05:36Não, é que dentro do ambiente da União Europeia,
05:38a Irlanda forneceu muitos incentivos fiscais.
05:42Então, grandes indústrias saíram de países como a Alemanha,
05:45como a Polônia, como a França, como a Espanha, a Itália,
05:48e se instalaram na Irlanda.
05:50Então, por isso que o PIB da Irlanda é diferente dos demais,
05:54é o maior desses todos apresentados aqui,
05:57mas longe da média mundial,
05:59que em 2024 houve um crescimento médio no planeta de 3,30 praticamente do PIB mundial.
06:06A Europa estava na esperança de uma recuperação,
06:10vislumbrava isso,
06:11mas veio o Donald Trump e bagunçou as peças do tabuleiro.
06:15E aí eu vou terminar do jeito que eu comecei.
06:17Numa guerra comercial, não há vencidos,
06:20perdão, não há vencedores.
06:22Todo mundo vai acabar levando um soco,
06:23vai sobrar aquele que for mais forte,
06:26mas é isso, a gente ainda tem que ver os próximos rounds desta luta.
06:32Cris Pelagio, estamos aí tentando ouvir o sino do juiz,
06:35mas parece que não vai tocar tão cedo, não.
06:37Está fácil, não, né?
06:38Não, para ninguém.
06:39Obrigada.
06:40Até já.
06:41Até já.
06:41Até já.
06:42Até já.
06:42Tchau, tchau.
06:43Tchau, tchau.
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