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Comitiva brasileira tenta negociar nos EUA para evitar o tarifaço de 50% imposto por Donald Trump. Em meio a incertezas, o mercado já calcula prejuízos para o agro e exportadores do Sul do Brasil. Mariana Almeida e Roberto Giannetti analisam os bastidores e o impacto direto na economia. E tem mais: crédito emergencial pode virar boia furada?

Acompanhe a cobertura em tempo real da guerra tarifária, com exclusividade CNBC: https://timesbrasil.com.br/guerra-comercial/

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00:00Mariana, tem uma regra de ouro, né, que se a gente olha não só na economia, mas quando principalmente a gente olha para o mercado de capitais,
00:09é que o investidor, o acionista, ele lida com informações.
00:15A informação pode ser boa ou ela pode ser ruim. O problema é não ter a informação concreta, né?
00:22Então o mercado se precifica para o bom ou para o ruim. Não saber é muito difícil.
00:26Nesse sentido, eu estou olhando aqui, né, como um leitor, que difícil para o governo brasileiro, para o exportador, porque, ah, legal,
00:35tem uma linha de crédito que vem ali, principalmente no sul do Brasil, com taxas, com carência, mas pode ser que o tarifaço, puff,
00:46vire fumaça, sei lá, daqui três meses, daqui seis meses e tal.
00:49E aí o governo fica amarrado com uma linha de crédito que vai saber se ela vai ser útil durante 60 meses.
00:57Isso depois pode virar uma boia furada?
01:00Bom, sabe, Favali, que é ótima essa pergunta, porque o Brasil tem um pouco essa mania, né, de às vezes criar algumas soluções para um problema,
01:07e o problema deixa de existir, você segura aquela solução que passa a ser um problema, né, em si.
01:12Mas, nesse caso, o problema é que a gente está lidando com uma conjuntura muito difícil de ter alternativas aos produtores.
01:20E é um debate econômico bem interessante, já de longuíssima data, que é o que fazer quando você tem choques exógenos na economia.
01:28O que é um choque exógeno nesse caso?
01:29Não tem nada a ver com a estrutura de produção brasileira, com o mercado e com o ambiente aqui brasileiro,
01:35o que aconteceu dos 50%.
01:37Donald Trump decidiu, pá, mudou, altera, e alteram preços de produtos, pensando no setor agrícola,
01:44que já vinham em planejamento, que já estavam em colheita, ou que tem ciclos, inclusive, longos do seu próprio planejamento.
01:50O café é um dos casos, né, você não planta café hoje, não dá para, opa, parei, vou desistir do café que eu plantei, né.
01:55É isso, o produto está lá, pensando, pronto para ser embarcado.
01:59Então, nessas situações, o crédito, mas assim, determinando o que é nessa situação, isso não é fácil de fazer,
02:06mas pensando como uma alternativa para esse momento de choque, pode ser uma carta na manga para evitar o tamanho do efeito na economia brasileira.
02:16Porque é isso, a gente tem pouco, o produtor, ele não consegue no curto prazo ter uma alternativa, e aí para onde ele pode correr?
02:21Ou ele perde, e aí a cascata de efeitos do ponto de vista de emprego é grande, ou ele tem um crédito para sustentar,
02:29mas tem que ser no curto prazo, porque no médio prazo, se Estados Unidos consolida como uma nação que vai fazer esse tipo de ação contra o Brasil,
02:37e aí, eu acho que isso já mudou bastante, inclusive, para o resto daqui em diante, porque a incerteza que foi posta,
02:43eu acho que não dá para esquecer, eu acho que isso vale para o mundo como um todo,
02:47mas o produtor vai ter que pensar em diversificação, em alternativa, e como você disse, os mercados vão considerar essa informação
02:54para se repensar no médio e no longo prazo.
02:56No curto, é tentar realmente reduzir aí os danos que foram causados a partir desse momento.
03:02Bom, o cenário é complexo, a gente vai tentando decifrá-lo, você volta daqui a pouco, Marques, vai ser essencial,
03:10todo mundo vai entender por quê.
03:11Semana que vem vai ter o dia D para o tarifácio, na sexta-feira, primeiro de agosto.
03:18Então, para a gente tentar prever o que deve acontecer, os próximos passos,
03:22conversamos agora com o Roberto Janete, economista e ex-secretário de Comércio Exterior,
03:27a quem eu saúdo e falo com um certo alívio por estar aqui, Janete, você é a pessoa certa na hora certa.
03:34Estamos aqui num tabuleiro, não sabemos para que lado o peão vai, depende dos números do dado,
03:42e quem tem o dado na mão é o Donald Trump, e às vezes ele joga esses dados aí de uma maneira que a gente não estava prevendo.
03:51Eu estava fazendo aqui uma introdução do Janete, a gente teve uma pequena oscilação de sinal,
03:57agora eu sei que ele está conectadíssimo conosco.
04:00Janete, você nos ouve alto e claro, faz um joia aí.
04:03Sim, perfeitamente.
04:06Pronto.
04:07Voltando ao que eu estava falando aqui, que estava criando esse cenário, Janete,
04:12a gente está num tabuleiro que a gente não sabe muito bem para a direção do jogo,
04:16porque quem dá as cartas e quem dita a regra do jogo, às vezes muda a regra do jogo no meio da partida.
04:24Bom, temos espaço para negociação, tem uma comitiva de senadores brasileiros, em Washington,
04:31o Donald Trump não está em Washington, fica provavelmente até terça ou quarta-feira no Reino Unido,
04:36ele está na Escócia, mas na tua visão, nas informações que você conseguiu coletar,
04:43como é que está a nossa situação aí em termos de negociação?
04:47Olha, ainda estamos num momento muito preliminar e absolutamente incerto.
04:56Não há nada sobre a mesa assim que a gente já possa dizer que a negociação esteja em curso.
05:01Há conversas, algumas formais, outras informais, preliminares, mas há uma disposição, isso é que é importante,
05:10há uma disposição muito grande de negociar, tanto pelos empresários brasileiros como pelos empresários americanos.
05:18Os empresários americanos pressionando o governo americano que essa situação para eles é absolutamente indesejável,
05:25vai trazer riscos a muitas empresas americanas e a milhões de consumidores americanos.
05:32Portanto, não é uma coisa que dói somente no Brasil, dói também nos Estados Unidos.
05:38E não há razão, uma razão factual para que esse tarifácio seja implementado.
05:44Porque toda a argumentação jurídica e econômica que poderia justificar esse ato do Poder Executivo,
05:52ela é muito frágil, ela não representa suficiente argumentação, suficiente decisão para que possa levar à elevação de 50% da tarifa.
06:12Portanto, inclusive na Justiça, já há processos de importadores americanos pedindo a nulidade caso a tarifa seja implementada.
06:23Lembrando que a tarifa só será implementada através da assinatura de um decreto do Poder Executivo,
06:30provavelmente se for ocorrer no último dia do mês, no dia 31 de julho, antes do dia 1º de agosto,
06:37para fazer valer a partir do 1º de agosto, e que tem que ter fundamentadas as razões que levaram a tomar essa decisão.
06:45E aí que pode estar a fragilidade dos Estados Unidos.
06:47Eles não têm qualquer argumentação jurídica, repito, que permita essa decisão do governo americano.
06:56É uma decisão que vai ser contestada na Justiça por eliminar pedindo a sua nulidade.
07:01A palavra-chave é embasamento, por isso que eu estava falando, a regra do jogo foi mudada.
07:06Porque no dia da libertação, que o Donald Trump aparece, até as imagens que nós estamos usando para ilustrar,
07:12quando ele traz um cartaz lá, falando das tarifas, depois ele apresenta um cálculo,
07:17que segundo ele, era a justificativa sólida para aquela tarifação, e esse cálculo desapareceu.
07:22Não é nada mais assim.
07:25Janete, eu queria colocar na conversa a Mariana Almeida, nossa analista aqui de política e economia,
07:30e eu me coloco agora como telespectador, vou deixar os especialistas baterem papo aí.
07:35Obrigada, Favale.
07:36Obrigado, Marcelo.
07:38Roberto, você mencionou exatamente também a importância, uma pressão que viria dos próprios importadores,
07:44ou seja, o setor privado nos Estados Unidos, que construiu relações, enfim,
07:47que depende também e apoia a importação vinda do Brasil.
07:51Juntando isso com o que a gente estava falando agora, com o que o Marcelo comentou,
07:55sobre a possibilidade de judicialização, alguns setores já estão entrando lá nos Estados Unidos
07:59com ações judiciais, como é o caso, por exemplo, dos importadores de laranja, né?
08:04Dizendo, olha, não tem base e demandando que não exista uma tarifação.
08:09Queria escutar você a respeito dessas ações setor a setor.
08:13Se avança uma negociação com, digamos assim, excepcionalização por setores,
08:18isso é positivo, porque consegue amenizar o efeito,
08:22ou fragiliza a negociação mais geral do Brasil em relação ao tarifácio?
08:27Eu acho que fragiliza.
08:29A gente tem que evitar o tarifácio no seu conjunto.
08:31Ele é injustificável, não para o setor A, ou setor B, ou C.
08:35Ele é injustificável para todas as exportações.
08:39Portanto, não faz sentido que se tire, por exemplo, o suco de laranja
08:43e permaneça os aviões da Embraer, ou o café, ou os produtos de proteína animal,
08:52carnes e outros, pescado, que estão em situação muito grave.
08:57Alguns têm 70%, 80% das suas exportações destinadas aos Estados Unidos.
09:02E aí, vendo até a sua matéria anterior, que é muito boa,
09:06a questão do produtor brasileiro não é um problema de competitividade,
09:10é um problema de liquidez financeira,
09:13porque ele está carregando estoques de produtos final
09:16e estoques de matérias-primas que deixaram de ter destinação imediata.
09:22Então, ele precisa de capital de giro.
09:24Esse capital de giro existe na forma do ACC,
09:27Adiantamento de Contrato de Câmbio,
09:29que já é um mecanismo praticado rotineiramente pelos bancos,
09:33com funding estrangeiro.
09:35O que precisa agora, como foi feito em 2008,
09:38o Banco Central dar liquidez aos bancos brasileiros,
09:41utilizando parte de suas reservas,
09:44menos de 10% das reservas é o suficiente,
09:46através de leilões,
09:48para dar mais capacidade, mais liquidez aos bancos,
09:52não aos exportadores diretamente, aos bancos,
09:54para os bancos poderem estender o prazo dos ACC's de 180 para 360 dias
10:00e manter o capital de giro dos importadores em funcionamento.
10:05Genete, claro que a gente está numa situação sugêneres,
10:08não só pela presidência do presidente Donald Trump,
10:13não estou fazendo nenhum proselitismo,
10:14são dados concretos,
10:16mas também a gente está num outro capítulo da história
10:19e o verbete dessa quadra da história do século XXI,
10:22inteligência artificial.
10:24Onde que eu quero chegar?
10:25Então, o nosso abastecimento de produtos para os Estados Unidos,
10:29cujos Estados Unidos são superavitários a nós,
10:32passa de matéria-prima,
10:33passa de commodities,
10:35itens que vão para a cesta básica
10:37e produtos de alto valor agregado,
10:39como aviões da Embraer.
10:40Só que tem, talvez,
10:42uma bala de prata,
10:43uma carta na manga,
10:45terras raras.
10:46O Brasil tem reservas importantes,
10:49mas que ainda,
10:50pelo que eu estou entendendo,
10:52ainda um processo muito embrionário
10:54de extração,
10:55de empacotamento,
10:57de contratos,
10:58de abastecimento
10:59dessas matrizes que são essenciais
11:02para essa quadra da história
11:03e tecnologia e inteligência artificial.
11:07Volto à minha pergunta,
11:08pode ser uma carta na manga
11:11a gente negociar com os Estados Unidos?
11:12Olha, presidente Donald Trump,
11:14além de café,
11:14suco de laranja, avião,
11:16aço, carvão,
11:18petróleo,
11:19temos também terras raras.
11:21Isso pode entrar nessa barganha?
11:26Sem dúvida nenhuma,
11:28nós temos que criar uma agenda positiva
11:31com os Estados Unidos.
11:32Não basta simplesmente pedir
11:34a queda do tarifácio
11:35ou ameaçar fazer retaliação.
11:38A retaliação dobra o castigo
11:41para produtores e consumidores
11:43de ambos os países.
11:44Não é a retaliação,
11:45não é definitivamente
11:46um caminho sensato.
11:48O caminho sensato
11:49é uma agenda positiva.
11:50E aí tem várias coisas
11:52que são do comércio exterior ou não
11:54que podem servir
11:55para melhorar o ambiente
11:56de negócios,
11:57de investimento.
11:58Por exemplo,
11:59a não bitributação,
12:01o acordo de não bitributação
12:03entre as empresas brasileiras e americanas
12:05está sendo desejado
12:06há mais de uma década.
12:07e é o momento,
12:09quem sabe agora,
12:10de concluí-lo.
12:12Facilitação de comércio,
12:14reduzir o número de exigências
12:16de barreiras não tarifárias,
12:18como nós chamamos,
12:19que às vezes impedem
12:21o atraso na importação
12:22de produtos americanos.
12:24Por exemplo,
12:25na questão das terras raras,
12:27permitiu um acesso
12:28sem bloqueio,
12:30sem cota
12:30às reservas minerais do Brasil.
12:33Alguns nacionalistas extremados
12:35vão dizer assim,
12:36ah, vamos entregar de bandeja
12:38as terras raras do Brasil
12:39para os Estados Unidos.
12:40Mas veja,
12:41nós não as estamos usando.
12:43Elas,
12:43aliás,
12:44não temos nem a tecnologia
12:46para fazer o uso
12:48dessas terras raras,
12:49por exemplo,
12:50em baterias e motores elétricos
12:52que são usados nos automóveis.
12:54Então,
12:54o que nós temos
12:55que no máximo
12:56é dar valor agregado
12:57a essas terras raras
12:58fazendo a primeira,
12:59segunda etapa
13:00da cadeia produtiva
13:01no Brasil.
13:02mas garantiu
13:03o fornecimento
13:04desse insumo estratégico
13:05para a economia americana
13:07ou para qualquer economia.
13:09Aliás,
13:09não deve ser só
13:10para os Estados Unidos,
13:11para a Europa também
13:12e se for o caso
13:13até para a China também.
13:14A China não precisa
13:15porque ela é produtora.
13:17Também os semicondutores,
13:18os Estados Unidos
13:19quer fazer o near shore,
13:21ou seja,
13:21produzir semicondutores
13:23em locais mais próximos
13:25fora do Sudeste Asiático
13:26para ter garantia
13:28de fornecimento
13:29de semicondutores.
13:30O Brasil tem espaço
13:31para isso?
13:32Tem.
13:33Nós podemos ter aqui
13:34uma boa indústria
13:35de semicondutores,
13:36inclusive de empresas americanas,
13:39fazendo e garantindo
13:40o off-take,
13:41ou seja,
13:41o fornecimento contínuo
13:43desse insumo
13:44para a indústria americana.
13:46Finalmente,
13:47temos também
13:47os data centers
13:48que precisam
13:50de energia abundante,
13:51barata e limpa.
13:53Nós temos no Brasil
13:54com abundância.
13:56Podemos também
13:56instalar
13:58e permitir
13:59a instalação
13:59de data centers
14:00no Brasil
14:01que exportarão
14:02serviços
14:02de armazenamento
14:03de dados.
14:04Então,
14:05há muita coisa
14:05positiva
14:06entre os dois países
14:07onde é um ganha-ganha.
14:09A gente sai ganhando
14:10ao mesmo tempo
14:11que os Estados Unidos
14:11melhora a sua
14:13qualidade competitiva
14:14e a sua relação
14:15de negócio
14:16com o Brasil.
14:17Essa é a agenda
14:18que eu espero
14:18para resolver
14:19a questão do tarifácio.
14:20Roberto Gianetti,
14:22queria encerrar
14:22a nossa conversa
14:23com duplo agradecimento.
14:25Primeiro,
14:25ao senhor economista
14:26e ex-secretário
14:27de Comércio Exterior.
14:29Queria agradecer
14:29a participação aqui,
14:31não só nessa entrevista,
14:31mas ao longo do jornal,
14:33da Mariana Almeida,
14:34que é a nossa analista
14:35de economia
14:36e política.
14:38Aos dois,
14:39eu desejo
14:39um ótimo
14:40final de semana.
14:42de Comércio Exterior.
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