Carol Condé, fundadora e CEO da Condé+, revelou como transformou sua paixão por arte em uma agência de talentos com crescimento de 600% em 4 anos. No quadro Protagonistas, ela compartilhou sua estratégia de gestão, liderança feminina e visão de futuro para o setor audiovisual.
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00:00Hora do quadro Protagonistas que traz histórias inspiradoras de mulheres que transformam as áreas em que atuam.
00:08A convidada de hoje é dona de uma agência de talentos e dedica sua carreira a descobrir, desenvolver e representar artistas do teatro e do audiovisual.
00:19A protagonista de hoje é Carol Condé, fundadora e CEO da Condemais, uma empresa que atua no agenciamento e gestão de carreiras artísticas.
00:36Carol saiu de Volta Redonda, interior do Rio, para os bastidores das maiores produções do país.
00:43Filha de um operário da CSN e de uma empreendedora, ela começou ainda jovem a se encantar com a dramaturgia.
00:51Construiu ao longo de 20 anos uma das trajetórias mais consistentes no agenciamento artístico brasileiro.
00:59Carol lidera uma equipe formada exclusivamente por mulheres e representa mais de 160 talentos entre atores, diretores, roteiristas e comunicadores.
01:11Carol, é um prazer ter você aqui no nosso quadro.
01:14Prazer é mesmo, muito obrigada pelo convite, é uma honra estar aqui nesse lugar onde passam tantas mulheres aí que eu admiro muito.
01:20Que bom, a primeira pergunta que eu faço é a mesma para todas vocês.
01:23Quem é? Carol Condé.
01:25Carol Condé, essa que você falou hoje, empresária, que nesse momento tem uma agência que tem a companhia de 20 mulheres, né, trabalhando junto comigo.
01:35É sempre a menina lá do interior que sonhava muito, que tinha um desejo enorme de ter acesso à cultura.
01:47Eu, como você falou, eu sou filha de um operário da CSN.
01:52A minha mãe era uma mulher que empreendia em casa, então ela cuidava da gente.
01:56Eu via minha mãe empreender muitas vezes.
01:58Mas Volta Redonda não era uma cidade que proporcionava, é muito perto do Rio, né, 120 quilômetros, mas é muito longe culturalmente.
02:06Então eu era, e continuo sendo essa menina que conversa o tempo todo na minha cabeça com os artistas,
02:12que eu assistia na televisão, na minha casa a gente só tinha televisão aberta e rádio.
02:18Eu me lembro, assim, de, pra assistir MTV, ter que ir na casa de outros colegas.
02:23Então eu sou essa pessoa que tem esse desejo enorme de me conectar com os artistas nesse momento onde eles estão se tornando, né.
02:35Eu acho que hoje eu entendo que o que eu faço hoje é uma coisa que eu sempre desejei fazer e eu não sabia que existia.
02:43Então eu saio de Volta Redonda pensando que eu vou estudar teatro.
02:47Eu me formo em jornalismo, me formo em teatro, mas num momento onde eu tive que trabalhar numa viabilização que foi quando o Leandro Firmino,
02:56que é o primeiro ator da agência, a gente estava começando a trabalhar e o Cidade de Deus foi indicado ao Oscar.
03:00Qual é a Leandro, Dadinho? Dadinho é um c***o, meu nome agora é Zé Pequeno, c***o.
03:07E aí eu tinha que, em poucos dias, tirar um visto pra ele poder ir ao Oscar e nós fomos, eu acompanhei.
03:12No momento em que eu me vi fazendo isso, eu falei, era isso o tempo todo que eu queria fazer.
03:17Eu sou uma pessoa que tem um desejo enorme de viabilizar o espaço, garantir o espaço de criação,
03:22pra que os artistas façam o melhor trabalho que eles podem fazer, porque eu acredito que se eu tivesse tido esse acesso lá em Volta Redonda,
03:29eu teria me desenvolvido mais. Eu acho que a arte salva vidas e eu sou essa pessoa.
03:33Quer dizer, até o momento que você estava lá com ele no Oscar em Cidade de Deus,
03:39você não tinha certeza absoluta do que você queria fazer.
03:41Foi naquele momento e logo com o seu primeiro ator, o primeiro ator que você agenciou.
03:46Com o primeiro ator que está na agência até hoje.
03:49Quando eu voltei do Oscar, foi em 2004, então tem 20 anos, né?
03:54Mais, quase, um pouquinho mais, foi em fevereiro de 2004.
03:57Eu falei, eu acho que é isso que eu quero fazer.
03:59Eu vou abrir uma agência.
04:00E obviamente que não era assim, né?
04:02Eu fui tendo agenciados e trabalhei sozinha de casa muito tempo.
04:06E dos seis primeiros anos, era isso que acontecia.
04:10Eu tinha agenciados e não tinha assim uma estrutura, não tinha uma empresa de agenciamento.
04:16Eu trabalhava sozinha.
04:18E assim, eu continuei até que um momento eu falei, caramba, eu quero ter companhia,
04:25eu quero ter mais pessoas trabalhando comigo, eu quero formar outras agentes.
04:27Porque eu me formei um pouco nesse processo muito plural.
04:31O que mudou nessas últimas duas décadas, desde que você entrou nessa profissão?
04:39Quando eu comecei, o mercado era muito polarizado, assim.
04:42Era cinema autoral e a TV aberta, que seriam celebridades, né?
04:48Os artistas mais famosos.
04:49Então, assim, em termos de possibilidade de carreira para um ator, eu comecei agenciando atores.
04:54Hoje a gente tem diretores, roteiristas.
04:56Essa também é uma mudança importante que acontece com a chegada dos streamings em 2015.
05:00Nesse momento inicial, a gente tinha carreiras muito polarizadas.
05:06Então, você tinha o cinema, os atores com prestígio, os atores premiados.
05:10Foi onde eu comecei e é onde a gente tem uma expertise, assim, né?
05:15A agência é conhecida por ter atores de cinema, atores de teatro.
05:19E aí tinha a televisão, que fazia esse papel de elevar as carreiras a uma carreira comercial, né?
05:29Então, você tinha os atores que estavam ali nas publicidades, nas propagandas.
05:34Mas depois, quando a gente começou ali em 2011, teve a lei de cota do TV a cabo.
05:38Aí isso começou a ser um pouquinho mais amplificado, né?
05:42Então, a gente tinha produções de TV e com a chegada do streaming em 2015, eu acho que a gente tem um mercado completo nesse sentido.
05:50Com teatro, televisão aberta, streaming, TV a cabo.
05:53E aí é muito melhor para um agente, porque a gente consegue ter uma estratégia.
05:57A gente pode recusar um trabalho, porque tem mais oferta, para a gente poder fazer um movimento que seja um movimento que está dentro do plano de carreira.
06:04Eu acho que isso é a grande diferença.
06:06Bom, aqui no nosso quadro a gente só recebe mulheres, se chama protagonistas do quadro.
06:11Você lidera uma equipe exclusivamente de mulheres.
06:14Isso foi intencional, consciente ou por acaso?
06:18Isso foi por acaso.
06:20Até, sei lá, décima mulher foi por acaso.
06:23Um dia eu olhei para aquilo e falei, gente, realmente tem alguma coisa importante nesse movimento, né?
06:29Que eu acho que, eu até brinco, falo assim, às vezes a gente tem vagas, as pessoas falam, mas pode homem?
06:38Aí eu falo, pode.
06:39Mas, na verdade, a gente acabou construindo uma empresa com 20 mulheres e hoje eu acho isso muito interessante.
06:47Porque o nosso ecossistema, né?
06:50Tem muitas que são mães.
06:51É muito feito nesse modelo de liderança feminina mesmo.
06:57Então, eu acho que isso passou a ser uma decisão.
07:01Mas eu acho importante também abrir espaço para um ou dois, talvez, homens.
07:06Mas como é que esse formato exclusivamente de mulheres impacta a cultura da sua empresa?
07:13Como eu, antes de trabalhar no agenciamento e abrir a minha empresa, eu tive um estágio numa produtora.
07:19E foi até quando eu tive contato com os atores do Cidade de Deus.
07:23E foi meu único trabalho fora agência, né?
07:25Eu abri a agência, sei lá, um ano e meio depois.
07:28Eu cheguei no Rio 99, a agência eu abri em 2004.
07:31Hoje eu entendo, pelo feedback, pelo repórter das pessoas que estão lá na agência,
07:36o quanto a nossa empresa é uma empresa onde todas as pessoas podem falar tranquilamente.
07:40A gente faz as nossas reuniões de equipe e a equipe inteira.
07:43Então, desde as pessoas que chegaram agora e as pessoas que estão nos cargos mais altos,
07:46todas têm a mesma importância na fala.
07:50A gente tem um mês de julho, um mês de janeiro cheio de crianças na casa,
07:54porque é uma casinha e as pessoas muitas vezes levam os filhos.
07:58Eu acho que, de alguma forma, esse ecossistema também de ter mais compreensão
08:06e também tem um alto nível de emoção também.
08:09A gente lida com muita sensibilidade, porque como é um espaço onde a mulher se sente tranquila
08:16para exercer ali toda a sua completude, eu acho que isso é um ganho muito grande.
08:22E você até incentiva que as mulheres, se precisarem, elas levem os filhos,
08:28se precisar amamentar, amamente ali.
08:31Há um incentivo da sua parte em relação a isso?
08:33Com certeza, eu mesma levo, por exemplo, agora em junho, vou ter duas semanas com a minha filha lá na casinha.
08:42Então, assim, a gente tem uma...
08:45A sua filha está com quantos anos?
08:46Nove anos.
08:47Ela chama Maria, é uma menina incrível, maravilhosa, uma pessoa super legal.
08:53Divertida e empreendedora já.
08:54Já é empreendedora? Que legal!
08:57Se a gente olhar para os últimos anos na sua empresa,
08:59vocês tiveram um crescimento vertiginoso de 600%.
09:03A que se deve esse crescimento, na sua opinião?
09:07E esse 600% em quanto tempo?
09:09Quatro anos.
09:10Que é impressionante.
09:12É impressionante.
09:14Eu acho que isso se deve ao movimento de...
09:18Abriu-se uma oportunidade em 2015 ali, quando você tem a chegada de players, né?
09:25Porque na cultura norte-americana, de onde a grande maioria desses players chegam,
09:31assim, existe o agenciamento de outras categorias, né?
09:36A gente estava lidando com um agenciamento predominantemente de atores, né?
09:40Que são talentos on-screen.
09:43Estão ali na tela, que todo mundo conhece.
09:45Que todo mundo conhece.
09:46Mas, no mercado norte-americano, por exemplo, é muito comum que os diretores, os diretores, os roteiristas, né?
09:55Autores, produtores executivos, diretores de fotografia tenham representação.
10:01E eu acho que nesse momento a gente teve uma...
10:05Eu sou muito ligada nisso.
10:07Eu sempre...
10:07Eu acho que hoje a gente tem uma agência que tem...
10:09Que é uma das mais...
10:10Que mais se assemelha ao modelo norte-americano no sentido de ter agentes dentro da agência.
10:15Então, tem uma formação de agentes dentro da Condé.
10:17A gente tem esse modelo de ter todas as categorias do audiovisual.
10:22Então, é possível você formar um projeto dentro da agência e levar ele para vender para um canal, para um produtor.
10:28E isso também era um desejo antigo meu.
10:30Então, eu acho que eu estava com os meus desejos aqui aflorados, esperando uma oportunidade.
10:35E foi...
10:35Eu consegui ver muito rápido essa oportunidade.
10:37Acho que o crescimento se deve a essa identificação imediata da oportunidade.
10:43E, obviamente, isso eu fui vendo na prática, né?
10:45Fui conversando, fui entendendo que existia realmente...
10:48É tentativa errada, errando e acertando, óbvio.
10:50Com certeza.
10:51Muita tentativa errada.
10:52Mas você tem, pelo que a gente percebe, uma visão de negócio que é diferenciada.
10:58E, além de tudo, também uma escuta ativa, mais sensível.
11:02Como é que você equilibra esses dois pontos?
11:05Porque é um equilíbrio.
11:06Sim.
11:06A escuta ativa, ter mais sensibilidade é fundamental.
11:11Mas tem uma hora que tem que entrar a mulher de negócio ali na história.
11:13Sim.
11:15Eu acho que esse é um dos grandes pontos que me fizeram identificar o talento que eu tenho para fazer isso.
11:24que é exatamente conseguir decodificar, né?
11:30Eu tenho um interesse muito grande no ser humano em geral, mas nesse ser humano artista.
11:36E nesse ser humano artista, ele está passando...
11:39É um pouco relacionado a esse momento.
11:42Não é na vida só pessoal dele.
11:44É no tudo que é pessoal que ele precisa para se tornar, né?
11:49Para se tornar aquele personagem, para compor aquela música.
11:53Então, assim, essa escuta ativa, que é um grande interesse, que se eu começo a ouvir,
11:57eu vou me desmilinguindo de tão interessante que eu acho.
12:00Ela era uma coisa que eu exercitei muito na minha infância, como eu te falei.
12:05Porque eu via as novelas e aí eu sentava no banco da praça que tinha em frente à minha casa
12:09e conversava com aqueles atores imaginariamente.
12:11E falava, mas por que você não fez aquele outro papel?
12:13Mas por que você não fez aquilo?
12:14Então, eu brinquei muito disso.
12:16Por isso que quando eu estive nessa situação, eu reconheci.
12:19Eu acho que esse ponto, que é conseguir ouvi-los e trazer isso para uma linguagem mais de produtora,
12:28de viabilizadora, é o que me ajuda a fazer o trabalho da forma que eu faço.
12:33Agora, de fato, teve um momento onde eu falei, eu acho que eu preciso treinar melhor essa executiva,
12:40entender melhor e, sem pudor, trazer esses elementos para a escuta sensível.
12:44Hoje eu consigo falar com o ator, ah, o produto que a gente precisa para a sua carreira alavancar.
12:51Eram coisas que eram difíceis da gente falar, porque o artista às vezes tem um pouco essa aura, né?
12:57Ah, da coisa sagrada, eu faço isso porque é a minha expressão no mundo.
13:01Alguns, né?
13:02Então, quando você traz isso de forma muito, que é o que eu faço, que é o que a Condemais fala,
13:06que é arte pode ser negócio, deve ser um bom negócio para todos, principalmente para você que faz,
13:12eu acho que isso se une na melhor, acho que é a própria profissão mesmo que valida essas duas coisas, né?
13:21É interessante essa visão, porque, de fato, o que a gente normalmente vê em atores, né?
13:28Pessoas que trabalham com arte em geral é isso, é meio que é o meu propósito, é sagrado, é arte.
13:34Sim.
13:35Mas arte também pode dar dinheiro, tem que dar dinheiro, a pessoa tem que viver daquilo, né?
13:41Sim, e o interessante é ter tudo para todos, né?
13:44Então, se você pensar, aqui, né, a gente falando, eu penso a carreira como patrimônio,
13:49se você pensar que é um patrimônio que eu vou administrar, né?
13:52E eu preciso, por isso que agora é muito mais interessante, né?
13:55Porque eu preciso dos produtos para eu falar aqui, a gente vai ter uma coisa mais consistente aqui, a gente vai...
13:59Dá um exemplo real para as pessoas entenderem.
14:01Ah, eu, assim, por exemplo, uma carreira é um patrimônio do artista porque, né, muitas vezes ele chega ali com aquele valor.
14:08Se ele ainda não tem a carreira, eu vou construir essa carreira com ele.
14:12E isso é o que ele tem de mais precioso, porque isso precisa durar.
14:15Durar quanto tempo, né?
14:17Eu tenho uma longevidade.
14:19O que eu tenho para trabalhar?
14:20Só eu mesma.
14:21Então, tem uma parte da minha vida pessoal, tem uma parte da minha saúde, tem uma parte do que...
14:25Tem artistas, por exemplo, que têm desejo de ganhar mais dinheiro que outros, tem outros que têm menos ambição nesse sentido.
14:32E tem projeto para tudo, né?
14:34Tem o projeto que vai te colocar num lugar de ser uma anonimidade naquilo que você faz.
14:38Tem projeto que vai te colocar como uma pessoa que normalmente desaparece para poder aparecer só nos personagens.
14:46Então, você vai compondo a carreira de uma maneira que você possa diversificar dentro do arco possível para aquele artista, porque a carreira é dele.
14:54E não é minha, né?
14:56Eu sou a pessoa que avalio isso junto com ele.
14:59Você avalia e cria junto com ele também.
15:02As possibilidades.
15:02E chega a conclusão de que para essa pessoa o ideal é desaparecer antes de vir aquele personagem que vai ser muito forte.
15:10Sim, porque eu traduzo isso.
15:11Eu falo, então, o que você está me falando é que você gostaria...
15:13Isso vai sendo traduzido de diversas formas.
15:15Às vezes, pelos nomes das pessoas com quem ele quer trabalhar, pelas pessoas que ele cita, que ele admira.
15:22Tem vezes que a pessoa está totalmente desencontrada.
15:24Ela está querendo uma coisa, mas ela está falando o que é outra.
15:27Andando no caminho oposto.
15:28E aí, tem um trabalho de primeiro equalizar isso.
15:31E como a gente tem carreiras muito longas, tem muita gente que está com a gente há 20 anos, tem os momentos de reposicionamento também.
15:37As pessoas também se modificam.
15:39As coisas que elas queriam antes não são as mesmas.
15:41Então, é um trabalho muito interessante nesse sentido.
15:43Você já comentou que o primeiro projeto foi com o ator de Cidade de Deus.
15:49Você já foi para o Oscar logo ali de início.
15:52Foi quando você teve a certeza absoluta de que você queria ser uma agente, queria ter uma empresa de agenciamento.
15:58Agora, a gente tem um exemplo mais recente que ainda estou aqui.
16:01Como é ver esses seus agenciados no palco mais importante do cinema mundial, que é o Oscar?
16:10Ah, é maravilhoso, né?
16:12Acho que é uma consagração.
16:13Quem são os seus agenciados do Ainda Estou Aqui?
16:15A gente tem a Bárbara Luz, a Adriana Tegido, que é o diretor de fotografia, que é brilhante.
16:21A Luana Nastas e a Carla Ribas.
16:24São atrizes maravilhosas.
16:26E o Adriana é um diretor de fotografia incrível, internacional, que está em vários projetos importantes do nosso cinema.
16:35E foi muito maravilhoso.
16:37Foi maravilhoso ver a Fernanda.
16:39Você está bem, minha filha?
16:40Tão potente porque você vê a carreira da Fernanda e todo o trabalho que ela fez ao redor do trabalho que é lançar o filme, que é representar o filme, que são as campanhas.
16:55É um trabalho primoroso de gestão e de entendimento de que isso me interessa muito.
17:03Estou aqui, é um exemplo de um filme que transita.
17:05Ele é extremamente artístico, extremamente consistente, com um tema muito importante.
17:12E ele é extremamente pensado também para ter uma carreira importante, uma carreira internacional, um diálogo global, um diálogo com os próprios brasileiros, que foram aos cinemas em forma massiva.
17:23O Cidade de Deus, eu sempre falo que foi um momento maravilhoso porque realmente ele abriu um portal.
17:31Eu mesma sou uma pessoa que é fruto de tantas pessoas que se movimentaram no cinema através do Cidade de Deus.
17:40Mas a gente não estava tão preparado, talvez, ainda.
17:44Passaram-se 20 anos e eu acho que o Ainda Estou Aqui foi um filme pensado.
17:49Se a gente também voltar a falar sobre negócio, o filme tem uma carreira.
17:53Ele tem um business plan.
17:55Ele precisa ser pensado.
17:56O que se quer com aquele filme, quem são os investidores, o que a gente vai compor.
18:03Então, os bons produtores, e a gente tem muitos bons produtores de cinema, eles pensam o filme dessa forma.
18:09Eu acho que a gente está num momento maravilhoso.
18:10Em Cannes, agora, que eu estava lá, é um interesse...
18:14Eu sempre vou assim, a última vez que eu fui foi o ano passado e fui quando o Bacurau também esteve.
18:22E eu acho interessante porque estava todo mundo querendo falar com os produtores brasileiros e olhando para o mercado brasileiro.
18:32E ainda vem ali o agente secreto e também leva os prêmios.
18:37Então, assim, é um momento muito interessante de frutos mesmo, de trabalho duro de muita gente durante muito tempo.
18:43Como é que você enxerga o futuro do setor audiovisual brasileiro?
18:46A gente está passando por alguns momentos ainda de assentamento de alguns...
18:52Porque teve um crescimento, você mesmo falou desse crescimento da Condé de 600%.
18:57A gente teve um crescimento ali de 2015 que ele não foi muito ordenado.
19:02Que eu acho que a gente está fazendo isso agora.
19:05Isso é super importante, que são as regulamentações para que a gente possa ter um mercado que também se beneficie de todo esse capital.
19:15É o estrangeiro que chega no país.
19:18Eu acho que a gente tem um mercado hoje que, para mim, como a gente, é o melhor de todos os tempos.
19:23Porque, assim, quando a gente...
19:24Quando chegou o streaming, a gente estava politicamente numa situação onde o incentivo público não acontecia.
19:30A gente teve uma depreciação do teatro.
19:33E aí, logo depois, veio a pandemia.
19:34Então, a gente foi tendo coisas isoladas.
19:36Teve um momento que a gente...
19:37O único trabalho possível era ali nos streamings e um pouco na TV aberta.
19:41Eu acho que hoje a gente tem tudo.
19:42A gente está com o teatro bombando todas as salas no Rio de Janeiro com peças interessantes.
19:47A gente tem o cinema autoral, que é importante, experimental, para lançar linguagem e cinematografia.
19:53A gente tem cinema comercial.
19:54A gente tem TV aberta.
19:55A gente tem telefilme.
19:56A gente tem streaming.
19:57Então, eu acho que é um...
19:59O leque aumentou.
20:00Com certeza.
20:01Infinitamente.
20:02Infinitamente.
20:02E hoje, se você faz uma série numa plataforma internacional, mas uma série produzida, toda pensada aqui no Brasil,
20:10como tem cangaço novo, tem várias séries que fazem essa...
20:14Que são produto brasileiro, né?
20:17Não tem uma discussão se é produto brasileiro ou não por causa da propriedade intelectual.
20:21Então, meus colegas, devo dizer que isso está sendo discutido aí na regulamentação.
20:25Mas é uma série brasileira.
20:29A pessoa estreia no primeiro dia e o contato internacional para aquelas carreiras, para talentos que estão na frente das câmeras, então, é imediato.
20:36A gente sente isso.
20:38Quando a gente tem um talento que se destaca numa série, imediatamente, agências americanas, diretores e estúdios fazem contato com a gente.
20:45Quando eu comecei, a pessoa tinha que morar fora.
20:47A gente tinha Alice Braga morando fora, o Rodrigo Santoro morando fora.
20:50É, tanto que os dois eram exemplos.
20:51Exatamente.
20:52Tiveram que ir para fora para isso.
20:53Então, isso hoje em dia mudou.
20:55A gente tem uma conexão muito imediata, global.
20:57Então, o mercado brasileiro hoje é um mercado que está sendo visto pelo mundo todo e que tem condições de estar mostrando aí, de exportar e de fazer co-produções em níveis similares.
21:12E para a gente encerrar, eu sempre faço a mesma pergunta também.
21:15O que significa para você ser protagonista da sua própria vida?
21:20Ser protagonista, né?
21:22Quando a gente trabalha...
21:22Você lida com tantos protagonistas.
21:25Eu quero... Tem gente que me liga e fala assim, eu quero ir para a gente porque eu quero fazer um protagonista.
21:31É, a gente fala... Na dramaturgia, é o protagonista, né?
21:33E quando a gente discute, inclusive, por que você quer um protagonista?
21:36Deixa eu entender.
21:36Porque tem uma coisa que é o seguinte, às vezes as pessoas acham que querem aquilo.
21:40Mas quando você entende o que ela quer, você vai dizer se é aquilo ou não.
21:44Então, eu acho que o protagonista, ele é, na dramaturgia, e eu acho que na minha vida, e essa resposta, ela pode ser pensada assim,
21:54a pessoa que demanda as histórias, né?
21:56As histórias vêm... O primeiro que eu brinco assim, o protagonista é aquele que nunca morre.
22:01Porque quando ele morre, acaba.
22:02Então, assim, na dramaturgia clássica, algumas já subvertem isso.
22:07E as demandas, né?
22:08Todo o fluxo das histórias, tudo o que acontece é demandado da história a partir da história desse protagonista.
22:15Então, eu acho que ser protagonista da minha vida é estar nessa posição também vigilante, também atenta e de acolhimento
22:23para pensar que a minha história, que eu quero viver, o que eu quero fazer, é uma responsabilidade, em primeiro lugar, minha.
22:31Ela também me custa e eu tenho que cuidar dela nesse aspecto, né?
22:37Então, ser protagonista é demandar a minha própria história e dirigí-la até quanto eu puder.
22:43Carol, desejo mais sucesso ainda para você.
22:46Obrigada por ter aceitado o convite.
22:49Sucesso.
22:50Você brilhe muito mais ainda.
22:51Obrigada.
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