Pular para o playerIr para o conteúdo principal
O Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, elementos essenciais na produção de semicondutores, ímãs permanentes e tecnologias de inteligência artificial. Além de ter triplicado sua exportação para a China no primeiro semestre de 2025.

André Pimenta, coordenador do Instituto de Terras Raras do CIT-Senai, explica em que estágio o Brasil se encontra no ciclo tecnológico e ainda a possibilidade de barganhar com os EUA perante o tarifaço.

🚨Inscreva-se no canal e ative o sininho para receber todo o nosso conteúdo!

Siga o Times Brasil nas redes sociais: @otimesbrasil

📌 ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:

🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais

🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562

🔷 ONLINE: https://timesbrasil.com.br | YouTube

🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings

#CNBCNoBrasil
#JornalismoDeNegócios
#TimesBrasil

Categoria

🗞
Notícias
Transcrição
00:00O Brasil tem reservas das chamadas terras raras.
00:04São os elementos fundamentais para a produção de semicondutores de última geração
00:08que equipam computadores dedicados à inteligência artificial, por exemplo.
00:13Seria possível usar tais recursos como um instrumento de negociação com os Estados Unidos?
00:19Em 2025, a comercialização destes materiais triplicou, mas com a China.
00:26Então, estendo esta conversa a André Pimenta, que é coordenador do Instituto de Terras Raras do CIT-SENAI,
00:36a quem eu começo agradecendo a presença, desejando uma ótima noite.
00:41E, professor Pimenta, essa é a principal dúvida.
00:44Dúvida, temos as tais terras raras, só que elas não valem nada se elas não forem extraídas, processadas,
00:52refinadas ou transformadas e exportadas.
00:55Em qual grau do processo, nesse arco tecnológico das etapas, o Brasil está?
01:03Temos essa produção em volume, em cadeia, para usar esse produto como uma barganha com os Estados Unidos, por exemplo?
01:13Boa noite, Mavale. Obrigado pelo convite.
01:15Um prazer estar com vocês aqui no Conexão.
01:17Bom, temos os depósitos.
01:20A gente, como você bem disse, o Brasil hoje figura como o segundo colocado em termos de depósitos manpeados no mundo.
01:28Hoje a gente tem bastante desenvolvimento realizado internamente,
01:33entretanto, está muito relegado à academia.
01:36Então, a gente já tem um conhecimento de como fazer extração.
01:39Não é necessário falar sobre o sólido conhecimento do Brasil em relação à explotação de minérios,
01:45ou seja, ao beneficiamento.
01:47A gente é referência mundial nesse ponto, mas não para terras raras.
01:51Então, a gente precisa ainda vencer alguns degraus na questão de tecnologia,
01:57e aí principalmente na questão do refino, que é para a produção dos óxidos puros,
02:02e aí para essas aplicações, como você disse, nos semicondutores,
02:07ímãs permanentes e outras aplicações de alto valor agregado, mais tecnológicos.
02:13Agora, professor Pimenta, fazendo uma comparação, e aí eu me coloco nessa lista,
02:18para nós, os leigos, é uma fácil extração?
02:22Está relativamente fácil como é o minério de ferro?
02:26Ou é mais difícil como é o ouro por causa da fragmentação?
02:31Ou está em altas profundidades?
02:34Estou fazendo uma comparação ruim, usando grandezas diferentes,
02:38mas é a primeira que me vem à cabeça, como, por exemplo, o petróleo que está em profundidade.
02:44Essas terras raras, elas são fáceis de extrair?
02:48Quais são as dificuldades e onde elas estão aqui no território brasileiro?
02:52Legal, excelente pergunta, rapaz.
02:56Comparando com o minério de ferro, a gente está falando de volumes bem menores,
02:59os depósitos de terras raras, em termos de tamanho, eles não são tão grandes quanto o minério de ferro.
03:05Não é uma questão tanto de profundidade, ou em que local que esses depósitos estão.
03:11E aí eu já respondo a sua última pergunta.
03:14Então, hoje os estados que mais se despontam no território brasileiro,
03:18como principais detentores desses depósitos, são Minas Gerais, Bahia e Goiás,
03:23mas já temos aí alguns depósitos sendo mapeados na região norte também, na região nordeste.
03:28Então, o Brasil está caminhando a passos largos aí para aumentar essas reservas mapeadas.
03:34A dificuldade é a questão do teor, né?
03:37Enquanto no minério de ferro a gente está falando ali na casa de 40, 50% de teor de ferro no depósito,
03:44nos terras raras a gente já está falando de teor bem menores.
03:47A gente chega, inclusive, a falar em PPMs, em partes por milhão.
03:50Então, a principal dificuldade talvez seria a questão da movimentação desse solo
03:56para você angariar ali um concentrado em menor volume e aí isso ser ainda economicamente positivo.
04:07Existem diferenças, né?
04:08O Brasil possui depósitos que a gente chama de terras raras de rochas duras,
04:13que são as terras raras ainda bem mineralizadas.
04:16E aí essas têm uma outra dificuldade na questão do refino,
04:19que exigem, muitas vezes, uma química mais drástica, mais robusta.
04:23Mas nós temos também os depósitos que são considerados aí de classe mundial,
04:28que são principalmente as argilas iônicas,
04:31que têm uma extração um pouco mais facilitada, mas ainda assim têm seus desafios.
04:36Então, comparativamente dizendo,
04:38talvez o teor seja um dos principais desafios, né?
04:42A gente conseguir viabilizar, tecnicamente, uma boa recuperação
04:46para que o custo seja adequado e também essa questão aí das rochas duras,
04:52quando a gente está falando de liberação.
04:54E, professor Pimenta, perdão por essa comparação simplista.
04:59É como extrair o ouro, por exemplo,
05:01que são processos e depois vão se pegando os fragmentos
05:06e aí se formam os lingotes?
05:08Ou está mais parecido com o ferro que vem em blocos, né?
05:13É preciso um refino para chegar a esses elementos das terras raras?
05:19É um pouco diferente do ouro, Favari.
05:22E um pouco diferente do ferro.
05:24Ele fica, talvez, ali no meio do caminho.
05:25Bom, é necessário fazer um processo químico.
05:29Então, a gente obtém essas terras raras em solução.
05:32Depois de, em solução líquida, né?
05:35A gente está falando, muitas vezes, de solução aquosa.
05:37Então, depois é necessário fazer uma precipitação.
05:40E aí, depois dessa precipitação, a gente tem ali os compostos
05:44que a gente chama de cestos ou as misturas de terras raras.
05:48E aí, o grande desafio tecnológico que não só o Brasil,
05:52mas o mundo inteiro tem buscado desenvolver exatamente essa separação.
05:56Como separar esses cestos, essa grande mistura de terras raras,
06:00deste precipitado, né?
06:02Obtido após a solubilização, nos óxidos puros,
06:06que são os óxidos que serão aplicados aí
06:09no desenvolvimento de tecnologia, em produtos tecnológicos.
06:14Então, não chega a ser como o ouro, né?
06:17Que a gente tem ali os pequenos fragmentos,
06:19mas também nem tanto quanto o ferro, que tem o processo de fusão.
06:23É um processo ali, é um pouco diferente
06:26do que a gente conhece aí de mineração tradicional.
06:28E, professor Pimenta, recentemente ganhou o verbete, né?
06:34No noticiário, a gente passou a estudar sobre isso, terras raras.
06:39É um termo genérico para vários tipos, várias moléculas, vários elementos.
06:44A gente tem algum mais em abundância, sei lá, tungstênio?
06:48A gente se destaca mais ou é um conjunto completo que nós temos aqui?
06:53Ok.
06:53Sim, assim, são 17 elementos no total, né?
06:57Pensando na tabela periódica.
06:59Dentre esses 17, os mais abundantes, e aí são os que puxam o carro da economia,
07:05falando de terras raras, são os elementos que são magnéticos,
07:09ou os elementos que são utilizados para a produção de imas permanentes de terras raras.
07:14Então, são quatro especificamente, né?
07:16Neodimio e preseodimio, que normalmente andam juntos,
07:19então, algumas vezes as pessoas vão escutar o termo didimio,
07:23então, na verdade, não existe um terra rara chamado didimio,
07:26mas o didimio é uma composição do neodimio e preseodimio,
07:31e além desses, a gente tem os prósio e térmio,
07:33que também são utilizados nessa fabricação.
07:36Esses são os principais...
07:38Ah, deixa eu fazer uma correção.
07:40Esses são os principais para aplicações tecnológicas.
07:42Os mais abundantes são a Lantano e Sério,
07:46que aí tem outras aplicações, como catalisadores, né?
07:49Mas, comparativamente falando em termos de valor de mercado,
07:54Neodimio, Preseodimio, Desprósio e Térmio,
07:56tem um valor um pouco mais elevado, exatamente por essa aplicação,
07:59em imas permanentes, do que o Lantano e Sério,
08:02mas que também são importantes, né?
08:04E aí nós temos aí os outros 11, que eu não vou me arriscar a citar todos,
08:08porque a gente vai gastar um bom tempo aqui do Conexão.
08:11Eu queria agradecer essa breve e muito elucidadora aula de Química,
08:17e se eu entendi, eu sempre fui um péssimo estudante dessa matéria em especial,
08:22mas se eu entendi é porque o senhor cumpriu muito bem o seu papel aí de docente.
08:27Eu queria agradecer ao André Pimenta, do CIT, ou CIT,
08:32SENAI, pelos esclarecimentos, um estudioso especialista de terras raras.
08:36Como isso virou um verbete nosso, Pimenta,
08:38a gente vai se falar algumas vezes e eu vou torcer aqui para que no próximo encontro nosso,
08:43Entre Telas, a gente saiba por meio de você que avançamos nessa tecnologia de extração
08:48e que isso nos coloque aí como um player importante nessa exportação
08:54e na participação do desenvolvimento tecnológico.
08:57Pimenta, obrigado mais uma vez, até uma próxima.
Seja a primeira pessoa a comentar
Adicionar seu comentário

Recomendado