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O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), Flávio Roscoe, afirmou que a elevação das tarifas de importação de aço pelos Estados Unidos terá impacto direto sobre as exportações brasileiras. Segundo ele, setores altamente dependentes do mercado americano deverão enfrentar dificuldades imediatas.

“A retaliação vai pesar mais no Brasil que nos Estados Unidos. Dar um murro numa parede de tijolos. No máximo, você quebra os dedos da mão”, disse Roscoe ao Real Time, do Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC, ao comentar a possibilidade de o governo brasileiro adotar medidas de reciprocidade.

Acompanhe a cobertura em tempo real da guerra tarifária, com exclusividade CNBC: https://timesbrasil.com.br/guerra-comercial/

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Transcrição
00:00Agora a gente vai mostrar para vocês o seguinte, como as indústrias brasileiras podem ser impactadas
00:05se a ameaça de sobretaxa de 50% pelos Estados Unidos seguir adiante.
00:11É sobre esse tema que a gente conversa com o Flávio Roscoi, que é presidente da FIEMG,
00:15a Federação das Indústrias de Minas Gerais.
00:18Bom dia para você, Flávio. Seja bem-vindo ao Real Time.
00:21Bom dia, é um prazer enorme estar aqui.
00:24O Flávio Minas tem um grande parque siderúrgico que já foi sobretaxado.
00:28Como é que tem sido o desempenho da exportação do aço de Minas até agora?
00:34O desempenho tem sido positivo, porque no início do ano, quando houve aqueles primeiros comentários sobre a taxação,
00:42houveram antecipar os seus embarques.
00:45Além disso, o Brasil ficou no menor nível de tarifa, estava no menor nível de tarifa até pouco tempo atrás.
00:53Então, isso não prejudicou as exportações brasileiras.
00:58Pelo contrário, até auxiliou em alguma medida.
01:02Agora, sim, com essa elevação, o Brasil sairá de uma posição de ganhador para perdedor.
01:09Isso, com certeza, irá impactar em muito as nossas exportações futuras.
01:15Bom, eu queria entender o seguinte.
01:17Caso o pior cenário se concretize, como é que você acha que as indústrias brasileiras devem se preparar?
01:23Tem forma de se preparar para isso?
01:25Olha, os setores que são menos dependentes vão ter uma situação mais tranquila.
01:32Agora, aqueles setores em que a participação da venda para os Estados Unidos é muito relevante no negócio,
01:40com certeza irão sofrer muito.
01:43Nós teremos, caso essa taxação permaneça por um prazo, pelo menos de alguns meses,
01:53nós teremos algumas empresas encerrando as atividades, mesmo que temporariamente.
01:59você tem empresas hoje que produzem 100% voltado para o mercado americano.
02:04Eu tenho tido feedback nesse sentido.
02:08E tem também empresas em que a fatia do mercado americano é muito alta.
02:12Essas empresas terão sua sobrevivência comprometida, pelo menos no curto prazo.
02:19O presidente Lula deve convocar, em breve, um encontro com exportadores para discutir estratégias nessa negociação.
02:28O que você diria, neste momento, para o governo?
02:32Negocie, negocie, negocie.
02:34O fim, nós precisamos de um acordo com os Estados Unidos, não somente para o setor exportador.
02:39Se o Brasil escalar essa briga, se ele impor ali outras secessões, reciprocidade aos produtos americanos,
02:50o governo americano é exemplo, já fez com outros países, vai escalar,
02:54e em algum momento o Brasil vai ter que voltar atrás, mas com um prejuízo muito maior.
02:59A verdade é que a própria retaliação nos Estados Unidos seria como dar um muro numa parede de tijolos.
03:05O máximo que você vai conseguir fazer é quebrar os dedos da mão,
03:09porque a retaliação vai pesar mais no Brasil que nos Estados Unidos.
03:14Por quê?
03:15Porque as economias são completamente diferentes.
03:18A economia americana é mais de 12 vezes a nossa.
03:24Nós não somos o segundo maior destino de exportações dos Estados Unidos para o mundo.
03:30Nós estamos longe entre os principais players com os Estados Unidos.
03:34Enquanto para nós, os Estados Unidos é o maior comprador de produtos manufaturados
03:39e é o segundo maior comprador no total.
03:42Então, a relevância para os Estados Unidos, dos Estados Unidos para nós, é muito maior.
03:47Além disso, os Estados Unidos investem quase 27% de tudo aquilo que é investido
03:52por investidores estrangeiros no Brasil.
03:55Então, nós perderemos lá o nosso maior player na atração de investimentos também.
04:01Porque, obviamente, quando o Brasil fica ali qualificado entre um país não alinhado,
04:07as empresas americanas vão pensar duas vezes antes de investir,
04:11principalmente se a retaliação, por exemplo, foi em cima de lei de propriedade,
04:15propriedade intelectual, patentes.
04:18Então, nós teremos aí, com certeza, um cenário bastante crítico.
04:22E nós entendemos que a opção agora é negociar, negociar, se manter neutro na esfera internacional.
04:32O Brasil, ele é muito fácil de servir de exemplo, porque ele é um player relevante,
04:38mas não tão relevante que não possa ali servir de exemplo para os demais.
04:44Então, nessa guerra entre titãs aí, que é a guerra entre Brasil e China,
04:49o melhor é ficar de lado, esperando e ver se a gente encontra alguma oportunidade nesse conflito.
04:58Bom, mas negociar o Brasil está negociando já faz tempo, né?
05:01E a gente sabe que o Trump também não é o negociador mais confiável do mundo.
05:05Se a gente chegar num ponto em que a negociação não sortia efeito,
05:08e eles mantiverem os 50% de tarifas contra o Brasil,
05:11você defende, então, que o Brasil não faça nada como resposta a isso?
05:16Defendo, porque quem vai pagar é o próprio Brasil, né?
05:19A retaliação, quando o Estado se impõe em tarifa,
05:22aqueles produtos que ele não tem como comprar de outro lugar, não ser do Brasil,
05:27vai ficar mais caro para o consumidor americano, para o próprio Estados Unidos.
05:34Se nós detalharmos na medida, na mesma medida,
05:38boa parte das exportações dos Estados Unidos para o Brasil,
05:42nós teremos dificuldade de encontrar outros players para substituir,
05:46nas mesmas condições e no mesmo preço.
05:48Ou seja, pagaremos aqui um preço por isso.
05:52Então...
05:53Que setores você acha que vão conseguir redirecionar as exportações
05:58com mais facilidade para outros países?
06:00Os de commodities, né?
06:03Os de commodities deverão ir commodities que estejam em um bom momento.
06:07Exemplo, o café, na minha leitura,
06:09é o setor que vai ter menos impacto,
06:12porque o Brasil é um grande player,
06:15o mercado no mundo hoje.
06:17Está faltando café,
06:18tanto é que o preço do café subiu muito
06:20nos últimos dois anos.
06:25Então, esse produto é um produto que está escasso no mercado internacional,
06:29o Brasil vai conseguir redirecionar.
06:32Os demais, eu não diria na mesma...
06:34O suco de laranja é a mesma coisa também, né?
06:37Mas o resto dos produtos nós teremos dificuldade.
06:41Agora, se o Trump insistir na tecla política ali
06:45de derrubar processos contra o ex-presidente Bolsonaro,
06:48como é que você acha que o Brasil deve responder a isso?
06:51Olha, eu acho que, em qualquer solução,
06:56o Brasil tem que ser outro.
06:58Resolver através do diálogo, né?
07:02Porque nós não temos força,
07:04nem poderio econômico,
07:06nem poderio militar para brigar com os Estados Unidos.
07:08Então, não é inteligente,
07:11eu acredito que não é uma decisão inteligente,
07:13comprar esse conflito.
07:14Quem vai pagar o preço, de maneira geral,
07:17é a população brasileira.
07:18Você vê que nem a China comprou o conflito com os Estados Unidos.
07:22Na hora que a coisa pegou mesmo,
07:25eles foram lá e negociaram.
07:26O Brasil vai ficar peitando?
07:28Quer dizer, eu acredito que é uma estratégia
07:31não muito feliz
07:33e que vai ter um custo muito grande para o Brasil
07:37se a gente for para o confronto.
07:39E se o Brasil entregar tudo o que o Trump quer,
07:41ele achar pouco ainda e pedir mais?
07:43Porque negociação é isso, né?
07:44Se você entrega tudo muito fácil,
07:46a pessoa que está negociando com você
07:47ou a parte que está negociando com você
07:49pode falar,
07:50bom, está fácil, eu vou exigir mais.
07:53É, na prática, o que eu acho que é muito claro,
07:57que é um desalinhamento do Brasil
07:59com esse eixo que antagoniza os Estados Unidos.
08:04O resto é pano de fundo,
08:06na minha leitura,
08:07não é, na verdade,
08:08aquilo que há o maior interesse dos Estados Unidos.
08:12Então, eu acredito que foi justamente
08:15o posicionamento aqui na cúpula dos BRICS
08:18que gerou a situação.
08:19Porque a situação, por exemplo, com o Bolsonaro,
08:21ela já existia, com o Supremo, ela já existia.
08:24E o Brasil, quando o Trump soltou o primeiro tarifácio,
08:29ele classificou o Brasil no menor nível, né?
08:33E já tinha toda a situação,
08:34a situação com o Bolsonaro, com o Supremo,
08:37toda ela já existia.
08:38E mesmo assim, a gente ficou no menor nível.
08:42O que é que mudou de lá para cá?
08:43Foi o nosso posicionamento,
08:46um maior alinhamento com o Irã, com o China,
08:48e isso, com certeza, gerou incômodo.
08:50Falar de moeda, combater o dólar, etc.,
08:55não somou nessa relação.
08:57Então, o que mudou efetivamente,
09:00eu estou fazendo uma análise crítica,
09:02o que mudou efetivamente
09:03foi o nosso posicionamento que ficou um pouco mais agressivo
09:08e foi dado o alofote em função da cúpula do BRICS ter sido aqui.
09:13Então, foi dado o alofote ao Brasil.
09:15E aí, eu acredito que
09:17o presidente Trump resolveu deixar de exemplo, né?
09:22Para países que se alinhavam contra os Estados Unidos.
09:25Olha, vai sair do mais beneficiado para o pior.
09:28E aí, adicionou ali no bolo de cereja
09:30esse assunto político,
09:32mas eu não acho que é esse o relevante,
09:34não acho que é esse que vai ser o divisor de águas.
09:36Por isso que eu recomendo aqui a negociação,
09:39porque o que eu entendo é
09:40que o que os Estados Unidos querem
09:43é um maior alinhamento do Brasil
09:44aos Estados Unidos,
09:46como, aliás, sempre foi nos últimos 200 anos.
09:49Os Estados Unidos têm sido um país amigo do Brasil
09:51e acredito que é no melhor interesse
09:53de todos do Brasil que assim continue.
09:55Qual o cenário mais benigno
09:57que pode sair de tudo isso na sua avaliação?
10:01É justamente o acordo, né?
10:03O acordo seria fundamental.
10:06E esse acordo de redução das tarifas, né?
10:10Um Brasil ficando mais neutro
10:12no cenário internacional, né?
10:15Eu acho que seria um ótimo indicativo
10:18para o país, seria o...
10:20O acordo eu não sei
10:22porque eu não estou na mesa negociando, né?
10:23Mas espero que tenha alguém negociando na mesa.
10:27Tá certo.
10:28Flávio Roscoi, presidente da FIENG,
10:30a Federação das Indústrias de Minas Gerais.
10:33Muito obrigado pela participação
10:34hoje aqui no Real Time.
10:35Bom dia.
10:36Muito obrigado.
10:37Foi um prazer.
10:37E aí
10:51E aí
10:52E aí
10:53E aí
10:54E aí
10:54E aí
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