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O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, participou nesta quarta-feira (09) de uma audiência na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados. No encontro, ele fez um panorama histórico da economia brasileira, analisou o atual cenário de juros no país e abordou o funcionamento da política monetária.

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Transcrição
00:00A gente vai agora ao vivo para a Câmara dos Deputados, onde o Gabriel Galipo, o presidente do Banco Central,
00:05está falando sobre a economia e também a atuação do BC para a Comissão de Finanças e Tributação da Câmara.
00:11Além disso, a gente está chamando aqui de normalização da potência da política monetária.
00:15E, como bem disse o deputado Rogério, o tema do nível da taxa de juros no Brasil não é um tema de hoje.
00:23Já é um tema discutido há algumas décadas.
00:26O deputado Mauro, que é professor, também pode me corrigir aqui, se eu estiver fugindo com a verdade,
00:33mas a gente tem na literatura econômica brasileira três grandes períodos bem destacados ali.
00:37Um período finalzinho ali do século XIX, começo do século XX, que é concentrado na economia cafeeira,
00:45o que era ser um país que era exportador de café e dependia da exportação de café
00:50para conseguir importar tudo o que precisava.
00:52Depois, um período pós-anos 30, onde todo o debate da literatura trata de substituição de importações e de industrialização,
01:00onde se operou uma transformação incrível, do ponto de vista demográfico e da sociedade brasileira,
01:05da economia brasileira, constituindo um parque industrial,
01:08deixando-se país rural para ser um país urbano e assim sucessivamente.
01:12A partir do final dos anos 70 para o começo dos anos 80,
01:15e até o meados dos anos 90 ali, era impossível você ser economista sem escrever alguma coisa sobre inflação.
01:22O tema central era sempre inflação.
01:24Então, inflação inicial, vários planos de combate à inflação.
01:29A inflação dominou o debate e o Brasil tem uma literatura muito respeitada,
01:35e economistas respeitados sobre essa discussão,
01:38justamente porque o tema da inflação aqui no Brasil era um tema que tem uma particularidade.
01:43A gente, quando vê esses casos internacionais, onde você teve uma inflação mais elevada,
01:49o termo hiperinflação é bastante discutível entre os economistas,
01:53o que você define como hiperinflação,
01:55mas o Brasil conviveu, diferente de outros países que tiveram essa inflação elevada,
01:59mas por um período curto de tempo,
02:01o Brasil conviveu com inflação acima de três dígitos durante 15 anos.
02:06É o país que teve um período mais longo de ter uma inflação tão elevada.
02:10No comecinho dos anos 90, ali, se a gente pegar uma inflação de 12 meses,
02:14chegou a ter 6.700% de inflação no comecinho dos anos 90.
02:18A gente teve uma inflação bastante elevada.
02:23A partir do plano real, o tema da inflação é endereçado,
02:28ou seja, rapidamente, em seis meses, a partir da inflação da moeda indexada
02:32e da nova moeda, a gente vê uma queda rápida das taxas de inflação.
02:36E, a partir daí, o tema principal de discussão é
02:39por que o Brasil exibe, historicamente, taxas de juros relativamente mais elevadas
02:46quando comparadas com seus pares.
02:48E o Brasil vem fazendo isso já há alguns anos.
02:51Quando a gente olha para o Brasil, o Brasil sustenta taxas de juros mais elevadas
02:55quando são comparadas com seus pares.
02:58Mas isso, por si só, eu acho que não coloca a questão nos termos
03:04que realmente trazem a complexidade do tema.
03:06Como bem falou o deputado Rogério, é que, para além disso,
03:12a questão que sempre surge é como é possível sustentar taxas de juros reais de 10%
03:19e, ainda assim, a economia apresentar o menor nível de desemprego da sua série histórica
03:24e o maior nível de renda das famílias também da série histórica.
03:29E com a queda mais rápida do desemprego da série histórica
03:33e com o crescimento da renda mais rápido da série histórica.
03:36Então, isso costuma provocar uma certa dissonância
03:39quando você conversa com economistas fora do Brasil
03:42e com outros banqueiros centrais para tentar entender
03:44o que tem ali por trás, o que acontece ali por trás disso.
03:49E o que a gente tem dito aqui no Banco Central já há algum tempo
03:54é que isso sugere que talvez os mecanismos de transmissão da política monetária
03:59não funcionem com a mesma fluidez aqui no Brasil do que funcionam em outros países.
04:05A gente talvez tenha algumas coisas que distorcem ou retiram potência
04:09ou não permitem apresentar a mesma fluidez nos mecanismos de política monetária.
04:14Isso dialoga diretamente com o que eu estou chamando de ampliação do acesso da população
04:20ao crédito de menor custo,
04:22que, na verdade, conversa um pouco com a conversa que os deputados estavam comentando antes,
04:29que é sobre a política fiscal.
04:31Eu acho que esse é um tema que é transversal à política econômica.
04:35A discussão um pouquinho de subsídios cruzados que nós temos,
04:38assim como podem existir na política fiscal,
04:40na política monetária também existe isso.
04:43E aí eu vou dar dois exemplos aqui extremos sobre isso aqui.
04:48A gente tem, de um lado, um caso que é sempre estranho
04:52quando você também discute com economistas de fora do Brasil,
04:55que é o fato de que empresas aqui no Brasil
04:57conseguem se financiar a uma taxa de juros
05:02abaixo da taxa de juros que a gente chama de livre de risco.
05:05Então, em qualquer lugar do mundo,
05:07quando você vai fazer qualquer tipo de avaliação de projeto
05:09ou entender como é que deveria ser o retorno ou a remuneração para o projeto,
05:13você parte daquela taxa de juros que deveria ser a mais baixa,
05:17que é a taxa de juros livre de risco.
05:18Livre de risco de quê?
05:19De crédito.
05:20Quem tem uma taxa de juros livre de risco de crédito?
05:23O governo.
05:24O Tesouro Nacional, quando ele emite um título,
05:26aquele título não oferece um risco de crédito,
05:29porque o governo emite títulos soberanos.
05:31Geralmente, essa é a taxa de juros mais baixa da economia
05:35e quando você quer acessar qual é o retorno que um projeto dá,
05:38você vai agregando risco e retorno nele.
05:41Ou seja, quanto mais arriscado ele é,
05:43mais retorno ele tem que apresentar.
05:45Aqui no Brasil, por uma série de subsídios que existem,
05:50você tem empresas que conseguem captar taxas
05:53que são inferiores à taxa livre de risco,
05:57o que é uma coisa sugêneris para o Brasil, de um lado.
06:02E aí, do outro lado...
06:02Daqui a pouquinho, a gente vai continuar a ouvir
06:04o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo,
06:07porque agora a gente tem imagens ao vivo do presidente Lula
06:10recebendo o presidente da Indonésia, o Prabowo Subianto.
06:13Lembrando que a Indonésia, desde janeiro deste ano,
06:16é um membro pleno do BRICS.
06:18Então, a gente está vendo aí mais uma visita de Estado
06:20sendo feita para o Brasil, de um líder importante.
06:25A Indonésia é um país interessante,
06:28porque tem uma área muito menor que a do Brasil,
06:30mas tem uma população maior que a população brasileira.
06:34Então, um país que tem uma densidade demográfica muito grande.
06:39E a gente vê que nessas cerimônias de visita de Estado
06:43tem toda uma pompa, uma circunstância aí, né?
06:45Vocês estão vendo os dragões da independência aí,
06:48recepcionando esse líder que está sendo homenageado
06:50agora pelo Estado brasileiro.
06:52Na imagem, a gente viu aí o presidente Lula
06:56ao lado do Prabowo Subianto,
06:58também a primeira-dama, Jange da Silva.
07:02E a gente precisa confirmar se a primeira-dama da Indonésia
07:05também está participando dessa recepção.
07:10Primeira-dama, Iriana Joko Vidudo.
07:12Ou melhor, a Iriana era a primeira-dama do antigo presidente, né?
07:26Vamos ver então agora o que vai acontecer nesta cerimônia aí
07:30de visita de Estado.
07:32Mas realmente ali, nesse momento, a gente não está vendo a primeira-dama,
07:40só realmente o presidente da Indonésia, o Prabowo Subianto,
07:44e a primeira-dama, Jange da Silva.
07:49Eles vão entrar agora no Palácio do Planalto.
07:51Daqui a pouquinho deve ter uma entrevista coletiva também.
07:55Isso é protocolar depois desse tipo de encontro.
07:58A gente pode continuar ouvindo agora o Gabriel Galípolo falar, então,
08:01na Comissão de Finanças da Câmara dos Deputados?
08:04O Tesouro é um percentual sobre a taxa de juros, a isenção.
08:08Logo, quanto maior a taxa de juros em valores absolutos,
08:12maior a isenção que você tem.
08:14É uma isenção de X% em cima da taxa de juros.
08:19Quanto maior em valor absoluto, mais barato fica,
08:22ou maior a distância, vamos dizer assim, em valor absoluto,
08:25do custo de captação do governo, por exemplo, e das empresas.
08:29Então, esse lado é uma coisa estranha.
08:31Você realmente subiu os juros e a vantagem relativa subiu.
08:36Do outro lado, para as famílias que muitas vezes estão lá endividadas,
08:39num rotativo que vai pagar 200%, 300% de taxa de juros,
08:43o melhor exemplo que ainda é um servidor do Banco Central de carreira,
08:47que tenta explicar como é que funciona ou não funciona tão bem
08:51o impacto de você elevar a taxa de juros, a taxa básica de juros,
08:57numa família ou num indivíduo que já tem uma dívida no cartão de crédito.
09:03Ele relata a história de um sujeito que estava num museu
09:07e alguém chegou para ele e falou assim,
09:08quantos anos tem esse fóssil desse dinossauro?
09:11E ele falou, 6 milhões de anos, 11 meses e 12 dias.
09:15Ele falou, nossa, vocês conseguem ser precisos deste jeito?
09:17Ele falou, não, é que quando eu cheguei aqui eu fiz a mesma pergunta
09:20e me responderam 6 milhões de anos.
09:21Como eu estou aqui há 11 meses e 12 dias,
09:23ele tem 6 milhões de anos, 11 meses e 12 dias.
09:26Você fala assim, vou subir um ponto percentual,
09:29que a gente chama de 100 base points, 200 base points,
09:32a taxa de juros, em cima de 300, em cima de 200,
09:36a sensibilidade ao ciclo da política monetária
09:39é relativamente baixo a partir daí.
09:42Então, essas distorções acabam produzindo uma transmissão
09:50da política monetária que tende a ser menos fluida.
09:55E aí, a gente conseguir normalizar a política monetária,
09:57que eu estou aqui atribuindo quase que o terceiro grande desafio,
10:01a discussão do porquê,
10:02como é que a gente pode conviver com taxas de juros
10:04em patamares que são mais próximos aos nossos pares
10:07e, com essas taxas de juros, conseguir conviver
10:11simultaneamente com uma inflação que esteja dentro da meta
10:14e mais baixa.
10:15Ninguém quer baixar os juros para ter uma inflação lá em cima.
10:19Você quer conviver com uma taxa de juros
10:21que possa produzir o mesmo efeito,
10:23do ponto de vista de conter a inflação,
10:25porém num patamar que possa ser mais próximo dos nossos pares.
10:30Para a gente conseguir isso,
10:31diferente do caso do Plano Real,
10:33que foi possível com uma medida,
10:34que foi a moeda indexada em 6 meses,
10:36já observar resultados,
10:37nesse caso, me parece que a gente vai precisar
10:39de uma série de medidas.
10:41Não vai ter uma bala de prata.
10:42Não vai ter uma vitória por Ipom,
10:44como eu já usei a expressão antes.
10:45A gente vai ter que fazer uma série de medidas
10:47para a gente poder,
10:48desmontando um pouco dessas vacinas,
10:50que são compreensíveis.
10:51Eu acho que um país que convive durante tanto tempo
10:54com taxas de juros relativamente mais elevadas,
10:58quando comparado com os pares,
10:59diversos setores foram desenvolvendo vacinas
11:01para tentar se proteger disso e conviver com isso.
11:05Só que essas mesmas vacinas provocam essa distorção
11:07onde você fala,
11:08bom, então se você criou algum tipo de obstrução,
11:10logo é preciso dar uma dose mais alta
11:12para conseguir o mesmo efeito.
11:15Então, essa dinâmica de você normalizar a política monetária
11:19é uma dinâmica muito importante
11:21de uma agenda nacional,
11:22que muitas vezes algumas dessas reformas
11:25extrapolam o que é a alçada do Banco Central,
11:27e por isso que é tão importante a gente poder vir aqui
11:29dialogar nessa casa aqui,
11:31que eu tenho certeza será um grande fórum
11:34para a gente poder discutir, apresentar ideias
11:36e ver o que a gente consegue avançar.
11:38E nessa ideia da ampliação do acesso da população
11:41ao crédito menor custo,
11:42se você conseguir facilitar a população
11:45ter acesso a esse crédito,
11:46que a gente chama de colateralizado,
11:48ou seja, esse crédito que não é o rotativo,
11:50aquele emergencial,
11:51mas que ele consegue apresentar algum tipo de garantia
11:54para poder conseguir um crédito mais barato,
11:57você reduz a percepção de risco
11:59e reduz o custo daquele crédito também.
12:02E aí envolve uma série de medidas,
12:04desde medidas jurídicas,
12:05que foram tomadas aqui nessa casa
12:07algumas ao longo desses últimos anos,
12:10mas também medidas do ponto de vista de infraestrutura,
12:13ou seja, o quanto que o Banco Central
12:14consegue oferecer infraestruturas
12:16para que a gente possa, de maneira mais fácil,
12:19na experiência do cidadão,
12:20naquilo que se chama, no setor privado,
12:21da experiência do cliente,
12:23ser mais fácil para ele poder acessar
12:24essas linhas de crédito
12:26que estão mais adequadas
12:28para as necessidades do cidadão.
12:31Então isso é muito importante
12:32para a gente conseguir avançar,
12:33para que você possa fazer como você vê nos Estados Unidos,
12:35muitas vezes a pessoa usa a moradia dele
12:37como um colateral para um financiamento,
12:39ele já pagou um pedaço da moradia dele,
12:41ele vai pegar aquele pedaço sobrante
12:42que ele tem do colateral
12:43relativo ao primeiro financiamento
12:44e vai conseguir fazer isso.
12:46Como é que eu consigo agora
12:47para quem não tem salário,
12:48mas tem uma outra fonte de renda,
12:50ele também apresentar aquele fluxo de renda
12:52que ele tem futuro
12:52como uma garantia
12:53para ele também apresentar como um colateral
12:55e conseguir reduzir o custo
12:57do financiamento que ele tem acesso.
12:59Então esse tipo de discussão,
13:01a gente vai passar aqui depois
13:02de maneira mais pormenorizada,
13:03é super importante.
13:05O terceiro item de estabilidade financeira
13:07que eu queria abordar aqui com os senhores,
13:11desde a crise de 2008,
13:15a regulação se aprofundou muito
13:19e se acirrou muito,
13:22especialmente nas instituições bancárias.
13:24Você ampliou muito a regulação
13:26para evitar que volte a ocorrer
13:28aquilo que aconteceu em 2008.
13:30O que a gente vem assistindo,
13:32até o que a gente chama do BIS,
13:33que é meio que o Banco Internacional
13:35de Compensações,
13:36que é como se fosse,
13:37de grosso modo,
13:38um lugar onde você reúne
13:40todos os bancos centrais do mundo,
13:42que fica lá em Basileia,
13:43por isso que as regras
13:43a gente chama de Basileia 1,
13:44Basileia 2,
13:45Basileia 3.
13:46Ele soltou o relatório dele anual agora,
13:49faz 15 dias,
13:50nessa reunião que a gente fez
13:51todos os banqueiros centrais,
13:54e nesse relatório anual,
13:55um bom pedaço é discutindo
13:56estabilidade financeira
13:58e dizendo, olha,
13:59cresceu muito o que a gente chama
14:00de NBFIs,
14:02que são os intermediários financeiros
14:05não bancários,
14:06non-bank financial intermediators.
14:09O que isso significa?
14:11Que você apertou a regulação de um lado
14:14e essa liquidez meio que deu uma vazada
14:16para novos atores e novos agentes.
14:19Novos atores e novos agentes
14:20foram ganhando participação
14:22a partir da regulação bancária.
14:25E aí é um caso interessante de analisar,
14:27porque mesmo países avançados
14:29estão se queixando de coisas
14:31que antes pareciam muito particulares
14:33ou específicas de países emergentes.
14:36Os Estados Unidos,
14:37o Canadá,
14:38a Inglaterra,
14:39a Europa têm dito,
14:40olha,
14:41caiu muito a participação dos bancos
14:43nos leilões de títulos do Tesouro.
14:47Então, quando o Tesouro faz leilão
14:48para vender os seus títulos,
14:49que no Brasil é toda terça e quinta,
14:52antes você tinha uma participação maior
14:54de bancos nesses leilões.
14:56Ao ter uma participação maior de bancos,
14:58aqueles bancos funcionavam meio
15:00como o que a gente chama de market makers.
15:01Eles faziam o preço de mercado
15:04e dando uma certa estabilidade
15:06no processo.
15:08Agora, com a liquidez mais
15:10naquilo que a gente chama de head funds,
15:11que são os fundos,
15:12que não são instituições bancárias,
15:14isso tem agregado mais volatilidade
15:17à curva de juros.
15:18Então, esse é o ponto importante
15:20a gente separar.
15:21O Banco Central,
15:22ele cuida dos juros de curto prazo,
15:24que é o juros da política monetária.
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