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Felipe Corleta, da The Link Investimentos, analisou nesta terça (08) os impactos das novas tarifas anunciadas por Donald Trump no desempenho do mercado brasileiro. O Ibovespa B3 fechou estável, enquanto o dólar recuou para R$ 5,45, refletindo cautela e ajustes dos investidores.

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Transcrição
00:00O Ibovespa B3 teve um dia passeando ali pelo terreno negativo, com varejo fraco, cautela
00:16global, impacto aí de novas ameaças tarifárias de Donald Trump, a alta do petróleo impulsionando
00:22a Petrobras, o dólar caiu a R$ 5,45. O mercado segue de olho aí na novela das tarifas,
00:30nos novos capítulos. O dólar hoje teve uma queda de 0,60%, fechando então nessa cotação
00:37de R$ 5,45. Vamos ver aqui como é que ficou o Ibovespa B3, teve uma queda de 0,33%, fechou
00:45139.029 pontos. Tivemos ali como exemplos de alta Ambev, uma alta leve de 0,07%, mas foi
00:54um dos papéis mais negociados hoje. Vale subiu 0,37%, Petrobras 1,34% de alta. A B3 caindo
01:03agora 0,82%. Vamos ver agora como fecharam hoje as bolsas em Nova Iorque, muita volatilidade
01:12também nos Estados Unidos. Dow Jones fechou em queda de 0,37%, Nasdaq na estabilidade 0,03%
01:20e o SP500 também na estabilidade, uma quedinha ali de 0,07%. Vamos entender o que determinou
01:29esses resultados nos negócios de hoje, conversando agora com o Felipe Corleta, sócio da The Link
01:35Investimentos. Corleta, boa tarde para você. Temos de novo aí a guerra tarifária sendo o
01:42principal vetor dos mercados? Boa tarde, Turice, boa tarde para todo mundo aqui no Times Brasil.
01:48É, a gente está bastante cansativo dessa postura do Trump, né? Ele fala que vai ter tarifa,
01:54que não vai ter tarifa, que vai postergar, que não vai postergar. Isso traz muita volatilidade
01:59para o mercado, né? A gente tem visto isso. Hoje, inclusive, o Trump fazendo declarações que tiveram
02:06impactos setoriais, né? Acho que o grande destaque da fala dele foi anunciar uma tarifa
02:11de 50% para as importações de cobre, que fez o cobre, os futuros de cobre na Bolsa de Chicago
02:18terem a maior alta da sua história, medidas desde 1968, em um dia, vindo aí mais de 10%
02:25e puxando ações de mineradoras desse metal. De alguma medida, inclusive, a Vale reagiu a esse
02:33movimento, né? Então, isso trouxe bastante incerteza. Anúncios de tarifas novas e reforço
02:41de que as tarifas entram em vigor em 1º de agosto. Passaram por essa fala do Trump ali no seu
02:50gabinete, onde ele falou ali perto da 1 da tarde, e isso trouxe, no primeiro momento,
02:58uma reação do mercado de aversão a risco. Quer dizer, o mercado correu para ativos de proteção,
03:04principalmente o dólar, o ouro, e fugindo das bolsas e dos títulos de renda fixa mais longos.
03:11Mas, em um determinado momento do dia, acho que o mercado percebeu que passou essa volatilidade
03:18inicial e começou a voltar, essa ideia de que a política comercial do Trump é uma política
03:23que enfraquece a moeda americana, enfraquece o dólar. Então, a gente viu o dólar subir
03:27bastante logo depois dos anúncios e depois derreter no mundo inteiro e voltar a fechar
03:32em queda. Com relação às bolsas americanas, também tivemos aí desdobramentos da fala do
03:39Trump. Ele disse que as empresas de inteligência artificial vão ser autorizadas a produzir a
03:45sua própria energia, ou seja, criar usinas geradoras de energia próximas às suas fábricas.
03:50Isso fez com que derretessem ações do setor de energia elétrica, de empresas reguladas,
03:54que já atuam nesse setor, na medida que entra a concorrência para elas nesse momento.
04:00Então, a gente viu tanto essas ações como as ações de bancos em forte queda, no dia de
04:04hoje, lá na bolsa americana, trazendo essa discrepância entre os índices. O Dow Jones,
04:09que tem várias empresas do setor de eletricidade, também vários bancos, caiu, enquanto o S&P
04:15e o Nasdaq fecharam estáveis, na medida que esse anúncio com relação à produção de
04:20energia por parte das big techs, ele também é positivo para as empresas de semicondutores
04:24que acabaram segurando o mercado perto dessa estabilidade.
04:28Então, a volatilidade é o nome do jogo. O Trump, a qualquer momento, pode twittar
04:32alguma coisa ou entrar ao vivo em alguma entrevista, em alguma reunião e fazer anúncios
04:39aí completamente fora do que está sendo esperado.
04:42Então, essa foi a tônica hoje.
04:47O Howard, que se colocava logo depois, disse que as cartas, as tais cartas que o Trump está
04:54mandando para os países com o nível de tarifas que eles vão enfrentar, elas também são cartas
05:00que abrem a porta para algum tipo de negociação, mas mesmo assim o mercado segue num compasso
05:05de cautela e aqui no Brasil, ainda mais agora que a gente tem essa perspectiva de a qualquer
05:10momento ter um anúncio de uma tarifa de talvez não de 10, mas de 20% para o Brasil, dobrando
05:16o patamar de tarifas que foi anunciado em abril, diante dessa guerra aberta que o Trump
05:20abriu aí na sua narrativa com relação aos BRICS.
05:23Pois é, Coroleta, tem essa expectativa em relação ao que ele vai fazer com os BRICS, Brasil
05:27incluindo aí, e ele também anunciou aquelas tarifas sobre 14 países, notadamente ali tem
05:33Japão, tem Coreia do Sul, outros países asiáticos, também da África e do Leste
05:37Europeu, mas faltam algumas dezenas de países nessa lista também e ninguém sabe se isso
05:42é bom ou se é ruim, se vai vir essas tarifas, se vão vir essas tarifas sobre esses países
05:47também ou se é um sinal de que a negociação com ele está avançando mais.
05:51Quer dizer, nesse momento, de novo, a gente olha para frente e não sabe bem o que é que
05:56está logo ali, né?
05:57Isso é o que o mercado menos gosta, nem certeza.
06:00Com relação ao que foi anunciado ontem para sete países, o que chamou a atenção foi
06:04que as tarifas ficaram muito próximas daquelas anunciadas em abril, no dia da libertação,
06:09no Liberation Day.
06:12Havia expectativa por parte dos investidores, especialmente com relação ao Japão, que
06:17foi o principal parceiro comercial que ficou abarcado nesse anúncio de ontem, de que esse
06:22período todo de negociação entre o Departamento de Estado dos Estados Unidos e as autoridades
06:26econômicas desses outros países pudesse resultar em tarifas menores.
06:30Houve essa expectativa, né?
06:32A gente teve um anúncio no Liberation Day, isso pesou muito nos mercados, as tarifas
06:36estavam muito altas e depois, com o anúncio da postergação e de novas rodadas de negociação,
06:43se acreditou que sim seriam atingidos os patamares de tarifas mais baixos.
06:48Isso não aconteceu, pelo menos nesses sete países.
06:51Até amanhã a gente pode ter novos anúncios com o Trump postando nas suas redes sociais,
06:55novas cartinhas enviadas aos ministros de Estado de cada um dos parceiros comerciais
07:02dos Estados Unidos e isso vai continuar trazendo volatilidade e incerteza para o mercado.
07:08Então o momento é de cautela dos investidores, expectativa pelas ações do Trump, porque se
07:15a gente tem vários outros fatores de preço ao longo do mercado, lucro das empresas, tem
07:20por começar agora uma temporada de balanços nos Estados Unidos, em algumas semanas aqui
07:24no Brasil também, que mexe com as bolsas, isso tudo está em segundo plano.
07:28O mercado está olhando muito mais para o cenário macroeconômico, especialmente para
07:32a política comercial do Trump, para a política fiscal do Trump, que tem trazido esse dólar
07:37para uma desvalorização muito forte, ao mesmo tempo que aumenta muito a incerteza
07:43dos mercados.
07:44Agora, Correta, de novo não houve pânico, né?
07:46Quer dizer, a gente tem, talvez possamos dizer aí, três rodadas do novo tarifácio, estão
07:51ameaçando os países do BRICS, impondo tarifas àqueles 14 países e agora falando de cobre
07:58e medicamentos também.
08:00E no entanto, quedas pequenas aí, tanto aqui no Ibovespa quanto nas bolsas americanas
08:04também, índices ali fechando perto da estabilidade.
08:07O mercado ainda enxerga o Trump com aquele prisma do taco?
08:10Eu acho que, de alguma forma, o mercado sabe ter aprendido a separar o que é ruído
08:17de o que é fato e informação.
08:19O que é a comunicação do Trump, ela não é uma comunicação presidencial, digamos
08:25assim.
08:26Ele usa as redes sociais, ele usa caps lock, letras maiúsculas ali para se manifestar
08:31com uma linguagem muito informal.
08:32Então, isso o mercado observa e tenta separar, de alguma forma, o que é ruído de o que é
08:37a informação.
08:38Se a gente olhar dentro do dia, apesar de o fechamento ter sido perto do 0 a 0, dentro
08:44do dia tiveram várias oscilações importantes.
08:46Como eu comentei, o dólar primeiro subiu muito, aí depois acabou caindo na medida que
08:51o mercado interpretou que essas medidas são enfraquecedoras do dólar.
08:56E dentro da bolsa americana, no S&P 500, nós temos 500 ações ali.
09:00E a gente teve uma mudança muito clara de direção entre os setores.
09:06Por exemplo, setores de energia elétrica, setores de bancos caindo bastante, enquanto
09:11setores de semicondutores e de big techs acabaram compensando essas pernas.
09:15Então, dentro do mercado, há sim ainda essa volatilidade, esse ruído faz preço, apesar
09:21de nos índices ficar traduzido próximo de um 0 a 0 para o mercado americano hoje.
09:27Então, sim, a gente já teve momentos em que essas declarações do Trump fizeram mais
09:33preço na bolsa, mas o mercado segue atento aos impactos desses desenvolvimentos, na medida
09:38que qualquer decreto ou qualquer novo projeto de lei pode ter impactos setoriais muito importantes
09:44aí na economia dos Estados Unidos.
09:46Correleta, a gente trouxe aqui, agora há pouco, no radar, os dados do comércio varejista
09:49no Brasil, no mês de maio, os dados do IBGE, mostrando que pelo segundo mês consecutivo
09:54envolveu uma queda nas vendas, mas uma queda ali, a gente pode situar, muito próxima da
09:59margem da estabilidade, pelo segundo mês seguido.
10:01Em abril também foi uma queda pequena.
10:03O mercado prestou atenção nisso diante de um dia tão orientado assim para fora?
10:07Isso fez preço?
10:08E qual o olhar do mercado sobre esse resultado?
10:12Olha, a minha visão é de que isso ficou em segundo plano.
10:15As vendas no varejo, elas são tradicionalmente um dado muito atrasado com relação à atividade
10:20econômica, mas elas refletem, sim, os impactos de uma taxa de juros tão alta, os impactos
10:25defasados de todo o ciclo de alta que a política monetária sofreu aqui no Brasil.
10:30Então, eu vejo isso como sinais de desaceleração da economia.
10:34A gente tem números mais importantes por sair nessa semana, notadamente o IPCA na quinta
10:40e o volume de serviços, que são números que podem, sim, continuar calibrando essa expectativa
10:46dos investidores de que a atividade econômica no Brasil vai esfriar diante desses juros
10:50tão altos e, com isso, a inflação também vai resfriar.
10:53Caso a gente tenha essa confirmação com os serviços desacelerando abaixo do que o mercado
10:58espera e com o IPCA fraco, especialmente após o IGPDI, que saiu ontem muito fraco,
11:03aí um outro índice de inflação, isso pode fazer com que os investidores projetem um corte
11:08da Selic mais cedo do que o que está hoje nas contas.
11:11Hoje o mercado espera alguma coisa entre o primeiro e o segundo trimestre do próximo
11:15ano, para o início de um ciclo de queda da taxa Selic.
11:20Caso os dados de economia venham muito fracos, serviços, IPCA, venham nessa linha do varejo
11:26abaixo das expectativas, isso pode fazer com que o mercado vá para cortes já no final
11:31deste ano.
11:32Inclusive, algumas casas, como o Bradesco, já deram nas suas casas de análise o call
11:38e a expectativa de que o juro pode cair em dezembro.
11:41Então, a gente pode ver mais casas indo para isso e com isso o mercado repressificar
11:45esse custo financeiro das empresas, já que a gente tem na nossa bolsa muitas empresas
11:49alavancadas, empresas com bastante dívida ali, atrelada à taxa Selic.
11:54Agora, no momento em que a gente tem a bolsa americana oscilando da forma que está oscilando
12:00e a política econômica americana no centro das atenções, isso deve continuar capturando
12:05o movimento de mercado.
12:07Inclusive, a gente tem visto aqui na nossa bolsa, desde o feriado da semana passada,
12:12volumes muito baixos.
12:13A bolsa negocia, o Ivo mesmo negocia em média 17, 18 bilhões.
12:17Ontem foram 10, hoje foram 12 bilhões.
12:19Então, 30, 35% abaixo do que a média diária de negociação.
12:23Então, a gente está vendo um mercado com um compasso de cautela, com liquidez reduzida,
12:27muito mais atento ao exterior do que efetivamente ao desenvolvimento das questões domésticas,
12:33sejam elas econômicas ou políticas.
12:35A gente teve hoje, inclusive, notícias no cenário político, com o Arthur Lira querendo
12:40trazer uma solução para o impasse do IOF junto de uma reforma do imposto de renda,
12:44talvez encontrando uma solução que agrade tanto a Congresso e governo.
12:48Mas, mesmo assim, isso ficou em segundo plano no imaginário dos investidores,
12:52que estão super atentos a essas próximas horas, onde o Trump deve anunciar novas tarifas
12:57e continuar com esse discurso mais agressivo com relação à política comercial.
13:02Para amanhã, Corleta, olho no Trump?
13:05Para amanhã, olho no Trump.
13:07A gente tem, sim, dados econômicos importantes, especialmente nos Estados Unidos,
13:10onde vai sair a ata da última decisão do Fed, uma decisão que trouxe um viés de esperar
13:19para cortar os juros por parte do Banco Central dos Estados Unidos.
13:22Isso vai ser mais detalhado nesse documento a ser divulgado amanhã,
13:26em um momento que o mercado espera um corte de juros lá nos Estados Unidos para setembro.
13:31Então, se esse documento mostrar um Fed ainda muito cauteloso,
13:34isso pode fazer preço nos mercados, inclusive, eventualmente, valorizar o dólar.
13:40Isso acaba sendo o segundo grande assunto do dia, mas o olho vai ser total do Trump,
13:46que prometeu o deadline das tarifas seria amanhã, no dia 9,
13:51e com isso a gente deve ter uma série de novas cartinhas saindo do Departamento de Estado
13:57dos Estados Unidos e atingindo as economias ao longo do mundo,
14:01mexendo naturalmente com os mercados, com os pares de moedas e também com as bolsas.
14:06Felipe Corleta, sócio da Adelink Investimentos.
14:08Valeu, Corleta. Obrigado. Amanhã tem mais.
14:12Nós falamos amanhã, turista. Um abraço.
14:13Abraço. Valeu.
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