00:00Agora André, durante esse evento, o lançamento do Plano Safra, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad,
00:05rebateu críticas da oposição, reafirmou a defesa da justiça tributária no país.
00:11Agora, como o ministro deve conduzir essa discussão?
00:14Esse evento foi marcado por muitos recados dados para o Congresso Nacional, principalmente, né André?
00:23Muitos recados, viu Tiago?
00:25E um deles é o de que o governo vai combater os chamados jabutis, aqueles benefícios incluídos na legislação
00:32que favorecem grupos específicos, especialmente empresários.
00:37Segundo o ministro Fernando Haddad, quando um jabuti entra na legislação, ninguém gosta de assumir a autoria.
00:43E quando o governo tenta acabar com esse jabuti, a medida acaba sendo interpretada como aumento de impostos.
00:50A declaração dele foi feita durante o lançamento do Plano Safra da Agricultura Familiar.
00:55Nós vamos fechar todas as brechas que são criadas por jabutis que, no Brasil, o jabuti é órfão de pai e mãe.
01:08Ninguém assume a paternidade de um jabuti.
01:11Ele aparece numa lei.
01:13Em geral, para favorecer um grande empresário.
01:17Em geral, é para favorecer um grande empresário.
01:19Para tirar esse jabuti do ordenamento jurídico, é um parto.
01:25E cada vez que a gente sequestra esse jabuti, tira ele da árvore e remove o do ordenamento político,
01:32tem a grita do andar de cima de que aumenta o imposto.
01:35A Haddad também saiu em defesa do presidente Lula, rebatendo críticas sobre o aumento de impostos.
01:44Ele lembrou que, no governo anterior, a tabela do imposto de renda ficou congelada, mesmo com o avanço da inflação.
01:51Agora, com o aval do Congresso, o governo vai isentar quem ganha até dois salários mínimos,
01:57o equivalente a aproximadamente R$ 3 mil por mês, contra os R$ 1.900, que era a faixa de isenção do governo Bolsonaro.
02:06Então, além de uma crítica à política de aumento de impostos,
02:11o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, fez uma crítica também ao governo anterior.
02:16Pois é. Bom, André, você vai voltar em instantes para falar sobre a reação do Congresso Nacional
02:22sobre essas falas do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, principalmente.
02:25Até daqui a pouco.
02:26Chama já os nossos comentaristas, dando as boas-vindas para a Dora Kramer
02:30e o professor Acácio Miranda com a gente, como sempre, participando da programação da Jovem Pan.
02:36Dora, boa noite para você, bem-vinda.
02:37Bom, a semana vai começando como terminou a outra, né?
02:40Com esse conflito do governo com o Congresso Nacional
02:44e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, mandando recados,
02:48aproveitando o lançamento do Plano Safra.
02:51Não é isso, Dora?
02:53Boa noite, Tiago. Boa noite, Acácio.
02:56Não vou chamar de professor, tá?
02:57Que está da casa.
02:59O nosso companheiro aqui é Acácio.
03:01Vou até tirar uma coisa para olhar você direitinho.
03:04Pronto.
03:05Olha só.
03:06Pois é, a coisa está ficando difícil, né?
03:10E ao contrário do que se podia imaginar, nessa semana assim mais calma,
03:15que tem aquele evento lá em Lisboa, que vão várias autoridades, deputados, senadores, governadores,
03:23a coisa só aumenta porque o ministro da Fazenda, ele está claramente assumindo um discurso político,
03:30isso desde a semana passada, desde antes das férias dele, ele está assumindo esse...
03:38já subiu, virou assim o porta-voz do nós contra eles, do rico contra pobres, né?
03:44Então, isso que parece que ele deu, sabe assim, perdido por um, perdido por mil,
03:51porque ele já não estava tendo a mesma situação, o mesmo trânsito dentro do Congresso Nacional
03:57que ele havia tido na gestão anterior, até o ano passado, né?
04:02E agora a coisa foi piorando.
04:05E quando ele assume esse discurso, de um lado pode suscitar aquelas especulações
04:11sobre se seria ele o escolhido para substituir o presidente Lula,
04:16caso o presidente não vá à reeleição, em 26,
04:21e também acirra a guerra, porque está aberta a guerra com o Congresso.
04:26Agora, tendo como personagem o ministro da Fazenda,
04:30que precisaria negociar muitas coisas que ainda estão de interesse do governo.
04:37Ao mesmo tempo, a ministra da Articulação Política tem sido Cleise Hoffman,
04:42tem sido alvo de reclamações, porque ela, segundo os deputados,
04:48segundo os parlamentares, ela dá preferência para receber
04:51deputados parlamentares do seu partido, o PT.
04:55Então, a coisa está bastante atritosa no Congresso.
04:59É, o ministro Fernando Haddad também pressionou o Congresso
05:02a aprovar, analisar a isenção do imposto de renda
05:05para quem ganha até 5 mil reais mensais.
05:08Agora, Cássio, que o Brasil precisa de justiça tributária, ninguém duvida.
05:12Há alguns anos, um, dois anos, a gente estava discutindo a reforma tributária
05:16que o Congresso aprovou, mas até agora essas mudanças têm um longo período
05:20para entrar em vigor.
05:21De qualquer forma, há um acirramento, há uma discussão que acaba acirrando.
05:28E é o que o Hugo Mota falou, daqui a pouco a gente vai ouvir esse trecho,
05:31a história do nós contra eles.
05:33Não é isso, Cássio?
05:34Bem-vindo, boa noite para você.
05:36Boa noite, Tiago.
05:38Boa noite, Dora.
05:39E um boa noite à nossa audiência.
05:40A Dora foi cirúrgica nas suas ponderações.
05:44Se nós olharmos para 2022, Lula foi eleito a pretexto de reunificar o país.
05:52Um discurso até contrário ao pregado pelo próprio Lula nos seus dois primeiros mandatos,
05:59em 2002 e depois em 2006.
06:03Fato é que, neste momento, o governo tem duas grandes dificuldades.
06:09Uma dificuldade de comunicação e uma dificuldade econômica.
06:14E parece que, no momento em que o governo enfrenta essas dificuldades,
06:19ao invés de conciliar, ao invés de dialogar,
06:24o governo volta para as suas origens, para o Lula 1 e para o Lula 2.
06:29Um governo muito mais reativo, um governo muito mais dado ao confronto,
06:35um governo do nós contra eles.
06:37Fato é que, neste momento, o Congresso é diferente e não tem cedido a este tipo de pressão.
06:47Neste momento, Lula não desfruta dos mesmos números que desfrutava lá atrás.
06:55Então, Congresso e população acabam não cedendo a este tipo de pressão.
07:00E, por fim, a inflação e outros aspectos econômicos também assolam a população.
07:09Isso acaba pressionando o governo e não é com brigas,
07:15não é com disputas que os anseios populares serão atendidos,
07:21especialmente no ano anterior ao processo eleitoral.
07:25E, por fim, a inflação é muito importante.
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