00:00Agora sim, nessa retomada do Congresso Nacional, há uma expectativa de que Lula vai reunir os líderes do Congresso para uma confraternização.
00:09As informações com Igor Damasceno. Igor?
00:14Pois é, a volta das atividades parlamentares está marcada para a semana que vem.
00:20E a informação de bastidor aqui no Palácio do Planalto é que o presidente Lula já quer convidar os aliados políticos para uma confraternização já imediatamente após a volta do Congresso Nacional.
00:35Somente aqueles que são aliados, que integram a base do governo federal.
00:40A ideia do presidente Lula é justamente alinhar o discurso com os aliados para as eleições deste ano.
00:48Muitos já se lançaram como pré-candidatos a governo, ao Senado, à Câmara dos Deputados.
00:55E por isso o presidente Lula quer trazer esses aliados para próximo do Palácio do Planalto e que todos falem a mesma língua contra a oposição e contra os aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.
01:07Agora, Lula tem um percalço, tem um obstáculo no meio deste caminho, que é em relação ao governo de Minas Gerais.
01:14Mas, até o momento, o presidente Lula não tem um candidato certo ao governo mineiro.
01:20Ele continua arriscando o nome de Rodrigo Pacheco, ex-presidente do Senado.
01:25Pacheco continua como senador, mas está no finalzinho do exercício do mandato.
01:30E ele esperava que o presidente Lula o indicasse para a vaga deixada por Luiz Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal, algo que não aconteceu.
01:38Por isso, Rodrigo Pacheco já fala em aposentadoria da vida política.
01:43Não quer nem o Senado, nem a Câmara, nem o governo, que é apenas se dedicar à advocacia.
01:49O presidente Lula tenta convencê-lo a se lançar como candidato ao governo do Estado,
01:54porque é considerado o nome mais forte entre os aliados do presidente Lula lá no estado de Minas Gerais.
02:00Mas a conversa de bastidor aqui no Planalto é que Pacheco não vai aceitar esse convite.
02:05Por isso, Lula já está em tratativas com outros partidos, inclusive com o próprio Partido dos Trabalhadores.
02:12Mas tudo está muito incerto.
02:14Essa confraternização com a base deve ser aproveitada para utilizar, ser utilizada pelo presidente Lula
02:22para conseguir um bom nome para o estado de Minas Gerais.
02:26Voltamos ao estúdio.
02:28Igor Damasceno, com essa repercussão e essa agenda do governo federal de olho no Congresso,
02:352 horas e 50 minutos, vamos ouvir as análises de Mano Ferreira.
02:39Há muitas reclamações olhando no retrovisor sobre o governo Lula,
02:44que em outras gestões tinha o hábito de jogar um futebol,
02:48de marcar uma resenha, como chama essa juventude,
02:51um encontro ali no Alvorada para conversar com os parlamentares.
02:54E que isso não estaria mais acontecendo.
02:57E diante disso arruinou a relação com o Congresso Nacional.
03:00É hora de começar, voltar para o jogo, não somente dentro do campo,
03:05mas fora do campo também, para melhorar esse relacionamento, Mano?
03:09Pois é, Bruno.
03:10Mas a verdade é que, do ponto de vista de governo, já é tarde demais.
03:15O que vamos ter a partir de agora são, basicamente, articulações eleitorais
03:22e não mais de sustentação de uma base de apoio.
03:26A gente sabe que, historicamente, o PT sempre teve muita dificuldade
03:31de compartilhar poder efetivo estando no Palácio do Planalto.
03:36Quando a gente olha para a configuração de ministérios,
03:40a verdade é que todos os ministérios relevantes são ocupados por petistas.
03:46Todos os aliados ficam apenas em ministérios satélites,
03:50que têm um orçamento muito menor para ser executado.
03:54Com essa concentração de poder, de um ponto de vista das políticas públicas
03:58que, de fato, importam, o poder de negociação do executivo com o legislativo
04:03fica restrito.
04:05E, na comparação com a primeira passagem de Lula pelo Planalto,
04:10agora o Congresso Nacional, com as emendas parlamentares,
04:14têm muito mais autonomia, porque conseguem entregar obras
04:19para as suas bases eleitorais sem precisar da bênção do executivo,
04:25o que dificulta ainda mais a articulação.
04:28Nesse cenário, a realidade é que o governo desistiu de fazer as escolhas difíceis
04:33e empurrou o problema orçamentário com a barriga.
04:37Vai ficar para a próxima gestão.
04:40Agora, vamos comentar também a Caixa e Miranda,
04:43que Lula também está sempre direcionando para essa eleição
04:48aqueles casca de bala, né?
04:51Aqueles mais próximos, é o Haddad, é a Glaze.
04:54Essa estratégia de Lula é porque ele está sem saída, está sem opção?
04:59É um pouco isso, Márcia.
05:01Sem dúvida alguma, há uma dificuldade na composição das chapas
05:05e há uma dificuldade em dar solidez a estas chapas
05:10e também porque é mais fácil você, entre aspas, rifar os seus amigos
05:16do que rifar aqueles aliados que tenham outros interesses.
05:21Eu vou citar o exemplo que nós já tratamos no dia de hoje,
05:24que é o exemplo de Fernando Haddad.
05:26Haddad é alguém muito próximo a Lula.
05:29E por mais que não queira ser candidato a governador de São Paulo,
05:33sabendo que a probabilidade de derrota é muito grande,
05:36ele não tem como falar não para Lula por conta dessa proximidade.
05:42Então, no fim do dia, a política é um pouco cruel nesse sentido.
05:47Se você precisa rifar alguém, você rifa aqueles que são mais próximos,
05:52porque o desgaste político acaba sendo menor.
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