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Com a tensão geopolítica entre Irã e Israel, o ouro atingiu impressionantes 30% de valorização em 2025, consolidando-se como ativo refúgio. Nesta entrevista exclusiva, Ângelo Belitardo, gestor da Hike Capital, explica os movimentos recentes do mercado: enquanto o metal reagiu à queda nas tensões com os EUA e possíveis cortes de juros do Fed, ações de setores como defesa e tecnologia quântica emergem como alternativas.

Acompanhe em tempo real a cobertura do conflito entre Israel e Irã, com exclusividade CNBC: https://timesbrasil.com.br/conflito-israel-e-ira/

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Transcrição
00:00O conflito entre Irã e Israel aumentou a procura pelo ouro como refúgio de investimento
00:05no ambiente que já vinha mais incerto com a guerra comercial.
00:09Desde o início de 2025, o metal acumula a valorização de quase 30%.
00:15Sobre as perspectivas desse tipo de investimento,
00:18eu vou conversar agora com o Ângelo Belitar, do gestor da Raik Capital.
00:23Ângelo, boa noite para você. Obrigado pela gentileza aqui da entrevista.
00:26Antes de mais nada, vamos falar de hoje.
00:28Hoje o ouro caiu. Por quê?
00:32Bom, em grande parte a gente viu um menor acirramento ali,
00:39e uma menor probabilidade dos Estados Unidos entrar na guerra entre Irã e Israel.
00:47E também o anúncio do Federal Reserve de que estaremos próximos
00:54a retomada do ciclo de cortes na taxa de juros lá nos Estados Unidos.
01:01Então, diante desse cenário, de um cenário menos turbulento em termos de política monetária
01:10lá nos Estados Unidos e conflitos geopolíticos que fosse envolver um gasto substancial
01:17por parte dos Estados Unidos, da mesma forma que poderia causar oscilações mais agressivas
01:24na cotação da commodity, do petróleo.
01:27E em um cenário onde o petróleo possa oscilar ou até atingir patamares mais elevados de preços,
01:39as empresas em geral estariam entrando em um outro patamar de resultado,
01:44por conta do aumento da commodity.
01:47consequentemente, os investidores vão buscar um refúgio em ativos que conseguem preservar o valor ao longo do tempo
01:57e até mesmo valorizar em cenários de muita turbulência.
02:03Lembrando que as grandes instituições financeiras do mundo possuem grandes reservas de ouro
02:09dentro do balanço delas e essa negociação entre o ouro, ele acaba trazendo uma maior segurança
02:21para esses investidores nesse cenário de muita turbulência.
02:24Lembrando, se as empresas enfrentam qualquer tipo de ameaça ou de alguma incerteza no futuro
02:32que possa alterar drasticamente seus resultados, os investidores saem de ativos de risco, como são as ações,
02:41e passam a ir para investimentos mais seguros.
02:45Da mesma forma, se os juros estão em um ciclo de alta de forma muito agressiva,
02:52essa alta dos juros, essa alta da curva de juros,
02:57ela é reflexo de uma venda em massa de títulos, de títulos de renda fixa, de títulos públicos, de bonds,
03:07e causa uma oscilação na própria curva de juros e os investidores acabam saindo.
03:15Então, de forma bem resumida, um cenário de muita turbulência na economia,
03:20os investidores saem de investimentos que possuem exposição a empresas, a juros, como ações, bonds,
03:28e passam a ir para ativos que preservam o valor.
03:32Bom, Angelo, aproveitando a tua explicação, uma curiosidade.
03:35Existe uma correlação, já fizeram uma correlação entre a valorização do ouro e notícias negativas,
03:43por exemplo, envolvendo um conflito como esse de agora?
03:45Isso é, a correlação é totalmente positiva, positiva entre notícias ruins para o mercado de ativos,
03:55que causem oscilação nos mercados de ativos, da mesma forma que o ouro vai acabar sendo um refúgio.
04:04Então, de fato, a gente tem uma correlação, dizemos que é uma correlação negativa
04:10entre o ouro e produtos de risco.
04:18Então, ações, bondes de longo prazo, ações mais especificamente ligadas a empresas da economia real,
04:28como os setores cíclicos, empresas que fazem uso recorrente de dívidas,
04:33ou até as small caps, que são ações de baixa capitalização, de baixo valor de mercado
04:40e, consequentemente, apresentam uma liquidez reduzida e, como consequência, uma oscilação muito maior.
04:47Então, de fato, a gente tem uma correlação positiva entre ouro e notícias ruins.
04:53E essas notícias ruins, elas são notícias que acabam movendo com a economia do mundo todo.
05:00Ao longo desses últimos anos, a gente vivenciou alguns cenários e notícias,
05:06como a eleição americana envolvendo um presidente polêmico como o Donald Trump,
05:15que já é sabido de que o Trump tem essa característica de ter medidas protecionistas,
05:25de ter pouco espaço para negociação, por mais que, nesses últimos meses,
05:29ele mostrou mais disposto à negociação.
05:32Então, eleições americanas, ciclo de alta nos juros lá nos Estados Unidos,
05:37que se mexe com o mundo todo.
05:39Então, guerras que causam oscilação nas commodities.
05:44Em grande parte, o ouro também valorizou muito ao longo desses últimos tempos,
05:49como reflexo também do crash das commodities.
05:51Então, a gente está vivenciando um cenário de baixa nas commodities agrícolas,
05:57baixa no minério de ferro, de baixa no próprio petróleo, no papel e na celulose.
06:03Então, commodities em baixa, você acaba tendo uma maior turbulência
06:07nas balanças comerciais de diversos países,
06:09uma pressão negativa nas moedas.
06:12Então, acho que também o mercado de commodities em baixa
06:15colaborou bastante para esse comportamento bem positivo do ouro.
06:20E você falou também dos juros aí na sua explicação.
06:24Quer dizer, esse aumento que a gente teve na Selic, por exemplo,
06:27de 0,25 ponto percentual, ele também afeta o mercado do ouro?
06:33Não em grande parte.
06:37Isso porque, nesse caso, nesse aumento agora da Selic,
06:43e também por ser o Brasil,
06:45é uma economia relevante no mundo,
06:49mas ela acaba não sendo tão impactante como as decisões lá nos Estados Unidos.
06:55O ciclo de alta aqui no Brasil,
06:59a gente vivenciou, até observamos hoje,
07:02uma correção bem negativa de ativos cíclicos,
07:06ativos de ações de empresas alavancadas.
07:09Então, o mercado pegou de surpresa,
07:12mas eu pensando em...
07:17Tanto no comportamento do ouro daqui para frente,
07:20eu tenho um viés mais pessimista agora.
07:23O bonde, o boom do ouro passou.
07:26Nós estamos praticamente no fim da alta dos juros,
07:31tanto aqui no Brasil como nos Estados Unidos,
07:33e em diversos países ao redor do globo.
07:38Então, a tendência é que agora a situação entre e melhora.
07:46Inflação ao redor do mundo também desacelerando.
07:51Então, acho que as maiores incertezas, por enquanto,
07:55giram em torno do impacto das tarifas do Donald Trump na inflação americana.
08:01Isso porque o país vai vivenciar ainda retaliações de outros países
08:08e até onde essas retaliações podem causar um efeito negativo
08:13em toda a atividade fiscal do governo americano
08:16e também na inflação.
08:19E, consequentemente, vai impactar juros lá nos Estados Unidos.
08:22Então, a gente ainda está vivenciando um período de grandes incertezas,
08:25tanto por conta das tarifas,
08:28quanto por conta de uma potencial entrada dos Estados Unidos
08:31na guerra do Oriente Médio.
08:36E, nesse cenário, o ouro passa a permanecer resiliente.
08:42Ele não vai devolver ganhos,
08:44mas, conforme o cenário da economia global vai se mostrando mais claro,
08:48o ouro perde o efeito e a Bolsa de Valores toma a bola da vez.
08:56Então, a gente já está mais otimista hoje em dia
08:59com ativos de risco como a renda variável.
09:03Isso mesmo com esse conflito começando agora há pouco tempo
09:07e ainda sem uma dimensão clara,
09:09ninguém sabe muito bem que tamanho isso vai ganhar,
09:12até quando isso vai.
09:14É, exatamente.
09:17A renda variável tem diversas estratégias.
09:22Então, empresas mais sensíveis,
09:25empresas com alto grau cíclico ou muito alavancadas,
09:29elas ainda vão gerar uma preocupação.
09:33Mas elas ainda dependerão de um ciclo mais agressivo de queda nos juros.
09:38Mas temos grandes oportunidades hoje,
09:41tanto na Bolsa Americana quanto na Bolsa Brasil,
09:44desde o sistema aéreo de defesa,
09:47ali liderado pela Boeing, pela Lockheed Martin.
09:50Então, empresas de tecnologia,
09:53elas devem se beneficiar agora,
09:57dados por conta de incentivos do governo Trump,
10:01e também porque estamos em um cenário de máxima nas taxas de juros.
10:05A gente vê uma probabilidade muito baixa,
10:09tanto do Federal Reserve como do Copom aqui no Brasil,
10:13continuar subindo as taxas de juros.
10:16Então, esse término no ciclo de alta nas taxas de juros,
10:21incentiva os investidores institucionais a voltarem para a Bolsa de Valores.
10:26Aqui no Brasil, a gente viu a ponta longa da curva de juros cedendo,
10:31então, caindo em proporções mais agressivas,
10:35fechando ali acima de um ponto percentual.
10:38Nos Estados Unidos, temos também o fim do ciclo de alta,
10:44a curva de juros americana ainda em patamares bem restritivos,
10:48e isso abre um espaço para a alocação em renda variável,
10:54para o aumento da exposição em renda variável.
10:58Então, mas lembrando que setores vulneráveis ainda a crises,
11:02lembrando aqui no Brasil, a gente tem setores como companhias aéreas,
11:07algumas empresas de construção de infraestrutura,
11:11programas de milhagens,
11:12essas empresas, hospitais,
11:14essas empresas ainda irão passar bastante dificuldades,
11:17mas o mercado vai dando espaço para outras,
11:20para outros setores ali que já estão se beneficiando
11:23desse término do ciclo de alta de juros
11:26e se beneficiando da baixa das commodities.
11:30Então, isso é bem interessante.
11:32Falando um pouco nos Estados Unidos,
11:35alguns incentivos do governo abrem espaço
11:38para os investidores começarem a aumentar a exposição em alguns ativos.
11:42Mencionamos agora há pouco o sistema de defesa lá no americano,
11:46então, esse segmento é um segmento que brilha nossos olhos agora,
11:49ao longo desses próximos anos.
11:52E o segmento de tecnologia, especialmente o segmento de computadores quânticos.
11:59Então, a gente tem visto algumas empresas ali na Bolsa Americana,
12:04especialmente a Rigetti, Yonk, QBT, QBTS, Arquite,
12:09são algumas empresas que estão liderando essa corrida
12:12do desenvolvimento dos supercondutores,
12:16que é um equipamento que entra dentro dos computadores quânticos.
12:21É um setor que está sendo incentivado muito pelos governos ao redor do mundo
12:27e a gente já vê grandes investidores se posicionando
12:31de forma bem agressiva nesses papéis.
12:33investidores como Morgan Stanley, JP Morgan, BlackRock, Vanguard, UBS, Citi.
12:41Então, a gente acredita que tem muita coisa ainda boa na Bolsa hoje,
12:47tanto no Brasil como nos Estados Unidos,
12:48e que o fim do ciclo de alta nos juros
12:51e uma potencial queda no prazo de um a dois anos,
12:56isso abre um espaço considerável para a exposição em renda variável.
13:00Ângelo Belitar, do gestor da Raik Capital.
13:04Obrigado, Ângelo, pela sua análise aqui.
13:06Bom fim de semana.
13:08Eu que agradeço. Um ótimo fim de semana.
13:10Valeu.
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