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Transcrição
00:00Eu acho que um terceiro ponto que o senhor falou nessa questão da reindustrialização
00:06e que também tem a ver com consumo, mas especialmente com geração de emprego,
00:10porque a gente não pode ficar sempre com aquele crescimento baseado no consumo.
00:13Perfeito.
00:14Então, reindustrialização, geração de emprego, temos 12,4 milhões de desempregados.
00:19Desempregados.
00:22Ao mesmo tempo, nós temos um lucro recorde, mais de 50 bi dos quatro maiores bancos do
00:29país, cinco, quatro, cinco maiores bancos do país.
00:31Quer dizer, já é um contrassenso você ter esse oligopólio bancário do crédito com
00:39quatro, cinco bancos com lucro recorde, inclusive, e enquanto você tem uma população com 12,4
00:47milhões de desempregados.
00:51Quando a gente percebe essa dinâmica, essa mudança da dinâmica da economia, com a queda
00:56da Selic, a queda desses juros nominais, do juro real, até para menos de 1% ao ano.
01:01Isso.
01:02Mas a gente não percebe os bancos fazendo esse movimento, quer dizer, barateando o crédito
01:10para que o sujeito compre um maquinário, invista, abre uma lojinha.
01:15O brasileiro é muito empreendedor.
01:18A gente até teve essa medida aí de tabelar o cheque especial, etc., mas isso está muito
01:22aquém, isso está muito aquém ainda.
01:25A gente ainda tem juros médios de 300, 250, 300% ao ano para esse tipo de crédito.
01:32Sem crédito barato, é praticamente impossível você fazer a economia girar.
01:38O que o governo pode fazer para estimular esse crédito barato?
01:43Nós estamos fazendo várias transformações.
01:45A primeira, realmente, é tirar o elefante da banheira.
01:48Quer dizer, ninguém consegue entrar na piscina se o elefante senta lá e...
01:52Quem é o elefante?
01:53O elefante é o setor público.
01:54Ok.
01:54O elefante é o setor público que se endividou desbragadamente.
02:00Então, os bancos, para que que iam se preocupar em expandir o crédito pelo Brasil inteiro?
02:04Está ganhando fácil ali, tranquilo do governo.
02:06Estão ganhando fácil ali com o governo, quer dizer, entendeu?
02:08Então, isso não era só com o setor bancário.
02:11Eu sempre disse que eram 200 milhões de trouxas sendo explorados por pequenos cartéis em vários setores.
02:18Você tem seis empreiteiras, seis bancos, seis companhias de cabotagem, tudo seis no Brasil.
02:24Meia dúzia, explorando 200 milhões.
02:27Explorando no sentido econômico, no sentido de cobrar muito caro os consumidores.
02:30E o governo explorando no sentido real, com o imposto.
02:33E o governo permitindo isso e explorando sob forma de impostos excessivos.
02:38Então, nós estamos transformando essa economia.
02:41Nós estamos mudando a economia.
02:43Então, por exemplo, no caso do setor bancário, já tem o setor financeiro, até diria, já tem uma revolução em andamento.
02:50Nós estamos desalavancando os bancos públicos.
02:53Eles que promoviam os grandes créditos dos campeões nacionais, as grandes ferramentas de concentração.
02:59Nós estamos combatendo os privilégios.
03:00A nossa reforma de previdência, nós fizemos justamente o seguinte, tira os gatos gordos, elimina os privilégios.
03:08Nossa desalavancagem dos bancos públicos é, tira os gatos gordos, elimina os privilégios.
03:16Você ia ver, a companhia que é a maior tomadora de empréstimo do BNDES, é a mesma empresa que é o maior tomador de empréstimo da Caixa Econômica Federal,
03:27que é a mesma empresa que é o maior tomador de fundos da FINEP.
03:32É a mesma empresa.
03:32Eu não vou dizer o nome, porque eu não gosto de ficar falando de casos particulares.
03:36O caso geral é o seguinte...
03:37É aquela que teve recorde na recuperação judicial agora?
03:40É uma empresa bastante grande.
03:44Já quebrou, não?
03:44Bom, eu só vou dizer o seguinte, nós estamos desalavancando essa máquina de transferência perversa de renda que se transformou o Estado brasileiro.
03:59O Estado brasileiro se transformou em uma máquina de transferência perversa de renda.
04:04Ele tira dos frágeis e passa para quem tem.
04:06Mas segue esse raciocínio que isso é importante, aberto.
04:08Então nós desalavancamos os bancos públicos.
04:11Sim.
04:12Desalavancamos esses bancos públicos.
04:14Estamos pré-pagando a dívida.
04:16Aí os juros já começam a descer e começam a ficar mais acessíveis.
04:20Mas nós não vamos ficar esperando só os grandes bancos fazerem isso.
04:23Então nós lançamos duas frentes de ataque.
04:26Um ataque do passado e um ataque do futuro.
04:29O ataque do passado é o que a FIFE chamava do pequeno emprestador de dinheiro.
04:36Se você era... Antigamente chamavam de agiota e tudo.
04:39Ele até diz, eu quero reabilitar o nome do meu avô.
04:42Ele brinca e fala isso.
04:43Porque ele diz o seguinte, olha, gente tem o dinheiro.
04:45Ele não está tomando dinheiro de ninguém.
04:46Então ele não precisa ser regulado por banco central.
04:48Não precisa... É o dinheiro dele mesmo.
04:50Ele conhece a vizinhança inteira.
04:53Então em vez de uma pessoa pobre ir a um banco e tomar dinheiro a 200% ao ano,
04:59toma ali do avô do Afif a 20% ao ano, a 12% ao ano.
05:05Ataju não é 5%.
05:06Então ele pode emprestar a 8% ao ano.
05:09Então nós criamos a empresa simples de crédito.
05:12Que são justamente nas vizinhanças, quem conhece, o jeito que precisou de dinheiro,
05:17tem um cara lá que tem dinheiro, ele pode emprestar.
05:19Privadamente ele empresta.
05:20E ele empresta a uma taxa muito melhor e muito mais baixa.
05:24Já está ativo, mas ainda não tem uma divulgação.
05:26Isso.
05:26Mas isso já está funcionando.
05:28Está funcionando.
05:28Então isso já está funcionando.
05:29Isso é o ataque que vem do passado a esse...
05:33Que já tem números.
05:35Tem números.
05:35Tem números.
05:36A coisa já está...
05:37O Banco Central ali na frente vai fazer uma avaliação disso tudo.
05:42Mas essa simplificação do crédito já está acontecendo.
05:46Esse é o ataque do passado.
05:47Agora tem o ataque do futuro também a esses spreads muito altos.
05:50Que são as fintechs.
05:52As fintechs estão vindo também.
05:54Mas ainda há muita burocracia para a abertura da fintechs.
05:57Sim, mas já abriram dezenas.
05:58O próprio presidente do Banco Central disse um dia desse que tem lá uma fila com mais de 20 pedidos de...
06:03Sim, mas já abriram outros 20.
06:06Então você vê que a coisa já está começando a aumentar.
06:09E isso vai...
06:11A indústria que mais cresce no mundo, a indústria financeira que mais cresce no mundo, eles chamam de crédito alternativo.
06:17Que é justamente em vez de ser o crédito bancário convencional, é uma indústria que vem das empresas de private equity, etc.
06:24Agora...
06:25São fundos de crédito.
06:28O Brasil ainda vai chegar nos fundos de crédito.
06:30Mas isso é compatível, esse modelo.
06:34O que acontece muito no Brasil, você vem com essas ideias novas.
06:38empresas, startups surgem, começam a crescer, mas como os bancões ainda têm muito poder, eles vão lá e compram.
06:48Bom...
06:49E aí você tem um órgão de fiscalização que...
06:53Andou meio de olhos fechados.
06:54Que permite tudo.
06:56E aí eles continuam controlando.
06:58Eu acho que mudou.
06:59Eu costumo dizer, ministro, que é o seguinte.
07:02No Brasil, o poder político, ele é franqueado pelo poder econômico.
07:08Tanto é, o show aqui é uma exceção à regra, mas quando a gente olha para trás, todos os governos eram sempre os mesmos ministros, o mesmo grupo de ministros da economia.
07:18Quem vai ser o ministro?
07:19Quem vai ser o ministro da Fazenda?
07:21Então você circulava sempre os mesmos nomes.
07:23Inclusive a própria imprensa, a imprensa comercial, a imprensa tradicional, essa imprensa velha que está aí decaindo,
07:29ela sempre ouve os mesmos analistas, que estão sempre na imprensa, na mídia, para criticar qualquer ideia inovadora.
07:39Essa é a realidade.
07:40Quando a gente faz um paralelo a isso, por exemplo, com a Lava Jato.
07:43A Lava Jato vinha muito bem até começar a chegar nos bancões, nos grandes bancos.
07:49Aí começou a investigação em Bradesco, o próprio Palocci que entregou vários bancos, Safra, Itaú, o próprio Brasil.
07:57Enfim, nominou vários executivos, vários bancos, vários episódios, pagamento de propina.
08:05Nós tivemos aí diversas investigações, investigação no CARF, investigação no mercado, na CVM, enfim.
08:16A verdade é que quando nós tivemos essa grande investigação, essa grande operação,
08:21esse grande esforço de mudança cultural no Brasil em termos de relação do público com o privado,
08:29você, justamente, quando você chega em duas coisas, bancos e judiciário, você trava.
08:36E aí passa a haver uma dinâmica inversa para a destruição desses avanços que foram alcançados,
08:42que são avanços que são cobrados, inclusive, pela OCDE, que teve aqui recentemente.
08:46Todo mundo, os americanos agora.
08:49Os americanos e aquilo que faz a diferença entre um país subdesenvolvido e um país desenvolvido.
08:54Para a gente entrar nesse grupo de países envolvidos, seja um grupo formal ou não,
08:59mas para a economia, ela precisa ser transparente, precisa ser livre, precisa ser limpa.
09:06É isso mesmo, Cláudio.
09:07Então, como conseguir, aí é a questão do maestro, como você conseguir avançar nessa dinâmica do passado, do futuro que o senhor mencionou,
09:20se você ainda tem, essas forças econômicas ainda têm muito poder?
09:27Cláudio, você descreveu o que eu chamo de a dinâmica de uma sociedade aberta.
09:33Eu acredito nisso e, na minha opinião, isso está se desenrolando a olhos vistos.
09:40Nos últimos 10, 15, 20 anos, nós estamos vendo essa dinâmica acontecer.
09:45Nós estamos vendo os poderes declarando sua independência com impeachment à direita e impeachment à esquerda,
09:50o Legislativo declarando a independência.
09:53Aí o Executivo tentou comprar sustentação parlamentar, despertou o Judiciário, o Ministério Público, todo mundo.
09:59E aí começou esse movimento que você descreveu, da Lava Jato, a opinião pública na rua, 13 milhões de pessoas.
10:07Pacificamente, a cada três meses, as pessoas vão à rua e se manifestam a favor dessa dinâmica construtiva.
10:15E nós, na campanha, sempre dissemos, eu tenho que ficar na dimensão econômica.
10:21Então, o que eu digo é o seguinte, o modelo dirigista, o modelo centralizado, ele corrompeu a política e ele estagnou a economia.
10:35Isso, para mim, é um desenvolvimento claro, é histórico.
10:37Isso aconteceu na União Soviética, isso aconteceu na Alemanha, isso aconteceu na França de Tocqueville,
10:47na França da Revolução Francesa ainda, quando a administração central, centralizada, virou uma máquina de privilégios,
10:55de aristocracia, de barões feudais que não pagavam, não pagavam impostos, tinham privilégios.
11:01E o povo, insatisfeito, começa a protestar, a protestar.
11:06E como você não transforma, essa é a análise do Tocqueville, como você não consegue fazer a transição econômica,
11:12os mais nobres ideais se transformam no terror jacobino, nas guerras napoleônicas e a França se perde.
11:20Ao contrário dos americanos, que conseguem também, fizeram a sua independência também um pouquinho antes,
11:26e de ex-colônia viram uma superpotência, enquanto a França desce no curso da história, de importância.
11:35Então, me incomoda muito essa transição incompleta.
11:38Nós desenvolvemos uma máquina estatal numa ordem politicamente fechada, no regime militar.
11:45Quando nós começamos o movimento para a abertura política, nós fizemos a nossa glasnote,
11:52nós não fizemos a perestroika, nós não conseguimos transformar a máquina,
11:56nós nos perdemos numa hiperinflação que levou 10, 15 anos.
11:59O resultado final é que o governo acabou gastando muito, e gastando muito mal,
12:03porque ele não desmontou a máquina antiga, ele não cortou os privilégios,
12:06ele perdeu tanto tempo combatendo a inflação com juros muito altos,
12:10em vez de atacar os privilégios e a parte fiscal,
12:12que ele consagrou essa combinação perversa de juros na lua,
12:20porque ele não tinha coragem de enfrentar os privilégios e atacar a parte fiscal.
12:24Então, ele botava o juros na lua e impostos muito altos e foi estagnando a economia.
12:28Enquanto isso, corrompendo a política devagar, com favores, com privilégios, com isso tudo.
12:33Ora, politicamente, nós temos que completar essa transição rumo à grande sociedade aberta, à democracia.
12:42Temos que começar a prender banqueiro, né?
12:43Nós temos que fazer, nós temos que fazer, na verdade, completar essa transição.
12:49Onde tem seis banqueiros, tem que ter uma competição enorme para derrubar esse spread.
12:53Onde houver, e essa luta que nós estamos assistindo, a que você se referiu,
13:00ela é uma luta profundamente democrática, é uma demarcação do território.
13:04Até onde vai a ação do Ministério da Justiça sem se configurar no abuso de autoridade?
13:10E vice-versa.
13:11Até onde vem o trabalho do Ministério Público?
13:14E até onde vem também o trabalho do Supremo, do próprio Legislativo, sem se configurar também uma proteção à impunidade.
13:23Então, o que nós estamos assistindo é esse conflito, demarcação de territórios profundamente democráticos.
13:28Mas no meio disso você tem a população, você tem o cidadão que começa também a participar mais,
13:33vai para as redes sociais e muitas vezes não sabe como se manifestar, xinga, pede prisão.
13:38A própria eleição do presidente é embalado por redes sociais e novas empresas disruptivas como o Antagonista,
13:52enquanto a mídia oficial estava presa, apaixonada pelo establishment, considerando só as candidaturas óbvias,
14:00enquanto o povo, na verdade, estava em outra.
14:02O povo estava dizendo o seguinte, quando o establishment perde a decência, nós vamos procurar outra alternativa.
14:07Mas o establishment é bem forte, tanto é que o Supremo abriu um inquérito para prender a tia do WhatsApp,
14:15o general de pijama que fica se manifestando, inclusive censurou o nosso próprio site, a nossa revista.
14:22Eu estou insistindo nisso porque eu acho que a gente está num momento chave para que todas essas iniciativas
14:29que estão sendo colocadas na mesa pelo seu governo, elas tenham sucesso ou elas tenham fracasso.
14:37Quando a gente percebe, quando a gente fala de juros, novamente, você tem o crédito na mão desses bancos,
14:45são bancos que não assumem nenhum risco.
14:50Essas entidades financeiras, elas emprestam e elas colocam todo o risco do empréstimo
14:56ou na conta do tomador de empréstimo, que é o contribuinte, o consumidor, ou ela coloca na conta do Estado,
15:05sempre garantindo ali que vai ser salvo lá na frente pelo Tesouro.
15:09E transforma o mercado num cassino, que ele aposta, só que é um cassino que ele aposta sem risco.
15:16A gente teve a crise do subprime no americano, que era um pouco nessa linha.
15:21O pessoal fazia crédito sob crédito, tranches sob tranches e daqui a pouco você tinha um mercado de crédito
15:30em cima de certificados daqui com risco que ia até de A a Z.
15:33Houve evidentes, excessos, abusos.
15:35E isso virava uma moeda, quer dizer, e essa moeda acabava interferindo também.
15:40Isso teve um custo político e foi a ruptura.
15:43A própria eleição do Trump, tudo isso foi uma ruptura com o Estado.
15:46Esse risco não está presente ainda na nossa economia?
15:49Olha, existe... A grande verdade é o seguinte, esses abusos dos financistas sempre existiram.
15:57E o mais interessante é o seguinte, é que o governo não precisa nem fazer maldade com eles.
16:02Basta não garantí-los quando eles se colapsam.
16:05Se nos Estados Unidos, quando houve o colapso, o excesso, a bolha que eles experimentaram,
16:09se você garantisse todas as poupanças, até 2 milhões de dólares, 3 milhões de dólares,
16:13o número que fosse para salvar 90% da população brasileira,
16:17bilionários, milionários que têm recurso lá, cleptocrata russo,
16:22sauditas, guerrilheiros, todo mundo tinha perdido dinheiro.
16:28Bilionários americanos tinham perdido dinheiro e pronto.
16:31Não é uma obrigação...
16:32Bilionários brasileiros.
16:33Também, não é uma obrigação do contribuinte sustentar um banco que quebrou.
16:39Então, realmente houve abusos.
16:41E o preço disso vem nas eleições depois.
16:44Houve o Wall Street, movimento Wall Street contra Wall Street.
16:47Quer dizer, isso na verdade é uma descrença no establishment.
16:50E aí as urnas vão justamente, quando elegem o Trump, elas estão dizendo,
16:54chega dessa conexão aí de banqueiro com o financista, chega, nós queremos algo diferente.
16:59Então, isso é natural.
17:03A única coisa que eu acho é que isso é evolucionário.
17:06Isso não é uma revolução, não é zero ou um, não é algo que vai acontecer ou ganhou o establishment,
17:14ou ganharam os revolucionários.
17:16Não é assim.
17:17É uma evolução.
17:19Nós estamos atravessando isso agora.
17:22É claramente um épico institucional que nós estamos assistindo no Brasil.
17:25Mas o senhor é capaz de romper, até no seu círculo de amizades pessoal,
17:32porque o senhor vem do mercado também e o senhor tem relação com vários desses financistas e banqueiros.
17:38Eu sempre fiz o mesmo discurso.
17:40Eu sempre fiz o mesmo discurso.
17:41Mas uma coisa é fazer o discurso na universidade, outra coisa é fazer na prática.
17:45Nós estamos tentando fazer a mesma coisa.
17:46O senhor teme perder a amizade?
17:48Olha, hoje eu liguei para um amigo e ele estava claramente na linha e ele não atendeu.
17:56E é um amigo que está do outro lado da cerca.
17:59Aí eu liguei a segunda vez, de novo apagou.
18:04Aí eu mandei para ele, falei assim, olha, eu não acredito que nós não vamos conversar.
18:12Ele virou assim, eu estou fazendo minha filha dormir, daqui a pouco eu ligo para você.
18:16Então, de vez em quando eu tenho um receio desse, que as paixões políticas nos impeçam de ver que a força de uma democracia está exatamente nessa interação.
18:32Vai mais um pouco do que paixão política.
18:35Nesse caso, vai no âmago do interesse direto de cada grupo.
18:40Que seja, vale para paixões políticas e vale para interesses pessoais e financeiros.
18:45Eles não podem estar acima da busca da situação correta, da conversa afável, do chegar...
18:53Eu sou mal interpretado toda hora quando falo sobre isso.
18:56Eu estava fazendo um elogio à democracia.
18:59Aliás, você foi um dos que entenderam e me protegeram das acusações.
19:04Bem óbvio, né?
19:05Pois é, mas nós nem tínhamos conversado e quando eu fui ver, você não foi vítima do analfabetismo funcional ou da cegueira ideológica e botou uma opção de gente atribuindo a mim coisas que eu não faço ou não defendo.
19:20Quer dizer, evidentemente, eu não defendo extremos, eu não defendo situações de extremos.
19:27Eu sou contra qualquer violência.
19:29Seja a violência do cara que chama para o quebra-quebra, chega outro que levanta.
19:32Então, já que é quebra-quebra, vamos para o quebra-quebra.
19:34Então, eu sou claramente um apologista da grande sociedade aberta.
19:38Eu acredito que nós estamos vivendo isso virtuosamente.
19:43O Congresso, o Supremo, o TCU, aqui em Brasília, na agenda econômica, eles estão abraçando as reformas.
19:51E as reformas estão avançando.
19:52A gente viu o fortalecimento de vários desses órgãos de persecução penal.
20:00Agora estamos numa discussão difícil, mas que, felizmente, ela foi, pelo menos nessa última discussão no STF,
20:08em relação aos órgãos de controle, compartilhamento de dados do COAF, da Receita Federal.
20:14A gente viveu, nos últimos meses, uma série de derrotas nessa área, de retrocessos nessa área.
20:23Agora, uma coisa que sempre permanece para mim ali, eu fico muito curioso, por isso que eu lhe pergunto,
20:30é assim, os órgãos de controle do mercado, o senhor acha que a CVM faz um bom trabalho?
20:40Olha, eu vou te dizer uma coisa, quando a Petrobras...
20:43Depois de Aik, depois de...
20:45Eu acho que a Petrobras, eu acho que esse é um exemplo interessante, que é o seguinte.
20:49A Petrobras, a Eletrobras, são empresas listadas em bolsa.
20:53E elas foram destruídas financeiramente.
20:56Elas foram destruídas financeiramente.
20:57Então, aquela ilusão de que quando você abre o capital de uma empresa, ela está protegida,
21:02mesmo que seja estatal, ela vai ser bem gerida.
21:03Quer dizer, a Petrobras foi assaltada à luz do dia.
21:07Os fundos de pensão?
21:08E eu realmente não vi uma cobrança firme da CVM, uma atuação firme da CVM nessa dimensão.
21:16E o que é possível fazer para mudar, para melhorar?
21:19Isso é uma evolução institucional.
21:22Você tem que botar um cara muito bom lá, que acredita nisso, que fortaleça.
21:25Eu vou te dar um exemplo do que aconteceu recentemente comigo.
21:28Coaf.
21:29Coaf foi depositada no Ministério da Economia.
21:34Ora, a proximidade da Coaf com a Receita Federal dá poder demais para quem estiver com esses
21:42dois órgãos.
21:43Porque se você perde os últimos 15 anos na Coaf de alguém e os últimos 15 anos de
21:47alguém na Receita Federal, você pode perseguir quem você quiser, fazer o que você quiser.
21:51Então, quando depositaram isso lá, eu na mesma hora pensei, onde no Departamento de Economia,
22:00já que eu estou no Ministério da Economia, onde isso ficaria melhor?
22:04Ora, há 30 anos nós defendemos o Banco Central independente.
22:09Independente no sentido de perseguir o seu mandato de estabilidade do poder de compra
22:13da moeda, de preservar os salários, preservar o valor das aposentadorias, o valor da poupança.
22:19Quer dizer, que não é molestado pelo Executivo querendo ser reeleito, que não é molestado
22:25pelo Legislativo, por ninguém, pelo Judiciário.
22:29Ele está lá, independente, isolado, fazendo a missão dele.
22:32Nem pelo mercado.
22:32Nem pelo mercado, principalmente pelo mercado.
22:35Porque também criou-se uma tradição de aquilo fabricar as pessoas que elas vêm do
22:43mercado e voltam para o mercado.
22:44É natural porque...
22:45Mas o nosso presidente hoje vem do mercado também.
22:46É natural porque são especialistas.
22:48Sim.
22:48É natural porque são especialistas.
22:50E cada vez mais os quadros internos, a diretoria tem sempre um mix muito grande.
23:02Vêm dois, três de fora, mas também tem três, quatro, cinco que são de dentro.
23:06Então, essa tradição está se fortalecendo.
23:09E o Banco Central é efetivamente hoje uma instituição muito madura.
23:13Se você observar, o governo Temer estava fragilizado, tinha 4% de aprovação nas urnas.
23:18Era um governo completamente impopular e ele conseguiu puxar uma inflação de 11% para
23:234% pelo aperfeiçoamento institucional do Banco Central.
23:30O Banco Central não perguntou quem é o presidente da República, quem não é, se ele quer ser eleito.
23:33E aí, com essa expectativa, o senhor resolveu botar o COAF para lá.
23:36Quando eu coloquei o COAF lá, foi interessante porque todas as partes que estavam preocupadas
23:43entenderam claramente onde estava agora depositado esse órgão.
23:48Ele está longe o suficiente, ele está fora do alcance de qualquer um.
23:53Então, quem estava procurado com abuso de poder, falou,
23:56bom, agora as mãos de quem está tentando abusar o poder já não entram lá.
24:01Quem, ao contrário, estava preocupado com a impunidade, está falando o seguinte,
24:05bom, agora as mãos de quem quer proteger a impunidade também não chegam mais lá.
24:09As mãozinhas do Toffoli tentaram chegar lá.
24:13Eu me abstenho de comentários específicos.
24:18Eu digo sempre o seguinte, toda vez que tem um problema conceitual assim,
24:24eu tento formular uma solução.
24:26E a solução tem que ser estruturalmente robusta, quer dizer, tem que ser algo...
24:30E, curiosamente, gente de todos os lados ligou parabenizando.
24:36Os que estavam preocupados com a impunidade ligaram e falaram assim,
24:39pô, até que enfim, está no lugar onde a...
24:42O senhor concorda com essa decisão, com a maioria, com essa decisão que foi majoritária no STF
24:46de permitir o compartilhamento total desses dados do COAF, da Receita,
24:52com o Ministério Público, com a Polícia Federal?
24:54O senhor concorda com esse fluxo de informação?
24:57Olha, tudo que não for, tudo que não for de economia,
25:02Eu tenho sempre que preservar a minha opinião, porque, teoricamente, tem que perguntar isso para outras pessoas.
25:09Mas o que eu digo é o seguinte, pensa sempre na grande sociedade aberta.
25:12Você acha que, numa grande sociedade aberta, os dados das pessoas,
25:17quando, sob investigação, devam ser compartilhados por quem está...
25:22A resposta é sim.
25:25Agora, ao mesmo tempo, você acha que, por ter os dados lá,
25:29alguém pode chegar lá e tentar arquitetar perseguições políticas?
25:34A resposta é não.
25:35Claro.
25:35Então, você tem que buscar os aperfeiçoamentos institucionais que garantam isso.
25:52Então, você tem que buscar os aperfeiçoamentos institucionais que garantam isso.
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