Pular para o playerIr para o conteúdo principal
O debate cultural brasileiro foi tomado por lugares-comuns irrefletidos, que partem, não raro, da própria universidade e das instituições culturais financiadas com dinheiro público.

Papo Antagonista é o programa que explica e debate os principais acontecimentos do dia com análises críticas e aprofundadas sobre a política brasileira e seus bastidores.

Apresentado por Madeleine Lacsko, o programa traz contexto e opinião sobre os temas mais quentes da atualidade. Com foco em jornalismo, eleições e debate, é um espaço essencial para quem busca informação de qualidade.

🕕 Ao vivo de segunda a sexta-feira às 18h.

Não perca nenhum episódio! Inscreva-se no canal e ative o sininho para receber as notificações.

#PapoAntagonista

Apoie o jornalismo Vigilante: 10% de desconto para audiência do Papo Antagonista:

https://bit.ly/papoantagonista

Acompanhe O Antagonista no canal do WhatsApp. Boletins diários, conteúdos exclusivos em vídeo e muito mais.

https://whatsapp.com/channel/0029Va2SurQHLHQbI5yJN344

Leia mais em www.oantagonista.com.br | www.crusoe.com.br

Categoria

🗞
Notícias
Transcrição
00:00Projeto Oruan Sinfônico. É isso mesmo, Josias, a gente vai ter um Projeto Oruan Sinfônico aqui no Teatro Municipal de São Paulo?
00:13Pois é, então, existe o de imaginação, porque isso não aconteceu, ainda não aconteceu,
00:22mas eu faço uma reflexão de como é a tendência natural do que foi feito no Teatro Municipal nos últimos anos.
00:30Ou seja, com a Sustenidos, a Organização de Cultura, eles trataram de trazer o que eles entendem como periferia,
00:39que é uma visão muito caricatural da periferia, para o centro do principal teatro de ópera de São Paulo.
00:48Então, eles colocaram lá, tem a coisa dos índios no Guarani, que eu acho que até agora,
00:55eu escrevi sobre isso e foi a coluna mais lida da minha coluna até hoje.
01:01Então, foi o texto sobre o Guarani, a ópera feita por quem odeia a ópera.
01:06E aí, o sentido do artigo é muito simples, ou seja, se o Teatro Municipal foi usado para trazer,
01:14para colocar o funk, para colocar os passinhos, para virar tudo que não é ópera,
01:21então é natural que uma hora vai chegar o Oruan lá para você tocar com a orquestra.
01:28E aí, o que acontece é o seguinte, semana passada, eu já estava com essa ideia de artigo há um tempo já,
01:34mas aí, semana passada, aconteceu um fato, que foi, fizeram um show de Nação Zumbi,
01:4330 anos da banda Nação Zumbi, com orquestra sinfônica, o que eu acho de extremo mau gosto.
01:50Eu acho que, assim, é colocar uma orquestra desse tamanho, para ser coadjuvante,
01:54de um show que não combina com orquestra, eu achei uma coisa muito brega.
02:00Mas, veja bem, isso é a minha opinião.
02:02Agora, o que não é a minha opinião é que o que foi feito é um absurdo,
02:07porque as pessoas estão pulando ali nos camarotes, na plateia,
02:12e o teatro é muito delicado, ele tem 114 anos, ele foi feito de madeira e de ferro.
02:18Então, a gente anda, quando a gente anda lá nos camarotes, a gente já nota a fragilidade daquilo.
02:23Se você pisar mais forte, você sente a coisa tremer.
02:26E ele não foi feito para 1.500 pessoas pulando.
02:30Isso pode danificar o teatro.
02:32Então, eu fiz uma denúncia, a vereadora Janaína Pascoal,
02:35repassou a denúncia para a Secretaria de Cultura,
02:39que foi lá averiguar, disse que, a princípio, nenhum dano aconteceu ao teatro.
02:46Mas, de qualquer forma, é um absurdo que isso esteja acontecendo,
02:49mais uma vez, mais um absurdo, que aí não é uma questão artística,
02:54é uma questão de segurança mesmo.
02:56É uma questão de respeito ao patrimônio histórico,
02:58que está sendo tão vilipendiado nos últimos anos.
03:01Então, e pode acontecer o seguinte, pode não danificar de cara,
03:06mas pode danificar depois a estrutura do teatro.
03:09Porque ali foi feito para as pessoas estarem sentadas,
03:13e elas se aglomeraram toda na frente, começaram a pular.
03:16E olha só, o teatro foi feito por apresentações acústicas,
03:20ou seja, sem amplificação.
03:22Então, e ali uma coisa amplificada, com som altíssimo,
03:26e estavam lá as senhores da Sustenido, André e Saturnino,
03:30que cuidam dessa organização social,
03:32ambulando também.
03:34E é muito interessante que as pessoas...
03:36O teatro municipal é sempre...
03:38A conclusão do artigo que eu faço lá,
03:40é que o teatro municipal é sempre notícia
03:44por critérios estatísticos.
03:46Então, é sempre por militância identitária,
03:50é sempre por, por exemplo, trazer prostitutas para o palco
03:54e colocar lá na...
03:56Na ópera, numa manifestação contra a putofobia,
04:00entre aspas aí,
04:01que eu não sei nem se essa palavra existe,
04:02ou se eles interpretaram essa palavra.
04:05Então, eles fizeram uma manifestação,
04:08colocaram cartazes contra a putofobia.
04:11Olha, a defesa da prostituição não é um consenso
04:14nem no movimento feminista.
04:17Então, é uma coisa complicadíssima aquilo que foi feito,
04:20é uma coisa que tem...
04:21E o diretor, que é o Kiko Goifman,
04:23no evento que tem antes,
04:26ele chegou e disse, perguntaram a ele,
04:28ah, como é que foi o seu caminho para chegar a dirigir uma ópera?
04:30Ele disse, olha, eu não entendo nada de ópera,
04:33eu nunca entendi, eu vim aqui só para pagar boletos.
04:37Então, é brincadeira, né?
04:39O José está falando...
04:43Acho que a gente estava juntos nessa coisa da putofobia, lembra?
04:49Não.
04:49Sim.
04:50E assim, e era uma ópera,
04:53era a ópera do Piazzolla,
04:56Maria de Buenos Aires,
04:58que é lindíssima,
04:59é lindíssima,
05:00ela tem...
05:01Eu gosto de vários trechos dessa ópera,
05:05são muito famosos,
05:06inclusive no cinema,
05:08mas o João Carlos Matins faz a apresentação com o Oblivion,
05:12que faz um sucesso enorme,
05:15é uma ópera linda,
05:16linda, linda,
05:17e que tem uma história que se ramifica pela música pop,
05:21é uma obra importantíssima.
05:23E, assim,
05:27se não fossem os músicos,
05:28a gente ficou lá,
05:29eu fiquei lá com dó dos músicos,
05:32porque os músicos estavam dando o sangue.
05:35Mas, assim,
05:36tinha pessoas que eles diziam,
05:38eu não sei se eram mesmo prostitutas ou não,
05:40mas que diziam ser prostitutas,
05:42com o peito de fora,
05:43recitando uma coisa que não tinha nada a ver
05:46com a ópera,
05:48e que era uma coisa meio de lacração,
05:51e disso, daquilo.
05:52Sim,
05:54eu não sou contra ele fazer isso
05:56num espaço dele,
05:58onde as pessoas que têm mau gosto igual
06:01pagam para ver porcaria,
06:02e é direito deles,
06:04e é direito meu achar que é porcaria,
06:06e é direito deles achar que eu sou chata.
06:08Agora, ali,
06:09o Teatro Municipal de São Paulo,
06:12ele tem um propósito,
06:14e ele é financiado com dinheiro público
06:16por um propósito,
06:18porque se acredita que o cidadão tem o direito
06:20de ter acesso a um determinado tipo de cultura
06:23que não é aquela que dá mais lucro
06:26e que vai chegar naturalmente ao cidadão.
06:28Mas o cidadão tem direito
06:30de ter o que é bom também.
06:32E, assim,
06:33para mim é tristíssimo,
06:35Josias,
06:36ver esse tipo de coisa,
06:37essa falta de compromisso,
06:39porque para ver lá,
06:40para ver o que a gente viu lá,
06:43da parte desse cara,
06:44pode ir em qualquer show aí na noite,
06:47no centro da cidade,
06:48está ótimo.
06:50Agora, a ópera não é em todo lugar
06:52que a pessoa tem acesso, né?
06:54Pois é,
06:55e sabe o que eles fizeram?
06:56Eles pegaram as prostitutas
06:58de uma associação de prostitutas,
07:01e elas são já idosas,
07:02e elas apareceram lá no palco,
07:06sem minuas,
07:08e o que acontece?
07:10No dia que eu fui com você,
07:12eu fui duas vezes na ópera,
07:13no dia que eu fui com você,
07:15Madá,
07:15a gente não teve a manifestação
07:17contra a putofobia,
07:20mas no segundo dia que eu fui,
07:21teve,
07:21eles colocaram cartazes,
07:23o segundo dia que eu fui,
07:24foi a última apresentação.
07:27E, assim,
07:27musicalmente estava muito ruim,
07:29porque o Bandoneon
07:30não dava para ouvir suficientemente,
07:31colocaram uma cantora lírica,
07:34a ópera não é lírica,
07:35é tango mesmo,
07:36é uma cantora,
07:37deveria ser uma cantora de tango.
07:39E aí,
07:39a coisa,
07:40sob qualquer ponto de vista possível
07:41e imaginável,
07:43aquilo foi um fracasso.
07:44Só que é um fracasso
07:45feito com muito dinheiro público,
07:47porque o orçamento
07:48do Teatro Municipal de São Paulo
07:49é 167 milhões de reais por ano,
07:53da prefeitura,
07:53direto à Prefeitura de São Paulo,
07:55sem contato com patrocínios.
07:56Para vocês terem uma ideia,
07:57o que o governo do Estado
07:58repassa para a USESP
08:00é cerca de 80 milhões,
08:04acho que 80 ou 90 milhões,
08:05ou seja,
08:06muito menos do que o Teatro Municipal.
08:08E aí você vai na Europa
08:10e você vê,
08:11tem ópera todo santo dia,
08:13entendeu?
08:14Tem ópera ou concerto
08:15todo santo dia.
08:19E aí,
08:19chega aqui em São Paulo,
08:21tem seis óperas num ano,
08:23que é essa programação,
08:24na época que o prefeito
08:25era caçado,
08:26tinha 12 óperas,
08:27foi ali quando o teatro
08:28foi restaurado.
08:29Agora tem seis,
08:31é um escândalo que está acontecendo,
08:33tão poucas óperas,
08:35todas têm um critério de militância,
08:37todas é discurso de militância,
08:40todos o debate é sempre temático
08:42e não artístico,
08:44então ninguém está debatendo ali
08:46a questão da essência da ópera,
08:47o que pode ser feito,
08:48nós estamos debatendo o que?
08:50A militância,
08:51o tema das óperas,
08:53então é uma coisa
08:54que tem desagradado o público muito,
08:56a ponto de que o público
08:57está se manifestando mesmo,
08:58deu confusão,
09:00começou a dar confusão,
09:01as pessoas começaram a gritar,
09:02e no meio também estava,
09:03tá gente,
09:03sinto muito nesse aspecto aí,
09:05eu não fui,
09:06vou dizer,
09:07jornalisticamente,
09:09me envolvi na questão,
09:11mas o fato é que
09:12não dá para aguentar,
09:13tem coisa que não dá para aguentar.
09:15Você falou do Kassab,
09:17eu acho que volta um tema
09:18que eu e a Duda
09:18a gente estávamos conversando aqui,
09:19Duda,
09:20no comecinho do programa,
09:21que é a qualidade do homem público,
09:23a qualidade intelectual,
09:26eu digo,
09:26porque assim,
09:28por que que com o Kassab
09:29tinha 12 óperas
09:30e as óperas funcionavam?
09:32Porque ele sabe
09:32o que que é uma ópera,
09:35ele frequenta
09:36todo tipo de coisa,
09:38você vai ver o Kassab
09:39em todo tipo
09:39de manifestação cultural,
09:41e essas que são financiadas
09:43pelo Estado,
09:44música lírica,
09:45a OZESP,
09:47o teatro,
09:47ele sabe o que é
09:48e ele frequenta,
09:50é diferente,
09:52é diferente,
09:53o cara que vai só
09:54no funk e no sertanejo
09:56não é preconceito
09:58da minha parte,
09:58é conceito,
09:59o cara que vai só
09:59no funk e no sertanejo
10:01é difícil até
10:02o pessoal do corpo técnico
10:05conseguir explicar
10:06para ele
10:07o que é que está acontecendo
10:10nessa história da cultura,
10:11né?
10:23o que é que está acontecendo?
10:26O que é que está acontecendo?
Comentários

Recomendado