00:00E agora vamos falar sobre um outro ex-ministro, outro ex-ministro do STF e também ex-ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski.
00:09Em 2024, o então ministro da Justiça comprou por R$ 9,4 milhões um imóvel de Alan de Souza Yang, conhecido como China,
00:20alvo da Polícia Federal por sonegação bilionária no setor de combustíveis.
00:26A aquisição foi feita com o uso da empresa familiar que mantinha sociedade com seus filhos.
00:33Meses antes desse negócio, a mesma casa havia sido vendida à esposa do próprio China por R$ 4 milhões, menos da metade do valor pago pelo ministro.
00:45Um mês após a venda, a residência foi bloqueada pela Justiça Federal de São Paulo em virtude do desdobramento das investigações contra a China.
00:53Isso significa que ela não pode ser vendida e que se os investigados forem condenados, ela poderá ir a leilão.
01:04Rodolfo Borges, que história estranha essa, não?
01:06Olha, cada dia é uma história mais esquisita e assim, para além de tudo o que tem, né, de gente investigada, de ex-ministro,
01:17e quando ministro, o escritório da família recebia, estava também recebendo do...
01:23Olha, de tudo isso eu vou ficar só com o seguinte, o Lewandowski, a carreira dele, é ministro do Supremo, mais recente, né, e foi ministro da Justiça.
01:35R$ 9 milhões de reais.
01:38Vocês acham que é um valor correspondente?
01:40E aí a gente pega a história do Banco Master, JBS, assim, não tem como a gente falar aqui, né, diretamente sobre cometimento de crime,
01:52agora a gente pode falar sobre questões éticas.
01:55Então é muito dinheiro circulando na mão de um ex-ministro aposentado do STF,
02:02um ex-ministro do governo Lula, estava até outro dia no governo Lula, né, logo depois que saiu do STF,
02:07serviu aí grandes empresas, está aí na história do Banco Master também,
02:12é, olha, muito rolo, muito rolo para um ministro só.
02:17Wilson?
02:20É, o comentário do Rodolfo foi perfeito, é muito rolo para um ministro só.
02:25E nessa, e na própria matéria do Estadão, o ex-ministro Ricardo Lewandowski,
02:29disse que, ah, não sabia, disse que não tinha conhecimento, etc e tal.
02:34Agora, sabe o que eu fiquei pensando, Inácio?
02:40Eu fiquei pensando na inteligência ali de uma ala da Polícia Federal,
02:46porque eu fico imaginando a seguinte situação,
02:49se você tem uma inteligência ali boa da PF,
02:52dependendo ali, principalmente a que mira, a que trabalha diretamente com o ministro,
02:56obviamente que eles devem fazer um pente fino em certas operações.
03:03E essa ficou muito estranha.
03:05Obviamente, como disse o Rodolfo, não há nenhum elemento que caracterize crime,
03:10não há nenhum elemento ilícito nessa transação.
03:12O próprio Lewandowski disse que não há nenhum tipo de ilegalidade.
03:14Mas, no mínimo, é muito curioso quando você puxa a escritora do imóvel
03:22e você vê essas relações um tanto quanto que curiosas.
03:26Eu, eu não sei o Ricardo, mas eu assim, eu já negociei carro
03:32e antes de assinar um cheque de compra e venda,
03:37um documento de compra e venda, eu dei uma pesquisada no dono do carro
03:41para saber se eu não estou me metendo num rolo.
03:44Então, eu acho muito curioso que um ex-ministro de Suprema Corte
03:49e ministro da Justiça não tenha adotado uma cautela semelhante.
03:54Kertzman.
03:57Bom, vamos lá.
03:59É muito interessante isso.
04:01A luz do direito, a luz das transações imobiliárias,
04:04não tem nada, nada, que traga alguma, qualquer forma de suspeita
04:12com relação ao ministro Lewandowski.
04:15O problema aqui, Inácio, aliás, ao contrário, tá?
04:20Nesse caso, o ministro Lewandowski seria o adquirente de Boa Fé,
04:24o terceiro de Boa Fé.
04:26É até injusto, assim, em primeira análise,
04:30é até injusto esse bloqueio do imóvel,
04:34porque na hora de comprar,
04:36se no cartório, se na ficha do imóvel não havia nenhuma restrição,
04:42o imóvel estava livre e desimpedido,
04:44ele é o adquirente de Boa Fé,
04:46esse imóvel legitimamente é dele.
04:48Ponto.
04:49O grande problema aqui é que se trata do ex-ministro do Supremo
04:53e do ex-ministro da Justiça.
04:56E se trata também de um cara, né, do China aí,
04:58que foi preso.
05:01Essa é a grande questão aqui.
05:04E é o que o Wilson falou, caramba.
05:07Pô, se quaisquer um de nós, Inácio,
05:10de comprar um carro velho,
05:12a gente vai lá ver quem que é o dono do carro velho,
05:16pô, será que um cara do tamanho, né, do Lewandowski,
05:19não procura saber de quem é esse imóvel?
05:22E aí, eu vou dar uma dica para os nossos colegas do Estadão
05:25que fizeram a matéria, né, ou mesmo para a gente aqui,
05:29no Antagonista, porque o Lewandowski diz,
05:32né, pelo menos é o que está na matéria,
05:34que ele nunca ouviu falar do China,
05:37nunca o conheceu,
05:39e que só teve contato com ele
05:41no momento da transação do imóvel.
05:44Bom, uma transação neste valor,
05:47um imóvel deste valor,
05:49eu acho que é muito difícil
05:51que não tenha tido uma corretora no meio do caminho, né,
05:55uma empresa de imóveis, uma imobiliária.
05:59Eu acho muito difícil que o ministro tenha procurado lá na internet,
06:03nesses sites de anúncios,
06:05encontrado uma mansão de quase 10 milhões de reais,
06:08ligado para o China,
06:09o China, ó, estou querendo comprar,
06:11olhei lá no cartório, está tudo direitinho,
06:13eu vou e compro,
06:14nunca te vi, nunca vou te ver novamente.
06:17Então, se houve uma empresa, né,
06:20uma corretora que intermediou essa operação,
06:25é obrigação, pelo menos nas corretoras éticas,
06:29nas boas corretoras,
06:30saber exatamente quem é o vendedor,
06:34justamente para que o comprador
06:35não se veja numa situação dessa.
06:37Então, eu acho que seria interessante ouvir, né,
06:40ou saber quem foi essa corretora
06:42e saber como que isso se deu.
06:44Ficaria mais claro ainda,
06:46se é que o ministro tem toda a intenção
06:47de querer mostrar que ele realmente
06:49é um adquirente de boa fé
06:51que nunca viu o China na vida,
06:52seria um bom caminho, assim, a percorrer.
07:07E aí
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