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Em entrevista ao Real Time, o economista Fernando de Holanda Barbosa Filho, do FGV Ibre, analisou os dados da PNAD Contínua e do Caged. O desemprego caiu para 6,6%, a menor taxa da série, e a renda real cresce acima da produtividade. 

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Transcrição
00:00A gente recebe agora, para falar sobre os dados da PNAD Contínua e do Caged,
00:04o Fernando de Holanda Barbosa Filho, do FGV Ibre.
00:08Fernando, bom dia para você, seja bem-vindo.
00:11Bom dia, Marcelo. Tudo bom?
00:13Tudo bem. Vamos começar com a taxa de desemprego, então.
00:156,6%, a menor da série histórica.
00:19Isso mostra que a demanda no Brasil continua aquecida, né?
00:24Exatamente. Apesar de toda a expectativa que, com o aumento da taxa de juros,
00:28a economia fosse apresentar uma desaceleração,
00:32a taxa de desemprego agora reforçou a imagem de que o mercado de trabalho está muito bem.
00:39O mercado de trabalho não apresenta ainda sinais de deterioração,
00:43o que indica que a inflação deve permanecer alta por algum tempo.
00:48Quando você fala ainda, você espera que piore o cenário do emprego no Brasil até o fim do ano?
00:54A expectativa com a taxa de juros é que a economia desacelere.
00:58Ela não vai, quer dizer, uma piora do mercado de trabalho e vai continuar bom.
01:02Podendo até aproveitar esse gráfico que vocês têm colocado aí, olha só.
01:06O desemprego era 10, 9, 8.
01:09O desemprego vai subir esse ano, acaba em 7, por exemplo.
01:13Continua sendo uma taxa extremamente baixa para o padrão histórico que a gente tem.
01:17E com a ajuste estacional, se a gente for pegar desde dezembro,
01:21a taxa de desemprego praticamente não tem oscilado.
01:23Ela tem ficado entre 6,3% e 6,5%, já com a ajuste da sazonalidade,
01:29o que é um desempenho espetacular.
01:31Queria que você falasse um pouco para a gente também sobre a taxa de subutilização, 15,4%.
01:37O que ela significa?
01:39A taxa de subutilização engloba não só as pessoas que não têm um emprego,
01:44mas também aquelas que estão trabalhando menos horas do que gostariam,
01:48estão sendo menos aproveitadas, por isso que vem esse nome, subutilização.
01:51E ela também está em queda, também, mais uma vez, reforçando essa imagem
01:56de que o mercado de trabalho continua aquecido.
02:00Ou seja, a gente viu no começo do ano uma leve elevação da taxa de desemprego,
02:05mas ela era todo o ajuste sazonal.
02:08Todo o aumento que a gente viu até março, o que ele mostrava para a gente?
02:13Ele mostrava a sazonalidade que, em geral, no começo do ano a taxa sobe.
02:18Mas, em termos ajustados pela sazonalidade, ela estava parada.
02:22E esse mês, agora, de abril, ele foi surpreendente,
02:25porque a gente teve um dado que, de fato, mostra uma queda pequena,
02:29ainda dentro da margem de erro.
02:31Mas, de novo, você junta a taxa de desocupação,
02:34você vê a subutilização e a taxa de crescimento da renda,
02:37você observa que o mercado de trabalho brasileiro ainda está bastante aquecido.
02:41Mas a renda não cresceu tanto, ou esses 3,20% são acima da inflação?
02:45Não, isso aí é o crescimento real, né?
02:49Então, a gente está sempre, quando você acumula,
02:52se você pega 12 meses para várias medidas,
02:54a renda real está crescendo em torno de 4%.
02:57Se eu acumulo ela em 12 meses, se eu vejo as variações,
03:01o que está sinalizando esse aumento em torno de 4%,
03:03que é bem acima da produtividade do trabalhador?
03:07Como o salário está crescendo mais que a produtividade,
03:09significa que o nosso mercado de trabalho está aquecido.
03:11Queria até que você explicasse para a gente quais são as métricas
03:13para medir a produtividade do trabalhador brasileiro.
03:17Em geral, você pode ter, pegar o produto dele,
03:20você pega o valor agregado que ele gerou,
03:22divide pelo número de trabalhadores,
03:24se é a produtividade do trabalhador,
03:26você pode dividir isso pelas horas trabalhadas,
03:29se é a produtividade hora do trabalho.
03:31Essas duas medidas no Brasil,
03:33elas têm apresentado um desempenho medíocre ao longo das últimas décadas,
03:37não chegando a crescer 1,5% na economia.
03:42Dependendo do setor, pode crescer um pouquinho mais,
03:45mas quando você pega a economia no agregado,
03:47esse crescimento da taxa da produtividade do trabalho tem sido bem baixo.
03:51Vamos falar agora sobre os dados do Caged,
03:54que corroboram também esse momento aquecido do mercado de trabalho.
03:59257 mil vagas formais em abril,
04:02as vagas com carteira assinada, como a gente disse.
04:04Também é um outro dado que mostra a pujança do nosso mercado de trabalho.
04:09Exatamente, foi um dado que surpreendeu.
04:12Então, todo mundo ficou assim,
04:13vamos ver se a PNAD e o Caged estão conversando,
04:15porque ele saiu ontem.
04:17Aí, quando você pega a PNAD e o Caged,
04:18eles estão conversando direitinho.
04:20Você tem mais um bom desempenho do mercado de trabalho,
04:24mais um indicador distinto que mostra o mercado de trabalho aquecido.
04:28Essa força que o Caged mostrou,
04:30ela reforça uma análise que a gente tem
04:34de que o mercado de trabalho brasileiro está bastante aquecido ainda.
04:37A gente está vendo agora ao vivo na CNBC americana
04:41dados sobre o desemprego dos Estados Unidos.
04:44Lá, aumentou um pouco o pedido de seguro-desemprego,
04:46pelo menos, está em 240 mil,
04:49contra uma estimativa de 230 mil.
04:52A gente tem sinais, na sua opinião,
04:54de que o mercado de trabalho nos Estados Unidos,
04:56de fato, está começando a ficar um pouco menos aquecido?
05:00Ele está desaquecendo um pouquinho,
05:03mas se você for pegar o nível dele,
05:04a taxa de desemprego lá,
05:06como aqui, permanece um nível extremamente baixo.
05:09Obviamente, vão começar as análises,
05:12é muito cedo para falar isso,
05:15mas o pessoal vai tentar relacionar
05:16esse aumento dos pedidos de seguro-desemprego
05:19com a pequena elevação que possa ocorrer na taxa de desemprego,
05:22às medidas do presidente Trump,
05:24principalmente aquelas relacionadas ao comércio internacional.
05:27em uma economia tão integrada como é a economia americana,
05:31em que tantos fornecedores externos funcionam para as empresas americanas,
05:37ou seja, essa integração na cadeia global de valor,
05:41isso pode gerar, sim, um problema para algumas empresas
05:44e, obviamente, acarretar uma aceleração mais forte da economia.
05:48Fernando, a gente se surpreendeu com o último IPCA 15 também,
05:52que mostrou uma inflação menos pressionada
05:55do que se imaginava que veria nesse índice aí.
05:58Você acha que, de alguma maneira,
05:59a inflação pode surpreender positivamente até o fim do ano?
06:03Porque o Haddad disse que ainda está perseguindo o teto da meta,
06:06pelo menos ali de 4,5%.
06:07Olha, eu acho muito improvável que a inflação chegue nesse patamar,
06:13porque, ao mesmo tempo que o Banco Central aumentou os juros
06:16para tentar atingir esse objetivo,
06:18quando a gente olha ao longo dos últimos anos,
06:20a política fiscal do governo tem agido numa outra direção,
06:23de manter a economia aquecida,
06:25o que justamente obriga o maior esforço da política monetária.
06:29E, se você for pensar num horizonte mais longo,
06:32acho que ninguém acredita que a inflação vai estar próxima da meta
06:36num horizonte relevante.
06:38Junta isso com o mercado de trabalho que, como a gente viu,
06:41surpreende positivamente, isso fica ainda mais difícil.
06:44Por quê?
06:45Porque um componente importante da inflação é a inflação de serviços.
06:49E a inflação de serviços está muito relacionada com a mão de obra,
06:52com os salários que continuam crescendo a um ritmo elevado.
06:55Parece que, pelo menos, alimentos e bebidas nesse último IPCA 15
06:58vieram um pouco mais fracos.
07:00É uma boa notícia para o governo, não é?
07:02É uma boa notícia para o governo e para o cidadão.
07:04Ou seja, a gente se espera uma safra muito boa esse ano,
07:08que vai contribuir para reduzir esses preços,
07:11os preços alimentos em geral,
07:12obviamente ajudando a tornar a cesta de consumo mais barata
07:15para o trabalhador brasileiro,
07:17o que não deixa de ser uma medida positiva.
07:20Junto a isso com o mercado de trabalho aquecido,
07:22é bem capaz de a gente observar o trabalhador
07:26mostrando que ele está satisfeito ao longo dos próximos meses.
07:28Tá certo. Eu falei aqui com o Fernando de Holanda Barbosa Filho,
07:32que é do FGV Ibre.
07:33Muito obrigado pela sua participação. Bom dia.
07:36Obrigado, Marcelo. O prazer foi meu.
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