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Paulo Rezende, coordenador da Fundação Dom Cabral, analisou o impacto da ferrovia bioceânica Brasil-Peru. O projeto, apoiado pela China, promete transformar a logística sul-americana, integrando rotas estratégicas e encurtando caminhos entre os oceanos Atlântico e Pacífico.

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Transcrição
00:00Na visita para a China, que aconteceu na última semana, a ministra de Planejamento e Orçamento,
00:05Siboni Tebet, citou em discurso o projeto da Ferrovia Bioceânica Brasil-Peru,
00:11que tem como objetivo conectar o Oceano Atlântico, no litoral brasileiro,
00:15ao Oceano Pacífico, no litoral peruano, atravessando a América, de sul a leste a oeste.
00:22Do sul, de leste a oeste.
00:24E essa iniciativa conta com o apoio da China, busca, entre outras coisas,
00:27reduzir o tempo de transporte de mercadorias entre os dois continentes.
00:31Vamos entender melhor como é que essa ferrovia poderá funcionar?
00:35Conversando agora ao vivo com o coordenador do Núcleo de Infraestrutura e Logística da Fundação Dom Cabral,
00:42Paulo Rezende. Tudo bem, Paulo? Boa tarde, seja muito bem-vindo ao Money Times.
00:46Muito boa tarde, é um prazer enorme falar com vocês, estou à disposição.
00:51Muito obrigada, Felipe Machado está aqui para acompanhar a gente.
00:54Paulo, vou pedir para te ouvir, para a gente começar trazendo aquele contexto,
00:59para a nossa audiência ficar toda ali na mesma página.
01:01O que é, então, essa ferrovia bio-oceânica, para quem não está enturmado ainda com esse termo,
01:09e é uma expectativa que a gente tenha isso funcionando em quanto tempo?
01:13Em primeiro lugar, a chamada ligação bio-oceânica, ela não pode ser, como tem sido no Brasil, minimizada.
01:27É um dos maiores projetos que um país já se envolveu,
01:33e no caso da chamada bio-oceânica, nós temos uma perspectiva, eu diria,
01:41de uma utilização de ferrovias como modo de transporte prioritário,
01:48mas também não dispensando, talvez, a utilização de hidrovias e de alguns trechos rodoviários.
01:57O que nós deveríamos chamar, e eu acho que é isso, é que é um pouco menosprezado,
02:04num projeto desses, é um corredor logístico, aí sim, bio-oceânico.
02:11E, infelizmente, eu acredito que até dentro do próprio governo,
02:16em alguns debates, minimizam.
02:18Não seria uma ferrovia, seria um corredor logístico.
02:24E aqui nós estamos conversando do maior corredor logístico que o Brasil já se envolveu,
02:31e mais ainda, um dos maiores do mundo, e com uma perspectiva de muito longo prazo.
02:41Eu diria que, no mínimo, 15, 20 anos, para ser completado.
02:46Então, é bom a gente entender, porque senão a gente populariza, digamos assim,
02:56e isso, não, isso aí é um projeto de Estado, muito importante isso.
03:03É um projeto que pode se iniciar em um determinado governo,
03:06mas é um projeto de Estado.
03:08E é um dos maiores, se não o maior, que o Brasil já empenhou até agora.
03:12Perfeito. Muito importante esse contexto mesmo. Obrigada por isso.
03:16Felipe, sua pergunta para o Paulo.
03:18Paulo, boa tarde.
03:20Não, concordo que é um projeto de longo prazo,
03:22mas, junto com isso, a gente tem que criar uma série de pontos,
03:27de infraestrutura, para poder dar suporte a esse projeto.
03:30Eu queria que o senhor pudesse falar quais são esses pontos,
03:34os grandes desafios nesses pontos de infraestrutura,
03:37que acompanham esse projeto, que não é só a ferrovia, claro.
03:40Tem muitas outras coisas que vão dar suporte para esse projeto.
03:45Sim, Felipe, não tem dúvida.
03:47Então, aí é que vem o meu alerta sobre a questão de visão Brasil.
03:52Eu já vi, e quando eu digo minimização,
03:58eu já vi assim, por onde que deve sair?
04:03Será que do lado do Atlântico é para o Espírito Santo,
04:07é para a Bahia, é para o Rio de Janeiro, é para São Paulo?
04:12Eu acho que aí começam a minimizar as coisas.
04:18Acho assim, é o que for melhor para a logística.
04:23Então, dentro da sua pergunta,
04:26que nos coloca, assim,
04:28uma questão muito estratégica de país,
04:33eu destaco três pontos rapidamente.
04:36O primeiro ponto é,
04:39o Brasil terá a propriedade,
04:43através, obviamente, de empresas privadas,
04:47mas ele terá a propriedade desse grande corredor,
04:52porto-ferroviário?
04:54Segunda questão,
04:58quem está interessado,
05:02o maior interessado é a China.
05:05E a China está construindo
05:07um porto no Peru,
05:09que é o porto de Xancai.
05:11O porto de Xancai,
05:13ele está sendo construído assim,
05:15só faltam falar isso,
05:17não vão falar,
05:18mas, olha,
05:19nós estamos construindo um porto
05:20para pegar sua soja,
05:22seu milho, né?
05:23Enfim,
05:25essa é uma outra questão.
05:27Nós teremos, então,
05:29a propriedade e a gestão
05:31do corredor,
05:32do grande corredor ferroviário brasileiro,
05:36ou,
05:39porque a China também está interessada em ter,
05:42ou ela terá a propriedade disso na gestão.
05:47E o porto nós vamos poder escolher?
05:50Não, provavelmente não.
05:51Vai ser Xancai,
05:53porque Xancai vai ser o único porto capaz
05:55de receber navios
05:56chamados Cape Sizes,
05:59que são navios de altíssima tonelagem.
06:02Então,
06:03e outra questão,
06:05serão autorizações estaduais
06:07nessas linhas,
06:09ou nós teremos uma grande ferrovia,
06:12um grande gestor ferroviário?
06:14E, com isso,
06:16nós estaremos, por exemplo,
06:18abolindo a ideia do Arco Norte no Brasil,
06:22da saída dos nossos granéis do Centro-Oeste
06:26para os portos do Norte,
06:29porque os portos do Norte
06:30não estão envolvidos na Rota da Seda
06:33na direção do porto de Xancai.
06:35E, finalmente,
06:38qual é a rota que nós vamos adotar?
06:42São cinco.
06:44Eu acredito que duas serão eliminadas
06:46imediatamente por questão ambiental,
06:49mas três
06:50são absolutamente estratégicas para o país.
06:55Então, Felipe,
06:56eu acho que, assim,
06:58a gente deveria mesmo
07:00não popularizar,
07:03e é como vocês estão fazendo,
07:05exatamente isso,
07:06colocando as coisas
07:07na grandeza
07:09que precisam ser colocadas.
07:12É muito importante esses pontos mesmo,
07:15porque, de fato,
07:15é um projeto que um governo começa,
07:18passa por outro,
07:18passa por outro,
07:20e, no fim das contas,
07:21é um projeto de país
07:23e não de um partido ou de outro,
07:26mas, mais do que isso,
07:28a gente questionar e ter em mente
07:29todos esses papéis aí,
07:33esses interesses envolvidos.
07:36Agora, professor Paulo,
07:37essa conexão, então,
07:38entre Atlântico e Pacífico,
07:39através dessa ferrovia
07:41e de outros modais que o senhor citou,
07:44tem o potencial de transformar
07:45a dinâmica do comércio internacional
07:47na América do Sul, né?
07:48Como que isso pode impactar
07:49a posição do Brasil
07:50no cenário global?
07:52O que o senhor vê de benefício,
07:54de oportunidade para a gente?
07:57Sem exagero,
07:59esse projeto,
08:01se uma vez realizado,
08:03ele tem todas as condições
08:06de transformar a logística mundial.
08:11Então, imaginem que o papel do Brasil
08:15na logística mundial, né?
08:17Tivemos sempre empresas
08:20com grande destaque
08:21na logística mundial.
08:24Nós temos a Vale,
08:26com o seu tripé estratégico,
08:28Mina Ferrovia Porto,
08:31no caso de Carajás, principalmente.
08:35Tivemos outras poucas empresas
08:38que podem formar
08:40uma cadeia global de valor,
08:43mas na área de logística
08:46será um único projeto
08:48capaz de liderar,
08:50de colocar o Brasil
08:51numa liderança
08:52de formação,
08:54inclusive,
08:54de preço
08:55de logística mundial,
08:58preço de navio,
09:00principalmente os graneleiros,
09:02mudança de rotas internacionais,
09:05que hoje usam muito,
09:07estreito de Magalhães,
09:09Oceano Índico, né?
09:11E que passarão a sair dessas rotas,
09:14até mesmo o canal do Panamá,
09:17para a rota do Pacífico,
09:20saindo do Brasil,
09:21com ligação no Atlântico.
09:23Olha, o que nós estamos dizendo aqui
09:25é um projeto
09:26que tem todo o potencial
09:28para mudar a logística do mundo,
09:31a logística global
09:32e a precificação.
09:35É por isso que eu insisto
09:37que o governo atual,
09:41assim como outros envolvidos,
09:44governos de Estado, etc.,
09:47pensem no país.
09:48Não pensem daqui a poucos anos,
09:51porque vocês não vão querer
09:53transformar esse corredor
09:58num outro fiasco
10:00de tempo que eu conheço,
10:03que é a ferrovia Norte-Sul,
10:05que demorou mais de 40 anos
10:07para ser implementada parcialmente.
10:10Isso não é possível.
10:12Não tratem,
10:13porque nós vamos perder
10:15a nossa seriedade
10:18diante o resto do mundo.
10:20Filipe, mais uma sua.
10:22Professor,
10:23concordo com o senhor,
10:24a minha esperança,
10:26uma das únicas esperanças
10:27é que a China tem o interesse
10:29de tocar esse projeto
10:31com bastante agilidade,
10:32porque ela perdendo a influência
10:34ali no canal do Paramá,
10:35ela praticamente torna,
10:38não digo inviável,
10:39mas muito mais caro
10:40a importação,
10:42por exemplo,
10:42de ferro,
10:43de minério de ferro,
10:44até,
10:44e de agro,
10:46de produtos agro,
10:47do Brasil e da América do Sul.
10:48Então, eu acredito,
10:49minha esperança
10:49é que a China coloque uma pressão
10:52para os países da América do Sul
10:53agilizarem esse processo.
10:56Agora, professor,
10:57como é que o senhor vê
10:58essa integração entre os países?
11:00Porque me parece que
11:01esse trajeto
11:03passa também pela Argentina,
11:05agora não lembro se é Paraguai,
11:07tem alguns outros países
11:09da América do Sul
11:10dentro dessa rota.
11:12Como é que o senhor vê
11:13a integração entre os países?
11:14A América do Sul tem essa maturidade
11:15para criar um organismo
11:18que possa administrar
11:19essa ferrovia,
11:22esse percurso,
11:23esse trajeto?
11:25Veja bem,
11:26nós temos três rotas
11:28que envolvem,
11:29e eu já estou colocando
11:30as três rotas,
11:32sem a influência
11:34da chamada
11:35Amazônia Legal,
11:37protegida,
11:38que eu não acredito
11:39que as duas rotas
11:41que vão,
11:41uma é da Guiana
11:43e a outra
11:44é a rota amazônica,
11:46eu não acredito
11:47que ela vai funcionar,
11:48é a rota um
11:48e a rota dois.
11:50Então, nós estamos
11:50conversando da rota três,
11:53da rota quatro ou cinco,
11:54a rota três
11:54envolve o Peru
11:55e aí é uma conexão
11:57muito direta
11:58ao porto de Xangai,
12:00que é esse porto
12:01que a China
12:02está construindo.
12:04Envolveremos a Bolívia,
12:06envolveremos já
12:07na rota quatro
12:08o Paraguai,
12:11principalmente o Paraguai,
12:12mas também o Chile
12:14e aí nós iríamos
12:16até o Chile
12:16e subiríamos
12:17para Xangai,
12:19no Peru.
12:20E, finalmente,
12:21a Argentina,
12:22que vai até o porto
12:24de Coquimbo,
12:25na Argentina,
12:26então envolvemos
12:27principalmente
12:28a Argentina
12:29e na chamada
12:31rota quatro.
12:32Então, você vê,
12:33a sua pergunta
12:34vai,
12:35ela é respondida
12:36no traçado
12:37das rotas, né?
12:39É muito país
12:39envolvido.
12:40eu tenho
12:43uma certa descrença
12:44com relação
12:46aos outros países
12:48quererem se integrar
12:51na questão
12:52de produção.
12:54Não existe produção,
12:55não se justifica,
12:56não existe escala.
12:58Então,
12:59o que nós estamos
12:59conversando
13:00é do Brasil
13:01assumir essa rota,
13:03assumir mesmo,
13:05eu estou,
13:06a liderança
13:07dessa rota,
13:08seja ela qual for,
13:09eu acho que nós
13:11já perdemos
13:12o porto de Xangai,
13:13portanto,
13:14será um porto chinês,
13:15né?
13:16Então,
13:17nós não podemos
13:18perder duas coisas.
13:20Então,
13:20aí há a questão
13:21estratégica.
13:22Número um,
13:23o controle da logística.
13:25E aí,
13:26nós integraremos.
13:28E a minha resposta
13:29para você,
13:29que não é agora
13:30de descrença,
13:31aí sim,
13:32é de esperança,
13:34é porque as cargas
13:34vão sair do Brasil,
13:36né?
13:36Então,
13:37o dono da carga
13:38é o Brasil.
13:40E eu acho
13:41que esses países
13:42deveriam
13:43se integrar,
13:44né?
13:45E agradecer
13:46por essa integração,
13:48porque
13:49terão
13:50um corredor logístico
13:51passando,
13:53né?
13:53E vocês sabem
13:54a história do Panamá,
13:55qual foi?
13:56O Panamá se transformou
13:58num país,
13:58a partir de uma partezinha
14:00da Colômbia,
14:00né?
14:01Se transformou
14:02num país
14:02do jogo mundial,
14:04né?
14:05Então,
14:06a descrença inicial
14:08é de que eles
14:09vêm com,
14:09ah, não,
14:10não sei,
14:11isso aí vai ser
14:12difícil integrar,
14:14mas o Brasil
14:15deveria liderar.
14:16E ao liderar,
14:18liderar sem ideologias,
14:21liderar com muito
14:24pragmatismo logístico.
14:27Nós temos que reduzir
14:29o preço do nosso granel.
14:31É simples assim.
14:33Perfeito.
14:34professor Paulo Rezende,
14:36coordenador do Núcleo de
14:37Infraestrutura e Logística
14:38da Fundação Dom Cabral.
14:41Muito obrigada
14:41pela excelente entrevista
14:42aqui, né?
14:43Trazendo questionamentos
14:44e reflexões
14:45super importantes
14:46em relação a esse
14:47projeto gigantesco.
14:49Boa tarde.
14:50Boa tarde.
14:51Eu que agradeço
14:52e parabéns
14:53pela reportagem.
14:54Muito boa.
14:55Muito obrigada.
14:56O senhor contribuiu,
14:56né?
14:57Para isso.
14:57Boa tarde.
14:57Boa tarde.
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