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O especialista em comércio exterior e CEO da Ningbo BR Goods, Felipe Teixeira, explicou os impactos da trégua entre China e EUA, os efeitos sobre o mercado brasileiro e a infraestrutura que torna os chineses estratégicos. O investimento chinês de R$ 27 bilhões impulsiona setores como carne, soja, carros elétricos e IA.

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Transcrição
00:00A gente conversa agora com especialista em comércio exterior e CEO da Nigbo BR Goods, o Felipe Teixeira.
00:06Boa noite para você, Felipe. Seja muito bem-vindo ao Jornal Times Brasil.
00:12Boa noite, Marcelo. Bom dia para mim. Falou diretamente aqui de Nimbo, da China. Prazer falar com vocês.
00:17Ah, bom dia então. Não sabia que você estava na China. Melhor ainda.
00:20Vamos começar falando sobre o que a reportagem terminou de dizer aí sobre a soja.
00:24A gente ouvia muitos analistas dizendo que essa guerra comercial entre Estados Unidos e China poderia trazer mais oportunidades para o Brasil.
00:32Um dos exemplos é a soja. Mas agora, nesse novo cenário aí que tem essa negociação, que baixaram um pouco a guarda entre China e Estados Unidos,
00:43você acha que o Brasil, de alguma maneira, perde o timing aí?
00:47Eu acredito que não, Marcelo. Eu acredito que ainda seja uma grande oportunidade, porque mesmo com essa trégua,
00:56as taxas provavelmente vão ser aumentadas. E a China quer procurar realmente novos parceiros
01:03para diminuir a dependência do mercado americano, tanto com o mercado consumidor,
01:07quanto o mercado provedor de commodities, que nem a gente vê.
01:10Então, eu acho que ainda é uma grande oportunidade para o mercado brasileiro aproveitar,
01:14mas que, de um outro lado, pode gerar uma inflação maior no Brasil, no setor de alimentos,
01:19porque a China comprando uma maior quantidade de soja, de carne brasileira,
01:24isso pode gerar uma inflação no mercado interno brasileiro também.
01:28O Felipe, o apetite da China por ativos na América do Sul parece continuar grande.
01:32Agora, teve esse investimento de R$ 27 bilhões anunciado durante esse encontro do Lula com o Xi Jinping.
01:37Pelo andar da carruagem, parece que vai ficar muito difícil para os Estados Unidos rivalizarem com isso,
01:43pelo menos a médio prazo, não?
01:47Com certeza. A gente vê que as notícias estão dando muito mais ênfase nesse acordo com os países da América Latina,
01:55países do que realmente esse acordo com o governo americano.
02:00Então, as notícias aqui estão dando maior ênfase a isso e é uma grande oportunidade.
02:03A China já há algum tempo, Marcelo, ela vem modificando a sua estratégia de não só fazer a exportação dos produtos daqui da China
02:10para os outros países, e sim levar as suas empresas para esses países.
02:13Ela já teve experiências no passado não tão boas no Brasil,
02:16mas a gente vê que a nova configuração dessas empresas no Brasil agora já entendem muito melhor o mercado internacional
02:22e estão fazendo isso com uma qualidade muito melhor do que a anterior.
02:26A gente já vê isso no setor de carros elétricos, sempre houve aquela desconfiança,
02:31mas a gente já viu que se consolidou e vem crescendo muito.
02:33Então, as outras empresas também, tanto no setor de mineração, setor de inteligência artificial,
02:38setor agora também de entregas de comida, vai ser um grande investimento no Brasil nesses setores.
02:45Agora, Felipe, que tipo de consequência para o comércio mundial você acha que essa trégua anunciada entre China e Estados Unidos tem?
02:52A gente já vê, a gente tem alguns clientes nos Estados Unidos,
02:57então agora a gente vai ver ali uma correria para fazer os embarques.
03:01Então, quando começou essa guerra comercial, todos os fornecedores, as empresas americanas pararam,
03:07falaram, não embarca ainda minha mercadoria porque a gente precisa saber como isso vai ficar a médio prazo.
03:15Então, as mercadorias ficaram paradas aqui nos estoques e agora começa a correria para você embarcar.
03:19O transit time para o mercado americano, de você fazer o embarque, só do embarque do navio, é em torno de 20 a 35 dias.
03:26Ou seja, não dá tempo de ter esse reflexo ainda, mas agora todas as cargas paradas vão começar a seguir para os Estados Unidos.
03:32E isso pode afetar também o frete internacional que já estava abaixo, então estava num período benéfico para os importadores.
03:39Isso eu acredito que possa afetar um pouco ali nessa alta do frete e isso impactando na cadeia global inteira.
03:44A gente mostrou aqui na semana passada um navio chegando nos Estados Unidos, um navio cheio de tarifa, com 145% de tarifa.
03:52Imagino que um empresário americano que comprou isso daí e agora vê as tarifas caírem, deve ficar muito chateado com essa falta de previsibilidade, né?
04:00Porque eu acho que o comércio precisa disso, não?
04:02Com certeza, Marcelo. A gente brinca nesse ramo de comércio exterior que navio não tem ré.
04:09Então depois que a carga está no navio, você não consegue mais fazer modificação do seu produto.
04:15E aí como aconteceu esse aumento de tarifas no meio desse processo, muitas empresas americanas estão com esses produtos parados.
04:22E aí muitas empresas podem usar algumas táticas, né?
04:24Deixar esse porto numa região alfandegada e esperar até essa decisão, então vai ter um custo maior, mas não tem o custo efetivo da taxa.
04:31Ou algumas empresas que não poderiam esperar essa mercadoria e acabaram pagando essas taxas maiores e com certeza vão repassar isso também para o seu consumidor final.
04:39O governo Trump reclama sempre do que seria uma dificuldade para vender produtos na China.
04:44Ele disse que as empresas americanas têm dificuldade em entrar no mercado chinês.
04:48A sua empresa trabalha exatamente nesse fluxo comercial aí entre Brasil e China, Estados Unidos também.
04:54Como é que você vê a recepção dos chineses aos negócios americanos?
04:59Não é uma bem verdade isso, porque você vê algumas redes americanas aqui na China que cresceram a níveis fenomenais nos últimos anos.
05:08Você vê redes como Starbucks, outras como McDonald's, que cresceram.
05:12O Starbucks chegou a uma época, cinco anos atrás, abriu uma unidade por dia.
05:17Então o chinês é muito receptivo sim aos produtos, mas obviamente a China tem os seus embargos não econômicos que acabam dificultando a exportação de alguns produtos.
05:25Então setores que ela considera essenciais, primordiais e estratégicos, isso aí realmente pode dificultar.
05:32Como é que está o ambiente de negócios na China para os empreendedores brasileiros?
05:36Porque eu lembro que eu fui para aí há mais ou menos sete anos e que eu ouvi de alguns fabricantes brasileiros,
05:41era que o salário aí já não era mais tão baixo, inclusive hoje eu acho que o salário mínimo é até mais alto que o brasileiro,
05:48e que muita gente estava indo para o Vietnã.
05:50Hoje, como é que você avalia essa condição da China de atrair fábricas brasileiras?
05:55Ainda é um potencial muito grande, obviamente, essa questão salarial de mão de obra já é um desafio aqui na China,
06:03tanto para você conseguir contratar pessoas, quanto para você a questão de valores,
06:07como o que você falou está correto, hoje o salário mínimo chinês é maior do que o salário mínimo brasileiro.
06:12Porém, a China nos últimos 20 anos fez uma preparação de infraestrutura que nenhum outro país tem.
06:18Então portos, aeroportos, rodovias, ferrovias.
06:20Então essa facilidade que a China dá hoje para as empresas, tanto da cadeia logística,
06:26nenhum país consegue oferecer a curto e médio prazo.
06:29Então isso requer longo prazo para as empresas conseguirem fazer essa migração.
06:33Com o tempo, sim, muitas empresas chinesas também já estão fazendo essa migração,
06:37para os chamados tigres asiáticos, a Vietnã, Filipinas,
06:41mas ainda há uma insegurança jurídica nesses países e também um problema logístico.
06:47Então esses dois são os maiores desafios para as empresas que querem migrar suas operações para esses países.
06:53Interessante o que você falou.
06:54Então não tem mais aquela história de ir para a China atrás de mão de obra barata.
06:57O que atrai agora é a infraestrutura, a capacidade de escoar a produção,
07:02e isso traz muitos ganhos então para os empresários, né?
07:05Com certeza, Marcelo.
07:07Só para falar em números, a gente está localizado em Limbo,
07:09que é o terceiro porto mais movimentado do mundo,
07:11que movimenta por ano em torno de 37 milhões de containers.
07:15Se a gente comparar com o maior porto brasileiro,
07:17movimenta em torno de 10 milhões de containers, que é o porto de Santos, por ano.
07:21Aí a gente está próximo de Xangai, que é o porto mais movimentado do mundo,
07:24que movimenta 45 milhões de containers.
07:26Então, assim, uma cidade com menos de 200 quilômetros de distância
07:30tem dois portos que movimentam quase 100 milhões de containers,
07:33enquanto o maior porto brasileiro movimenta próximo a 7 milhões de containers,
07:3710 milhões de containers por ano.
07:39Realmente é impressionante.
07:39Isso mostra um pouco da força.
07:43Pode continuar, desculpe.
07:45Isso mostra um pouco da força logística que a China tem de conseguir escoar.
07:49Se você leva isso para a Índia ou para qualquer outro país,
07:52com certeza você não vai conseguir fazer,
07:54mesmo que você produza, você não consegue escoar essa mercadoria
07:56de uma maneira tão rápida e eficiente que a China consegue.
07:58A sua empresa, a Nigbo, ela está aí há quanto tempo?
08:02O escritório de Nimbo está há seis anos aqui na China instalado
08:05e nós somos especialistas em fazer desenvolvimento,
08:07produzir as peças aqui e fazer a venda para os nossos clientes,
08:10que são importadores, sendo no Brasil, Estados Unidos, Europa.
08:13Então, a gente atende vários países.
08:14Está certo.
08:15Felipe Teixeira, especialista em comércio exterior e CEO da Nigbo BR Goods.
08:19Muito obrigado pela sua participação no Jornal Times Brasil
08:22e bom dia para você aí na China.
08:25Obrigado, Marcelo, e boa noite a todo o público de vocês.
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