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Após a confirmação do primeiro caso de gripe aviária em granja comercial no Brasil, 17 mil aves foram mortas em Montenegro-RS. Alê Delara, diretor da Pine Agronegócios, analisou as medidas sanitárias, o impacto das exportações e os riscos de disseminação.

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Transcrição
00:00O aviário onde foi detectado o primeiro caso de gripe aviária em uma granja comercial no Brasil tinha 17 mil aves.
00:07Segundo a Secretaria de Agricultura do Rio Grande do Sul, todas morreram ou por causa da doença ou porque foram sacrificadas.
00:14E barreiras de desinfecção estão sendo montadas.
00:18Vamos acompanhar um trecho da entrevista coletiva que a Secretaria concedeu.
00:21Nós recebemos a notícia de problemas pontuais e focais numa granja comercial em Montenegro de gripe aviária.
00:38De forma muito séria, o Ministério da Agricultura e também a Secretaria da Agricultura já tomaram providências em relação ao protocolo.
00:51Nossas equipes têm expertise e capacidade técnica para efetuar todo esse trabalho.
01:03Já tivemos no passado a questão de Neocrestal e que de certa forma já foi uma espécie de laboratório
01:11demonstrando a qualificação e competência para investigarmos um problema que está ocorrendo nesse momento na questão pontual e focal confirmada em Montenegro.
01:25Gostaria de só fazer uma breve contextualização antes de passar ao termo de tempo da questão.
01:32É de conhecimento geral que a influenza está presente no mundo inteiro.
01:37Nós observamos recentemente diversos casos, inclusive os exemplos da América do Norte e nos Estados Unidos foram divulgados no Brasil recentemente.
01:48E eu gostaria de ressaltar que nós estamos extremamente atentos a esse processo.
01:53Então, nós não fomos pegos de surpresa no setor condutivo em serviço oficial.
01:59E prova disso é que nesta mesma sala, no primeiro quatrimestre desse ano,
02:04nós realizamos um grande evento, um fórum de biosseguridade da Pílula,
02:08porque sabiam que pela questão das áreas migratórias,
02:10provavelmente em maio haveria possibilidade de hipovoaência de casos de síndrome respiratória de aves aqui em nosso estado.
02:19Além disso, os senhores e senhoras acompanharam como foi a atuação do Rio Grande do Sul na questão de influenza do Taim,
02:27em 2013, depois no caso do que ocorreu na cidade de Rio do Barro, o caso de Trolado,
02:31e mais recentemente o caso de Newcastle, Orienta Gorda,
02:35onde nós seguirá ser treinado oficial de Stalin,
02:38principalmente com o Ministério da Agricultura e Setor Produtivo,
02:40ou seguirá em um tempo, eu diria que, dos recordes,
02:43que é conhecido nacional e internacionalmente,
02:46fazer a barretura no rádio de 10 quilômetros,
02:48porque além de um serviço veterinário oficial extremamente barificado,
02:52nós nos valemos de tecnologias distintas do ponto de vista de combate à fome.
02:57O Sistema de Defesa Sanitária do Brasil,
03:01coordenado pelo Ministério da Agricultura
03:03e executado pelos órgãos estaduais de fiscalização,
03:07eles executam um plano de vigilância nacional para essa doença.
03:12Então, existe um monitoramento constante e muito consolidado a LAMOS,
03:18onde essa doença é monitorada,
03:20para que a gente possa aqui afirmar com toda a certeza que essa doença não existia.
03:27Então, os plantéis avícolas, eles são monitorados,
03:30e existe um monitoramento também em aves de vida livre, aves de subsistência.
03:37Para entender melhor esse assunto,
03:39eu vou conversar agora com o Alê Delara,
03:42diretor da Paine Agronegócios.
03:45Alê, boa noite para você.
03:47Antes de mais nada, Alê, queria te perguntar
03:49o que é que você acha das primeiras providências que estão sendo tomadas
03:53e do timing delas.
03:54Está tudo sendo feito da forma como tem que ser na sua leitura?
03:57Boa tarde, boa noite, Fálio, obrigado pelo convite.
04:02Eu acredito que sim.
04:03O protocolo do Brasil, ele exige que nós informemos qualquer foco de doença,
04:09nesse caso agora a gripe aviária, mas foi assim com o Newcastle,
04:13foi assim com a vaca louca em 2023 e 2021,
04:16e nós promovemos com aqueles países que nós temos esse acordo
04:20um alto embargo para as exportações,
04:23que é o que está acontecendo com a China agora,
04:25por um período de 60 dias, e também com a União Europeia
04:28por um período de 60 dias.
04:30Então, até esse momento, tudo dentro dos protocolos sanitários aqui do Brasil.
04:35E você vê, como é que você vê o risco de esse vírus se espalhar?
04:41É, o risco ele é alto, na verdade, como dizem o pessoal das associações
04:45lá do Rio Grande do Sul, o Brasil já estava monitorando,
04:48nós já temos a presença do vírus da gripe aviária
04:51há dois anos já aqui no Brasil, então em algum momento
04:54ele chegaria a uma granja comercial,
04:57esse caso que foi identificado agora em Montenegro,
05:00é o caso número 167 aqui do Brasil.
05:04A boa notícia é que os nossos órgãos sanitários,
05:07eles foram rápidos na identificação, na contenção,
05:11até esse momento da proliferação desse vírus,
05:14então quase 17 mil animais desse frigorífico,
05:17que é um frigorífico de galinha de postura, ou seja, ele produz ovos,
05:21foram abatidos para evitar e agora está acontecendo um monitoramento
05:24num raio de 10 quilômetros em torno ali do município.
05:28Então, a chance, ela existe naturalmente,
05:31está sendo feito um monitoramento até em aves silvestres ali da região,
05:35em zoológicos, para ver se há algum novo caso,
05:38rastreando os ovos que saíram deste frigorífico,
05:42mas o monitoramento está sendo feito, a chance existe,
05:44mas esperamos que ela seja reduzida dia a dia.
05:48O que é que define esse raio de 10 quilômetros
05:50para esse rastreamento que você citou?
05:54São os protocolos sanitários,
05:56tanto do Ministério da Agricultura,
05:58quanto da Anvisa aqui no Brasil.
06:00Então, vamos dizer assim, é o protocolo básico,
06:02protocolo padrão em casos deste tipo de infecção por vírus,
06:06como é o caso agora da influenza aviária.
06:09Olha aí, a gente já tem aí então,
06:10suspensão de compra de carne de frango do Brasil,
06:13anunciada pela China, pela União Europeia e pela Argentina.
06:16Há um período aí de suspensão de 60 dias.
06:19O governo, enfim, os governos, o governo gaúcho,
06:22o governo brasileiro, as instâncias aí ligadas ao agro
06:25estão correndo para tentar debelar essa crise.
06:28O que te parece esse prazo de 60 dias?
06:31É possível ter uma resposta antes disso?
06:33Nessa edição do Radar, a gente falou,
06:35pela nossa analista de política de Brasília,
06:37Julia Lindner, que o governo tenta trabalhar
06:39com um intervalo aí de menos de 30 dias
06:41para tentar resolver essa questão.
06:44É possível ter isso com segurança em menos de 60 dias?
06:48É possível sim, Fábio, porque os protocolos sanitários
06:50de quarentena colocam um prazo de 28 dias.
06:54Então, se em 28 dias nós não tivermos
06:56nenhuma ocorrência de um novo foco,
06:59poderemos pleitear para que esses países,
07:02mais a União Europeia, elas liberem as exportações nossas.
07:05Pode ser que tenhamos um embargo um pouquinho mais longo
07:09para o estado do Rio Grande do Sul,
07:12como pode fazer ou deverá fazer Coreia do Sul, Japão,
07:15no Oriente Médio, já que o Emirado dos Árabes Unidos,
07:18Arábia Saudita são dois dos três principais compradores
07:21aqui do Brasil com impacto regional.
07:23Mas a nível nacional, há possibilidade, sim,
07:25de em menos de 60 dias já retomarmos o fluxo de exportação.
07:29E como é que é esse processo de retomada?
07:31Quer dizer, o governo certamente tem que documentar
07:33esse período de providências, o status no qual a gente vai estar
07:38depois de, sejam 30, sejam 60 dias,
07:41apresentar isso para esses mercados compradores.
07:44Os mercados, eles precisam, se tiver tudo demonstrado
07:47conforme o tratado entre os países,
07:49os mercados são obrigados a aceitar a volta da compra
07:52ou eles podem impor alguma restrição, alguma outra exigência?
07:56Eles podem colocar, sim, eles não são obrigados,
07:59então eles podem manter essa restrição por um período maior,
08:02chegando a 60 dias ou, às vezes, até um período maior do que 60 dias.
08:07Não é a praxe do mercado, ainda mais se nós olharmos
08:10do ponto de vista comercial.
08:12Hoje o Brasil, ele é o maior exportador global de produtos avícolas,
08:17só de carne e de frango para a China.
08:19Exportamos mais de 1,2 bilhão no ano passado,
08:22para a Arábia Saudita quase 980 milhões,
08:25o mesmo número para os Emirados Árabes Unidos.
08:28Então, o Brasil, ele tem uma relevância muito grande dentro do mercado
08:31para realizar um desabastecimento por um período, por exemplo,
08:34de 60 dias ou mesmo de 70, 80, 90 dias.
08:39Então, a praxe do mercado é, a documentação estando ok,
08:42havendo as comprovações por laudos sanitários de que o foco foi extinto
08:47e que o fluxo comercial possa ser retomado,
08:50normalmente os países acatam esses laudos e já as portas são abertas novamente.
08:55Qual a importância das exportações para a nossa produção de frango aqui no Brasil?
09:02Hoje nós exportamos um pouquinho acima de 30% na nossa produção de frango.
09:07Hoje o Brasil produz em torno de 15 milhões de toneladas por ano,
09:11nós exportamos em torno de 5 milhões,
09:14é o sexto produto mais exportado pelo Brasil,
09:18então ele tem um peso importante na nossa balança comercial,
09:21quase 3% da receita total de exportação,
09:25então ele é um produto que tem uma importância muito grande para o Brasil.
09:29E nesse momento, o time não poderia ser pior para a ocorrência deste caso,
09:35porque nós estamos na sazonalidade de alta de exportações de carnes e frango,
09:40que vai agora até o finalzinho do mês de julho.
09:42Então nós pegaremos maio, junho e um pedacinho de julho com o embarque,
09:47se os embarques não forem retomados no período anterior a 60 dias,
09:52então nós poderíamos deixar de exportar em torno de 250 até 300 mil toneladas
09:58nesse período que são perdas ali próximas de 150 milhões de dólares.
10:03Quer dizer, a recuperação disso levaria mais tempo então,
10:06porque a gente está perdendo um período privilegiado aí da sazonalidade.
10:10Isso, a partir de agosto as exportações nossas desaceleram
10:14e só voltam a ser retomadas em volumes acima de 350, 400 mil toneladas por mês
10:19no começo do próximo ano, por volta de janeiro, meados de fevereiro.
10:23E qual o tamanho desse baque para o mercado?
10:27Nacional, a gente está falando, a um ponto de vista de 125 até 150 milhões de dólares
10:34de receita que deixam chegar para o Brasil, então é um peso importante.
10:38No caso do Rio Grande do Sul, como há embargos que devem ser regionalizados,
10:44esse número pode superar os 150 milhões de dólares.
10:48Isso falando de exportação.
10:50Para o mercado doméstico, a gente deve ter uma readequação da logística,
10:55porque contratos deverão ser remanejados,
10:58essa carne deverá ser comercializada no mercado doméstico brasileiro,
11:01isso deve elevar a oferta, principalmente de forma regional,
11:06isso deve derrubar os preços da carne de frango, principalmente ali no Rio Grande do Sul.
11:10Por um lado, nós temos um arrefecimento nos índices inflacionários,
11:14mas por outro lado, começamos a entrar com margens piores,
11:17margens negativas para os frigoríficos da região,
11:20que pode ocasionar menor investimento no futuro.
11:23O Ministério da Agricultura já informou em nota oficial,
11:28inclusive, que não existe risco de transmissão dessa doença para humanos
11:32por meio do consumo da carne,
11:34e que a doença, quando é transmitida para humanos,
11:37normalmente é para os trabalhadores ali das granjas
11:40que estão lidando diretamente com os animais infectados.
11:44Quer dizer, essa carne, para ser comercializada aqui no Brasil,
11:47como você falou, ela não precisa passar por nenhum filtro,
11:49ela está liberada para ser comercializada aqui, sem risco para a população?
11:54De certa forma, sim.
11:56Hoje, o cozimento, vamos colocar, da carne,
11:59essa alta temperatura, ele acaba matando o vírus.
12:02Mas para eu comercializar, eu vou ter que abater esse frango,
12:06preparar esse frango e levar ele in natura, resfriado,
12:10ou mesmo congelado, para um ponto de varejo.
12:13Esse transporte, ele pode ocasionar, sim, a contaminação.
12:17Então, quando o Ministério da Agricultura, os órgãos sanitários dizem que o consumo,
12:21ele não tem risco de contaminação, ok, está certo devido ao cozimento.
12:26Mas o transporte, ele pode causar, sim, a contaminação.
12:29Então, nós não podemos comercializar esses produtos
12:32que estiveram próximos dessas regiões de foco.
12:36Mas aqueles frangos que estavam, os animais que estavam ali infectados,
12:40todos foram abatidos, todos os animais da granja foram abatidos.
12:44Então, o que nós temos em circulação, muito provavelmente,
12:48a grande chance é que eles não tenham incidência desse vírus.
12:51Então, a segurança, ela é baixíssima.
12:53Para uma granja como essa, por exemplo, que perdeu 17 mil aves,
12:57como a gente falou há pouco, todas elas, ou morreram pela doença,
13:00ou foram sacrificadas,
13:01quanto tempo para conseguir recuperar um plantel como esse
13:05e retomar a atividade num nível de normalidade?
13:08Isso vai depender da quantidade de investimento que deverá ser feito,
13:13não é, Fábio?
13:14Mas não é um processo tão longo como se fosse um frigorífico,
13:17por exemplo, de carne bovina.
13:20Porque o ciclo de desenvolvimento entre pintinho e frango de corte,
13:23nós estamos falando em 60, 70 dias.
13:26O que deverá ser feito agora é uma sanitização completa nesse frigorífico,
13:30um período de quarentena para avaliar as condições melhores
13:34e depois a aquisição dos pintinhos e a produção pode ocorrer de maneira normal.
13:40Então, colocando um prazo médio ali, talvez em 120 dias,
13:44no máximo, já tenhamos o reinício das operações na região,
13:48se não houver casos próximos, naturalmente.
13:51O Alê, e essa questão do tamanho do embargo,
13:54se ele é nacional, se ele é regionalizado,
13:56se o país vai deixar de comprar carne de frango do Brasil inteiro,
14:00ou apenas do Rio Grande do Sul, ou apenas da região, da cidade,
14:03onde está inserido o foco da doença,
14:06isso tudo é definido pelos protocolos acordados com cada parceiro comercial?
14:12Exatamente, Fabio, exatamente.
14:14No caso da China, nós temos, dentro do acordo, o autoembargo total.
14:20Nós podemos negociar com eles o embargo regional,
14:23mas o protocolo fitossanitário acordado é embargo total.
14:27Como o Japão já é regional?
14:30O Japão, quando nós tivemos aquele primeiro caso da influência no animal silvestre,
14:33no Espírito Santo, em 2023, ele embargou as compras somente com origem no Espírito Santo.
14:40Então, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná,
14:42que são os maiores exportadores de caras de aves,
14:45continuaram com seus embarques normalmente.
14:48Então, isso vai depender do acordo que o Brasil fechou com o país de destino.
14:51Alê Delara, diretor da Paine Agronegócios.
14:55Alê, muito obrigado pelos seus esclarecimentos aqui.
14:58A gente vai seguir acompanhando esse caso e os impactos que ele vai provocar também.
15:02E, com certeza, vocês da mesma forma.
15:05Muito obrigado, bom fim de semana.
15:07Obrigado, bom fim de semana. Um abraço.
15:09Um abraço.
15:09Obrigado, bom fim de semana.

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