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O âncora Marcelo Favalli explicou como os Estados Unidos tentam recuperar influência em países do Golfo, como Arábia Saudita, Emirados Árabes e Catar, frente ao avanço comercial da China. A disputa geopolítica é marcada por contratos bilionários e poder de consumo.

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Transcrição
00:00Boa noite a todo mundo que nos acompanha.
00:02Olhando aqui os detalhes dessa minha fala, tudo vai fazer muito mais sentido.
00:07Vamos olhar para um mapa para a gente entender aqui essas posições,
00:12porque aí eu estou falando muito mais de Estados Unidos,
00:16aqui a parte do Golfo, da Península Arábica,
00:21e reparem que por esta região, então, onde tem a Arábia Saudita,
00:26os Emirados Árabes Unidos e o Catar, que é essa trinca de países ricos,
00:32fortes em petróleo e que tem um ponto em comum,
00:35se a gente olhar o começo aí da virada do século, nos últimos 25 anos,
00:40uma abertura para o Ocidente.
00:44O Catar, os Emirados Árabes Unidos e mais recentemente a Arábia Saudita.
00:50Isso tem a ver também com a vontade de uma maior aproximação com Israel,
00:56mas é um detalhe para um outro capítulo.
00:59Vamos olhar, então, saindo dos Estados Unidos,
01:02Donald Trump fez essa viagem que já estava agendada,
01:05já estava na programação dele para esse segundo mandato,
01:09para criar fortes laços com estes polos produtores de petróleo
01:15e, principalmente, com uma população de alto perfil de consumo,
01:20em especial a Arábia Saudita, que está deixando de ser muito fechada,
01:25muito ali um coração do Islã e tem se aberto cada vez mais para o Ocidente,
01:31mas, além de tudo isso, os contratos com a Boeing,
01:35todos os contratos para a emissão de armas dos Estados Unidos,
01:41para essa turma aqui, tem também um potencial China.
01:45Eu vou pedir à próxima arte que os números das balanças comerciais
01:50vão deixar essa minha tese um pouco mais com sentido.
01:55Vamos às premissas.
01:56No final, compartilho com vocês a conclusão.
01:59Então, como é que é o comércio dos Estados Unidos
02:01com esses três países da Península Arábica que o Trump está visitando?
02:06Vou começar aqui com a Arábia Saudita,
02:09esse que eu digo que está mais se abrindo agora para o Ocidente nos últimos anos.
02:13Tem uma balança comercial entre compras e vendas, importação e exportação
02:18de quase 30 bilhões de dólares por ano.
02:23Os números vão fazer muita diferença na hora que eu amarrar tudo isso.
02:27E a relação dos Estados Unidos com a Arábia Saudita é superavitária.
02:31Significa que os Estados Unidos, eles vendem mais do que compram produtos dos sauditas.
02:38Na mesma proporção, porque o Catar é um país bem menor,
02:43mas proporcionalmente bastante rico também,
02:47tem uma balança comercial.
02:49Os dois países um pouco mais de 5,5 bilhões de dólares por ano.
02:55Também uma relação superavitária para os Estados Unidos.
02:59E, na mesma conta, uma relação superavitária com os Emirados Árabes Unidos.
03:04Os Emirados Árabes, também um país maior, já mais aberto para essa ocidentalização
03:11que eu estou falando, quase 35 bilhões de dólares de comércio entre os dois por ano.
03:18Totalizando, somando essas três balanças comerciais,
03:21e aí estou fazendo uma conta rasa.
03:23Eu tirei exportação e importação.
03:25Estou pegando todos os números juntos e agrupando.
03:27Nós estamos falando de um saldo comercial, nessas três somas,
03:31de quase 66 bilhões de dólares.
03:35Me ajude aí, do outro lado da tela.
03:37Guarda esse número, 66 bilhões de dólares.
03:40Quer ver a diferença?
03:41Vamos ver a próxima tela, a relação comercial desses mesmos países com a China,
03:46que tem parcerias comerciais com praticamente todos os países do mundo,
03:52em outras proporções, comparando com os Estados Unidos.
03:55Na mesma ordem, com os sauditas, 107,5 bilhões de dólares.
04:04E aí é uma relação deficitária para a China.
04:08Os sauditas têm um lucro nessa relação, ou seja, eles vendem mais do que compram dos chineses.
04:17Na mesma esteira, os catares, que vendem mais do que compram dos chineses,
04:25numa balança comercial que passa um pouquinho dos 24 bilhões de dólares.
04:31E a China, a relação comercial com os Emirados Árabes Unidos,
04:35aí é vantajosa para a China, um pouco pertinho aí de 9,5 bilhões de dólares.
04:42Mas onde que eu quero chegar?
04:44É nesse número aqui.
04:45Na mesma conta, no mesmo saldo raso, só para a gente fazer a combinação de números,
04:51nós estamos falando de parcerias comerciais chinesas com os sauditas,
04:56os catares e os Emirados Árabes Unidos,
05:00em mais de 140 bilhões de dólares.
05:04é mais do que o dobro do que este saldo comercial dessa relação
05:09que os Estados Unidos têm com esses três países.
05:13E aqui envolvido, seja Estados Unidos, seja China,
05:18tem desenvolvimento tecnológico, compartilhamento de desenvolvimento científico,
05:25venda e compra de produtos de alto valor agregado,
05:28saindo da questão comercial e abraçando essa questão junto com a geopolítica,
05:35nós estamos vendo um esforço agora dos Estados Unidos,
05:39personificado no presidente Donald Trump,
05:41de querer correr atrás do prejuízo,
05:45ou então em busca do tempo perdido,
05:47parafraseando Marcel Prost,
05:50dizendo o seguinte, o que eu quero dizer é o seguinte,
05:53os Estados Unidos estão tentando fincar bandeiras
05:58onde as relações com a China estão muito fortalecidas,
06:04até porque, geograficamente falando,
06:07essa turma aqui está mais perto para a China,
06:10este país que caminha para ser o grande hegemon do século XXI.
06:15Então, Marcelo Torres, para a gente encerrar,
06:19prova aqui, depois das premissas,
06:21a conclusão que eu prometi compartilhar com todo mundo,
06:24que eu quero dizer o seguinte,
06:26que além das relações comerciais,
06:28porque estamos falando de países que têm um alto perfil de consumo,
06:32tem também uma presença da potência,
06:38da influência política,
06:40de uma questão de influência,
06:43em que os Estados Unidos entenderam que perderam caminho.
06:46Voltando à sua pergunta,
06:48este mesmo exemplo a gente consegue observar na América Latina.
06:54E aí, algo que pertence aos livros de relações internacionais
06:59e até de teoria política e econômica internacional.
07:02Poder não deixa vácuo.
07:04Se alguém deixa um espaço vazio,
07:07ou trem, vem tomá-lo.
07:09Se os Estados Unidos demorarem também
07:11para expandirem os seus tentáculos por outras regiões do mundo,
07:15podem ter certeza que a China o fará.
07:19Muito bem, obrigado.
07:20Como tem feito, né?
07:21Obrigado, Favalha.
07:22Até daqui a pouco.
07:22Até já.

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