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Leandro Gilio, professor do Insper Agro Global, analisou os efeitos do tarifaço de Trump sobre a carne bovina brasileira. Ele explicou o papel dos EUA como concorrente, o peso da China nas exportações e as chances de novos mercados como Japão e Coreia.

Acompanhe a cobertura em tempo real da guerra tarifária, com exclusividade CNBC: https://tinyurl.com/guerra-tarifaria-trump

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Transcrição
00:00O assunto agora é o impacto do tarifácio de Trump na exportação de carne bovina do Brasil.
00:11De acordo com a Associação Brasileira de Frigoríficos, durante março as vendas do
00:15produto para o exterior aumentaram 41%.
00:17Sobre esse assunto, eu converso agora com o Leandro Gílio, que é professor do INSPER
00:21AgroGlobal.
00:22Boa noite para você, Leandro.
00:24Seja muito bem-vindo aqui ao Jornal Times Brasil.
00:26Boa noite, é um prazer estar aqui com você e com a audiência de vocês.
00:31Bom, as vendas especificamente para os Estados Unidos sentiram algum efeito das tarifas de
00:3710% aplicadas sobre o Brasil?
00:41Olha, ainda não, na verdade.
00:42Na verdade, as tarifas aplicadas ao Brasil foram praticamente neutras, até porque elas
00:47foram aplicadas, o Brasil ficou na base, os 10% ali foram os países que receberam menos
00:53as tarifas, né?
00:53E depois o Trump recuou e acabou deixando 10% para todos os países, né?
00:59Então, a única possibilidade que teria aí é uma redução, digamos assim, de demanda,
01:03né?
01:03Até porque o produto acaba ficando um pouco mais caro ali para o consumidor americano,
01:06né?
01:07O produto está pagando ali 10% de tarifa.
01:10Mas, na verdade, ainda não tivemos um efeito imediato ali dentro do mercado americano
01:14ainda, né?
01:15Então, isso é algo que a gente ainda vai ver um pouco mais para frente.
01:19Quanto as vendas para os Estados Unidos representam no total de exportações de carne do Brasil?
01:25Olha, os Estados Unidos, assim, por característica, os Estados Unidos dentro do agronegócio, os
01:31Estados Unidos é muito mais um competidor do Brasil do que justamente um mercado de China
01:35principal, né?
01:36Se a gente for pensar assim, perto da China, os Estados Unidos não representam tanto, né?
01:40Por exemplo, a China representa mais de 50% ali das nossas exportações do lado pecuário,
01:47das nossas carnes bovinas.
01:48Os Estados Unidos ali é quase 10%, né?
01:51Cerca de 8, 9% por ali, né?
01:53Então, assim, é um mercado muito irrelevante, né?
01:57Nós crescemos muito ali as exportações para os Estados Unidos recentemente, até porque
02:00nós chegamos aí a liberação ali nos últimos dois, três anos, né?
02:04Para a exportação novamente ali para os Estados Unidos, mas os Estados Unidos não é
02:09nosso mercado de destino principal, né?
02:11Ainda é um mercado bastante competidor do Brasil, de modo geral.
02:15Se o Brasil perder uma parte do mercado americano, como é que isso pode ser compensado?
02:19Para que países você acha que a gente pode aumentar a nossa exportação?
02:23Olha, o mercado mais direto que pode ser compensado é justamente para a China, né?
02:27A China já consome muito carne bovinha brasileira, né?
02:30E agora, com os Estados Unidos basicamente inviabilizando qualquer tipo de exportação
02:35para a China, nós podemos aí, claro, compensar um pouco esse mercado.
02:39E agora o Brasil, ele vem, assim, tentando abrir novos mercados para a cara do governo, né?
02:44Recentemente ali, o Vietnã, né?
02:46Até o governo brasileiro esteve no Japão.
02:48E até mesmo o governo brasileiro está tentando, né?
02:53Um status de, um ambiente livre ali de aftosa.
02:58E isso pode fazer com que o Brasil atinja novos países, né?
03:01Como, por exemplo, a Coreia do Sul, né?
03:03E outros países aí.
03:04Então, nós temos aí outras possibilidades, né?
03:07De atingir novos mercados.
03:09Mas, assim, a carne bovina não será bloqueada para os Estados Unidos, né?
03:12Porque como o tarifácio ali, ele chegou mais ou menos em 10%,
03:16a carne bovina já era taxada, não é um patamar superior a 10% de modo geral, né?
03:21Em média, para os Estados Unidos.
03:23Então, na verdade, não seria tão afetado assim para o mercado americano esse tarifácio, né?
03:29Até porque o nosso tipo de carne, às vezes, é uma carne um pouco mais barata, né?
03:33E os Estados Unidos já vive ali uma questão inflacionária bastante complicada, né?
03:37Então, existe uma certa...
03:39Até interessante para os Estados Unidos, assim, comprar mais carne bovina brasileira
03:43porque consegue ali para o consumidor atingir ali umas proteínas
03:47de um custo um pouco mais baixo aí do que o próprio custo da produção americana,
03:52que é muito maior do que o do Brasil.
03:55Na sua opinião, se for fechado um acordo entre Mercosul e União Europeia,
03:58o que isso vai representar para o mercado brasileiro, para a indústria brasileira de carne?
04:04Olha, na verdade, o acordo do Mercosul e União Europeia,
04:06ele é um acordo que tem muitas limitações, né?
04:09Se você for olhar ali o que foi acordado ali, é uma cota muito restrita, né?
04:15Para as nossas exportações de carne.
04:17Então, isso não representaria, assim, uma questão muito alta ali para aquele mercado,
04:24até porque, assim, é cerca de...
04:27100 mil toneladas, mais ou menos, assim, que está prevista ali no acordo,
04:32isso daí é quase...
04:34É muito pouco do que a gente exporta aí para o mundo global, né?
04:37Então, na verdade, assim, é uma coisa, assim, que tem pouca relevância, né?
04:42Dentro daquele acordo, a cota que a gente conseguiria ali para a União Europeia, né?
04:45Então, na verdade, não significaria ali uma grande abertura comercial
04:50no mercado de carnes para a União Europeia.
04:52Como é que você está vendo a evolução do preço da carne aqui no Brasil até o fim do ano?
04:57Olha, nós tivemos ali um problema no ano passado, né?
05:01Um problema de produção, né?
05:03Então, nós tivemos uma oferta um pouco mais restrita, né?
05:07Isso naturalmente fez os preços da carne subir bastante ali no fim do ano,
05:12nesse começo de ano.
05:14Isso aí a gente já teve um pouco remanescente com relação a isso, né?
05:19Nesse ano, né?
05:20Até o fim do ano, como a demanda global, ela pode subir um pouco
05:25e a gente está entrando num ciclo de um pouco menor produção de carne bovina, né?
05:29Então, provavelmente, a gente vai ter aí uma oferta um pouco mais restrita, né?
05:34Até porque carne bovina não é tão fácil, assim, da gente compartilhar a demanda,
05:40até porque a oferta de demanda não é nem sempre tão casada assim,
05:44porque demora, né?
05:44Um tempo até para a produção de bovinos, né?
05:47Então, com o bovino demora, assim, 30 meses, né?
05:50Mais ou menos para ser produzido, né?
05:52Se for exportado aí, às vezes, 24 meses, entre 20 e 30 meses, né?
05:57Para a produção.
05:58Então, não é uma coisa assim que ocorre automaticamente, né?
06:01Então, nós estávamos entrando num ciclo de baixa produção, né?
06:04E agora a gente entra num ciclo de alta demanda, né?
06:07Se a China vier a demandar um pouco mais,
06:09outros mercados vieram a demandar um pouco mais de carne bovina,
06:12a nossa tendência é que a gente tenha aí uma elevação de preços aí
06:15para os próximos meses, né?
06:17Então, nesse mercado, provavelmente a gente vai ter aí um crescimento de preço.
06:22Ô, Leandro, a gente vê uma tendência crescente no mundo inteiro
06:25que é se preocupar com o bem-estar animal.
06:27Como é que você acha que a indústria da carne aqui no Brasil
06:29está lidando com essa questão?
06:32Olha, a indústria da carne brasileira, ela é muito preparada
06:35para atingir essas demandas globais, né?
06:37Seja de bem-estar animal ou seja também, por exemplo, da produção halal.
06:42Que ali pelo oito médio, né?
06:44Para atingir ali os critérios da produção dos países árabes, né?
06:50Os países de religião muçulmana.
06:52No Brasil já é o líder global de produção halal, né?
06:56Então, nós estamos aqui preparados para justamente trazer a nossa produção
07:02para os patamares e para as exigências globais de produção, né?
07:08Então, o Brasil não tem nenhum tipo de problema com relação a isso, né?
07:11Nós seguimos todas as regulamentações aí da Organização Mundial de Saúde Animal.
07:17A questão de bem-estar animal no Brasil é referência no assunto também.
07:22Até porque nós temos aí um gado muito mais...
07:26Não tão confinado assim, né?
07:28Muito mais extensivo.
07:29Isso, às vezes, é bom para a saúde animal.
07:33E para o bem-estar do próprio gado em si, né?
07:35E hoje em dia a gente tem várias técnicas produtivas muito mais saudáveis, né?
07:39Como própria...
07:40Se a gente for observar ali a lavoura, pecuária e floresta, né?
07:44Onde os animais acabam ficando sombreados, né?
07:47Acabam conseguindo ali ter bem-estar ao longo da sua vida.
07:53Então, assim, o Brasil é preparado para atingir esses mercados
07:56e para atender esses padrões globais de produção.
07:58Eu acho que isso não é um problema aqui para a produção brasileira.
08:01Isso daí seria um de menos, digamos assim, né?
08:04Até porque nós temos uma produção que é quase diferente de um dia.
08:09Tá certo.
08:09Leandro Gílio, professor do INSPER Agro Global.
08:12Muito obrigado pela sua participação hoje no Jornal Times Brasil.
08:15Boa noite.
08:16Obrigado, boa noite.
08:18É um prazer estar aqui.
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