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Com Jair Bolsonaro inelegível, quem herda os votos da direita e centro-direita em 2026? Luiz Felipe D'Avila e o presidente da Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo. colocam as cartas na mesa e analisam o perfil dos principais governadores. Descubra por que Ronaldo Caiado é visto como a verdadeira centro-direita, enquanto Ratinho Júnior aposta no discurso "nem-nem" (nem Lula, nem Bolsonaro).


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Transcrição
00:08A eleição de 2026 representa uma encruzilhada histórica. O Brasil vai continuar trilhando o
00:15caminho do populismo ou escolherá a rota das reformas, do crescimento econômico sustentável
00:21e do resgate da credibilidade das instituições. Em 1994, a crise da inflação foi debelada com
00:29a implementação do Plano Real e a eleição de Fernando Henrique Cardoso, que promoveu
00:33reformas profundas, como as privatizações, leis de responsabilidade fiscal e uma revolução
00:39na educação básica. Mas, em 2003, o populismo voltou ao poder com Lula e, desde então,
00:47enfrentamos a gradual degeneração das instituições. A explosão da violência e o crescimento do
00:54crime organizado, o ativismo judicial, a inadimplência recorde de mais de 70 milhões de brasileiros,
01:01o baixo crescimento e a mais grave crise fiscal desde a redemocracização são sinais claros
01:08da degeneração institucional. O Brasil vai insistir no erro ou vai mudar de rota? E,
01:15para entender o complexo cenário político de 2026, eu converso hoje com Murilo Hidalgo,
01:20presidente do Instituto Paraná Pesquisa. Murilo, muito bem-vindo à entrevista com o Dávila.
01:24Eu que agradeço. Dávila, é uma honra estar aqui.
01:27Murilo, que cenário complicado que nós temos. Antigamente nós tínhamos esse negócio de
01:33populismo, alternância de poder, mas agora parece que isso contaminou. Nós temos uma
01:37degeneração institucional geral. A polarização vai continuar acirrando essa degeneração ou
01:44ela é uma oportunidade, como foi o Plano Real, para discutir as coisas sérias e fazer
01:48uma mudança de rota? Olha, Dávila, nesse momento, pelas pesquisas, eu acredito, pela
01:53realidade de hoje, pela fotografia de hoje, muito pouco provável alguém conseguir furar
01:58a bolha, Lula e Bolsonaro. Hoje, nas pesquisas de primeiro turno, não só da Paraná Pesquisas,
02:03como de outras empresas, Lula e Bolsonaro fazem de 70% a 75% dos votos já no primeiro turno.
02:10Então, o que mostra é que, para quebrar essa polarização, vai ter que o Bolsonaro ou o Lula
02:14ir muito mal na campanha, né? Vai ter que precisar de fatos, né?
02:18Agora, para a direita, é melhor um cenário como o Chile, que tenhamos mais candidatos,
02:23inclusive para ter um debate maior e mostrar essa pluralidade de ideias e não apenas a
02:28polarização entre Bolsonaro e Lula. Você acha que é melhor Zema e, por exemplo, Ratinho
02:34Júnior saírem candidato para fortalecer esse discurso da direita?
02:38Hoje, com certeza, pela realidade de hoje, sim. Mas eleição, a gente sabe como começa,
02:43a gente não sabe como termina. Qual é a dificuldade disso? Você vai lá e diz assim,
02:47então, para a direita, vamos lançar o Flávio, o Zema, Ratinho e outros candidatos, certo?
02:54Mas quem diz que não vai chegar na última semana e vai estar 22 a 20 e eles começam a
03:00brigar
03:00que depois não tem mais volta? Já vimos muito isso na política também, porque daí o adversário
03:05no primeiro turno não passa a ser o Lula, passa a ser entre eles. E aí as ofensas vêm entre
03:10eles
03:10e no segundo turno fica muito difícil esse candidato que foi agredido apoiar o outro, né?
03:16Então, assim, num primeiro momento, pela fotografia de hoje, a estratégia da direita é muito correta.
03:21Lançar o maior número de candidatos foi a estratégia que o Lula fez na eleição passada.
03:26Ele tinha a Tronic, ele tinha a Simone Tebbit, ele tinha a Ciro Gomes, ele tinha quase todo mundo
03:33contra o Bolsonaro. Os debates eram um massacre ao Bolsonaro, certo?
03:37Essa eleição, pelo andar da carruagem e pelos nomes que estão sendo citados, tende a ser o inverso.
03:43Tendem a ser muitos candidatos contra o presidente Lula, o que é um sinal de alerta ao presidente Lula.
03:48Agora, precisa ter um objetivo comum até o fim, até o segundo turno, que é tirar o Lula e o
03:53PT do poder.
03:54Foi o que eles fizeram na eleição passada. Eles se uniram e apoiaram o Lula.
03:58Não precisa ter uma estratégia. Não adianta, assim, não estar combinado, né?
04:03Por chegar no final, como é que fica, né?
04:05Agora, tudo vai depender também, ao meu ver, principalmente hoje, que é uma peça, assim, que a gente tem dúvida.
04:16Por exemplo, eu acredito muito na candidatura do Zema.
04:18Eu acho que o Novo, por fato de querer a cláusula de barreira também, eu acho que o Zema é
04:24um que está bem fixo.
04:25Tem o Renan Santos, do Missões, que vem também. Está muito claro que vem.
04:29A dúvida que se tem, o Lula vem, o Flávio deve vir, com certeza.
04:33A dúvida é o PSD. O que o PSD vai fazer?
04:37Ratinho Júnior vem? Veja um Ratinho Júnior dos três...
04:42Dos três governadores.
04:43Dos três que podem ser, que o Kassab dizem que pode ser, o mais ao centro.
04:47O Ratinho, para mim, é uma dúvida.
04:48Porque o Caiado, eu vejo muito mais no centro-direita, o Leite, as duas eleições do Leite, que é uma
04:54coisa que ninguém diz.
04:55Ele fez aliança com o PT para ganhar no Rio Grande do Sul.
04:59O aliado do Leite no Rio Grande do Sul não é o PL, não é o Novo.
05:04O aliado do Leite no Rio Grande do Sul é os partidos de esquerda.
05:07Então, quer dizer, se o Leite for candidato, ele já tem uma aliança histórica com o PT.
05:13Sempre os apoiaram no segundo turno, certo?
05:17Já o Caiado, ele tem uma aliança mais à direita.
05:22O Ratinho, hoje, eu vejo como candidato de centro.
05:25Eu não tenho dúvida que se ele vier, ele vem com uma política inicial de neném.
05:30Quem acha que o Ratinho viria para uma campanha de direita, eu acho que se engana um pouco.
05:38Mas isso aí é muito ruim, porque não é o que o eleitorado espera hoje.
05:41Mas é uma aposta, que ele vai tentar entrar no meio.
05:44Porque senão, simplesmente, ele viria a reboque também, certo?
05:47Ele teria que tentar.
05:48Tentar o que a Simone fez no primeiro turno.
05:50Por isso que a Simone foi bem no primeiro turno da eleição.
05:54Porque ela era uma espécie de neném.
05:56Ela batia muito mais no Bolsonaro, mas criticava muito o Lula.
05:59Eu vejo o Ratinho muito parecido.
06:01Batendo, talvez, mais no Lula, mas criticando o bolsonarismo também.
06:05Então, vamos ver qual vai ser a opção que o Kassab vai escolher para frente.
06:10Então, o que você está dizendo é que o PSD vai escolher um candidato.
06:14Cada um ali tem um pró ou contra, mas não é visto, talvez, como uma direita pelo eleitor de direita.
06:19O Zema é visto como esse eleitor de direita.
06:22E o Flávio Bolsonaro, né?
06:24Exatamente.
06:24E o Caiado se vier, né?
06:25E o Caiado se vier.
06:26Eu acho que o Leite já vem mais centro-esquerda.
06:28E se o Ratinho vier, ao meu ver, a estratégia dele deverá ser uma candidatura de centro.
06:35Não criticando muito o Lula e o Bolsonaro, mas dizendo que ele é o diferente.
06:40O Brasil precisa mudar.
06:41O Brasil não aguenta mais essa polarização.
06:43Eu vejo muito a campanha do Ratinho, se ele vier pelos discursos e pelas falas, que o Brasil cansou disso.
06:48Agora, na pesquisa e outras pesquisas, mostram que o Ratinho é o mais competitivo de todos os governadores.
06:53Com certeza. Vamos fazer uma coisa justa.
06:5690% dos votos do Flávio são do pai.
07:0190% dos votos do Ratinho são do pai.
07:05Quer dizer, ele faz muito voto em cima do pai.
07:08Ele tem votos no Odessa, ele tem votos no Brasil inteiro.
07:11Essa é a diferença que ele tem de vantagem sobre Leite, Caiado e Zema,
07:14porque ele faz no Brasil inteiro em cima do nome do pai.
07:17Igual o Flávio nesse momento.
07:18Aí vai precisar na campanha, vai precisar mostrar que ele está preparado, pode surpreender.
07:22Tanto positivamente quanto negativamente.
07:25Tanto um quanto o outro.
07:26Então, estrategicamente, é até melhor, porque ele fura exatamente no maior colégio eleitoral do Lula, que é o Nordeste.
07:31Num primeiro momento, sim.
07:33O nome do pai.
07:35Agora, precisa ver se vai surpreender positivamente ou negativamente.
07:38Isso vale para o Flávio também.
07:39Ele está fazendo os votos em cima do pai, mas em um certo momento ele passa a ser o protagonista.
07:44Agora, Murilo, você que é um especialista em campanhas e pesquisa, sempre tem a questão da rejeição como um peso
07:51negativo.
07:52E tanto o Lula quanto o Flávio Bolsonaro têm enorme rejeição.
07:56É possível diminuir rejeição?
07:59Olha, Davila, muito boa essa pergunta e obrigado pela oportunidade.
08:02Eu não conheço político que tenha voto e não tenha rejeição.
08:07Que nem a gente brinca.
08:09Aquele candidato tem 2%, mas ele tem 8% de rejeição.
08:11Está explicado porque ele tem 2%.
08:13Você entende para você?
08:15Aquele candidato tem 40% e tem 47% de rejeição.
08:18Está explicado porque ele tem os 40%.
08:20Essa é uma coisa...
08:22Quer dizer, para o candidato ter voto, ele cria rejeição.
08:25E porque como está muito acirrado o Lula e o Bolsonaro,
08:29há 60 dias atrás, o Bolsonaro, o Jair e o Flávio,
08:33eles tinham em torno de 6% a 7% de rejeição a mais que o Lula.
08:36O Flávio conseguiu baixar essa rejeição.
08:38Hoje a rejeição deles estão iguais.
08:41O que eu acho que a grande vitória do Flávio nesses 60 dias
08:44não foi o crescimento dele, porque o crescimento dele era uma coisa natural.
08:48Eu acho que a grande vitória para ele foi a diminuição da rejeição.
08:51Hoje ele está com uma rejeição igual a do Lula, em torno de 46%, 47%.
08:55Mas é aí que eu falo, são os dois mais votados que têm mais rejeição.
08:58A turma de baixo, que tem 5%, 6%, 3%, 2%, tem rejeição.
09:02Só que ao mesmo tempo, a hora que começar, a hora que bater a casa dos 10, dos 15,
09:08eu volto aqui e você vai me dizer que a rejeição aumentou.
09:10Por quê?
09:11O eleitor do Lula e do Bolsonaro vai começar a rejeitar esse eleitor.
09:14Entendi.
09:15Como um possível adversário.
09:16Porque assim, é muito clara a rejeição.
09:18Quem vota no Bolsonaro rejeita quem?
09:21Lula.
09:21Quem vota no Lula rejeita o Bolsonaro.
09:24Rejeita o Bolsonaro, é isso aí.
09:26Agora, vejam, vamos pegar a primeira rejeição do Flávio Bolsonaro.
09:30Tem dois pontos aí.
09:31Uma é se ele escolher um bom ministro da Fazenda, alguém na equipe econômica,
09:35que dá um sinal ao mercado de que ele vai assumir uma agenda liberal, reformista,
09:42atacar o problema do ajuste fiscal.
09:44Isso certamente ajuda a derrubar muito parte da rejeição.
09:47E a outra coisa é um tom mais moderado do Flávio
09:52para tirar uma certa rejeição ao nome Bolsonaro que tem relação à parte da direita, né?
09:58Olha, Dávila, é muito bom esse questionamento também.
10:01Vamos lá.
10:03Tem hoje duas economias.
10:05Tem a economia da Faria Lima e tem a economia real.
10:08O que é a economia real?
10:10Para 85% da população brasileira não é a economia da Faria Lima.
10:14A justiça fiscal.
10:15Não é isso.
10:16O que é a economia real?
10:17É supermercado e consumo.
10:20Certo?
10:21O preço do supermercado e o consumo.
10:23As pessoas estão consumindo.
10:24As pessoas estão conseguindo ir em lojas, departamentos e financiar em 24 vezes
10:28porque vai ter condição de pagar e os juros não estão abusivos.
10:31Essa é a economia real.
10:33O povo hoje está triste com o Lula, que é a grande dificuldade dele,
10:36porque a economia real não está boa.
10:38Quando a gente pergunta, tem uma pergunta clássica.
10:41Depois que o presidente Lula assumiu a sua situação financeira,
10:43você da sua família melhorou, piorou, permaneceu igual.
10:46piorou para permanecer igual.
10:48Quer dizer, mas não é em cima dos índices maravilhosos,
10:51bolsa batendo recorde, dólar lá embaixo, taxa de desemprego, vale a economia real.
10:56Tem a economia da Faria Lima, que vamos lá, não é uma crítica.
11:00Mas quantas eleições a Faria Lima não veste?
11:03Quer dizer, tem a economia real e a economia da Faria Lima.
11:07Agora, o que está pegando na economia real é o juro alto.
11:09É o juro alto e supermercado.
11:11E inflação.
11:13A picanha, a cerveja, o Lula ganhou a eleição em cima da economia real.
11:16Não é da economia da Faria Lima.
11:18Então, quando as pessoas criticam muito o candidato A ou o candidato B,
11:22pô, ele foi em eventos e não falou isso, não falou aquilo,
11:25ele tem que pensar muito bem o que ele vai falar.
11:27Se ele vai falar para 85%, ele vai falar aqui para 15%.
11:30Uma coisa é depois que ele assume as medidas.
11:33Mas agora, eu acho que é muito complexo para qualquer candidato presidencial
11:38ainda dizer economicamente, apresentar economistas, quem vai ser, quem não vai ser.
11:43Por quê?
11:44Começa as críticas.
11:45Aquele economista pensa naquilo.
11:47Ó, ele vai baixar o déficit.
11:49Ele vai não sei o quê.
11:50Então, o outro lado já começa a criticar.
11:53Então, eu acho ainda muito cedo para isso.
11:55Então, tem que tomar cuidado.
11:56Mas, atacar esses dois problemas, principalmente essa inadimplência alta
11:59que a gente está falando aqui de 74 milhões e o preço do supermercado.
12:03Juros e mercado.
12:05E outra coisa, vocês vão me cobrar.
12:07A picanha e a cerveja vão voltar.
12:09Certo?
12:10A picanha e a cerveja vão voltar, porque foi símbolo.
12:13E qual é o grande problema do Lula hoje?
12:15Principalmente no Nordeste, Lula.
12:17Por que o Lula não vai repetir?
12:19Vocês podem me cobrar.
12:20Ele não vai repetir o desempenho dele no Nordeste.
12:23Por quê?
12:23Ele ganhou uma eleição, ele fez muito voto no Nordeste, o Lula 3, em cima do sonho.
12:28O sonho de voltar a comprar o celular, de voltar a comprar o carro, de voltar a viajar de avião,
12:33o parcelamento das coisas.
12:36Isso não aconteceu.
12:38Então, o povo sonhou.
12:39O povo sonhou com isso.
12:40E ele não entregou esse sonho.
12:43Então, quer dizer, essa é a grande dificuldade do Lula no Nordeste hoje.
12:46Certo?
12:46É a entrega desse sonho, do consumo.
12:48Das pessoas comerem a picanha que ele falava.
12:51Cervejinha com picanha.
12:52Cervejinha com picanha.
12:53Quer dizer, essa é uma dificuldade que o governo tem hoje.
12:57A segunda dificuldade que o governo tem, que também mostra bem nas pesquisas, é a segurança pública.
13:03É a sensação de insegurança.
13:05Olha, Davila, mas aí, pelas pesquisas que a gente vê, todo mundo fala.
13:11Hoje, o grande problema do brasileiro é saúde e segurança.
13:14A saúde é gravíssima.
13:15E por que saúde ninguém fala?
13:18Só fala um pouco mais de segurança.
13:19Sabe por que, Davila?
13:20A saúde é um problema de quem?
13:22É do prefeito, do governador e do presidente.
13:23É de todos.
13:24Então, as pessoas preferem...
13:26Não vamos tocar nesse assunto aqui, senão sobra para o meu prefeito.
13:30Certo?
13:31Segurança pública também é um debate que é o grande problema do brasileiro hoje, mas é um assunto que os
13:38governadores não gostam de tocar.
13:41Certo?
13:42Por quê?
13:42Também serão questionados.
13:44As PMs, as polícias civis e quem que é.
13:46Então, quando um governador chegar e criticar muito o governo federal, por exemplo, você dá um exemplo, o Zema, o
13:53Ratinho, o Caiado, eles vão ter que apresentar esses números.
13:56Quando um exemplo...
13:57Lógico que eles vão ser questionados.
13:58Ele vai dizer, a segurança pública no Brasil é uma vergonha, tem que melhorar, não sei o quê.
14:02Primeira pergunta que vai ser feita.
14:03Governador, quantos PMs o senhor contratou?
14:07Quanto que o senhor investiu em tecnologia?
14:09Quanto que o senhor investiu em tudo isso?
14:10Vai ser questionado.
14:11Se o senhor não fez no seu estado, que é muito mais rico que a União, você vai fazer na
14:15União?
14:16Não adianta você nos dizer aqui que você contratou 3 mil homens e quantos aposentaram?
14:21Aposentou 5 mil?
14:22Teve um déficit de 2 mil?
14:24Quer dizer, tudo isso na campanha vem.
14:26E você pode ver, a exceção do Cláudio Castro, que teve o episódio do Rio de Janeiro, qual desses três
14:30governadores, o Caiado é o que mais fala, certo?
14:33Fala insistivamente sobre segurança pública.
14:37Nenhum deles.
14:38Porque é um assunto muito difícil para eles nos seus estados.
14:42Agora, tem uma questão de impunidade, de legislação, que aí é federal, né?
14:46Aí sim.
14:47Mas daí não é uma segurança pública de PM, de roubo de celular.
14:50Não, não, não.
14:51Você entende a voz que eu quero te falar?
14:52Crime organizado, legislação.
14:56Aí é diferente.
14:56Aí é uma outra segurança.
14:58Que também não pesa a grande população, ela está preocupada com o quê?
15:03Do roubo do celular, da filha, que vão roubar a casa, que vão mexer com a filha, não pode ficar
15:09no ponto de ônibus à noite.
15:10Essa é a grande problema da população.
15:12Agora, o crime organizado, com certeza, aquele celular que é roubado e o cara é solto uma, duas horas depois,
15:18com certeza, isso vai vir para a pauta, com certeza, da direita, não tenho dúvida.
15:25Agora, Murilo, você acha que o Brasil, nós começamos aqui na abertura do programa, a falar de 1994, que foi
15:32um momento que teve uma crise grande, teve uma inflexão e o povo comprou a ideia, então, do plano real.
15:38E não foi só o plano econômico, foi toda a transformação que veio logo depois.
15:43O Brasil está numa situação muito parecida, no sentido de gravidade da crise.
15:47Não só a crise fiscal, como a gente sabe, baixo crescimento, mas você acha que a crise atual pode desencadear
15:56no próximo presidente, uma vez eleito, se evidentemente for da oposição, uma série de reformas como foi o que ocorreu
16:03no governo Fernando Henrique?
16:05Se a oposição ganhar, o momento é para isso.
16:08Agora, vai fazer? Vai optar por isso?
16:10Porque, na verdade, Dávila, precisa ser dito.
16:13Ninguém gosta de entrar a ser presidente com medidas impopulares.
16:17Ninguém gosta, certo?
16:19Você vai entrar já de cara para mexer com setores?
16:22É muito difícil.
16:23E uma outra realidade, você tem um Congresso Nacional hoje, por causa das emendas, muito mais independente.
16:29Porque, por um lado, é muito bom, para o outro, é muito ruim.
16:32Ruim por causa das emendas, mas bom porque você deixa o deputado mais independente.
16:35Ele não depende mais do governo.
16:37Então, hoje é muito mais difícil de aprovar reformas do que foi em 1994.
16:42Vamos ser realistas também.
16:44O próprio governo Lula e o próprio governo Bolsonaro mostraram isso.
16:48É que é muito difícil de aprovar reformas hoje.
16:51Mas vai ter que fazer.
16:53Porque o Milley falou uma coisa muito interessante.
16:55Ele disse assim, não existe mais espaço para gradualismo na América Latina.
16:59A gente tem que fazer mudança radical porque, senão, a coisa não vai andar.
17:02Mas precisa muito do Congresso.
17:04Precisa.
17:04Precisa do Congresso.
17:05E aí eu queria tocar no ponto, a gente está falando de eleição federal, das eleições para o Congresso e
17:12para os governos estaduais.
17:13Vamos começar pelo Congresso.
17:15Você acha que nós teremos uma renovação grande no Congresso?
17:19Porque a gente sempre tem 48%, 45%, mas o Congresso continua o mesmo, com esse perfil centrão.
17:27Você acha que é possível ter uma mudança no Congresso e principalmente no Senado?
17:30Olha, o que chama a atenção no Senado, tá?
17:34Todos os governadores que não têm direito à reeleição, a grande maioria deles vai ao Senado.
17:39Então, eles não são figuras novas na política.
17:42Vamos supor, o Caiado, se ele vier a ser candidato senador, não vier a ser candidato presidente, ele retorna ao
17:47Senado.
17:48Já foi senador, é um exemplo.
17:50Ele retorna.
17:51Então, tem vários outros, tem governadores, eles vão ao Senado, certo?
17:55Mas eu não vejo eles assim, eu vejo todos eles hoje.
17:59Nós teríamos um Senado muito conservador, muito à direita, mas não acredito que vai ter volume suficiente no primeiro momento
18:07para impeachment.
18:09Certo?
18:09Porque a maioria dos governadores já existe uma relação, né?
18:13Com o judiciário, dos seus estados, já existe toda uma relação de oito anos por trás disso.
18:18Mas, com certeza, a gente terá um Senado muito conservador e muito à direita.
18:24Eu acho que, principalmente, se o Lula se reeleger, ele terá muito mais dificuldades do que teve nesse terceiro mandato.
18:31Mas as mudanças estruturantes são importantes.
18:34Por exemplo, no caso do judiciário, como voltar a ser uma corte constitucional,
18:37atacar a questão de minerais monocráticos, decisões monocráticas.
18:40Esse tipo de reforma para voltar a restabelecer o equilíbrio entre os poderes e para tentar diminuir um pouco do
18:47ativismo do judicial,
18:48isso você acha que há clima propício?
18:51Eu acho que há clima na sociedade.
18:53Eu não acredito que está acontecendo isso.
18:55Você não acredita mesmo com a mudança no Senado?
18:57Eu não acredito porque as pessoas que vêm, são todas as pessoas que já passaram, que têm relações.
19:03Eles têm relações com os ministros, eles têm relações com o sistema.
19:06Eu acho muito pouco provável que esse tipo de mudança, a não ser que esteja um pacto federativo entre os
19:13poderes para mudar.
19:14Eu acho que com um pacto, aí sim.
19:17Mas, assim, no voto, ganhar no voto, ganhar na marra, vamos ganhar, isso eu acho pouco provável.
19:22Muito pouco provável.
19:24Isso vai ser uma frustração para a parte da população que acredita em reforma.
19:28Vai ser, porque, assim, vocês já vão ver isso, a gente sempre fala durante a campanha.
19:33Porque essa campanha, nós temos a eleição presidencial que é mais forte, existe uma grande expectativa da campanha do Senado
19:41ela ser mais importante que a eleição de governador, pela primeira vez na história.
19:45Que você queira muito mais aqui entrevistar os candidatos a senador do que a governador.
19:49E quais vão ser as primeiras perguntas que você vai fazer?
19:51Se ele é a favor de impeachment, se ele é a favor dessas reformas.
19:55Aí a gente vai começar a ver se eles vão chegar, veja bem, ou se ele vai dizer, conta comigo.
19:59Quer dizer, ali você já vai começar a sentir, certo, de como vai ser esse Senado, certo?
20:05Agora, não tenho dúvida que a eleição de senador será, era a última eleição para o eleitor, a menos importante.
20:13Agora vai ser...
20:14Eu estou para te dizer que vai ser a de presidente e a de senador.
20:18Senador.
20:18Senador vai, a eleição de senador vai ser muito disputada esse ano pelo Brasil inteiro.
20:23Porque os dois polos, tanto Lula quanto Bolsonaro, vão ter muito interesse no Senado, né?
20:30Muito mais no Senado do que na Câmara.
20:32Sim.
20:33E essas chapas dependem muito dessa composição das chapas estaduais, né?
20:37Quem vai ser o governador, quem ocupa as vagas, vai ter muito essa costura, né, para montar a chapa.
20:42Olha, como é difícil.
20:43As pessoas não imaginam.
20:45A gente que lida muito com os governadores, como é difícil.
20:47Por quê?
20:48Você pensa o seguinte, vamos pegar o exemplo lá do Paraná.
20:52Certo?
20:52Você tem o Ratinho.
20:54Ele é candidato a presidente?
20:56Se ele for candidato a presidente e vier, como eu te falei, ao centro, nem nem,
21:00o PL que é aliado dele permanecerá com ele ou cairá fora?
21:04Ou vai com o Sérgio Moro, um exemplo?
21:07Certo?
21:08Como que se dão as composições estaduais?
21:10Só que as composições estaduais, para eles, é tão importante quanto a presidente da República.
21:15Talvez eles optem, o Zema, o Caiado, muito mais em fazer o sucessor lá no seu Estado
21:21do que olhando em cima.
21:22Porque tem reflexo em cima.
21:24Sim.
21:25Tem que compor.
21:26Se não compor, ele põe em risco o seu Estado, né?
21:30Com certeza.
21:31Onde os três são muito bem avaliados, certo?
21:33E tem grande, e tem chance de fazer os seus sucessores.
21:36Então, numa jogada máxima, pode ser que põe em risco a sucessão estadual.
21:40Agora, o PT tem uma enorme dificuldade, nessa eleição, de ter palanques competitivos nos
21:45Estados.
21:46Até mesmo aqui em São Paulo, está essa história de tentar colocar o Haddad para perder a quarta
21:51eleição.
21:52Todo mundo tem uma certa relutância.
21:53Como que o PT vai tocar uma campanha presidencial com enorme dificuldade nos principais colégios
21:58eleitorais para criar candidaturas competitivas?
22:01Olha, assim, como que a gente vê o PT hoje, certo?
22:06Você vê, vamos pegar os Estados do Sul, vamos por região, os Estados do Sul, certo?
22:11O Lula deverá fazer uma estratégia para fazer de 30% a 35% o que ele sempre fez.
22:17Talvez um Estado ou outro tenha um desempenho melhor ou pior, depende de quem vai escolher.
22:21Aí você vem para Rio, no Rio, no Rio ele tem o favorito lá, que é o Eduardo Paes, certo?
22:27Aí você vem para Minas, o Pacheco diz que não quer, não quer, não quer, não tem
22:30nem nome.
22:31Como que ele vai fazer em Minas?
22:32São Paulo, ele tem o Haddad, que é o Geraldo Alckmin, seriam candidatos que eu te diria
22:39que não são favoritos para ganhar, mas são candidatos que vão...
22:43Que ajudam a fazer palanque local.
22:44Ajudam a fazer palanque local, não é um problema para ele.
22:47Ele já perdeu em São Paulo há quanto tempo?
22:49Nunca ganhou aqui, quer dizer, mas ele precisa ter um candidato competitivo.
22:53Então, às vezes, o cara vem para perder para fazer um papel.
22:56Foi o que o Haddad fez a eleição passada, certo?
23:01Então, vai vir o Haddad, vai vir o Geraldo, ou vão vir de Márcio França?
23:05Quer dizer, é uma situação para aguardar.
23:08E no Nordeste, eles são muito fortes, né?
23:10É, no Nordeste.
23:12O PT mostra muita força, ou com eles, ou com o aliado deles, né?
23:17Agora, qual que é a chance de Geraldo Alckmin continuar na chapa como vice-presidente?
23:22Vai depender demais, Davila, ao meu ver, de como o Brasil chega em julho.
23:27Em julho?
23:28Em julho.
23:29O Lula chega favorito?
23:31Chega com gordura?
23:32Chega sem gordura.
23:33Ele precisa fazer, tentar trazer algum partido do Centrão?
23:37Ele precisa tentar trazer o MDB?
23:39Porque ficou difícil.
23:40Ele precisa tentar trazer o Kassab?
23:42Oferecer a vice ao Kassab?
23:43Se fala muito nisso também, certo?
23:45Que ele ofereceria a vice ao Kassab para tentar trazer o Kassab.
23:48Como ele fez com o Alckmin em tentar trazer o Kassab.
23:51Quer dizer, tudo isso a gente vai ver em julho.
23:54Certo?
23:55O Kassab também tem os interesses dele no Estado de São Paulo.
23:58Ele será atendido?
23:59Não será atendido?
24:00Certo?
24:01Então, tudo isso a gente vai ver a partir de julho.
24:04Eu acho que antes de julho vai ficar nisso.
24:06Quer dizer, na reta final das convenções partidárias é que vai definir esse grid.
24:10Vai definir esse grid, com certeza.
24:13Que coisa.
24:13Agora, um ponto importante.
24:17Qual é a estratégia de um partido, como você bem falou, está aquado nesses assuntos
24:23de promessas frustradas?
24:26Vai basear o discurso em quê?
24:29Nas bolsas que deu, nas mesadas do governo federal?
24:33O que vai fazer ter um apelo para esse eleitor?
24:37É apenas a rejeição ao nome do Bolsonaro?
24:40Ou do Lula?
24:41Na verdade, assim, eleição é quem vende o melhor sonho.
24:46Na verdade, vence quem vende o melhor sonho.
24:50É que as pessoas acreditam que aquela pessoa vai melhorar a sua vida.
24:54Certo?
24:54O Lula vai ter argumentos.
24:56Melhorei muito.
24:57Não deu para fazer tudo porque a situação estava muito difícil.
24:59Mas o pior passou, provavelmente ele vai vender isso.
25:02O Flávio vai tentar dizer, provavelmente nós vamos voltar à época do meu pai.
25:07Vamos melhorar mais ainda.
25:09Ah, pá, pá.
25:10Cada um vai ter o sonho.
25:11A terceira via vai dizer, o Brasil precisa mudar.
25:15Não dá mais.
25:16Precisa quebrar os sistemas e tal.
25:17Cada um vai vender o sonho.
25:19Mas qual sonho lá na frente vai ser o mais aceito pela população?
25:23Essa é uma pergunta que ninguém tem essa resposta.
25:27E esse é aquele voto crucial que muda de lado toda eleição e que dá vitória a um
25:31ou outro.
25:32Você tem hoje no Brasil, ao nosso ver, da Paraná Pesquisa, de 6% a 8% do eleitorado.
25:376% a 8%.
25:38Esse é o que vai ser o eleitor decisivo.
25:40Esse é o que vai decidir.
25:41E com agravante.
25:43Ele não vai tudo para um lado só.
25:45Se você disser que tem 8, ele não vai os 8 para você.
25:48Como não vai os 8 para mim.
25:49Vai 5 para você, 3 para mim, 6 para você, não manda 2 para mim.
25:52Não vai os 8.
25:54Então, quer dizer, nós teremos uma eleição que a gente vai por de um cobrar.
25:58Nós vamos ter uma eleição 52, 48.
26:00Muito equilibrada.
26:01Muito equilibrada.
26:02De novo, como foi o Brasil, está muito dividido.
26:05Muito dividido.
26:06Se isso é bom ou ruim, a história vai dizer para frente.
26:09Agora, pensando nesses palanques regionais, existem dois mitos.
26:15O mito de que sempre dá 70-30 para o Lula no Nordeste, para a esquerda no Nordeste,
26:22e que dá esse 70-30 no Sul e para a direita.
26:27Dá para quebrar essa resistência?
26:29Vai ser quebrado.
26:30Vai ser quebrado por dois motivos.
26:32O Lula não repete no Nordeste o 70-30.
26:35Não repete mais.
26:37Tem uma coisa interessante no Nordeste.
26:40O resultado das capitais do Nordeste, na eleição passada, o Lula ganha do Bolsonaro com 10% de diferença.
26:46Se você fizesse só as capitais.
26:48Ele ganha disparado 80-20 no Sertão.
26:52No Sertão.
26:53Lá ele ganha no interior.
26:54Lá ele ganha muito forte.
26:56Só que ele não entregou esse sonho que eu falei para vocês.
26:59E tem dois estados que vão pesar muito para o Lula nessas eleições.
27:03Bahia e Ceará.
27:04São os dois maiores estados do Nordeste.
27:06Onde vai pesar?
27:07Porque na Bahia você sempre teve Jacques Wagner e Rui Costa muito bem avaliados.
27:12Todos com mais de 70%.
27:13Hoje você tem Eumano e Jerônimo não tão bem avaliados como eram antes, fora o desgaste do tempo.
27:21E segundo, você vai ter um Ciro Gomes, que é um candidato que lidera no Ceará contra o candidato do
27:26PT.
27:26E o ACM Neto na Bahia.
27:28Quer dizer, com o Ângelo Coronel, sendo reforçado por o Ângelo Coronel agora.
27:32Quer dizer, então, eu vejo um Nordeste muito mais complexo para o Lula.
27:35O Lula, para vencer, vai ter que ampliar, provavelmente, no Sul e no Sudeste.
27:41Agora, Murilo, eu tenho curiosidade de escutar uma coisa.
27:44Como vem mudando a mentalidade nessa região por causa do agronegócio?
27:50O Oeste da Bahia não tem nada a ver com esse caciquismo político do PT lá dentro.
27:55E a fronteira agora indo para o Mato Piba.
27:58Como é que o agronegócio vai transformar o Nordeste, trazer muito mais essa mentalidade empreendedora
28:07que tem no Sul, Sudeste, Centro-Oeste, que a agricultura, quando adentrou, mudou?
28:11Com certeza.
28:12Eu acho que o crescimento do agro é um crescimento da direita também.
28:17Está muito linkado à direita.
28:19Então, quanto mais o agro entrar nessas regiões, mais a direita terá sucesso nessas regiões.
28:24Mas está muito linkado a isso, não tenho dúvida.
28:27E o forte do Lula, também, você pega as grandes capitais no Sul e Sudeste, né?
28:34Onde o Lula também está crescendo.
28:35Cada eleição, o PT cresce.
28:37Mas aí ele cresce na polarização, na briga de costumes, em outros fatores, vai fazer com que o Lula cresça
28:45no Sul e no Sudeste.
28:47Não tenho a menor dúvida disso, mas muito mais daí em cima de uma polarização, briga Lula-Bolsonaro e em
28:54cima de costumes.
28:55Agora, uma coisa interessante, a pauta de costumes, o identitarismo, teve um peso muito grande nas eleições passadas.
29:02Mas vem caindo muito, não só no Brasil, como no mundo.
29:05Qual é o peso que isso vai ter na hora do voto?
29:08Volta.
29:09Volta porque...
29:11Como que volta isso?
29:13Você vai ver que quanto uma aproximada eleição, os artistas voltam com isso, né?
29:17Mas isso tem apelo como teve na eleição passada?
29:21Tem, tem.
29:22Tem um apelo cada vez maior, né?
29:23E cada vez maior.
29:25Certo?
29:26Esse é um problema da direita.
29:27A direita enxergar isso.
29:28Que esse apelo está aumentando.
29:30Que para as pessoas, isso está tendo uma importância...
29:34Eu te diria que antigamente, você poderia falar, a economia decidia para 80% da eleição o que pesava era
29:40o bolso.
29:41A pessoa está comendo no supermercado e está consumindo.
29:43Hoje eu já te diria que chegaríamos a 30%, 35% em cima da pauta do costume.
29:50Você falou nesse problema que o PT vai ter nos maiores estados do Nordeste, que é a Bahia, né?
29:56E Pernambuco também?
29:57Pernambuco tem Raquel Lira.
30:00Pernambuco vai depender demais do que a Sabe.
30:02O Lula terá os dois palanques?
30:03Porque a Raquel Lira, na verdade, ela sonha com o Lula, né?
30:06Vamos ser realistas aqui.
30:07A Raquel Lira não sonha em fazer o palaqui do Flávio, do Ratinho ou do Zema.
30:12Ela sonha agora...
30:13O Lula fará qual o palanque?
30:15O do João Campos ou o da Raquel Lira?
30:17Essa é a dúvida também que é um problema para o Lula em Pernambuco também.
30:21Como que ele vai administrar a briga dos dois, Laramba?
30:23E o João Campos, liderando o PSB, parece que está jogando duro para manter o Alckmin como vice, né?
30:31Com certeza.
30:32Porque para ele é uma certeza lá na frente, né?
30:34Eu não tenho dúvida.
30:35João Campos, Nicolas, com certeza é o futuro do Brasil.
30:40Eles vão disputar para frente, pode ter certeza disso.
30:43São dois nomes que daqui a oito anos, se não tiverem percalços pela frente, com certeza estarão disputando.
30:49Outra região interessante vai ser a briga no Senado, em Alagoas.
30:54Alagoas nós vamos ter lá Arthur Lira, Renan Calheiro, já estão se pegando agora.
31:00Você imagina como é que vai ser?
31:01É uma das eleições mais quentes do Brasil.
31:03É, né?
31:03E aí é que eu falo para você, a gente trabalha muito lá e os dois abafam a eleição de
31:08governador.
31:09A eleição de senador passa a ser mais importante do que a eleição de senador, né?
31:15É.
31:15Do que de governador.
31:16Lá vai ser.
31:17Vai.
31:18E o Renan Filho vai disputar novamente o governo?
31:20Renan Filho, teve uma entrevista dele ontem categorizando que ele vai disputar o governo do Estado.
31:26vai disputar o governo do Estado.
31:27Agora basta saber se o prefeito de Maceió, o JHC, o que ele vai fazer da vida, porque
31:33ninguém sabe.
31:33Porque se ele for candidato vai ser uma eleição acirrada também.
31:36Muito, muito.
31:37Mas vai ser candidato?
31:38Tem que renunciar a prefeitura para uma eleição difícil?
31:41Tem compromissos também?
31:42Fez compromissos, né?
31:44De que não sairia?
31:45Certo?
31:46Então vamos ver qual vai ser a posição do JHC.
31:51Agora uma coisa interessante, por que o Norte não é petista?
31:55O Norte tem uma característica, até o Bolsonaro teve vitórias no Norte.
32:00O Norte hoje é mais direita do que o Sul.
32:03Por causa do agro?
32:04Por causa do agro, com certeza.
32:06Tirando um pouco o Pará, certo?
32:08Um pedaço do Pará, das grandes cidades, né?
32:11Certo?
32:11Eu te diria que o Norte hoje é mais direita do que o Sul.
32:16E outra região interessante, parece que o único lugar que o PT vai ter um candidato
32:21muito competitivo e provavelmente vai ser reeleito, é o Fonteles no Piauí.
32:24Ali ele está muito bem, né?
32:26É bem favorito.
32:28Bem favorito.
32:28Bem favorito.
32:29Bem favorito.
32:30Mas é um Estado pequeno.
32:31É um Estado pequeno, né?
32:32Vamos passar a um outro Estado interessante, Rio Grande do Norte, que também está uma briga...
32:36Rio Grande do Norte é um Estado que vai ter uma eleição muito equilibrada entre direita e esquerda.
32:41Eu acho que Rio Grande do Norte teremos uma eleição equilibrada.
32:45Sergipe, teremos uma eleição equilibrada.
32:49Maranhão, também teremos uma eleição equilibrada.
32:52De governador, estou falando.
32:53É uma eleição onde não dá 70 a 30, em hipótese alguma.
32:56Muito equilibrada.
32:57Mas aí que vem o problema.
32:59Ou para a direita, né?
33:00Normalmente os dois palanques são do PT, né?
33:03Por exemplo, você pega, por exemplo, a eleição no Pará.
33:08É, vai ter Helder...
33:09Não, você vai ter o candidato do Helder e você vai ter o Daniel, que é o ex-prefeito da
33:15Nanineu.
33:16Só que um está com o Lula e o outro é PSB.
33:19Então, quer dizer...
33:20Então, ele fica no...
33:22A dificuldade do Lula é como não perder o outro por apoiar o outro.
33:26Porque o outro também não aceita que o Lula divida a palanque.
33:29Que é a história do João Campos com a Raquel, com o Helder, com o Daniel.
33:32Eles vão para cima do Lula e vão dizer, pô, você vai apoiar os dois?
33:35Você vai vir aqui e ora comigo, ora com ele?
33:37Quer dizer, então é difícil, porque tem a eleição local, né?
33:40É muito difícil, tanto para a Lula quanto para a direita, a história dos palanques locais.
33:45E como vão acertar os palanques locais.
33:46E é muito importante para o resultado final da eleição.
33:49Agora, Murilo, falando em palanques locais, a estratégia para aumentar as bancadas no Congresso Nacional
33:55sempre fez com que esses partidos do Centrão acabassem liberando o partido para apoiar quem quiser.
34:01E mesmo quando teve candidato presidencial não tão expressivo como o MDB,
34:04que teve o Henrique Meirelles, depois teve a Simone Tebet,
34:07teve um liberou geral para que cada um apoia localmente para poder ter o maior número de deputados, né?
34:11Na verdade, hoje a gente vê, assim, com ideologia,
34:17um fazendo, os deputados tendo que apoiar, sendo mais firmes, quatro partidos no Brasil.
34:22Vamos ser justos.
34:23Os dois maiores, PL e PT.
34:26Por exemplo, se algum do PL resolver apoiar o Lula, vai estar expulso.
34:30No PT é a mesma coisa.
34:31Se o cara apoiar o Bolsonaro, vai ser expulso.
34:34Então eu vejo hoje PL, PT, PSOL e Novo.
34:38São os mais, certo?
34:40Os demais, vale fazer bancada.
34:43Fazer bancada.
34:44Fingir que não está vendo, né?
34:46E mesmo esses partidos, na hora da votação, eu já vi o PL votando muito com o governo.
34:51Sim, exatamente.
34:53E não é só votando, né?
34:54Como que esses partidos ajudam o governo?
34:57Se ausentando.
34:58Lá atrás também tinha muitos candidatos do PT que em votação,
35:01não é que ele ia para o plenário votar a favor ou conta.
35:04Simplesmente ele não...
35:05É verdade.
35:06Ele se ausenta.
35:07Ele se ausenta.
35:09Ele ajuda se ausentando, né?
35:10Agora, como o PSD vai se comportar nesse cenário, tendo um candidato presidencial?
35:17Olha, é uma questão que o Kassab vai ter que resolver.
35:21Porque se a gente fizer uma análise rapidamente para você, como eu te falei, no Sul, Eduardo
35:25Leite sempre ganhou com o PT.
35:27Em Santa Catarina, ele está lançando o candidato a governador, o prefeito Chapecó, que vai
35:33enfrentar o PL.
35:34Então, lá vai ser briga contra o PL.
35:37No Paraná, vamos ver qual vai ser a posição do Ratinho, se vai ou não vai.
35:41Aí você pega Rio de Janeiro, Eduardo Paes, está com o PT.
35:45Minas Gerais, ele filiu o governador, que eu também não entendi como que o Novo liberou,
35:50o Matheus Simões, vai para lá, para ir para o PSD, onde tem o Alexandre Silveira, que é
35:54ministro do Lula, e tem o Pacheco, que o Lula está dizendo que toda hora que é ele
35:58candidato.
35:59O Kassab vai tirar o Pacheco e o Alexandre Silveira do partido?
36:03Como que fica a situação?
36:05E se eles não forem candidatos a governador, eles concorrem no Senado na chapa de quem?
36:10Dividindo o palanque com o Matheus Simões?
36:13Quer dizer, a metade do Matheus Simões vai estar com o Lula?
36:17Quer dizer, é difícil, o Brasil, então, a situação do Kassab, é muito mais à esquerda
36:22do que à direita.
36:23Aí você pega o Nordeste inteiro dele, é quase com o Lula.
36:26Quase com o Lula.
36:28Então, quer dizer, a situação do Kassab também, desse candidato que sair, como que ele
36:32vai unir o partido para que ele tenha palanque?
36:35Já vi entrevistas do Otto Alencar na Bahia, dizendo o seguinte, aqui pode vir quem quer
36:41que seja, que nós vamos apoiar o Lula.
36:43Aí o Caiado já respondeu, vou apoiar o Assemi Neto, seja quem for o candidato do partido
36:48da Bahia.
36:49Vocês tem que falar assim, como é que vai se dar isso na prática?
36:51Não vai terminar bem.
36:53Você já pensou, Dava?
36:54Você é candidato a governador?
36:55Você vai fazer campanha na Bahia?
36:57Nem o teu partido te espera no aeroporto?
36:58É.
37:00Não é.
37:00Quem vai te receber lá?
37:02Por isso que eu digo.
37:02E o primeiro questionamento que vão te fazer na Bahia é qual que é?
37:05É.
37:05Por que ele não está aqui?
37:07Exatamente.
37:08A turma do Otto te espera daqui.
37:11É muito difícil, né?
37:13É muito difícil.
37:13Porque entendo quando a estratégia é só fazer bancada, porque aí você libera todo
37:17mundo, cada realidade local manda na aliança.
37:19Agora, quando você tem um candidato majoritário, aí começa a complicar.
37:22Começa a complicar.
37:23Por isso que vamos ver qual vai ser a decisão do Kassab.
37:26Eu acho que essa resposta a gente vai ter em julho, muito em cima do que vai acontecer
37:30aqui no Estado de São Paulo.
37:31Agora, qual é a chance do Kassab lançar ou não candidato presidencial?
37:37Eu te diria que vai depender demais do Estado de São Paulo, certo?
37:41E como que esse candidato também, que ele deixar, vai se sujeitar a isso?
37:46Porque o candidato vai ter metade dos estados brasileiros onde seu partido não o apoia?
37:52Essa vai ser a primeira cobrança tua aqui.
37:55Você vai esfregar Ratinho, Caiado, Leite, você foi à Bahia, como é que você vê
37:58o teu partido inteiro com o Lula lá?
38:00Você foi à Minas, como é que você vê o teu partido inteiro?
38:02Ele vai ter que, em Minas, brigar com o partido dele?
38:05Dizer que os camaradas estão errados?
38:08Que a política é isso?
38:09Tem que aceitar?
38:10Então vai ficar muito difícil.
38:11Então, quer dizer, vamos ver qual vai ser a decisão dele.
38:13Mas eu acho que está muito linkada no que vai acontecer aqui no Estado de São
38:17Paulo.
38:17E outra coisa, por exemplo, se o Ratinho, o Caiado ou o Eduardo Leite for, eles vão
38:24aceitar que no maior Estado do Brasil eles não tenham palanque?
38:29É, porque aqui o Tarcísio vai estar numa serra justa, né?
38:31Porque vai ter que fazer campanha para o Flávio.
38:33Mas aí em São Paulo, o Ratinho, se for o candidato, vai dizer, eu não tenho ninguém
38:36lá.
38:36Eu vou correr sozinho no Estado de São Paulo, eu não tenho ninguém no debate falando
38:39de mim.
38:40Eu não tenho ninguém nas entrevistas falando de mim.
38:43Quer dizer, eu não tenho o candidato de senador, eu não tenho o candidato
38:45ao governador, não tenho candidato a nada.
38:48No Rio de Janeiro, quem são?
38:49O Eduardo Paes, que está com o Lula, a Benedita da Silva, que está com o Lula, e eu vou
38:53lá, quem que fala de mim?
38:54Ninguém fala de mim?
38:55Ele vai aceitar isso também?
38:57Como vai se dar essa composição?
38:59Vamos aguardar para frente, né?
39:01Muito complicado, né?
39:03Complexo.
39:03Complexo.
39:04Mas na política brasileira pode tudo, né?
39:06É, é verdade.
39:07Agora, você disse uma coisa importante, que tudo isso depende de como o Lula estará
39:12em junho, julho, né?
39:13Com certeza.
39:15Porque se o Lula crescer, voltar a crescer, muitos vão se afastar do Flávio.
39:21Não tem dúvida.
39:21Não é se afastar e não ir com o Flávio.
39:24Aí começa aquela história.
39:25PP e União Brasil, aí resolvem lançar um candidato à presidência.
39:28Aí o Kassab resolve lançar candidato à presidência.
39:31Aí todo mundo descola um pouco, certo?
39:34Para ver o que acontece no segundo turno, para ter uma composição no segundo turno.
39:38O Murilo, você acabou de mencionar o PP.
39:40Essa relação PP-União Brasil está bem estremecida.
39:44Você acha que mantém junto até o fim?
39:46Ou você acha que essa relação vai explodir antes da eleição?
39:50Tem apostas para tudo, né?
39:52Tem apostas para tudo.
39:53Porque está muito difícil de fechar os estados.
39:55Está muito difícil.
39:56Porque é da política estadual.
39:58Sim.
39:58Porque tem candidatos de partido.
40:00Como é que eles vão fazer nos estados?
40:02Como é que eles vão fazer em Pernambuco?
40:03Como é que eles vão fazer no Paraná?
40:05Como é que eles vão fazer em vários estados brasileiros?
40:08Está muito difícil de acertar essa conta, né?
40:11Então há uma expectativa do que possa acontecer.
40:13Você acha que a tendência no Brasil é mesmo diminuir o número de partidos?
40:17Ou você acha que esse tipo de conflito não acertando vai continuar essa polarização?
40:22Não, vai diminuir.
40:22Vai diminuir por causa da causa de barreira.
40:24Por causa da causa de barreira.
40:25Muito difícil.
40:25Muito difícil.
40:26Os partidos pequenos, a tendência nessa eleição é acabarem.
40:30Já vai diminuindo cada vez mais.
40:32Diminuindo cada vez mais.
40:33Porque não tem fundo partidário.
40:34Não tem como sobreviver, né?
40:37Agora, tem duas medidas importantes aí que estão para ser votadas que podem mudar muito o quadro eleitoral.
40:44O primeiro é o voto estrital.
40:45O próprio Cassabeu aqui diz que está trabalhando com isso e vai reunir os votos suficientes para aprovar o voto
40:51estrital misto.
40:52Você acha que isso mudaria muito a composição da Câmara?
40:56Mudaria.
40:57Mudaria.
40:58E fica mais fácil para o eleitor cobrar.
41:00E daí passa a ser uma eleição de prefeito, né?
41:02E fica mais barata a eleição também, né?
41:04Porque você vai disputando distritos, né?
41:05E fica uma eleição de prefeito.
41:07Só que aí, eu não sei se o Brasil está preparado para isso, né?
41:11Você já pensou?
41:12Você vai ter o distrito...
41:15Não pensa na cidade de São Paulo, porque aqui é muito grande.
41:18Mas você pensa numa cidade de mediana, de 30 a 40 mil habitantes.
41:22Você vai ter o prefeito e o deputado distrital, quem vai mandar mais?
41:26Quem vai mandar mais na cidade?
41:28É o deputado distrital ou é o prefeito?
41:29É que o distrito vai ter que ser bem maior, né?
41:31Para poder acomodar o número de cadeiras, né?
41:32Não, mas tudo bem.
41:34Mas tudo bem.
41:35A partir do momento que você tem o distrital, como é que você faz com as emendas?
41:38As emendas, eles escolhem para onde?
41:40Aí, por exemplo, você se elegeu num distrito lá que tem 12 cidades.
41:44Você é o deputado distrital daquela área.
41:47Aí, você não gosta do prefeito X, que é teu inimigo.
41:49Como é que o prefeito X vai viver lá?
41:52Sem emendas, sem nada.
41:53Do jeito que é a política brasileira hoje.
41:55Aí, você fala assim, não vou jogar um centavo lá.
41:57Não vou mais ajudar aquele...
41:59Quer dizer, é muito difícil.
42:01Eu acho que o Brasil ainda precisa amadurecer mais essa relação.
42:04O eleitor precisa amadurecer mais com isso
42:06para não criar um novo conflito no Brasil, né?
42:10Do deputado distrital, tanto estadual quanto federal, com relação com o prefeito.
42:16É, mas hoje, o que é difícil é que a maior briga não é nem contra o adversário de outro
42:20partido.
42:21É dentro do próprio partido.
42:22É isso que eu estou dizendo para você.
42:24Então, é muito complexo.
42:25Eu acho que primeiro precisa amadurecer os partidos,
42:27diminuir o número de partidos,
42:29para daí, sim, aí você começar a querer discutir uma eleição distrital.
42:33Mas eu vejo assim ainda com muito risco.
42:36E você acha que o fundo eleitoral é algo que,
42:40vai continuar ou cada mês mais vai ter que rever essa postura?
42:43Vai continuar cada vez mais.
42:45Não tem um número de se é bom ou se é ruim.
42:47Por quê?
42:47Porque para os partidos é bom.
42:49Para os partidos, para os deputados é bom.
42:51É bom para todo mundo.
42:53Pode ser que não seja bom para o povo.
42:54Mas para o meio político, é fantástico.
42:59É fantástico.
43:00Eles dependem menos de empresários, dependem menos de tudo, né?
43:03Hoje você tem o teu fundo lá que você recebe para fazer campanha.
43:06Você faz campanha com aquele recurso.
43:08Você não precisa sair recolhendo, né?
43:13Murilo, você que está fazendo essas pesquisas há tanto tempo,
43:17qual é o sonho do brasileiro?
43:19O que o brasileiro está sonhando nessa?
43:21Ou que tipo de sonho ele espera ter como discurso de um candidato?
43:27A melhora da qualidade de vida, né?
43:30Aquilo que eu te falei.
43:31Ele viver melhor, né?
43:32Eu acho que o Lula acerta no 6x1.
43:34As pessoas hoje querem muita qualidade de vida.
43:37As pessoas querem viver melhor, né?
43:38As pessoas querem qualidade de vida.
43:40Ter tranquilidade, não ter medo de ser roubado.
43:43Ter uma boa assistência de saúde.
43:45Ter salário.
43:46Esse é o grande sonho do brasileiro.
43:47O grande sonho do brasileiro não é discutir política.
43:51Certo?
43:51E outra coisa que piorou muito.
43:53Hoje as pessoas torcem mais.
43:56Eu estou para te dizer que Lula e Bolsonaro têm mais torcida que Flamengo e Corinthians.
44:01Só está faltando criar as torcidas organizadas, entendeu?
44:04Porque as pessoas hoje têm muito mais programas políticos na TV do que programas esportivos.
44:11Isso há 20 anos atrás, o que que tinha?
44:13O domingo à noite, como é que era?
44:14É verdade.
44:15A quarta à noite, como é que era?
44:17Era só programas esportivos, ou não?
44:19É verdade.
44:20E hoje não tem.
44:21Está acabando.
44:22Certo?
44:23Então, quer dizer, hoje o brasileiro gosta mais da política do que do futebol.
44:26Certo?
44:27E isso também é uma coisa que melhorou.
44:30Melhora.
44:31Porque as pessoas vão votar melhor, vão entender mais.
44:33Certo?
44:34Mas também não pode fazer da política objetivos de vida, né?
44:37Por outro lado, tem dois sentimentos muito negativos para essa renovação política, que eu digo que é a apatia e
44:44o cinismo.
44:45Dois sentimentos fortes que hoje as pessoas falam, ah, não vai mudar nada mesmo.
44:50Tem muito uma atitude negativa em relação, por causa dessas frustrações acumuladas que você descreveu, né?
44:56É isso, porque o que acontece hoje, os políticos para ganhar as eleições, principalmente os novos que vêm, eles vêm
45:03vendendo sonhos que muitas vezes não são realidade.
45:07Eles vêm vendendo assim, por exemplo, problemas no Brasil presidencial você tem no Lula e na família Bolsonaro.
45:13Esse é o problema do Brasil, o resto é tudo limpo.
45:15Aí começa a campanha, você vai sentir que esses que estão fazendo os limpos tem coisas piores dos adversários que
45:22ele ataca.
45:23Aí vem a decepção, aí vem o cinismo, aquilo que você falou.
45:26Aí vem a decepção com a política.
45:28O candidato vem porque não aguentamos mais esse congresso, rachadinhas, bá, bá, bá, bá, bá.
45:34Aí eles assumem lá, com dois anos, denúncia do quê?
45:37Não.
45:38De rachadinha.
45:39E mau uso do dinheiro público.
45:41Quer dizer, o problema está hoje na sociedade brasileira.
45:45O que tem que mudar é a sociedade.
45:47O congresso nada mais é do que a representação da sociedade que está lá dentro.
45:51Ou seja, a eleição é um palco para aumentar essa frustração e cinismo porque virão, sei lá, podres ou problemas
46:00que acabam estragando a imagem de um ou outro político.
46:05Nós tivemos já a eleição dos radialistas, né?
46:11Dos radialistas, apresentou a TV.
46:13Depois nós tivemos as eleições dos pastores.
46:17Depois tivemos uma eleição de youtubers.
46:21São gerações que vêm vindo.
46:22São pessoas que vão assim.
46:25Esses são o ideal dessa eleição.
46:27E essa eleição vai continuar a renovação que se vai dar.
46:31Vai dar muito em cima de youtubers, de gente de internet, né?
46:34Que muitas vezes você nem conhece.
46:36É aquilo que ela posta e não posta nem coisas de política.
46:39Posta coisa completamente diferente e de repente estoura de voto.
46:44E qual é a experiência que essa pessoa tem?
46:46Com orçamento, com legislação, com o que vai fazer.
46:50Não.
46:50É naquele foco que ela defende e ela vem e estoura de voto.
46:55E principalmente, né?
46:56Ela ajuda a levar outras pessoas, né?
46:58É verdade.
47:00Aliás, falando em estouro de voto, o Nicolas Ferreira é um fenômeno, né?
47:05Nisso.
47:05Não só na comunicação, como a sua postura política, né?
47:09Com certeza.
47:10Eu acho que Nicolas, João Campos, como eu falei pra você.
47:13Eu acho que Tabata são políticos e mesmo outros de direita.
47:17Pra não esquecer, você tem Gaia, André Fernandes.
47:20Você tem muitos que vêm muito fortes ainda pela frente.
47:23É o futuro.
47:24Se não se perderem, é o futuro.
47:27Agora, Murilo, nossa, engraçado que mesmo que tenha essa frustração com a política nacional,
47:31esse sonho quebrado, né?
47:33Como você bem colocou, existe uma melhoria considerável da gestão pública nos estados.
47:39Tinha uma ótima safra de governadores, governadores que tiveram coragem de fazer reformas estruturantes,
47:45que no governo federal não teve.
47:47Política pública baseada em dado e evidência.
47:50Ou seja, há uma mudança cultural.
47:52Você acha que isso vai alguma hora chegar à presidência da república e ter essa mudança
47:57de mentalidade que nós precisamos de política baseada em dado e evidência?
48:01Olha, vamos ser justos aqui.
48:03Por que nos estados é mais fácil?
48:05Porque eles têm um controle maior da mídia, o judiciário não é tão atuante quanto é
48:11nível federal e não tem o Congresso Nacional.
48:14Eles têm assembleias legislativas que é mais fácil de compor.
48:17Então, nós temos realidades muito diferentes nos estados brasileiros do que na União.
48:22Então, qualquer governador desses que vier a virar em presidente da república,
48:27não conseguirão fazer as reformas que fizeram em Brasília.
48:30É muito mais difícil.
48:32É muito mais difícil.
48:33O março é outra.
48:34Mas, pelo menos, já tem uma mudança de mentalidade em relação à política, né?
48:38Que é uma coisa muito importante isso que está...
48:40Vem diferente com vontade de fazer.
48:42Agora, quando chega lá...
48:43Pra fazer...
48:45Pra fazer, ele vai ver que não é como era no seu estado, né?
48:48Que no seu estado era relativamente mais simples, né?
48:51Porque Brasília é muito complexo, né?
48:53É muito complexo o Brasília.
48:54Agora, voltando a um presidente que teve alta popularidade e enorme capacidade de fazer
49:01reforma.
49:01Foi Michel Temer.
49:03Conseguiu fazer esse congresso andar?
49:06Aprovamos teto de gasto, reforma do ensino médio, reforma trabalhista, muitas reformas
49:13importantes.
49:14Você acha que falta uma certa relação ou experiência com o congresso pra que o presidente da república
49:21possa fazer esse congresso funcionar?
49:23Ou, pelo menos, disciplinar a ambição política do congresso pra direção correta?
49:28Olha, vamos lá.
49:29O Michel Temer, por que ele conseguiu fazer isso?
49:32Ao nosso ver.
49:34Ele conseguiu, porque quando teve o impeachment, ele uniu uma base.
49:37Ele tinha uma base.
49:39Você pega o Bolsonaro.
49:41No primeiro, ele conseguiu aprovar a reforma da Previdência.
49:44No começo.
49:45Porque ele tem uma base.
49:46O Lula, no começo, conseguiu.
49:49O desgaste.
49:50Fica muito difícil.
49:52Com o tempo.
49:53O tempo vai desgastando.
49:55Então, é muito difícil.
49:56Então, o governante, ou ele faz logo no início.
49:59Por quê?
49:59Logo no início, ele tem o apoio popular.
50:01Ele foi eleito.
50:02Então, é muito difícil pros parlamentares não irem com ele.
50:06Agora, com o tempo, vai criando muito desgaste.
50:09Isso tá claro também.
50:10As reformas, mesmo dos governadores, todas elas se dão no início do mandato.
50:15Vai ficando mais pra frente, vai ficando cada vez mais difícil.
50:18Por causa do desgaste.
50:19Ou seja, os candidatos à presidência da República competitivos precisam estar preparando
50:25essa agenda oculta, fora, evidentemente, da disputa eleitoral, para poder implementá-la
50:30assim que sentarem na cadeira, porque senão tá perdido.
50:33Ou faz no primeiro ano, é muito difícil.
50:34Ou é muito difícil.
50:35Isso é história, mostra, que as reformas ocorrem em seguida.
50:39Deixou pra frente, vai ficando cada vez mais difícil, porque daí começa a composição.
50:43Tem o cargo, tem o ministro, o secretário, tem outros fatores.
50:48Murilo, você conversa com todos esses pré-candidatos à presidência da República.
50:51Você sente nas conversas privadas que eles têm noção do tamanho da encrenca e que têm
50:57a vontade e a coragem política para fazer essas mudanças transformadoras?
51:01O que eu vejo?
51:02Porque todos têm vontade, todos têm sonhos e todos, a grande maioria, é muito bem
51:07intencionada.
51:07Só que a hora que senta lá, daí ele fala assim, só você sentando aqui para você
51:12ver o que é.
51:15Você, se você tivesse sentado lá, você é uma pessoa muito bem intencionada, provavelmente
51:20você me diria a mesma coisa.
51:21Murilo, é só sentando aqui para você ver o que é.
51:26Mas, desta vez, assim como em 94, no Plano Real, você vai ter um respaldo da sociedade.
51:32No começo.
51:32No começo.
51:33Porque depois vem o desgaste.
51:34É, sim.
51:35Depois começa o desgaste.
51:36Depois começa a denúncia de um ministro, uma denúncia de um secretário.
51:39Aí começa a briga com o partido tal, que não nomeou não sei quem, que não sei
51:43mais o quê.
51:43Aí começa a entrar numa outra discussão.
51:46Então, ou é no início ou não faz.
51:49É no início.
51:50E, Murilo, então, o que você, só para resumir aqui e fechar a nossa conversa, você acha
51:55que nós vamos ter uma eleição presidencial extremamente acirrada e próxima, como você
51:59falou aí, 51, 52, 43?
52:0152, 48.
52:0152, 48.
52:03Nós vamos ter um Senado muito direita e conservador.
52:08E nós vamos ter governadores que podem ajudar essa agenda reformista a caminhar ou não?
52:17Eu vejo que sim, certo?
52:19Eu vejo que sim.
52:20Eu acho que o Brasil tem tudo para entrar no rumo, inclusive com a vitória do presidente
52:24Lula.
52:25Porque qual vai ser a grande vantagem do presidente Lula, ao meu ver, se ele se reeleger?
52:31É a última.
52:33Provavelmente ele terá menos oposição também, porque é a última.
52:36Ele não será mais candidato à reeleição, primeiro que ele não pode.
52:39Certo?
52:40Ele não terá mais direito à reeleição pela lei eleitoral.
52:43Então eu acho que se o Lula vier a vencer também, nós teremos um quarto mandato do
52:47Lula muito mais calmo do que foi o terceiro.
52:50Isso aí eu já não sei, não.
52:54Murilo, muito obrigado pela tua participação.
52:56Muito importante ter esse grande cenário na cabeça do nosso telespectador, do nosso
53:02público, porque será um ano muito desafiador para o Brasil, não é?
53:05Com certeza.
53:06Eu acho que é um ano muito desafiador.
53:09É o futuro das pessoas, que as pessoas é o futuro de gerações.
53:13Um presidente, ele mexe com gerações.
53:15Um congresso, ele mexe com gerações.
53:17Eu acho que é mais uma oportunidade para o Brasil dar um salto.
53:20Agora, a mídia tem um papel muito importante das entrevistas, de fazer os candidatos se comprometerem
53:27e cumprirem aquilo que fala o eleitor e a vocês.
53:31Murilo, muito obrigado pela sua participação aqui na entrevista com o Dávila e vamos enfrentar
53:36esse ano desafiador.
53:37Eu que agradeço a oportunidade.
53:41Muito obrigado.
53:42E a gente fica por aqui.
53:43E para você que gosta do jeito Jovem Pan de notícias, não deixe de fazer a sua assinatura
53:48no site jp.com.br.
53:51Lá você acompanha conteúdos exclusivos, análises, comentários e tem acesso ilimitado
53:56ao Panflix, o aplicativo da Jovem Pan.
53:59Obrigado pela sua companhia e até o próximo Entrevista com Dávila.
54:08Entrevista com Dávila.
54:12A opinião dos nossos comentaristas não reflete necessariamente a opinião do Grupo Jovem Pan
54:18de Comunicação.
54:23Realização Jovem Pan.
54:26A
54:26A CIDADE NO BRASIL
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