- há 2 horas
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DivertimentoTranscrição
00:00Música
00:36Vamos lá ver.
00:38Eu percebo e concordo que sejam os acionistas os primeiros a assumir as responsabilidades da empresa.
00:45Mas e, caroço?
00:48Não é que seja para comprar uma sandocha.
00:50Lamento informar o senhor acionista que vamos aplicar todo o nosso dinheiro num bom advogado
00:56para defender o presidente desta empresa.
01:03Bom dia.
01:04Bom dia. Ainda vens com bons dias.
01:07Estamos aqui numa situação de emergência e tu vens com bons dias.
01:10Estamos aqui desde as oito da manhã.
01:11Ah, sim. Então, o que é que fizeram?
01:13O que é que fizemos? O que é que fizemos?
01:16Fizemos... Tivemos aqui na linha de fogo a dar o peito às balas. Achas pouco?
01:21Ah, e também colámos este póster. Bem fixe, hein?
01:25É o que é um bailarino.
01:27Pois, estou a ver. A minha manhã não foi assim tão produtiva.
01:31Fui só uma entrevista de emprego. Vou começar a trabalhar como guia turístico.
01:35Ou seja, vais abandonar a armazer.
01:39Sim.
01:40É isso, não é?
01:42Vais deixar esta empresa que deu tudo.
01:44Fez-te homem, calçou-te, vestiu-te.
01:46Mas pronto, prefere deixar um emprego seguro, é contigo.
01:49A única coisa que eu vejo segura aqui é que nunca vou receber um centavo.
01:52Paula, por amor de Deus.
01:54Esta empresa está a passar um período dramático.
01:57O meu pai está a definhar. A definhar.
01:59Nunca ouvi assim. Envelheceu.
02:01Está... Não há alegria, não há um sorriso.
02:04Nada. Não é o meu pai.
02:06Está...
02:06Alegria! Alegria! Vamos comemorar!
02:09Então, o que é que aconteceu?
02:12Hã?
02:12Lembras-te daqueles safos?
02:14Lembras-te daquele tio, o tio Rogério?
02:16Do campo?
02:18Não.
02:18Calor!
02:19Ah, sabe que é o seu...
02:22Bateu a bota!
02:25Parabéns!
02:26Parabéns!
02:28O seu tio morreu.
02:29Sim, sim.
02:30E você festeja?
02:32Não, eu festejo porque ele me deixou um prédio.
02:34Uma herança?
02:35Um prédio?
02:36Um prédio?
02:37Estamos com o prédio?
02:38Não sei, tem que ver.
02:39Mas eu já estou a sonhar com um condomínio de luxo.
02:43Um hotel daqueles de charme, com spa e tudo.
02:47É todo um mundo de possibilidades que se abre a armaz.
02:56Então é isto.
02:58Condomínio de luxo, hotel, resort, spa.
03:01Mas que raio é que vamos fazer com o casebre a cair aos fecados?
03:04Ah, não sei. Calma.
03:05Calma, calma.
03:06Temos que pensar que a baldade não sonha a dente.
03:11Isto também encheira-me a...
03:13a negócio.
03:16Também encheira-me...
03:21Ah, Lúcia.
03:32Vais capaz de me dar aí os números certos da loteria?
03:36É como tu agora és vidente?
03:39Ah, podias muito bem arranjar maneira de nos fazer milionários.
03:43Ah, os milionários, talvez não.
03:46Mas pelo menos tenho contribuído com algum dinheiro para ajudar a família.
03:51Ao passo que certas pessoas...
03:55Dinheiro?
03:57Mas te julgas que alguém te vai pagar para tu lezes o futuro?
04:01Para a tua informação, já tenho um cliente que está cheio de dinheiro.
04:06Ah, sim?
04:07Sim.
04:08E quem é que te contou isso? Foi ao meio das tuas cartas, foi?
04:11Não.
04:13Foi ele que me telefonou ontem do seu iate.
04:17Ah, telefonou-te do iate.
04:19E como é que tu sabes que foi do iate?
04:22Porque o homem não se cansava de se gabar.
04:29Ora, caros associados, esta reunião serve para nós vermos as possibilidades de exploração do nosso ativo imobiliário.
04:38Quê?
04:40Ver o que é que se faz. Que porcaria é que se faz com a ruína?
04:43Bom, eu acho que o mais sensato era vender.
04:46Sim, mas alguém dá alguma coisa para aquilo?
04:48Já viste o estado em que aquela ruína está?
04:51Além disso, isso não é uma atitude bom português.
04:54Se o Vasco da Gama tivesse vendido, as caravelas tinham chegado à Índia.
04:58Toma, vai buscar.
05:00Ora, portanto, vamos...
05:01Epá, vamos abrir as nossas mentes e vamos...
05:06Vamos...
05:08Vamos dizer a primeira coisa que nos vier à cabeça.
05:11Quer que assim as nuas a dançar?
05:12Costeletas com batata no azeta.
05:14Quer que assim as nuas a tomar bem?
05:16Cugumelos com costeletas.
05:18Quer que assim as nuas a passar a ferro?
05:20Já chega, já chega, já chega.
05:23Epá, não vamos dizer a primeira coisa que nos vier à cabeça.
05:26Vamos dizer a terceira ou a quarta.
05:29E depois pensarmos bem.
05:31Já sei.
05:35Transformamos aquilo num bar de karaoke, só instrumental.
05:39Boa ideia.
05:40E com o dinheiro?
05:41Mais certo era o teto que nos caímos na cabeça.
05:44Está decidido.
05:46Vendemos aquela pocaria.
05:47Ah, ainda bem.
05:49Assim ao menos sempre dá para pagar os salários ao pessoal.
05:51Olha, fixe.
05:52Espetáculo.
05:53Esperemos que ao menos dê, mas é para comprar umas santos.
05:57Oh, Lúcia.
05:58Eu preciso falar contigo.
06:01Está bem, eu dou-te o divórcio.
06:03Está dito, está dito.
06:05Não, mas não é isso.
06:06Sabes, é o que eu estive a investigar?
06:08Aquele teu novo cliente.
06:11Aquele do nome Abel Moraes da Silva.
06:13Aquele nome não era estranho.
06:15Então o que é que eu descobri?
06:16Descobri que ele era riquíssimo.
06:19Então pensei.
06:20Tu com o teu dom das cartas, eu com o meu jeito para o negócio...
06:24Estás a pensar pedir-me ajuda.
06:26Para enganar esse homem, pode-se esquecer.
06:29E tu não andas a enganar a fazer de madame Cassandra?
06:35Pronto, está bem, está bem.
06:37Tudo bem.
06:37Não queres, não queres.
06:39Mas devo dizer que o teu filho é que está a precisar de dinheiro.
06:42E se tu não me queres ajudar, olha, é contigo.
06:46O que é que estás a insinuar?
06:48Que eu não quero ajudar o meu filho?
06:50Ouve lá, tu achas que eu gosto de fazer de madame Cassandra?
06:54Então para que é que fazes?
06:55Para ganhar 100 euros por sessão?
06:57Isso não dá para pagar um advogado.
07:01Lúcia, Lúcia.
07:02Nós, para tirarmos o nosso filho da prisão,
07:05temos que ganhar muito dinheiro.
07:09Está bem, ok.
07:11Pronto.
07:12É o olhinho.
07:14Mas em troca,
07:16tens que me dar uma noite muito romântica.
07:21O quê?
07:25Oh, o meu estava a brincar.
07:28Ai, adoro ver essa cara de terror.
07:36E até agora, a única proposta que tivemos para o caseiro foi 5 mil euros.
07:415 mil euros?
07:42Tanto?
07:43Para pintar.
07:45Aquilo assim como está, ninguém lhe pega, não é?
07:50É uma garrafa de água, se faz favor, para levar.
07:53Olha, olha, olá, pardana.
07:54Já nem ligou aos pobres.
07:55Diz que arranjou um emprego onde lhe pagam.
07:57Já está que ele tem direito a isso, não?
08:00Então, como é que está a correr o teu novo trabalho?
08:02Ah, Arthur, muito cansativo.
08:03Sempre para cima e para baixo com os turistas.
08:05Hora Mosteira da Batalha, Torre de Belém, Jerónimes.
08:08Volta, outra vez.
08:08Portugal é um dos países que tem mais motivos de interesse que os turistas nunca conseguem ver, não é?
08:14Já lá dizia o poeta, Portugal, provavelmente o melhor país do mundo.
08:19Os turistas pelam-se por tudo o que é pitoresco.
08:22E fado, então?
08:23Ui, fado.
08:24Faro, faro.
08:25Qualquer coisa que mete a fada é logo tirar fotografias, comprar coisas.
08:28Gastam um balúrdio em recordações.
08:30Uma loucura.
08:32Bem, vou andando.
08:32Tenho mais que fazer.
08:33Até já.
08:36Filho.
08:38Acabo de ter-me uma visão.
08:43Onde?
08:45Um negócio definitivo.
08:47Vamos dar a ver a esses turistas a melhor casa de fados do país.
08:52Boa, boa.
08:55Espetáculo.
08:56A casa de fados?
08:57Sim, a casa de fados que o tio Rogério nos deixou.
09:01Ah, aquilo era uma casa de fados.
09:11Pode-se.
09:13Entre.
09:16Bem-vindo ao consultório da Madame Cassandra.
09:22O ar está empestado.
09:25Importa-se que eu fume um charuto.
09:31O que é que eu trouxe cá?
09:34Um descapitável que me custou os olhos da cara.
09:41Era uma piada.
09:45Corte, por favor.
09:48Pode dar, eu confio em si.
09:59Bem, estou a ver uma viagem.
10:02Uma viagem muito longínqua.
10:06Bem, eu no sábado tenho uma reunião em Bragança.
10:10Sim, Bragança.
10:12É precisamente o que eu estou a ver.
10:14Incrível.
10:15Mas como é que acertou-me?
10:20O que foi?
10:22Viu alguma coisa má?
10:24Vi.
10:26Esta carta está-me a dizer que vai ter um acidente.
10:31Vejo uma grande mancha vermelha na sua barriga.
10:35O diabo.
10:37Só pode ser sangue.
10:39E eu estou morto.
10:41Não.
10:42Não, não vejo a morte.
10:44Vejo um homem com uma gravata amarela.
10:46Um homem velho.
10:48Depois disso, não vejo mais nada.
10:52São 150 euros.
10:57Ah, não.
11:00Canecas.
11:01Atumas.
11:02Chiles.
11:03Atumas, é que assim eu...
11:04Caniaturas.
11:06Não.
11:07Marcelo de Barcelos, claro.
11:08Tinha que ser, não é?
11:09Estou comprado onde?
11:10Loja dos 300?
11:11Está bem.
11:13É?
11:13Comprou na loja dos 300?
11:15Ok.
11:15Isto são modelos exclusivos.
11:17Caríssimos.
11:18E agora tenho de arranjar alguém para me encantar o fado.
11:22À borla, claro.
11:23Mas essa história da casa de fados, eu não estou convencido com isso.
11:26Desculpe lá.
11:27E lembre-se que para abrir uma coisa dessas, precisa de uma data de licenças.
11:29Licenças?
11:30Lá estás tu com as licenças, pá.
11:32Que chato.
11:32Licenças e mais licenças, pá.
11:34Está descansado que eu arranjo todas as licenças e mais algumas.
11:38Chato.
11:39Lá, se há uma coisa que eu aprendi desde que eu estive preso, é que o nosso caminho
11:44é em direção à legalidade.
11:47O futuro é a legalidade.
11:48Está descansado.
11:49Já está.
11:51Aquelas pruncas nunca teve tão limpa.
11:53Nunca tinha trabalhado com uma esfregona.
11:55Está feliz.
11:56Ainda bem que está, força nisso, no fado.
11:59Siga essa legalidade.
12:00Eu tenho que ir andando, está bem?
12:02Tenho uma data de turistas à espera.
12:03Não, olha, espera.
12:04Ainda bem que falas nos turistas, porque era precisamente disso que eu te queria falar.
12:08Nos turistas.
12:09Ah, afinal havia uma razão para me ter chamado aqui.
12:12Pensava que era só para cartar com esta tralha toda.
12:14Não, não, não.
12:16Eu tenho projetos mais grandiosos para ti.
12:19O turismo nacional está à espera do teu contributo.
12:23Por que é que eu não estou a gostar nada desta conversa?
12:25Não sei, mas o que eu te digo é que, ouve, o que tu tens de fazer é,
12:30tu pegas alguns dos teus turistas e desvias,
12:34é pá, o melhor seria desviares os turistas todos aqui para esta bocaria,
12:38para a nossa casa de fatos, estás a ver?
12:40E vais ver que os camones ficam satisfeitos, não se arrependem.
12:42Para ser despedido?
12:43Não.
12:44Não, obrigado.
12:45Não, tu não percebeste nada, filho.
13:00Uma cerveja, por favor.
13:05Ó, homem.
13:07Ai, desculpa.
13:08Ai, eu sou um desastelado.
13:11Olha, olha para isto.
13:20Ai, como é que eu fico?
13:25É incrível.
13:27Desculpe, mas me desculpe.
13:29Foi tal e qual como ela disse.
13:31Estou um pouco mal a dizer.
13:33Mas desculpe, eu mando limpar o fato todo.
13:35Não, não, não, não. O senhor não está a entender.
13:38O senhor tem uma gravata amarela.
13:40Aposto a entender.
13:40E eu...
13:43Evidente, disse que isto ia acontecer. Compreende?
13:46Isso eu não sei nada, mas eu faço questão em pagar-lhe um copo para compensar.
13:52Não, obrigado, obrigado.
13:53Obrigado, obrigado. Tenho uma reunião daqui a meia hora e não gosto de misturar negócios com o álcool.
13:58Sim, sim. Aí tem toda a razão.
14:00Está incrível.
14:02Vasco, tu és o meu melhor amigo.
14:04Vou.
14:05Isso.
14:08Vasquinho, vamos às minas agora mesmo.
14:10Ah, não, não. Isto não posso, não posso.
14:13Sabes, porque eu amanhã tenho que ir para o Algarve, negociar uns hotéis, de maneira que tem que ir fresco.
14:20Hotéis?
14:20Ai, Jesus, eu já sabia.
14:23Viu uns copos, pronto, a língua começou logo a falar demais.
14:26Ai, sou americano, sabe?
14:28Americano?
14:29Ai, ele dá cabo de mim, ele dá cabo de mim.
14:31Há americanos na jogada?
14:33Pronto, eu disse americanos.
14:34Ah, falei eu demais.
14:36Não, eu vou-me embora antes que conto o resto.
14:37Não, não, não, espera, espera, espera, espera.
14:39Conta lá o resto.
14:41Americanos.
14:41Ah, então, fala lá.
14:43Não, não, não, não.
14:43Assim sentido de empresário para empresário.
14:45Não, não, não, não posso.
14:46Desculpa, mas não posso.
14:47Vasco, ouve, ouve bem.
14:51Nós não chocámos os dois.
14:54Por acaso.
14:55Não, não, senhor.
14:57Nós chocámos por uma causa maior.
15:00Foi o destino.
15:01O destino quis que nós fizéssemos negócios juntos.
15:05E vamos fazer-lhe.
15:07Para festejar, vamos às meninas.
15:09Tá bem, pronto, eu conto-te.
15:11Mas tu não contas a ninguém, hein?
15:13Olha, que isto é um segredo absoluto.
15:17Está descansado.
15:18Que me caia uma inspeção das finanças em cima,
15:21se eu abrir a boca.
15:22Vem cá, mas vamos ficar bem.
15:24Vem cá.
15:31Entre.
15:37Madame Cassandra, eu tenho que falar consigo.
15:40Não vai acreditar no que...
15:41Não me diga nada.
15:44A minha visão cumpriu-se.
15:46Sim, incrível, incrível.
15:49Olha, a meixa vermelha na roupa.
15:51O homem da gravata amarela.
15:53Tudo.
15:54Aliás, o homem até me...
15:56Não me diga nada.
15:58O homem propôs-lhe um negócio.
16:01Sim, mas como é que sabe?
16:03É incrível, não é?
16:05Propôs-me o investimento em autelaria.
16:08Eu é que não o conheço, senhor.
16:09De lá, de mim, um e investir assim é arriscado.
16:12O que é que acha, madame?
16:14Calma.
16:15Vamos ver o que é que as cartas dizem.
16:20Bom, lamento por si.
16:24O que foi?
16:25O que está a ver, hein?
16:26Estou a ver que a partir de agora vai ter que me pagar muito mais.
16:31Porque o negócio que vai ter...
16:33Vai ganhar muito dinheiro.
16:38Sério?
16:39Mas isso é ótimo.
16:40Aliás, a madame merece que eu pague a dobrar.
16:43Já que insiste.
16:48E, pela presente declaração, a Armasa considera reunidas todas as condições necessárias
16:55para a abertura da casa de fados, arma a fados.
17:00E quem é que assina isso?
17:01Estou.
17:03Eu, pai.
17:04Sim.
17:07Estava nada à espera.
17:15Então, vamos assinar o contrato, hein?
17:21Onde é que eu assino?
17:22É, aí, aí, aí, aí, aí, aí, aí, aí, aí mesmo, isso.
17:30Armasa.
17:31Armasa.
17:32Armasa.
17:34O nome não me diz nada, Armasa.
17:36Ah, não lhe diz nada porque é uma empresa nova aí em Portugal.
17:39Mas, mas na Alemanha é um êxito.
17:41Ah, um êxito.
17:43Olha, o parlamento alemão é obra da Armasa.
17:47Uma coisa fenômena.
17:48Pois, mas eu não sei, sabe, sem um profissional para verificar isto, não...
17:55Importa-se de vir comigo com o documento para mostrar à minha vidente?
17:59À sua vidente?
18:00Sim.
18:00Ah, isso não pode ser.
18:01Não pode ser.
18:02Não pode ser porque eu tenho que entregar o documento na conservatória
18:05e fecho às quatro e meia.
18:06Se não chego lá há tempo, já sabe como era.
18:09Pois, então nada feito.
18:10Nada feito porque isto são assuntos muito sérios
18:12e sem a aprovação da madame Cassandra, nada feito.
18:16Ah, já vi que o meu amigo é supersticioso.
18:19Pronto, então eu vou abrir um precedente e vamos lá à sua.
18:22Está bem?
18:24Só me vai dar a licença de eu fazer um telefonema
18:27para um amigo meu que trabalha lá na Cousa de Batória
18:30para avisar que vamos um bocadinho mais à esta árvore, tá?
18:32Telefone que eu vou pagar a conta.
18:34Ah, é com certeza, é com certeza.
18:40São Lúcio, está no papo, filho, está no papo.
18:44Prepara-te, não?
18:46Portanto, vamos recapitular.
18:48Quando o Paulo vier, tu ficas aqui a entretê-lo
18:51até eu dizer, certo?
18:53É um entretê-lo.
18:54Eu entretenho.
18:55Sim.
18:56Mas porquê?
18:57Porque para nós lhe roubarmos os turistas.
19:01Para o bem da armazza.
19:03Ah.
19:05Pronto, é que me paga?
19:07Mas tu estás sempre a mudar de conversa.
19:09Lá está ele a mudar de conversa.
19:10Não, ouve lá.
19:11Então eu não te dei mais ações da empresa.
19:14Então é isso.
19:16Ora bem, pronto, já está.
19:18É um inside trading offshore.
19:20Chore.
19:22Olá.
19:23Então, já?
19:24Já se vão embora?
19:25O que é que tens a ver com isso, ô Lapardana?
19:27Já não pertenço à armazza, não temos de contar nada.
19:29Não sabes o que isso me custa.
19:31Dói mesmo, sabes?
19:32Faz a ver, dói.
19:33Está-lhe a doer.
19:33Ainda te vai doer demais.
19:34Deixa, deixa.
19:36Bem, eu tenho uma data de turistas à espera.
19:42O que tinhas para me contar?
19:43É assim tão urgente?
19:44É, é, é, é muito urgente.
19:46Não, não, não.
19:46Mas, mas descansa.
19:49Descansa.
19:50Não vai demorar nada.
19:51Vai ser um instantinho.
20:01Então este é que é o senhor que eu já conhecia.
20:05Bem, nas cartas tinha um ar muito mais simpático.
20:12Ora, na carta aqui diz-me que o senhor tem uma fraca atividade sexual.
20:19Sim, graças a Deus.
20:22E no futuro económico, o que é que vê?
20:24No futuro económico, vejo o êxito.
20:27Êxito, mas depois deste negócio, o senhor tem que dar um presente muito caro à sua mulher.
20:37Talvez um casaco de peles?
20:39Ah, duvido.
20:40Não há animal que lhe sirva.
20:42E eu, eu, veja se deve investir ou não.
20:45Veja lá.
20:45O sol invista.
20:48O sol é segurança.
20:50O sol é riqueza.
20:54Não há nada a temer.
20:56Eu sabia que você era um homem de confiança.
20:59Eu sabia que a minha mulher é que está sempre a dizer que eu sou um monjinho e que me
21:03deixo
21:03enganar cedo.
21:04Olha, mas as mulheres são sempre um atraso de vida.
21:09Bom, mas passe para cá o contrato que eu assino já.
21:12Contrato, com certeza.
21:13Aqui e agora?
21:14Passa, por favor.
21:16Passa, por favor de assinar aqui.
21:18Com letra bem legível.
21:22Isso mesmo.
21:24Ótimo, ótimo.
21:26Ótimo.
21:31E tudo isto?
21:33Leva-nos aqui, Paulo.
21:36É o quê?
21:37Não sei.
21:38Sei lá.
21:38Estou-te a ouvir à meia hora e ainda não percebi nada do que tu disseste.
21:41Desculpa lá, eu tenho uma data de gente à espera.
21:43Não, não, não, não, não.
21:45Não vais.
21:46Não vais.
21:46Agora o que vem a seguir é o pior.
21:48É o pior.
21:49Coisas que nem consegues imaginar.
21:51Espera aí.
21:54Olá?
21:56Sim.
21:57Artur.
21:58Ah, já estou no autocarro.
22:00Está bem.
22:01Até já.
22:02Até logo.
22:09Obrigado, Lúcia.
22:10Ou, quer dizer, Madame Cassandra.
22:12Até à próxima.
22:13Vamos andando.
22:14Só um minuto.
22:16Ô, Madame, diga-me, que tempo vai estar este fim de semana?
22:20Sabe, a minha mulher vai à Serra da Estrela e...
22:22Ah, mas agora não pode.
22:24O meu amigo vai ver isso na internet.
22:26Não vamos agora incomodar os espíritos para saber do tempo mesmo.
22:30Não há claro, sem razão.
22:32Ô, Madame, mas é que a Madame é tão boa para ver o futuro que eu acredito mais em si
22:36que nos meteorologistas.
22:37Ela é boa, mas não vamos embora.
22:39Vamos, vamos andando.
22:40Avô, tu não sabes o que é que aconteceu.
22:42Eu e o pai vamos ficar ricos com o casebre.
22:45Nós pegámos num grupo de turistas.
22:46Ah, avô!
22:48Está-te a ver o que é estas mentiras?
22:50Estas mentiras, mas tudo é assim.
22:52Agora trata-nos por avô, por carcaças, por... por tudo.
22:55Não tem respeito nenhum para a gente.
22:58Vamos, vamos, vamos.
22:59Espera, espera, deixa-me acabar a história.
23:00Nós pegámos num grupo de turistas, levámos ali para o casebre,
23:03infectámos aquilo como se fosse uma casa de fados.
23:05Ô, vamos lá ver se a gente se entende.
23:07Eu não o conheço de parte nenhuma.
23:09Se vê-o.
23:10Anda, Marco.
23:11Anda que eu preparo o lanche.
23:12Espera, não me reconheças?
23:14Mas o avô ficou maluco, ele está maluco.
23:18Não me reconhece como.
23:19Espera-me lá.
23:21Alguém me pode explicar o que está a acontecer aqui?
23:24Nada, nada, nada.
23:25Não ligo ao meu neto.
23:27Nada.
23:28Oh, avô, ele é teu marido.
23:30Tu não te importas que ele esteja a ficar afanado da cabeça?
23:32Bom, vocês os dois estão casados?
23:35Não.
23:36Sim, sim, há mais de 50 anos.
23:38Vocês são os trafugueses.
23:40Mas porquê que eu não dei ouvidos à minha mulher?
23:43Sabe o que é que eu lhe digo?
23:44Tenha calma.
23:45Quem vê o futuro agora sou eu.
23:48Não, mas eu como?
23:49Estou a vê-lo sentado no banco de um tribunal.
23:53Não, mas dá-me licença, que eu venho aqui.
23:54Com licença.
23:57Fiquem bem.
23:58Mas é só a hora que eu estou.
24:04Eu, Marco.
24:05Tu, avô.
24:07Eu, neto.
24:08Tu, avô.
24:09Marco.
24:10Avô.
24:11Marco!
24:12Isso.
24:13Vai te lixar.
24:14Espere-te.
24:15Estúpido.
24:18Viste, avô.
24:19Ele reconheceu-me.
24:20Já está bom.
24:27Estúpido.
24:27É muito boas.
24:28É muito boas.
24:32É muito boas.
24:34e... e...
24:35Para, para!
24:36Ah, parei!
24:37Vicoce, vicoce!
24:39O que é isto?
24:43Processo de execução do número 33...
24:46Este prédio é agora propriedade do Ministério das Finanças
24:50para o pagamento de dívida fiscal de Rogério Mata!
24:54Dívida fiscal de finanças? O que é isto, pai?
24:56Pois, pois, pois, pois que rei de porcaria é esta?
24:59Mas agora, o que é que lhes deu agora?
25:01Boa tarde.
25:01Qual de vocês é o Sr. Artur Mata?
25:05E quem é que quer saber?
25:06Sou o inspetor das Finanças e queria notificar o Sr. Artur Mata.
25:10Ah, Artur Mata! Artur Mata! Artur Mata! Artur Mata!
25:17Artur Mata!
25:18Hum, não, Artur Mata!
25:22Não, não, não conhecemos ninguém, tem de pagar alguma coisa, o Artur Mata, não?
25:26Não, tem é de receber.
25:27Receber?
25:29Receber?
25:30Receber?
25:30Receber?
25:30Artur Mata!
25:31Estou agora, estou agora...
25:32Pois, claro, Artur Mata sou eu!
25:34Pois, claro.
25:36Estou e quanto é que eu tenho de receber?
25:38É, só este aviso.
25:40Este casebre pertence agora ao Estado e amanhã vão demolí-lo.
25:43Foi considerado um risco para os cargos que passam nesta estrada.
25:47Um risco?
25:48Vão demolir?
25:50Mas como é que vão demolir uma coisa destas?
25:52Então, mas isto é uma coisa que está a cair?
25:54Vai-se gastar dinheiro a demolir uma coisa que está a cair?
25:57Calma!
25:57Mas como é que este país quer ir a algum lado?
26:00Calma!
26:00Isto não pode ser!
26:05Devia ter desconfiado desde o início.
26:08Aquele tio Rogério era um vigarista, um palintra, um...
26:13Trafulha!
26:15Palhaço!
26:16A ovelha negra da família!
26:20Mais um negócio em ruínas, literalmente.
26:24Artur!
26:25Artur!
26:25Estive a falar com os turistas e eles contaram-me tudo!
26:29Vocês deram cabo do emprego!
26:32Calma, calma, calma!
26:33Respira, senão ficas sem ar e a gente não percebe nada.
26:36Vá, a gente não te deu cabo do trabalho.
26:38A gente estava-te a ajudar no trabalho!
26:40Como?
26:41Apenas fizemos a rota do fadista!
26:43Correu mal, paciência!
26:44Mas qual rota do fadista?
26:46O que é naquele barracão?
26:48O que é que vocês inventaram desta vez?
26:49Que lá foi o sítio onde a Mali cantou pela primeira vez?
26:52Quem?
26:53Se vocês voltam a fazer uma coisa destas, eu...
26:57Eu...
26:58Ele está a ter uma visão.
26:59Palma, tu és genial!
27:01Não, não sou, não sou genial.
27:03És, és, és genial, és!
27:05Ouve, eu já estou a ver tudo.
27:07Aqui, dentro da minha cabeça.
27:08A nova rota dos fadistas.
27:10Nós vamos levar os teus turistas
27:12a verem o sítio onde a grande Amália
27:15cantou pela primeira vez.
27:17Desculpa-lá.
27:17Pô, amor de Deus.
27:18Alguém me é capaz de dizer de que Amália é a que estamos a falar.
27:21Oh, Artur, desculpa-lá.
27:22A Amália Rodrigues cantou pela primeira vez no Retiro da Severa.
27:26Sim, mas o sítio onde a grande Amália Rodrigues
27:28cantou pela primeira vez é como o Natal.
27:31É, é onde o homem quiser.
27:34Por acaso, foi na Armasa.
27:38Na Armasa?
27:39Sim!
27:39Ah, a Amália Rodrigues!
27:41Sim!
27:42O sítio onde a grande Amália cantou, Rodrigues, foi à Armasa.
27:47Eu vi, eu estava lá, eu vi com a etiqueta terra a comer.
27:49Jura?
27:51Artur, desculpa, isso não me cheira...
27:54Bom, mas se calhar já te cheira melhor se eu te oferecer uma comissão de dez porcento.
28:01Cinquenta.
28:02Quinze.
28:03Vinte.
28:04Sessenta.
28:05Tá feito.
28:05Oh, mas já foste, arregatear com o Mar que mata.
28:08Não, peraí.
28:09Quarenta porcento e puxamos o negócio.
28:11Não, queres cinquenta.
28:13Cinquenta.
28:13Feito.
28:14Feito.
28:15Feito.
28:16Feito.
28:17Ora, um brinde ao nascimento da Armasa...
28:22Rodrigues!
28:22Não!
28:23Duras!
28:25Vamos, fizes com isto.
28:32À procura da felicidade, Inês aparece na casa de João para uma conversa final sobre
28:37a relação à reconciliação à vista ou não.
28:40Confira já a seguir em Laços de Sangue, depois temos a novela Araguaia e a seguir Passione
28:46a caminho do final.
28:47E em breve estreia na SICA a versão portuguesa do programa Biggest Loser apresentado por Júlia
28:51Pinheiro.
28:52Como já sabe, neste espetacular programa, que se chama na versão portuguesa Peso Pesado,
28:56os concorrentes com excesso de peso tentam ser campeões na perda de peso e aprender a
29:01viver de forma mais saudável.
29:02Peso Pesado estreia brevemente na SICA.
29:05A SICA vai sortear um fantástico Audi Q5 no próximo dia 27 de Abril, durante os programas
29:10Querida Júlia com Júlia Pinheiro e Boa Tarde com Conceição Lino.
29:13Habilite-se desde já ligando o 760-100-300.
29:16Quantas mais vezes ligar, mais hipóteses têm de ganhar.
29:19760-100-300 dá acesso ao Audi Q5.
29:22Aproveite esta oportunidade.
29:24760-100-300 anda à roda dia 27 de Abril.
29:27Só aqui na SICA mais informações ao longo da emissão ou na internet em www.sic.sa.pt.
29:34E sábado à noite à futebol, a SICA transmite a grande final da Taça da Liga Billing Cup
29:38entre o Benfica e o Passos de Ferreira.
29:40E atenção às estreias de SICA ao longo de todo o fim de semana prolongado da Páscoa.
29:43Aproveite para ver.
29:44Boa noite e Feliz Páscoa.
29:46Estamos juntos.
29:46Até já.