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  • há 2 horas
Transcrição
00:00Música
00:36Muito bem, o caso não é simples.
00:39No entanto, se me contratar, eu posso garantir que ainda hoje o seu marido é colocado em prisão domiciliária.
00:45Ai, não me diga! Ai, mas que grande notícia! Muito obrigada, doutor César.
00:49Glória, a minha vida é ajudar as pessoas.
00:52Perdão, peço desculpa.
00:55Com licença.
00:56Sim?
00:57Não, caro colega, eu já lhe disse várias vezes que se a minha cliente atropelou esse idoso foi em legítima
01:02defesa.
01:04Um momento, sim, por favor.
01:06Provas? Claro que tenho provas. Ou pelo menos vou ter.
01:09Bem, este tipo não tem escrúpulos.
01:12É, é perfeito.
01:14Perfeito? Foi o único a ouvir o preço que ele cobra. Nós não temos dinheiro para lhe pagar, não é?
01:18Pronto, já cá faltava.
01:20Olha, se vais começar a pôr dificuldades, passou-se a ti, calava-me. Estuda, lê, escreve.
01:25Eu só estou a dizer, eu acho que devíamos tentar arranjar um advogado, mas... em conta.
01:30Ai, olha que até me custa dizer uma coisa destas.
01:35Nem quero acreditar, mas eu acho que realmente ali o...
01:38Paulo tem uma certa razão.
01:42Mas eu acho que temos que pensar mais no assunto, não é?
01:47Então, começo a trabalhar no caso?
01:49Ouça, nós... nós tivemos a pensar e...
01:52E vamos contratá-lo, claro.
01:54Muito bem.
01:55Nesse caso, podem começar a preparar a recepção ao Arturo, que por volta das sete, ela é todo vossa.
02:01Ah, ah...
02:03Ah, ah!
02:16Ah, ah, ah!
02:17Ah, ah, ah!
02:24Se você achar, a foto é este?
02:34Então, estava a ver que não vinhas.
02:36Cara essa, não estás contente por chegar o Arturo?
02:39Precisava aqui da tua ajuda e nada.
02:41Não faço eu outra coisa.
02:43Passei o dia inteiro à procura de trabalho para arranjar dinheiro, para pagar o advogado.
02:46E não podias ter feito isso no outro dia?
02:48Eu aqui ia precisar de ti.
02:49Ela passou quase duas horas e meia a depilar-se.
02:53E eu, creio que exagero, é natural que eu me queira pôr bonita.
02:55O meu marido está a chegar da prisão, não é?
02:57Ah filha, para isso já é muito tarde.
03:02Família, família, eu quero que saibam que,
03:05depois de o Rafael ter roubado o dinheiro da calção,
03:07eu também quero ajudar o Arturo.
03:09Ligaram-me numa clínica psiquiátrica e eu vou lá amanhã.
03:13Boa dia!
03:14Já não era sem tempo, finalmente mais dessa decisão.
03:17Mas eu vou lá, apagas tu, porque a gente estamos completamente teses.
03:21Ligaram-me para me oferecerem emprego, idiotas.
03:23Não foi para me tratarem.
03:25Ah, além disso eu vou poder conciliar com o centro.
03:28Não é perfeito?
03:29Deus vem aí.
03:30Ai, dessa!
03:32Ai, dessa!
03:46Surpresa!
03:49Surpresa!
03:50Pai, o que é que fizeram?
03:52Assassinos, tem violência policial.
03:54Não, não é. Tem calma, tem calma.
03:56Isto é só uma hernia discal.
04:00Os médicos disseram que se lixe a prisão.
04:07Ai, que susto.
04:08Cuidado, cuidado, cuidado.
04:10Não se esqueçam que a saúde do Arturo está muito debilitada.
04:14Pelo menos foi o que nós dissemos ao juiz.
04:19Bom, e assim sendo, eu vou andando.
04:22Arturo, não se esqueça que não pode sair de casa em circunstância nenhuma.
04:25Em qualquer momento, podem entrar agentes para se certificarem de que está cá.
04:28Doutor, mas então, no domingo eu vou ao futebol.
04:30Arturo, eu já lhe disse que não foi fácil trazê-lo para casa.
04:33Eu já estou a brincar.
04:36Ah, Arturo, não se brinca com essas coisas.
04:39Bem, vá, vamos lá todos para a mesa.
04:41Vá, vamos.
04:43Anda, filha.
04:45Vamos para a mesa.
04:47Chega só.
04:54Marco, pera, toma.
04:59Ouve, amanhã, não se os dois, vamos à noite à armazza.
05:02Está bem?
05:03O quê?
05:03Tu não podes?
05:05Posso, posso.
05:05Tenho de ir lá.
05:06Tenho de rasgar uns documentos, porque se o juiz vai lá fazer uma inspeção, eu volto para a prisão.
05:17Já comeram?
05:19Sebrou alguma coisa?
05:21Oh, rapazinho, tu ainda estás a viver cá em casa?
05:25Viver?
05:27Não sei se dormir na dispensa é viver, mas sim.
05:30Sim.
05:34Oh, coisinho.
05:36Por que é que o teu irmão ainda está a viver cá em casa?
05:39Ah, porque esta casa também é minha.
05:44Simpático.
05:48Estou tão contente.
05:50Não acreditas, consegui o emprego da minha vida.
05:53Diretor financeiro numa consultora.
05:55Que fixe.
05:56Nem posso acreditar.
05:58Então quer dizer que vais ter o teu próprio gabinete, com a tua secretária de madeira,
06:01a tua cadeira de couro e uma secretária particular?
06:07Ah, sim.
06:08Quer dizer, em relação à secretária, não sei.
06:10Mas isso também não interessa.
06:11O que interessa é que eles me pagam um apartamento, sabes onde?
06:13Bruxelas.
06:14O emprego é em Bruxelas?
06:15Pois é.
06:17Centro Nevrálgico da União Europeia.
06:19Parabéns, Paulinho.
06:23Só há uma coisa que eu ainda não fiz.
06:26O quê?
06:28Ainda não contei a Susana.
06:37Tem os conhecimentos necessários.
06:40Mas não tem muita experiência com doentes que tenham transtornos graves de personalidade,
06:46como paranoico, esquizofrénico...
06:49Ah, esqueci de pôr isso aí.
06:51Mas eu tratei montes de doentes com essas coisas.
06:53A sério?
06:54A sério?
06:54Então não.
06:55Eu tive um que tinha uma paranoia de um ano.
06:57Tinha a mania que se perseguia a si mesmo.
06:58Pois andava a roda, a roda, a roda.
07:02E tinha medo das próprias mãos.
07:05Ai, doutor.
07:07Ai, doutor, desculpe.
07:08É que eu estou um bocadinho nervosa.
07:09E conseguiu tratar esse paciente?
07:11Uh, ficou como novo.
07:13Muito bem.
07:15Começa a trabalhar connosco.
07:16Já é experiência.
07:18Depois veremos.
07:31Olá.
07:33Olá.
07:36Cheira bem?
07:40Ah, sabes o que eu tenho pensado?
07:42Temos passado pouco tempo juntos, não achas?
07:45Então sei que era bom darmos uma escapadinha.
07:47Sim ao Douro, Algarve, Bruxelas.
07:51Paulo, o meu pai está em prisão domiciliária.
07:54A minha mãe, há várias depressões.
07:56E tu vês aqui e pedes para irmos passear.
07:58Não me parece, desculpa lá.
08:00Não, não.
08:01Tens razão, tens razão.
08:01Professor, está a fazer aquela conversa de cozinha, não é?
08:07Enfim, está tudo.
08:08Está tudo, não é?
08:08Força aí.
08:14Bruxelas?
08:16Bolas, chatice, raios, esparta.
08:19Mas o que é que foi agora?
08:21O que é que foi agora?
08:22É que querem tirar a carta de condução.
08:25Apanham uma pessoa sem cinto a falar ao telemóvel e com os copos no bucho e querem nos tramar logo.
08:31Isto é culpa é do governo.
08:33Não, Vasco, a culpa é tua.
08:35A cada dia que passa, tu conduzes pior.
08:38Tu não me diz isso, mulher.
08:39Tu não me diz isso.
08:40Que eu conduzo perfeitamente.
08:42É?
08:43É por isso que não respeitas nenhum sinal?
08:45Oh, Vasco, pelo amor de Deus.
08:47Na tua idade, tu tens é que armar o teu carrinho e passares a andar de transportes.
08:52Nem pensar nisso, nem pensar nisso.
08:55Eu sou um homem independente.
08:57Quero a minha liberdade.
08:59Mas tiro uma carta, eu tiro outra.
09:10Algum problema?
09:13Comigo?
09:13Não, não, nenhum.
09:15Nenhum.
09:16Se fosse alguma coisa, eu contava-te logo, não é?
09:18Ao contrário de outros que preferem ficar calados.
09:20Foi o Jorge.
09:21É isso?
09:21O que é que ele fez agora?
09:23O Jorge?
09:24O que é que ele fez agora?
09:25Ora bem, deixa cá ver.
09:27O que é que ele não fez foi conseguir um trabalho em Bruxelas e não ter dito nada.
09:32Paulo.
09:33Quando é que, não sei, quando é que te ensinavas contar-me?
09:37Falaste com o Xavier, não foi?
09:39Tive de saber pelo irmão do meu namorado que ele ia trabalhar para o fim do mundo.
09:43Bruxelas não é o fim.
09:43Mas seria mais normal ficar a saber por ti?
09:45Eu devia ser a primeira pessoa a saber que o meu namorado vai trabalhar para o estrangeiro.
09:50Mas afinal eu não vou.
09:52Como?
09:53É demasiado longe.
09:56Paulo, é o emprego perfeito?
09:59Quase perfeito.
10:00Há um pequeno senão.
10:01É que fica a mil quilómetros, mais de mil quilómetros de distância de ti.
10:06Isso.
10:06E além disso eu concordo contigo.
10:07Eu acho que não devo deixar a tua família numa altura destas.
10:09Mas eu não quero...
10:10Susana, já está decidido.
10:12Não interessa.
10:13Além disso eu já consegui um emprego tão bom ou ainda melhor do que esse.
10:17Sério?
10:17Sim.
10:18Apreensar declarações de IRS num gabinete aqui da zona.
10:31Oh Lúcia, o que é que ainda está aqui a fazer a esta hora?
10:34Estou a ver filmes iróticos.
10:35O que é que tu achas?
10:37O meu marido ressona que nem um porco e não me deixa dormir.
10:42E tu?
10:44Eu?
10:46Teve uma insónia e quando olhei para o lado o Arturo não estava a dormir.
10:49Na canara ao estupor do homem.
10:52Olha.
10:58Boa noite.
11:02Boa noite.
11:04Ai, pai.
11:05Tenho medo.
11:06Tens medo de quê?
11:07Eu é que devia ter medo.
11:09Se a tua mãe sabe que eu estou aqui dá-me um tiro.
11:11Olha, quais são os documentos que temos que destruir?
11:13Tudo o que tiver a minha assinatura ou que diga armaz.
11:17Ok.
11:25É a tua mãe.
11:27Sim, minha pombinha.
11:30Não, não.
11:31Eu estou em casa.
11:33Quer dizer,
11:35não é bem em casa.
11:36Estou no...
11:37Jardim.
11:38No jardim?
11:39Pois?
11:40Sim.
11:46Não, não.
11:46Mas não venhas cá fora.
11:48Mesmo que está um...
11:51frio de rachar.
11:52Não venhas.
11:52Não venhas.
11:54Polícia!
12:02Como é que a polícia está em nossa casa?
12:06Não sei se querem ou um cafezinho, ou um chá.
12:10Demora um bocadinho, mas eu, claro, posso arranjar.
12:12Não, muito obrigado.
12:13Nós viemos só comprovar que o senhor Arthur Mata está em casa.
12:16Com certeza.
12:18Então onde é que havia de estar o meu marido?
12:19Em casa, evidentemente.
12:21Por acaso, neste momento, encontra-se na caça de banho.
12:23Porque nas prisões come-se muito mal.
12:25A comida é horrível.
12:26E então ele ficou com um desarranjozinho nos intestinos e passa-me a vida na cara.
12:30Olha, falei-no mal.
12:32Acabou de chegar aqui o meu marido Arthur.
12:35Ali em comigo.
12:37Comprova-se que ele está aqui.
12:39Ora, como bem, eu estou cá.
12:42Eu estou a cumprir a minha prisão domiciliária.
12:46Não é como um bom português.
12:49Este homem não pode ser o seu marido.
12:52Pronto.
12:52Lá vem a conversa do costume.
12:55Lá porque eu pareço muito jovem e tenho um marido idoso.
12:58Isso não quer dizer que ele não possa ser meu marido, não acha?
13:00E, por sinal, até tenho cumprido bastante bem comigo.
13:03Fico muito feliz por si, minha senhora.
13:06Mas acontece que o senhor Arthur Mata anda de cadeira de rodas.
13:10Ai, ai, ai as minhas costas.
13:12Ai, Jesus, ai, as minhas costas.
13:15O que é que me mandou a mim?
13:17Eu estava a meter assim a armarem em valentão perante os senhores agentes.
13:22Se me dão licença, eu vou andar.
13:26Há uma situação complicada.
13:34Vejamos, Arthur.
13:35Em pouco mais de 12 horas, você não cumpriu a prisão domiciliária
13:38e deu cabo da alegação de invalidez.
13:40Fez mais alguma tolice?
13:42Arthur, onde é que tu estiveste?
13:43Foste beber copos, foi?
13:44Sim.
13:45Foi isso.
13:46Foi isso.
13:47Tu sabes que os copos à terça-feira para mim são sagrados.
13:51Desculpem.
13:53Doutor César, há alguma maneira de evitarmos que o meu Arthur volte para a prisão?
13:58Só César, por favor.
13:59Só César.
14:00Sim.
14:01Há sempre uma solução para tudo.
14:03No entanto, prepará-la implica fazer uma pesquisa que não estava inicialmente orçamentada nos meus honorários.
14:09Ah, mas não se preocupe.
14:10Nós pagamos o que for necessário só para salvar o meu marido.
14:13Muito bem.
14:14Nesse caso, nós podemos alegar que o seu marido sofre de uma desordem psicológica
14:18que o poderá levar ao suicídio caso ele volte para a prisão.
14:24Sim, está bem.
14:26E como é que isso se faz?
14:27Apenas precisamos de um atestado assinado por um psicólogo profissional
14:31que diga que você sofre dessa desordem psicológica.
14:34Mas, olha lá, você nunca fez nada que fosse legal.
14:39Não ligo, não lhe dê ouvidos.
14:41Os matas estão de acordo.
14:43E um atestado médico falso é uma coisa muito portuguesa.
14:47Eu gosto.
14:48Muito bem.
14:49No entanto, um atestado desse tipo, falso, não custará nunca menos de 10 mil euros.
14:54Quais euros?
14:5410 mil euros.
14:55Isto também é muito português.
14:57Pai, Deus, mas nós não conseguimos arranjar tanto dinheiro.
15:01Por amor de Deus.
15:03Quer dizer, não se arranja um atestado um bocadinho mais em conta?
15:05Mais baratinho?
15:07Família, família.
15:08Ainda venho dos encontros a todos.
15:10Vocês não vão acreditar.
15:11Fui contratada pela clínica de psicologia.
15:15Bestial!
15:17Isto é sorte da família Mata a funcionar.
15:24Credo, eu não sabia que vocês gostavam tanto de mim.
15:27Ai, eu até estou emocionada.
15:33Ainda não me habituei às minhas novas funções administrativas.
15:36Se calhar é porque ainda ganho como monitora.
15:39Ai, que raio de promoção.
15:41Mas porquê que eu concordei?
15:43Eu devia sentir-me aliviada pelo que o Paulo fez por mim, mas eu sinto-me culpada.
15:47Tu já reparaste no belo rabinho que tem o frete com aquelas casas?
15:51Eu não paro de pensar que o Paulo renunciou a um bom emprego por minha causa.
15:54Eu tenho que lhe dizer.
15:55Laura, eu estou-te a contar um problema após-me ouvir.
15:58Sim, eu estou a ouvir perfeitamente e compreendo perfeitamente.
16:01Hein?
16:01Compreendes?
16:02Sim, compreendo e até acho que o Paulo nunca há de fazer nada de nada,
16:05até porque ele tem muito medo de te perder.
16:08Ainda não percebeste isso.
16:16Olá, Mónica.
16:17Olá.
16:20Pumbinha, tu já falaste com a tua irmã.
16:22Ela está connosco, a linha ou não?
16:24Ah, mas tu é que ficaste a falar com ela.
16:26Porque assim ela fica mais que uma vida.
16:27Parece que eras tu.
16:28Não, mas vou falar.
16:28Mas é que tu é que és a irmã dela.
16:30Mas tu é que és uma idiota que não cumpriu a prisão domiciliária.
16:35Bom, então posso resolver isto uma vez por todas?
16:37Sim?
16:37Com licença.
16:42Desculpe, menina Mónica.
16:43Nós precisamos que a menina declare que o Sr. Mata é doente mental.
16:46É uma maneira de evitar que ele seja preso.
16:49Está bem.
16:51Arthur, tu és um doente mental.
16:53Muito bem.
16:54E não se importava de dizer isso por escrito, assim em forma de atestado.
16:57O quê?
16:58Ah, não, não, não.
16:59Isso é que não.
16:59Desculpem lá, mas eu estou à experiência lá na clínica.
17:01Se eu desatamente ir já desta maneira, sou despedido antes de começar.
17:05Polas, Mónica.
17:06Mesmo que tu não queiras fazer isto para mim, eu percebo.
17:08Faz isto pela família.
17:10Eu não quero que a Glória sofra mais, nem os miúdos.
17:14Principalmente o Marco.
17:16E eu posso garantir-lhe pessoalmente que não corre qualquer risco de ser despedida.
17:20Ai, não?
17:21Como assim?
17:22Cunhadinha, vá lá.
17:24Olha, para já, para que esse atestado fosse válido,
17:26eu teria que ter a assinatura do meu chefe.
17:29Exato.
17:30Então vais ter com o teu chefe, ele assina o atestado e não se fala mais nisso.
17:38Olá, Susana.
17:40Vá lá, Xavier.
17:45O que é que tens?
17:49Achas que o palo é feliz?
17:52É capaz de não estar muito contente com o trabalho na armazenca.
17:58É como toda a gente.
17:59E há outras coisas mais importantes na vida.
18:02A família, os amigos.
18:04Mas eu não tenho tempo a estar com os amigos.
18:09E não gosto muito de viver com a minha família, não é?
18:13Pois.
18:14É que o meu irmão é um caso estranho.
18:15É daquelas pessoas que se contentam com pouco.
18:19Pois.
18:22A ambulância deve ceder a passagem ao entrar na autostrada.
18:26Mas o que é que eu tenho a ver com isto?
18:28Eu não quero conduzir ambulâncias.
18:30Mas caralho de perguntas, vá.
18:32Nossa, o que é que foi?
18:34Foi o quê?
18:35Ah, rendes-te.
18:38Não me rende nada.
18:39Estou aí apenas um bocadinho cansado.
18:41Descansa.
18:42Pois, eu já te disse que não consegues meter isso tudo na cabeça.
18:45Não consigo o quê?
18:46Mas sabes que eu tenho tanta prática.
18:48Olha, até te vou dizer mais uma coisa.
18:49Não vou estudar um capítulo que diz aqui que é dos atrelados.
18:53Para quê?
18:54Eu já vivo com um.
18:57Fosses morrer.
18:59Quase tanto como quanto despeis.
19:02Psssss.
19:03Olha, piviricinho.
19:04Em vez de me estás a insultar, devias era apoiar-me.
19:08Ajudar-me a estudar.
19:09Isso é que era de mulher.
19:11Eu?
19:11Sim.
19:12Perder tempo contigo.
19:13Ah, homem, vai-te curar.
19:15Isso, vai-te embora.
19:16Vai-te embora que eu não preciso de ti para nada, ouviste?
19:18Não preciso de ti para nada.
19:19Eu estudo sozinho.
19:20Oh, Raquel, anda cá, filha.
19:22Um instantinho.
19:23Olha lá, filha.
19:24Fofinha, diz-me uma coisa.
19:26Tu...
19:26Tu gostas de estudar, não gostas?
19:29Sim.
19:30Ah, ainda bem.
19:35Boa tarde, doutor.
19:36Trabalhou o processo de um paciente.
19:38É um caso muito simples.
19:39Até foi eu que examinei tudo.
19:40Só preciso que o doutor assine.
19:46Mas é um paciente que está em prisão domiciliária, hein?
19:49É preciso ter muito cuidado.
19:51Você não imagina a quantidade de gente que finge ter doenças mentais para fugir à prisão.
19:55Sim, eu sei.
19:56Mas isto é um caso mesmo muito simples.
19:57É um esquizofrénico com tendências suicidas.
19:59O doutor assina e eu não o incomodo mais.
20:02Sabe o que vamos fazer?
20:05Vamos repetir o exame, mas desta vez eu vou estar presente.
20:08Mas não se assuste.
20:09Se ele tentar enganar-nos, eu vou conseguir perceber.
20:32Susana, não é que eu seja o Bill Gates, nem nada que se pareça.
20:35Mas precisas ligar o computador, só não vês nada.
20:39O que é que foi, amiga?
20:42Estou a pensar no Paulo.
20:44Ai, vá lá, miúda.
20:45Nem todos os homens merecem tanta preocupação.
20:48Tudo bem, mas eu preocupo-me.
20:51Eu não consigo parar de pensar por minha causa.
20:54O Paulo perdeu o trabalho, perdeu o dinheiro.
20:56Até tens de parar da sua vez para tomar a ducho.
20:58Pois é.
20:59De facto, a vida dele é uma porcaria, não é?
21:02Mas não desesperes.
21:03Tenho paciência.
21:04E se algum dia há de mudar?
21:05É.
21:06Quando?
21:06Quando?
21:07Quando a minha família começar a ser uma família normal.
21:09Laura, isso nunca vai acontecer.
21:11Nunca.
21:12Vou estragar a vida.
21:14Pois, mas se é isso que ele prefere, o que é que tu podes fazer?
21:18O que é que eu posso fazer?
21:21Posso obrigá-lo a aceitar o trabalho em Bruxelas.
21:23Quer ele queira, quer não.
21:32Paulo, podemos falar.
21:35Mas, pode deixar isso, faz favor, o assunto é importante.
21:38Dá-me só um segundo que isto está...
21:39Senão eu perco-me aqui.
21:40Peraí, 12%.
21:41Só um segundo.
21:42Menos.
21:44Ok.
21:45Oferecer-me um emprego no Porto e pago-me o dobro.
21:47Boa, boa.
21:50Isso é...
21:51O quê?
21:52O que é que disseste?
21:53Vou para o Porto trabalhar.
21:55Tu?
21:57Mas vais assim, de repente?
21:59Nós temos que agarrar as oportunidades quando elas aparecem, Paulo.
22:03Ah, claro.
22:03E não podias pensar em mim antes de mais essa decisão.
22:06Podia.
22:07Podia, mas também pensei em mim.
22:09Pensei em mim.
22:12Eu não fui para Bruxelas por tua causa.
22:14Pois, mas tu és tu e eu sou eu.
22:17E para mim o trabalho é mesmo muito importante.
22:19E eu acho que a questão de recusar do trabalho em Bruxelas foi uma grande asneira, Paulo.
22:22Ah, então eu talvez vá para Bruxelas.
22:24É isso.
22:24É isso que eu te estou a dizer.
22:26Ah, é?
22:26É.
22:27Então eu vou mesmo.
22:27Vai.
22:29É isso que tu queres?
22:30Que eu vá para Bruxelas?
22:31É.
22:32Vai.
22:32Então eu vou mesmo.
22:33Vou para Bruxelas.
22:34Pronto.
22:35Vai.
22:36Vai.
22:37Vai.
22:37Eu vou para Bruxelas.
22:38Vai.
22:42Vai.
22:45Então, avô, qual é que era a resposta?
22:47A, B ou C?
22:48A, B ou C?
22:50E qual era a B?
22:52Começa por B.
22:54São cinco letras.
22:56E pertence a uma cidade que se pode ver por um canudo.
22:59Olha, eu assim não sei estudar.
23:01Não consigo estudar.
23:02É isso que eu te estou a dizer.
23:04Uma pessoa da tua idade não se consegue concentrar.
23:06Olha, olha lá bem.
23:08Eu tenho muito pouco tempo, hein?
23:10É amanhã um exame.
23:11Tenho muito pouco tempo para estudar.
23:13Por que é que tu não me deixas em paz?
23:15Ah, isso é que eu tenho pensado durante estes cinquenta anos.
23:20Ora, vamos embora.
23:21Isto aqui não se consegue estudar.
23:23Anda lá, filha.
23:23Anda.
23:24Embora.
23:30Ora, vejamos, Arthur.
23:32Quando tu ouves vozes na tua cabeça, o que é que tu sentes?
23:37Eu já te disse vinte vezes.
23:39Sinto vontade de me matar.
23:41Não, não, não, não, não, Arthur.
23:43Não pode ser.
23:44Tudo mal.
23:44Primeiro sentes uma grande confusão.
23:46Só depois é que vem o impulso para te matares.
23:49Oh, Arthur, por amor de Deus, concentração.
23:51Assim o diretor vai descobrir tudo.
23:53Não.
23:53Não, não, não.
23:54Não pode ser.
23:56Não pode ser, porque assim é que eu vou preso mesmo.
23:59Não.
23:59Não pode ser isso.
24:01Não, não.
24:02Eu estou por aí.
24:03Tenha calma, homem.
24:04Tenha calma.
24:04Está tudo bem.
24:05Tudo tem uma solução.
24:06Não, não está nada bem, porque eles sabem que eu menti.
24:09Eles sabem que eu sou culpado.
24:10Pois sabem, mas está tudo bem.
24:12Não está nada tudo bem.
24:14E tu, tu finges que me estás aqui a defender, mas tu queres é ver-me na prisão.
24:19Tu pensas que eu não dou por isso?
24:20Ah, vocês pensam, vocês pensam que eu não dou por isso.
24:23Mas vocês não me vão conseguir fazer mal, porque eu primeiro, eu mato-me.
24:28Eu primeiro mato-me.
24:30Antes disso...
24:30Não, não, Arthur!
24:33Ah, que tal?
24:34Pelo menos uma nomeação para um Oscar.
24:36Ah, ah, ah, bravo.
24:40Muito bem.
24:41Ainda bem que está tão confiante porque eu marquei a consulta com o psicólogo para amanhã.
24:46Amanhã.
24:49E convenci-o a vir cá à casa.
24:50Cá à casa?
24:51Sim.
24:52Eu sei que era mais seguro, em um ambiente mais controlado.
24:54Mas se ele descobre que eu vivo aqui, está tudo estragado.
24:58Então não pode descobrir.
25:10Estás a beber cerveja com álcool?
25:13O que é que tens?
25:14Isso é tão grave?
25:17A Susana arranjou um emprego no Porto e...
25:20Diz que se vai embora.
25:23No Porto?
25:25Ou seja, tu renunciaste a ir para Bruxelas por causa dela.
25:29E ela agora vai para o Porto?
25:31Como é que ela pode fazer uma coisa dessas?
25:34E não lhe deve parecer uma coisa assim tão grave.
25:36Porque estava calma.
25:39Serena.
25:43Ai, vá lá, miúda.
25:45Anima-te.
25:46Tu fizeste o que tinhas a fazer.
25:48Sim, claro.
25:49Foi o plano perfeito.
25:51Para o convenceres a aceitar o emprego em Bruxelas,
25:53o que é que tu fazes?
25:55Além de arruinar a relação,
25:57ainda arranjou um emprego imaginário no Porto.
25:59Genial!
26:05Eu não acredito.
26:07Eu não acredito que vou estar a mais de...
26:101885 quilómetros.
26:12Enfim, não é assim tão longe, mas não.
26:13Compras um avião e vês cá todos os dias.
26:16Tens que ver a coisa pelo lado positivo.
26:19Numa relação à distância, podes andar com quem quiseres.
26:22Ela nunca vai saber.
26:25Não estás a ajudar.
26:27Ai, não te venhas para aí a suspirar, Susana.
26:29Vá lá, anima-te.
26:31Eu acho que tenho a solução para os teus problemas.
26:34Um tiro nos mioles.
26:35Não.
26:36Terapia de choque.
26:37Um stripo masculino.
26:38Ah, que tal?
26:46Paulo.
26:47É o Paulo.
26:50Ah...
26:51Sim.
26:54Como?
26:57O quê?
26:58A sério?
27:01Está bem.
27:03Adeus, então.
27:04Adeus.
27:05Então, o que é que ele disse?
27:08O Paulo vai comigo para o Porto.
27:10Oh, meu Deus.
27:11Eu tenho o melhor namorado do mundo.
27:12Claro que tens.
27:13Vês?
27:13Tu não tens motivo nenhum para estar assim.
27:15Ai, que seca de gajo também.
27:16Que seca.
27:17Mas é tão romântico.
27:31Olá, avô, então.
27:32Conta lá como é que foi o exame.
27:34Oh, filha.
27:35Tu ainda perguntas uma coisa dessas.
27:37Foram favas contadas.
27:39Olha, só te digo.
27:41Só te digo.
27:41Tive que escrever tan, tan, tan, tan, tan, tan, tan, tan.
27:45Até tive que pedir outra folha de exame ao professor.
27:48Oh, mas então aquilo não é com cruzinhas e...
27:51Pois é, é com cruzinhas, pois.
27:53Mas como eu disse tudo muito bem, acertei em tudo.
27:56Eu quis fazer umas sugestões, uns comentários no rodapé.
28:00O que é que estás a mentir à miúda?
28:02Hein?
28:03Chumbaste, não foi?
28:05É...
28:06Pois, chumbai, chumbai, chumbai, chumbai, pronto.
28:08Claro que chumbaste.
28:08Mas a culpa não foi minha, foi do examinador.
28:11Ele imperdeu comigo.
28:12Virou, pronto.
28:14Mas se ele julga que eu vou desistir, está muito enganado,
28:16que eu sou um mata.
28:18Portanto, eu vou estudar e vou passar.
28:21Só sei de onde passar o exame.
28:22Seu este?
28:23Queres continuar a ser ridículo?
28:25Sim.
28:26Da próxima vez, levas um narizinho vermelho
28:29com uns sapatinhos de palhaço.
28:32Que gracinha.
28:33Olha, eu vou-me embora aqui para não me irritar, está bem?
28:35Parvalhão.
28:37Oh, avó, então conta lá.
28:39Por que é que tu não queres que o avô tire a carta?
28:42Porque prefiro humilhá-lo do que vê-lo ter um desastre rodoviário.
28:46Mas isto fica entre nós, hein?
28:48Hum?
28:53O escritório acolhidor este...
28:56É a primeira vez que eu vejo o doente aqui em casa dele.
28:59Ah, muito bem.
29:03O senhor Mata diz que ouve vozes.
29:06Que tipo de vozes?
29:09Vozes...
29:10Vozes...
29:10Na cabeça?
29:13Vozes na cabeça.
29:15Mas...
29:15Mas são vozes...
29:19Extraordinárias.
29:20São imaginárias?
29:22Vozes imaginárias.
29:24Imaginárias.
29:25Então quer dizer que tem plena consciência de que não são vozes reais, é isso?
29:29Não, não, não, não, não, não.
29:31Não, eu não sei de nada.
29:34Eu não dei por nada.
29:35São vozes extraordinárias.
29:38Mas são muito reais.
29:40Muito reais.
29:41Sra. Mata, mas...
29:42O que está a dizer é um pouco contraditório, não é?
29:45Não, mas pode confiar em mim.
29:47Pode confiar em mim.
29:48Porque eu sou um bocado maluco, mas...
29:51Quer dizer, tenho um parafuso a menos, mas não faço mal a ninguém.
29:55Pelo menos é o que me dizem as vozes.
29:58As vozes...
29:59As vozes...
29:59O quê?
30:00Olha, olha, lá estão elas.
30:02O quê?
30:03As vozes não estão...
30:04Não, mas ele...
30:05Não estão a gostar do doutor.
30:08Mas...
30:08Mas o quê?
30:09Então agora...
30:10Agora...
30:12Cortar-lhe a cabeça.
30:14Cortar-lhe a cabeça, não, então.
30:15Eu gosto do doutor.
30:17Eu gosto do doutor.
30:18Gosto do doutor, mas...
30:19Já acabou de fantuxada.
30:21Fantochada?
30:22Mas qual fantuxada?
30:23Isto não é fantuxada.
30:25Mas está a ver?
30:26É isto da minha vida, doutor.
30:27O quê?
30:29O quê?
30:30Agora...
30:30Agora desvir-me aqui.
30:32Mas...
30:33Todo?
30:34Está bem.
30:35As vozes estão-me a dizer para eu me despir todo.
30:38Tem que me despir.
30:41Doutor, vou-me despir.
30:43Doutor, as vozes estão-me a dizer para eu me despir.
30:46Doutor, o doutor não me vai impedir...
30:48Eu vou ficar implota.
30:50Não.
30:50O doutor não...
30:50Não me vai impedir.
30:52Como é que há pessoas que acham que nos podem enganar?
30:55Faça embora daqui, seu desavogunhado.
30:57Vai enganar o seu pai fora daqui.
30:59Isso.
31:01Oh, doutor, eu peço imensa desculpa.
31:04Pede desculpa por quê?
31:06Por me ter deixado de enganar.
31:07É óbvio que o homem estava a fingir só para se livrar da prisão.
31:10Como é que há gente tão mesquinha, capaz de brincar com um problema destes, com uma esquizofrenia?
31:14É tão reprovável como querer fazer-me assinar um diagnóstico falso, não é verdade?
31:20É verdade.
31:21Isso seria um crime.
31:22Mas isso é um suponhamos, não é?
31:23Agora, com licença, que eu tenho imenso trabalho para fazer.
31:25Não, não tenho muito trabalho para fazer.
31:27Nós já não precisamos de si na minha clínica.
31:32Não?
31:33Não.
31:38E...
31:39E se me desse uma segunda hipótese?
31:43Por amor de Deus, Mónica.
31:46Eu sou gay.
31:49O quê?
31:52Saia daqui.
31:54Saia daqui imediatamente.
31:55Esta casa é minha.
31:56Põe-se na rua já.
31:57Na alheta.
32:02No fundo, o Paulo tem uma personalidade fraca.
32:05Desculpa, mas é o que eu acho.
32:07A tua ideia de lhe dizeres que ires para o Porto só fez com que ele desistisse de ir para
32:10Bruxelas.
32:11Desculpa, é totó.
32:12Já sei.
32:13Já sei.
32:14Entramos os dois no avião para Bruxelas.
32:15No último momento, ele sai do avião a correr e assim ele não pode recusar o trabalho.
32:19Pois não.
32:21A não ser que se atire de paraquedas assim que vir que não estás no avião.
32:25Ouve, Susana.
32:26Enquanto o Paulo estiver contigo, ele não vai para Bruxelas nem coisa nenhuma.
32:31Está bem, mas tenho a ver qualquer coisa que eu possa fazer.
32:35Susana, o Paulo está ali a perguntar por ti.
32:37O Paulo está cá?
32:38Sim, ali no átrio.
32:40Está bem, Fred, espera.
32:42Tive uma ideia.
32:49Susana?
32:51Não, Paulo.
32:52Ouve.
32:53Isto não é o que parece.
32:54Enfim, esta frase também parece sempre que é o que parece que não é, mas...
32:59Mas...
33:02Agora já percebo porquê querias tanto que eu fosse para Bruxelas.
33:12Mas é que tu vás tão carregado, homem?
33:15Ah, vou tirar a carta de condução à boa maneira portuguesa.
33:20Com suborno.
33:23Vai ver, é quem?
33:34E parece que agora a coisa é sério e o Inês decide esquecer o João de uma vez por todas.
33:39Porém, João quer saber por que razão o Inês foi ao Congo atrás dele.
33:43Como será que isto termina?
33:44Confira daqui a pouco no novo capítulo de Laços de Sangue.
33:47Depois temos Araguaia e a seguir revelamos um pouco mais do final de Paciona.
33:52Em breve estreia na SIC a versão portuguesa do programa Biggest Loser, apresentado por Júlia Punhar.
33:57Como já sabe, neste espetacular programa, que se chama na versão portuguesa Peso Pesado,
34:02os concorrentes com sucesso de peso tentam ser campeões na perda de peso e aprender a viver de forma mais
34:08saudável.
34:09Peso Pesado estreia brevemente na SIC.
34:11A SIC vai sortear um fantástico Audi Q5 no próximo dia 27 de Abril.
34:17Durante os programas Querida Júlia com Júlia Punheiro e Boa Tarde com Conceição Lino,
34:22habilite-se desde já ligando o 760-100-300.
34:25Quantas mais vezes ligar, mais hipóteses têm de ganhar.
34:28760-100-300 dá acesso ao Audi Q5.
34:32Aproveite desta oportunidade via 760-100-300.
34:36Anda à roda dia 27 de Abril só aqui na SIC.
34:39Mais informações sobre toda a programação da SIC ao longo da emissão ou na internet em sic.sap.pt.
34:46Boa noite.
34:46Boa noite.
34:47Boa noite.