- há 25 minutos
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DivertimentoTranscrição
00:00Este sou eu.
00:02E esta é a Susana.
00:04A nossa vida era perfeita e íamos ter a casa dos nossos sonhos.
00:07Até que um ladrão nos roubou o nosso dinheiro.
00:09Estou a falar do pai dela.
00:12Foi aí que tivemos que viver com a sua família.
00:14Com a mãe da minha namorada, que me quer ver morto.
00:16Com a tia solteirona, que precisa de marido.
00:18Com o irmão, que precisa de um cérebro.
00:20Com os filhos do irmão, que adoravam ter outro pai.
00:22E com o avô, que é o dono da casa e nos quer ver a todos pelas costas.
00:32Estes sonhos mata.
00:33Nunca um apelido ficou tão bem em uma família.
00:37Mas vai ficar sem a casa? Como?
00:41Ouve, tu sabes como é que são estas coisas.
00:43A gente...
00:45Há uma altura em que precisa de dinheiro.
00:48E então pede um empreste.
00:50E depois, inevitavelmente, há um mês ou outro em que não se paga uma prestação.
00:55No fundo, foi isso que aconteceu.
00:56Uma prestação?
00:57Sim.
00:57Oh, Arthur, não me assuste.
00:59Há quanto tempo é que não paga?
01:00Há...
01:02Ano e meio.
01:03Ano e meio?
01:03Sim, 18 meses. Mas ouve, eu tenho um plano.
01:06Ah, sim? Qual é o plano?
01:06Sim.
01:07O plano... Quer dizer, não se pode dizer que seja bem um plano.
01:10Vamos fazer assim.
01:12Ninguém pode saber disto.
01:17É esse o plano?
01:19Ah, já percebi. Já percebi.
01:20Entretanto, vou buscar uma caixa de cartão ao lixo, discretamente.
01:23Para fazer uma casa para mim e para a sua filha.
01:24Paulo, tu não podes ser assim.
01:26Tu tens que ver as coisas para o lado positivo.
01:27Mas qual o lado positivo?
01:29Arthur, vou-lhe ficar com a casa.
01:32Eu tenho que dizer isto à família.
01:33Não, tu és doido.
01:34Agora vou alarmar as pessoas.
01:35Não, não.
01:36Não.
01:37Eu arranjo um plano para resolver isto tudo.
01:39Tenho calma.
01:41Coitado da Susana, quando ela sabe disto.
01:42Ouve, tu não te preocupes com isso.
01:45A tua preocupação agora é...
01:47Ninguém pode saber que nós vamos ficar sem a casa.
01:51O quê?
01:53Atrás da porta eu não consegui ouvir bem.
01:55Vamos ficar sem casa.
01:56Sim.
01:56Mas isto é segredo.
01:58Ok.
01:59Claro, claro, claro.
02:01Eu vou cair um túmulo.
02:04Oh, mãe!
02:05Avô!
02:06Mónica!
02:07Vamos ficar sem casa!
02:15Era segredo, inclusive, para o resto da família.
02:17Tu não explicaste, pai.
02:18Eu não sabia.
02:25Isto é inadmissível.
02:26E agora?
02:27É uma vergonha.
02:28Calma, calma.
02:29Nem eu sabia.
02:30Calma!
02:32Isto é só a execução de uma hipoteca.
02:36Não é mais do que isso, feijão?
02:37Não.
02:38Só vamos para o olho da rua.
02:39Não nos acontece mais nada.
02:40Sim.
02:40Mas se nós pagarmos, isso não acontece.
02:42É verdade ou não é?
02:43Sim.
02:44Sim.
02:44Claro.
02:45Pronto.
02:46Então paga-se e fica resolvido.
02:48Pronto.
02:48Paga-se e fica resolvido.
02:49Temos de confiar no pai, não é?
02:50Ai.
02:51Vamos perder a casa onde eu nasci.
02:54A casa onde eu brinquei em criança.
02:56A casa onde eu me tornei mulher.
02:58A casa onde eu queria trazer o meu marido e dizer-lhe...
03:01Olha, querido, estas são as minhas raízes.
03:04Eu não sei se as paredes vão aguentar.
03:08Arturo, condenaste a tua família a viver na rua.
03:10Há uma coisa que eu não estou a perceber.
03:13Como é que tu podes dizer que podes vir a perder esta casa, se esta casa é minha?
03:18Bom, aí há uma questão que por acaso até é interessante.
03:24É que, havendo uma segunda hipoteca, tem de haver uma segunda assinatura.
03:31Portanto, no sítio onde havia a primeira assinatura, da primeira hipoteca, tem de passar
03:36a haver uma segunda assinatura, visto que há uma segunda hipoteca.
03:40Mas eu não queria estar a chatear-vos com estas questões técnicas, não é?
03:43Bem, eu acho que chegou a hora de eu ir buscar a minha caçadeira e desatar aqui aos tiros.
03:48Acho muito bem, pai. Começa por esta, que me deixou sem herança.
03:51Tu pensaste o quê? Que ias enredar a casa?
03:53Claro que sim! Tu não perdeste as joias da mãe. A casa só pediu sempre a minha casa.
03:56Eu não as perdi! Roubaram-as!
03:59Parem, por favor, parem com isso.
04:01Vô, tiros agora não adiantam nada.
04:04Mas esta hora era extremamente desagradável.
04:06Até porque os vinhos estão todos a dormir.
04:08Ora, aí está. Concordo plenamente.
04:12Calma! Vamos fazer dormir, vá!
04:15Mas como é que nós vamos conseguir dormir depois disto?
04:17Com calma!
04:20Oxalá todos os nossos problemas fossem como este.
04:23Vá, tudo para a cama. Dormir!
04:34Que dia, hã?
04:36Fazem tanto escarceio por causa de um problema de nada.
04:45Sofá.
04:46O quê?
04:48Sofá.
04:52É isso que eu gosto em ti.
04:54Mesmo nas situações mais difíceis, tu mantens o teu sentido de humor.
04:58É isso que eu lavo, que eu tenho que ter Orientador.
05:02Que dia, que dia, queira, queira.
05:25Curma.
05:28Bom, a única coisa que me resta é pedir ao Jorge para me passar a efetiva.
05:33Se vamos ficar sem casa, precisamos disso para conseguir o empréstimo.
05:37Sim, também me parece a melhor solução.
05:39E eu se digo alguém que trabalhe na empresa do teu pai, quem é que me empresta dinheiro?
05:43Ainda me vão é sacar o meu.
05:54Se a casa se incendiasse, um acidente, não é?
06:00Quanto é que eu recebia?
06:03Mas se houver vítimas mortais, recebe mais, não é?
06:09Seis adultos e duas crianças.
06:11É precisamente isso que eu quero saber.
06:15Alô?
06:21Bom dia, família.
06:22Bom dia.
06:24Bom dia.
06:24Hum, biscoitos.
06:26Bom aspecto.
06:31Filho, biscoitos ou torradas?
06:33Torradas para mim, mãe, se for favor.
06:36Para mim, biscoitos, amor.
06:39Obrigado, meu amor.
06:42Hoje, acho que já não como mais nada.
06:44Eu acho que a mãe continua zangada contigo.
06:47Não, achas?
06:48Ah, os filhos topam tudo.
06:49Ora, vamos, mas é tomar um pequeno almoço ali ao bar.
06:53A comida lá não é tão pesada.
06:56Bom dia, minha hora.
06:59Bom dia.
07:00Vim tomar o pequeno almoço depressa, antes que o teu marido me deixe sem nada.
07:05Isso é algo-me indireta?
07:06Podes querer.
07:07Pois fica sabendo que o meu marido não te pode tirar uma coisa que não é tua.
07:10Mas pode perder uma coisa que não é dele, certo?
07:13Não, pode perder uma coisa que é minha, por muito que tu penses que é tua.
07:16Pois se existe uma justiça divina, tu podes crer que esta casa...
07:19Em minha casa não se invoca o nome de Deus em vão.
07:22Os dois passaram-se o quê?
07:24Como o pai está com os pés para a cova, tu e o teu marido adiantaram-se, foi?
07:27Eu ainda não morri. Estou vivo e de boa saúde.
07:30Não te bastou perder as joias da mamã?
07:33Eu já te disse mil vezes que não as perdi.
07:36Roubaram-mas.
07:36A mim nunca mais estariam roubado.
07:38Pudera, porque tu as já as tinhas perdido.
07:40Olha, seja como for, eu fiquei sem elas.
07:42Tu podes ter a certeza que desta vez eu não vou ficar sem a minha parte da herança.
07:47Perdeste as joias?
07:49A casa fica para mim.
07:51Acabou-se!
07:54Se pensam que vão ficar com um cêntimo do meu dinheiro,
07:57nem podem esperar deitadas.
08:10Susana, chega aqui.
08:18Mas se é a típica reunião de urgência para me convidares para jantar,
08:21a resposta é não.
08:23Não, não, não é nada disso.
08:24Mas se quiseres, há uma marisqueira aqui ao lado.
08:27Pronto, tudo bem.
08:30Ufa, Susana, temos de cortar no orçamento.
08:32Não sei em quê.
08:34Quer dizer, só se substituímos o papel higiênico por jornais antigos.
08:38Ou fazemos 12 mil euros este semestre, ou cortam-nos a eletricidade.
08:4112 mil euros?
08:43Então, mas isso é o correspondente a seis meses de salário e os dois monitores.
08:47Susana, até parece telepatia.
08:50Tudo bem, escolhe as pessoas e despedes.
08:53Impossível.
08:54Impossível, nós não podemos suspensar ninguém, Jorge.
08:57Nós trabalhamos com o mínimo pessoal.
08:59A ideia dos monitores foi tua.
09:00Não, eu só disse que era do salário dos monitores.
09:02Eu não quero despedimento.
09:03Mas é como te digo, Susana, eu já dei mil voltas ao orçamento e não sei onde cortar.
09:08Tem que ser.
09:09E como eu não quero cometer injustiças, vai ser tu que vais escolher quem sai.
09:13Nem penses, eu não vou despedir ninguém.
09:14Nós trabalhamos com o pessoal a menos.
09:16Não contes comigo para nada, Jorge.
09:22Zangada ainda, ligares.
09:38Então?
09:40Como é que estamos, novas ideias, para salvar a casa?
09:42Isto não está nada fácil.
09:44A não ser que tu tenhas um bom palpite para o Guimarães, Braga.
09:48Ok, está a jogar no totó-bola.
09:50Não me ocorre nada melhor.
09:52Oi, oi, oi, oi, oi, oi, oi, oi, oi, oi.
09:54Já está.
09:55E se trocássemos a placa da nossa rua por outra com nome completamente diferente?
09:59Enquanto as andam à nossa procura, ganhamos tempo.
10:01O que é que achas, pai?
10:03Extraordinário.
10:03Como é que não me ocorreu uma ideia estúpida como essa?
10:07Ai, estou a ver o caso muito mal parado.
10:11Calma, também não é.
10:12Calma, calma.
10:13Ainda não nos caiu o céu na cabeça.
10:17E se calhar a melhor solução
10:19é pedir-nos um empréstimo ao banco.
10:22Ao banco?
10:24Isso nunca!
10:25Os bancos chupa-nos até ao totano.
10:27Os mata-nos.
10:27Nunca precisamos dos bancos para nada.
10:29Temos milhares de ideias para fazer dinheiro.
10:30Milhares de ideias.
10:31Bancos nunca!
10:40Vamos ao banco.
10:55Então os senhores querem um empréstimo.
10:57Tenho.
10:58Já tem em conta neste banco?
11:00Uma com 200 milhões de euros.
11:03O senhor desculpe, porque ele tem a mania de dizer piada.
11:08Dá-me a sua identificação, por favor.
11:10Oi.
11:13É óbvio, é óbvio, é óbvio.
11:15Compreendo, temos que ver a lista dos deudores.
11:17Claro, claro.
11:19Nunca se sabe, não é?
11:27Então, estamos bem classificados, não é?
11:32Pela cara dele, acho que sim.
11:45Então, como é que correu?
11:47Ah, voltaste a meter a pata na poça, não foi?
11:50Não, a culpa é do teu filho, que é um inútil.
11:52A culpa é dos bancos.
11:53Se percebe que não vamos pagar, tomam-nos logo de ponta.
11:55E se não percebem, tu tratas logo de explicar.
11:57Podem-me dar uma explicação que não estou a perceber, hein?
11:59O teu filho não podia ser mais burro.
12:02Eu vou perder a minha casa, mas estou-me a divertir a abraço.
12:05Eu posso contar a minha versão.
12:06Qual versão?
12:07Qual versão?
12:08Se tu estivesses calado, o Paulo tinha conseguido um empréstimo.
12:11Ah, agora é o Paulo que tem as boas ideias.
12:13É ele que vai salvar a empresa?
12:17Por que é que não trocas a minha foto do álbum de família por uma foto do Paulo?
12:23Ok, agora vem a altura que a tua mãe diz que a culpa é minha.
12:27Eu ouvi-te.
12:29Antes de chegares a esta família, nós tínhamos dinheiro.
12:32Ah, pois tinham. O meu.
12:33Mas e?
12:34Quanto ao despejo, ou lá o que é?
12:36O banco sempre nos vai poder...
12:39Tu agora não voltas a falar nessa questão.
12:41Sei que tu te abituaste com a casa.
12:44Logo, o dinheiro do pai é todo para mim.
12:46Não é das duas.
12:47Nunca.
12:48Tu abituaste com a casa, com as joias da mãe.
12:50O dinheiro do pai é todo para mim.
12:52Se é o que nós vamos ver.
12:53O dinheiro é para mim.
12:56Não se esqueçam, o dinheiro é meu e ainda não estou morto.
12:59Mas cheira como se estivesse...
13:01E tu, rapaz, ah?
13:02Por que é que ela anima-te?
13:04Parece um mono.
13:11Pode falar contigo?
13:12Sim, claro.
13:14Eu queria pedir-te uma coisa muito pessoal.
13:17Então basta as persianas.
13:18Temos que ser rápidos porque eu estou com alguma pressa.
13:21Pronto, está bem, Suzana.
13:23O que é que queres?
13:24Eu tenho pensado e há esta na altura de ter um contrato fixo.
13:27Eu trabalho aqui há muito tempo, Jorge.
13:28Eu mereço esse contrato.
13:30Sim, mas...
13:31Suzana, um contrato fixo não é só uma questão de tempo.
13:35É uma questão de confiança.
13:39Uma questão de utilidade.
13:42Além disso, antes de fazerem despedimentos agendados,
13:45não faz sentido fazer contratos efetivos.
13:47Eu vou ter mesmo de despedir os monitores, não é?
13:50Exatamente.
13:52Nunca pensei ter de fazer uma coisa dessas.
13:54Ah, não fiques assim.
13:54Vais ver que é mais fácil do que parece.
13:57Convencer o pessoal lá de cima que tens que ficar efetiva,
14:00isso sim é difícil.
14:02Mas eu vou fazê-lo.
14:04Por ti.
14:05Tu só tens que escolher quem é que sai.
14:14Boa tarde.
14:15Eu...
14:15O meu pai queria retirar o dinheiro todo a conta dele.
14:19Pai, a caderneta.
14:21Pai.
14:24É esta.
14:24É esta a caderneta.
14:27O meu pai está a ficar um bocadinho gaga.
14:30Por isso é melhor tratarmos disto entre nós, sim?
14:36Alfredo Sousa.
14:37Não.
14:38Manel, me presente.
14:39Não, pai.
14:40O Manel morreu no ultramar.
14:41O Manel era o seu irmão, pai.
14:44E como ele está a ficar?
14:46É tão triste quando chegam a este ponto.
14:49Pai, o pai chama-se Alfredo.
14:51E eu sou a sua filha Mónica.
14:53Tu és, mas é a professora solteira no lado do centro.
14:56Oh, meu Deus.
14:57Bem sequer me reconhece.
14:59Eu não sei como é que aguento isto.
15:02Podia-me arranjar o beijo do seu pai.
15:03Que eu vou ver o que posso fazer.
15:06O beijo.
15:07Mas nós podemos ir ali.
15:10Ah, então ficamos a quieto.
15:12Espera, claro.
15:14Está certo?
15:15Sim, senhora.
15:16Pronto.
15:17Obrigado.
15:17Obrigado.
15:18Boas notícias, Arthur.
15:20Eu falei com o dono de uma adega
15:21que ele precisa de um sítio para guardar
15:23sem caixas de vinho da reserva.
15:24É quando faz lá umas obras.
15:26E paga bem?
15:27Quer dizer, não dá para salvar a casa,
15:28mas já é qualquer coisa.
15:29E é dinheiro fácil.
15:31Dinheiro fácil.
15:32Dinheiro fácil.
15:33As duas palavras mais bonitas
15:35da língua portuguesa.
15:36Quase tão boas como bar aberto.
15:39Mas, oh, eu também tenho boas notícias.
15:42Ah, sim?
15:42Sim.
15:43Ah, hoje é o nosso dia de sorte.
15:46Paulo, Paulo,
15:47conseguia que nos concedessem um empréstimo.
15:49Mas os bancos tinham recusado todos?
15:52Bancos?
15:52Nunca.
15:53Esquece os bancos.
15:54Houve, quando há problemas difíceis,
15:56temos de encontrar soluções alternativas.
16:02E de maneiras, como o meu paizinho faleceu,
16:04eu gostava de resolver estas questões
16:06todas das contas bancárias,
16:07que é para depois não ter que pensar o que há mais nisto.
16:11Compreendo.
16:12Compreendo, não compreendo.
16:14Então, se não se importa, veja lá,
16:16a conta deve estar em nome de Alfredo Sousa.
16:18Alfredo Sousa.
16:19Alfredo Sousa.
16:23Ora, viva!
16:24Aqui tem a fotocópia do BIDO,
16:26o meu pai é assinado,
16:26e agora, se puder ser tudo em notas pequenas,
16:28agradecia.
16:29O que é que tu estás aqui a fazer?
16:31Glória?
16:32Não acredito em nada do que esta diz.
16:33Esta é uma impostora!
16:35Não é que é possível?
16:35Tu estás a falar assim?
16:36O teu pai acabou de morrer.
16:38Tu és mais fria que uma víbora em hibernação, meu Deus.
16:40Mas se for morrer, o nosso pai está aqui, aqui.
16:43Este senhor não é meu pai.
16:45Garante-lhe que este senhor não é meu pai.
16:46Olha cá lá, maldrabona.
16:48Isto é uma maluca cá lá, não vai.
16:50Tem menino de fazer para passar por minha irmã.
16:51Basta!
16:53Esta conta foi cancelada há dois anos.
16:55Estamos entendidos?
17:26Levantar os braços,
17:28exato, como na outra aula,
17:30e começam a inspirar pelo nariz
17:33e expiram pela boca
17:35e exatamente sinta uma paz que vos inunda
17:40e que vos preenche.
17:44Podem baixar os braços.
17:48Então, vamos sair hoje?
17:51Não, espera aí, eu vou fumar mais um cigarrinho
17:53e assim falamos melhor lá fora.
17:55Está bem?
17:55Não, não, espera aí.
17:57Fumamos as duas.
18:07Esta ideia de pedir dinheiro a particulares...
18:10não sei.
18:12Qual é o problema, Paulo?
18:13Estamos em Portugal.
18:1590% dos negócios são feitos
18:16entre pessoas conhecidas.
18:19Tudo bem, Artur,
18:19só que acho que é...
18:20sei lá, acho estranho.
18:22Estranho, estranho, estranho.
18:24Estranho porquê?
18:25O Elias é um amigo de longa data
18:27e os amigos são para as ocasiões.
18:29Além disso, tu querias pedir dinheiro a quem?
18:32Ao Banco de Portugal?
18:33Ou ao FMI?
18:35Olha, aí ali está ele.
18:37Não pode ser bom.
18:38Elias!
18:39Oi, Artur!
18:43Elias, Elias, Elias.
18:46Oi, Elias, apresenta o meu género.
18:48Quer dizer, o meu futuro.
18:51Quase género, quase género.
18:53Elias, prazer, é?
18:57Então, aquele puto precisa de 10 mil euros, é?
19:00Pois é, sabes como é que é?
19:01Pronto, o rapaz está a precisar de dinheiro urgentemente, não é?
19:05Mas o dinheiro não é para...
19:07Não há problema nenhum.
19:10Coisa arranja-se.
19:13Tudo bem, é o Elias.
19:14Eu não te tinha dito.
19:16Elias, Elias.
19:20Desde o século passado.
19:21É verdade, pá.
19:41Ai, paizinho.
19:43Eu vou ser muito sincera consigo.
19:46Eu não lhe queria dizer isto para não o preocupar, mas...
19:50Diagnosticaram-me de uma doença muito grave e eu vou ter que fazer uma operação caríssima.
19:54Oh, filha ser boa não era doença nenhuma.
19:56Eu sei muito bem o que é que aconteceu.
19:59A ideia de falsificar o cheque foi do Roberto.
20:01Aquela criança é mesmo retorcida.
20:04Mas qual Roberto?
20:05Foi o diretor do banco e me contou tudo o que é que se passou.
20:09Ai, oh pai.
20:11Ai, pai, já sei o que a Mónica lhe fez.
20:14Mas tu pudeste ser tão real.
20:17Olha, pelo menos a tua irmã não tentou fingir a minha morte.
20:19Pai, pai, pai, o que ela quer é o seu dinheiro.
20:23O que ela não sabe é que o pai o mudou de banco.
20:26Agora está no...
20:29No...
20:29Qual é o nome do banco?
20:31Caixa de crédito, arranque de parque.
20:34Eu alguma vez tinha o meu dinheiro nos bancos.
20:35Os bancos são quase tão ladrões como vocês.
20:38Então onde é que o pai pôs o dinheiro?
20:40Nós se calhar podíamos guardá-lo.
20:42Como é que vocês podem ser assim?
20:44Se a vossa mãe vos disse, morria de vergonha.
20:50Ai, Glória.
20:52O pai tem razão.
20:54Nós somos do pior e eu.
20:57Realmente ao que nós chegámos.
20:59O que as pessoas não fazem por dinheiro.
21:02Do certo.
21:06Do certo.
21:16Do certo.
21:36O que é que está a fazer?
21:40O mesmo que tu?
21:42Eu estou aqui a arrumar o carro do teu pai.
21:44Pois, também eu.
21:50Eu estou aqui.
21:51Eu estou aqui a arrumar o carro do teu pai.
22:21Tem a ver com os despedimentos.
22:23Esse Jorge é mesmo um traidor.
22:25Ainda bem que tens sempre recusado essa ideia.
22:28O meu primeiro impulso foi sempre defendê-los a todos.
22:30Mas não é o suficiente. Eu vou até mesmo despedir dois funcionários.
22:34A sério? Não pode ser.
22:36Não há outra solução.
22:38O pior é que não é nada fácil escolher.
22:44Desculpa dizer-te isto, mas eu acho que tu devias despedir a tua tia.
22:49Eu sei que é difícil, mas os sentimentos não te devem influenciar.
22:56Ainda bem que dizes isso.
22:58Ainda bem.
23:00Porque eu vou despedir-te a ti, Laura.
23:03O quê?
23:05Claro, tu tens poucos alunos. Chegas sempre atrasada.
23:08Está bem, mas eu sou a tua amiga.
23:10Eu lamento, Laura, mas despedir outro qualquer seria muito injusto.
23:13A minha tia tem muita gente.
23:15Ela pode ser um bocadinho maluquinha assim, mas ela é dedicada.
23:18E nunca se atrasa.
23:26Vamos mostrar ao Paulo, em Sela Pardanas,
23:28que conseguimos ter ideias para negócios tão boas ou melhores que as dele.
23:32Ok? Vamos salvar esta família com uma ideia genial.
23:35Quem está comigo? 100%, de acordo?
23:37Só se me deres 20 euros.
23:39Ah, bom.
23:40Está bem.
23:42Todo o negócio começa sempre com investimento, filho.
23:44Olha.
23:46Vamos então fazer uma coisa que eu aprendi na faculdade, que é...
23:51É basicamente mandar ideias ao ar, ideias e tal, malucas e tal,
23:54sem pensar, sem pensar muito.
23:56E chegamos àquela ideia que é genial, por fazer dinheiro.
23:59Mas você é uma da estúpida.
24:00É isso, filha.
24:01É isso que eu gosto, tem que ter essa agressividade.
24:03Agora, transforma isso em negócios.
24:05Dinheiro, riqueza.
24:08Ideias, então.
24:11Associação de ideias.
24:11Vamos fazer uma coisa chamada associação de ideias,
24:13que é, por exemplo, uma ideia de um negócio de...
24:17Ursos.
24:19Ursos.
24:19Ursos.
24:20Ursos.
24:20Pulares.
24:21Pulares.
24:23Pumares.
24:23Pumares.
24:24Fruta.
24:24Fruta.
24:25Fruta.
24:25Fruta.
24:25Fruta.
24:25Limão.
24:26Limão.
24:26Sorvetes.
24:27Sorvetes.
24:28Sorvetes de morango.
24:29Já está.
24:29Ai, rapaz, eu vou abraçar.
24:31É isso, é isso.
24:32É esse instinto que eu gosto em ti, filha.
24:34É essa a agressividade.
24:35Isso é bom.
24:35Não é nada disso.
24:36Eu só vou estudar.
24:37E olha, se queres dinheiro, vende um rio e pronto.
24:39Igual ao pai.
24:40Igual, igual, igual, igual.
24:41Sempre com ideias.
24:42Avô, falta a tua ideia.
24:44Tu tens uma ideia.
24:45Eu sei que tu tens uma ideia aí.
24:46Uma ideia.
24:46Dá-me.
24:48Mamas, calcinhas, rabos, meninas.
24:52Mamas, calcinhas, rabos, meninas.
25:00Ó, avô, tu fazes isto só para me chatear, não é?
25:04Basicamente.
25:13Não há problema nenhum.
25:14Amanhã é mesmo que terás aqui os 10 mil euros.
25:17Ah, é assim?
25:17Já está?
25:18É assim tão fácil?
25:20Claro.
25:20Estamos a notinha dele.
25:21Com Elias, é assim.
25:23Entrego limpo.
25:24Não há problema nenhum.
25:25Desde que respeitem os prazos, Artur.
25:27Tu sabes, ainda te lembras como é que isso era?
25:28Lembro-me perfeitamente.
25:31Eu não.
25:31Como é que é?
25:33É, é, é...
25:34Como tem de ser.
25:36É que tu está descansado.
25:38Nós cumprimos à risca.
25:41Mas não devíamos fazer um contrato ou assim?
25:46Bom, Paulo.
25:48Há certas cláusulas, não é?
25:49Que devem ser expressas.
25:50Bom, então agora vamos pedir um contrato a um amigo.
25:54Ah, tem calma.
25:56Ok, pronto.
25:57Está bem, se confia assim nele.
25:58Tudo bem.
25:59É que o Artur nunca se sabe se ele paga ou não.
26:01Ele e o dinheiro, aquilo...
26:07Este é o meu...
26:08Este é o meu...
26:09É assim, sai estas coisas.
26:12Obrigada.
26:13Oh, Elias.
26:15Está tudo dito?
26:17Oh, manda cumprimentos lá em casa.
26:21Igualmente, Artur.
26:22Obrigado.
26:23Foi um prazer ver-te.
26:24Bom dia, foi um prazer.
26:28Igualmente.
26:39Bem, este tipo é um porreira, hein?
26:41Prestar assim 10 mil euros sem aval nem nada.
26:43Não há muitas pessoas assim.
26:44É isto que Portugal tem de melhor.
26:57Sim, sim, sim.
26:59Trinta mil por um rim.
27:01Exatamente.
27:03Não, está praticamente novo e filtra muito bem.
27:08Hã?
27:09Cinco mil?
27:12Isto é um roubo.
27:13Com licença.
27:16Família, temos uma ótima notícia para dar.
27:20Eu e o Paulo conseguimos dinheiro para salvar a casa.
27:22Ah, não acredito a sério.
27:25Bem, eu não fiz grande coisa.
27:27Ah, então não foste tu e o Paulo, foste só tu.
27:31Artur, nem quero acreditar que conseguiram resolver o problema.
27:35Mas tu tinhas dúvidas?
27:37Tinhas, deixe-me estar.
27:39É melhor não responderes.
27:40Bom, vamos celebrar.
27:41Já deve haver umas camas do resto do teu negócio.
27:47Marco.
27:48Então, filho, não estás contente por termos a casa de volta?
27:53Ganhámos uma casa, mas eu perdi um pai.
27:56Tu não perdeste um pai.
27:59Com esse roboto.
28:01Pois.
28:03Mas temos que dar uma opalmatória.
28:05Ele tem carisma.
28:07Qual carisma?
28:08Qual carapuça?
28:09Ele faz o que quer de ti, filho.
28:11O que és que eu faça?
28:12Para não me liga nenhuma.
28:13É como se eu não existisse.
28:14É frio.
28:15Uma atreza na cama.
28:18Tens de impor.
28:19Marco mata.
28:21A ti.
28:21Ninguém te passa a perna.
28:23Passa a perna.
28:24Passa a perna.
28:25Tens razão, mãe.
28:26A mim?
28:28Ninguém te passa a perna.
28:29Passa a perna.
28:30Passa a perna.
28:33Desculpa, foi sem querer.
28:36Ora, a família mata sabe do que fala.
28:39Mas olha que a Sheila e o Armando Coutinho também, se não ouça o que têm a dizer um ao
28:44outro,
28:45durante um jantar que promete ser muito divertido, não fossem ambos uns autênticos cromos já a seguir em laços de
28:52sangue para rir muito.
28:53Evidentemente também, com momentos dramáticos, Ricardo e Diana, sem medo, decidem assumir a relação perante João e Francisca.
29:00Qual a reação da família a esta traição?
29:03Veja daqui a pouco, na novela da nossa gente, laços de sangue, não há outra novela portuguesa assim.
29:09Atenção que logo a seguir em Passione, Clara dispara sobre Toto e mata o marido.
29:15Passione está de resto para chegar ao fim.
29:17Segunda-feira estreia a nova novela, chama-se Araguaia, mais promenores ao longo da emissão ou na internet em sig
29:24.sapo.pt.
29:26E ainda esta noite, depois de Passione, temos a nova temporada da CSI Las Vegas.
29:30Em quinta-feira, o Benfica joga tudo na passagem à fase seguinte da Liga Europa, frente ao Paris Saint-Germain.
29:35Assim que transmite este jogo decisivo, esta quinta-feira, às 18h.
29:38E, já sabes, estamos todos juntos, sempre em família, aqui na SIC.
29:45Até já, com laços de sangue.
29:48Boa noite.