- há 31 minutos
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DivertimentoTranscrição
00:03Música
00:36O que é que nós devemos fazer agora?
00:38O Arturo preso?
00:40Ou que esta família chegou?
00:41Velha-me, Deus.
00:45Oh, mãe, tem calma.
00:46Tem calma, de certeza que houve um erro.
00:48Um não.
00:50Sete por fraude
00:51e seis por falsificação de documentos.
00:55Se a tua mãe não insistisse
00:57em viver como uma rainha,
00:58o meu filho não tinha necessidade
01:00de fraudar as finanças.
01:02Não tivéssemos doze bocas para alimentar.
01:04Doze, mãe?
01:05Nós somos só nove.
01:08Há aqui uns que comem a demorar.
01:11Oh, Lúcia, ela está a chamar-te gorda.
01:14Mas não ligues ela.
01:15Está cega.
01:15Cala, tomei.
01:17O facto é que agora nós temos de nos unir.
01:20Está bem?
01:21O Paulo anda a fazer umas contas
01:22para ver como é que arranjamos os 30 mil euros.
01:24Ora, nem a propósito.
01:25Eu estive a calcular os valores ativos da família
01:28e neste momento temos
01:30126 euros e 40 cêntimos.
01:32O quê?
01:33Estás a contar com os seis euros que eu te dei?
01:36Sim.
01:36Mas eu não te posso dar mais, Paulo.
01:38Eu não consigo, não posso.
01:39Tem calma, maninho.
01:40Eu sei que 30 mil euros parece muito dinheiro,
01:42mas se nós queremos tirar o pai da prisão,
01:44nós temos de fazer um esforço.
01:45A Susaninha tem razão.
01:47Esta família tem mesmo que se unir.
01:52Ajuda-me a fazer o mesmo que ele fez ao meu Rafael.
02:00É lixado, não é?
02:02Ter o amor da nossa vida atrás das grades.
02:05Agora que já sabes o quanto sofro, estamos quitos.
02:11Esta rapariga já tentou suicidar-se tantas vezes.
02:14Por que é que eu o impedi?
02:16Coitado do pai.
02:17Deve estar numa cela de isolamento,
02:19sozinho,
02:21comer ração para pombos.
02:23Que exagero, Marco.
02:24De certeza que ele está...
02:26Ele está bem.
02:29Ele está bem.
03:00Rafael,
03:01eu dormeço todas as noites a pensar em ti.
03:05Toda.
03:06E agora é que estás tu?
03:10O destino é mesmo uma coisa curiosa, não é?
03:18Ai, o dói, dói do Arthur.
03:21Ai, o...
03:24Bem, pensei num plano.
03:26Para tirar o pai da prisão.
03:28Olha, isto é o muro sul da prisão, não é?
03:31Isto é a porta principal.
03:33Isto é um solo, mas vai para o outro lado.
03:36Eu tenho que saltar o muro, não é?
03:37E depois sai com o pai.
03:38Aqui na porta principal, corremos, corremos,
03:40damos aqui a esta curva,
03:41despistamos os guardas, corremos, corremos, corremos,
03:42com muita força, corremos, corremos,
03:43depois ficamos livres.
03:44Olha, aqui os dois livres.
03:45Agora, só tenho que arranjar a maneira
03:46de entrar para dentro da prisão.
03:47Tem que ser por isso, como naquela série americana.
03:49Como é que se chamava, a sério?
03:51Tu és muito parvo, não há dúvida.
03:56Ah, queres ver que é?
03:59Estou.
04:00Ah, és tu, Arthur.
04:03Então, como é que tu estás?
04:05Sai daí, pai.
04:06Sai daí, que fazes falta.
04:08Cala-te.
04:09Esquisto que estou para te deixar ouvir.
04:11Diz lá.
04:12É o estúpido teu filho que ir aos gritos.
04:14Então, diz lá como é que tu estás.
04:17Estou ótimo.
04:19Claro, passo o dia azeitado,
04:20a ler o jornal económico.
04:21De vez em quando vou dar uns mergulhos à piscina.
04:25A comida, a comida é extraordinária.
04:28Temos aqui um cozinheiro francês
04:30que tem umas mãozinhas.
04:31A gente chama-lhe o chefe.
04:34Olha, então ainda bem,
04:36porque nós sabemos que a calção são 30 mil euros
04:39e nós procurámos aqui e ali,
04:40mas ainda não conseguimos arranjar o dinheiro todo.
04:42Só daqui uns meses.
04:45Artura?
04:47Artura?
04:48Xis, agora vocês têm de me tirar daqui.
04:50Têm de me tirar daqui e destacar o Rafael.
04:53Se vocês não pagam a calção, ele mata-me.
04:55Quê?
04:57Ai, meu Deus, o Rafael está aí contigo.
04:59O Rafael está aí contigo, pai.
05:01Pai, deixe-se aí.
05:01Eu vou-te tirar daí, olha.
05:02Quando vês o helicóptero no pátio,
05:04corres e atiras para dentro dele, que sou eu.
05:05Mor-se lá, ponte.
05:10Sim.
05:11Olha, Artura.
05:12Eu já sei como é que vou tirar daí.
05:14E eu já sei como é que vou arranjar o dinheiro.
05:19Quente?
05:20Jorge, dá-me licença.
05:22Desculpa.
05:22Oi, Glória.
05:22Então, faz chover.
05:24Como está?
05:26Olho, péssima.
05:28Então, o que é que se passa?
05:28Sente-se?
05:29Ah, muito obrigada.
05:30Eu preciso muito da sua ajuda, Jorge.
05:32Estou a contar consigo.
05:34Ah, o que é que aconteceu?
05:35Como sabe, o Arthur, o meu marido, está preso.
05:38E nós precisamos de dinheiro para a calção.
05:40Eu tinha pensado que o Jorge talvez nos pudesse ajudar com uns milhares de euros.
05:44Pois, mas sabe, Glória?
05:45Esta é uma má altura para me vir pedir dinheiro.
05:48Ah, por causa da crise?
05:50Não, não.
05:51É que, como eu já desisti da sua filha, eu não ganho nada em ajudá-la.
05:56Ah, mas então, o facto de nós sermos amigos, de termos sido quase como uma segunda família
06:01e para si, não é suficiente?
06:04Estamos a falar de quanto?
06:06Trinta mil euros.
06:07Não, não é suficiente.
06:09Oh, Jorge, mas eu preciso de tanto.
06:12Como é que eu vou tirar o meu marido da prisão, por amor de Deus, Jorge?
06:18Jorge, já tens o cheque do meu ordenado?
06:22Obrigada.
06:22Bom, Jorge, tenha cuidado.
06:24Se dá um passo em falso neste centro, esta Judas denunciou logo.
06:28Oh, Jorge, não ligues à minha irmã.
06:30Sabes como fui eu quem denunciou o Arthur.
06:31Ela acha-me culpada de tudo o que lhe acontece.
06:33Minha irmã é assim.
06:35Irracional.
06:40Eu, como presidente, em exercício da armazza,
06:43e acho que estamos todos de acordo em relação a isto,
06:44porque quem não estiver de acordo, vamos lá para fora e resolvemos já as coisas, é?
06:48Claro, aberta esta reunião.
06:51E passa a palavra ao Paulo.
06:52Bom, nós estamos aqui para encontrar as medidas económicas urgentes
06:56que nos ajudem a satisfazer a liquidez para fazer frente à coção de 30 mil euros, não é?
07:02Ah, eu pensava que queríamos arranjar caroço para tirar o Arthur da prisão.
07:05Sim, foi isso que eu disse.
07:07Então ele que fala língua de gente, catano.
07:10Ora vejamos.
07:11Ideias?
07:13Eu tenho uma ideia que era...
07:15Podíamos vender roupa de mulher.
07:17As mulheres gostam de gastar dinheiro nessas coisas, e pedíamos...
07:19Podíamos comprar uma mesa de matraquilhos.
07:21Organizávamos um torneio.
07:22Por favor, ideias?
07:25A sério?
07:26É sim, eu não queria dizer nada, mas já que insistem,
07:30eu tenho uma ideia de um negócio rápido à boé da tempo.
07:33Só temos é que supor que existem extraterrestres e que eles curtem boé enchidos.
07:39Não está a fazer sentido nenhum.
07:41Não, desculpem lá, sinceramente, isto é a reunião mais ridícula que está vindo de toda a minha vida.
07:45Bem-vinda.
07:46Paulo, que desmastar, Paulo?
07:48Escolhe-me rápido.
07:49Xavier, o que estás aqui a fazer?
07:51Escolhe, nos quero ir matar. Escolhe-me.
07:57Ai, ai, ai, ai, o que é que está aqui a fazer?
08:00Está à procura de um tipo que entrou aqui a correr. Você viu?
08:02Estava com um roupão de mulher vestido.
08:04Exatamente, é isso mesmo.
08:05Não, não vi.
08:07Ah, vi, vi, vi. Entrou e evacuou a sair.
08:09Eu ou não vi um?
08:10Vi, vi, saiu para aquela porta.
08:12Para ali.
08:24Já se foi embora.
08:26Tu podes-me explicar o que é que vai ser isto?
08:32Nada.
08:34Não é nada.
08:35Quer dizer, é o costume.
08:39Tem-se um tipo, bebe uns copos com ele, evalves-te com a mulher dele e és apanhado.
08:44Entretanto, foge, apanhas velho numa moto, que deixa aqui num bairro qualquer.
08:47E tu começas a pensar.
08:49É aqui que trabalha o Paulo agora.
08:54Então não vais dar um abraço a teu irmãozinho?
08:58Vai, Paulinho.
08:59Ai, Paulinho, Paulinho.
09:01Paulinho.
09:08Que roupa tão cool, Paulo.
09:11Até que a compraste?
09:12Não gostas?
09:13Não usas.
09:14Parece que arranjaste uma rica noiva.
09:17Tiveste sorte e eu não estar cá.
09:18É, não sei porquê.
09:20Ou bem, tipo, ser mais em pintarolas.
09:22Eu estava a brincar, Susana.
09:24Eu sabia que estavas aí.
09:26Oh, Xavier, eu não quero ser mal educado nem ofender-te, mas...
09:29Tu podes-me dizer de uma vez por todas o que estás a fazer aqui.
09:31Não estavas a viver no Porto?
09:32Estava.
09:33Até ser expulso da casa onde vivia.
09:34Os fricos são uns porreiros.
09:36Mas basta fazeres estar as namoradas deles, transformam-se todos em fascistas.
09:40Pois.
09:41E depois vieste aqui parar?
09:43Não.
09:43Depois fui viver para Amsterdão.
09:45A casa de um amigo.
09:47Quer dizer, primeiro enfia-me lá em casa e depois é que ficámos amigos.
09:50Só que, entretanto, acabou-se-nos o dinheiro dele.
09:53Os holandeses são muito tolerantes.
09:54Mas basta deixar-te pagar a renda durante seis meses e põe-te logo na rua.
09:58Sim.
09:59Que gente.
10:01Foi, entretanto, que eu decidi vir para cá.
10:03Apenhei a boleia de um português.
10:05Trouxe-me, pagou-me tudo.
10:06Um tipo raríssimo.
10:08Vocês conheceram o André?
10:10Aquele que me perseguia.
10:12Espera aí.
10:13Então o tipo deu-te boleia de Amsterdão e tu a tiraste a mulher dele?
10:19Sim.
10:20Foi um duro golpe para todos, mas sim.
10:25Mas agora estou aqui a salvo, na casa do meu irmãozinho.
10:28Não, Paulo?
10:29Não.
10:30Nem pensada.
10:31Tu, quer dizer, tu ficas uma data de tempo sem me ligar e agora apareces assim.
10:35Eu sei.
10:36Paulinho, eu sei que nos distanciamos um pouco.
10:39Mas eu pensei em compensar-te vindo para cá uns dias.
10:42O que é que parece?
10:43Ah, não.
10:44Nem pensar.
10:45Nem pensar.
10:45Tu ficares aqui uns dias.
10:46Tinha logo me dado fechadura.
10:47Já sei como é que é.
10:48Oh, Xavier, desculpa lá, mas tens de ir embora.
10:53Mas tu...
10:55Tu tens razão.
10:58Eu sempre fui o fraco.
11:01Aquele que dependia dos outros para viver.
11:04Eu não quero que tu te sintas mal por me estares a pôr na rua.
11:08Eu cá me arranjo.
11:09Sim.
11:10Este é pior que a minha mãe.
11:12Oh, Xavier, eu lamento imenso, mas tu não podes ficar aqui.
11:15Tá?
11:15Tens de ir embora.
11:16Espera, Paulo.
11:17Vamos conversar.
11:18Não.
11:18Tu não cabes cá.
11:20Percebes?
11:21Eu não...
11:22Além disso, eu não quero que tu fiques aqui.
11:26Pronto.
11:27Sei se tu queres.
11:29Eu vou-me embora.
11:30A sério, Paulo.
11:37Onde é que acho que eu vá?
11:39Pode ser a mãe do próximo mês?
11:42Pronto.
11:43Vamos embora.
11:50Mónica, estás ali um telefoneiro é para ti.
11:53Eu não estou para ninguém.
11:55É o Rafael.
12:16O que é que está a fazer?
12:18Uma máquina de roupa.
12:19Não está bem.
12:21Cores com branco.
12:22Ah, então separaste-me.
12:25Não estava ninguém ao telefone.
12:26Ó, o que é que se passou aqui?
12:29O que é que tu tens aí?
12:31A mim parece-me um cheque.
12:33Um cheque?
12:33Tu estás mal para o meu cheque?
12:36Parem com isso, parecem duas crias.
12:39Ela é que pôs o meu Arthur na prisão.
12:41Por isso é justo, mais que justo, que ela paga por isto.
12:43Se tu precisavas do meu cheque, tu não tinhas o direito de me roubar.
12:46Tinhas-me pedido.
12:47Porquê?
12:47Tu davas-me?
12:48Tu não pediste.
12:49Porque tu não me davas.
12:49Mas tu não pediste.
12:50Porque tu não me davas.
12:55Este é o momento para estarmos mais unidos.
12:57O dinheiro é da Mónica.
12:58Se ela quiser, dá, dá.
12:59Voluntariamente, não pode roubar-a.
13:06O cheque é meu.
13:07Portanto, eu é que vou tomar a decisão.
13:10Por favor, dá um cheque.
13:23E decido que não.
13:35Ora, aqui está.
13:37Tinha pedido um chá de limão, certo?
13:39Não, tinha pedido um descafeinado com adoçante.
13:42Quase!
13:42Eu vou trocar.
13:43Não, não, não, não deixaste estar que eu bebo isto.
13:46Mas vai-me dar gurgiata à mesma, não vai?
13:47Sai daqui, sai daqui que já me estás desnervado.
13:56Olha, olha quem é ela.
13:59Ah, Afonso, olá, como é que estás?
14:01O que é que fazes por aqui?
14:03Eu combinei almoço com o meu filho,
14:04mas conhecendo como eu o conheço,
14:06deve chegar atrasado.
14:07Ah, então, olha, se quiser,
14:08senta-te aqui e esperas comigo um bocadinho.
14:10É, obrigado.
14:10Até quando eu não chegue.
14:14Então, o que é que tens feito?
14:16Nada de especial.
14:17Hoje, para desanoviar um bocadinho,
14:19vim aqui para beber um cafezinho.
14:22Mas olha, até isso me correu mal.
14:24O Jorge contou-me o que aconteceu ao Arturo.
14:27Mas foi...
14:28Tu não queres saber como eu estou?
14:31Foi a pior coisa da minha vida.
14:33Lá, me torre, eu estou.
14:34Se não me apetece a morrer,
14:35se não me apetece a morrer.
14:37Desculpa.
14:37Se eu puder fazer alguma coisa por ti...
14:39Não, ninguém pode fazer nada.
14:41Não há nada que se possa fazer, aliás.
14:43Se calhar, havia uma coisinha que tu me podias fazer.
14:47Deixa-me adivinhar.
14:49Queres um empréstimo para pagar a calção?
14:51É, quer dizer, eu era incapaz de pedir uma coisa dessas para mim.
14:55Eu até ainda estou corada com vergonha.
14:57Mas, como é para a minha família,
15:00como é para o Arturo, para o Codir...
15:03Podes considerá-lo feito.
15:05A sério?
15:07Muito obrigada.
15:08Muito obrigada, Afonso.
15:09Se precisares de alguma coisa, já sabes que contas comigo.
15:12É o que tu quiseres, pedes-me.
15:14Eu, por acaso, estava a pensar...
15:17Diz, diz.
15:19Tu sabes que entre nós
15:20sempre houve uma atração animal
15:23e acho que está na altura de soltá-la.
15:27Mas, desculpa lá.
15:28Tu achas que lá porque o meu marido está preso
15:31e eu vou agora separar-me dele
15:32ou vou tornar-me infiel?
15:34Separar?
15:35Mas que exagero.
15:36Não, é apenas um agrado.
15:39Então, se dois amigos que emprestam dinheiro
15:41não podem passar-me a noite juntos,
15:44não vale a pena serem amigos
15:45nem emprestar o dinheiro.
15:46Tu estás a querer dizer que se eu não for para a cama contigo
15:50tu não me dás o dinheiro para a calção?
15:52Oh, rapariga,
15:53até parece que estamos a fazer alguma coisa suja.
16:01Ah, aí, minha cara!
16:08Está frio.
16:12O Arthur.
16:14O Arthur acabou.
16:15Esse gajo já acabou.
16:16Esse gajo tem o destino traçado.
16:17Não passa dois.
16:18E o melhor?
16:19O melhor é que eu já sei como é que vou fazer a polha.
16:22Percebes?
16:22Não, Rafael.
16:23Não, por favor.
16:24Rafael, não.
16:26Não, deixa-te de coisas.
16:27Isso não está na tua natureza.
16:29Tu não és nenhum criminoso
16:30para andares por aí a matar pessoas.
16:32Não, querido.
16:34Eu saio no meu íntimo.
16:36Para além disso, tu precisas dele vivo.
16:38Claro, tu precisas do Arthur
16:39para confessar à polícia aquilo que ele te fez
16:42e confessar toda a verdade.
16:43Estás a perceber?
16:44Pois é.
16:46Pois é, boneca.
16:47Tens razão.
16:48Mas olha, eu posso te partir a boca na mesma?
16:50Ou não posso?
16:52Não.
16:52Não posso.
16:53Mas tu estás parado.
16:55Tu estás parado.
16:57O gajo não quer a boca para nada.
16:59Eu uma vez partia a boca um gajo todo
17:01e tenho que todos que caíram no cheio.
17:03O gajo não se calava.
17:04Sozinha.
17:04Ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai, não peguei.
17:07Não peguei mais, por favor.
17:09Ai, ai, ai, ai, ai.
17:10O gajo não quer a boca para nada.
17:13Rafael, meu amor.
17:15Rafael, Rafael, Rafael, escuta-me.
17:16Vai com calma, querido.
17:18Já não falta muito para estarmos os dois de novo juntos.
17:20Tu só tens de convencer a besta do meu cunhado
17:23a falar com o juiz e a contar-lhe a verdade.
17:27Sim, eu sei.
17:31Quando tu queres, tu sabes ser com o Vincente.
17:35Bom, falámos, falámos, falámos
17:37e continuamos sem uma solução para tirar o Artur da cadeia.
17:40Mas alguma ideia brilhante?
17:42Podíamos fazer um jogo de futebol entre guardas e presos,
17:45no final fazíamos uma invasão de campo
17:47e sacávamos lá o pai.
17:49Olha, se quiseres, eu alugo já o Estádio da Luz.
17:53Vá, vá, vá, vá.
17:54Tem mais ideias para conseguirmos o dinheiro para a calção do pai.
17:57Por amor de Deus, parem de falar na calção.
18:00Serei a única pessoa realista aqui dentro.
18:01Não vamos conseguir arranjar 30 mil euros.
18:04O pai vai apodrecer na prisão.
18:05Temos de tirá-lo de lá à força.
18:10Bem, eu estou quase a fechar um negócio.
18:11Vou vender umas chanitas que nos devem dar mais ou menos...
18:1430 mil euros.
18:17Não, 30 mil euros não, mas...
18:19O que eu estou a achar é que o Marco é que tem razão.
18:21O quê?
18:22Tiramos o Artur de lá à força?
18:23É isso?
18:23Boa ideia, é isso.
18:24Enganamos os guardas, não é?
18:26Depois atamos uma corda feita de lençóis à janela.
18:28Exatamente.
18:29Depois cavamos um túnel com uma colherzinha da sobremesa.
18:32Boa.
18:32O Marco andei a ver muitos filmes e de má qualidade.
18:36Sabes que mais?
18:37Esta conversa não leva a lado nenhum.
18:39Portanto, eu vou-me embora.
18:41Pronto.
18:41Acabou-se.
18:44Meu Deus, que pesadelo.
18:46Calma.
18:47Calma.
18:48Hávemos de arranjar alguma solução.
18:50Não te preocupes.
18:51Bem, eu tenho que ir trabalhar.
18:54Por favor.
19:08E foi com isto que o meu filho decidiu casar.
19:11Ó, Lúcia, com franqueza, uma mulher já não pode estar na sua própria casa deprimida.
19:15É isso que pensas fazer pelo Artur?
19:18Deprimir?
19:19Quer dizer, nós andamos aqui a mover céus e montanhas para arranjar o dinheiro para a calção.
19:25E tu resolves choramingar.
19:27Para lá com isso, ó, Lúcia, com franqueza.
19:30Acha que eu já não me sinto suficientemente mal para não poder fazer nada pelo Artur?
19:34Sabes porquê que eu nunca te aceitei?
19:37Porque eu sempre soube que tu não estavas interessada no meu filho, mas sim naquilo que ele te podia dar.
19:44E é isso que tu tens falta, não dele.
19:47Claro que eu não lhe admito uma coisa dessas, ouviu, Lúcia?
19:50Pare imediatamente com essa conversa.
19:52Ó, Vigória, se tu gostasses do meu filho, a sério, tu fazias o que quer que fosse.
19:59Mas o que quer que fosse, ouviste?
20:01Para o tirar da cadeia.
20:14Está? Olá, Afonso.
20:18Eu? Acabei agora mesmo de pintar.
20:21Como é que eu estou vestida?
20:23Estou com a camisa a dormir e com a roupa.
20:25Como é que eu havia de estar a esta hora?
20:27Ah.
20:30Ah, estava.
20:31Eu, de lingerie.
20:33Era só o que me faltava de preta.
20:35Deixe-me livre.
20:36Eu não gosto nada dessas pavorizas.
20:38Não, não, não gosto nada dessas brincadeiras.
20:40Olha, que ninguém sonha do que se está a passar, ouviste?
20:43Se a minha família descobre...
20:46Está bem, está bem.
20:48Não, essas brincadeiras, não.
20:49Isso está fora de questão.
20:51Não te esqueças.
20:52Hoje à noite, entras ali por trás, pelas traseiras.
20:56Que é para ninguém te ver.
20:58Ser discreto.
21:00Está bem.
21:01Adeus.
21:01Pronto, até logo, querida.
21:03Adeus.
21:03Adeus, Afonso.
21:26Estavas a dormir?
21:28Não, filho, não.
21:31Sou eu que às vezes gosto de ler de olhos fechados.
21:36Importas-te falar comigo um bocadinho?
21:38Como se tivesse escolha.
21:40Então, sinta-te ali.
21:43Senta-te e conta-me lá o que é que se passa.
21:47Eu tenho uma coisa muito grave para contar ao meu pai,
21:49mas não sei se se deva contar ou não, porque é muito grave.
21:51Não sei se se deva contar.
21:53Então?
21:54Não, esquece.
21:54Eu não vou, não vou.
21:55Eu não havia de ter vindo de cá.
21:57Eu não vou contar nada.
21:57Não, mas eu tenho que desabafar.
22:01Eu tenho que tirar isto dentro do meu peito, que eu não aguento.
22:02Ah, filho, então discuto contigo próprio.
22:05E se resolveres contar, conta-me.
22:08Mas não me venhas chatear com coisas inúteis.
22:12Ok, eu conto, eu conto, eu conto.
22:15A minha mãe.
22:16Sim.
22:17A Glória, que é a minha mãe.
22:18Sim, já percebi.
22:20Eu tenho provas que ela anda a enganar o meu pai com o Afonso.
22:24Oh, my God.
22:26Isso não é mais uma das tuas loucuras, filho?
22:29Não, avó.
22:30Eu ouvi-os a falar ao telefone, a combinar um encontro para esta noite,
22:33às escondidas toda a gente.
22:36Está bem, mas eles podiam estar a combinar outra coisa qualquer.
22:40Avó, eles estavam a falar da cor da lingerie da minha mãe.
22:48O quê?
22:49Sim.
22:51Ai, a Galdéria.
22:54Minha mãe é adulta.
22:56Meu pai é criminoso.
22:57Eu não sei como é que sei tão normal.
23:03Caros sócios da Armasa, estamos aqui reunidos
23:06para vos contar o brilhante plano que engendrei
23:07para libertar o nosso líder.
23:09Quem?
23:10O meu pai.
23:11O que é que havia de ser?
23:14Agora já me desconcentrei com esta conversa toda.
23:16Vamos a falar aqui?
23:17Olha, uma vez fui à Bruxa,
23:18ela explicou-me que eu nunca ia ganhar o Euro Milhões.
23:20Por isso acho que não vou entrar neste plano.
23:22Tchau.
23:24Espera, espera, espera, então.
23:26Já me lembrei.
23:27É assim.
23:28Nós vamos libertar o nosso...
23:30meu pai.
23:31Mas não vamos pagar calção nenhuma.
23:33Não vou dar trita milerosa a um juiz que arranha-se qualquer.
23:36Acho bem, até porque duvido que existe essa guita toda em Portugal.
23:39O meu plano é...
23:42É brilhante, é audacioso.
23:45E é também extremamente perigoso.
23:48Estão dispostos a morrer pelo Presidente Armasa?
23:54E ao Marco, tu és bem engraçado às vezes, meu.
23:57Eu sei, eu sei, eu sei uma andota muito boa.
23:59Nova.
24:00Conta, conta, conta, conta.
24:00Achas que isto é a mandota?
24:02Achas que o meu pai está a dizer a mandota para ti?
24:06Não é.
24:07Isto é muito sério.
24:08Mas eu vou libertá-lo sozinho.
24:10Já sei que não posso contar com vocês, portanto saiam, saiam.
24:12Ai, ai, ai, tem calma.
24:13Não fiques aí todo nervosinho.
24:15Pronto.
24:16Pronto, vá, vá, vá.
24:17Nós ajudamos.
24:18Explica lá o plano.
24:19Já, mas fica já a saber que eu não concordo nada com essa cena do morrer e mais não sei
24:22o quê.
24:22Antes de mais, quero pedir desculpa pela minha exaltação e agradecer este vosso gesto.
24:26Na obra, não me sei sempre, é só.
24:29Pô, à aventura.
24:32Agora fiquei curioso para virar andota nova que tu tens, porque eu estou a contar com o talar.
24:35É muito bom, é muito bom.
24:37É um.
24:48Estás a pôr-te bonita?
24:50Bem, bonita é como quem diz.
24:53Dentro das tuas possibilidades, é claro.
24:57Estou.
24:57Porquê?
24:58Não posso algum problema?
24:59Ah, não, sim, claro que podes.
25:00Só que eu não estava aqui a passar e comecei a pensar.
25:04Porquê que esta mulher se está a pôr bonita, se tem o marido na cadeia?
25:08Ora, nem mais.
25:09É precisamente por isso.
25:10Quando o for visitar, tem que estar com um bom aspecto para o animar, percebeu?
25:13Ah, pronto.
25:15Sendo assim, estou mais descansada.
25:17É que eu estava a pensar que tu ias aproveitar o simples facto do meu filho estar na cadeia
25:23para ir para a cama com o Afonso.
25:27O quê?
25:28Mas está-me a chamar a Dutra?
25:30Eu?
25:31Não.
25:32Estou-te a chamar Galderia.
25:34E sim.
25:35Mas como é que isso é possível?
25:37Acha que ao fim de 30 anos de casamento, três bancas rotas, dois filhos, eu era capaz
25:42de fazer uma coisa dessas, ser infiel?
25:43A propósito de quê?
25:44Porquê que eu ia fazer uma coisa dessas?
25:46Pois, o problema é esse.
25:48É se lhe vais contar tu, ou se lhe conto eu.
25:56Mas eu estou a fazer isto pelo seu filho.
25:58Claro, minha querida, claro.
26:01Tu vais para a cama com o melhor amigo do meu filho, por causa dele.
26:06É evidente.
26:07Não, eu vou fazer isto, porque o Afonso em troca vai pagar a calção, percebeu?
26:13Para tirar o seu filho da prisão.
26:33Eita, amortoseto!
26:34Vá, Rafael.
26:36É-se a saúde.
26:37Vai, vai, vai, vai.
26:39Vê-se que vai, vai.
26:40Podia ser a refiar-me um bocadinho.
26:43Posso?
26:44Posso?
26:45Posso, Rafael?
26:46Desculpa.
26:47Bom, o que eu quero é o seguinte.
26:48Eu quero que tu vás imediatamente ao juiz.
26:51E que confesses que lhe metiste só para me pôr-se aqui dentro, ok?
26:54Tu és maluco, se eu fizesse isso eu ficava aqui o resto da...
26:57Claro, posso fazer isto?
26:59Já, já, já, já, claro.
27:01E dizer tudo o que for preciso?
27:03Tudo o que for preciso?
27:04Claro.
27:05Claro.
27:06O que podias era livrar-me do Carlos.
27:10Eu já não tomo banho com medo de deixar cair o sabonete.
27:14Pois?
27:16Eu sei.
27:17Eu sei.
27:18Aliás, não se fala de outra coisa aqui na cadeia.
27:35Alguém te viu entrar?
27:36Não, não, não.
27:37Não te preocupes.
27:40Mas hoje estás linda.
27:41Estás assim com um estilo iraniano, mas linda.
27:45É porque, pronto, como é o nosso primeiro encontro, eu achei que me viajava um bocadinho.
27:49E fizeste muito bem, acertaste em cheio.
27:51Sabes que eu gosto muito de mulheres recatadas.
27:55Se calhar não precisamos de pensar já com isto, não é?
27:57Porque, enfim, está um ambiente muito romântico.
28:00E se calhar esperávamos para quando chegássemos à suíte do hotel.
28:04Mas tu estás com medo.
28:06Não tenhas.
28:07Eu também estou um bocadinho tenso.
28:09Eu estou com a tensão toda acumulada no cítrio.
28:12Não, pronto, deixa estar, deixa estar.
28:14Eu desisto, eu não consigo fazer isto.
28:16Lamento, não consigo.
28:17A noite vai passar depressa.
28:19E amanhã o Arthur já está livre.
28:22Pois é, pois é.
28:25Tu também tens que me dar qualquer coisa em troca.
28:28Parece que estou a beijar uma parede.
28:30Ah, pois é, pois é.
28:31Então vamos lá tentar outra vez.
28:39Olá, querido.
28:42Olá, querida.
28:44Eu não vou negar o que aconteceu.
28:47Vou assumir as minhas responsabilidades.
28:51Mas a Glória anda atrás de mim há muitos anos.
28:54Eu?
28:54Sim.
28:55E eu não consegui.
28:56Fui um fraco.
28:57Não resisti.
28:58Desculpa-me.
28:58E o dinheiro que lhe ofereceste em troca?
29:00Ah, isso é outro assunto.
29:01A família Mata estava a passar por um mau bocado.
29:04E eu resolvi os dá-los.
29:05Mas tu achas que eu sou parva, é?
29:07Pois então digo-te que a parva vai ficar com a casa, os carros, o cão e com a tua
29:12escova de dentes, se for possível.
29:14Mas, oh, querida, eu...
29:17Com a minha escova de dentes.
29:19Oh, Catarina, eu peço-lhe as mais encarecidas desculpas, sabe que...
29:24Não te preocupes, Glória.
29:26Tu achas que eu não lhe ponho os palitos a ele, é?
29:29Nós andamos há anos a tentar apanhar-nos um ao outro para ganharmos vantagem no divórcio.
29:33Ah, e por falar nisso, vou ligar ao meu advogado e dizer-lhe que pode começar a festa.
29:42O que é que lhe faça um cafezinho?
29:43Dois teus?
29:47Bem, está bem.
29:49Estou com prisão de vento, por isso.
29:54E então, mais alguma ideia brilhante?
29:56Eu tenho uma ideia, não é brilhante, é genial.
29:59Quer dizer, eu, o Rubem e o Zé, vamos assaltar a cadeia e libertar o pai.
30:03Oh, Marco, tu deixa-te parvoízes, está bem?
30:06Que isto é um assunto sério.
30:07Eu vou, estou a falar muito a sério.
30:09Estou muito a sério a falar disto.
30:10Está tudo planeado aqui na minha cabeça.
30:12Como é que eu vou fazer isto?
30:13Eu vou, pergunta-me muito bem.
30:14Vou entrar na prisão, armado até aos dentes.
30:16Depois mato os guardas todos com tiros e explosões,
30:19rego a prisão toda de uma ponta à outra com gasolina,
30:22ponho fogo àquilo tudo, está tudo aos gritos, a arder, a arder,
30:24saco o pai lá de dentro.
30:25Enquanto isso, o Zé e o Rubem estão onde?
30:27Em casa, ao pé do telemóvel.
30:29Se eu precisar de ajuda, ligo para eles e eles vão lá ter comigo, está tudo combinado.
30:33Genial!
30:34Genial essa ideia, Marinho, genial.
30:36E esses dois, então?
30:38Corajosos, é isso?
30:38Sim, tu também, Marcos.
30:40É, laparadanas, é a nossa única hipótese, sabes?
30:42E eu só me falta comprar um zagalote e uma caçadeira de canes serrados na internet
30:46e tenho que ir a arranjar um vidro de gasolina.
30:48Mas vou a Espanha, que é mais barato.
30:50Muito bem, muito bem.
30:51Mas olha, agora fazes um favor, o teu ovo.
30:53Vais à cozinha, vais fazer umas sanduíche,
30:55que a gente está com uma certa franqueza,
30:57enquanto eu trato aqui de uns assuntos sérios aqui com o pau, está bem?
31:01É isso, avô, sanduíche.
31:02E faça um farnel para levar, nunca se sabe, boa ideia.
31:05Está lá.
31:11Boa noite, família.
31:12Boa noite.
31:13O que é que estás aqui a fazer?
31:15Eu não disse que não podias dormir cá.
31:17Ó Paulo, eu sei que disseste,
31:18mas também sei que o disseste num momento de irritação,
31:21porque no fundo, no fundo, tu queres é que eu fique.
31:22Não, não quero, não quero que tu fiques aqui.
31:25Vai-te embora imediatamente aqui.
31:26Vá, Xavier, pisga-te.
31:27Vá.
31:28Ó Paulo, não sejas assim.
31:29Fora daqui, pisga-te aqui.
31:30Olha, é mais uma semaninha e não me pôs mais a vista em cima.
31:34Estão só mais cinco dias.
31:36Quatro?
31:36Vai-te embora, Xavier, vai-te embora.
31:39Então eu proponho-te o acordo.
31:43Se me deixares ficar aqui mais uma semana,
31:45eu ajudo a tirar o teu sogro da prisão.
31:48Ah, sim?
31:49E como?
31:50Faz que não o ouça, ele é um altrabão.
31:52Não, não, não, não, não, não.
31:53Espera lá, espera lá.
31:54O quê? Conta lá.
31:55Qual é a tua ideia?
32:17Paizinho, paizinho, paizinho.
32:32Amanhã não há Família Mata,
32:33porque a partir das oito da noite
32:35estamos em direto de Eindhoven
32:36com o PSV Benfica,
32:39segunda mão dos quartos de final da Liga Europa.
32:42Já a seguir no capítulo dois de Laços de Sangue,
32:44Inês chega ao hospital de campanha
32:46e vê a cama de João vazia.
32:48Agora ela teme o pior.
32:51Depois às 11h45 passa um novo episódio
32:53da novela Araguaia
32:55e à meia-noite e vinte
32:56temos um dos últimos capítulos de Passione.
32:59Mais tarde, à uma da manhã,
33:00não percam uma grande investigação
33:02em CSI, Las Vegas.
33:04E agora então,
33:05vêm aí Laços de Sangue,
33:06mas ainda antes temos
33:08o sorteio do Totolot.
33:10Boa sorte.
33:11Até já.
33:11E aí
33:12E aí
33:21E aí
33:24E aí
33:26E aí
33:27E aí
33:44Legenda Adriana Zanotto