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  • há 2 dias
No início das concessões no Brasil, há três décadas, a prioridade dos contratos era recuperar ativos de infraestrutura e melhorar os serviços oferecidos à população. Hoje, a constante inovação faz parte da rotina. Além de operar e manter rodovias, aeroportos, ferrovias, sistemas de mobilidade urbana e redes de energia e saneamento, as concessionárias investem em novas tecnologias para melhorar a experiência dos seus clientes, trazendo mais comodidade, eficiência, conforto e segurança e tornando as operações preparadas para enfrentar as mudanças climáticas.

Confira uma entrevista com André Salcedo, presidente da Motiva Trilhos.

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Transcrição
00:05Eu acho que a gente está vivendo um momento muito interessante do ponto de vista da infraestrutura
00:11no país, em especial na mobilidade. A gente tem uns debates envolvendo a modernização do marco
00:17das PPPs e concessões, é um debate que está acontecendo, está evoluindo dentro do Congresso,
00:22e aí esse contexto, essa revisão, vem no aprendizado de mais de 30 anos,
00:26da lei de PPPs, da lei de concessões, uma convergência das duas leis, que de fato não faz sentido
00:34diferenciar PPP e concessão num contexto que se usa ambas para modais parecidos.
00:40Nós mesmo, aqui na Motiva, em trilhos, temos operações que são PPPs e operações que são concessões
00:45para o mesmo objeto. Então faz todo sentido esse debate, essa convergência e essa discussão
00:50de onde você aloca risco, quem deveria ser o responsável, qual tipo de risco,
00:55e conectado a esse debate da revisão, do aprimoramento das PPPs e das concessões,
01:01acho que é importante trazer a especificidade da mobilidade.
01:07A gente percebeu, percebe-se que grandes investimentos em determinados setores
01:12vêm na sequência ou na esteira de modernização do marco daqueles setores.
01:17A gente viu isso, setor elétrico, aeroportos, distribuição de energia,
01:21a própria evolução de telecom, que era a concessão no passado, hoje já não é mais,
01:26são autorizações para operar. Então, nesse contexto e mais especificamente
01:31recentemente, a gente teve o marco do saneamento, que transformou o setor do saneamento
01:35nos últimos cinco anos. E recentemente, esse ano, a gente aprovou o marco
01:38do transporte público de passageiros, o marco da mobilidade, que na nossa percepção,
01:42aqui na Motiva, a gente entende que pode ser um grande transformador
01:46para o que tem por vir. Quando você conjuga o marco da mobilidade com o esforço
01:51do BNDES e do Ministério das Cidades em estudar 21 regiões metropolitanas,
01:55identificar projetos em cima desses projetos, criar um pipeline, uma visibilidade
02:01do que pode ser feito na mobilidade nos próximos anos, você tem, de fato,
02:04um ecossistema que é propício a atrair capital privado, atrair investimento
02:09para expandir os serviços.
02:17A alocação de capital, ela é sujeita a risco. E os marcos, o desenvolvimento
02:23do arcabouço legal, do fundamento, da regulação, dos órgãos de controle,
02:27dos órgãos de supervisão, dos times técnicos, ele é um item necessário
02:30para você criar a segurança jurídica para que você possa, de fato, estabelecer
02:34um contrato, estabelecer uma relação de longo prazo. São contratos que podem chegar
02:37há 35 anos e que você precisa de uma previsibilidade, de uma visão clara
02:41de como é que esse contrato vai ser regulado, como é que as disputas
02:44e o futuro, que sempre vai acontecer de forma diferente do que a gente planejou,
02:48como é que essas diferenças, esses ruídos no caminho vão ser tratados.
02:59O contrato de PPP assinado em 2006 e começou a funcionar em 2010.
03:03De lá até hoje, a gente já investiu 1,5 bilhão de reais em material rodante,
03:08sistemas, as obras civis. E é um investimento que acontece em conjunto
03:11com o governo do Estado. Parte a concessionária aloca e parte com o governo do Estado aloca.
03:16Recentemente, no ano passado, a gente ensinou um aditivo para estender a linha
03:19até Tabonda Serra. 2 estações, 3 km e pouco de linha nova, são mais 4 bi de investimento
03:25em obra civil e quase 1 bilhão de reais em sistemas. Então, são 5 bilhões de reais
03:29na extensão dessa linha e que vão beneficiar, só nesse trecho, 50 mil pessoas por dia
03:34transportadas adicionalmente às quase 600 mil que a gente transporta na linha amarela
03:38em média por dia. Esse número já chegou a 720 mil esse ano, num dia de pico.
03:43Então, os benefícios, quando a gente pensa, além do transporte de passageiros,
03:47o metrô é complementar aos outros meios de transporte.
03:50Metrôs e trens são transportes de alta capacidade.
03:53E você conjuga isso com ônibus, com aplicativo, com bicicleta, patinete,
03:58e eles compõem o ecossistema de mobilidade urbana dentro de uma cidade.
04:02Então, os eixos troncais com maior capacidade são os que acontecem via o sistema metrô ferroviário.
04:07E o impacto que isso tem nas cidades é, basicamente, você tornar o transporte mais eficiente,
04:14mais previsível, mais seguro, mais sustentável.
04:18O nível de poluente, de emissão de CO2, num transporte metrô ferroviário comparado com o carro,
04:23é quase 20 vezes menor. Então, é um impacto muito importante no dia a dia.
04:28Você tem, além da previsibilidade, é um transporte de qualidade que devolve tempo para as pessoas.
04:33Então, você imagina, trazendo como exemplo o Taboão da Serra.
04:36O Taboão da Serra, hoje, uma pessoa, para se deslocar do Taboão até o centro da cidade,
04:40demora uma hora, uma hora e meia.
04:42Ida e volta quase três horas.
04:45Fazer de metrô, você vai fazer em 26, 27 minutos ou trecho.
04:49Então, você consegue devolver para essas pessoas uma, duas horas por dia para estudar,
04:53descansar, estar com a família, fazer uma atividade física.
04:56Então, é um tempo de qualidade que você retorna para as pessoas.
04:59Além de melhorar produtividade, reduzir desigualdade, criar inclusão social,
05:04conectar uma cidade e seu entorno com o eixo de transporte metropolitano da região metropolitana de São Paulo.
05:12Então, são tantos benefícios, quando a gente começa a computar essa evolução e a expansão da rede metroferroviária,
05:18que a nossa percepção, quando você conjuga o que eu falei antes,
05:24da melhoria, do aperfeiçoamento dos instrumentos que compõem o arcabouço legal e regulatório do setor.
05:31As oportunidades que existem aqui em São Paulo e em outras regiões metropolitanas,
05:35é um setor que a gente entende que tem muito espaço para expandir ainda no Brasil.
05:44Especificamente, na extensão da linha 4, a gente está prevendo gerar 2.500 empregos.
05:49São 1.700 empregos diretos e 800 indiretos.
05:52Ou seja, durante as obras a gente causa esse impacto de mobilização de pessoas,
05:55de intervenção no local.
05:57É uma obra que tem muita preocupação com o entorno.
06:01Então, a gente está construindo em Taboão um terminal para 22 novos ônibus,
06:04para integrar a estação com o sistema de transporte urbano local.
06:08Tem bicicletário, tem local para embarque e desembarque de passageiros.
06:12A estação Chacara do Jockey também tem essa lógica de se conectar com o sistema,
06:17com o parque que está em frente, com a vizinhança.
06:20A gente pensa em trazer para a lógica das estações uma lógica de maior conveniência,
06:24mais conforto, mais serviços.
06:26Então, criar malls, shoppings dentro das estações ou em cima das estações.
06:31Nós fomos os primeiros realmente a operar um sistema que se chama GOA,
06:35Grau de Automação, Grade of Automation 4,
06:38que permite que os nossos trens funcionem sem condutor.
06:42Então, é todo sistema centralizado, é um sistema de sinalização todo automatizado,
06:46que se compara com os mais avançados do mundo.
06:49Para além disso, a gente também conectou segurança nesse processo.
06:53Então, instalar portas de plataforma, garantir que a automação é integral,
06:57ou seja, você garante que os trens funcionem de forma automatizada,
07:00as portas abram e fechem de forma automatizada,
07:03e a experiência das pessoas que usam o nosso serviço seja a melhor possível.
07:06Uma outra inovação que a gente trouxe recentemente
07:08foi mudar todo o sistema de sinalização sonora da linha 4.
07:11Cada estação das 11 estações da linha 4,
07:14hoje, tem um sistema de som, uma musiquinha, um jingle,
07:18específico para cada uma delas.
07:19Conectado com o volume de pessoas que entra e sai naquela estação,
07:22que garante a duração da abertura de portas e fechamento de portas,
07:25e a melodia, ela se conecta com o bairro.
07:29Então, cada estação tem uma identidade sonora específica.
07:34Isso facilita a sensibilidade,
07:35você se está distraído, escuta aquele som, sabe o que é aquela estação.
07:43Olha, a gente tem uma oportunidade hoje,
07:46dentro do setor de mobilidade urbana no Brasil,
07:48de, de fato, destravar investimentos e atrair capital privado,
07:51para que a gente possa expandir a presença da mobilidade em massa,
07:57mobilidade sob trilhos, nas grandes regiões metropolitanas.
08:01Esse ano foi um ano de importantes avanços.
08:03A gente teve o marco da mobilidade,
08:04a gente tem o debate sobre a evolução das PPPs e concessões,
08:08e a gente teve também um estudo publicado pelo BNDES,
08:11junto com o Ministério das Cidades,
08:12que fala de mobilidade urbana no Brasil.
08:14Chamamos Estudo Nacional de Mobilidade Urbana, é a NMU.
08:17Eles mapearam 21 regiões metropolitanas,
08:21são quase 200 projetos,
08:23mais de 400 bilhões de investimentos.
08:25Desses projetos,
08:26são quase 100 projetos identificados para oportunidades em trilhos.
08:29e o objetivo desse estudo é mapear qual é o potencial desse setor no Brasil.
08:36A gente está falando de mais do que dobrar a malha metroferroviária,
08:39isso tem impacto na vida das pessoas, na competitividade,
08:42no potencial de desenvolvimento das cidades,
08:44em inclusão social.
08:45Então, a gente tem hoje a base para que isso tudo se desenvolva.
08:48A gente precisa, sim, garantir como essas obras e a operação vão ser financiadas,
08:53como é que vai ser a governança desses sistemas,
08:55se o regulador, se as agências reguladoras em nível estadual e municipal estão capacitadas,
09:01porque é uma jornada.
09:02A gente inicia hoje com o marco, claro, da mobilidade urbana,
09:05que é pedra fundamental para que esse processo se desenvolva,
09:09mas a gente precisa agora desdobrar isso em nível federal, estadual e municipal
09:13e garantir que essas obras e o funcionamento dos sistemas
09:16aconteçam de um jeito harmônico, de um jeito eficiente.
09:19E como é que a gente faz isso?
09:21Primeiro, eu acho que tem uma grande mudança a ser feita de conceito
09:24de como é que a gente financia esse sistema.
09:26Hoje, a gente basicamente se calça, né?
09:30Hoje, o sistema se baseia em duas fontes de receita.
09:33A tarifa, paga pelo usuário, e a porte público,
09:36seja para a obra ou para o funcionamento do sistema.
09:39Essas fontes de receita, elas chegam num teto.
09:42É um limitador de expansão.
09:43Então, o próprio marco da mobilidade traz a previsibilidade
09:47de outras fontes de receita.
09:48Então, a gente precisa começar a pensar e desenvolver essas fontes de receita.
09:51Pode ser recurso exclusivo, um fundo criado para a mobilidade urbana,
09:55em nível federal, municipal ou estadual,
09:58para que possa dar previsibilidade e uma segurança
10:01que esse recurso vai estar disponível
10:03quando o investimento estiver maduro e puder ser feito.
10:05Então, eu acho que tem uma jornada a ser feita
10:07para que a gente possa garantir continuidade e previsibilidade
10:11na expansão da rede metroferroviária,
10:13qualidade na operação do serviço e tarifa módica.
10:16Para isso, a gente precisa, de fato, de uma mobilização dos entes,
10:20capacitação das agências reguladoras, do regulador do sistema metroferroviário,
10:24construção de projetos de qualidade
10:26e um sistema legal que, de fato, dê a base para que tudo isso aconteça.
10:31Então, parte disso está feito.
10:32Tem a sequência que, de fato, detalhar esses projetos,
10:36estruturar esses projetos e garantir que a construção e concepção desses projetos
10:39atendam à previsibilidade e fontes de recursos
10:44para que ele possa ser implementado e possa ser operado
10:46e garanta para quem vai usar uma tarifa módica,
10:49uma tarifa acessível para que a gente possa, de fato,
10:52atrair as pessoas para usar esse sistema.
10:56Legenda Adriana Zanotto
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