00:00Ela pode surgir principalmente entre os 20 e 40 anos e muitas vezes os primeiros sinais são confundidos com outros
00:08problemas de saúde.
00:10No agosto laranja, o alerta é para a esclerose múltipla, uma doença que ainda não tem cura, mas que pode
00:17ter a evolução controlada com diagnóstico e tratamento precoces.
00:22Vamos conversar com a doutora neurologista Vanessa Loyola.
00:26Doutora, muito boa tarde, obrigado pela sua presença.
00:28Obrigada, eu que agradeço de estar aqui.
00:30Vamos começar explicando o que é a esclerose múltipla e o que acontece no organismo de quem desenvolve essa doença?
00:37A esclerose múltipla é uma doença autoimune, é uma doença em que a imunidade da pessoa está alterada e elementos
00:48do sistema imunológico passam a atacar a bainha de mielina dos neurônios ou as células que produzem essa bainha de
00:56mielina.
00:57Então, eu vi até que tem uma fotinho aqui do neurônio aí e essa bainha de mielina, ela é uma
01:03estrutura muito importante do neurônio porque é ela que permite que a condução, vou falar eletricidade, para ser fácil de
01:12entender,
01:13o estímulo nervoso no neurônio seja feito de maneira rápida.
01:18Então, se a bainha de mielina não está funcionando, esse estímulo não é conduzido muitas vezes e os comandos não
01:27chegam para os seus músculos, para os seus olhos, para os seus ouvidos ou não voltam.
01:35Quer dizer, a sua sensibilidade, aquilo que você pega, a temperatura não chega no cérebro para ser interpretado.
01:41Você começa a perder movimentos e sensibilidade do corpo? Como é?
01:45Mais ou menos. A doença, na grande maioria das vezes, isso é uma coisa difícil porque ela se manifesta, na
01:53grande maioria das vezes, com uma coisa chamada surto-remissão.
01:56A pessoa tem como se fosse um ataque da doença, então ela pode ter uma falta de força, numa perna,
02:04num lado do corpo, num braço, pode ser um problema visual, pode ser um problema de equilíbrio, pode ser...
02:12É isso que é difícil, os sintomas são muito variados e justamente, a pessoa tem um surto, ou seja, aquilo
02:18dura, vamos lá, tem que durar pelo menos 24 horas, mas às vezes dura 3 dias, 5 dias, 1 semana
02:25e na hora que a pessoa vai no médico já melhorou, né?
02:28Eu tive um problema, aí o meu lado direito ficou dormente, por exemplo, né? Eu parei de sentir aqui o
02:33lado direito.
02:34Aí eu marquei um médico, né? Na hora que eu cheguei lá, ou tá perto da consulta, o sintoma já
02:40melhorou, aí eu desisto, ou eu chego no médico e não sei muito bem o que eu vou contar, o
02:46médico não consegue medir isso.
02:49Então, às vezes, o diagnóstico demora, porque os sintomas são variados, principalmente no começo, às vezes, os sintomas melhoram sozinhos
03:00e as pessoas, às vezes, também não conseguem ligar uma coisa na outra.
03:04Vamos dizer que agora eu tive uma retenção urinária, por exemplo, eu tive dificuldade, fiquei com o xixi preso, né?
03:11Um tempo, né?
03:12Aí eu vou no médico, no posto, por exemplo, no pronto-socorro, faço o exame de urina, dá uma infecçãozinha,
03:18eu trato, daqui a pouco melhorou, eu não vou ligar uma retenção urinária com um déficit sensitivo num braço.
03:25Não parecem coisas muito distantes.
03:29Tem um exame específico que pode ser feito para discutir?
03:31Tem exames que a gente pode fazer, embora não seja assim tão simples.
03:39A ressonância magnética é o exame que nos ajuda mais, mas a avaliação de um especialista é imprescindível, porque é
03:47tipo um quebra-cabeça que a gente tem que montar.
03:50A peça importante, mais importante é o quadro clínico, mas a ressonância ajuda muito, exames de sangue ajudam, às vezes
03:59é necessário coletar um pouquinho do líquido da espinha para verificar, é um pouquinho de quebra-cabeça.
04:04É por que que essa doença, doutora, atinge principalmente adultos jovens, entre 20 e 40 anos?
04:11Essa resposta é eu não sei te dar e eu acho que a ciência não sabe te dar.
04:15A gente sabe que é assim, é uma doença principalmente da idade produtiva, mais comum em mulheres, geralmente na proporção
04:23de 3 para 1.
04:25E acredita-se que sejam alterações, seja o momento que as alterações do meio ambiente e do DNA entram em
04:35consonância para a doença se manifestar.
04:38Por exemplo, alterações da visão, dormência, formigamento, que muita gente tem e pode ser confundido com outras doenças, podem ser
04:49sintomas de esclerose?
04:51Podem, mas como você mesmo colocou, por exemplo, dormência.
04:55É um sintoma muito inespecífico, não é verdade?
04:58Muitas coisas provocam dormência.
05:00Diabetes, faltas de vitaminas, problemas na coluna.
05:05Então, é um sintoma difícil, tá?
05:09Agora, se eu tenho uma dormência de um lado inteiro do corpo, que começa repentinamente ou muito rápido,
05:17é diferente de eu ter uma dormência nos pés, por exemplo, que vai vindo devagarzinho.
05:23Então, os sintomas da esclerose múltipla costumam se manifestar de maneira um pouco mais abrupta.
05:31Entendi.
05:32Quanto mais cedo o tratamento começa...
05:35Melhor, é.
05:36O que vai acontecer com o corpo?
05:38Por exemplo, quem recebe o diagnóstico, começa o tratamento, pode ter uma vida normal, trabalhar, praticar atividades físicas?
05:45Sim.
05:45Hoje em dia, o tratamento da esclerose múltipla foi um dos tratamentos que mais mudou nos últimos 20 anos.
05:51Há 10 anos atrás, quando uma pessoa recebia um diagnóstico desse, era quase uma sentença, né?
05:58A gente...
05:59A pessoa ia parar na cadeira de rodas e hoje em dia isso não acontece mais.
06:03Se a pessoa fizer um tratamento adequado, bem feito, a pessoa tem, na grande maioria das vezes, uma vida normal.
06:11Ela tem uma vida que ela tem que tomar um remédio.
06:14Mas hoje em dia, a maioria das pessoas toma um remédio para alguma coisa, para tratar a hipertensão, diabetes, toma
06:21vitaminas.
06:22Então, a pessoa tem que tomar uma medicação regularmente.
06:25Por exemplo, existe uma fala de sobrevida ou de morte para a esclerose múltipla?
06:30Não, não.
06:31Se a pessoa tiver um tratamento bem feito, a expectativa de vida da pessoa é igual a uma pessoa que
06:40não tem esclerose múltipla.
06:41Que boa notícia, né, doutora?
06:43Excelente.
06:43A mensagem final que a senhora deixa, então, para uma pessoa jovem, né, adulto jovem, que esteja apresentando esses sintomas
06:51que a gente falou, se a senhora puder relembrar, e diferentes do habitual.
06:55Quais são os sintomas mais comuns?
06:57É que a gente chama de déficits ou faltas.
07:01A palavra é falta de sensibilidade, principalmente se for de um lado do corpo, um braço inteiro, uma perna inteira,
07:09metade do rosto, né?
07:11Falta de força, tá?
07:13Então, déficit motor, pode ser do braço inteiro, alterações de equilíbrio, abruptas, alterações da visão, abruptas, tá?
07:24Tudo que se manifesta de maneira muito aguda deve chamar a sua atenção, tá?
07:30Não postergue, procure um especialista.
07:33Porque a diferença entre tratar no início e tratar mais pra frente, quando esses déficits podem se acumular, é muito
07:42grande na qualidade de vida das pessoas.
07:44E o especialista é o neurologista?
07:46O especialista é o neurologista.
07:49Bom, comecei aqui com a doutora neurologista Vanessa Loyola, esclarecendo pra gente sobre esse problema aí que atinge pessoas que
07:59têm entre 20 e 40 anos,
08:01que a gente fala que são jovens adultos, a esclerose múltipla, principalmente, né?
08:06Doutora, muito obrigado pelos esclarecimentos, até a próxima.
08:08Eu que agradeço, até.
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