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Manuela, de 19 anos, apresentava manchas roxas e dores de cabeça, mas ouviu que sintomas eram do vestibular; oncologista aponta alta de 79% nos casos entre jovens.
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Transcrição
00:00E a gente vai falar agora de mais uma história que emociona, mas que também pode salvar vidas.
00:06Há poucos dias, a jovem Manuela Vilela Ferreira de Lima, de apenas 19 anos,
00:13perdeu a batalha contra um câncer raro e agressivo.
00:16Manuela era ex-estagiária do Tribunal de Contas do Estado.
00:20Antes do diagnóstico, ela reclamava de dores de cabeça constantes,
00:25apresentava manchas roxas pelo corpo e ouviu que tudo poderia ser consequência do estresse dos estudos do vestibular.
00:34O tempo passou, a doença avançou e, infelizmente, o desfecho foi o mais doloroso para a família.
00:41Hoje, apenas cinco dias após se despedir da filha, a mãe de Manuela, a Paula, está aqui no estúdio comigo.
00:52A Paula está aqui.
00:53Em meio ao luto, ela encontrou forças para fazer um alerta que pode evitar que outras famílias passem pela mesma
01:01dor que ela está passando agora.
01:02E para ajudar a entender por que cada vez mais jovens têm recebido diagnóstico de câncer
01:07e quais são os sinais que nunca podem ser ignorados,
01:11a gente também trouxe para a conversa o oncologista, o doutor Felipe Pérez.
01:16Obrigado pela presença.
01:18Mas, Paula, antes de tudo, eu queria te agradecer por esse momento tão doloroso, esse momento de luta.
01:25Você está aqui no TN para dar esse alerta para outras famílias.
01:30Em primeiro lugar, muito obrigado.
01:31E como que você está fazendo para transformar essa dor nessa vontade de trazer informações para as pessoas?
01:41Boa tarde, agradeço pelo convite.
01:45Eu tenho recebido muitas mensagens positivas de conforto e algumas mensagens também de outras pessoas
01:54que estão passando pela mesma coisa que eu passei.
01:56Então, eu venho aqui para alertar de fato.
01:59Não vamos aceitar um primeiro diagnóstico.
02:03A gente precisa, sim, insistir ao médico.
02:05E aí, eu não sei nem se cabe a isso, de repente, até o CRM mesmo,
02:10investigar ou fazer algo que possa ser cobrado até o máximo para que sejam feitos exames.
02:18No primeiro momento, quando eu fui, em setembro de 2024, o médico me falou que era estresse
02:23e ela tinha muitos rostos pelo corpo e também a dor de cabeça.
02:27E falaram que era estresse e não era somente estresse.
02:29Mas não pediram exames detalhados.
02:31Eu acho que se tivesse feito a tomografia lá atrás, o desfecho seria diferente.
02:35A gente sempre acreditava na recuperação dela e que o paliativo, que seria algo que ela poderia
02:42começar a faculdade, ter uma vida normal, mas infelizmente, por conta do diagnóstico tardio,
02:47a gente não conseguiu seguir nesse caminho.
02:50Então, eu faço um alerta, peça exames de sangue detalhados.
02:55Não fique apegado em questão de plano.
02:58Eu acho que quando a gente tem esse parecer médico, a gente move montanhas para que seja
03:04feito ou de forma particular ou até mesmo para que o plano aceite.
03:07Então, em alguns momentos, nós não tivemos essa questão de uma solicitação de um exame
03:13que é um exame mais específico.
03:14Até mesmo depois do diagnóstico, a Manu, junto ao médico, ela sentia algumas dores
03:19na região aqui da barriga e questionou o médico se não pudesse fazer até mesmo um
03:24PET scan, porque já tinha sido feito a tomografia e a ressonância.
03:27E a resposta foi que não havia necessidade.
03:30A consulta foi em janeiro e a cirurgia dela foi marcada somente para o dia 25 de fevereiro.
03:35Então, se ela tivesse feito esse PET scan, nós teríamos um outro caminho.
03:40Teria sido observado que tinha sim alterações, que já estava em metástase no fígado e não
03:47precisaria, de repente, até levar ela de imediato para a cirurgia como foi.
03:50Foi uma cirurgia agressiva, que foi de barriga aberta.
03:53Então, a gente, de repente, poderia começar no inverso.
03:57Um tratamento quimioterápico para, de repente, diminuir o tumor e não como foi.
04:02Então, eu deixo um alerta aos médicos.
04:06Eu peço, assim, carecidamente, vamos sanar todas as possibilidades.
04:10Eu acho que em questão de exame de sangue, não é somente o exame de sangue para ver
04:13em questão de hemograma.
04:15Se eu estiver errado, doutor, por favor, me corrija.
04:17Então, eu acho que a gente tem que pecar pelo excesso, não é pelo básico.
04:22Paula, quais foram os primeiros sinais que a Manuela apresentou da doença?
04:27Ela tinha muito roxo pelo corpo, ela era muito branquinha.
04:30Mas começou de uma forma geral, assim, acordou com muito roxo no corpo?
04:36Sim.
04:36E aí, a gente achava muito que era batida, realmente.
04:38Mas, assim, a perna dela tinha muito, nos braços tinha muito.
04:43E aí, ela também sentia um desconforto nas costas.
04:46Mas, por conta de...
04:46A gente achava, muitas vezes, que era período menstrual.
04:49Ela também fazia acompanhamento com a ginecologista.
04:51Entramos com o anticoncepcional para que fosse, de repente, diminuísse, né?
04:56Essa questão do desconforto.
04:57Mas, já era o tumor, de fato, apresentando ali alguns sintomas.
05:01E que, quando fomos ao médico, ele falou que era algo que não era preocupante.
05:05Assim.
05:06Quando ela, por exemplo, quando vocês ouviram, né?
05:10Do médico que isso poderia ter sido...
05:14Poderia ser sintomas do estresse, do estudo.
05:17O que vocês pensaram inicialmente?
05:18A gente confia muito no médico, né?
05:21Então, assim, eu confiei, realmente.
05:22Eu até mencionei algumas vezes que, talvez, eu me culpo por eu não ter buscado outras formas.
05:29Até mesmo, depois, como diagnóstico, eu ter procurado um outro médico para que fosse feito o PET scan.
05:34Então, assim, a gente sempre seguia na forma de indicações de médico.
05:39Então, as pessoas falavam que era para, né, confiar.
05:43E eu confiei.
05:43Eu acho que eu deveria ter sido um pouco mais insistente e ter buscado uma outra opinião, né?
05:49E eu não fiz isso.
05:50Eu confiei.
05:52É.
05:53É o médico, é a medicina, né?
05:54A gente segue o caminho.
05:56A gente nunca espera, também, uma situação dessa.
05:58E o doutor Felipe Pérez está aqui com a gente, né?
06:00O oncologista.
06:02Doutor, esses sintomas, né?
06:04Que a Manuela apresentou, o corpo com manchas roxas, dor de cabeça.
06:10Esses são, realmente, os principais sintomas desse câncer, vamos dizer assim, entre aspas, silencioso?
06:17Assim, Jorge, quando a gente fala de uma paciente jovem, principalmente tão jovem assim, tinha 19 anos,
06:26muitas pessoas não pensam no câncer.
06:28Muitas pessoas pensam que possa ser o estresse, como foi, outro diagnóstico.
06:32Mas, infelizmente, a gente tem que lembrar que pessoas dessa faixa etária, abaixo de 50 anos, também podem ter câncer.
06:39A gente tem observado um aumento cada vez maior, principalmente da década de 90 para cá, um aumento de 79
06:45% dos casos.
06:47Então, é um alerta que a gente precisa ter.
06:49E quais seriam os sintomas que a gente mais se preocupa?
06:53Principalmente perda de peso inexplicada, alteração no formato das fezes ou sangramento nas fezes.
06:59Mas, de forma geral, qualquer sintoma persistente, sintomas que durem mais do que 4 semanas,
07:04como manchas no corpo, uma dor de cabeça diária, ou, por exemplo, uma tosse persistente, um nódulo persistente.
07:12Todos esses sintomas persistentes requerem investigação.
07:15E precisa, muitas vezes, fazer algum exame de imagem, talvez um ultrassom, algum outro nesse sentido,
07:20para ter uma acurácia melhor nesse diagnóstico.
07:23Muitas vezes, doutor, pode passar, por exemplo, despercebido, entre aspas, pelo médico, por ser paciente jovens, né?
07:33Que chega, ah, mais um paciente, ah, está com dor de cabeça, é normal por causa disso.
07:37Por isso, é preciso, por exemplo, haver uma mudança de protocolo, já que a gente está vendo um aumento do
07:43número de casos em pessoas mais jovens?
07:45A gente tem tido algumas mudanças de protocolo.
07:48Anteriormente, a gente recomendava a própria mamografia a partir dos 50 anos, mas agora a gente já puxou para os
07:5340 anos.
07:54A própria questão da colonoscopia, que era a partir dos 50 anos, agora é os 45, estamos estudando para ver
08:00a partir dos 40.
08:01Mas outro fator também é em relação à questão do histórico familiar.
08:07Se, por exemplo, uma pessoa, uma mulher, teve aí a sua mãe que teve um câncer de mama aos 35
08:14anos,
08:15ela tem que puxar esse rastreio para 10 anos antes, para 25 anos, ao contrário do que o normal seria
08:22aos 40.
08:23Então, o histórico familiar, ele pode modular essa questão dos exames de rastreio,
08:29e quem vai dizer isso melhor é um acompanhamento médico, mesmo que a pessoa não tenha.
08:34Então, você pode marcar uma consulta com oncologia, a gente faz essa análise familiar e vê qual é o melhor
08:38rastreio para a pessoa.
08:40É, só deixar bem claro que o doutor Felipe Pérez, ele está aqui esclarecendo o fato, ele não acompanhou o
08:44caso da Manuela,
08:45ele está aqui trazendo informações sobre o câncer, sobre a cura, sobre como buscar ajuda.
08:51E, Paulo, eu queria te perguntar o seguinte, quando veio o diagnóstico, como veio o diagnóstico e quando ele veio,
09:01como é que foi passado isso para a Manuela e como é que ela viu isso?
09:06Você não vai acreditar, quem pegou o diagnóstico foi a Manuela, ela sempre foi uma menina muito madura.
09:13Então, o diagnóstico, ele saiu no dia 25 de dezembro, na parte da manhã, ela estava na casa do pai
09:18dela,
09:19ela me mandou uma mensagem com o laudo médico.
09:23Então, desde o princípio, ela tinha ciência do que estava acontecendo,
09:27então, todas as vezes a gente respeitou a vontade dela,
09:31então, todas as vezes os laudos de tomografia, ressonância, foi ela mesmo que acessou o local,
09:37e ela que tirou, e eu lembro, assim, que no dia mesmo, ela que pegou e ainda botou no chat
09:43GPT
09:43para poder tentar entender, né?
09:46E aí, acho que a gente tem, muita gente tem o costume agora de fazer isso para poder tentar entender
09:50um pouco.
09:51E por ser final de ano, recesso muito dos médicos, de clínicas, a gente ficou muito sem resposta,
09:59e aí ela passou mal em novembro e foi solicitada a tomografia, que foi feita em dezembro,
10:04e solicitada uma ressonância, que seria em janeiro, no final de janeiro.
10:08Após o recebimento desse laudo de tomografia, nós antecipamos a ressonância,
10:13e quando, no dia 6 de janeiro, nós começamos a peregrinação junto aos médicos,
10:18para poder tentar, de fato, entender.
10:20Mas, desde o começo, foi a Manuela que teve acesso a todos os exames,
10:25não escondemos nada dela em nenhum momento no hospital,
10:28e foi feito até o último instante dela, a escolha dela de permanecer ou não no hospital.
10:35Infelizmente, foi para um caminho que nós não esperávamos,
10:38nós acreditávamos, sim, que ela continuaria no paliativo,
10:42que ela teria uma vida normal, né, junto com a família,
10:45mas não foi a vontade de Deus.
10:47E eu falo muito que ela lutou e venceu.
10:49Ela venceu, não como nós gostaríamos, mas como foi realmente a vontade de Deus.
10:54E é isso, a gente fez a vontade dela até o último instante.
10:59Então, em questões de permanecer no hospital, de voltar para casa,
11:04foi feita, assim, a vontade dela.
11:06E, assim, pedi a oportunidade, né, de agradecer.
11:09Eu gostaria de agradecer muito ao Hospital Santa Rita.
11:12Eles foram, assim, desde o primeiro momento na cirurgia, no dia 25,
11:16até o dia 19, quando a Manu faleceu,
11:19ao doutor Loureno Cezana, que foi o oncologista dela,
11:22e ao plano que, assim, não poupou esforço nenhum.
11:27Não tivemos nenhuma negativa quanto aos exames que foram solicitados, cirurgia.
11:32Então, assim, o meu agradecimento.
11:33Vocês fizeram parte, realmente, da história da minha filha
11:36e o legado que ela deixou, que ela deixou para a gente um legado muito importante,
11:41que a gente precisa se conscientizar.
11:43A gente precisa ser madura em relação às decisões que vêm
11:47e sempre ser firme.
11:49Se você tiver uma resposta e essa resposta não for não,
11:52você tente uma outra resposta até que você tenha um sim.
11:56Muita gente está ligando para cá, perguntando,
12:00quando você diz assim, ela passou mal, né,
12:04precisou ir ao médico.
12:05O que era esse ápice do passar mal?
12:07Então, perguntando, você falou de fígado,
12:11o câncer começou no fígado, como é que foi?
12:13Não, a Manu passou mal no dia 2 de novembro.
12:16Ela estava na melhor fase da vida dela, nós estávamos treinando,
12:19indo para a academia todos os dias.
12:21E aí ela correu no dia com o pai e o namorado.
12:25E no final da noite, na madrugada, ela sentiu uma dor muito forte,
12:29que ela achou que fosse infarto.
12:31E aí a dor era tão forte que ela fez vômito.
12:34E aí ela foi levada para uma parte,
12:36e no aparte fizeram uma tomografia em questões de horas, tá?
12:39E foi descoberto que ela tinha 400 ml de sangue extravasado na barriga.
12:44E aí a partir disso, eles já internaram ela no domingo mesmo,
12:48e eles começaram a investigação, né?
12:51No primeiro momento, na tomografia não constou nenhuma informação.
12:56A gente acredita que por conta do sangramento,
12:58e o sangue que tinha na barriga, então não deu para visualizar.
13:01Mas tinham três pontos que estavam vazando o sangue.
13:05E aí o doutor, acho que ele pode explicar melhor o tumor.
13:08Acho que ele sangra, né?
13:09Que ele é muito vascularizado.
13:11E fizeram um procedimento, ela ficou internada há 10 dias.
13:14E após isso, desses 10 dias, que foi solicitado a tomografia com 30
13:19e a ressonância com 60.
13:20E o tumor apareceu primeiro aonde?
13:23Então, na adrenal, que é o órgãozinho em cima do rim, não é isso?
13:28É a suprarenal.
13:28E aí, quando a gente descobriu, a gente não descobriu na tomografia,
13:33porque eu acho que tem uma diferença em questão de chegar mesmo
13:37ao alcance da tomografia para a ressonância.
13:39Então, através da ressonância, a gente descobriu que o tumor,
13:42infelizmente, ele já estava na veia cava dela e na veia renal.
13:46Então, ele já estava num estado bem avançado.
13:49E aí, isso foi no dia 6 de janeiro.
13:51A gente logo deu entrada para toda a documentação para que ela fosse operar,
13:54ia retirar o rim, a adrenal, e ia fazer um corte para tirar esse tumor que estava na veia cava.
14:02Porém, não teve sucesso, porque quando eles abriram ela na cirurgia,
14:05eles viram que tinha os linfonodos, o nome é esse, né, doutor?
14:09Sim.
14:09No fígado.
14:10Então, se tivéssemos feito o PET scan em janeiro,
14:13talvez nós não precisaríamos ter feito a cirurgia de imediato e ter iniciado a quimioterapia.
14:19Doutor, qual o exame que poderia ser feito antes desse diagnóstico de estresse?
14:27Ah, está assim porque está com estresse.
14:29O que poderia ter sido feito que já poderia ter identificado esse câncer?
14:33E como disse a Paula, qual é a importância de ouvir uma segunda opinião ou uma terceira opinião médica?
14:40Com certeza.
14:41Como eu comentei, o principal para a gente ficar de olho é em relação a sintomas persistentes.
14:45E se a gente for um médico em que não ficou satisfeito com os exames solicitados
14:51ou que não chegou a algum resultado, com certeza o ideal é buscar uma segunda opinião
14:55para a gente poder ter segurança.
14:58Assim, em relação ao caso específico, é difícil a gente determinar qual exame
15:02poderia ter flagrado a doença de uma forma mais precoce,
15:06mas inicialmente é de fato a tomografia ou a ressonância que é feita
15:09e que foi feito inicialmente que surgiu essa suspeita.
15:15Nesse caso, o PET também poderia ter sido um exame de imagem fundamental
15:21para a gente entender a extensão da doença.
15:23Um exame de sangue, por exemplo, não detectaria nenhuma normalidade?
15:26Não. De forma geral, os exames de sangue que são feitos,
15:30eles são mais para ver a questão do hemograma, colesterol, glicose.
15:34A grande maioria dos cânceres não são flagrados em exames de sangue.
15:38Então, por isso, a importância dos demais exames que a gente comentou,
15:41de exames de imagem, de mamografia, de colonoscopia.
15:44O único que a gente valoriza mais no sangue é o PSA, que é o exame da próstata,
15:48que é feito aí de forma anual.
15:50Então, por exemplo, dores, né?
15:52Que a Manuela estava com dor na barriga, dor na cabeça, com essas manchas.
15:56Isso não pode ser negligenciado a ponto de dizer que é um estresse, por exemplo,
16:01que está ali colocando no corpo aquilo que ela está sentindo.
16:06E sim, pedir um exame para fazer diretamente.
16:09Com certeza. Principalmente essa questão da dor abdominal, a gente tem que acender um alerta.
16:14Como foi no caso, foi feita a tomografia e isso conseguiu flagrar um sangramento tumoral.
16:19Porque esses tumores, eles costumam ter uma vascularização, eles podem ter um centro de necrose
16:24que ele sangra para dentro dele mesmo e com isso gera essa dor.
16:28Mas fora isso, por exemplo, a pessoa com dor abdominal que chega ao pronto-socorro,
16:31muitas vezes vai ter que fazer uma tomografia para ver se não é uma apendicite,
16:35uma colestite, uma outra doença que não é nada a ver com câncer.
16:38Paula, a Manuela tinha 19 anos, muitos sonhos pela frente.
16:43Você disse que quando ela viu, ela mesma informou para vocês, para você, para a família.
16:49Como é que ela enfrentou o tratamento nesse tempo?
16:53Então, ela sempre foi muito reservada.
16:56Eu acho que tudo o que está acontecendo, eu até mesmo aqui na televisão,
17:00passando um pouco tudo o que aconteceu,
17:02a gente brinca que ela estaria até brigando com a gente,
17:05porque ela era muito reservada.
17:07Algumas pessoas, quando eu noticiei que a Manu havia falecido,
17:10tomaram susto porque elas não sabiam, tá?
17:13Então, a Manu, ela viveu o casulinho dela ali desde que ela descobriu,
17:18então eram poucas pessoas que conviviam com ela de fato.
17:22E foi muito difícil, eu falo que ela foi muito guerreira,
17:25porque tem toda uma questão, a gente fez a quimioterapia,
17:28ela perdeu o cabelo, então você se reconhecer no espelho,
17:31uma menina jovem, então, que via todos os amigos, né, vivendo.
17:36E ela estava reclusa mesmo no cantinho dela.
17:40Então, acreditávamos até o final que ela ficaria bem,
17:44para que ela pudesse continuar com a gente,
17:46vivendo a vida dela,
17:47seguindo os sonhos dela da faculdade.
17:50E na sexta-feira,
17:51antes da Manu passar mal,
17:53ela já estava realmente bem cansada.
17:55e ela falava que o cansaço, ele era físico e emocional.
17:59E ela falava muito assim,
18:01mãe, os meus sonhos.
18:03Então, assim, é muito difícil.
18:05Mas o que consola a gente é que ela deixou um legado agora
18:09e que ela recebeu muito amor, né,
18:12pelas pessoas que estavam próximas nesse período.
18:17Então, assim,
18:18eu acredito que foi muito difícil para a gente,
18:21mas para ela foi extremamente doloroso
18:25e ela não passava isso.
18:27Ela continuava com o sorriso dela
18:28e aí muitos momentos de ir em casa,
18:31alguém, as poucas pessoas que estavam ali iam visitar,
18:34ela continuava com o sorriso no rosto
18:35e ela não deixava transparecer a dor que ela estava sentindo.
18:39Depois da cirurgia, onde foi constatada a metástase, né,
18:43quando voltou para casa,
18:45como é que foi dito isso para ela?
18:47Da metástase?
18:48Na verdade, ela ficou sabendo tudo no momento mesmo,
18:53porque a cirurgia dela, a previsão era de 12 horas
18:55e aí com uma hora e meia, no máximo duas,
18:57eles chamaram, né, me chamaram e chamaram o pai dela
19:00e aí quando ela veio acordando da cirurgia,
19:03ela perguntou que era só agora.
19:05E a gente tentando ele disfarçar
19:06e ela falou, deu errado, né?
19:08Então, não foi algo que foi contado depois.
19:12A gente falou no primeiro momento
19:13que a cirurgia não tinha sido realizada
19:15e aí ela foi para o quarto,
19:18ela ficou um dia no quarto e depois ela foi para a UTI,
19:20porque realmente o quadro dela gravou,
19:22mas ela foi sabendo do que estava acontecendo,
19:25ela sabia dos linfonodos,
19:26então a gente sempre expôs para ela, de fato,
19:31o que estava acontecendo.
19:34Doutor, vamos falar agora, já partindo para o final,
19:37o que uma família, uma pessoa que apresenta esses sintomas,
19:44qualquer sintoma, qualquer dor,
19:46o senhor que é oncologista,
19:48o que a gente precisa ficar atento?
19:51E o que é câncer?
19:52Quando é câncer, como que a gente descobre?
19:55O principal é a questão da persistência dos sintomas,
19:58mas existem alguns alertas que a gente tem que ter em mente.
20:01A questão da perda de peso inexplicada,
20:03o sangramento nas fezes, um nódulo no corpo,
20:06um caroço no corpo, uma ferida que não sara,
20:09uma mancha no corpo,
20:11tudo isso requer uma avaliação médica.
20:13Isso não significa que é câncer,
20:15existem muitas doenças benignas,
20:17a hemorróida pode dar sangramento nas fezes.
20:19Então, isso requer uma atenção,
20:22requer uma avaliação médica,
20:24solicitação de exames,
20:25avaliação do histórico familiar,
20:27pedir exames de imagem,
20:29às vezes uma colonoscopia,
20:30tudo isso aí vai guiar a nossa hipótese diagnóstica
20:34e vai então gerar essa conclusão
20:38do que a pessoa está sentindo e porquê.
20:40Agora, uma questão é não deixar isso para lá.
20:43A pessoa às vezes fica meses e meses com nódulo no corpo,
20:47com uma perda de peso, com um sangramento,
20:49e aí quando vai no médico,
20:51aí a doença já está no estágio mais avançado
20:54em que é muito mais difícil o tratamento.
20:56A grande maioria dos cânceres tem cura,
20:59tem tratamento,
21:00mas depende muito também da fase em que é feito o diagnóstico.
21:03Ainda que jovem, né?
21:04Ainda que jovem.
21:05Agora, Paula, sua mensagem, né,
21:08para os pais, as mães que estão vendo a gente.
21:11Sua filha tinha passado em direito, né?
21:13E queria cursar direito, né?
21:15Ela ia cursar com o namorado dela.
21:18E, mais uma vez, te agradecer, né,
21:20por estar fazendo esse alerta,
21:22que é super importante,
21:23e a sua mensagem final
21:24para quem está assistindo a gente agora.
21:27Eu deixo, assim, a mensagem de que busque até o final,
21:31não desista.
21:32E, muitas vezes, escutar também.
21:34A gente, quando ela pediu para que fosse feito o exame,
21:38o médico falou que não havia necessidade,
21:40de repente eu deveria ter ido para um outro médico,
21:42mas a gente ouviu muitas referências,
21:44a gente confiou, né,
21:46não deveria ter feito isso,
21:47e teria evitado, eu acredito,
21:49que uma parte do sofrimento dela,
21:52a cirurgia, ela foi muito dolorosa para a Manu,
21:55ela foi dolorosa para a gente,
21:57para vê-la do jeito que ela ficou.
21:58Então, eu deixo o alerta de que
22:01não fique somente no não,
22:03vá até você ter o sim,
22:05e você ter ali até o final,
22:08faça o máximo de exame possível,
22:09sendo pelo plano, sendo pelo particular.
22:12Eu acho que a gente não pode aceitar o pouco,
22:16a gente tem que ir até o final.
22:18E é isso, eu deixo o aberto,
22:22quem quiser, quem tiver,
22:23eu estou recebendo muitas mensagens
22:24de mães que perderam também filhos
22:27com a mesma doença que a minha filha,
22:29de adultos que estão com a mesma doença
22:31que a minha filha, sem diagnóstico.
22:32Eu já me coloquei à disposição
22:34para que eu possa ajudar.
22:37Então, eu acho que agora...
22:38Quer deixar algum contato, Paulo?
22:39Pode passar, eu posso passar o meu telefone,
22:41meu telefone é o 279599-5922.
22:47Pode mandar mensagem.
22:49Eu acredito também que...
22:51Eu até passei para essa pessoa
22:52que me fez contato agora.
22:54O contato do doutor Loreno.
22:56O doutor Loreno, ele foi pessoa fundamental
22:58na vida da minha filha.
22:59Eu não tenho palavras para agradecer a ele.
23:00E o doutor Hugo, que foram pessoas
23:02que ficaram até o final,
23:04comigo, com o Thiago,
23:05que é o pai da Manu.
23:06Então, eu me coloco à disposição
23:09para ajudar, para conscientizar,
23:11e eu vou fazer isso pela minha filha.
23:13Poderia repetir o telefone, por favor?
23:18279599-5922.
23:20Ok, Paulo, muito obrigado
23:22pela sua entrevista.
23:23Estou à disposição.
23:24Por trazer essa história
23:26que com certeza vai ajudar muitas famílias.
23:28Doutor Felipe Pérez, também muito obrigado
23:30pela sua participação.
23:34Obrigado.
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