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  • há 3 horas
Especialistas alertam sobre a importância dos exames de rotina para as mulheres evitarem diagnósticos tardios.
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Transcrição
00:00E você aí que tá assistindo a gente, que é mulher, ou você que tem sua esposa, alguém aí em
00:07casa,
00:08os exames estão em dia, tá tudo certo por aí, ou você tá levando, deixa pro fim do ano, só
00:15faça em dezembro,
00:17o dia a dia é corrido, né? A gente mulher, então, meu Deus do céu, e aí muitas vezes a
00:21saúde fica pra depois.
00:24Mas é o seguinte, a partir dos 40 anos, alguns cuidados deixam de ser apenas uma recomendação
00:31e passam a ser fundamentais pra prevenção de doenças e pra qualidade de vida.
00:38Você sabe quais os principais exames que você, mulher, deve fazer aí na sua faixa etária?
00:46Às vezes você tá com 37, 38, 39, né? E alguns exames não são solicitados como rotina.
00:54E às vezes a gente fica na dúvida, né? O que eu tenho que fazer? Com qual frequência?
00:59A gente te ajuda. Deixa eu sentar aqui pra bater um papo com a doutora Denise Galvez, médica ginecologista.
01:06Bom dia, doutora.
01:08Bem-vinda. E a gente tá aqui também com a Graziella Ferrari, que é empreendedora,
01:12e tem uma história incrível de superação. Obrigada pela presença.
01:16Obrigada a vocês pela oportunidade de estar compartilhando com vocês a história aqui, né?
01:20Bom dia pra você. Então, vamos lá, Grazie. Conta pra gente que susto, né?
01:24Em um autoexame, em casa, você percebeu um nódulo da mama e a partir daí, o que aconteceu?
01:30Pois é, foi um susto mesmo. Eu tava conversando com a doutora.
01:34Na minha idade, eu tinha 37, né? Não é comum, né?
01:38A gente não faz. A gente faz os exames ginecológicos, mas mamografia a gente não faz.
01:43E eu não tenho histórico familiar, enfim. Nada indicaria ser uma candidata a ter câncer de mama, né?
01:50Mas, durante o autoexame, eu descobri um nódulo na minha mama esquerda
01:56e imediatamente fui, né? Marquei exame com o ginecologista pra ver.
02:00E aí, depois, a gente deu sequência e foi diagnosticado, né?
02:04Foi descoberto um câncer de mama agressivo, do que tal invasivo.
02:09E depois, com os outros exames, eu descobri que eu tinha já uma metástase na axila.
02:14Ou seja, ele já estava avançado.
02:16Ele já estava ali, né?
02:17E se eu fosse esperar, né?
02:20Pra idade, pra fazer a mamografia, como a gente tava conversando, né?
02:23Provavelmente, eu não estaria aqui, né?
02:25Então, eu fui realmente salva pelo autoexame.
02:29Você já tinha o hábito de fazer o autoexame há um certo tempo?
02:34Como é que foi isso?
02:35Não, não.
02:37Eu, movida pelo Outubro Rosa, que se fala, né?
02:40Olha a importância da campanha.
02:42O autoexame e tudo.
02:43Eu, falei, gente, eu nunca tinha feito.
02:46Você acredita?
02:46O toque.
02:47Nunca tinha feito.
02:48E aí, eu fiz o autoexame.
02:49E eu acho que são coisas de Deus mesmo.
02:52Na primeira vez que eu fiz, eu descobri e consegui, graças a Deus, ser tratada, né?
02:57Estamos aí hoje.
02:58Que bom que...
02:59E a gente vê ali...
03:01Quanto tempo de tratamento você ficou grave?
03:04É, foi um tratamento ao longo.
03:06Ele era agressivo, né?
03:06Então, a gente fez a quimio.
03:08Foram oito sessões de quimioterapia.
03:10Foram 25 sessões de radioterapia.
03:13Uau.
03:13E 22 sessões de hormonoterapia também.
03:16Então, foi um ano e meio de tratamento.
03:18É injetável, né?
03:19E a rádio.
03:20E até hoje, eu tomo medicamento vioral, né?
03:25Tomo letrozol.
03:26Inclusive, esse mês, é o último mês.
03:28Que maravilha.
03:29E o tratamento.
03:30Que benção.
03:31Mas, enfim, são mais de 10 anos de tratamento, né?
03:35Nenhum histórico familiar?
03:37Ninguém da sua família?
03:38Nenhum, nenhum.
03:38Nenhum outro tipo de câncer?
03:40Tinha tido da minha avó, de intestino, mas o câncer de mama, geralmente eles perguntam.
03:45Então, é ovário, útero, mama, se tem alguma tia, avó, algum parentesco, mas não tinha realmente ninguém na família.
03:54Caramba, que história.
03:55A gente fica feliz que esse ciclo está se encerrando na sua vida.
04:00Que bom que você está aqui para trazer esse alerta.
04:02Doutora Denise, 37 anos, não tinha indicação de fazer mamografia.
04:08Eu confesso para você que às vezes eu fico assustada quando eu vejo esses depoimentos.
04:11E o que é interessante é o seguinte, hoje o autoexame deixou de ser preconizado, sabia?
04:20Só que a gente vê na prática que ele salva muita gente, como é o caso dela e eu já
04:25vi muitos outros, assim,
04:27de pessoas com menos de 40 anos, né?
04:30Fazerem o autoexame, descobrirem o nódulo e procurarem por isso.
04:34Ele deixou de ser preconizado porque muitas pessoas ficavam com uma falsa sensação de segurança,
04:40porque não palpavam o nódulo, né?
04:43E deixavam de fazer o exame complementar, né?
04:47A mamografia e por vezes a gente tem que solicitar a mamografia e a ultrassonografia também, né?
04:59Então, só que a gente vê na prática que salva, sabe?
05:02Vê na prática pessoas com menos de 40 anos, fazem diagnóstico, não é um diagnóstico precoce,
05:09como não foi no caso dela, né?
05:11Porque nódulos muito pequenos, eles não são palpáveis ainda, né?
05:16E as imagens conseguem fazer um diagnóstico mais precoce, tá?
05:20Então, não é um exame substitutivo.
05:23Você não pode substituir o exame de imagem pelo autoexame.
05:29Só que os exames de imagem, eles só começam a ser feitos a partir de 40 anos.
05:35E a gente tem visto que os casos de câncer de mama têm aparecido mais precocemente.
05:41Cada vez mais mulheres jovens, né?
05:44Tem sido diagnosticadas.
05:46E também, assim, até há um tempo atrás, não me lembro exatamente, assim, dois anos aproximadamente,
05:52o Ministério da Saúde preconizava pelo SUS a mamografia só a partir de 50 anos.
06:00É verdade.
06:00Essa mudança é recente.
06:02As nossas sociedades, né?
06:03A sociedade de ginecologia já preconizava, a federação, né?
06:10Já preconizava a partir de 40 anos e para ser feito anualmente.
06:17Mas pelo SUS a preconização era a partir de 50 e de 2 em 2 anos.
06:22Que bom que teve essa mudança.
06:24Nossa.
06:24Porque sabe que o acesso hoje a um exame como a mamografia, grandiosíssima parte da população, é pelo SUS, né?
06:32É, exatamente.
06:33Agora, doutora, quando que a mulher que está assistindo a gente, que ainda não tem 40 anos, pode começar a
06:41fazer, então, o autoexame?
06:43Ela deve fazer, né, assim, anualmente, pode ser, mas na verdade, esse exame deveria ser feito por todo ginecologista.
06:54Fazer uma consulta ginecológica e o ginecologista fazer essa palpação, né?
07:00Que é um pouco mais minuciosa do que ela própria examinar as mamas dela, né?
07:07Então, se fizer uma vez por ano, tá certo.
07:11Agora, assim, a gente está falando de casos como, inclusive, seria o dela, né?
07:17Mas, assim, existem pessoas que têm já a história familiar, né, de câncer de mama.
07:24E, na verdade, nem é só de mama, como ela disse, o câncer de ovários também, o câncer de ovário.
07:31E tem também alguma comunicação genética também entre alguns cânceres de cólon, de intestino, né, de cólon retal e de
07:43pâncreas.
07:44Alguma correlação com o de mamas também.
07:47Que coisa, novidade pra mim também.
07:50É.
07:50Olha que interessante.
07:52Grazi, em algum momento, em consulta ginecológica sua de prevenção, a médica que te acompanha chegou a fazer esse exame
08:00na mama?
08:00Então, eu estava meio abusada, né, porque tinha dois anos que eu não tinha feito.
08:06Ah, olha só.
08:07Dois anos que você não fazia preventivo.
08:09Eu morei muitos anos em São Paulo e eu estava aqui, só que eu ainda estava ligada com os meus
08:13médicos de lá.
08:15Então, eu fiquei dois anos sem ir no ginecologista.
08:17E aí, mas sempre na consulta ginecologista tinha esse tipo de exame, né?
08:23Então, quando eu fiz o autoexame, se eu tivesse ido, provavelmente tinha detectado na consulta, né?
08:29Com certeza.
08:29Com certeza.
08:31É, mas é, ainda mais assim, pós pandemia, muita gente deixou, assim, o período da pandemia e ficou um, dois,
08:37três anos sem as consultas de rotina, né?
08:41E é importantíssimo ter esse acompanhamento anual.
08:43Tem que ter.
08:44Agora, doutora, vamos lá.
08:46A partir de 40 anos, se a gente pudesse fazer um checklist, quais os principais exames que a mulher que
08:52está assistindo a gente hoje precisa fazer?
08:55Anualmente ou a cada seis meses, enfim, a periodicidade?
08:59Conta pra gente.
09:01Os de rotina ginecológica, a preconização oficial é da mamografia, pela sociedade nossa, né?
09:09De anual, né?
09:11E a ultrassonografia não tem uma preconização de ser anual.
09:19O preventivo, o exame preventivo, tem o preventivo comum, que é todo esse aí, né?
09:25Que vocês, que todos nós estávamos habituados a ele.
09:28Esse preventivo, você faz dois exames preventivos em dois anos consecutivos.
09:35Se eles estiverem normais, você pode fazer o próximo daí a três anos apenas.
09:41Não precisa mais ser anual.
09:44Agora, a gente tem o DNA HPV, que é uma atualização do antigo preventivo,
09:51que faz a captura de cepas de HPV, que é o vírus que causa o câncer do colo do útero.
09:57Então, você faz um diagnóstico da presença do vírus antes dele causar lesão na célula do colo do útero.
10:05Que bom, que importante.
10:08E aí, esse é feito a cada cinco anos.
10:12Então, assim, ele vai ser implantado no SUS, tem um prazo aí até o fim do ano,
10:16eu não sei se isso vai ser cumprido, né?
10:18Porque, e então, ele vai substituir o exame preventivo clássico, né?
10:26Fora isso, assim, tem o câncer de intestino, mudou também o rastreio agora para 45 anos de idade.
10:37Olha que importante.
10:37A colonoscopia, né?
10:40Os exames de sangue habituais aí, né?
10:43Que você começaria com 35, né?
10:46Glicemia, lipidograma que começa aos 20, né?
10:50Para colesterol, triglicerídeos, né?
10:54E o rastreio também, para a mulher, na verdade, o rastreio com eletrocardiograma,
11:02seria só o eletrocardiograma para quem não tem patologia, começaria aos 50.
11:07Antes disso, exame relacionado ao coração, só se eu tiver histórico familiar?
11:13Quando a mulher entra na menopausa mais cedo, os estrogênios da mulher protegem ela contra eventos cardiovasculares,
11:23derrames, infartos, né?
11:26AVCs, né?
11:27Infartos.
11:28Então, ele é protetor.
11:30Quando você entra na menopausa, você perde essa proteção.
11:33Olha isso.
11:34Então, se você não faz a terapia hormonal, seria um bom momento para começar o rastreio também, sabe?
11:40E as mulheres têm entrado mais cedo na menopausa, né?
11:43Na perimenopausa também.
11:44É.
11:45É porque hoje fala-se também muito mais.
11:48As pessoas começam a falar da menopausa muito antes, né?
11:51Que é nesse período da perimenopausa, né?
11:54E ela realmente perde essa proteção.
11:56Os hormônios protegem, dão elasticidade aos vasos sanguíneos.
12:01E quando ela perde os hormônios, os vasos começam a ficar mais rígidos e maior risco cardiovascular.
12:08Olha aí, gente.
12:10Sim.
12:10Interessante.
12:11E a terapia hormonal confere essa proteção.
12:15Revolve essa proteção, sabe?
12:17Perfeito.
12:17Agora, além dos exames, tem os outros cuidados.
12:21Tem.
12:22E, inclusive, isso é bem importante.
12:25Porque, assim, a gente fala de exame complementar, mas, assim, uma boa anamnese, uma consulta médica
12:32composta de uma boa anamnese, em que o médico faça uma história, história da pessoa, história
12:40patológica, a pregressa dessa pessoa, história familiar, perguntando sobre doenças da família
12:49dela, com isso, se você faz uma boa anamnese, um bom exame físico, isso é muito precioso.
12:58Então, assim, a gente vive hoje, que a gente tem muita tecnologia, então, se a gente não
13:03tomar cuidado, os exames complementares, eles vão ficando substitutivos de uma boa consulta
13:09médica, sabe?
13:11Então, é aquela coisa do médico com o computador, não é?
13:16E, às vezes, sem se voltar para o paciente.
13:21Às vezes, os olhos do paciente estão te dizendo um monte de coisas, além da fala dele,
13:27entendeu?
13:27E você, né?
13:29Eu não uso computador, mas a quem usa está lá na tecnologia e, às vezes, faz pouquíssimo
13:36contato visual e de troca com esse paciente, não é?
13:42Então, o exame complementar, ele é complementar, mas ele não é substitutivo.
13:48Perfeito.
13:49Graça, você chegou a sentir, depois que veio o diagnóstico, você voltando, né, fazendo
13:55ali um recap, tinha algum sinal ali, algum sintoma que, de repente, você virou e falou,
14:01nossa, agora faz sentido para mim ou zerada?
14:04Zero, não tive nenhum sintoma, nenhum, nenhum, nenhum.
14:08Foi só um nódulo mesmo e eu corri para descobrir o que estava acontecendo, né?
14:13Mas não tive nenhuma sensação de desconforto, nada, nada, nada que pudesse trazer qualquer
14:19tipo de suspeita, né, que eu estava com câncer de mama.
14:23Pois é.
14:24Falando sobre sintomas, doutora, o que a mulher que está assistindo a gente em casa, não
14:28só relacionado ao câncer de mama, a gente está falando de doenças que, muitas vezes,
14:32são silenciosas mesmo, né, no caso da Grazi.
14:35Mas o que essa mulher pode se atentar de alteração no corpo dela, no que ela está sentindo da
14:43rotina dela de que, opa, tem alguma coisa aqui, iria ao médico só no fim do ano, de
14:49repente, eu posso adiantar essa consulta?
14:52Essa é uma pergunta que me dá um pouquinho de receio de responder.
14:56Por quê?
14:56Porque as pessoas também não devem ficar muito pilhadas com essa coisa de, eu tenho
15:02alguma coisa o tempo inteiro, né?
15:06Então, assim, é observar se tem alguma diferença em relação ao que vinha acontecendo antes,
15:15né?
15:15E aí eu estou falando no geral mesmo, né?
15:18Sim.
15:19Os cânceres, eles normalmente são muito silenciosos mesmo, não tem muito jeito de fazer
15:27um diagnóstico precoce só com base nos seus sintomas, né?
15:31Com exceção do câncer de endométrio, né?
15:36Que é o câncer de útero, que às vezes dá um sangramento, uma coisa assim.
15:40Então, eu diria, na parte ginecológica, assim, sangramentos vaginais anormais em geral,
15:50é uma dor pélvica diferente da rotina, assim, do que é esperado, vamos dizer assim.
16:01E o das mamas é bem silencioso, o que pode acontecer por vezes se o tumor for dentro do
16:09ducto mamário, é a saída de uma secreção, né?
16:14Que pode ser transparente, que pode ser sanguinolenta, mas nem sempre quando a pessoa tem essa secreção,
16:22ela tem um câncer de mama também.
16:25Então, nada disso é certeza de câncer, nem dor pélvica, nem sangramento, nada disso.
16:30Mas seriam sintomas e sinais que mereceriam, assim, alguma atenção, entendeu?
16:37Perfeito, doutora.
16:39Obrigada pelos esclarecimentos.
16:41Grazi, também, obrigada por compartilhar sua história com a gente.
16:44E até a próxima, meninas.
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