- há 2 dias
Categoria
📚
AprendizadoTranscrição
00:20A CIDADE NO BRASIL
00:37A CIDADE NO BRASIL
01:18A CIDADE NO BRASIL
01:40Eu era adolescente quando vi pela primeira vez a imagem de um grupo de mulheres caminhando em círculos na Praça
01:46de Maio, em Buenos Aires.
01:48Elas buscavam por seus filhos e netos, desaparecidos durante os primeiros anos da ditadura argentina.
02:01O golpe de 1976 levou os militares ao poder e instaurou no país um período de terrorismo de Estado.
02:10O governo colocou em prática um plano sistemático de sequestros, mortes e desaparecimentos.
02:17Poucos tinham coragem de denunciar o que acontecia no país.
02:23As mães foram as primeiras a romper o silêncio com as rondas na Praça de Maio.
02:29Vera Harach estava em busca de sua filha Franca, uma das milhares de vítimas dos voos da morte.
02:35Houve, em geral, um enorme e culpável silencio.
02:40Silencio.
02:42Um silencio muito, um silencio muito, um silencio muito, não nos acompanhava.
02:51Silencio de prensa, silencio da igreja, das altas jerarquias da igreja, não de toda a igreja,
02:58por uma boa parte da igreja, a igreja dos pobres, que vocês no Brasil também conhecem.
03:05Essa é a tua amostra do lado.
03:07Minha filha, Franca, Franca Yara, de 18 anos, foi a abanderada, a melhor aluna do Colegio Nacional de Buenos Aires.
03:17Foi sequestrada em junho, no ano de 1976,
03:23muito pouco depois do golpe militar, cívico-militar, que chegou à Argentina.
03:31Foi sequestrada nesse dia, foi levada à Escola de Alecánica da Armada,
03:36que foi um dos tantos lugares de prisão e clandestina,
03:41de tortura, extermínio e desaparição forçada.
03:50Eu pude saber a verdade sobre o que aconteceu com minha filha mais de 20 anos depois.
03:57Mas desde chica, desde os 13 anos,
04:00era a delegada, no centro de estudiantes da Escola,
04:04que é uma escola muito importante, estamos em cerca de cá.
04:07Se vocês entram nessa escola, vão ver uma placa,
04:10105 desaparecidos, nessa escola escola.
04:20As madres começaram a caminhar e a juntar-se em uma coisa mais organizada
04:26e a poder fazer-se em forma pública na Plaza de Mayo,
04:31quase um ano depois do golpe,
04:33porque foi o 30 de abril de 1977.
04:43Pouco tempo depois de começarem as rondas,
04:46três mães foram sequestradas e mortas pelos militares.
04:52Estela Carlotto também enfrentou o medo
04:55e se uniu às mães da Praça de Mayo para encontrar sua filha Laura.
04:59Onde estão os filhos que nasciam neste campo de concentração?
05:04Hace muitos anos atrás a gente não nos conhecia,
05:09se falava mal de nós,
05:10o governo da ditadura dizia que éramos loucas,
05:14dizia que mentíamos,
05:16que nossos filhos eram delincuentes terroristas,
05:20que estavam no exterior,
05:22que não havia campos de concentração,
05:24que não havia nenos nascidos nesses lugares.
05:27E tudo isso o tivemos que ir demonstrando com o correr do tempo.
05:32Havia riscos,
05:34havia ignorância,
05:36mas o medo que podíamos ter de que nos passasse algo
05:42desapareceu ao pensar do que haviam feito com nossos filhos.
05:47E no caso particular nosso, de a família,
05:51Laura foi assassinada,
05:54dois meses depois que deu à luz a sua filha, Guido,
05:59depois de permanecer nove meses em um campo de concentração,
06:03cercano ao domicilio nosso,
06:05na cidade da Plata,
06:06nas zonas aledañas.
06:09Como benefício, entre comillas,
06:11é que o dia que o assassinou,
06:13nos entregaron o corpo de Laura.
06:16Ou seja, eu não tive que buscar
06:18depois de sua morte,
06:19como ainda sigam tantos familiares
06:22e tantas madres.
06:23Todos os domingos,
06:25com um acto já religioso,
06:27a levarle Margarita,
06:28que eram as flores que gostavam,
06:30e a dizer que nunca iria deixar de buscar justicia
06:34para ela e seus companheiros,
06:37que não sabíamos quantos eram,
06:38eram companheiros,
06:40eu conheci,
06:41muitos deles,
06:43e a buscar-lhe seu hijito ou hijita.
06:46Não iria descansar.
07:00Eduardo Longoni é um fotógrafo premiado
07:03e reconhecido mundialmente.
07:05Ele foi um dos primeiros a registrar
07:07a resistência das mães da Praça de Maio
07:09à ditadura argentina.
07:12As fotografias que ele me mostra
07:14ajudaram a denunciar a violência de Estado.
07:18Minha sensação,
07:20muitas vezes,
07:20quando miro aquelos anos lejanos,
07:23é que
07:26éramos jovens,
07:27éramos inconscientes,
07:28e nunca
07:30supimos realmente
07:31os que sobrevivimos
07:33o peligro
07:35no que estábamos
07:37respirando.
07:38As madres,
07:39para mim,
07:40Norita Cortiñas
07:41era,
07:43tinha a idade de minha mãe
07:45e eu tinha a idade de seu filho desaparecido.
07:48Por o qual,
07:48se começou a estabelecer entre elas
07:50e,
07:52não somente eu,
07:53senão a generação
07:54de fotógrafos
07:55que,
07:56de minha idade,
07:57era um vínculo
07:59de
08:00madres e filhos.
08:02De fato,
08:03para elas
08:04era importante
08:05que nós,
08:06um puñadito,
08:07porque éramos muito pouquitos,
08:08dois, três,
08:08os fotógrafos
08:09que íamos
08:09a essas primeiras marchas,
08:12onde
08:13havia muitos mais
08:15serviços de inteligência
08:16que madres
08:17ou fotógrafos
08:18ou periodistas,
08:19que,
08:19ademais,
08:20nos conhecíamos todos.
08:21De fato,
08:22eu voltava à agência
08:24muitas vezes
08:25acompanhado
08:26por o famoso falcão verde
08:29de as patotas
08:30de secuestradores,
08:32que já
08:32quase era
08:33como uma
08:34espécie
08:34de questão
08:36cotidiana.
08:37Esta mãe
08:37aí,
08:38solitária,
08:39isto é na esquina
08:40da Plaza de Mayo.
08:41Reprimiam
08:42as mãos
08:42com cabalos.
08:43Bom,
08:44quizá
08:44minha foto
08:46mais conhecida
08:47de as mamães
08:48no ano
08:5082,
08:51tiravam os cabalos
08:54a as mamães
08:55que só...
08:55Um dia
08:56dixem
08:56que só
08:56teniam
08:57sua bandeira
08:57e me corrigieron,
08:58me dijeron
08:59que não teniam
08:59nada mais
09:00e nada menos
09:01que sua bandeira.
09:02E quedou sempre
09:03na cabeça
09:04que essa bandeira
09:05era mais potente
09:06que a brutalidade.
09:08assim que
09:09se estabeleceu
09:10com elas
09:10um vínculo
09:11não somente
09:13de amor
09:13mas de cuidado.
09:15Elas sentiam
09:15que de alguma maneira
09:17a presença
09:18dos fotógrafos
09:19lhes dava visibilidade
09:20e nós sentíamos
09:21que elas
09:22nos cuidavam.
09:24E, de fato,
09:25Norita,
09:27quando eu ia
09:28nas marchas,
09:29eu era o mais chico
09:30desse grupo
09:31de fotógrafos,
09:32era muito chico,
09:33tinha 20 anos,
09:35chamava a agência
09:36para ver se eu
09:37havia chegado bem
09:38e depois venia
09:39a buscar algumas fotos
09:40que lhe copiávamos,
09:43que lhe dávamos
09:44e que foram
09:45as primeiras fotos
09:46que saíram
09:47clandestinamente
09:48da Argentina.
09:53Em 1978,
09:55a Argentina
09:55sediou a Copa do Mundo.
09:57Enquanto a atenção
09:58estava voltada
09:59para os estádios,
10:00as prisões
10:01e torturas continuavam.
10:05Para mim,
10:06as memórias
10:07que ficaram
10:08deste tempo
10:09não são dos gols
10:10ou a festa
10:10nas ruas
10:11da Argentina
10:12campeã.
10:13Foram as mães
10:14na Praça de Maio
10:15que driblaram
10:16a polícia
10:17para denunciar
10:18ao mundo
10:18o que acontecia
10:19em um país.
10:21Vamos,
10:22senhores,
10:22circulando,
10:23por favor,
10:23vamos,
10:24circulando.
10:25Dicen
10:26que os argentinos
10:27que estão
10:27no estrangeiro
10:28estão dando
10:29uma falsa imagem
10:29da Argentina.
10:31Nós,
10:31que somos
10:32argentinas,
10:33vivimos na Argentina,
10:35podemos
10:35asegurar
10:36que há miles
10:37e miles de
10:37hogares
10:38sofrendo
10:38muito dolor,
10:40muita angustia,
10:41muita desesperación,
10:43dolor e tristeza
10:44porque não nos dizem
10:45onde estão
10:45nossos filhos,
10:46não sabemos
10:47nada de eles,
10:48nos han quitado
10:49o mais preciado
10:50que pode ter
10:50uma mãe,
10:51seu filho,
10:52angustia
10:53porque não sabemos
10:54se estão enfermos,
10:55se têm frio,
10:56se têm hambre,
10:57não sabemos
10:58nada,
10:59e desesperação,
11:00senhores,
11:01porque já não sabemos
11:02a quem recurrir.
11:03Consulados,
11:05consulados,
11:06embajadas,
11:07ministerios,
11:08iglesias,
11:09todas as partes
11:10se nos han cerrado,
11:11todas as partes
11:12se nos han cerrado
11:13as portas.
11:14Por isso,
11:15nós rogamos
11:15a vocês,
11:16nós rogamos
11:17a vocês,
11:18são a nossa última esperança,
11:20por favor,
11:21ajudem-nos,
11:22ajudem-nos,
11:23por favor.
11:23Minha filha
11:24estava embarazada
11:25de cinco meses
11:25quando se a levaram,
11:26meu filho
11:27tem que ter nascido
11:28em agosto
11:28do ano passado,
11:29até agora
11:30não tenho podido
11:30saber nada de ele,
11:32o único que sabemos
11:33é que os jovens
11:34nascem,
11:34mas se os deixam
11:36nos estabelecimentos
11:37assim,
11:38casas cunas
11:39com NN,
11:40e não podemos
11:40nos encontrar nunca
11:41com nossos filhos.
11:44Ao longo de oito anos
11:46de ditadura,
11:46500 bebês
11:48foram tirados
11:48de suas famílias
11:49pelos militares
11:50e cresceram
11:52sem conhecer
11:53sua verdadeira identidade.
11:57Vitória
11:58foi uma das primeiras
11:59crianças roubadas.
12:00Seus pais
12:01estão entre os 30 mil
12:03mortos
12:03na ditadura argentina.
12:06Encontrei com ela
12:07em um lugar simbólico.
12:11para que
12:11este é o parque
12:12da memória,
12:13lugar onde
12:14nós podemos
12:15levarles
12:16uma flor.
12:17Este lugar
12:18é muito reparador
12:19para nós,
12:20porque
12:20é onde
12:22a veces
12:23venimos
12:23e lhe alojamos
12:24uma flor
12:25e sentimos
12:26que essa flor
12:27lhe chega
12:28ao alma
12:29deles,
12:30que foram
12:30miles
12:30arrojados
12:31ao Rio de la Plata
12:32e ao mar
12:33argentino,
12:34mas,
12:35que nós seguimos
12:37buscando
12:37todos os dias
12:39de nossa vida.
12:51Minhas papas
12:52eram militantes
12:53do norte
12:54do nosso país,
12:55da província de Salta.
12:56Previo ao golpe
12:57militar,
12:59secuestran
12:59a minha avóla,
13:01a minha mãe,
13:02a minha mãe,
13:03a traen
13:03detenida
13:04a Buenos Aires
13:04e, a partir
13:05de ese momento,
13:06já meus pais
13:07não podem
13:08seguir
13:08em Salta,
13:10assim que
13:10vêm a Buenos Aires.
13:12Aqui nascido
13:12eu,
13:13com meus pais
13:14ainda
13:14em liberdade.
13:16A os 13 dias,
13:18a as duas semanas
13:19aproximadamente
13:20do meu nascimento,
13:21há um operativo
13:22em nossa casa
13:22a cargo
13:24de um coronel
13:24do ejército,
13:25o coronel
13:26Germán Tetzlaff,
13:27e, a partir
13:28de ese momento,
13:29meu papá,
13:30Roque Montenegro,
13:31que tinha 20 anos,
13:33minha mãe,
13:33Isla Torres,
13:34que tinha 18 anos,
13:35e eu,
13:35que tinha 13 dias,
13:37passamos até
13:37desaparecidos.
13:38Eu fui apropiada
13:40por o coronel Tetzlaff,
13:42creci,
13:43com quem,
13:44para mim,
13:44eram meus pais,
13:46Germán e Mari,
13:48durante 25 anos
13:49de minha vida,
13:49que foi o tempo
13:50que tardaron
13:50as abuelas
13:51da Plaza de Mayo
13:52en encontrarme,
13:53eu creci convencida
13:55de que era
13:55hija de sangue
13:56do matrimonio
13:56Tetzlaff,
13:58e, ademais,
13:59me haviam ensenado
13:59que non existían
14:00pessoas desaparecidas,
14:30as que,
14:31eu estava totalmente
14:31e disse a Tetzlaff
14:32que as abuelas
14:33estaban molestando,
14:34não entendia
14:35que era o que estava
14:35passando,
14:36sabia que havia
14:36umas abuelas,
14:38estavam na televisión,
14:40cada tanto salían,
14:40pero para mim
14:41eram umas viejas
14:42mentirosas.
14:43Passam muitos anos,
14:45até que por primeira vez
14:46essa causa
14:47que passou
14:47de um juiz
14:48a outro,
14:49a outro,
14:49a outro,
14:49a toma um juiz
14:50que me pide
14:51que dê sangue.
14:53Como para mim
14:54todo era mentira,
14:55fui a dar sangue
14:56como se fosse
14:57um trâmite administrativo,
14:58porque todo era mentira
14:59e os desaparecidos
15:00não existían.
15:01E aí me notifican,
15:03em primeiro lugar,
15:04que eu não era a filha,
15:05em primeiro momento,
15:06que eu não era a filha
15:06do matrimonio de Tetzlaff.
15:08Isto foi no ano 98.
15:09E no ano 2000
15:11me confirman
15:11que eu não era
15:12Maria Sol Tetzlaff-Eduarte,
15:13mas que na realidade
15:14era a vitória Montenegro.
15:19Para desaparecer
15:20com milhares de pessoas
15:21sem quase deixar pistas,
15:23o governo militar
15:24criou centros de prisão
15:26e tortura
15:26em todo o país.
15:28A quinta comissaria
15:30na cidade de La Plata
15:31foi um deles.
15:32Leonardo Fossati
15:33nasceu aqui.
15:41A quinta comissaria
15:45na cidade de La Plata
15:47onde funcionou
15:49um centro clandestino
15:50de detenção
15:51em anos de dictadura
15:53militar
15:54aqui na Argentina.
15:56Por aqui passaram
15:57mais de 300 pessoas
16:01detenidas
16:01de maneira clandestina,
16:03torturadas,
16:04homens,
16:05mulheres
16:05e meninos também.
16:06também mulheres
16:08embarazadas
16:09onde há
16:10testimonio
16:11de ao menos
16:12nove casos
16:13comprovados
16:14e ao menos
16:16dois nascimentos
16:17também comprovados.
16:19O caso meu
16:20e o caso de
16:24Baratti de La Cuadra.
16:25Ana Libertad
16:26também nasceu aqui.
16:28Assim que
16:29os calabozos
16:31se mantêm
16:32bastante
16:34fidedignos
16:35a o que foi
16:35em dictadura.
16:37Depois,
16:38aqui ao lado
16:39está o que funcionou
16:40a cocina,
16:42mas em dictadura
16:43todo este sector
16:45era um sector
16:45clandestino
16:46e esta cocina
16:48funcionou
16:50como uma
16:50maternidade
16:51clandestina.
16:52Em as celdas
16:53do fundo
16:55estavam as mulheres
16:56e em alguns casos
16:57as mulheres
16:57embarazadas
16:58que depois
16:59dos testemunhos
17:01nos juíços
17:02se deu conta
17:04e se pudo
17:04demonstrar
17:05na justicia
17:05argentina
17:06que houve
17:07um plan
17:08sistemático
17:09de roubo de bebês
17:10porque manteniam
17:11as mãos
17:11com vida
17:12somente
17:13para que
17:14podiam ter
17:15seus filhos
17:16depois
17:17esses filhos
17:17foram roubados
17:19entregados
17:20a outras
17:21famílias
17:21em muitos casos
17:23famílias
17:23de militares
17:24em outros casos
17:26os próprios
17:27assassinos
17:28de nossos pais
17:30e
17:31essas
17:31madres
17:32depois
17:32foram
17:32assassinadas
17:33e
17:35ao dia
17:35de hoje
17:35continuam
17:36desaparecidas.
17:38Aqui
17:38esta cocina
17:39era um pouco
17:41mais grande
17:41ao redor
17:43de um metro
17:43e meio
17:45abarcava
17:45onde estão
17:46os calabozos
17:47se modificou
17:49depois
17:50da dictadura
17:51em democracia
17:53e isso
17:53sabemos
17:54por os croquis
17:55dos sobreviventes
17:56e também
17:57por os rastros
17:58nos pisos
17:59e nas paredes.
18:00A minha mãe
18:01lhe contou
18:01a Adriana
18:01a Adriana
18:02lhe ajudou
18:03a minha mãe
18:03no trabalho
18:04de parto
18:04na celda
18:05quando a traen
18:07aqui
18:07ela conta
18:09que
18:09foi atada
18:10de pies
18:10e de manos
18:11mientras
18:12os policiais
18:14la insultaban
18:14e se burlaban
18:15de ela
18:16e nesses
18:17condições
18:17a minha mãe
18:19me atuou
18:19a mim
18:21depois
18:22nos
18:23trasladam
18:24aos dois
18:25ao
18:27calabozo
18:28junto
18:29a Adriana
18:31onde
18:32apenas
18:33estive
18:33um dia
18:34com ela
18:35e me sacan
18:37diciéndome
18:38que o coronel
18:38me queria
18:39conhecer
18:39e a partir
18:40de aí
18:41nunca mais
18:42volvi
18:44e a minha mãe
18:45ao pouco tempo
18:46lhe disseram
18:47que a mim
18:48me iban
18:48a entregar
18:49a minha família
18:51a minha família
18:52biológica
18:52coisa que nunca
18:53sucediu
18:55todo isto
18:56e todos
18:57estes detalhes
18:58a minha mãe
18:59se los contou
18:59a Adriana
19:00e a Adriana
19:00depois
19:01os pudo comentar
19:02nos diferentes
19:03juícios
19:05em 1983
19:07com a volta
19:08da democracia
19:09os argentinos
19:10elegeram
19:11um novo
19:11presidente
19:12Raul Alfonsin
19:13disposto a apurar
19:15os crimes
19:15da ditadura
19:16Alfonsin
19:17criou a
19:18Comissão Nacional
19:18sobre o Desaparecimento
19:20de Pessoas
19:21a CONADEP
19:22e estabeleceu
19:23a base
19:23para o julgamento
19:24das juntas militares
19:29em 1985
19:31a justiça argentina
19:33colocou
19:33os principais
19:34comandantes
19:35da ditadura
19:36no banco
19:36dos réus
19:39durante o julgamento
19:41foram ouvidas
19:41cerca de
19:42800 testemunhas
19:43uma delas
19:44foi Adriana Calvo
19:45presa
19:46grávida
19:47em 1977
19:48ela contou
19:55detalhes
19:56sobre o
19:56nascimento
19:56de Leonardo
19:57Fossati
19:58na quinta
19:58comissaria
19:59tenho que contar
20:00o parto
20:02de Inés Ortega
20:03Inés
20:04tenía
20:04en ese momento
20:0616 anos
20:07ou 17
20:08era por
20:09supuesto
20:10seu primeiro
20:10filho
20:10estava
20:11muito assustada
20:12eu que era
20:14a maior
20:15que já havia
20:16tenido
20:16dois filhos
20:18me encargué
20:20de estar
20:21com ela
20:21enquanto
20:22as demais
20:23pediam
20:24aos gritos
20:25ajuda
20:25muitas
20:27horas
20:27depois
20:27começou
20:28seu trabalho
20:28de parto
20:29por
20:29la
20:29mañana
20:29e vinieron
20:30a buscarla
20:30muito tarde
20:31à noite
20:32se
20:33la
20:33levaron
20:35ao quarto
20:36de ao lado
20:36o mesmo
20:36que usavam
20:37para torturar
20:38oíamos
20:39sus gritos
20:40oíamos
20:41as risas
20:41de
20:41os guardias
20:42oíamos
20:43os gritos
20:44do médico
20:44e por
20:46fin
20:46oímos
20:46oímos
20:47o llanto
20:47do bebé
20:48había
20:49nacido
20:49um
20:50varão
20:50oímos
21:00e
21:01oímos
21:02oímos
21:05oímos
21:06oímos
21:07e os tem como muito internalizados.
21:13O primeiro dia que iriam os militares,
21:15que não foi o primeiro dia do juízo,
21:17mas, acho que no mês de setembro,
21:22havíamos armado o que se chama em periodismo um pool,
21:25ou seja, que só podia estar um fotógrafo.
21:27E, bom, o fato de que eu pudesse conseguir
21:32uma reunião com Arlañá para convencerlo
21:34de que tivesse fotógrafos,
21:35porque a Câmara Federal não queria que tivesse fotógrafos,
21:40queria que isso passasse o mais desapercebido possível,
21:43e fez que eu escolhiera que dias ir.
21:45Então, me tocou esse dia,
21:49e havia uma porta,
21:51por a qual iam entraram esses monstros,
21:55esses assassinos,
21:56esses tipos a que eu havia temido toda a minha vida,
22:00esses tipos que haviam desaparecido,
22:02companheiros meus, do colegio.
22:06E o recuerdo com absoluta,
22:10ainda como me temblaban as mãos,
22:13não decidia que optica ponerle a Câmara,
22:18o clima era terrible,
22:21ou seja,
22:22um ano e meio da recuperação da democracia,
22:25se iam sentar no banquillo dos acusados,
22:27os que haviam sido amos e senhores deste país.
22:31Recuerdo que se abriu a porta e eu comecei a chorar.
22:35Era como o antifotógrafo,
22:37no ano 85,
22:38eu fazia seis anos que trabalhava,
22:40era editor de notícias argentinas,
22:42era...
22:43Eu me lembro como talvez o meu momento menos profissional,
22:50mas mais emotivo,
22:53e, por suerte,
22:55pude fazer algumas fotos,
22:56e...
22:58e...
22:59e...
22:59e...
22:59e...
22:59e...
22:59e...
22:59que...
23:00que...
23:00que...
23:00bueno,
23:00además,
23:01essa foto,
23:02de alguma maneira,
23:02foi a tapa de muchísimos diários do mundo,
23:04porque...
23:05o juicio não era solamente seguido na Argentina,
23:08sino que...
23:09creo...
23:10que se de algo podemos estar orgullosos,
23:12os argentinos,
23:13é de haver levado o juicio
23:14a...
23:15a la dictadura militar.
23:18Em outro momento de seu depoimento,
23:20Adriana Calvo comoveu a opinião pública
23:23ao contar como foi o nascimento de sua filha Teresa.
23:27Mi trabajo de parto
23:30comenzó alrededor de las 7, 8 de la noche, supongo.
23:33Yo ya estaba prácticamente con...
23:36con contracciones de parto.
23:38Llegó un auto, un patrullero,
23:40me subieron al auto
23:41y salimos de la comisaría quinta.
23:44Yo iba acostada en el auto,
23:46os olhos vendados
23:47e com as mãos atadas atrás.
23:49Me dediqué
23:50absolutamente todo o tempo
23:52que durou o viaje
23:53a dizerles que eu me iba na liberdade,
23:55que a mi me habían dicho que me largaban,
23:57que me levaram a un hospital.
23:58Por fim,
24:00iba o auto a toda velocidade
24:01e eu les gritei
24:02já nasce, já nasce,
24:04eu não aguanto mais.
24:05E, efectivamente,
24:07nació.
24:08Nació mi beba.
24:10Mi beba
24:12nació bem.
24:14quedou colgando
24:15del cordón.
24:17Se caiu
24:18del asiento.
24:20Estaba
24:20en el piso.
24:22Eu le pedía
24:22por favor
24:23que me la alcancen,
24:24que me la dejen
24:25tener conmigo.
24:26no me la alcanzaron.
24:29Señor presidente,
24:31ese día hice la promesa
24:32que si mi beba vivía
24:33y yo vivía.
24:35Iba a luchar
24:36todo el resto de mis días
24:37porque se hiciera justicia.
24:42silencio en la sala.
24:44Silencio.
24:47El julgamiento
24:48de las juntas militares
24:49se tornó
24:50un marco mundial.
24:52El general Videla
24:53y el almirante Maceira
24:55fueron condenados
24:56a prisión perpétua.
25:14A bebé de Adriana
25:16sobreviveu.
25:17Teresa
25:17passou os primeiros dias
25:18de vida aqui
25:19no Pozo de Banfield,
25:21um antigo centro
25:21de detención,
25:23tortura
25:23e extermínio.
25:31Bueno,
25:31se supone
25:32que entramos por acá
25:33con el auto.
25:36Había
25:36tres personas
25:37en el auto,
25:38más mi mamá
25:39y yo en el piso.
25:47Mi mamá
25:48siempre decía
25:49que escuchaba
25:49un portón horrible
25:50y bueno,
25:51era ese
25:52y hace mucho ruido.
25:54Feo.
25:54Cada vez que entraban
25:55los autos
25:56entraban por acá
25:56y que estacionaron acá
25:58abrieron las cuatro puertas
26:00era ya de noche
26:02o estaba oscureciendo
26:03y se fueron
26:05y nos dejaron ahí.
26:07Llegó a contar
26:08dos horas
26:08más o menos
26:09y después ya dejó
26:10de contar.
26:11Estaba muerta de frío
26:12porque tenía
26:13un camisón
26:14y nada más
26:14y yo estaba
26:15desnuda completamente
26:17y la dejaron
26:18con las manos
26:18atadas
26:19está ubicada.
26:21Quién sabe,
26:22no sé,
26:22por ahí fueron
26:23dos, tres,
26:23nunca supe
26:24mi hora de nacimiento
26:25así que no tengo
26:26carta astral.
26:28No sé,
26:29ay,
26:30mirá.
26:32Claro.
26:35Bueno,
26:36acá traían siempre
26:37a las embarazadas
26:39cuando estaban
26:39por parir
26:40a veces,
26:41otras veces
26:41no,
26:42no llegaban a tiempo
26:43y los tenían arriba
26:44en los calabozos
26:45todos mugrientos
26:47o en el pasillo
26:51pero si llegaban
26:52venían acá
26:53y lo que sí venían acá
26:54que les saquen
26:55la placenta
26:56que venía
26:56el doctor Vergés
26:58a mi mamá
26:59y la práctica
27:00era se la sacaba
27:01a golpes
27:01y después de desnuda
27:03tenía que limpiar
27:04toda la sangre
27:05todo lo que
27:06había ensuciado
27:07en el parto
27:08pero de todas
27:09a todas estas mujeres
27:10les robaron los bebés
27:12y todavía
27:13al día de hoy
27:13no sabemos dónde están
27:14excepto
27:15el de Cristina Navajas
27:18que apareció hace poco
27:20ya va a ser un año
27:21que es el nieto 133
27:24las tenían así
27:26hacinadas
27:27no había ventilación
27:29esta ventilación
27:30es nueva
27:31se hizo después
27:32cuando
27:32pasó a acercarse
27:34el común
27:36no estaba este banco
27:38era todo
27:39piso
27:39y acá es donde
27:41se turnaban
27:41para dormir
27:42y mi mamá
27:43las dos
27:44pasábamos
27:45como de
27:46calabozo
27:47en calabozo
27:47dormíamos
27:49o pasábamos
27:50horas
27:50tiempo
27:52con cada uno
27:53de los grupitos
27:55y entonces
27:55como estaba
27:56todo abierto
27:57ya
27:57y estábamos
27:58a punto
27:58de tirar
27:58la pastilla
27:59le dicen
28:00dame a la nena
28:02dame a la piba
28:03y mi mamá
28:04se va para atrás
28:05y dice
28:05no te la doy
28:06y las subversivas
28:08aprovechan
28:09que estaba
28:09todo abierto
28:10y las empiezan
28:11a sacar
28:11a todas
28:11y entonces
28:13acumulan
28:13todas acá
28:14y dice mi mamá
28:16que eran
28:16un montón
28:17que para
28:18llevarme
28:19tenían que matar
28:20a todas
28:20que dejaron
28:21a los militares
28:21así como
28:22bueno
28:23no me la das
28:24tiro la pastilla
28:24de gamexán
28:25igual
28:25y la tiraron
28:27acá
28:27y cerraron
28:27la puerta
28:29pero llegaron
28:30a meterse
28:30las mujeres
28:31que entraban
28:32y entonces
28:34se respiraron
28:35todas
28:36el gamexán
28:36y a mí
28:37me dejaron
28:37como un poquito
28:39de oxígeno
28:40hicieron como
28:41cuerpo a cuerpo
28:41para
28:42no sé
28:42no creo que hubiera
28:44sobrevivido
28:44sino que fuera
28:45por ellas
28:54las personas
28:55que vienen acá
28:56vienen a encontrarse
28:57con estos lugares
28:58así
28:59fríos
29:00lúgubres
29:01horribles
29:01donde pasaron
29:02cosas espantosas
29:04y me gusta
29:04que se mantenga
29:05así
29:05que se los respete
29:07como lugar
29:07de memoria
29:09siento que
29:10que hay que
29:12dejarlo con esta
29:13energía
29:14respetarlo
29:15porque vos
29:16entrás ahí
29:17y se te pone
29:18la piel de gallina
29:19y no hay
29:20que lavar eso
29:21por eso
29:22es un sitio
29:23de memoria
29:23para que vos
29:24puedas percibir
29:27no lo que sintieron
29:28no lo vamos
29:29a sentir nunca
29:29pero
29:30lo que significó
29:31estar en estas
29:32condiciones
29:33de cautiverio
29:34no hay que
29:35lavarles la cara
30:03los primeros años
30:06se un gobierno
30:07aprovó
30:08leyes
30:08que suspender
30:09los julgamientos
30:10de oficiais
30:10militares
30:11subalternos
30:12en el gobierno
30:13siguiente
30:14los líderes
30:15de las juntas
30:15militares
30:16serían
30:17perdidos
30:17y libertados
30:19inconformados
30:20inconformados
30:20con impunidad
30:21milhares
30:22de argentinos
30:23tomaron
30:23las ruas
30:24un grupo
30:26de estudiantes
30:26decidió
30:27usar
30:27la arte
30:28como forma
30:29de protesto
30:30por el fin
30:30de los julgamientos
30:31es un grupo
30:33que ya lo atraviesa
30:34todas las denuncias
30:36que tienen que ver
30:36con la educación
30:39con lo público
30:41con el trabajo
30:42en la calle
30:43querer acercar
30:44problemáticas
30:45sociales
30:46políticas
30:47al ámbito
30:48de la calle
30:49y luego
30:50en el año
30:501998
30:51en enero
30:52empezamos a denunciar
30:54queríamos denunciar
30:55los ex centros
30:56clandestinos
30:56de detención
30:57tortura
30:57y exterminio
30:58entonces decidimos
31:00que había que señalizar
31:02esos espacios
31:03y ahí es que
31:04nos juntamos
31:05con la agrupación
31:06hijos
31:06para trabajar
31:08e intervenir
31:09con señalética
31:10vial
31:10en los escraches
31:11con la denuncia
31:12de juicio y castigo
31:16los julgamientos
31:18serían retomados
31:19casi 20 años
31:20después
31:20el general
31:22Videla
31:23voltó
31:23al banco
31:24de los reos
31:24desta vez
31:25él fue condenado
31:26pelo plano sistemático
31:28de roubo
31:28de bebés
31:29y morrió
31:30en la prisión
31:31Vitória Montenegro
31:32testemunhou
31:33contra su
31:34sequestrador
31:35el coronel
31:35Hermann Tetzlaff
31:37fue condenado
31:38a 8 años
31:38de prisión
31:39y bueno
31:40ahí me cuenta
31:41me cuenta
31:44del operativo
31:45¿qué le contó
31:46de eso?
31:48que entró
31:49no
31:51que
31:53que
31:53que bueno
31:54que es el que
31:55el que mata
31:56a mis padres
31:59¿quién quiere
32:00descansar un poco?
32:08bueno
32:08reconoce
32:09que mató
32:09a mis papás
32:09digamos
32:10él
32:11nunca me pide
32:12perdón
32:12por lo que hizo
32:13él
32:14me decía
32:15que me habían salvado
32:15la vida
32:17que
32:18eso era un
32:19acto de amor
32:20es más
32:20yo misma
32:21se lo decía
32:22le decía
32:23bueno
32:23pero es un acto
32:24de amor
32:24criar al hijo
32:25de quien te pudo
32:26haber sacado
32:27la vida
32:43después de assumir
32:45sua verdadera identidad
32:46Vitória se tornou
32:47deputada
32:48na legislatura
32:49da cidade
32:49de Buenos Aires
32:50y tiene sido
32:51una de las voces
32:52importantes
32:53en las cuestiones
32:53ligadas
32:54a los derechos humanos
32:55y memoria
32:56en Argentina
33:02todo lo que estaba mal
33:04en la vida de María Sol
33:05que era yo
33:06cuando estaba apropiada
33:06tenía que ver
33:07con la política
33:08entonces mi primer paso
33:10de compromiso
33:11fue con las abuelas
33:12de Plaza de Mayo
33:13y después
33:15pude
33:15a partir de asumir
33:17mi historia
33:17entender que mis padres
33:19eran militantes políticos
33:20que su desaparición
33:21también fue política
33:22y decidir
33:23abrazar la política
33:24como una forma
33:26de encontrarme
33:26con ellos
33:27pero también
33:28de poder seguir
33:29luchando
33:29por los mismos sueños
33:31que ellos tenían
33:57en el año 2005
34:00yo hacía poquito
34:01había empezado
34:02a trabajar como maestra
34:03tenía mi hijo
34:04que ahora tiene 20
34:05en ese momento
34:06tenía un año y medio
34:07y fue la primera
34:10la primera pregunta
34:11que me viene
34:12en relación a
34:13bueno
34:13qué pasó en esos años
34:15y qué tiene que ver
34:16esto conmigo
34:18ahí empiezo
34:19como a historizar
34:20esto de que bueno
34:21yo nací en dictadura
34:22que hasta ese momento
34:23no lo había puesto
34:24como en una línea
34:25cronológica
34:26es pensar
34:27bueno
34:28hay un error
34:29se equivocaron
34:30no puede ser
34:31mi papá
34:32esa persona
34:34y en esa línea
34:35yo lo iba a visitar
34:36a mi papá
34:37lloraba
34:38entendiendo que
34:39era una situación
34:40muy injusta
34:41que él esté preso
34:42y sin poder
34:44siquiera
34:44cuestionar algo
34:46o poner en duda
34:47algo de esta imagen
34:48de padre
34:49o sea
34:50se me representa
34:50mi papá
34:51nosotros éramos chiquitas
34:52él ya había
34:53torturado
34:54secuestrado
34:55nosotros
34:57en ese momento
34:58o por lo menos
34:59yo ignoraba
35:00esa
35:02disociación
35:02de mi papá
35:03como un papá
35:05que está con sus hijas
35:06que va de vacaciones
35:07que va a pescar
35:08a la playa
35:09en su
35:10pensamiento
35:11más íntimo
35:12estos momentos
35:13de encuentro
35:13de felicidad familiar
35:16con toda esa carga
35:18también
35:18de haber torturado
35:19gente
35:20secuestrado
35:21desaparecido
35:21es una
35:23una gran pregunta
35:24que me hago
35:25como puede
35:27la mente
35:28de un ser humano
35:30coexistir
35:31en esos dos mundos
35:32un mundo familiar
35:33afectivo
35:34de cariño
35:35de
35:36este
35:38de encuentro
35:39de familia
35:40con ese otro mundo
35:41de
35:41de la tortura
35:43del dolor
35:44de la oscuridad
35:45de la crueldad
35:47es algo
35:48que no
35:50que no me explico
35:52el juicio
35:53me fue
35:54dando
35:55las herramientas
35:56y
35:56y las evidencias
35:57¿no?
35:58para
35:58para entender
35:59quién era
36:00quién es realmente
36:01mi papá
36:05esta carta
36:06bueno
36:06me la escribe
36:07mi papá
36:08dice
36:09te pido
36:09que me entiendas
36:10y que me perdones
36:12por algún grito
36:13o rezongo
36:13o reto
36:14que te haga
36:15muchas veces
36:16el amor
36:17y más el amor
36:18de padre a hija
36:19por lo intenso
36:20es egoísta
36:22siempre uno
36:23quiere la perfección
36:24y lo mejor
36:25para quien ama
36:25y por eso
36:27sin darse cuenta
36:28caen los excesos
36:30o la injusticia
36:32pero te digo
36:33de corazón
36:33que te quiero
36:34con toda mi alma
36:35a vos
36:36y a tus hermanas
36:36pero intuyo
36:38que vas a saber
36:39valorar
36:40en su justa dimensión
36:41lo que ahora
36:42te escribo
36:44nuevamente
36:44te pido perdón
36:45por no haberte dado
36:46mi carta ayer
36:47si haces memoria
36:49te vas a dar cuenta
36:51que estaba
36:52con un malánimo
36:53te quiero muchísimo
36:56papi
36:57o pai de Analia
37:02fue condenado
37:03a prisión perpétua
37:04por crimes
37:05contra la humanidad
37:06ella registró
37:07su historia
37:08en un libro
37:09donde está
37:10mi papá
37:11en la cárcel
37:13por torturar
37:14por secuestrar
37:16por desaparecer
37:17por represor
37:19sus crímenes
37:21lesionan
37:21a toda la humanidad
37:22no piensa
37:24en la humanidad
37:25en el ser humano
37:26en las madres
37:27que buscan
37:28sus hijos
37:28en las abuelas
37:29que buscan
37:30sus nietos
37:31no piensa
37:32en sus hijas
37:32en sus nietos
37:34en qué pensaba
37:35mi papá
37:35cuando torturaba
37:37pensaba en serio
37:38que la patria
37:39se defendía
37:40en centros clandestinos
37:41piensa que la patria
37:43se defiende
37:43secuestrando
37:44y torturando
37:46ocultando la verdad
37:47se defiende la patria
37:50sigue pensando
37:51que hay que eliminar
37:52al que piensa distinto
37:53si
37:54por eso me quiere eliminar
37:56de la familia
37:57declararme indigna
37:59desheredarme
38:00puede mi papá
38:02desheredarme
38:02de los recuerdos
38:03me puede desheredar
38:05de esta historia
38:06de la vergüenza
38:07de la tristeza
38:17Néstor Kirchner
38:18llegó a presidência
38:19en 2003
38:20y se unió
38:21a los grupos
38:21de derechos humanos
38:22para implementar
38:23políticas públicas
38:24de reparación
38:25y memoria
38:26en toda Argentina
38:31antigas prisiones
38:32clandestinas
38:33fueron transformadas
38:34en espaços
38:34de memoria
38:35y educación
38:35como la ex-ESMA
38:39la ex-ESMA
38:40fue uno de los
38:41más de 500
38:42centros clandestinos
38:43que funcionaron
38:44en el país
38:44este es emblemático
38:47es conocido
38:47por sus características
38:48que está instalado
38:50en la ciudad
38:51de Buenos Aires
38:52a la vista
38:53en un batallón naval
38:55y sabemos que por aquí
38:58pasaron
38:595.000
39:01hombres y mujeres
39:03de las cuales
39:04sobrevivieron
39:06es decir
39:06que pudieron salir
39:07con vida
39:08y que hablaron
39:09alrededor de 200
39:11220 personas
39:12la mayoría
39:14de los detenidos
39:15y detenidas
39:15desaparecidas
39:16fueron hombres
39:17y mujeres
39:18de actividad política
39:19de militancia política
39:20en distintas organizaciones
39:22pero también
39:23hubo estudiantes
39:24sindicalistas
39:25activistas sociales
39:27profesionales
39:29artistas
39:49el edificio tiene casi
39:515.000 metros cuadrados
39:52es prueba judicial
39:54es decir
39:55que todavía
39:56es un lugar
39:57donde se utiliza
39:59esa prueba
39:59en los juicios
40:00para detener
40:01a militares
40:02digamos
40:03y probar
40:05que ahí
40:05existió
40:06un centro clandestino
40:11el proyecto
40:12museológico
40:13viró
40:14se mutó
40:15cambió
40:16tantas veces
40:17fue necesario
40:18hasta llegar
40:18a esos consensos
40:19digamos
40:20nosotros tuvimos
40:21un primer proyecto
40:22que después
40:23fuimos escuchando
40:24distintas opiniones
40:26y fue cambiando
40:27en función
40:28de lo que nos decían
40:30estas fotos
40:31en el proyecto inicial
40:32estaban adentro
40:33del museo
40:35y en una de estas
40:36reuniones
40:37con las madres
40:37de Plaza de Mayo
40:38Vera Jarach
40:39madre de Plaza de Mayo
40:41me dijo
40:42Alejandra
40:43yo no voy a permitir
40:44nunca
40:45que la foto
40:45de mi hija
40:46esté adentro
40:47del museo
40:48no quiero
40:49el recuerdo
40:49de ella
40:50en el lugar
40:51donde la humillaron
40:52donde la torturaron
40:54donde la secuestraron
40:55donde la desaparecieron
40:56y como es la sabiduría
40:58porque
41:00eso nos obligó
41:02a repensar
41:03en donde
41:04poner las fotos
41:05y
41:05finalmente
41:06se logró
41:07esta
41:09esta capa
41:10de vidrio
41:10que no está
41:11dentro del museo
41:13y es la que nos recibe
41:14cuando entramos nosotros
41:15que son ellos
41:16y ellas
41:17a quienes recordamos
41:18y lo que nosotros
41:20contemos ahí
41:21tiene que ser
41:22a través
41:22de las voces
41:24de las personas
41:25que estuvieron ahí
41:26que son los sobrevivientes
41:27hombres y mujeres
41:28que pasaron por ahí
41:29días
41:30meses
41:30años
41:31y que dieron
41:32su testimonio
41:33en las causas judiciales
41:35yo decía
41:36este lugar
41:36tiene que ser
41:38cómodo
41:39para el incómodo
41:40e incómodo
41:41para el cómodo
41:42como que tiene que jugar
41:43un doble
41:45sentido
41:46porque
41:46es un lugar
41:47donde se cometieron
42:17delitos
42:46a las margen
42:49novedad
42:49para el modo
42:50en que se abordaban
42:51este tipo de proyectos
42:52en el país
42:53y fue interesante
42:54porque a raíz
42:55de esta conjunción
42:57de arte y memoria
42:58este sitio
42:59de alguna manera
42:59fue el que dio
43:00el puntapié inicial
43:01para un debate
43:03bastante interesante
43:04sobre
43:05la pertinencia
43:06del arte
43:07en cuestiones
43:08de memoria
43:09relacionadas
43:09con el terrorismo
43:10de Estado
43:15esta obra
43:16que tenemos aquí
43:17es una obra
43:17de una artista argentina
43:19llamada
43:19Claudia Fontes
43:20y Claudia
43:21en este caso
43:22decidió
43:23no trabajar
43:24sobre
43:24una cuestión
43:26general
43:27digamos
43:27sobre una alegoría
43:28general
43:29del horror
43:29o de lo que sucedió
43:31sino
43:32basarse
43:33en un caso puntual
43:34y esta pieza
43:36está basada
43:37sobre el caso
43:37de Pablo Míguez
43:38Pablo Míguez
43:39fue un adolescente
43:40de 14 años
43:41hijo
43:42de una militante
43:44que fue desaparecido
43:46junto con su madre
43:47fue secuestrado
43:48y mantenido
43:50en cautiverio
43:50durante mucho tiempo
43:52con su madre
43:52y luego fue desaparecido
44:01la idea
44:02que teníamos clara
44:03es que había
44:04que recordar
44:05hacer recordar
44:08el tema
44:09era
44:10la memoria
44:11se pensó
44:12en un memorial
44:13y esto es
44:15un memorial
44:16desde el principio
44:18tuvimos
44:18una idea
44:19que todos
44:20compartíamos
44:21y es
44:22tratar
44:22por
44:23la presencia
44:25de los nombres
44:26ante todo
44:27o sea
44:28el monumento
44:30de dar nombres
44:31a los que no tienen
44:32tumbas
44:34¿por qué
44:35por qué
44:35los nombres?
44:36¿por qué
44:36si una
44:37si
44:39¿cuál fue la intención
44:41de la dictadura?
44:43borrar
44:43borrar todo
44:45borrar los rastros
44:47o sea
44:48tumbas
44:49NN
44:49las muertes
44:52de los vuelos
44:52de la muerte
44:53es borrar
44:54borrar los cuerpos
44:55pero también
44:57borrar los recuerdos
44:58borrar los nombres
44:59borrar todo
45:05necesitamos
45:06nunca más
45:07el silencio
45:08es no estarse quietos
45:09es decir
45:10es denunciar
45:12y con eso
45:14hay
45:15sigo diciéndolo
45:16no hay una garantía
45:18pero sí
45:18una esperanza
45:23antes de los tribunales
45:25cuando finalmente
45:27me tocó acá
45:28que fue la cosa
45:28más importante
45:31me preguntaron
45:32¿cómo se llamaba
45:33su hija?
45:34y yo dije
45:35no se llamaba
45:36se llama
45:37se sigue llamando
45:38Franca
45:47o péndulo
45:48da historia
45:48más una vez
45:49se mueve
45:50en Argentina
45:51un nuevo gobierno
45:52llega al poder
45:53y ameaça
45:54lo que fue construido
45:55en la busca
45:55por la verdad
45:56memoria
45:57y justicia
46:01más de 40 años
46:02después
46:03de la primera ronda
46:04yo reencontro
46:05las mías
46:05y avós
46:06en la misma
46:07praza
46:16la experiencia argentina
46:18es muy
46:19pregnante
46:20es muy
46:21importante
46:22en el mundo
46:22porque
46:23muy pocos países
46:25al poco tiempo
46:27de terminar
46:28la dictadura
46:28hacen una comisión
46:30de la verdad
46:30al año
46:32al año
46:32un juicio
46:33a las juntas
46:34digamos
46:35y es un tema
46:35que estuvo presente
46:37durante 40 años
46:38en la Argentina
46:39donde hay organismos
46:42de derechos humanos
46:43tan importantes
46:45como madres
46:45y abuelas
46:46donde creímos
46:48que el tema
46:49de los derechos humanos
46:50y la memoria
46:51ya era parte
46:52del ADN
46:53de la sociedad argentina
46:54de que vino
46:55para quedarse
46:56y que de verdad
46:58el nunca más
46:59era el nunca más
47:06varias veces digo
47:07esto
47:08que restituir
47:09la identidad
47:10de una persona
47:11también es restituir
47:13un pedazo
47:14de la identidad
47:14del país entero
47:15porque
47:17los robos
47:18de personas
47:21es un crimen
47:22de lesa humanidad
47:23que no prescribe
47:24y que lesiona
47:26a la humanidad entera
47:28en este caso
47:29también a un país
47:30que vivió
47:31en carne propia
47:32estos crímenes
47:33entonces
47:33Argentina
47:34todavía se sigue
47:35recuperando
47:36de esta
47:36última dictadura
47:38cívico-militar
47:53Nuestro país
47:54particularmente
47:55la Argentina
47:56en este proceso
47:57de justicia
47:58tiene una herramienta
48:00muy fuerte
48:00no es hipotético
48:01no está
48:02sujeto a libertad
48:04de interpretación
48:05hay sentencias
48:06hay pruebas reales
48:08hay condenas
48:09los genocidas
48:09en nuestro país
48:10mueren condenados
48:11muchos
48:12y muchos
48:13hoy están condenados
48:14en cárceles comunes
48:15por ser responsables
48:16de delitos
48:17de lesa humanidad
48:18y fueron juzgados
48:20por tribunales
48:20ordinarios
48:21y siguen siendo juzgados
48:23al día de hoy
48:24y seguimos encontrando
48:25restos desaparecidos
48:26y seguimos encontrando
48:28nietos
48:28entonces la memoria
48:29tiene sentido
48:30lo que tenemos que hacer
48:32es multiplicarla
48:33para que efectivamente
48:34sea un anticuerpo
48:35en este tiempo
48:43lo que nosotros
48:44no es la tarea principal
48:46aparte de la deudad
48:47y la justicia
48:48tenemos
48:48y la tienen
48:49muchas personas
48:50junto con nosotros
48:51es construir
48:54una memoria colectiva
48:55para que nunca más
48:56vuelva a pasar
48:57y de esa manera
48:58consolidar la democracia
49:00y demostrar
49:01esa democracia
49:02que es
49:05sistema de convivencia
49:06mejor
49:07que los hombres
49:08hemos encontrado
49:09hasta ahora
49:09que quizás no sea perfecta
49:11pero puede ser
49:12siempre perfectible
49:13necesita que los ciudadanos
49:15participen
49:17y cuando ven síntomas
49:19de que pueden repetirse
49:21las cosas
49:22que la historia
49:22nos enseña
49:23que muchas veces
49:25la historia
49:26de cosas trágicas
49:27se repite
49:29a la nativo
49:30y tratan de pitar
49:32a la nativo
50:02Amém.
50:33Amém.
51:06Amém.
Comentários