- há 2 meses
Complicações causadas por perfuração intestinal podem levar a quadros graves em poucas horas; cirurgião capixaba explica quando a dor no umbigo exige ida imediata ao hospital.
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NotíciasTranscrição
00:00Gente, olha só, uma dor abdominal que pode parecer algo simples, em alguns casos pode esconder um problema grave e
00:08que exige atendimento imediato.
00:11Apendicite, que é uma das principais causas de cirurgia de urgência e emergência.
00:18Você certamente já conhece alguém que teve algum problema aí no apêndice, de repente na sua casa.
00:23Esse assunto voltou a chamar atenção depois da morte da cantora Bonnie Tyler, que teve complicações provocadas por um apêndice.
00:32Foi um caso gravíssimo, o caso dela a gente já vai entender, teve até perfuração intestinal.
00:38Mas afinal, quais são os sinais de alerta?
00:42Todo apendicite precisa de cirurgia quando a pessoa entra em crise, que inflama.
00:47Será que existe alguma forma da gente evitar essas complicações?
00:52E vamos entender hoje, afinal, pra que que serve o bendito do apêndice?
00:57Tem esse mito de que não serve pra nada, por isso que a gente pode retirar.
01:01Vamos conversar com quem entende do assunto e com quem já passou também por esse sufoco.
01:06Deixa eu tomar um café aqui com o doutor Diego Caldas, que é médico cirurgião geral do Hospital Meridional.
01:13Bem-vindo, doutor.
01:14Bom dia.
01:14Bom dia.
01:15E vamos conversar também com a Júlia Loureiro.
01:18Júlia, bem-vinda.
01:19Bom dia.
01:20Bom dia.
01:20Conta pra gente, minha amiga.
01:23Você passou um sufoco aí, foi pega de surpresa com uma crise de apendicite.
01:27Como é que foi isso?
01:29Ai, foi bem assustador, assim, né, inicialmente.
01:34Tive alguns sintomas ali.
01:35Eu não senti dor, mas eu senti um cansaço excessivo, uma falta de apetite.
01:41Tive um episódio de vômito e aquilo ali foi durante a Páscoa, então também era uma situação que era pra
01:49ser uma celebração e acabou se tornando um pesadelo ali, né?
01:53Então, quando meu marido me viu ali passando por aquela situação, já muito fraca, sem me alimentar durante mais de
02:0024 horas, ele olhou pra mim e falou, não, isso não tá certo, vamos pro hospital.
02:06Olha.
02:06E aí, chegando ao hospital, quando eu recebi o diagnóstico, a gente até estranhou, assim, se olhou e no fim
02:15das contas era aquilo mesmo e eu tive que passar pela cirurgia no dia seguinte.
02:19Olha, você chegou a fazer algum exame de imagem?
02:21Sim, se lembra?
02:22Fiz, eu fiz um exame de sangue, mas o que constatou mesmo foi o exame de toque, né, que a
02:29médica fez em mim e ela falou, olha, tudo indica um apendicite e aí ela me encaminhou pro exame de
02:35sangue e uma tomografia pra confirmar com a imagem.
02:38E isso tudo, você tava com um bebezinho de quatro meses em casa, né?
02:41Olha só, que sufoco.
02:43Você não chegou até, que tem gente que relata, né, doutor, uma crise assim, dizem que é uma dor, que
02:48a pessoa, tem gente que até desmaia, você não chegou nesse nível.
02:51Não, e por isso até quando a médica disse, né, que seria uma apendicite, a gente ficou até meio assustado,
02:59assim, mas como se todo mundo relata uma dor que eu não senti?
03:03E aí que a gente foi entender quando a gente caiu a ficha, né, quando a gente viu a imagem
03:08que realmente seria e teria que ir pra cirurgia, mas também não teve muito tempo de reação, porque é uma
03:13cirurgia que precisou.
03:14Porque é bem rápido.
03:15Meu caso foi parecido com o seu, eu comecei a mancar, eu tava com tanta dor abdominal que de um
03:19lado eu comecei a mancar.
03:20Eu falei, gente, tem alguma coisa estranha.
03:23E aí do lado direito, exatamente, aí tive que operar também no dia seguinte.
03:27Doutor, como é que é essa história?
03:29Então, são cada um, cada corpo reage de um jeito, né?
03:32A gente vê pessoas com crises fortíssimas e crises leves, assim como a gente teve.
03:36Mas precisamos de cirurgia.
03:38Sim, geralmente o paciente vai apresentar um quadro de uma dor,
03:43costuma ser bem localizada na região do umbigo, que pode, que vai indo pra parte baixa do abdômen do lado
03:49direito.
03:50E que geralmente é dessa forma associada a náusea ou vômito.
03:54Isso.
03:55Mas não são todos os pacientes que vão apresentar dessa forma.
03:58Geralmente a metade dos pacientes tem esses sintomas mais clássicos.
04:01Alguns pacientes podem apresentar outros sintomas.
04:04No caso da Júlia, que ela não teve dor.
04:07Mas, por exemplo, alguns vão ter perda de apetite, outros vão ter algumas coisas diferentes.
04:12Mas no clássico é uma dor na parte do umbigo que vai pra baixo do abdômen do lado direito.
04:18O que que é a tal do apendicite? O que que acontece com esse bendito dá problema?
04:23Então, o apendicite é basicamente a inflamação do apêndice secal.
04:27O apêndice secal é um órgão pequenininho que fica na base do intestino grosso, logo no seu início.
04:32Não tem muita função básica dele, que a gente brinca que é inflamar, né?
04:38Não serve pra nada.
04:38Não serve pra nada, só pra inflamar.
04:40Mas ele funciona como um reservatório de bactérias benéficas do intestino.
04:45A gente consegue viver sem, mas basicamente é essa a função dele.
04:49Agora, no caso da cantora, né?
04:52O que a imprensa divulgou aí foi pra um caso bem extremo, gravíssimo, perfuração intestinal.
05:00Como é que a pessoa pode chegar nesse caminho?
05:02Será que houve uma demora?
05:04Em que casos que pode evoluir pra um quadro tão grave assim, doutor?
05:08Geralmente é a demora do diagnóstico.
05:12Mas, obviamente, tem paciente que pode chegar no primeiro dia de dor e já ter um quadro
05:16mais avançado.
05:17Mas, geralmente, é o tempo de demora entre o diagnóstico e a ida no hospital.
05:24Que aí pode avançar pra um quadro mais avançado, que é a perfuração.
05:28E é muito rápido isso?
05:30A gente tá falando de dias, de horas?
05:32Varia de paciente pra paciente, mas pode ser de alguns dias até horas.
05:37De horas a alguns dias, né?
05:38E quando a gente fala das cirurgias agora, né?
05:41Pra resolver a pentecite, a gente tá falando de cirurgia de vídeo.
05:44Sim.
05:44Mais tranquila, mas nem sempre foi assim, né?
05:46Não, não.
05:47Antigamente era cirurgia aberta, que era um pequeno corte, uns 3 a 5 centímetros na
05:51região do apêndice e retirada.
05:53Hoje é feito basicamente...
05:55O padrão é pela cirurgia de vídeo, né?
05:57São 3 pequenos cortes de 1 centímetro na região do abdômen.
06:01Louca.
06:02Perfeito.
06:02Agora, quando a gente retira esse apêndice, e eu não tenho, a Júlia também, também,
06:07não faz falta nenhuma, né?
06:09Não, não faz falta nenhuma.
06:10Depois da cirurgia...
06:11Vida que segue normal.
06:13Sem alteração nenhuma, não tem restrição de alimentação, não tem risco nenhum de
06:20ausência do apêndice.
06:21Perfeito.
06:22A dor, você falou, começa do lado direito, né?
06:24Comigo aconteceu também a mesma coisa.
06:26Mas pode se manifestar com outro tipo de dor abdominal, assim, doutor?
06:31Em casos mais avançados, no caso igual da cantora que teve a perfuração, que aí vai
06:36virar uma infecção mais generalizada na cavidade do abdômen.
06:40Aí pode ter uma dor um pouco mais difusa, mais inespecífica.
06:45Mas no padrão, no clássico, é uma dor mais localizada nessa parte baixa do abdômen.
06:51E a pessoa que tiver, que esse apêndice inflamasse, necessariamente, vai passar por uma cirurgia
06:57ou existe algum jeito da gente reverter esse quadro?
07:00Bom, classicamente, o tratamento é cirúrgico, tá?
07:05Em alguns casos, bem selecionados, pode-se fazer uma tentativa de tratamento com medicação.
07:10Só que existe um risco de uma recidiva da doença, cerca de 40% dos casos.
07:15Então, o padrão mesmo é a retirada cirúrgica do apêndice.
07:19Perfeito.
07:20Depois que a pessoa tira o apêndice, vida normal?
07:23Vida normal.
07:24Passa o período de recuperação na cirurgia, cerca de 15 dias, vida vai seguir normal.
07:28Tem algum grupo que está mais vulnerável, seria mais suscetível?
07:32Quem é esse grupo?
07:33Geralmente, a taxa maior de incidência são pacientes jovens, de cerca de 10 a 20 anos,
07:39com prevalência maior nos pacientes do sexo masculino.
07:43É mesmo, então, a gente aí, Júlia, a gente entrou, né?
07:46A gente tem, né?
07:47Pois é.
07:47Na exceção um pouquinho.
07:48Como é que foi a sua recuperação, Júlia, depois do susto?
07:51Foi por vídeo, né?
07:52Foi por vídeo.
07:54Então, assim, cuidando ali dos pontos, né?
07:58Passando, tomando os medicamentos certinho.
08:02Foi tranquila, sem nenhuma intercorrência.
08:05Eu só tive que administrar aí, né?
08:08O fato de ter um neném de quatro meses na época.
08:10Então, eu pegava ele no colo com muito cuidado, por conta dos pontos que estavam ainda ali.
08:16Então, quando ele dava chutinhos, assim, né?
08:19E aí pegava no ombligo, às vezes, ficava um pouco dolorido.
08:23Mas, de maneira geral, assim, não tive nenhuma intercorrência.
08:26Então, deu tudo certo.
08:27Olhando pra trás hoje, Júlia, você percebe que teve algum outro sinal que, de repente,
08:32passou despercebido ou realmente foi, assim, do nada?
08:36Pra mim, foi do nada.
08:37Porque no sábado, assim, foi a um churrasco.
08:41Então, eu achei, na verdade, eu tive a sensação de que eu estava empanzinada.
08:45Assim, aquela sensação, nossa, comi em excesso.
08:49E foi o que deu, assim, o start nessa jornada aí.
08:54Mas, também teve um outro sintoma que eu até nem disse aqui antes,
08:59que foi quando eu fui entrar no carro e aí a minha perna não,
09:04parecia que não acompanhava, assim, ficou pesada e eu não conseguia.
09:07Então, pra eu entrar no carro, eu tive que usar as minhas mãos
09:10pra carregar a minha perna e colocar no carro.
09:13Acredito que tenha sido isso que chamou a atenção da médica
09:16pra fazer o exame da apendicite ali, né?
09:20Do toque e tudo.
09:21Porque, realmente, assim, não senti dor, não senti nada dessas coisas mais clássicas, né?
09:26Sim.
09:27Então, acredito que tenha sido isso.
09:29Perna pesada, doutor?
09:31Também poderia ter... era um sinal ali já?
09:34Pode ser uma...
09:34Igual no seu caso, que teve a dor na perna de ficar mancando,
09:39pela localização do apêndice, né?
09:41Próximo dos músculos que se inserem na perna e fazem essa movimentação.
09:46E da própria parede abdominal acabar sendo irritada nessa região
09:50e no movimento da perna você sentir alguma queixa de incômodo.
09:56A gente tá falando de uma estrutura que fica próxima ao intestino.
09:59Quem tem problemas intestinais, intestino preso,
10:02isso pode interferir em alguma coisa ou não tem nada a ver com a apêndice?
10:06Não, não costuma interferir muito, não.
10:07O que interfere mais no relacionamento, principalmente na apêndice,
10:11principalmente no grupo das mulheres,
10:13por conta da proximidade com o ovário.
10:16Que às vezes pode gerar uma certa confusão de sintomas
10:20pela proximidade com o ovário do lado direito,
10:23ovário e trompa direita.
10:24Mas com relação ao intestino...
10:26Perfeito.
10:27Às vezes a pessoa tá ouvindo a gente,
10:28ah, meu pai teve, minha mãe teve, meu irmão teve.
10:31Tem algum fator genético nessa história?
10:33Não, tem fator genético.
10:34Perfeito.
10:35O que a gente pode dar, deixar aqui de recado pra pessoa que,
10:40às vezes, não dá atenção a esses sintomas?
10:44Como a Júlia ligou o alerta e no outro dia já tava ali no mesmo dia
10:49procurando um médico.
10:50Porque dor abdominal, né gente?
10:52A gente pensa em tanta coisa, ainda mais se não for tão forte.
10:55Quando é uma crise mais forte, é lógico.
10:57A pessoa vai pro pronto-socorro.
10:58Então, pra pessoa tá atenta a esses sinais do corpo,
11:02porque realmente, questão de um ou dois dias pode ser decisivo
11:06no caso de um apendicite, né?
11:08Com certeza.
11:08Sim, Bruna.
11:09A principal coisa, sentir uma dor forte no abdômen,
11:12que você consegue localizar ela bem,
11:14procura o hospital pra não perder tempo do diagnóstico e tratamento.
11:18Perfeito.
11:19E quem é que faz esse diagnóstico do apendicite, doutor?
11:22Porque a gente às vezes se pergunta,
11:23vai pronto-socorro, você vai no clínico geral, né?
11:26Então, o clínico, ele pode fazer o diagnóstico,
11:29que o diagnóstico é basicamente clínico.
11:30Embora os guidelines atuais, eles dão fatores pra dizer melhor o apendicite,
11:36e a gente faz uso de imagem como exame complementar.
11:39No caso da Júlia, que foi a tomografia, mas pode também o ultrassom te ajudar.
11:43Perfeito.
11:43Mas o tratamento definitivo, a definição do diagnóstico é do cirurgião.
11:48Perfeito.
11:49Chegou uma pergunta aqui.
11:50Olha que interessante, Mariana Moreira da Serra.
11:53O uso do mandiaro pode desencadear apendicite?
11:58Não.
11:59Não tem relação.
12:00Não tem relação nenhuma.
12:02Perfeito.
12:02Perda de peso, não tem.
12:03Então, a gente pode dizer que apendicite é aleatório, assim, né?
12:07Não tem nada que a gente faça que vá aumentar a chance.
12:12Tanto que é uma cirurgia de urgência, né?
12:15Então, ela não tem uma prevenção, não tem um fator de risco.
12:19Ela simplesmente, no momento, ele acontece.
12:22Perfeito.
12:23Então, a gente tem que estar atento mesmo aos sintomas, porque é tudo muito rápido, né?
12:28Doutor, obrigada pelas dicas, pelas informações, pelos esclarecimentos.
12:33Júlia também.
12:34Saúde.
12:35Agora a gente não tem mais apendicite, né?
12:36Desse mal a gente não sofre, né?
12:39Obrigada pela participação, gente.
12:41Até a próxima.
12:42Valeu.
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