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  • há 12 horas
Diretriz associa acúmulo lipídico a distúrbios metabólicos crônicos, como excesso de peso e diabetes.
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Transcrição
00:00Vamos falar de saúde, gente, porque a chamada gordura no fígado ganhou uma nova definição na medicina.
00:07Mas o que muda na prática para os pacientes? Quais são os riscos da doença que costuma evoluir de forma
00:14silenciosa
00:15e como prevenir complicações graves como cirrose e câncer de fígado?
00:20Quem está aqui para falar comigo é a hepatologista, a doutora Caroline Alcure.
00:26Doutora, muito boa tarde, obrigado pela presença.
00:28Boa tarde, muito obrigada pelo convite.
00:30Doutora, o que mudou aí na prática? Mudou o nome da doença da gordura no fígado?
00:35Sim, o nome antigo a gente usava doença hepática gordurosa não alcoólica.
00:40E aí mudou para doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica.
00:46Mudar esse termo, a gente tira alguns estigmas de gordurosa, de alcoólica e passa a focar no que realmente causa
00:55a doença,
00:56que é a disfunção metabólica, que é obesidade, sobrepeso, diabetes, triglicerídeos aumentado, colesterol aumentado, sedentarismo, hipertensão arterial.
01:08Então são conjuntos de fatores que também é associado ao álcool, né?
01:11A gente tem também, quando essa doença está associada ao álcool, pode fazer o acúmulo de gordura no fígado, que
01:17a gente chama de esteatose hepática.
01:18Agora, doutora, tem sintoma, não é? Por exemplo, a gordura no fígado, ela apresenta algum tipo de dor?
01:26Então, na maioria dos casos, não. Aí que mora o grande perigo, né? Porque é uma doença silenciosa, ela vai
01:31evoluindo ao longo do tempo
01:32e o paciente não sente nada, a grande maioria acaba descobrindo, vai fazer o exame de rotina.
01:37E quando vai ter algum sintoma, a gente já tem uma doença já mais avançada, alguma coisa mais grave, digamos
01:44assim.
01:44Ela, ela, ela, ela, essa doença, ela atinge de forma igual crianças e adultos também, idosos, como que funciona nisso?
01:53Então, hoje em dia a gente já vê casos relacionados em crianças, né? Mas em adultos, até 30% da
01:59população adulta no mundo já tem esteatose hepática.
02:02Então é uma doença que tem aumentado a prevalência. A gente fala que muito está relacionado aos nossos hábitos de
02:06vida,
02:06uma alimentação mais rica, interprocessados, alimentos gordurosos. Então a gente tende a estar aumentando.
02:13Então a gente tem que ir conscientizando a população para ajudar a evitar que esse aumento continue. A gente precisa
02:19melhorar isso daí.
02:20É natural, doutora, se a gente tiver acima do peso ou com sobrepeso, que a gente tenha a gordura no
02:26fígado?
02:27Então, natural não é, né? Gordura no fígado, a estatose é uma doença, né? Então, assim como a obesidade é
02:32uma doença.
02:33Só que o que muitas pessoas acham é que ela só está ligada à obesidade. Não, a gente tem pessoas
02:37magras que têm gordura no fígado.
02:39E aí a gente precisa olhar num contexto. Por isso que o nome mudou, porque a gente tem que olhar
02:43as outras doenças associadas.
02:45Entendeu? Outras doenças da síndrome metabólica.
02:47Bom, quem tem gordura no fígado pode evoluir para que tipos de doença?
02:52Então, a gordura no fígado, ela fica ali inflamando, ela pode causar inflamação do fígado a longo prazo.
02:57Isso pode evoluir para fibrose e com o tempo pode causar cirrose e câncer de fígado.
03:01Então ela pode evoluir de forma muito grave. Ela é potencialmente uma doença muito grave.
03:05E existe mudança de sintoma, doutora? Por exemplo, quem tem gordura no fígado, como a senhora disse, acaba não sabendo,
03:12né?
03:12A não ser que faça um exame. Mas quando ela começa a evoluir para essas formas mais graves, o que
03:18eu posso sentir, começar a sentir?
03:20Ou também não dá sinal?
03:21Também não dá sinal. O paciente, muitas vezes, pode ser diagnosticado com cirrose sem ter sintoma nenhum.
03:26Qual o exame que a gente detecta gordura no fígado?
03:28A gente vê através do ultrassom de abdômen, ressonância, tomografia, exame de imagem.
03:32Então a gente começa pelo mais simples, no ultrassom de abdômen, a gente consegue avaliar a presença de gordura no
03:36fígado.
03:36E aí a gente tem que avaliar, no contexto do paciente, se existem outras alterações.
03:41Por exemplo, a gente fez o ultrassom, está alterado, então a gente faz exames de sangue,
03:44que a gente consegue avaliar se o fígado está inflamado, se ele está funcionando bem.
03:48Hoje em dia a gente tem métodos não invasivos, como elastografia, fibro-scan,
03:52que são exames que a gente consegue avaliar se tem fibrose, ou seja, se já está progredindo para cirrose.
03:56Então a gente tem todo um arsenal de exames que a gente pode usar para fazer o diagnóstico e estadiar
04:01da forma correta
04:02e tratar, porque é uma doença totalmente reversível. A gente consegue voltar ao normal.
04:06Tem graus de periculosidade, vamos dizer assim, da gordura no fígado?
04:11Sim, é porque quando a gente faz o exame de imagem, ele vai falar se tem a tose em grau
04:151, 2 ou 3.
04:17Mas para a gente, o que importa, o que é mais importante, é o que isso está repercutindo no seu
04:22fígado.
04:22Se o fígado já tem sinais de inflamação, se já tem fibrose.
04:25Quando eu já tenho fibrose, ligam o sinal de alerta, porque já pode estar progredindo para cirrose.
04:29Então existe sim estágios diferentes.
04:31Há risco de algum problema cardiovascular ou de AVC por conta de gordura no fígado, doutora?
04:37Sim, a gente sabe que existe uma relação direta. Esse paciente tem um risco cardiovascular aumentado, né?
04:42Então esse paciente tem maior risco de infartar, por exemplo.
04:45Vamos falar então de soluções. Por onde passa a solução para a gente acabar com a gordura no fígado
04:52ou diminuir e diminuindo progressivamente?
04:55Então a gente fala, às vezes o paciente fala, mas não tem remédio. Existe remédio.
04:59Mas a base do tratamento sempre vai ser mudança de estilo de vida.
05:03Uma alimentação balanceada, evitar ultraprocessados, evitar alimentos embutidos.
05:07É tentar ter uma prática regular de atividade física.
05:11A gente orienta uma média de 150 minutos por semana, né?
05:14E reduzir também o consumo de álcool.
05:16Porque o álcool também pode levar ao acúmulo de gordura no fígado e acabar piorando todo esse quadro.
05:21Essa atividade a gente pode começar, por exemplo, com uma simples caminhada, doutora?
05:25Sim, com certeza. A gente fala que todo movimento importa, né?
05:28Então assim, pode começar com uma caminhada, andar de bicicleta, nadar, dançar.
05:32Precisa começar a fazer uma atividade física.
05:33Quem tem gordura no fígado, existe uma quantidade, por exemplo, de bebida alcoólica que pode tomar,
05:40mesmo fazendo todas as restrições para diminuir, ou precisa de ter uma suspensão radical da bebida alcoólica?
05:48O ideal é a gente suspender total o consumo de bebida alcoólica porque não existe dose segura de álcool.
05:53A gente sabe que qualquer quantidade de álcool, ela pode acabar acumulando com gordura no fígado e também inflamando o
06:00fígado.
06:01Então assim, se a gente está tentando tratar uma doença, é como se a gente estivesse fazendo alguma coisa que
06:04está atrapalhando.
06:06Está boicotando, burlando ali, atrapalhando.
06:08Como que é a perda de gordura do fígado?
06:10Ela perde primeiro a gordura do fígado e depois do corpo, para quem está de sobrepeso.
06:16Como é que é essa relação aí da diminuição da gordura no fígado?
06:20A gente não consegue emagrecer só um braço, por exemplo, a gente tem que perder peso no total.
06:24E a mesma coisa com o fígado, a gente tem que diminuir a gordura visceral, que é aquela gordura perigosa.
06:28Então assim, precisa perder peso, a gente fala uma média de 5%, já tem uma redução da estiatose,
06:33mas para já ter alteração de fibrose, uma média de 10% do peso corporal.
06:38Hidratação ajuda em algo?
06:39É importante, melhora a parte metabólica, com certeza.
06:43Ok, conversei aqui com a doutora Caroline Alcuri, hepatologista, falando aí das mudanças do nome, né doutora?
06:49Que é importante para tirar esse estigma aí só da bebida, não é? E de que também?
06:54E da gordura, não é só a obesidade, né?
06:56Da gordura, exatamente.
06:57Mas aí a procura para a gente tentar resolver a situação é a mesma, né?
07:02Sim.
07:03Então o primeiro caminho aí é buscar um médico, fazer o exame de imagem para diagnosticar aí a gordura no
07:08fígado.
07:08Isso aí.
07:08Obrigado doutora pelas explicações.
07:10Obrigado doutora pelas explicações.
07:10Obrigado doutora pelas explicações.
07:11Obrigado doutora pelas explicações.
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