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  • há 5 semanas
Quando o assunto é bem envelhecer, a preocupação é sobre viver com saúde, autonomia e independência. No entanto, esse tema pode ser um desafio para muitas famílias

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Transcrição
00:11Olá pessoal, esse é mais um episódio do podcast Bem Envelhecer, Mad Sênior.
00:16Eu sou a Nayara Arpini, estou aqui para mediar um bate-papo que vai te mostrar como é possível
00:20envelhecer melhor e com mais saúde.
00:23Nos últimos episódios a gente tratou vários temas interessantes, como o medo de envelhecer,
00:29espiritualidade, as Blue Zones.
00:30Hoje não vai ser diferente, a gente vai trazer mais um tema importante.
00:34E para isso eu vou contar com a ajuda de três especialistas na área,
00:39porque hoje a gente vai falar sobre autonomia e independência dos idosos.
00:43Dois desses convidados vocês já conhecem, Dr. Rony Mucamal Geriatra.
00:47Obrigada, seja bem-vindo.
00:49Obrigado, Nayara. Muito bom estar aqui.
00:51Hoje a gente está discutindo um tema que é o cerne do nosso cuidado ao idoso.
00:56Vai ser muito bom, né?
00:58É isso.
00:59Também, Maicon Oliveira, diretor de marketing da Mad Sênior.
01:02Também já esteve aqui com a gente algumas vezes.
01:04Obrigada mais uma vez, seja bem-vindo.
01:05Obrigado, Nayara.
01:06Eu que agradeço.
01:07O tema hoje é muito interessante, que eu acho que vai resumir todo esse projeto
01:11de tamanha importância para a gente abordar.
01:14Muito bom.
01:15Isso aí.
01:15E já nessa primeira parte desse bate-papo, temos também o Dr. Wilson Jacob Filho.
01:21Vou até precisar de uma colinha aqui para falar seu currículo.
01:24Pode ser?
01:24Não, diretor de serviço de geriatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, professor titular
01:31de geriatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e, além disso, é conselheiro
01:36técnico científico da Mad Sênior.
01:38Então, para a gente é uma honra ter o senhor aqui com a gente nesse bate-papo.
01:41Seja bem-vindo também.
01:42Para mim também é um privilégio poder participar de uma mesa com esta composição.
01:46Muito obrigado.
01:47Obrigada.
01:48A gente que agradece.
01:49Bom, vamos lá.
01:50Para começar, o que para vocês significa essa autonomia e a independência dos idosos?
01:56E como é que esse conceito se mostra para além das questões físicas do corpo?
02:04Bom, então, a autonomia e a independência, como eu falei, é o cerne do nosso cuidado.
02:09É o cerne de como a gente quer envelhecer e vai envelhecer, né?
02:13Então, para a geriatria e a gerontologia, ter autonomia e a independência talvez seja
02:19um dos maiores objetivos da gente cuidar dos idosos, né?
02:23A autonomia não necessariamente só a gente está falando do físico, né?
02:28Quando a gente fala de autonomia, a gente está falando de aspectos, a nossa capacidade
02:32de tomar decisões, nossa capacidade de planejar algo, tomar decisões que precisa muito
02:40do nosso cérebro, dos nossos aspectos da memória, né?
02:45Dos nossos aspectos cognitivos e também precisa muito do nosso humor.
02:50Então, para eu ter autonomia, eu tenho que estar motivado, eu tenho que estar motivado
02:54a fazer alguma coisa.
02:55Então, o idoso, para fazer alguma coisa, eu vou ao banco, ele está motivado, eu vou
02:58num show, eu vou num shopping, estou motivado.
03:02Então, a autonomia se refere a esse ponto, a nossa capacidade de tomar decisões.
03:06Já a independência, né?
03:09Se refere mais à nossa capacidade de fazer as coisas, né?
03:12No sentido de eu poder me deslocar para um lugar, né?
03:15Eu estar com o meu corpo, aí sim, a parte física inteira, que eu tenha meus músculos
03:23fortes, que eu tenha minhas articulações pérvias, que eu possa ir, andar.
03:28Minha capacidade também, que a gente tem que falar um pouco dos nossos órgãos sensoriais,
03:32né?
03:32A visão, a audição.
03:34Então, resumindo, a autonomia e a independência se completam, as duas são importantes para
03:41que o idoso possa fazer tudo aquilo que ele deseja fazer, né?
03:47Tanto que esse tema, muitas vezes, tem até um certo tabu em volta dele, nas famílias,
03:52né?
03:53Discutir essa independência, a autonomia da pessoa idosa, até onde ela pode ir sozinha,
03:58até onde ela pode tomar determinadas decisões.
04:02É uma coisa que vocês veem isso ocorrendo mesmo na sociedade ainda hoje, quando a gente
04:07se discute tanto, né?
04:09Essas questões.
04:10A família é importantíssima nesse processo, né?
04:12Ela precisa estar presente em todos esses momentos, estimulando, prevenindo, apoiando
04:19ali nas decisões, porque isso realmente impacta muito no ciclo ali de familiares, né?
04:25E hoje, cada vez mais, se fala sobre isso, né?
04:28Como que a família pode intervir, qual o papel dela, até onde ela pode interferir
04:33numa decisão.
04:34Eu acho que a prevenção aí conta muito, né?
04:37Se a gente não tiver esse olhar crítico aí da família apoiando.
04:41Doutor Wilson, como é que o senhor vê essa parte, né?
04:45Do apoio da família, não apoio, né?
04:48Mas, assim, dessa relação da família com essa tomada de decisão da pessoa idosa,
04:54deixá-la, por exemplo, sozinha, a gente vê muito isso, né?
04:56Muitos idosos, não, eu quero morar sozinho, e a família, às vezes, tem uma resistência,
05:00tem medo de deixar.
05:02Como é que isso é tratado hoje em dia?
05:04Usando uma terminologia própria a esta década do envelhecimento saudável, Rony foi muito,
05:10muito feliz em definir quais são as capacidades intrínsecas do indivíduo, tanto do ponto de
05:15vista cognitivo, quanto do ponto de vista motor, para ter a sua autonomia e a sua independência.
05:21Mas isso não existe per si, isso existe do indivíduo no meio em que ele vive.
05:27Então, a família, como foi muito bem salientado, pode ser um agente dificultador ou facilitador.
05:34Ela pode evitar que o indivíduo tenha autonomia com a melhor das intenções,
05:39ou limitar a sua independência também com a melhor das intenções, ou, ao contrário,
05:44pode promover a autonomia ou promover a independência com também a melhor das intenções.
05:52Nós não estamos julgando aqui uma condição de benignidade ou malignidade, não.
05:58Mas, muitas vezes, por excesso de proteção, as coisas já vêm decididas.
06:04As coisas são feitas a despeito da capacidade do idoso.
06:08Então, de uma maneira muito importante, o idoso tem que ser protagonista do seu envelhecimento.
06:13Ele tem que lidar com a sua autonomia e independência, que, obviamente, tem limites.
06:19Ninguém é totalmente autônomo nem totalmente independente, em nenhuma idade.
06:24Quando alguém nos fala, olha, eu, por ser idoso, tenho algumas limitações,
06:28ele teve limitações quando criança, quando adolescente, quando adulto e agora quando idoso.
06:33Lidar com essas limitações em termos de autonomia e independência depende muito do meio em que ele vive.
06:39Aproveitando a fala do doutor Wilson, acho que vale a gente trazer um tema que foi muito discutido esse ano,
06:44que teve aí, rodou o mundo, por ser relacionado ao candidato à presidência dos Estados Unidos, o Biden,
06:50que acabou desistindo da candidatura e, antes, ele tinha sido muito criticado, de certa forma,
06:57por apresentar algumas questões que as pessoas duvidavam da capacidade dele, capacidade mental, capacidade física.
07:03E a gente vê uma pessoa tão importante, disputando um cargo tão importante, passando por isso,
07:09eu acho que a gente consegue ver como é um tema que precisa ser discutido,
07:14não só nas famílias, mas na sociedade como um todo, né, doutor Rony?
07:19Sim, perfeito.
07:20O envelhecimento, ele não necessariamente a gente vai perder nossas autonomias e independência, né?
07:26A gente pode envelhecer bem, a gente quer envelhecer mantendo toda a nossa capacidade,
07:31mas é importante, nesse caso do Biden, que a gente discute muito a questão do etarismo, né,
07:36que é o preconceito com o envelhecimento também, é saber que certas situações também,
07:42a gente tem que entender o nosso limite.
07:44E aqui eu não estou falando se ele tem 70, 80 ou 90 anos, né?
07:49Eu estou falando de um cargo extremamente desgastante, que precisa de uma aptidão muito forte, né,
07:57que é, inclusive, a candidatura em si só é uma luta, né, a campanha é uma coisa desgastante.
08:04Então, é, a gente também tem a humildade, o envelhecimento de entender também as nossas limitações, né,
08:14isso também eu acho que a gente tem que pensar, não quer dizer que a gente possa fazer tudo, né,
08:19se a gente tem alguma dificuldade em entender e aceitar isso, né?
08:23Da mesma forma, reconhecer os limites, também nós, como sociedade, temos que valorizar o que o idoso tem a contribuir,
08:30que aí eu acho também, no caso do Biden, a gente também jogou muita água fria nele,
08:35criticou pela idade, simplesmente pela idade, mas sem entender todo o currículo, o preparo,
08:42tudo que ele pode contribuir, então ele poderia ter um papel e continuar ter um papel na política,
08:49talvez não como presidente, como ele acabou desistindo, mas talvez, como a gente estava até falando com o doutor Wilson,
08:56de um conselheiro, né, de alguém que possa estar ali trazendo toda a sua expertise, né,
09:05para o governo dos Estados Unidos, para o seu partido político.
09:09Então, dessa forma que eu vejo, né, ou seja, reconhecer os limites, valorizar o que o idoso tem de melhor,
09:15e isso é algo complementar ao jovem, né, que às vezes o jovem não tem toda essa...
09:21A experiência acumulada, né, de jovem, com certeza.
09:24Mas a pressão ali não foi só americana, foi mundial, né, então o peso é muito maior.
09:28Imagina isso trazendo para a nossa realidade, a pressão da família já é algo muito desgastante,
09:34a pressão empresarial é muito desgastante.
09:36Imagina você conduzir uma nação que é a maior potência mundial,
09:39então acho que o nível aí de pressão é muito significativo.
09:42De exigência, né.
09:44Acho que focam muito na idade, né, na questão da idade,
09:48esquecem isso que você falou, da bagagem, da capacidade.
09:51E é engraçado porque a gente já falou, inclusive aqui em outros episódios,
09:55que a vida não para na aposentadoria, ou seja, a vida não para à medida que você faz tantos anos.
10:01Tanto que o conceito de longevidade também tem mudado muito ao longo do tempo, né, doutor?
10:06Sem dúvida.
10:08E aquilo que foi dito, eu acho que vale a pena lembrar.
10:11Essa mesma idade, que muitas vezes tem uma conotação pejorativa,
10:15em que o indivíduo deu uma determinada idade e não é capaz de fazer determinada função,
10:21determinado trabalho,
10:23é a mesma idade que garante ao indivíduo uma qualidade dessa função de grande mundo.
10:30Nesse episódio do Biden, eu acho que a gente tem que ressaltar o seguinte.
10:34Ele foi reprovado na campanha eleitoral.
10:37Foi no debate e nas entrevistas.
10:41Isto foi pano de fundo para entender que ele não era capaz de exercer a presidência dos Estados Unidos.
10:48Mas na presidência dos Estados Unidos ele não teve nenhuma reprovação.
10:53Tem quatro anos de realizações que não foram criticadas por ninguém.
10:59Isto é uma coisa.
11:00A campanha eleitoral, assim como o acesso à internet, assim como os formulários eletrônicos,
11:08são mecanismos para um determinado fim, que não necessariamente é o exercício daquele fim.
11:16Então, o indivíduo pode ser muito bem limitado no mecanismo que dá acesso
11:22e ser capaz naquilo ao qual ele tem acesso.
11:26Por isso é que se deve fazer avaliações para aquele fim.
11:30O indivíduo que tem a sua limitação tem que ser reconhecido na limitação que tem,
11:34a começar por si mesmo.
11:37Eu é que sou limitado para fazer determinadas funções.
11:40Já fui limitado para outras.
11:43Serei limitado para outras.
11:45Isto, sem sombra de dúvida, tem uma cronologia ou tem uma condição temporal.
11:51Mas avaliar um indivíduo pela faixa etária ou por alguma característica peculiar,
11:58dizendo que ele é incapaz de fazer qualquer outra coisa ao qual ele se propõe,
12:03é no mínimo uma visão muito limitada.
12:05Sim.
12:06Muitas vezes essa incapacidade está associada a essas condições físicas que a pessoa apresenta.
12:11A gente tem até exemplar doenças crônicas, diabetes, hipertensão.
12:15Como então mostrar para essas pessoas e convencer até a família que,
12:20apesar dessas condições físicas, doenças crônicas,
12:24é possível ter uma vida saudável, é possível ter autonomia, independência,
12:29e tomar decisões e fazer coisas sozinho?
12:32Isso.
12:32A condição de saúde nesta fase da vida coexiste quase que obrigatoriamente
12:37com doenças bem diagnosticadas e bem tratadas.
12:40Se o indivíduo pautar a existência da saúde e na ausência da doença,
12:44ele está condenado a não ter saúde.
12:47Então, este conceito não existe.
12:49Saúde é, por definição, um estado de bem-estar físico, psíquico e social.
12:55Para ter saúde, eu posso perfeitamente bem ter as doenças que tenho,
13:01tratá-las adequadamente e, por causa disto, ter as mesmas condições que eu teria
13:06se eu não as tivesse.
13:08Então, um diabetes bem tratado conduz o indivíduo a ter uma autonomia e independência
13:14de um não diabético.
13:15Uma hipertensão bem tratada, a idem, evidentemente que existem algumas restrições
13:20que vão ter que ser respeitadas como qualquer outra.
13:23Restrição do sinal amarelo e vermelho ao tráfego, restrição da faixa para pedestre,
13:28restrição do período do ano no qual apresentamos as nossas declarações de imposto de renda,
13:32tudo isso são restrições que a gente obedece durante a vida toda e em qualquer idade.
13:38Portanto, envelhecer não é um problema de trocar liberdade por frustrações, não é isso.
13:44Nós estamos falando de evoluir na nossa liberdade e eu tomar conta daquilo que não é possível
13:51fazer com segurança nessa fase da vida.
13:53Então, da mesma forma que para a família é importante perceber essa capacidade da pessoa idosa,
13:59acho que para a própria pessoa idosa ela também precisa ter essa noção, né?
14:02Em determinado ponto eu tenho essa limitação, aqui eu não posso ir,
14:06mas entender que são limites às vezes em questões muito específicas, né?
14:11E que isso não impede ela de continuar uma vida saudável e independente, né?
14:15Como o doutor Wilson falou, a doença crônica ela é a realidade de quem está envelhecendo, né?
14:21E a revolução da longevidade foi o nosso controle ótimo, né?
14:26O acesso a diagnóstico, acesso a tratamentos modernos, né?
14:31As pessoas não deixaram de ter doenças, né, doutor Rui?
14:33Exatamente.
14:34Elas passaram a ter como tratá-las.
14:35Elas têm as doenças controladas, né?
14:38Então, a gente aqui está falando talvez de valorizar mais no idoso a autonomia e independência
14:44em relação a só a questão de ter ou não ter doença.
14:47Porque a realidade da população idosa, a maioria, ou não ser quase todos, e não é uma doença.
14:54Que esse é o paradigma também do idoso, que é a combinação de doenças, né?
14:59Então, o indivíduo tem três, quatro doenças e ele pode estar extremamente funcional e andando e fazendo tudo,
15:06administrando sua empresa, sendo presidente dos Estados Unidos, né?
15:08Então, a busca pela autonomia e independência passa a ser realmente o lema até no controle das doenças, né?
15:15Prevenir que essa doença leve a uma incapacidade, né?
15:19E assim que é a visão moderna mesmo do que a gente acredita, né?
15:24E a família tem que contribuir para isso, né?
15:26Não superproteger, né?
15:28Valorizar, apoiar o idoso nas suas decisões, né?
15:32E também naquelas coisas que há risco, há que se conversar, né?
15:36Há situações de risco que algumas condições acontecem, né?
15:41Com algumas doenças, alguns aspectos que o idoso tem risco, a gente tem que conversar para minimizar esses riscos.
15:49E respeitar também a sociedade também, né?
15:53Então, se você está com problemas sérios de visão, você não vai dirigir, né?
15:58Então, tem essas questões que às vezes a gente precisa se auto-reconhecer também, né?
16:02É super delicado para quem dirige, né?
16:04Qual é a hora certa de parar?
16:06Eu estou falando da direção, que é um dos pontos, talvez.
16:09Muito polêmico, né?
16:10Muitos polêmicos, até onde a gente dirige, né?
16:13E essa relação do indivíduo também com o trânsito, né?
16:17O trânsito no Canadá, por exemplo, é diferente daqui.
16:20Então, lá talvez, eu vi até que idosos com Alzheimer em fase muito leve podem dirigir no país,
16:27porque o trânsito é seguro, né?
16:29Os sinais, as pessoas respeitam.
16:31Talvez no Brasil, não tanto, né?
16:34Então...
16:34O contexto muda tudo, né?
16:35O contexto muda tudo, né?
16:37Eu acho que o importante também, não só...
16:39Ok, né?
16:40A cognição, isso tudo é afetado e talvez seja a hora de parar.
16:44Mas a mobilidade é muito importante, né?
16:46A gente não pode perder isso.
16:49Transporte, poder ir e vir com autonomia, eu acho que isso aí é fundamental.
16:53Perfeito.
16:54E eu acho que é aí que entra o substituto.
16:57Aí entra aquilo que permite ao indivíduo.
17:00Então, dirigir seu veículo é uma forma de prazer sem sombra de dúvida,
17:04é uma forma de exercer a sua autonomia e a sua independência.
17:08Então, ele é capaz de, com a direção de um veículo,
17:12priorizar aquilo que quer àquilo que faz
17:15e, consequentemente, ter lá a sua relação prazerosa,
17:19seja ela social, seja ela qual seja, de trabalho profissional.
17:25A incapacidade, mesmo que discreta,
17:28de ter uma condução ou uma direção segura,
17:33pode levar o indivíduo a ter a sensação de que vai perder tudo isso.
17:38E não vai perder tudo isso.
17:40Vai substituir tudo isso por uma outra forma de condução,
17:44que não necessariamente seja onerosa ou não necessariamente seja limitada.
17:50Esta é, talvez, a grande solução para que estas aptidões ou limitações
17:58entrem na vida de cada um de uma maneira absolutamente coerente com as suas expectativas.
18:06muito interessante esta ideia na qual o idoso que eu conheci quando iniciei a minha vida ligado a esta área,
18:16o idoso dos anos 70, 80, completamente diferente do idoso de hoje.
18:22O nosso programa de promoção de saúde, lá no Hospital das Clínicas,
18:25lidava com idosos que tinham uma disponibilidade do tempo livre,
18:29uma vontade de fazer alguma coisa muito interessante, muito exacerbada.
18:36Hoje, o idoso dos anos 20, 2020 a 2030, são idosos que têm agenda eletrônica,
18:45são idosos que têm compromissos em tal dia ou em tal hora.
18:49Isto é um ganho muito grande e inimaginável naquela época.
18:55Entendia-se que o indivíduo, por ser idoso, estava excluído de tudo aquilo que seria considerado evolução.
19:03Então, a ideia de que a doença, quando bem diagnosticada e tratada,
19:08é um fator limitante ao contrário.
19:10Ela é um fator estimulador para que o indivíduo tenha bons hábitos de saúde,
19:15coisa que muitas vezes ele não teve no passado.
19:17Então, temos indivíduos que são mais saudáveis quando idosos,
19:21do ponto de vista de práticas de saúde, do que o foram na idade intermediária.
19:27É como a gente disse no início, né?
19:29É um tema que pode ser um tabu para as famílias, mas que merece ser mais discutido.
19:33Essa visão, doutor Wilson, é incrível,
19:35porque usar algo que poderia ser negativo e frustrante,
19:39eu tenho uma doença crônica, como algo positivo.
19:42Isso também, uma vez a gente falou sobre a resiliência, do envelhecimento,
19:46mas eu achei isso fantástico, porque eu acho que é isso mesmo.
19:49Então, um indivíduo que se torna diabético não é o fim do mundo.
19:52É um momento que ele pode redobrar o seu cuidado.
19:56E a gente vê alguns idosos, ele vai lá, ele se cuida melhor,
19:59e ele vai viver muito bem, tratar a sua doença.
20:03Às vezes é a partir da descoberta de uma doença que vai mudar o estilo de vida.
20:06E você tem um alerta, exatamente, né?
20:09Então, é aprender a ser positivo nas coisas negativas, né?
20:15Isso é a resiliência que eu acho que é talvez um aspecto importante para a gente envelhecer bem, né?
20:24Ser positivo nas adversidades.
20:25Nas adversidades e ver com um aspecto positivo, né?
20:29E o doutor Wilson trouxe um ponto também, que são as tecnologias, né?
20:32E a gente está nessa fase aí das inovações, a gente só se fala disso,
20:36inclusive a empresa tem isso como premissa também, né?
20:40Como que as inovações podem ajudar a alguma perda de autonomia e independência, né?
20:46Isso eu acho que é o assunto bem atual, né?
20:50Então, a tecnologia pode ajudar muito nesse aspecto, né?
20:54Corrigir dentro do possível algumas dificuldades e potencializar o idoso, por exemplo,
20:59aquele que tem alguma dificuldade a dirigir, ou fazer suas coisas tanto prazerosas,
21:04quanto as suas coisas que são necessidades do dia a dia, né?
21:07É, impressionante como que os números mudaram nos últimos 10 anos.
21:12As primeiras pesquisas que a gente fez, o volume de acesso à mobile, à internet, era muito pequeno.
21:19E hoje, praticamente 100% da nossa carteira de clientes, do nosso ambiente,
21:25acessa no mínimo mensageria, WhatsApp, todos têm um smartphone.
21:30Então, a tecnologia também, ela pode tanto aproximar como isolar, né?
21:34A gente precisa saber usar bem isso aí.
21:37Mas é uma grande ferramenta hoje pra essa aproximação.
21:41E é nesse sentido, aquilo que disse o Rony, tem tudo a ver com esse fenômeno que nós observamos, né?
21:47Aproveitar de alguma coisa ruim pra que ela tenha um produto bom.
21:54Várias maneiras de dizer isso.
21:56Mas nós tivemos grandes incrementos tecnológicos nos períodos de guerra.
22:02Do ponto de vista médico, grandes incrementos tecnológicos foram adquiridos por uma experiência de guerra.
22:10É óbvio que a guerra é uma condição nefasta, que se possível fosse, deveria ser eliminado da história da humanidade.
22:20Mas esta pandemia trouxe um incremento muito grande a isso que você acabou de se referir.
22:28Os idosos perceberam que se eles ficassem confinados dentro dos seus ambientes protegidos,
22:37do ponto de vista de contaminação viral, mas expostos a uma condição extremamente solitária,
22:45eles teriam graves prejuízos.
22:47E aderiram, talvez naquele período muito curto, o que adeririam em 20 anos.
22:53Certo.
22:54Nós conseguimos fazer em dois anos a evolução que teríamos em 20 anos.
22:57Então, os grupos de promoção de saúde passaram do presencial para o virtual
23:03num intervalo de tempo muito rápido, fazendo com que estas pessoas se habilitassem,
23:09seja por seus próprios recursos, seja por recursos adquiridos em distância,
23:16por intermediação eletrônica, a ponto de que nós temos hoje praticamente um público idoso
23:23que utiliza dos veículos de comunicação da mesma maneira que o público não é intruso.
23:29Bom, o papo está rendendo.
23:31A gente vai fazer uma pausa curtinha no nosso intervalo e daqui a pouco a gente já vai.
23:40Estamos de volta e a gente saiu do primeiro bloco desse episódio falando sobre tecnologia.
23:45Acho que a gente pode continuar nesse tema aí que rende bastante também, né?
23:49E acho importante até a gente ressaltar, a tecnologia muitas vezes ela é vista como uma vilã na vida dos
23:55idosos, né?
23:56E a gente tem visto tantos exemplos de como a tecnologia, pelo contrário, pode ajudar nesse processo de envelhecimento
24:02e principalmente nessa busca por independência e autonomia.
24:06Hoje tudo praticamente é digital.
24:08A gente tem até exemplos na própria MedSenior, né?
24:12De serviços digitais que são muito utilizados pelos clientes, né?
24:17O nosso desafio é deixar, né, claro, as interfaces ali, os dispositivos cada vez mais intuitivos
24:23para que os nossos clientes tenham acesso ali e consigam, por si só, navegar ali com tranquilidade.
24:30A gente tem usado muito a inteligência artificial para isso também, né?
24:34Nós temos ali algumas práticas onde, com simples comando de voz, o envio de uma imagem,
24:39coisas no WhatsApp, que é bem comum e usual para essa faixa etária, que funcionam de uma forma muito tranquila.
24:46Então, as empresas também têm que ter essa preocupação de facilitar a vida, né?
24:50A gente vê muitas más práticas aí no mercado de aplicativos, interfaces que realmente não são amigáveis à pessoa idosa.
24:58Então, isso é um dever de casa e é um trabalho constante que a gente faz lá no nosso núcleo
25:04de tecnologia.
25:05E tecnologia tem que estar em todos os processos, né?
25:07Para você melhorar a nossa performance, melhorar a qualidade de vida.
25:11Recentemente também nós lançamos um projeto, né, Rony, muito interessante com a Universidade Estadual da Paraíba,
25:17e o FINEP, que é uma palmilha inteligente, sense shoes, que previne queda, que monitora ali a marcha.
25:25É, a tecnologia, ela é fantástica, né? Eu sou fã da tecnologia, né?
25:29Só que a gente tem que adaptar a tecnologia ao idoso.
25:31E a primeira discussão é que esse idoso não seja excluído dela, né?
25:35A gente está vendo cada vez mais os idosos participando, né?
25:39Principalmente essa geração aí, que é os baby boomers, que nasceu pós-guerra,
25:43eles não são digitais, mas eles aprendem fácil.
25:47Então, esse é o primeiro preconceito que a gente tem que romper, que o idoso, ele pode lidar com a
25:52tecnologia,
25:53e se ele não lidar, ele pode aprender.
25:56E a gente, inclusive, tem uma oficina de saúde que é exatamente tecnologicamente,
26:01que é uma oficina para ensinar os idosos a mexer com aplicativo, a mexer com rede social, né?
26:08Então, a tecnologia, ela é um grande aliado.
26:10As outras questões que a gente tem que entender é adaptar essa tecnologia à realidade do idoso,
26:14à experiência do idoso, né?
26:16Então, às vezes, a tecnologia pode ser diferente para o adulto, para o idoso, né?
26:20O idoso ainda tem muita questão, até quando a gente tem estudado a telemedicina, né?
26:24A questão da presença social.
26:27Ele tem que sentir, assim, que aquela tecnologia está interagindo com ele, né?
26:31O quanto que aquilo ali, né?
26:32O humano, humanizado.
26:33Traz ainda uma humanidade, né?
26:36Então, tudo isso é importante.
26:38A gente tem várias tecnologias.
26:40Então, tecnologias médicas de monitoramento de doenças vestíveis, os wearables, né?
26:45Que estão revolucionando o cuidado, né?
26:48Então, eu consigo mensurar tudo que possa imaginar de dado clínico, né?
26:53Pelo relógio, né?
26:54Eu consigo identificar um indivíduo que cai, né?
26:56Que tem risco de cair.
26:58Eu tenho as palmilhas, os sense shoes, que eu consigo entender como é a marcha do indivíduo, né?
27:03E ver o risco de cair, comparar, fazer um processo de reabilitação e comparar antes e depois.
27:10E eu tenho essas interações, inteligências interativas, que é o caminho sem volta, né?
27:16A lurdinha que interage com o idoso, se comunica, né?
27:20Na linguagem dele, né?
27:22A própria telemedicina, que também facilita o acesso ao cuidado, não só do médico, a telesaúde como um todo.
27:32Então, né, doutor Wilson?
27:33Acho que a gente está vendo uma época muito boa, né?
27:36Eu sou otimista com a tecnologia.
27:38E tem toda a razão. E é uma via de mão dupla.
27:41Assim como o idoso está cada vez mais olhando para a tecnologia com menos medo e com mais interesse,
27:47a tecnologia também está olhando para o idoso com menos medo e mais interesse.
27:52Um dos grandes desafios da Samsung, por exemplo, é incluir todos os idosos coreanos usuários da tecnologia.
27:59Porque os jovens, adultos jovens e as crianças já são usuários de 100%.
28:05Naturalmente, né?
28:06Naturalmente, já nasceram e cresceram os baby boomers...
28:09Nativos digitais.
28:24Nativos digitais.
28:25E, obviamente, viu o nascimento de toda a tecnologia eletrônica que veio nas décadas posteriores.
28:34A forma pela qual isto é incorporado ao dia a dia do idoso tem que ser tão amistosa quanto foram
28:42as demais.
28:43Ninguém substituiu as coisas abruptamente nem por imposição.
28:48A companhia elétrica não foi lá e disse de agora em diante você não usa mais isto e usa isto.
28:53Então, tem que ser um aculturamento do indivíduo para que ele sinta que aquilo é melhor do que o dispositivo
29:01que ele tinha antes.
29:03Que o carro automático é melhor do que o carro mecânico para facilitar a sua direção.
29:08Nesse sentido, o assistência à saúde usa deste cabedal de informações da mesma maneira que a indústria do eletroeletrônico.
29:21Vários dos procedimentos que nós temos hoje para qualquer faixa etária foram desenvolvidos para idosos,
29:29que não poderiam fazer o procedimento convencional.
29:32A colocação do estente ao invés de uma revascularização do miocárdio foi um mecanismo feito para idosos que não suportariam
29:39uma cirurgia.
29:40A cirurgia laparoscópica também para idosos que não suportariam uma cirurgia.
29:45Colocação de uma prótese endoartelial para indivíduos que não suportariam uma cirurgia.
29:53Então, estes mecanismos são desenvolvidos para uma população que supostamente não poderia fazer o convencional
30:02e isto acaba os tornando um procedimento convencional.
30:06Então, tecnologia tem que ser apresentada ao indivíduo como um facilitador e não imposta,
30:13para que ele não se sinta ameaçado por ela.
30:17Uma vez adquirido, ele é um usuário tão bom quanto qualquer outro.
30:21Agora, é engraçado pensar como que muitas vezes a própria família é uma barreira para esse acesso da pessoa idosa
30:29à tecnologia.
30:31A família, os filhos, às vezes entendem que, ah não, não vai saber usar, não vai saber mexer, eu vou
30:37ter que fazer por ela.
30:39Como que a gente muda essa percepção? Porque é difícil realmente.
30:43A gente teve um case muito interessante nesse sentido.
30:46O doutor Wilson tinha falado sobre a questão da pandemia e como que isso acelerou também algumas práticas.
30:51Nós tínhamos, antigamente, os contratos todos de prestação de serviço de saúde em papel.
30:57São folhas e mais folhas que as pessoas tinham que assinar.
31:01E no meio da pandemia, a gente se viu praticamente obrigado a usar a tecnologia por conta do distanciamento, etc.
31:09Então, nós desenvolvemos uma interface amistosa para que a pessoa idosa conseguisse clicar e assinar um contrato digitalmente.
31:17É lógico que nós tivemos resistência de vendedores mais tradicionais, da própria família, a confiança, mas em pouquíssimo tempo isso
31:25gerou aprendizado.
31:26As pessoas já assinavam e ninguém quis mais voltar para o papel.
31:30Então, são coisas que acontecem positivamente que a gente precisa testar, precisa validar.
31:36Não dá para subestimar, isso é muito benéfico.
31:38Pois é, como não subestimar?
31:40Eu lembrei também do que vai vir por aí muito forte, que são as casas inteligentes.
31:45É verdade.
31:46E a gente tem uma polêmica na nossa população idosa, também envolve a família, de quando institucionalizar um idoso.
31:53Um idoso, a gente tem muitos idosos sozinhos, que moram só, e até que ponto ele pode ou não pode.
32:00E muitos deles, a maioria, quando a gente pergunta para eles, eles querem continuar no seu ambiente, né?
32:05Então, também aí a tecnologia pode ser algo muito interessante.
32:08Até para a segurança, né?
32:09A segurança, a gente está falando de segurança.
32:11Casas funcionais, em que, por exemplo, o idoso quando levanta, isso já é fácil, já acontece.
32:16O idoso levanta à noite e anda, as luzes acendem no caminho, né?
32:23Envolve também telas maiores, telefones com números maiores.
32:29Envolve, eu vi projetos até em Israel de sensores no sofá.
32:35Então, por exemplo, o idoso tem todo um perfil.
32:39Ele acorda de manhã, ele senta naquele sofá, ele lê o seu jornal.
32:42Se isso não acontece, aí sim, um familiar é avisado, um agente de saúde é avisado, né?
32:48Então, tudo isso, eu estou falando disso, porque é um ponto muito interessante,
32:52que é respeitar a autonomia do idoso.
32:54Por exemplo, continuar a sua vida no seu ambiente, né?
32:57Então, eu sou muito fã da tecnologia.
33:01Acho que é...
33:02Que bom que a gente está vivo nessa época.
33:04Que ótimo!
33:05E que bom que a gente possa entender que é, como bem disse,
33:12a tecnologia ir em busca do indivíduo para torná-lo um usuário fidelizado, né?
33:18Então, a gente tocou um ponto bastante interessante, que são todas estas facilidades que se criam
33:25no ambiente domiciliar ou no ambiente doméstico, em que a segurança vai ser aliada à eficiência.
33:33Para que o indivíduo tome o seu remédio, para que o indivíduo registre a sua temperatura,
33:38ou eventualmente a sua pressão arterial e tudo aquilo.
33:40O que não vai acontecer, porque o idoso não vai deixar acontecer,
33:47isso é uma coisa bem interessante, é o posicionamento do consumidor, do população-alvo.
33:53É que a gente substitua o touch, de toque, pelo tech, de tecnologia.
33:58É muito interessante que haja um implemento tecnológico,
34:05sem perder o implemento do contato direto entre as pessoas.
34:10Eu vou dar um exemplo bem simples.
34:12Existe um dispositivo, na qual uma vez acionado, é avisada uma central,
34:19de que aquele indivíduo precisa ser contactado, porque algo de errado aconteceu.
34:27O que acontece com esse dispositivo?
34:30As pessoas tocam e, quando a profissional liga, elas falam
34:35que ótimo que você me ligou, eu queria mesmo bater um papo com você.
34:40Só conversar.
34:41É o ideal, é tudo o que eu queria que acontecesse.
34:46Ele usa de um dispositivo eletrônico, mas ele transforma aquilo num contato social.
34:52Não pode se perder, né?
34:54Por mais que haja tecnologia e que a gente imagine que ela vá suprir muitas coisas,
34:59o contato físico, a conversa, o bate-papo, o olho no olho, tem que continuar existindo,
35:04porque nós somos seres humanos, né? Precisamos disso.
35:06Isso me faz pensar da própria participação do idoso na rede social,
35:09que está aumentando, né?
35:12E eles têm o interesse de estar com outros idosos, de conversar, de estar atualizado, né?
35:18De paquerar, às vezes.
35:19De paquerar, por que não, né?
35:20Então, eles estão nesse sentido, né?
35:25Mas a gente não pode perder esse universo também do toque, né?
35:29E entender que não é implementar a tecnologia de qualquer jeito.
35:33A gente tem visto na telemedicina, né?
35:35Vamos fazer de qualquer jeito.
35:37Tem que ir sempre na perspectiva do idoso, né?
35:40O que é melhor para ele, né?
35:42E ouvi-lo.
35:43A gente esquece de ouvi-lo.
35:44A gente, às vezes, faz muita coisa, mas não pergunta para o idoso se aquilo é bom ou ruim, né?
35:50A gente falou muito aqui de como convencer a família de que aquele idoso está apto para tomar decisões,
35:57para ficar por conta de si próprio, né?
36:00Mas e o contrário?
36:01Como convencer o idoso de que, às vezes, ele está tomando alguma decisão
36:05que é claramente prejudicial à saúde, prejudicial à vida dele?
36:11Como é que tem que acontecer essa conversa?
36:14Como é que a família tem que interferir?
36:16Porque eu acho que isso é algo que precisa ser discutido também, né?
36:20Tem uma frase muito bonita do Bernard Shaw, que diz
36:24Muito cuidado com os idosos, eles não têm medo do futuro.
36:29Os idosos são muito corajosos, eles não têm medo do futuro.
36:32Essa frase é muito bonita do ponto de vista de percepção,
36:37mas ela tem um viés que eu acho que vale a pena ressaltar num momento como esse.
36:42O idoso realmente não tem, ou raramente tem, medo da morte.
36:47Ele entende a morte de uma maneira muito mais natural do que um não idoso.
36:51Mas ele tem medo do sofrimento, ele tem medo de ficar limitado, acamado ou privado de fazer coisas.
36:59Esta discussão tem que ser fomentada, de que procedendo de uma maneira menos segura,
37:07ele tem maior risco, não de morrer, mas de ficar com uma limitação que lhe vão custar anos de vida
37:17dependente.
37:19Esta condição, uma vez mostrada, o indivíduo tende a mudar de opinião e não fazer mais aquilo que o coloca
37:27em risco.
37:28Como, por exemplo, dirigir o carro, como, por exemplo, subir ou descer as escadas com a mão no bolso,
37:34como, por exemplo, carregar objetos nos dois braços e ficar totalmente indefeso numa possível desbalanço ou queda,
37:41como, por exemplo, não respeitar a medicação nos determinados dias.
37:46Todas estas não adesões aos mecanismos de segurança acabam ficando menos frequentes
37:57quando você mostra ao indivíduo que aquele é um caminho que não o leva necessariamente à morte,
38:03mas o leva fundamentalmente a uma limitação que é invariavelmente temida por todos.
38:10Esse é um argumento que eu acho muito interessante.
38:13E, indo no que o doutor Wilson falou, numa visão mais sistêmica, eu acho que o caminho é a educação.
38:20A gente tem que ensinar os jovens sobre o envelhecimento e as consequências, né?
38:25Porque, infelizmente, os idosos que estão aí, os octogenários, eles não tiveram essa oportunidade.
38:31Mas a gente tem a oportunidade, e a gente já falou isso aqui no programa,
38:34de aproximar os idosos dos jovens e mostrar para eles que o envelhecimento é a realidade deles.
38:41E o envelhecimento vai depender, se vai ser bom ou ruim, das escolhas mais precoces possíveis.
38:48É o que você está semeando hoje, né?
38:49Então, projetos que aproximam escolas de idosos, idosos irem na escola, mostrar,
38:56ir numa instituição de longa permanência, que são chamados de asilos, né?
39:01A criança ir lá e ver um idoso com problema de saúde, dependente, né?
39:08E fazer essa reflexão, essa é uma construção da sociedade.
39:10E aí eu acho que isso vai ficar, praticamente, vão ser poucos os que não saem um pouco desse raciocínio.
39:18Vai ser algo mais sistêmico.
39:19É assim que eu entendo a gente resolver isso, né?
39:23Porque convencer um idoso que adquiriu uma forma de pensar durante muito tempo,
39:28tentar convencê-lo é muito difícil, né?
39:31O insight é algo muito individual, né?
39:35E depende de muitos fatores.
39:36O insight é a percepção de que aquilo é um risco para ele, né?
39:40Mas eu acredito muito na educação.
39:43A cada episódio que passa, eu vejo que o bem envelhecer é um processo que começa cedo,
39:48não começa tarde, como muita gente pensa.
39:50E é coletivo, né?
39:52Não é individual, é coletivo totalmente.
39:54Com família, com sociedade, com pesquisadores, com tecnologias.
40:00Eu vi um estudo que fala lá na Inglaterra,
40:02que acompanhou as mães gestantes, né?
40:06E as crianças envelheceram, estudo longitudinal longo, né?
40:11E aí percebeu que os hábitos das mães vão influenciar se o idoso vai ter dependência ou não.
40:17Então, se é uma mãe sedentária, se é uma mãe que fazia exercício físico,
40:21o que ela comia, se ela era uma pessoa mais tranquila,
40:25vai influenciar essa pessoa depois dos 60 anos.
40:27Então, olha só que raciocínio no seu segmento.
40:31A gente fala onde começa a ser um idoso saudável.
40:35A gente pode dizer que cuidar bem de uma gestante,
40:39já estamos pensando no indivíduo daqui a 60, 80 anos.
40:44Incrível.
40:45Bom, papo rendeu.
40:47Renderia muito mais se a gente pudesse ficar mais um pouquinho aqui conversando.
40:52Mas acho que foi muito válido.
40:53Acho que muita gente que ouviu e assistiu a gente vai sair desse episódio
40:57com a cabeça fervilhando aí de ideias,
40:59talvez buscando alternativas para conversar em família sobre esse tema.
41:04Então, espero que a gente tenha acendido muitas luzinhas aí.
41:07Com certeza.
41:08Na cabeça de quem estava ouvindo ou assistindo a gente.
41:11Quero agradecer a participação de vocês mais uma vez.
41:13E o Michael, muito obrigada.
41:15Doutor Wilson, volte quando quiser, viu?
41:18É a sua primeira vez aqui, mas já é muito bem-vindo.
41:20Primeira de muitas, né?
41:21Se Deus quiser.
41:22Doutor Rony, muito obrigada mais uma vez,
41:24mais um episódio aqui com a gente.
41:26E para saber mais sobre o Bem Envelhecer,
41:28acesse medicenior.com.br
41:31barra bem envelhecer
41:32ou aponte a câmera do seu celular
41:35para esse QR Code que está aí no cantinho da tela.
41:37Até a próxima.
41:38Tchau, tchau.
41:38Música
41:41Música
41:42Música
41:46Legenda Adriana Zanotto
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