00:00Essa divulgação dos números da Netflix, o que significou para o Brasil?
00:05Legal. O Brasil é um país que a gente tem uma base na Netflix bem significante,
00:11a gente também tem a produção local e foi um recado também para a sociedade de maneira geral.
00:17A Netflix, se você for olhar na origem dela, é uma empresa de tecnologia, um streaming,
00:24mas esse recado foi que a gente não é somente uma empresa de tecnologia,
00:28a gente gera emprego, a gente movimenta a economia local, o turismo e também outros pontos
00:35que eles tiveram interesse de mostrar justamente porque existe um movimento global
00:43de tentativa de regular um pouco os streamings, seja na questão deles pagarem mais impostos,
00:52ou seja, que é um ponto delicado para as empresas, ou até mesmo ter de produções mais locais,
00:58que também impacta muitas vezes em custo, porque hoje um terço mais ou menos do conteúdo
01:04é fora da língua inglesa, mas ainda é pequeno considerando o conteúdo americano que isso sobressai.
01:12Então, a tentativa, do meu ponto de vista, é mostrar para os governantes, para os parlamentares
01:20que a gente tem um peso muito significativo na economia do mundo inteiro,
01:26seja gerando empregos, como você tinha dito, seja nos investimentos, seja promovendo a cultura,
01:31mostrando o país como a Coreia, que teve um aumento significativo de turismo
01:36por conta das séries que são da Coreia, o Brasil em si também,
01:41e consequentemente interferir um pouco nesse julgamento, nessas próximas questões de regulamentação.
01:49Professor, a Netflix está tão presente na vida das famílias, no lar das pessoas,
01:55que a gente às vezes até esquece que ela não é tão antiga assim.
02:02Poderia lembrar para a gente um pouquinho da história da Netflix?
02:06É, a Netflix tem uma história, praticamente mais de 15 anos já colocada no mercado,
02:13surgiu no primeiro momento para trazer essa diferenciação do que seria antigamente a locadora,
02:21que a gente tinha o hábito de consumir, um consumo mais local e físico,
02:27e ela faz uma transformação disruptiva.
02:31O que é uma transformação disruptiva?
02:33Ela pega um mercado que tinha um hábito e simplesmente aquele hábito deixa de existir e é transformado.
02:40Então, o streaming teve um começo pelas plataformas, como a gente já conhece o YouTube e outras que são famosas
02:50também,
02:50mas a Netflix trouxe um outro contexto que foi profissionalizar esse tipo de conteúdo.
02:57E não só profissionalizar, como concentrar ali também, porque muitas vezes no YouTube você tem pessoas produzindo conteúdo,
03:05para uma plataforma, a Netflix não, você tem uma empresa que faz a gestão desse conteúdo e torna esse produto
03:13com uma qualidade maior.
03:14Então, essa transformação foi muito interessante e hoje é uma empresa líder de mercado.
03:20Apesar de ter competidores que todos olharam no primeiro momento esse movimento, acompanharam,
03:27e depois as próprias empresas que produzem conteúdo, como a Warner, enfim, a própria Disney começou também a ter os
03:36próprios canais de streaming.
03:37Mas mesmo assim, a Netflix manteve a liderança e hoje é o player mais significativo do mercado, apesar desses movimentos
03:48da competição.
03:49Pois é, e num mercado tão competitivo assim, estratégia é tudo.
03:53O que a gente pode esperar para a Netflix?
03:56Porque essas empresas têm que estar sempre se reinventando, né, professor?
04:00É, com certeza. A gente tem observado, né, a Netflix pensando agora em lançamentos que até invertem um pouco a
04:09lógica dela, né.
04:10Então, a gente tem visto aí planos de lançamento em cinema, né.
04:15Então, porque você tem, quando você faz uma divulgação em cinema, maior abrangência de divulgação, né,
04:21seja pelas televisões e os canais também off, né.
04:24Então, eu acho que uma tentativa dela também é ir para os canais que são mais ligados às redes sociais,
04:32ou seja, não somente vídeo para você assistir em TV, mas também no celular.
04:36Esse é um meio para aumentar a audiência.
04:40A gente viu também recentemente alguns tipos de planos alternativos para alcançar públicos, né,
04:47que têm uma renda menor, né, que esse é um problema também na Netflix, né.
04:52Não somente na Netflix, mas no estilo em geral, quando você tem um ambiente de inflação, né,
04:57que o mundo está passando, um dos principais pontos de atenção de empresas de tecnologia
05:03é que muitas vezes esse produto vira supérfluo, né.
05:06Então, as pessoas começam a cortar esse tipo de cobrança recorrente, né,
05:11porque acaba pesando, né, nas pessoas de menor renda.
05:14Então, ela criou planos alternativos com custo menor, com propaganda,
05:18para atingir públicos, né, que não teriam condições de pagar o plano premium, vamos dizer assim, né.
05:25Também uma tendência é a transmissão de eventos ao vivo, né,
05:28indo já para um lado mais da televisão, né.
05:31Então, a gente vê investimento em esporte.
05:33E, por fim, a questão dos games, né, que é uma tentativa de ampliar o escopo de atuação.
05:40É não somente um streaming, mas uma plataforma de entretenimento, né.
05:44Na tentativa aí de aumentar também o seu faturamento, né,
05:48atuando em setores que têm, muitas vezes, conexão, né.
05:51Aquele filme pode ter um game também, né, que a gente viu, o Mario Bros.
05:56e outros que criaram, né, situações como essa,
05:59ampliando aí a condição de lideração de receita.
06:02Então, essas são algumas movimentações futuras que a gente já está vendo hoje
06:06e algumas, né, sendo projetadas para daqui a alguns anos.
06:09Então, vamos lá.
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