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  • há 5 meses
As rodovias são parte essencial da infraestrutura brasileira, mas também trazem desafios ambientais e sociais. Neste episódio do Veja+ Verde, Diogo Schelp, editor de VEJA Negócios, entrevista Marcelo Guidotti, presidente da EcoRodovias, para discutir como o setor de concessões pode reduzir impactos ambientais, ampliar a segurança e adaptar a infraestrutura às mudanças climáticas.

Na conversa, Guidotti explica como as concessionárias conciliam obras de ampliação rodoviária com preservação ambiental, incluindo ações de reflorestamento, criação de corredores de fauna, monitoramento por inteligência artificial e compensações ambientais previstas em contrato. O executivo também comenta os desafios do licenciamento ambiental, os impactos das mudanças climáticas sobre a infraestrutura e o papel das concessões na adaptação das estradas a eventos extremos.

A entrevista aborda ainda temas como pedágio free flow, eletrificação da frota, descarbonização do transporte rodoviário, inovação tecnológica e os investimentos previstos no novo ciclo de concessões no Brasil. Guidotti também responde às críticas envolvendo o projeto da Nova Raposo e fala sobre a importância do diálogo com comunidades afetadas pelas obras.


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Transcrição
00:01Transição tem a ver com o trânsito, tem a ver com mudança e também tem a ver com a Juliana.
00:06E com essa pedra aqui ó, o níquel.
00:09O níquel é essencial em vários tipos de bateria.
00:12Nas placas solares ou nos carros elétricos.
00:15E tudo isso tem a ver com o papel da Vale para acelerar essa tal de transição energética.
00:21Essa é a mineração que pensa no hoje e no amanhã.
00:24Essencial para todos.
00:26E se é essencial para você, tem a ver com a Vale.
00:30Olá, eu sou o Diogo Schelp, editor de Veja Negócios.
00:33E esse é o programa Veja Mais Verde.
00:35As rodovias dominam a paisagem do Brasil.
00:37Como as concessões privadas podem reduzir o impacto ambiental de suas operações.
00:42Esse é o tema deste episódio.
00:45Veja Mais Verde.
00:48Um oferecimento Vale.
00:53Olá, hoje nós vamos falar com Marcelo Guidotti, presidente da Eco Rodovias.
00:58Marcelo, muito obrigado por aceitar o convite para essa entrevista.
01:01Diogo, boa tarde.
01:03Muito obrigado pelo convite.
01:04Aqui é uma oportunidade muito importante para nós poder debater este tema juntos.
01:10Marcelo, a Eco Rodovias é a maior empresa que faz concessão de rodovias em termos de quilometragem no Brasil, é
01:19isso mesmo?
01:19Correto.
01:20No ano passado, o Brasil viveu que se falava até então de um super ciclo de concessões rodoviárias.
01:27Como você descreveria o momento este ano do setor?
01:32Continua nas oportunidades de leilões.
01:37O governo tem mais de 14 leilões previstos para este ano.
01:43E acho que é um encerramento de ciclo, porque, evidente, depois de ter privatizado os principais trechos,
01:51depois vem onda de trechos que são menos atrativos do ponto de vista de receitas, de economics.
01:58Então, talvez a modelagem mude um pouquinho.
02:00Então, os grandes leilões se completam com o ciclo deste ano.
02:04Então, acho que tem uma continuidade até o final do ano.
02:06Quando a gente fala dos leilões que já aconteceram neste governo e dos que estão por vir,
02:11a gente está falando de rodovias que já existem e que passam então a ter uma concessão privada
02:16ou tem abertura de novas estradas?
02:19O modelo é o seguinte. No Brasil, praticamente todas são rodovias que já existem,
02:25ou seja, já tem um tráfico existente, mas elas irão receber muitos investimentos.
02:33predominantemente são investimentos de ampliação de capacidade, duplicações e obras de artes especiais,
02:39melhorias em troncamentos, investimento em segurança, conectividade, uma série de melhorias.
02:45Mas a rodovia existe.
02:47Em algumas pequenas ocasiões tem trechos novos que são agregados, mas são pequenos.
02:52Normalmente a rodovia já existe.
02:55Quando se fala em rodovia, obviamente a gente fala de um setor, uma atividade que tem um impacto ambiental.
03:03Quando você vai abrir uma estrada, você pode ter que desmatar, fazer fragmentação de ecossistemas
03:08ou aumentar o número de pistas, alguma coisa assim.
03:13Como que uma empresa que atua nesse setor, que é uma operadora, ela presta atenção e ela se preocupa
03:21e consegue ser ao mesmo tempo uma empresa sustentável e que tem esse olhar para o meio ambiente?
03:27Para ser uma empresa sustentável, para ser uma empresa que olha o meio ambiente, você tem que ter essa característica.
03:35Isso tem força. O seu modelo de negócio ser intrinsecamente ligado ao meio ambiente ou ao social,
03:42tem força para você cuidar e operar e se estruturar a própria estratégia para você atender essas demandas.
03:49É diferente de você ter eventualmente um setor menos relacionado com o meio ambiente, com a sociedade
03:57e ter que fazer algumas ações. Nós estamos no meio ambiente.
04:02Como você bem falou, nós atravessamos, cortamos, duplicamos, separamos comunidade.
04:08Então, a nossa estratégia é isso. É como a gente ataca, porque de um lado tem a demanda social
04:14para novos investimentos e do outro lado tem a preservação.
04:17Então, são contratos de concessões, são contratos públicos que têm leis que regulam eles
04:22e tem uma série de obrigações que já nascem praticamente com o último licenciamento ambiental.
04:28Qualquer obra precisou de uma licença ambiental que tem todo um íter preparatório
04:33e de compensações para serem exigidas. Então, as empresas que trabalham na infraestrutura
04:39tem, digamos, a obrigação e no próprio DNA de tratar desses temas e se preparar para isso.
04:47Você pode dar exemplo de compensações que são exigidas?
04:50Todo desmatamento precisa de medidas de compensação de áreas, por exemplo, de reforestação.
04:56E essas são grandes oportunidades, porque não necessariamente você precisa recompensar
05:01exatamente na área que está desmatando, mas pode achar oportunidade e criar reforestações
05:09em corredores que foram desmatados e que podem se juntar a outros e criar corredores
05:15que cessaram de ter uma função de corredor e você pode reativar esses corredores de fauna, de florestas.
05:21ou seja, as obrigações de compensação não necessariamente têm que acontecer no mesmo lugar.
05:28Então, dá oportunidade de você atuar em outras regiões e compensar e criar valor para outros ambientes.
05:36É muito comum, cada vez mais comum a gente ver em algumas estradas estruturas que são feitas
05:40inclusive para que a fauna possa se locomover de um pedaço a outro da mata.
05:49Tem passarelas, tem túneis. Nós fizemos um programa, fizemos um levantamento muito apurado
05:58do impacto na biodiversidade das nossas rodovias. Hoje, com a existência de tecnologias avançadas,
06:06de inteligência artificial, câmaras sofisticadas, drones, dá para fazer um levantamento muito apurado,
06:13eu diria, metro por metro quase, de quanto a fauna e a floresta é impactada pela sua rodovia.
06:20Depois desse levantamento, a gente fez praticamente todo um plano de ação para poder mitigar impactos.
06:27Hoje, obviamente, construindo túneis onde sabemos que tem passagem de fauna e outras proteções também.
06:37Reforestamentos, porque às vezes os próprios animais protegidos pela floresta não cruzam,
06:42ou se você deforesta eles tendem a cruzar mais. Enfim, uma série de ações para poder mitigar.
06:49A visão é para preservar o meio ambiente, mas também preservar vidas, porque é um dos fatores de risco mais
06:57altos das nossas rodovias.
06:59Tem fauna, a gente, não são só animais pequenos, tem animais que tem grande cor.
07:03Para molduar.
07:05Molduar, cabalos, às vezes, que são na periferia, mas outros animais, eles causam muitos acidentes.
07:11E são perigosos. Então, é um... E todo o custo que se envolve.
07:16O custo do meio ambiente, mas também o custo para manter uma rodovia segura.
07:20Então, acho que é um conceito que, de novo, voltando ao começo, é obrigação nossa.
07:28Porque as nossas rodovias trafegam vidas, trafegam pessoas, bens de consumo.
07:33Então, a gente tem que manter as rodovias praticamente sempre funcionando e em segurança.
07:39E protegendo o meio ambiente.
07:41Quer dizer, a segurança...
07:43Quer dizer, todos os sistemas, eles são, muitas vezes, medidos, né?
07:47Nos contratos.
07:48Quer dizer, há uma exigência que se cumpra determinados parâmetros.
07:52Os contratos são repletos de parâmetros.
07:56São constantemente auditados.
07:59Constantemente as agências vão a campo, medem.
08:02E nós somos obrigados constantemente a mandar relatórios de tempos de atendimento,
08:08de parâmetros de pavimento, de iluminação, de qualidade das placas de sinalização.
08:15Uma série infinita de parâmetros que constantemente são mandados e analisados.
08:20É dever nosso mandar todas as evidências constantemente a poder concedente para manter.
08:26O conceito é bem...
08:27É um conceito...
08:29Às vezes, não é que se confunde.
08:32A conceição como fazedora de obra.
08:35A conceição é também fazedora de obra.
08:38Mas o conceito de conceição é você manter um dispositivo enorme,
08:43como uma rodovia de 200, 300, 500, 1000 quilômetros,
08:47sempre em funcionamento.
08:50Sem paradas disruptivas.
08:52Sem acidente.
08:53Então, esse é um conceito quase de utilidade.
08:56Você tem que garantir o funcionamento contínuo, 24 horas por 24,
09:00em qualquer condição climática e em segurança de um trecho de rodovia muito grande.
09:07Esse é o conceito da conceição.
09:08Junto, em paralelo quase, a melhorias de infraestrutura, aumento de capacidade.
09:14Mas não é uma conceição de uma obra.
09:17É uma conceição que você vai operar.
09:20E para operar uma rodovia...
09:22Nós temos rodovias que passam de 800 quilômetros.
09:25Você tem que, além das licenças ambientais,
09:28tem que ter a famosa licença social para operar.
09:31Você permanece aí e você recebe comunidades, fluxo, viento.
09:35Essa é a obrigação do concessionário.
09:38É manter em funcionamento, em segurança, um trecho de rodovia.
09:42Falando em licenciamento ambiental,
09:44a gente teve recentemente a aprovação de uma lei que flexibiliza o licenciamento ambiental.
09:51E era uma preocupação ou era um problema,
09:53ou talvez continue sendo, para as obras de infraestrutura em geral,
09:58que muitas vezes acabavam atrasando investimentos e tudo mais.
10:04Essa lei, ela resolve o problema?
10:06Essa lei vem no sentido de melhorar a capacidade do sistema privado,
10:14do sistema público, em realizar grandes obras em regiões que têm restrições ambientais.
10:23Então, eu acho que é um passo na frente, um passo que melhora.
10:28Não significa que não tenha licença ambiental, não.
10:33Tem melhorias para facilitar e agilizar a realização de obras.
10:39Mas não significa simplesmente não fazer licenciamento ambiental.
10:42Pelo contrário, exige licenciamento ambiental, mas de uma forma mais expedita.
10:46Por exemplo, em algumas faixas de domínio, já têm licenças previamente aprovadas
10:51para facilitar obras e assim por diante.
10:54Ou seja, tem uma lei que vem a facilitar.
10:57Tem grandes obras, no nosso caso também,
10:59que ficaram paradas por alguns meses para a obtenção de licença ambiental.
11:05Quer dizer, para o setor de rodovias, quer dizer, claro,
11:08a gente está falando de muitos setores que são empatrados por essa lei,
11:12mas no setor de rodovias ela realmente dá mais racionalidade para a concessão de...
11:17Dá, porque veja bem, voltando a uma concessão,
11:21é um contrato que tem obrigações contratuais ao longo do tempo.
11:25Porque você arrecada desde o primeiro dia, digamos.
11:28Ou seja, o usuário já paga.
11:30Quando o usuário paga, ele quer uma contraprestação, uma contrapartida.
11:34E normalmente a contrapartida é o serviço, mas também a execução da obra.
11:39Se acontecem atrasos devidos ao licenciamento ambiental,
11:44que leva mais tempo do normal,
11:46porque é normal que tenha um tempo de análise.
11:48É normal.
11:50O tempo de análise depende da magnitude da obra.
11:53E muitas vezes nós colocamos esse tempo de análise no projeto.
11:57O próprio contrato prevê o tempo de análise.
11:59Mas se esse tempo de análise perdurar mais,
12:02acaba que você fica cobrando um serviço e não prestando a contraprestação.
12:08O contrato se desequilibra.
12:09Começa a se desequilibrar e esse desequilíbrio vai encarecer o próprio contrato.
12:15Ou seja, sai dos trilhos.
12:17É difícil depois colocar.
12:18Então é necessário esse tempo de análise que tenha um tempo definido.
12:24você coloca no seu modelo e joga isso na tarifa.
12:28Porque senão você pode cobrar valores e não ter a contraprestação.
12:33Então é importante para o nosso setor ter essas definições, essas clarezas.
12:39A Eco Rodovias pretende ser um grupo italiano.
12:44Eu gostaria de saber se as preocupações, os parâmetros, os critérios na área de sustentabilidade
12:50são algo que vem da matriz.
12:53Quer dizer, são orientações diretrizes que vêm da matriz
12:56ou não necessariamente se segue aquilo que se segue lá?
13:02O social, o ambiente é importante, é igual.
13:07Talvez não nas suas características, mas a relevância é para o mundo todo.
13:11Não dá para fazer então.
13:14Seguramente a nossa acionista de controle, a Eco Rodovias,
13:17é uma empresa de capital aberto, listada na Bovespa.
13:20Ela é inserida no contexto europeu, que é um dos contextos que mais aprimorou leis,
13:25mais aprimorou normas, controles sobre esse tipo.
13:28E o poder e a orientação que vem dos acionistas é fundamental.
13:35Mas a Eco Rodovias, por ser um operador muito grande,
13:38por ter muitas obras, muitos compromissos no Brasil,
13:43e lá, evidentemente, estudou e montou uma agenda 2030 moldada
13:49às suas necessidades, aos seus desafios.
13:52Uma coisa é fazer certas atividades na Europa,
13:56talvez que tenha uma infraestrutura rodoviária já moderna,
14:01e são outras características que no Brasil.
14:03Então a gente adaptou a agenda às nossas características
14:07para ser uma agenda nossa, uma agenda que se encaixa na nossa estratégia.
14:11Porque aqui nós temos que fazer centenas,
14:16milhas de quilômetros de duplicação.
14:19Por exemplo, a Itália não tem nem mil quilômetros, nem duzentos quilômetros.
14:23Então os movimentos de terra, grandes maquinários,
14:27consumo de diesel, são coisas que são características daqui.
14:31Essas coisas foram atreladas à nossa estratégia.
14:37Mas as orientações de cuidar do meio ambiente, cuidar das comunidades,
14:40do social, da governança, são orientações que vêm e têm
14:45o empowerment da nossa ciência de controle.
14:48Você já atua nesse setor já há algum tempo, né?
14:50E antes mesmo do Brasil.
14:52De quanto tempo para cá que esse tema se tornou algo central,
14:57digamos assim, na cultura da empresa?
14:59A cultura da empresa, não é uma coincidência.
15:05O nosso nome é Eco Rodovias, nasce antes de 2000.
15:10E nasceu como?
15:12Nós tínhamos um contrato, famoso contrato Ecovias dos Imigrantes,
15:16que é o Sistema Anchete Imigrantes.
15:18E fomos responsáveis pela construção da segunda pista dos imigrantes.
15:23A segunda pista, para você ter uma ideia,
15:25nós hoje estamos discutindo com o governo do estado de São Paulo
15:29a construção da terceira pista dos imigrantes.
15:32É a descida da Ceba.
15:34Para ter uma ideia, a primeira pista dos anos 70,
15:37tem fotos, ele foi um investimento que desmatou faixas da Mata Atlântica,
15:44que é uma das regiões mais preservadas, de forma impressionante.
15:48Se você coletar as fotografias, quando inauguraram a pista, a primeira,
15:52tinha uma mancha de desmatamento enorme da serra até...
15:57Ao longo da...
15:58Ao longo de todo, anos 70.
16:00Obviamente, a Mata agora retomou e você não vê nada,
16:02mas quando foi o impacto foi...
16:04Quando inauguramos a segunda pista dos imigrantes, existem fotos,
16:08o dia da inauguração do helicóptero, você não vê desmatamento.
16:12Porque foi construída por baixo, erguida e a laje da pista foi empurrada.
16:19Hoje, estamos estudando a terceira pista, você não vai nem ver a pista,
16:24porque vai ser toda em túnel.
16:26Você vê que em diferentes idades...
16:28Então, esse DNA de construir infraestrutura em ambientes muito protegidos,
16:32nós temos desde o começo.
16:33A Cordova sempre teve...
16:36O primeiro relatório ambiental foi publicado nosso em 2005.
16:40Acho que sempre tivemos no DNA a cultura da proteção do meio ambiente e das comunidades.
16:47Mas é evidente que a gente acompanha também as agendas mundiais,
16:51as pressões dos stakeholders, dos investidores, dos financiadores.
16:55Então, a gente tem que aprimorar e esteve uma aceleração, graças a Deus, recentemente.
17:00As metas de sustentabilidade influenciam, por exemplo, também no rendimento variável
17:05do presidente e da alta cúpula da empresa?
17:10Sim, sim. Nós temos uma participação de até 20% no que chamamos de bônus de corto prazo e de
17:18longo prazo.
17:19Sim, as metas, todos os executivos têm metas relacionadas à agenda 2030.
17:24E são medidas e são remuneradas quando atingidas.
17:28Nós vamos para um rápido intervalo e já voltamos.
17:49Voltamos para a entrevista com Marcelo Guidotti, presidente da Eco Rodovias.
17:53Marcelo, a Eco Rodovias venceu o leilão da Nova Raposo.
17:58que vai incluir a abertura de alguns novos trechos.
18:01Como que você responde às críticas que são feitas por moradores ou por outras pessoas
18:08de que essa obra vai impactar no cinturão verde ali da região e também algum impacto social?
18:16Eu me lembro quando fui depositar a proposta do Raposo Castelo, que tinha umas protestas.
18:25Eu me lembro de ter lido o cartaz que falava que não fomos ouvidos.
18:30E isso me chamou a atenção porque talvez a protesta ou a dúvida e a preocupação nascem dessa falta de
18:40talvez de ter ouvido, de ter discutido.
18:44Nós, o contrato da Raposo Castelo prevê um tempo de mais de dois anos e meio, três, antes de começar
18:52as obras de melhoria e ampliação.
18:55E nós pretendemos evidentemente conversar, debater e mostrar todos os benefícios que alguns investimentos terão.
19:05e longe das obrigações da concessionária de atacar áreas de preservação e tudo isso.
19:13Ao contrato, está previsto preservação, mais preservação, segurança para a fauna, para os usuários e uma possibilidade de ir e
19:22vir menos turbulenta.
19:24Porque passar horas no tráfico também não é uma coisa que polui, muitos gases que saem.
19:30Então, tem grandes benefícios.
19:32Eu acho que o importante para nós é poder debater, mostrar e, em conjunto com as comunidades, com os líderes
19:40das comunidades,
19:41traçar um percurso que seja viável.
19:43Esse é o papel da concessionária.
19:45Cumprir o contrato de concessão é isso.
19:46Eu acho que nós temos, estamos abertos, temos uma estrutura já montada e eu acho que tudo, visto com um
19:58olhar um pouquinho mais de longo prazo,
20:00eu brinco sempre que talvez o setor que mais olha para o futuro é a infraestrutura.
20:06Porque nós podemos fazer coisas que hoje talvez possam parecer, no curto prazo, nocivas à sociedade, porque uma obra ataca,
20:18entra,
20:18mas se vistas com um olhar um pouquinho mais longo, e não precisa ser muito longo, você percebe o grande
20:26salto de qualidade que todo o entorno vem.
20:29Eu acho que tem que ter um diálogo mais aberto e eu acho que nós temos todas as condições para
20:34colocar esse projeto de pé e beneficiar todos.
20:39Nos protestos que os moradores fazem, eu também já vi esses cartazes aí, inclusive na frente de algumas casas,
20:46fala-se impacto na mata nativa, fala-se impacto em nascentes, dezenas de nascentes que existem por ali,
20:53e também nas desapropriações que, obviamente, devem gerar muita polêmica.
20:58O que que diz, quer dizer, o estudo de impacto ambiental que foi feito, o que que diz sobre essas
21:04preocupações?
21:05Todas essas preocupações, elas são endereçadas no contrato de concessão, nas obrigações, os levantamentos são feitos.
21:12Nós hoje estamos com as nossas tarefas de ir ainda mais a fundo nos levantamentos para evidenciar árvore a árvore,
21:21nascentes, nascentes, quais serão realmente afetadas, porque o contrato de concessão, quando nasce,
21:28ele tem uma qualidade de intervenção que é de um certo nível.
21:32É o concessionário que tem o dever de mapear ainda mais e oferecer todas as garantias.
21:38Então, o meio ambiente, as nascentes e as próprias casas, eles irão passar por um processo absolutamente previsto por lei
21:49e de diálogo.
21:50Ou seja, um contrato de concessão já nasce com essas obrigações de preservação da situação e de melhoria.
21:59As desapropriações são normais, ou seja, a área tem que ser ampliada, algumas casas terão que ser assentadas ou desapropriadas.
22:08Isso faz parte.
22:10Pela sua experiência, pegando esse caso da Nova Raposo, mas pela experiência de outras obras, de outras concessões,
22:17essas preocupações costumam ser resolvidas com o diálogo com os moradores, com a população. Como que você vê isso?
22:25Sim, exatamente assim. E as experiências passadas servem e serviram de base para os novos contratos.
22:34O contrato da Raposo Castelo é um dos mais modernos, que inclusive prevê planos de engajamento da sociedade.
22:42A concessionária é obrigada a criar fóruns de diálogo constantes, aberturas constantes para o engajamento,
22:49medindo esse engajamento ao longo do período de preparação dos investimentos.
22:55É um contrato muito moderno, tem uma matriz de risco e uma atenção para a sociedade,
23:01justamente porque é um contrato basicamente quase urbano, muito apurado.
23:06Então acho que as experiências passadas, quando deram errado, se deram errado,
23:10serviram para melhorar os contratos que viram no futuro.
23:14E a Castelo acho que colheu, o contrato da Castelo, todas essas melhorias e essas experiências do passado.
23:21De que forma as mudanças climáticas ou os fenômenos climáticos extremos, como a gente tem falado, impactam diretamente nas concessões?
23:31As nossas concessões passam por vários biomas do Brasil, entre eles os mais complexos do ponto de vista da natureza,
23:41que é a Mata Atlântica, onde o regime pluviométrico é muito intenso em algumas ocasiões,
23:48mas também passamos por áreas do cerrado, onde tem questões de incêndios e secas prolongadas.
23:57Os contratos de concessões, eles trazem as grandes obrigações, que são as obrigações de melhorar, ampliar,
24:06proteger todo o entorno da rodovia.
24:09Então, eles nascem para atender o impacto do clima, da mudança do clima, mas também da mudança da sociedade,
24:19porque muitas rodovias que foram construídas 50 anos atrás, passavam em ambientes sem habitações, sem presença antrópica.
24:31E agora mudou. Então, os dois efeitos combinados, a presença de pessoas e a mudança do clima,
24:38exigem uma competência para agências legislativas muito elevada.
24:44Então, eu diria que os contratos de concessões já nascem com esse desafio.
24:49Mas, além disso, o próprio poder concedente, via o sandbox, que são questões de sandbox,
24:56são ambientes, digamos, regulatores fora do contrato de concessão para testar soluções novas para problemas novos.
25:06Então, o poder concedente já lançou um sandbox para que as concessões testem soluções para ampliar e melhorar
25:17essa resposta às mudanças climáticas. E caso dando certo, a gente incorpora no contrato via medidas de reequilíbrio e por
25:25diante.
25:26É um constante se adaptar à situação. Eu acho que a infraestrutura rodoviária é a que mais tem possibilidade
25:36de poder se antever e se proteger desses eventos.
25:41É isso que eu queria perguntar. Quer dizer, tem um impacto, um risco climático para a própria estrutura,
25:47para a própria infraestrutura das rodovias?
25:49Às vezes, a própria infraestrutura, se mal planejada,
25:52cria um impacto maior para a sociedade.
25:54Uma ponte que não está muito alta, cria uma barreira, vira uma barreira de água.
26:00Essa é a questão que é muito importante.
26:04E uma encosta que não tem vegetação pode estar mais vulnerável a um deslizamento, alguma coisa assim?
26:10Sim. Por isso, a infraestrutura, quando ataca uma encosta, não é simplesmente
26:14abre espaço e faz a rodovia. Abre espaço e cuida da encosta.
26:19Às vezes, o resultado final, que essa encosta, mesmo tendo sido afetada pelo corte,
26:24ela é mais segura do que era antes. Então, a infraestrutura tem a capacidade de atender
26:30todas essas demandas e prever excessos, picos.
26:34Nós acabamos, no contrato que acabou recentemente, na Ecovia Sul, no Rio Grande do Sul,
26:40inaugurar o alteamento de três importantes pontes na BR-116.
26:47A BR-116 entre Porto Alegre e Pelotas foi duplicada inteiramente.
26:52A Pista Nova já tinha as pontes todas a um nível de gabarito maior, porque o entorno mudou muito.
27:00Então, as enchentes levavam um fluxo de água muito maior do original.
27:04A Velha não manteve os gabaritos. Então, a gente alteou todos os gabaritos da Nova.
27:09Então, essa rodovia, que antes se tornava até causador de enchentes, porque representava, agora não.
27:16E foi um simples investimento de alteramento de pontos.
27:20Ou seja, a infraestrutura tem a capacidade, se bem programada, de responder a esses desafios.
27:28É uma questão de adaptação, mas também de longo prazo.
27:31Porque é um negócio que faz investimento de longo prazo, então faz sentido pensar.
27:35Faz sentido. E, de novo, o clima que afeta a infraestrutura não é de sempre.
27:41Então, nós temos como poder planejar e se antever a essa situação.
27:45Sobre o pedágio free flow, existe alguma relevância de sustentabilidade para essa nova tecnologia ou não?
27:54É só uma questão econômica, digamos assim?
27:59Se a gente imaginar um mundo onde todo mundo pagasse pedágio assim, sem parar, pagando no aplicativo.
28:15Imagina um mundo assim. E, de repente, chega alguém e fala,
28:18O que você acha de fazer trocar e fazer prazo de pedágio, bloqueios, com filas?
28:24Seria uma boa ideia? Talvez nem uma gargalhada seria.
28:29Ou seja, é isso que precisamos ver.
28:32Não é sustentável um modelo de pedágio onde você bloqueia, deixa carros por alguns minutos, mas parados, filas grandes.
28:41Normalmente, os caminhões têm uma massa que, quando freiam, a hora de recomeçar, eles gastam mais.
28:47E isso não é um caminhão.
28:48É milhas, centenas, milhões de caminhões que constantemente freiam e recomeçam.
28:54Isso gera, além dos conceitos de segurança, uma praça de pedágio, nós vivemos isso constantemente.
29:01Caminhões desregulados que invadem cabine.
29:04Colaboradores, são setenas de colaboradores que estão aí na pista em um ambiente muito de alto risco.
29:13Então, o sistema Free Flow é uma resposta contundente, segura, que elimina problemas, segurança.
29:21E, seguramente, reduz muito o gasto de CO2 causado pelas freadas e retomadas dos caminhões.
29:28Então, eu acho, se a gente imaginar o mundo todo com Free Flow, jamais ousaria pensar em voltar a colocar
29:36em uma praça física.
29:37Quais são os planos da Eco Rodovias para a crescente eletrificação da frota de veículos no Brasil?
29:43Nós temos já colocado quase 120 postos de recarga em todas as nossas rodovias.
29:48E, por incrível que pareça, embora em alguns lugares que pareçam fora das regiões urbanas, eles são muito usados.
29:57E a nossa meta é ter a eletrificação de toda a nossa mar.
30:03Aquelas 60 quilômetros, pelo menos, ter um posto de tomate.
30:07E é uma resposta ao que estamos vendo, o forte aumento de carros e veículos eletrificados.
30:14Além disso, nós temos que também olhar o que nós gastamos com os nossos veículos.
30:19Nós temos muitos veículos que hoje operam em nossas rodovias.
30:22Guinchos, ambulâncias, viatura de expressão.
30:26Então, nós já temos substituído, em alguns casos, na Ponte Rio Niterói, os guinchos são todos elétricos.
30:32Então, a gente está com uma estratégia, que faz parte da nossa Agenda 2030,
30:40que, paulatinamente, irá substituir as viaturas, as viaturas elétricas, e descarbonizar a nossa operação.
30:49E isso a gente está fazendo de forma organizada, evidentemente, também olhando para os biocombustíveis,
30:56porque, às vezes, o custo de eletrificar acaba sendo inviável, por alguns casos, quando tem distância muito grande.
31:04Mas, se você fizer um planejamento e juntar várias alternativas, você vai melhorando e vai achando.
31:11As soluções técnicas e tecnológicas, eu diria que existem e existirão.
31:15Então, a questão é ir nessa direção. Onde faz sentido, a gente já está fazendo.
31:21Mas a ideia é reduzir, e isso é um pouco o que o setor de transporte cedeu como objetivo.
31:30Na COP30 foi apresentado o setor de transporte, e todo o setor de transporte apresentou na proposta
31:35para descarbonizar o setor de transporte. O setor de rodovias é um dos setores que, hoje,
31:41na soma de todos, é a que mais polui, porque o caminhão, o caminhão emite mais...
31:48Mas, hoje, a matriz de transporte no Brasil é predominantemente rodoviária.
31:54Fazer uma mudança é quase inviável, do ponto de vista dos investimentos.
31:58Então, é aí que temos as oportunidades, nós que operamos rodovias, de melhorar a condição.
32:05Já vem o free flow, vem o HSWIN, que é a pesagem automática, os caminhões não precisam mais parar,
32:12pesar e sair, passam e são pesados 100% deles.
32:17Isso já está implantado em algum lugar?
32:18Já está implantado, já está autorizado, não terá mais balanças tradicionais no Brasil.
32:26E, se o nosso setor é o que mais impacta a matriz do setor de transporte,
32:31eu, como sempre, vejo com o Poché, o que mais oportunidades tem?
32:35Asfaltos recicláveis.
32:37Nós usamos, um dos materiais que nós mais usamos é o asfalto, que deriva do petróleo.
32:44Asfaltos que possam ser utilizados, utilização de polímeros.
32:48O próprio asfalto, quando é frezado, a própria frezagem você reutiliza.
32:54Então, usar da tecnologia da inovação para que o nosso setor se torne menos poluente
33:01e ajuda toda a matriz de transporte do Brasil a baixar o seu impacto.
33:06Não é só uma mudança de mudar, porque isso é quase inviável.
33:09Então, nós temos muitas oportunidades que, de novo, vão de materiais,
33:12vão de tecnologia de operação, de ponta, enfim, uma série de...
33:18E, de novo, a tecnologia na nossa Agenda 2030, o pilar da inovação,
33:24ela não tem um pilar de inovação.
33:26Ela cobre toda a agenda, porque todas as questões sociais de governança, de ambiente,
33:34elas têm que ter a visão de inovação para você ter a certeza que vai conseguir.
33:39Quer dizer, a inovação tem que atender todos esses pontos.
33:42Ela serve para todos, porque a gente vê a Agenda 2030 como uma oportunidade,
33:47não como uma ameaça.
33:48É uma oportunidade de negócio, de fazer bem o nosso negócio.
33:52Então, a inovação está sendo dedicada a todos.
33:56Perfeito. Marcelo, muito obrigado pela entrevista.
33:58Obrigado. Obrigado a todos e até mais.
34:02Este foi o Veja Mais Verde. Obrigado pela audiência e até breve.
34:06Veja Mais Verde.
34:09Um oferecimento Vale.
34:13Obrigado.
34:13Obrigado.
34:13Obrigado.
34:14Obrigado.

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