- há 18 horas
A despoluição dos rios Tietê e Pinheiros voltou ao centro da agenda ambiental paulista, em meio a dados recentes que apontam oscilações na qualidade da água.
Em entrevista ao programa VEJA+Verde, a secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística de São Paulo (Semil), Natália Resende, defendeu que o enfrentamento do problema passa por investimentos robustos em saneamento, ampliação do monitoramento e ações integradas para atacar as principais fontes de poluição.
Segundo ela, o foco está na universalização da coleta e tratamento de esgoto até 2029, com 69 bilhões de reais já contratados. “54% da carga orgânica é reduzida com os investimentos já contratualizados”, afirma. A estratégia inclui ainda a ampliação da capacidade de tratamento e o combate à poluição difusa, além de obras de desassoreamento para melhorar o fluxo dos rios e mitigar enchentes.
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Em entrevista ao programa VEJA+Verde, a secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística de São Paulo (Semil), Natália Resende, defendeu que o enfrentamento do problema passa por investimentos robustos em saneamento, ampliação do monitoramento e ações integradas para atacar as principais fontes de poluição.
Segundo ela, o foco está na universalização da coleta e tratamento de esgoto até 2029, com 69 bilhões de reais já contratados. “54% da carga orgânica é reduzida com os investimentos já contratualizados”, afirma. A estratégia inclui ainda a ampliação da capacidade de tratamento e o combate à poluição difusa, além de obras de desassoreamento para melhorar o fluxo dos rios e mitigar enchentes.
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NotíciasTranscrição
00:01Transição. Tem a ver com o trânsito, tem a ver com mudança e também tem a ver com a Juliana.
00:06E com essa pedra aqui ó, o níquel.
00:09O níquel é essencial em vários tipos de bateria.
00:12Nas placas solares ou nos carros elétricos.
00:15E tudo isso tem a ver com o papel da Vale para acelerar essa tal de transição energética.
00:21Essa é a mineração que pensa no hoje e no amanhã.
00:24Essencial para todos.
00:26E se é essencial para você, tem a ver com a Vale.
00:30Olá, meu nome é Diogo Schelp, eu sou editor de Veja Negócios e esse é o programa Veja Mais Verde.
00:36No episódio de hoje, nós vamos falar sobre a despoluição dos rios Pinheiros e Tietê.
00:41Vamos falar também sobre saneamento básico, reflorestamento e outros temas importantes sobre meio ambiente em São Paulo.
00:49Veja Mais Verde.
00:52Um oferecimento Vale.
00:57Olá, no episódio de hoje nós vamos falar com Natália Rezende, secretária de meio ambiente do estado de São Paulo.
01:05Secretária, muito obrigado por aceitar o nosso convite.
01:08Eu que agradeço.
01:09Para mim é um prazer imenso estar aqui e falar de temas que são tão importantes para nós, para o
01:13estado de São Paulo e principalmente para as pessoas.
01:15Obrigada.
01:17A secretária, ela é procuradora federal e está desde o começo do governo, do atual governo estadual, na secretaria, que
01:25não é só de meio ambiente,
01:26é uma secretaria de infraestrutura e logística.
01:29E é uma secretaria que abarca setores como, além de meio ambiente, logística, também transportes, energia, saneamento.
01:36Quer dizer, é um leque bastante amplo, né, secretária?
01:39Eu queria saber como é que faz para integrar todas essas políticas públicas.
01:44Sim, e esse é o mote principal.
01:46Eu diria que essa palavra para nós é o norteador do que a gente vem fazendo desde 2023.
01:52Então, integração.
01:53E isso é essencial para dar o resultado na vida das pessoas.
01:58Com a secretaria posta como ela está, nos dá muito essa possibilidade.
02:03E aí, claro, tem que ter planejamento.
02:06Desde o início, a gente fez uma estratégia climática, um planejamento bem robusto, com ações de curto, médio e longo
02:12prazo,
02:12porque tem desafios que a gente não resolve do dia para a noite, mas que a gente precisa enfrentar.
02:18E a gente tem enfrentado com disciplina, com prometimento, com coragem,
02:21porque a gente precisa fazer determinadas mudanças, por exemplo, em relação à política de saneamento,
02:26que estava há muito tempo um pouco à margem e que a gente colocou o dedo na ferida para resolver
02:32o problema.
02:32Não só em saneamento, mas olhando o todo, então, vendo um plano de adaptação e resiliência climática,
02:40eixos como segurança alimentar, saúde única, segurança hídrica, biodiversidade, justiça climática, infraestrutura transversal,
02:48como é que eu consigo cada vez mais chegar com esses resultados na vida das pessoas e de forma estruturante.
02:55Então, é parar de enxugar gelo e resolver problema.
02:58E problema que, de fato, impacta, impacta a vida do paulista,
03:02que olha um planejamento em que a gente tem visto os recursos hídricos integrados aos serviços.
03:08Então, a gente tem olhado cada bacia, a gente tem 3.074 bacias aqui no estado.
03:13Então, tudo em relação aos extremos. Chuva, seca, que muitas vezes, com as mudanças climáticas,
03:20a gente tem enfrentado de uma vez só nos nossos municípios.
03:24Então, a gente precisa ficar mais resiliente.
03:26E, para isso, eu preciso ter planejamento, eu preciso ter estratégia.
03:30Toda essa composição, que é a integração da secretaria, uma governança bem estabelecida,
03:35nos ajudaram muito a hoje a gente olhar para trás e ver que a gente conseguiu avançar.
03:40Claro, tem muito também a andar, a caminhar, mas que com o planejamento posto
03:46a gente consegue prestar um bom serviço para as pessoas.
03:49E ter que pensar também em infraestrutura e energia,
03:54quer dizer, setores que são, inclusive economicamente, muito importantes e muito impactantes,
03:59mas ter que pensar isso também sempre sob a ótica do meio ambiente,
04:03quer dizer, é algo que faz sentido nos dias de hoje, não é?
04:05Demais! E a gente vê isso, inclusive, ante o cenário internacional que a gente está vivendo.
04:11Tanto que é importante a gente ter uma segurança energética e mais,
04:17uma energia limpa, uma transição energética, que aqui no estado de São Paulo
04:22a gente tem uma potencialidade, não só potencial, mas resultado concreto
04:27em virtude desse planejamento que eu comentei.
04:30Então, a gente em 2024 aprovou o primeiro plano subnacional de energia do Brasil,
04:35olhando até 2050 em linha com a estratégia climática e vendo todas as rotas, tecnologias
04:42que a gente poderia desenvolver aqui no estado.
04:46Biogás, biometano, hidrogênio de baixo carbono, hidroelétrico, enfim, tudo.
04:50E meio ambiente, social, infraestrutura, regulação, as pontas que eu teria que interligar
04:56para a gente, de fato, melhorar a transição energética.
04:59E aí, um dado interessante, se a gente olhar os países da OCDE, por exemplo,
05:04eles têm uma média de matriz renovável de 13%.
05:08Hoje, em virtude de todo esse planejamento, e a gente pode falar um pouquinho disso aqui,
05:13a gente está chegando no estado de São Paulo a 59%.
05:16Claro que a gente pode melhorar e a gente quer melhorar mais.
05:19Mas isso é muito significativo de falar, porque a gente precisa ter orgulho desses números.
05:24Então, o que a gente viu de uma vocação imensa que a gente tem aqui no estado?
05:29Biometano.
05:29Então, a gente tem uma potencialidade de produção de biometano,
05:33que a gente começou um pouquinho lá em 2023,
05:35hoje a gente está chegando a 755 mil metros cúbicos dia,
05:40e a gente tem a possibilidade, pelo estudo que a gente fez depois desse plano,
05:44de chegar a 6,4 milhões de metros cúbicos dia.
05:48O que é isso, para quem está aqui nos acompanhando?
05:50É metade do que a indústria precisa de São Paulo.
05:53Então, é dizer que eu consigo abastecer metade da indústria de São Paulo com biocombustível.
05:58Isso é lindo, porque a gente consegue olhar meio ambiente, olhar desenvolvimento
06:04e trazer isso na ponta da linha para a vida das pessoas.
06:08E aí você me pergunta, mas de onde, Natália?
06:11De onde que a gente vai tirar isso?
06:12Então, uma boa parte, 84% do setor sucroenergético,
06:17então é o nosso agro que é muito pujante, que participa muito aqui do nosso PIB,
06:23para também gerar essa energia limpa.
06:25E aí hoje a gente já chega a Presidente Prudente, por exemplo,
06:29com 5 mil domicílios, 45 estabelecimentos,
06:33abastecidos por biometano vindo da vinhaça da cana.
06:37É a primeira cidade do Brasil até isso.
06:39A gente está olhando também a América Brasileira, Ribeirão Preto,
06:42outras cidades para dar escala e mais para jogar esse biometano no grid,
06:45ou seja, nas nossas redes de gás, porque ele mistura 100%.
06:50E aí eu também consigo descarbonizar a indústria,
06:53consigo descarbonizar os veículos pesados no que eu não colocar no grid.
06:56Então, é uma economia circular que já é real.
07:01O Estado de São Paulo já tem sido vanguarda e tem potencialidade também em relação ao lixo,
07:06vou colocar entre aspas, porque ele tem um potencial também gigantesco.
07:09O lixo orgânico, não é?
07:10Falando, por exemplo, em uma cidade como São Paulo,
07:12que tem uma produção gigantesca, não sei dizer em números,
07:14obviamente, você já deve saber, mas é um potencial para esse biometano também.
07:19Muito!
07:2084% daquele valor de 6,4 milhões de metros cúbicos dia,
07:25ele vem do setor sucuro energético,
07:2716% dos resíduos sólidos, chamados resíduos sólidos.
07:32E aí a gente tem a seguinte realidade no Estado de São Paulo,
07:34que não é diferente do Brasil.
07:36A gente produz ali entre 40 e 44 mil toneladas dia.
07:40É um custo de mais de 6 bilhões, tem municípios de 199 que percorrem mais de 50 km para destinar
07:48o seu lixo.
07:49Só que o que a gente vê?
07:51Que 536 municípios de 645 produzem menos de 50.
07:57Então eu tenho muitos municípios produzindo pouco, poucos produzindo muito.
08:02Então o que que eu preciso para poder ter o biogás, ter o biometano, fazer mais reciclagem, fazer mais compostagem?
08:11Eu preciso de escala, eu preciso de agregar, integrar.
08:15E aí a integração vem muito forte também.
08:17E quem que integra?
08:19O Estado.
08:20Então em 24, depois que a gente fez essa estratégia climática, a gente lançou um programa Integra Resíduos
08:26para a gente juntar municípios, dar essa escala e conseguir de fato ter cada vez mais a produção de biometano
08:34em, por exemplo, contratos de longo prazo.
08:37E aí a gente consegue ser mais eficiente, reduz custos para os municípios
08:41que muitas vezes tem que percorrer esses vários quilômetros que eu comentei
08:44e melhora a disposição ambiental, que é um dos problemas que a gente tem no mundo inteiro.
08:49Por quê? Porque eu valorizo o resíduo.
08:52E aí a economia circular.
08:54E isso é uma coisa que a gente tem estudado tanto da parte de modelagem econômico-financeira
08:59junto com os municípios.
09:01Hoje a gente tem três blocos que a gente está fazendo em conjunto.
09:04Região de Campinas, região de Sorocaba, um pouco mais no Oeste.
09:08E a gente está capacitando mais de 300 municípios olhando toda a cadeia.
09:13Que essa modelagem é muito focada no final.
09:15Transbordo até a destinação.
09:17A capacitação é para tudo, trazendo também associações de catadores,
09:23tendo a preocupação ambiental e social.
09:25Por quê? Porque tudo anda junto.
09:26E aí eu preciso da viabilidade econômico-financeira também,
09:29que o Estado tem essa predisposição de colocar recurso
09:33para não só, por exemplo, ficar comprando caminhão,
09:36mas para resolver o problema de valorização do lixo,
09:39que é bom para todo mundo no final das contas.
09:42Se a gente pensasse dez anos atrás,
09:45mudança climática era um assunto já,
09:48falava-se muito nos perigos, nos riscos e no que ia acontecer,
09:53mas hoje em dia a gente já pode falar que a gente sente,
09:56agricultores, pessoas que vivem na cidade,
09:58sentem os efeitos das mudanças climáticas.
10:00De que forma essa percepção real dos efeitos das mudanças climáticas
10:05já orienta ou tem orientado as prioridades da Secretaria?
10:09Tem. Ela também é um norte que a gente colocou no elo de sustentabilidade.
10:15Então, quando a gente fez a estratégia climática,
10:19as mudanças climáticas fazem parte de forma transversal.
10:23A gente criou uma parte transversal na Secretaria só para cuidar disso
10:27e assegurar que toda política pública a gente considerasse esses impactos,
10:32essas emergências, essas mudanças.
10:33Não só na Secretaria. O que a gente fez?
10:36A gente reativou ou efetivou,
10:39porque não tinha ainda sido efetivado no estado de São Paulo,
10:43tanto o Comitê de Mudanças Climáticas,
10:45que é composto por outras secretarias afetas a esse tema,
10:49que é muito importante,
10:50habitação, defesa civil, tecnologia de inovação, saúde,
10:55enfim, várias outras. Por quê?
10:56Porque a gente tem que fazer tudo coordenado.
10:58Se eu vou, de fato, levar saneamento para um local
11:02e levar saneamento para aquelas pessoas que não estavam sendo atendidas,
11:05áreas rurais, palafitas, favelas,
11:07e isso é justiça climática de verdade,
11:10eu preciso também estar junto com a habitação,
11:13porque em determinadas áreas eu preciso fazer um programa habitacional
11:16e realocar pessoas em áreas de risco, que a defesa civil também vai me ajudar.
11:20Então, esse comitê nos ajuda muito a ter essa coordenação.
11:23E um conselho de mudanças climáticas,
11:26que em 2025 a gente efetivou com a participação da sociedade civil,
11:30das academias, do setor produtivo,
11:33porque traz a visão da sociedade para a gente.
11:35E também é muito importante porque as mudanças climáticas afetam todo mundo.
11:41E aí, em tudo que a gente faz, então, a gente tem essa governança,
11:44tem o planejamento e tem considerações técnicas, como, por exemplo,
11:48cada vez mais a gente olhar as infraestruturas cinzas,
11:52vou colocar assim,
11:54estradas em que a gente prioriza, por exemplo, investimentos em drenagem.
11:58Por quê? Porque eu preciso me adaptar, ficar mais resiliente
12:01para chuvas que a gente está vendo o que acontecer.
12:05Elas tinham curvas mais longas, então, eram menos intensas num período maior.
12:10Elas estão ficando num período menor e mais intensas.
12:13Isso, para os reservatórios, por exemplo, não é bom,
12:16porque a gente precisa reservar cada vez mais água.
12:19Eu preciso que ela permeie, entre aqui nos poros e chegue nos reservatórios.
12:24Quando ela é mais intensa, isso é mais difícil de acontecer.
12:26E, por outro lado, a drenagem das cidades, das nossas infraestruturas,
12:30tem que estar mais robusta.
12:31Então, a gente está fazendo isso nas nossas rodovias, por exemplo,
12:37usando soluções baseadas na natureza, junto também com essas infraestruturas.
12:41Então, taludamentos com hidro-semeadura, isso nos ajuda também a dar essa permeabilidade.
12:46Drenagens mais fortes e drenagem é algo que a gente tem discutido muito com os municípios.
12:51porque no saneamento básico, água, esgoto, drenagem e resíduos sólidos,
12:56muitas vezes a drenagem foi esquecida.
12:58São obras enterradas politicamente.
13:01Às vezes, você não vê, não consegue fazer aquela inauguração com uma ponte, uma rodovia,
13:06mas são essenciais.
13:08Não é tão visível, mas é essencial.
13:10É essencial, principalmente quando chove.
13:13E aí, o que a gente tem feito também?
13:16Capacitado.
13:16Então, a gente, em todos os municípios, a gente está estimulando a cada um a ter
13:22os seus planos de adaptação e resiliência.
13:24Por meio do FEIDRO, um fundo de recursos hídricos também,
13:27ajudando muito financeiramente os municípios a fazerem obras e intervenções
13:32e fazendo planos e projetos.
13:35que é importante, porque não adianta eu fazer uma obra numa cidade,
13:38aqui que a gente fala a montante,
13:41vai aqui em cima e jogar água para um bairro que está aqui embaixo.
13:44Então, é preciso ter plano.
13:45E aí, a gente tem ido por comitês, fazer junto com os municípios esses planos
13:50e aí a gente criou uma agência reguladora de recursos hídricos, SP Águas,
13:54aqui no estado, para regular cada vez melhor, fiscalizar também
13:58e ajudar a ter esse planejamento mais consciente para o futuro, presente e futuro.
14:04Então, a gente faz agora pensando, isso é importante para a questão de mudanças climáticas,
14:09estruturas que funcionem não só para o hoje, mas que elas aguentem também esses
14:14que a gente chama tempos de recorrência, essas chuvas que estão cada vez com esse comportamento
14:19para o futuro e isso em todas as políticas.
14:22Eu citei algumas aqui, mas nesse planejamento a gente sempre considera a parte financeira, técnica,
14:30olhando, falei em saneamento básico, água, esgoto e drenagem junto, como a gente tem discutido.
14:34Por quê? Porque se eu tiver, a gente está com um plano de saneamento aqui no estado
14:38de 360 bilhões até 2060, até vai um pouquinho a mais por causa da duração dos contratos.
14:46Por que a gente está colocando também a drenagem na discussão com os municípios?
14:49Porque muitas vezes os municípios fazem essas infraestruturas, né? Boca de Lobo, Sarjeta.
14:54Porque se eu não tenho, isso acontece às vezes na Baixada, se eu não tenho uma rede de drenagem,
14:59a água da chuva vem, ela entra na rede de esgoto, extravasa, porque a de esgoto não está preparada
15:05para a água da chuva, né? São sistemas diferentes. E aí ela para nas praias, afeta a nossa bauneabilidade.
15:13Por isso que tudo tem que andar bem concatenado, para de fato a gente ver a qualidade de vida para
15:19as pessoas, né?
15:20Que é o nosso foco sempre.
15:21A gente acaba sempre vendo, né? Final de ano, o drama que é, né? Nas praias de São Paulo,
15:27essa questão da qualidade das águas para banho ou não, e muitas vezes tem a ver com a grande quantidade
15:35de pessoas que vai,
15:36e tudo isso depende também de infraestrutura, não é, secretária?
15:39Sem dúvida. E muitas vezes é até a drenagem, não é nem o sistema de esgoto.
15:45Só que é um assunto complexo que a gente cada vez mais tem tentado explicar, informar,
15:50porque primeiro que para as pessoas, para nós, a gente quer que as praias estejam limpas,
15:56que os mares estejam, que a gente possa usar os nossos mares, que a gente possa ter um meio ambiente
16:01equilibrado.
16:03Independentemente de ser competência municipal, que é o caso mais daquela micro-drenagem,
16:07falando grosso modo, nem gosto muito de separar micro de macro não, mas aquela micro, aquela boca de lobo,
16:13a sarjeta, os bueiros, e a macro que fica muito com o estado. O que é a macro, né?
16:19Para quem está nos acompanhando.
16:22Limpeza dos rios. Então, por exemplo, a gente retirou 5 milhões de metros cúbicos de várias coisas,
16:30sedimentos, pneu, carcaça de carro, desde 2023 do Tietê e Pinheiros.
16:35Isso dá mais de 400 mil caminhões enfileirados daqui a São Paulo, Argentina.
16:40Para quê? Para a gente limpar, melhorar o escoamento.
16:43Isso mitiga enchente. Resolve 100%?
16:45Não, porque tem muitas pessoas, e aí vem a habitação junto conosco, naquela coordenação que eu comentei,
16:51que ficam nas margens, nas várzeas. Então, quando tem uma chuva maior, acaba afetando.
16:58Então, a gente tem um programa habitacional para ir em conjunto e olhar para essas pessoas,
17:02proteger essas pessoas. Mas ajuda muito.
17:05A gente já fez em 445 cursos d'água, rios ao longo do estado, esse processo de retirada de sedimento
17:12para limpar, para melhorar o escoamento.
17:15E em vários municípios, a gente tem relatos do tanto que isso ajudou com a intensidade das chuvas,
17:21que tem se acelerado. Então, esse é um trabalho que a gente faz.
17:25O outro é melhorar a resiliência. Baixada, a gente estava falando.
17:30A gente tinha uma média de investimentos antes de 2024, antes do processo de desestatização da Sabesp,
17:37que foi feito muito com o foco de, temos vários problemas para resolver,
17:42precisamos resolver e precisamos colocar mais investimento, que eu não resolvo do dia para a noite,
17:48mas pelo menos ele tem meta, regulação forte e vai vir aqui para poder preencher uma lacuna
17:54que ficou ao longo de muito tempo por variados motivos.
17:58Antes era 500 milhões, a gente está fazendo 2 bilhões ali de investimentos só na Baixada Santista.
18:03Por quê? Porque lá eu tenho uma questão de água que eu preciso, que eu não tenho uma reservação bruta.
18:11O que é isso? Eu não tenho reservatórios como Cantareira.
18:14Então, eu preciso fazer reservatórios.
18:17Qual foi o último grande feito lá? Santa Tereza em Santos em 1981.
18:22Então, agora a gente está fazendo 23 até 2029, 4 grandes que até o final do ano a gente acaba,
18:2940 milhões de litros de água ali em Itaiaém, mas que vai servir para toda a Baixada.
18:35Uma Eta nova em Praia Grande, meu Vi, que aí vai ajudar 1.270 litros por segundo a estabilizar.
18:43E aí no final do ano, como a gente tem uma população flutuante muito alta,
18:47isso ajuda a problemas históricos que a gente tem de falta d'água na Baixada.
18:53Guarujá. Guarujá precisa de água nova. O que a gente está fazendo?
18:56Uma adutora até julho ficar pronta para levar 500 litros por segundo de onde?
18:59De Cubatão, que a gente está expandindo a estação de tratamento de água
19:03para levar uma água nova para um local que não tinha e que ficou muito tempo sem.
19:08Então, é o tipo de solução que pode não ser o mais fácil,
19:13mas é o correto para a gente de fato preencher déficits que ficaram ao longo do tempo em relação à
19:20resiliência.
19:20Mas o resultado desses investimentos não são imediatos, não é isso?
19:23Quer dizer, leva um tempo para aparecerem para a população.
19:27Leva um tempo. Não é do dia para a noite.
19:30Eles são enterrados, muitas vezes.
19:33Então, as pessoas não enxergam. O que normalmente elas enxergam?
19:38O trânsito. O trânsito que causa você muitas vezes parar uma rua para poder passar o cano, a coleta,
19:45mas que é tão importante para a saúde até das pessoas.
19:50Guarujá mesmo.
19:51Ano passado, a gente levou água, coleta, tratamento e esgoto para 20 mil famílias.
19:57Então, multiplica por 3, 4, dá mais de 60, 70 mil pessoas que não tinham acesso à água no estado
20:04de São Paulo.
20:05No total, em 371 municípios, depois que a gente fechou o ano, o resultado,
20:123 milhões de pessoas passaram a ter tratamento de esgoto.
20:16Então, 3 milhões de pessoas não tinham tratamento de esgoto.
20:19E aí, olhando o meio ambiente, é importante a gente falar disso.
20:23O que isso representa?
20:2510 bilhões de litros de esgoto que caíam no Tietê e agora não estão caindo mais.
20:31Então, isso ajuda muito a despoluir o Tietê.
20:34Porque muitas pessoas falam assim, poxa, mas por que o Tietê não está despoluído até hoje?
20:40Um monte de programa ao longo dos anos, várias promessas políticas, bilhões investidos.
20:47Porque você imagina, vou citar alguns exemplos, mas é um pouco da causa.
20:52Guarulhos, até 2019, tinha 1% de tratamento de esgoto.
20:56A segunda maior cidade de São Paulo, aqui a montante, ou seja, em cima que o esgoto vai descendo.
21:02Franco da Rocha, Caeiras, Cajamar e Francisco Morato tinham 0% de tratamento de esgoto até 2022.
21:11Então, esse esgoto estava caindo no Tietê.
21:13Não tem como eu despoluir o Tietê com essa situação.
21:16O que a gente fez?
21:17Um contrato mais robusto, porque antes era um monte de contrato.
21:20Cada um com uma meta diferente, indicadores que não se encontravam com planos municipais,
21:26o plano da Sabesp.
21:27Então, a gente fez um só até 2060.
21:30Metas anuais, uma regulação em que só entra para tarifa o investimento que foi averiguado
21:37por um auditor independente por uma agência reguladora.
21:39Antes era o contrário.
21:40Já entrava na tarifa e depois a Sabesp fazia ou não.
21:44Então, isso gera, no caso agora, um alinhamento de incentivo muito grande
21:48para a gente ter obra feita, senão não recebe.
21:52Isso é importante a gente discutir, porque às vezes é complexo, é técnico,
21:55mas faz muita diferença para, de fato, a gente avançar.
22:00Nós vamos fazer um rápido intervalo e já voltamos.
22:21Voltamos com a entrevista com a secretária do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, Natália Rezende.
22:25Secretária, a gente fez uma avaliação sobre as últimas medições da DBO,
22:33que é a demanda bioquímica por oxigênio no Rio Pinheiros.
22:36A gente estava falando no bloco anterior sobre a questão da despoluição do Pinheiros e do Tietê.
22:42Nós avaliamos essas medições e vimos a média da DBO, do índice DBO, em 2025, 2024, nos anos anteriores.
22:52E a gente percebe, em 2025, uma alta muito grande em relação a 2024,
22:58mesmo retirando um pico que teve no segundo semestre por causa de um vazamento no Pinheiros,
23:03que foi amplamente divulgado.
23:05mesmo pegando o primeiro semestre do ano passado, a média é de mais de 60 DBOs, né?
23:14Então, bem acima do que foi, por exemplo, a média de 2024, que foi na casa dos 38, menos de
23:2040 DBOs.
23:22Eu queria saber como que a secretaria está acompanhando esses dados e a que se pode atribuir isso.
23:27Sim, bom, então, a gente criou, quando a gente chegou, um programa exatamente para a gente colocar na mesma mesa
23:35todos os atores que a gente precisa para, de fato, vencer esse desafio que é a despoluição do Tietê
23:42e dos seus afluentes. O Pinheiros é um afluente do Tietê, né?
23:4525 km cai no Tietê. E para, de fato, a gente fazer investimentos que resultem na despoluição,
23:51na melhoria da qualidade de vida para a gente aqui, que não só aqui na região metropolitana,
23:56mas ao longo dos 1.136 km que o Tietê nasce lá em Salesópolis e corre, vai até o Paraná,
24:03olhando várias frentes. E aí é um pouco disso que a gente faz, tanto a parte de investimento,
24:10monitoramento, fiscalização também e ver a fonte que é o que a gente tem que atacar.
24:16Então, a gente estava comentando sobre a questão do esgoto.
24:20É uma das principais fontes quando a gente olha o alto Tietê, alto médio Tietê, principalmente.
24:26E, claro, isso é uma coisa que os investimentos, quando a gente coloca num contrato,
24:31para esse tipo de serviço, o resultado vai vindo ao longo dos anos.
24:36O que a gente colocou? Até 2029, quatro anos antes do novo marco de saneamento federal,
24:41a Lei Federal 14.026, para ter a chamada universalização. O que é isso?
24:47É você levar água, acesso à água, para todos coleta e tratamento de esgoto.
24:53A partir do momento que eu faço isso, eu melhoro muito a qualidade do meu rio. Quanto?
24:58A gente fez um cálculo com o Banco Mundial, de que com os investimentos que já estão contratualizados,
25:04dos 69 bilhões até 2029. Isso está tudo posto, meta, regulação.
25:08A gente reduz em 54% a carga orgânica, que pode ser medida por DBO ou pode ser medida pelo
25:13COTE.
25:13Também a gente está fazendo as duas. E a gente tem visto, sim, em vários pontos,
25:18principalmente nos afluentes, já melhorias. A gente aumentou, inclusive, a quantidade de pontos monitorados,
25:24de 19 para 30, então a gente aumentou 11, exatamente para a gente ter uma precisão melhor.
25:30É verdade. Tem mais medições, inclusive, né?
25:32Exato. E na barragem de Gadesousa, também ali no final, para a gente ter um ponto para a gente ver
25:38a saída
25:39aqui do alto TGT. E a gente está investindo mais ainda em tecnologia na CETESME,
25:43para a gente ter todo o rio monitorado e ter essa prestação de serviço até com uma periodicidade melhor
25:51para as pessoas. Por quê? Porque depende muito também da época do ano que você pega chuva, menos chuva.
25:56Isso impacta, mas a gente está tratando com a nossa equipe técnica.
25:59Como é que cada vez mais a gente monitora, fiscaliza e é transparente.
26:03Porque a gente está investindo muito e a gente quer melhorar e quer que as pessoas vejam isso também.
26:09Então, a gente vê, sim, quando a gente olha 2025 uma melhora em vários pontos,
26:14principalmente dos afluentes, está lá no nosso site, né? Todo mundo pode acompanhar e aí convido todos também a conhecer.
26:20e fazendo muita obra de infraestrutura e dentro do contrato que eu comentei anteriormente.
26:27E foi por isso que a gente fez também a privatização da Sabesp para a gente melhorar
26:31problemas históricos que a gente tinha.
26:34Exemplo, a gente está com 2 milhões de conexões para a gente pegar o esgoto, coletar, jogar no tratamento.
26:41Que aí, o que é que eu preciso fazer? Eu preciso expandir as minhas estações de tratamento.
26:45Hoje a gente trata 24 mil litros por segundo.
26:49Até 2029 a gente vai tratar 43 mil litros por segundo.
26:54Por quê? Porque a partir do momento que eu coleto, eu preciso tratar e devolver para o Tietê com mais
26:58qualidade.
26:59Se a gente pensar aqui só Guarulhos, Guarulhos e região.
27:05A gente tem a Edson Miguel, ela hoje trata 1.500 litros por segundo.
27:10Já está previsto, está em contratação, aumentar isso 5.500, para 5.500 litros por segundo.
27:16Ou seja, 4 mil litros por segundo hoje não coletados estão caindo in natura no Tietê.
27:20Então é por isso que a gente tem esse problema de despoluição de muitos e muitos anos.
27:26Vai resolver? Vai resolver com essa organização que a gente está fazendo.
27:31É do dia para a noite? Não é do dia para a noite.
27:33Está em andamento? Está. E aí é por isso que a gente está tendo também muito problema com o trânsito.
27:37Por quê? Porque é muita obra enterrada, é coleta, é passar nas ruas, mesmo com o método não destrutivo,
27:44que a gente tem usado muito hoje, que é aquele tatuzinho que você coloca e a gente impacta menos.
27:49Mas impacta, não tem como.
27:51A partir do momento que a gente fizer isso, a gente vai melhorar muito essa questão do esgotamento.
27:57Mas ela não é a fonte única.
27:59Então, o que a gente está fazendo?
28:01A gente criou um grupo de fiscalização integrada, também junto com municípios, com comitês de bacias.
28:07Ano passado a gente rodou mais de 7 mil quilômetros.
28:11O Tietê tem 1.136.
28:13Para a gente ver a chamada poluição difusa.
28:16Então é a poluição que muitas vezes a gente não sabe a fonte, mas ela cai no rio.
28:20E aí a gente tem ido, tem feito um trabalho muito forte de fiscalização ao longo de todo o Tietê
28:25para a gente atacar também essa fonte.
28:28Porque em 2029, esses municípios que estão aqui no contrato, que são prestados pela Sabesp,
28:34a parte de esgoto vai estar universalizada.
28:37Não tenho dúvida.
28:38Agora essa poluição difusa a gente está fiscalizando, está indo cada vez mais para cima
28:43para a gente também tirar isso do Tietê.
28:46E o que eu comentei antes do chamado desassoreamento.
28:49A gente colocou em consulta pública uma PPP muito interessante, que vai lá de Salesópolis,
28:57percorre 182.9 quilômetros até Pirapora.
29:02Então até o médio Tietê, pega todo Pinheiros e um pouquinho do Guarapiranga, 27 quilômetros,
29:07para a gente ter estabilidade no desassoreamento, que é a retirada de sedimento e mais.
29:15Para a gente conseguir, e aí em paralelo a gente colocou junto com ações de educação ambiental,
29:20retirar os resíduos flutuantes.
29:22O lixo, que o que a gente vê?
29:25Principalmente quando chove, desce aquele lixo todo para o Tietê.
29:28Fica aquela coisa feia que ninguém quer ver.
29:32Mas que passa, a gente vai tirar.
29:34Então isso está, a gente no Pinheiros, eu não sei se aqui pertinho.
29:37A gente vê aqui quando chove.
29:39A gente vê aqui em frente.
29:40Exato.
29:41E o que a gente colocou aqui em frente?
29:42Um lixômetro para a gente...
29:45É uma barreira, né?
29:47Tem uma barreira.
29:48Ah, o lixômetro é um medidor, é isso?
29:50Isso.
29:50A gente colocou um painel muito a título de conscientização mesmo.
29:55Não sei se você já viu, uma capivara aramisada com a cara feia,
29:59um peixe, para a gente mostrar os principais materiais que a gente tira do Pinheiros,
30:04que hoje, se a gente for olhar, está chegando a mais de 110 mil toneladas desde 2023.
30:11E aí, toda semana a gente atualiza e a gente coloca lá.
30:14Quanto que a gente gastou com isso?
30:15Mais de 180 milhões.
30:17Que eu poderia usar em outra política pública, se, claro, todo mundo se unir.
30:22Por isso que é importante a união de esforços.
30:24Agora, secretária, quando esse dado, por exemplo, que eu citei, né?
30:27Que mostra uma alta nesse indicador, que é um indicador de poluição,
30:33num ponto que é o ponto mais próximo, o ponto de Pinheiros mais próximo do Tietê, né?
30:39Quer dizer, é o que melhor mede a quantidade de poluição que está sendo despejada no Tietê.
30:47Quando se avalia, ou quando a secretaria avalia dados como esse e recebe da CTS esses dados,
30:52como que é o contato com a Sabesp, por exemplo, como é feita a cobrança, né?
30:57Para a empresa que foi desestatizada, para entender as causas e buscar soluções.
31:03A gente tem uma regulação agora mais forte, na verdade. Por que que é mais forte?
31:08Porque antes, mesmo sendo pública ou sendo pública, você tinha contratos diversos
31:16que não tinham, muitas vezes, penalidades bem descritas.
31:20Eram diversos contratos.
31:22Metas que não eram anuais, metas de cobrança.
31:25E você não tinha fatores de desempenho ligados à tarifa.
31:28Então, quando você mexe no bolso, aquele alinhamento de incentivos que eu comentei, muda muito.
31:34Por que que eu estou falando isso?
31:35Porque a gente criou o chamado fator 1, fator de universalização,
31:38que se a Sabesp não fizer os investimentos, além da multa, e agora a gente tem multas bem gradadas,
31:44tem um anexo, para quem tiver curiosidade, está lá no nosso site anexo 3 só de comando e controle, só
31:50de sanção.
31:51Por isso que muitas vezes o pessoal fala assim, poxa, estou vendo aí que a Sabesp foi privatizada,
31:56ela está sendo mais penalizada, está tendo mais fiscalização.
32:00Sim, porque a gente colocou mais robustez na fiscalização.
32:04Então, a gente preparou os nossos órgãos para isso.
32:07Primeiro com um contrato que coloca sanções mais bem definidas,
32:11coloca um incentivo financeiro para, se eu não tiver isso, reduz a tarifa.
32:16Então, tem um abatimento.
32:17E a gente mudou a lei de agências reguladoras, aqui no estado, para botar uma agência mais forte.
32:23E a CETESB também a gente preparou mais, com concurso, com mais pessoas, com mais tecnologia,
32:29exatamente para, uma vez que tem erro, a gente vai sim pedir para corrigir.
32:34Pedir não, determinar.
32:36Então, é uma medida que a gente fez também, em paralelo,
32:42exatamente porque a gente fez a privatização para dar mais eficiência,
32:46para fazer esses investimentos todos aqui, que eu falei que tinha um déficit muito grande.
32:50Se você olhar aqui a estação de elevatória de Pinheiros,
32:54ela estava com um problema de muito tempo, os extravasamentos.
32:58Por que que não foi corrigido antes?
33:00Não sei, mas a gente colocou para corrigir.
33:03É do dia para a noite? Não é.
33:04Vai ter fiscalização cada vez mais forte.
33:07Então, a gente vai colocar isso de forma transparente,
33:10vai mandar, seja multas, sanções, tudo que está disposto no contrato e nas legislações.
33:16Tem vários pontos, como eu comentei.
33:18Então, vários pontos, alguns, que a gente, a maioria, na verdade, se você olhar lá no site,
33:24eles melhoraram na parte de qualidade.
33:26No ano passado, reduziu, inclusive, a publicação da SOS Mata Atlântica
33:31em 33 quilômetros a mancha.
33:33Isso é importante a gente falar.
33:35Porque, no todo, a gente viu uma melhoria assim.
33:37Em 2025, que eu estou falando.
33:39Claro que tem alguns pontos que, inclusive, aqueles extravasamentos que a gente foi para cima,
33:46multamos, colocamos, inclusive, o direcionamento de recursos para o FI na clima,
33:50que foi um mecanismo que a gente criou para melhorar a questão de restauração,
33:57de olhar o meio ambiente de forma mais integrada.
34:00Tem dado super certo também.
34:02E aí, a gente colocou também essa penalização na Sabesp para ela devolver também
34:06em forma de recurso, além de pagar multa.
34:09Então, isso é importante.
34:11E aí, olhando como um todo.
34:13Olhando para dar certo investimento, uma vez que tem erro, a gente vai para cima para corrigir.
34:18Pode-se dizer, ou é válida a crítica que é feita por alguns especialistas,
34:22de que o desenho da privatização da Sabesp colocou muita ênfase no investimento
34:28que é preciso fazer para novas obras e menos na manutenção que é necessária,
34:33inclusive, para evitar problemas como esse?
34:36Não, é uma crítica errada.
34:37E eu digo isso, sem dúvida nenhuma, porque isso está escrito no contrato.
34:45Então, é uma questão de ler o contrato mesmo e ver que lá tem uma série de investimentos
34:54previstos para o CAPEX e para o OPEX, que a gente chama.
34:56Então, tanto a parte de investimento quanto para a parte de operação.
35:01Eu mencionei a questão das redes novas que a gente está fazendo na Baixada Santista.
35:09Tem muita coisa lá que é a parte até de manutenção de operação
35:13que foi melhorada em virtude dos investimentos que a gente colocou.
35:16Não só lá.
35:17Aqui, a região metropolitana de São Paulo, a gente tem redes que muitas vezes são antigas.
35:2370 anos em determinados trechos aqui no centro de São Paulo, por exemplo.
35:26Então, tem todo o investimento previsto também e aí a gente, claro, dividiu em ciclos.
35:31Por quê?
35:32Porque a gente tem a responsabilidade de fazer isso também, olhando o impacto que a gente
35:36cria na vida das pessoas, no trânsito.
35:38E com essas obras, 69 bilhões, nunca teve esse investimento, investimento histórico
35:43aqui no estado de São Paulo, no Brasil.
35:45A gente causa impacto na vida das pessoas.
35:47Então, a gente tem essa responsabilidade também de fazer isso de forma concatenada com
35:52as prefeituras, com a sociedade civil, enfim, com diálogo, com transparência, olhando
35:57os ciclos.
35:58Então, a gente tem um ciclo muito forte de universalização até 2029.
36:04Investimento, manutenção, está tudo dentro, está tudo escrito no contrato.
36:08E tem penalidade e tem indicador não só na parte de comando e controle, mas também
36:13para rebater na tarifa.
36:14Isso não tinha antes.
36:16Então, foi um desenho em que a gente fez pensando nas pessoas.
36:22E aí é uma coisa interessante de notar e de discutir também.
36:26Eu tenho discutido muito com especialistas.
36:29A gente sempre tem esse cuidado de trazer as pessoas, porque as críticas são bem-vindas
36:34para a gente sempre melhorar.
36:35Isso é bom.
36:36Se você olhar outras concessões no Brasil, elas não estão incluindo, por exemplo,
36:42área rural, favela, palafita.
36:45Como necessidade, como obrigação, como meta.
36:48Como obrigação.
36:49E a universalização é para todo mundo e, principalmente, para quem mais precisa.
36:53São Bento Sapucaí e Cantagalo, bairro.
36:56Fui lá outro dia.
36:57As pessoas estavam há 40 anos sem água.
37:00Agora elas estão tendo água.
37:02Por quê?
37:02Porque a gente colocou essa obrigação no contrato.
37:05E aí você fala, poxa, mas a concessionária era pública.
37:08Sim.
37:08Por que ela não foi lá nas pessoas que mais precisam?
37:13Por que o Vale do Ribeira, a região mais vulnerável do estado, 40% não era atendido?
37:19Se era público?
37:20É questão contratual.
37:22É questão regulatória.
37:24Independentemente se a Sabesp antes tinha 50%, pública ou 18%.
37:28Nós somos ainda os maiores acionistas.
37:30E mais.
37:31Hoje, que não tinha antes, todo o lucro que a gente tem, a gente coloca num fundo que a
37:36gente criou por causa da privatização para voltar para a tarifa social de quem mais precisa.
37:42Antes, a gente tinha menos de 2 milhões de pessoas.
37:45Hoje, a gente está chegando a 6 milhões de pessoas com acesso à tarifa social com desconto
37:49que chega até 78%.
37:50Então, isso é uma coisa que a gente precisa falar mais porque foi um mecanismo criado em
37:56virtude da privatização que, diferentemente de outros locais, colocou a área rural toda,
38:03colocou favela, colocou palafita e colocou tarifa social para quem mais precisa com desconto
38:08muito maior do que no resto do Brasil.
38:10E isso porque a gente fez, não pensando em privatização por privatização ou por
38:16ideologia ou por política.
38:17Foi por técnica.
38:19Foi por ver que isso era o melhor para as pessoas e para resolver problemas que, às
38:24vezes, estavam debaixo do tapete e que a gente está fazendo assim, está jogando para
38:28mostrar e para poder resolver.
38:31E para fiscalizar, sim.
38:32E se tiver problema, a gente vai corrigir.
38:35Secretário, vamos mudar de assunto.
38:37Eu queria lhe perguntar sobre o programa Refloresta São Paulo e quais são os principais
38:41resultados que têm saído disso.
38:43Esse programa, para nós, é muito relevante.
38:47A gente fica muito feliz de falar dele porque é um dos maiores chefes da secretaria
38:52que a gente colocou no plano meio ambiente, no plano de adaptação à resiliência climática
38:56dentro da parte de biodiversidade.
38:58E aí, a gente até colocou lá no início, em 2023, uma meta para a gente conseguir fazer
39:04a restauração de 37,5 mil hectares até o final desse ano.
39:08A gente já chegou a 34, então, provavelmente a gente vai passar.
39:11Provavelmente não, com certeza.
39:13E um dos programas que nos ajuda muito nessas metas é o Refloresta.
39:20E aí, o que ele tem de mérito que é muito legal a gente falar?
39:26Ele olha o meio ambiente, ele olha as pessoas, ele olha a sustentabilidade de fato no social,
39:32ambiental e econômico financeiro.
39:34Então, a gente faz projetos junto, por exemplo, com pequenos agricultores,
39:40para a gente conseguir melhorar renda, por exemplo, desses agricultores, com capacitações técnicas, com pagamento
39:50por serviço ambiental, para a gente restaurar também o meio ambiente.
39:54Exemplo, outro dia eu fui lá em Lagoinha, fui em São Luís do Paraitinga, lá no Vale do Paraíba,
40:00que a gente está fazendo com o consórcio Três Rios.
40:02Isso é muito legal fazer com consórcios, também a gente quer expandir para outros consórcios.
40:06E aí, eu fui visitar, conversar com as famílias, uma delas tinha uma produção de 250 litros dia de leite,
40:14passou para 700 litros por dia, com esse programa em que a gente capacita, a gente ajuda,
40:22a gente mostra como é que é possível fazer a restauração, e aí tem todo um plano, um projeto bem
40:28definido,
40:29um pagamento por determinadas atividades, que depois a pessoa nem precisa mais,
40:34porque ela já aumentou inclusive a renda dela, então essa pessoa passou, essa família passou de 250 para 700 litros
40:41dia,
40:41com um aumento de renda, um aumento de produção, com a restauração de toda a área,
40:47uma área que estava degradada e que um ano depois, e a gente viu lá as fotos, e é muito
40:52legal você ver as fotos,
40:53a propriedade já está verde, então já está toda com o plantio adequado, porque a gente faz toda essa capacitação,
41:01e dá todo esse apoio, que é um apoio que gera a prosperidade mesmo, então são famílias que querem trabalhar,
41:10que querem ter renda, que querem ter o apoio do Estado, mas que querem também caminhar sozinhas.
41:15O aumento de produção vem pela capacitação, que faz parte do projeto do reflorestamento, é isso?
41:21Então, por exemplo, uma outra família que eu fui visitar, eles tinham uma produção de gado,
41:31eles tinham lá 36 meses para poder fazer a engorda do gado, só que o que estava acontecendo,
41:37e tem muito da declividade, no caso específico do Vale do Paraíba, o gado estava descendo
41:41para poder beber água no curso d'água no rio que estava passando a propriedade.
41:45O que que a gente falou? E aí a gente fez o projeto em conjunto, vamos piquetear aqui ao redor
41:51do rio?
41:52O que que é piquetear? A gente isola, por quê? Porque o gado, ele está assoreando o rio,
41:58então está prejudicando, seja a engorda, seja também o curso d'água que está passando.
42:03O que que a gente vai fazer? Vai fazer produção aqui do gado, vai colocar aqui em cima, vai fazer
42:08um bebedouro,
42:09vai fazer a bomba, toda a infraestrutura necessária, rodízio, enfim.
42:13E aí nessa outra área, tanto na parte aqui de mata nativa quanto do resto da propriedade,
42:18a gente vai fazer restauração, a gente vai ver qual é o plantio adequado.
42:21E aí eu fui lá um tempo depois e eles me falaram com uma felicidade imensa,
42:28que também deixou a gente muito feliz, que de 36 meses passou para 18 meses a engorda do gado,
42:33ou seja, dobrou a produção e o curso d'água aumentou o nível e melhorou e a mata nativa começou
42:40a nascer mais.
42:41Então, foi um ganha-ganha, tanto da parte social, econômica e financeira, como ambiental,
42:47que o programa, com uma ajuda financeira do Estado, que não é muito, a gente consegue fazer esse apoio às
42:56famílias.
42:57E aí a gente faz isso olhando a realidade de cada uma delas, que, que é interessante,
43:04gera um resultado positivo, não só naquela família em si, mas no entorno,
43:08que muitas vezes chega e fala assim, poxa, mas você vai perder a sua área mais valorosa,
43:14que é ao redor do rio, né, você vai confiar nesse programa,
43:18e aí quando essas famílias veem o resultado, aí elas também passam a confiar e passam a copiar,
43:24o que pra gente é ótimo, porque a gente quer que boas práticas sejam um exemplo,
43:29não só no Vale do Paraíba, mas no Estado como um todo.
43:32Secretário, uma última pergunta, a gente poderia ficar horas aqui conversando, né,
43:37tem muito assunto, mas um dado interessante que aconteceu nos últimos anos é a recomposição, né,
43:44da cobertura vegetal da Mata Atlântica, não só em São Paulo, mas também em São Paulo.
43:49E a pergunta que eu lhe faço é, a lei de flexibilização do licenciamento ambiental,
43:55ela pode reverter essa conquista?
43:57Não, e aí é importante a gente frisar, aqui no Estado de São Paulo, a gente sempre teve uma posição
44:07de vanguarda
44:07e de referência muito grande em relação a essa questão ambiental e em relação ao licenciamento ambiental.
44:13Existe uma lei complementar 140 que ela dá competências, atribuições complementares para a União, Estado e Municípios.
44:27Então, a gente consegue desenvolver essas normas e conseguiu desenvolver essas normas,
44:31mesmo antes da nova lei de licenciamento, com foco em segurança jurídica,
44:37celeridade, eficiência e responsabilidade ambiental.
44:41Então, aqui no Estado de São Paulo, a gente já tem um arcabouço jurídico desenvolvido
44:46que olha muito esses princípios.
44:49Exemplo, a gente estava falando de biometano.
44:52A gente produziu normas aqui para dar essa segurança jurídica, previsibilidade, transparência,
44:58celeridade, sim, mas com responsabilidade ambiental.
45:00E aí, por isso que a gente teve esse aumento de produção.
45:04Um exemplo, né? Por quê? Porque a gente olhou o setor sucroenergético, o setor de resíduos sólidos,
45:09colocamos normas, a gente coloca também para a sociedade, enfim, então isso nos ajuda muito.
45:16Melhoramos, fortalecemos a nossa agência ambiental.
45:19Então, era uma agência que tinha uma necessidade de melhoria em relação a mais pessoas para poder ajudar.
45:25A gente fez concurso, chamamos 224, mais 60 agora.
45:29Então, fortalecemos a agência e fortalecemos a parte de tecnologia.
45:35Para quê? Para a gente ter processos mais ágeis, mais transparentes,
45:39em que a gente dá resposta para a sociedade e dá, de uma forma, olhar o meio ambiente,
45:44olhar a sustentabilidade naquele tripé que eu comentei.
45:46Então, a gente já veio fazendo isso, desde 2023, melhorando tudo que a gente viu de necessidade ou de lacuna,
45:55com um corpo técnico extremamente qualificado, em que a nova lei de licenciamento,
46:01ela, claro, é uma lei nacional, mas em virtude dessa complementariedade em relação ao meio ambiente,
46:08aqui no estado de São Paulo, a gente já tem uma previsibilidade e uma segurança jurídica e ambiental muito grande,
46:16que cada vez mais a gente vai ver o resultado.
46:18Resultado para as pessoas e um resultado que une desenvolvimento e desenvolvimento sustentável de verdade.
46:25Não é só falar.
46:26Acho que é mais que falar, é fazer, é mostrar, ser transparente,
46:29é trazer as pessoas para entenderem, muitas vezes, normas que são complexas.
46:33Então, cada vez mais a gente fez coletânea de normas ano passado, no Dia Mundial do Meio Ambiente,
46:37para trazer as pessoas para entender e para a gente ficar à disposição também para explicar.
46:42Diz que é importante também esse diálogo nosso aqui.
46:44Isso. Muito bem. Muito obrigado, secretária, pela entrevista.
46:47Eu que agradeço sempre a disposição para a gente. É um prazer enorme estar aqui.
46:51Muito bem.
46:52Este foi o Veja Mais Verde. Muito obrigado pela audiência e até breve.
46:57Veja Mais Verde.
47:00Um oferecimento Vale.
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